Quando ela estava mancando pela escadaria imponente, Kaden apareceu, franzindo a testa. "Para onde você pensa que está indo?"
"Minha senhora me convocou para a casa principal", Harlow respondeu, sem emoção, sua voz dura e sem qualquer traço de sentimento.
O semblante de Kaden escureceu. Ele ia abrir a boca, mas a voz alegre de Brittaney interrompeu, vindo do alto da escada.
"Vai para a casa principal? Vai contar tudo para a velha, Harlow?" Brittaney desceu as escadas, usando o primeiro nome de Harlow com um desdém familiar, como quem não tem pudor em demonstrar superioridade.
Harlow a ignorou completamente e continuou caminhando em direção à porta.
"Pare", Kaden disse, autoritário, enquanto agarrava seu braço com força. "Você não vai a lugar algum. Brittaney vai fazer compras. Você a acompanhará."
Ele a avaliou dos pés à cabeça, seu olhar cheio de desprezo pela simplicidade do vestido gasto que usava. "Vou te dar algum dinheiro. Compre algo decente. Você está parecendo uma miserável."
Harlow sentiu uma risada histérica se formar em sua garganta. Em cinco anos, ele nunca tinha se oferecido para lhe comprar nada. Agora, de repente, sua "generosidade" parecia mais uma tentativa de agradar Brittaney.
"Não, obrigada", ela disse com uma voz cortante, fria como o vento. "Preciso ir para a casa principal."
Antes que ela terminasse, Kaden fez um gesto para seus guardas. "Coloquem-na no carro."
Sem mais palavras, os guardas a empurraram para o banco de trás da limusine.
A ida às compras foi uma verdadeira tortura para Harlow. Enquanto Brittaney se movia de uma loja de grife para outra, cheia de energia, e sua risada ecoava pelo shopping, ela era forçada a acompanhá-la, carregando sacolas que pareciam nunca terminar.
Sua coluna estava em chamas. Sua perna latejava de dor. Seus joelhos, machucados de tanto ficar ajoelhada durante a noite, mal conseguiam sustentá-la a cada passo.
Finalmente, ela não conseguiu mais seguir adiante e as sacolas caíram de suas mãos frágeis, se espalhando pelo chão. Ela se apoiou em uma parede, tentando recuperar o fôlego, fraca demais para pronunciar sequer uma palavra.
Brittaney se aproximou, com um sorriso de desdém estampado no rosto. "Cansada já? Você é tão frágil, Harlow."
Harlow a encarou, a expressão impassível. Ela sabia que Brittaney fazia tudo isso de propósito, aproveitando cada momento de sua dor. No entanto, não havia saída, não até que a senhora Barnes finalmente lhe concedesse o divórcio.
Com os dentes cerrados, ela se afastou da parede e se abaixou para pegar as sacolas que caíram.
Quando retornaram à mansão, Brittaney, que ainda não estava disposta a deixá-la em paz, apontou para as novas pilhas de roupas. "Lave isso."
Kaden, que estava lendo um jornal, nem sequer olhou para Harlow. "Faça o que ela mandou."
Harlow ficou atônita, sem saber o que dizer. "Mas... existem empregadas para isso. E minha perna... minhas costas..."
Kaden finalmente levantou os olhos e viu o rosto pálido e suado de Harlow. Por um momento, algo - uma sombra de piedade, talvez - passou por seu semblante.
Brittaney percebeu também e imediatamente deu um suspiro, lágrimas se formando em seus olhos. "Ah, deixa para lá. Eu mesma faço. Não quero incomodar a grande senhora Barnes, é claro."
O sarcasmo estava claro em suas palavras.
A expressão de Kaden se fechou imediatamente. Ele voltou sua raiva para Harlow.
"Ela mesma se ofereceu para fazer, e você vai ficar aí parada? O que custa lavar algumas roupas? Não é como se você fizesse algo útil por aqui."
Essas palavras atingiram Harlow com mais força do que qualquer golpe físico.
Ela se calou, afinal, era filha de um motorista, uma simples serviçal. Mesmo depois de cinco anos como a senhora da casa, aos olhos dele, continuava sendo apenas uma serviçal.
Sem dizer mais nada, ela se virou e começou a carregar as roupas até a lavanderia.
Ao sair, viu Brittaney se jogar nos braços de Kaden. "Ah, Kaden, você é o melhor. Sempre cuida de mim."
A voz dele, suave e cheia de condescendência, a seguiu. "Qualquer coisa por você, meu amor."
Harlow olhou para a pilha de sedas e tecidos delicados na lavanderia e se sentiu a maior tola do mundo.
Já passava da meia-noite quando ela finalmente terminou. O movimento repetitivo de esfregar fez as feridas em suas costas se reabrirem. Sua perna estava inchada e ardente ao toque. Uma infecção tinha se instalado, e a febre já consumia seu corpo.
Com a visão embaçada, ela subiu as escadas e chegou ao seu quarto, mas antes que conseguisse se deitar, desabou no chão, desmaiada.
Quando acordou, estava em um quarto branco e estéril.
"Você acordou", disse a enfermeira, que ajustava uma infusão ligada ao seu braço. "Está com febre alta. O senhor Barnes a trouxe pessoalmente. Ele estava muito preocupado. Nos pediu para cuidar de você com todo o zelo."
O coração de Harlow deu um salto estranho e doloroso. Kaden? Preocupado com ela? Ela sabia melhor do que acreditar nisso.
A porta se abriu com força, e Kaden entrou, furioso, seu rosto vermelho de raiva. Ele segurava uma pistola, pressionando o cano frio diretamente contra a testa de Harlow.