Eu me via em desespero; o chão parecia ceder sob meus pés. Não podia assistir à morte da minha esposa sem fazer nada, mas o que me restava? Tínhamos duas filhas lindas, e a ideia de criá-las sem ela me apavorava. Nazli e Nazla eram a imagem esculpida da mãe, carregando apenas pequenos traços meus.
Eram gêmeas idênticas, mas apenas na aparência. Nazla era a doçura em pessoa: carismática, carinhosa e o braço direito da mãe em tudo. Nunca nos deu um dia de preocupação. Já Nazli era o meu retrato quando jovem: impetuosa, protetora e incapaz de levar um desaforo para casa. Tinha um gênio difícil, mas um coração de ouro que pulsava pela família.
Minha história com Rebeca começou anos atrás, quando deixei Istambul rumo à Sicília em busca de trabalho. Fui acolhido na mansão dos Pazzani. O patriarca viu algo em mim que o fez me contratar de imediato. Rebeca já estava lá, atuando como assistente pessoal da Senhora Pazzani. O amor floresceu nos corredores daquela casa e, anos depois, nos casamos.
Continuamos servindo à família mesmo após a tragédia que levou a Senhora Pazzani durante o parto do caçula, Demétrio. Rebeca permaneceu para ajudar na criação dos meninos. Dante, o mais velho, tinha apenas cinco anos quando perdeu a mãe; o luto o transformou em um bloco de gelo, um homem fechado e sombrio. Demétrio, por outro lado, cresceu sendo pura luz.
Minha esposa só deixou o serviço na mansão nove anos depois, quando descobrimos a gravidez das gêmeas. Eu, no entanto, permaneci. E agora, vinte anos depois, eu me encontrava ali, prestes a pedir um empréstimo ao Senhor Pazzani para salvar a vida da minha doce Rebeca.