"Pequena", concordei com a cabeça, sarcasticamente. Claramente, tínhamos uma visão muito diferente do que significava "pequena", mas como filha do implacável Alfa da Matilha Lua Carmesim, acho que, para ela, isso era de fato pequeno.
"Você sabe que sua cerimônia de união será assim também!", Sage disse e riu baixinho, observando Lilly através dos meus olhos.
"Nem pensar!", gritei, olhando para Lilly e seu vestido luxuoso, cílios postiços e bronzeado. Eu a amava e admirava sua confiança, mas era definitivamente mais discreta que ela - nunca fui de buscar os holofotes, preferindo sempre os bastidores! Então, esse tipo de ostentação não era para mim.
"Seu pai e o Alfa Leigh não aceitarão nada menos do que uma cerimônia extravagante! Você está ferrada, já que eles não permitirão um evento discreto! Você é a filha do Beta, então deve representar a matilha. Você sabe que Mike também vai querer tudo isso! Com babados e tudo mais!", Sage provocou, me fazendo gemer e a ignorar.
Olhei para Lilly com carinho, sorrindo enquanto admirava sua beleza.
"Você está linda, Lilly, e muito magra", acrescentei, sabendo que era o que ela queria ouvir, mas a verdade era que ela estava mesmo! Ela era o tipo de garota que ficaria linda até em um saco de lixo.
"Você acha?", ela perguntou e, vendo como seus lábios se curvaram em um sorriso, eu soube que ela estava satisfeita com minha resposta.
"Sim!", afirmei com firmeza. Batendo palmas animadamente, ela ofegou e correu até a penteadeira, voltando com uma caixa e a colocando no meu colo.
"Comprei um presente para te agradecer. Sei que tenho sido uma noiva neurótica nos últimos meses, me preparando para o casamento."
Pega de surpresa, olhei para ela e para a caixa lindamente decorada em meu colo. Passando a mão pela fita rosa, olhei para ela, me lembrando do motivo de eu a amar tanto! Ela podia ser mimada, uma princesa maldita e uma rainha do drama, mas nunca deixava de me fazer sentir especial e valorizada!
"Não precisava", eu disse, um sorriso educado surgindo em meus lábios.
"Ah, cale a boca", ela disse com um sorriso alegre, dando um tapinha na caixa em meu colo. Cuidadosamente, ela tirou o vestido de noiva, andando sem vergonha alguma apenas com um fio dental de renda branca.
"Lilly! E se alguém entrar?!", gritei, desviando o olhar enquanto ria.
"Meus irmãos vão arrancar os olhos de quem entrar!", ela piscou, gemendo ao falar de seus irmãos.
"Nem todos nós temos irmãos para proteger nossa reputação", eu disse, rindo e balançando a cabeça nervosamente. Olhando para a caixa e depois para Lilly, admirei seu entusiasmo. Eu queria ter um pouco da confiança dela!
"Vá experimentar. Mike vai morrer quando te vir nisso!", ela exclamou, me puxando para ficar de pé e acenando para que eu abrisse a caixa. Revirando os olhos, ela me levou até um dos provadores para que eu experimentasse.
"Sua puritana!", ela exclamou e riu. "E quando Mike te vir, tenho certeza de que ele lutará contra o diabo por você!"
"Espere, o quê?", perguntei nervosamente enquanto ela me empurrava para o provador, piscando para mim antes de fechar a porta.
"Lilly, o que você fez?", perguntei, pois a curiosidade estava me dominando.
"Você vai me agradecer depois, quando ele não conseguir tirar as mãos de você!", a resposta dela veio entre risadas. "Tenho uma igual!"
A empolgação substituiu o medo que percorria minha espinha, pois Lilly tinha um gosto incrível, então eu sabia que o que quer que estivesse na caixa seria de tirar o fôlego.
"Seria rude não dar uma olhada", Sage, minha loba atrevida, provocou enquanto eu brincava com a fita. "Você sabe que ela não vai desistir até que você pelo menos dê uma olhada!", ela acrescentou, e, claro, estava certa!
Lilly era uma força a ser reconhecida: como a filha mais nova do Alfa, aprendera cedo a enrolar o pai e os irmãos, crescendo sem jamais se acostumar a ouvir a palavra "não".
Mordendo o lábio, puxei a fita e respirei fundo, vendo a lingerie sexy me encarar desafiadoramente, me convidando a ser ousada.
"Meu Deus! Não posso usar isso!", exclamei, balançando a cabeça e rindo, sentindo o rubor se espalhar por minhas bochechas.
Quinze minutos depois, eu estava no pódio, com Lilly me olhando com orgulho.
"Caralho! Eu te pegaria se não fosse me casar amanhã! Não entendo por que você não vê o quanto é gostosa!" ela resmungou, me circulando.
Quando finalmente me olhei no espelho, respirei fundo ao ver meus cabelos brancos perolados caindo por meus ombros até os quadris, sempre me lembrando de prata fina. Mike sempre dizia que eles me deixavam com um ar angelical, o que era irônico, considerando a roupa que Lilly me fez vestir.
Meu corpo esbelto estava envolto em um conjunto azul-gelo de camisola e suspensórios, aberto na virilha, que não deixava nada para a imaginação. Um decote halter de renda bordada com painéis de malha que mal cobriam meus mamilos descia pelo meu corpo em um V fino, o que parecia inútil, já que era aberto na virilha!
"Sério, é como usar um fio dental!", eu resmunguei, ignorando as risadinhas de Lilly. Me contorcendo de desgosto, a calcinha fio dental aberta na virilha se enfiava com raiva em minha bunda por trás das alças do suspensório presas às meias de seda macia. "Como as garotas usam essa merda? Isso dói!", reclamei.
"Para ficar bonita, tem que sofrer, Lottie! É o preço que pagamos para sermos bonitas!", Lilly disse com um sorriso, dando um tapa na minha bunda nua antes de ir pegar meu vestido de verão e chinelos no provador, os estendendo para mim com uma piscadela.
"Vá mostrar para Mike! Você pode me contar tudo depois!", ela disse com um sorriso malicioso. Com um último olhar no espelho, admiti que ela estava certa. A lingerie ficou boa! Sexy até! Mordendo o lábio, corei ao decidir seguir o conselho dela, já que Mike e eu mal tínhamos tido tempo a sós ultimamente, sempre engolidos pelo trabalho e pelos preparativos de segurança que o Alfa Leigh lhe impunha para o dia seguinte.
"Bom, essa é uma excelente maneira de chamar a atenção dele", Sage disse, rindo enquanto eu colocava meu vestido sobre o presente de Lilly.
Não demorou muito para chegar ao apartamento que eu dividia com Mike, escolhido por insistência do meu pai, que, como Beta da Lua Carmesim e tão obstinado quanto Lilly, estava acostumado a sempre conseguir o que queria.
Pegando as chaves na minha bolsa, congelei ao ouvir vozes abafadas vindas de trás da porta do nosso apartamento. Mike estava em casa!
"Será que ele está assistindo pornô?", Sage riu ao sugerir isso, ouvindo os gemidos quase inaudíveis vindos das paredes do apartamento. Me concentrando nos sons que vinham do outro lado da porta, ri ao ouvir o ruído distinto das molas do colchão, gemidos ofegantes e...
"Mike! Não pare! Meu Deus, mais forte!" Uma mulher ofegava enquanto o som familiar de uma cabeceira batendo na parede chegava aos meus ouvidos. Minha cabeceira! Engolindo a bile que assaltava minha garganta, entrei silenciosamente no apartamento, cambaleando até nosso quarto e, quanto mais eu me aproximava, mais entendia o que estava acontecendo.
"Como quiser, gatinha!", meu namorado gemeu enquanto os rangidos ficavam mais rápidos e desesperados.
"Gatinha! Esse é nosso apelido!", Sage rugiu.
"Porra, vou gozar", Mike grunhiu com urgência.
"Porra nenhuma!", gritei, abrindo a porta com um estrondo.
"Merda!", a voz apavorada de Mike gaguejou quando acendi a luz.
"Ei, querido, cheguei!", zombei, olhando para o cara que eu amava, que estava enterrado até o talo em uma mulher... uma que não era eu.