Seu olhar sombrio e misterioso percorreu meu corpo de cima a baixo, com um brilho de zombaria.
"Então esse é seu paraíso seguro, longe do seu escândalo?", ele perguntou com um sorriso perigoso nos lábios, claramente zombando de mim.
Uma raiva desconhecida me invadiu, me fazendo ranger os dentes. Como ele ousava me lembrar de algo que eu estava tentando esquecer?
Ergui o queixo, me recusando a ser derrotada por ele.
"Onde eu estou não é da sua conta. Agora, se me der licença", eu disse, dando um passo para trás.
Ele continuou se aproximando, tão imponente que tive que olhar para cima.
Ele parecia estar se divertindo com a situação, já que o brilho de zombaria ainda estava estampado em seu rosto.
Mesmo sem ele dizer nada, eu conseguia decifrar sua expressão - ele estava rindo da minha altura.
Eu tinha 1, 70 de altura e nunca havia me considerado baixa até esse momento.
Todos estavam na festa, então fiquei me perguntando o que ele estava fazendo ali. Como eu nunca o tinha visto antes, tinha certeza de que ele era novo na matilha.
"Ryder Kael", ele disse, com um sorriso provocador. Ele era lindo, sem dúvida, perigosamente lindo. Seus cabelos eram escuros, seu olhar, perigoso, e ele tinha ombros largos e musculosos.
"Jasmine Thane", respondi, por mais estúpida que fosse. Pelo menos, dizer meu nome não me prejudicaria.
Ele sorriu. "Claro, conheço a história da Jasmine Thane adotada, que era companheira de Jason Thane, mas foi rejeitada por não ter uma loba."
A raiva cresceu dentro de mim ao ouvi-lo recontar minha desgraça.
Como ele ousava? Ninguém, ninguém, jamais havia me deixado tão furiosa. Cerrei os dentes, tentando me conter para não revidar, mas no momento seguinte, ouvi uma voz dentro da minha cabeça.
"Não podemos deixar isso passar, Jasmine. Dê a ele o que ele merece!", a voz sussurrou no meu ouvido.
Meu punho acertou sua mandíbula, e minhas mãos agarraram seu pescoço. Meus olhos ficaram vermelhos de raiva, e presas surgiram do nada enquanto eu as cravava fundo em sua carne.
De repente, a ficha caiu quando percebi que ele estava machucado, então parei e dei um passo para trás.
"Será que fui eu que fiz isso? Espere, o que aconteceu?" Olhando para minhas garras, fiquei atordoada. As garras até que eram compreensíveis, mas e as presas?
"Parece que alguém finalmente tem uma loba visível", ele zombou, como se estivesse lendo meus pensamentos.
"Espere, o quê? Eu tenho uma loba?" Eu sabia que tinha, mas ela nunca se manifestava. No entanto, algo nesse cara acabou de despertar uma reação dela.
"Desculpe", sussurrei para ele, mesmo sabendo que ele merecia. Ainda assim, eu não deveria ter sido tão dura com ele.
Além disso, eu tive uma loba! A felicidade me invadiu, e eu não conseguia lhe agradecer o suficiente por ter me feito perceber isso.
Abraçando-o com força, eu disse: "Muito obrigada."
Minha cabeça repousava em seu ombro, e a batida acelerada do seu peito me fez sentir em casa. Eu tinha acabado de conhecer esse estranho, mas sentia como se o conhecesse por toda a minha vida.
Ele era meu refúgio.
"Jason é um babaca por rejeitar uma gatinha tão doce como você", ele rosnou, enquanto suas mãos percorriam livremente meu cabelo.
"Sou Jasmine, não uma gatinha", corrigi.
"Jasmine?!"
Uma voz familiar nos fez nos afastarmos.
Ruby segurava uma taça de vinho e nos olhava, incrédula.
Tossi, sentindo minhas bochechas corarem, e tive que dizer para tirar aquele olhar desagradável do seu rosto: "Não é o que você está pensando, Ruby."
O homem alto e robusto enfiou as mãos nos bolsos e, piscando para Ruby, disse: "É, não é como se a gente tivesse transado."
Eca! Ele era tão paquerador assim?
Ele caminhou até o final do jardim e se virou, dizendo com um sorriso genuíno: "Te vejo lá dentro, gatinha!"
"Caramba! Como diabos você fez o Rei Licantropo te notar?", Ruby perguntou, correndo para onde eu estava.
Meus olhos se arregalaram e perguntei: "O que quer dizer com Rei Licantropo?"
Claro, eu estava certa. Seu corpo robusto poderia ser o de um Licantropo. Por que não notei isso?
"Você quer dizer da Matilha Crescent?", perguntei, minha voz aguda.
"Claro, seus pais os convidaram para a festa de noivado."
Se era assim, eu voltaria para lá, mas não por causa de ninguém.
"Vamos. Acho que já perdi a melhor parte."
A música alta tocava enquanto as pessoas dançavam, e lá estava eu, dançando apenas com Ruby. Pelo menos eu vim aqui para aproveitar o momento, e não deixaria minha paixão estúpida por Jason estragar isso.
"Ei, maninha, você voltou sem nem dar um oi?"
Ao ouvir essa voz familiar, senti um nó na garganta.
Ele soava diferente - sempre foi mal-humorado, maldoso e rude, mas agora, estava gentil e suave.
"Uhm... vou deixar vocês a sós", Ruby entendeu o recado, pegou uma taça de vinho da garçonete e se afastou.
"Uhm... Oi, Jason", gaguejei, meu coração batendo freneticamente.
Claro, como eu poderia esquecer que uma vez tive uma paixão enorme e estúpida por ele?
"Você está deslumbrante esta noite." O olhar de Jason percorreu meu corpo.
Alguns anos atrás, eu teria ficado cheia de adrenalina se Jason me olhasse assim, mas agora, achei isso um insulto.
"Obrigada", eu disse, seca.
Ele não passava de um pervertido.
"Oi, gatinha, você me prometeu essa dança, lembra?" Essa voz familiar falou por trás.
Era Ryder.
Me virei e vi seus olhos brilhando e sua mão estendida para mim.
Me virei para Jason, que imediatamente agarrou minha mão e protestou: "Ela vai dançar comigo!"