/0/19352/coverbig.jpg?v=51558a529974c1a02f54eeb50ac32aec)
Ponto de vista de Ava
"Ava, vá logo. Vá com sua mãe.
Eles vão acabar matando vocês duas", gritou meu pai, com os olhos cheios de medo ao olhar para o outro lado da floresta.
"N-não", murmurei, soluçando enquanto o via caído no chão.
"Minha menina, cuide sempre da sua mãe", ele disse enquanto se esforçava para se sentar, e havia sangue por toda a sua perna.
"Angela, fuja com Ava. Não perca tempo", ele pediu à minha mãe, que estava ajoelhada na sua frente, chorando desesperadamente. Num tom angustiado, ela perguntou:
"Como posso te deixar assim, Hector?"
De repente, todos nós ouvimos barulhos de galhos se quebrando.
Estávamos no meio de uma guerra, onde os lobos lutavam entre si.
"Vá. Não posso me transformar para protegê-las por causa dos meus ferimentos. Pelo menos, salve nossa filhinha", insistiu meu pai à minha mãe.
Ao ver que uma matilha de lobos estava se aproximando de nós, ela se levantou, me pegou no colo e começou a correr na direção oposta.
Enquanto corria comigo, ela sussurrou no meu ouvido com a voz embargada:
"Não olhe para trás."
Eu estava com meus braços em volta do pescoço dela, a abraçando com força. A curiosidade me consumia, então me atrevi a olhar para ver o que estava acontecendo.
Nesse momento, vi dois lobos pularem em cima do meu pai para matá-lo, e meus olhos se arregalaram. Fiquei tão chocada que fechei os olhos e soltei um grito.
"Pai!"
Ao abrir os olhos, percebi que estava no meu quarto.
Pressionando a mão na testa, murmurei: "Estava sonhando de novo."
Sentei e respirei fundo, e meu corpo inteiro estava encharcado de suor.
Na verdade, não era um pesadelo, mas um reflexo dos momentos do meu passado que eu jamais seria capaz de esquecer.
Meu pai morreu em uma guerra quando eu tinha apenas cinco anos. Ele era um lutador da matilha, mas os inimigos atacaram suas pernas antes que ele pudesse se transformar, o impedindo de se salvar.
Minha mãe teve que fugir daquela matilha comigo e procurar abrigo em outra.
O Alfa e a Luna da matilha foram gentis o suficiente para nos deixar viver com eles.
Desde então, vivemos na Matilha das Sombras Místicas.
"AVA, VOCÊ VAI SE ATRASAR PARA A AULA!"
Ouvi a voz da minha mãe gritando lá de baixo.
"SIM, MÃE. JÁ ESTOU INDO!", gritei de volta para que ela pudesse me ouvir.
Corri para o banheiro, tomei um banho e me arrumei para ir para a universidade.
Como eu estava no primeiro ano, então não queria ficar mal vista pelos professores por chegar atrasada.
Por um momento, me olhei no espelho. Eu estava usando um vestido branco, longo e folgado, e prendi meu cabelo em um rabo de cavalo baixo. Meus óculos grandes escorregaram pelo nariz, então os ajeitei de volta.
Minha visão era perfeita, mas eu preferia usar óculos grandes porque queria esconder minhas emoções e meu rosto por trás deles. Embora os óculos fossem transparentes, eles me ajudavam a disfarçar meus sentimentos.
Como eu não queria chamar atenção, nunca usava maquiagem. Pelo mesmo motivo, preferia usar roupas simples, longas e folgadas.
As pessoas me chamavam de "nerd" por causa das minhas notas altas e aparência.
Ou talvez eu fosse realmente uma nerd. De qualquer forma, decidi levar isso como um elogio. Esse rótulo também me fez sofrer bullying quando estava no ensino médio.
Após descer as escadas, abracei minha mãe e tomamos café da manhã juntas. Ela era a única pessoa na minha vida. Eu queria estudar muito e me estabelecer para poder lhe proporcionar uma vida feliz.
"Ava..."
Olhei para minha mãe. "Sim, mãe?"
"Você fará dezoito anos na próxima semana e logo encontrará seu companheiro. Antes disso, quero que não se envolva com ninguém. Você já sabe como entramos nessa matilha. Você é uma Ômega. Não temos um homem na nossa família para te proteger, minha querida."
Enquanto ela falava, olhei para seu rosto preocupado. Ela estava preocupada com minha segurança porque essa matilha estava cheia de Alfas.
"Não se preocupe, mãe. Você tem minha palavra de que não vou me envolver com ninguém e nem causar problemas para mim. Vou cumprir minha promessa. Sempre evito chamar atenção."
"Minha filha, espero ansiosamente pelo dia em que você finalmente encontrará seu companheiro. Ele vai te aceitar, e eu poderei morrer em paz."
Ao ouvir isso, me levantei rapidamente da cadeira e corri para lhe dar um abraço. "Mãe, não diga isso, por favor."
Ela nunca se casou novamente e dedicou toda a sua vida a mim. Eu não suportava vê-la sofrer.
Depois de tranquilizar minha mãe, saí de casa, fui até o ponto de ônibus e entrei em um.
Levei vinte minutos para chegar à universidade.
O nome da universidade estava escrito em itálico e negrito:
"Universidade das Sombras Místicas"
Comecei a caminhar em direção ao prédio do departamento. Meus olhos vagavam enquanto eu passava pelos alunos. Essa era a melhor universidade da nossa matilha, e apenas os filhos de ricos podiam se matricular nela.
No entanto, tive a sorte de receber uma bolsa de estudos e ser admitida.
Enquanto eu caminhava, pude ver as garotas me olhando com desdém.
De repente, uma delas passou por mim e empurrou meu ombro.
"Nerd maldita."
Ao ouvi-la, abaixei a cabeça e fui direto para minha aula.
Quando cheguei, minha amiga Abigail acenou para mim, então me sentei ao lado dela. Eu só tinha três amigos, e Abigail era a mais próxima. Tínhamos o mesmo horário, então podíamos passar mais tempo juntas.
Quando o professor entrou na sala de aula, a aula começou. Tentei me concentrar, mas fui distraída pelas garotas fofoqueiras que cochichavam atrás de nós.
"Você viu Ian hoje?", uma garota perguntou a outra.
"Não, o que foi? Não me diga que ele tirou a camisa para exibir seus abdominais e eu perdi isso."
"Vou morrer só de pensar nisso. Mas não, ouvi os amigos dele falarem sobre a festa de Luke."
"Meu Deus! Então não posso perder."
Enquanto elas conversavam, olhei para o projetor, mas meus pensamentos estavam focados na fofoca delas.
Elas estavam falando sobre o garoto mais bonito da nossa universidade, que não era outro senão Ian Dawson.
Ele era o único filho do nosso Alfa líder, mas não era como seu pai, que era muito rigoroso com as regras e regulamentos. Ele era completamente o oposto, um encrenqueiro.
Ele era um bad boy que todos os garotos temiam, e um playboy que todas as garotas desejavam ficar.
"Ian Dawson nunca namora. Ele só fica com as garotas por uma noite", murmurou minha melhor amiga, Abigail, ao meu lado.
Quando me virei para ela, ela sorriu para mim e disse:
"Sua inocente, não dê ouvidos a essas fofocas."
"Eu só estava..."
"Amiga, te conheço muito bem, mas me deixe te dizer uma coisa. Ele está esperando por sua companheira. É por isso que ele não namora. Essas foram as palavras dele", ela sussurrou para mim.
Ao ouvi-la, desviei minha atenção dela e tentei me concentrar na aula.
Porém, eu não podia mentir para mim mesma. Eu não sabia o porquê, mas sempre que via aquele garoto, sentia meu coração acelerar.
Depois da aula, Abigail e eu fomos tranquilamente para o vestiário. Nesse momento, recebi uma mensagem do meu amigo Luke.
Ele era o único garoto que era meu amigo, já que nunca me intimidava.
"Quem te mandou mensagem?", Abigail perguntou.
"Luke. Ele está nos chamando para a quadra de basquete."
"Vá na frente. Chego em dez minutos. Tenho algumas coisas para fazer."
"Está bem."
Após sair do prédio, fui para a quadra de basquete, que ficava bem longe.
Quando cheguei, havia muitos garotos saindo da quadra, pois tinham acabado de terminar o treino.
"Ei, nerd", um garoto me provocou e riu.
Abaixei a cabeça, tentando evitá-lo. Também pude ouvir alguns assobios. Senti que foi uma má ideia ter vindo sozinha.
Embora houvesse muitas garotas lá, elas só implicavam comigo.
Enquanto olhava para o chão, comecei a andar rápido.
De repente, minha cabeça bateu num peito duro.
Meu olhar foi atraído para o short preto da pessoa, que expunha suas coxas fortes. Quando desviei o olhar, vi sua regata, revelando seus braços tatuados.
Ele possuía o físico mais perfeito.
Lentamente, levantei a cabeça e meus olhos se fixaram no seu rosto.
Ele tinha sobrancelhas grossas, cabelos escuros e molhados, olhos escuros e misteriosos, um piercing na sobrancelha e um maxilar perfeitamente definido.
Havia um ar de perigo vindo dele.
Eu deveria fugir, já que todos diziam que ele era o único capaz de matar qualquer um.
No entanto, meu coração queria outra coisa. Ele começou a bater mais rápido, como se estivesse numa maratona. Enquanto olhava para seu rosto, pensei que ele era, sem dúvida, o garoto mais bonito que eu já havia visto.
Assim que notei uma carranca se formando entre suas sobrancelhas, voltei a mim.
Ele parecia feroz, o que me fez dar um passo para trás com medo.
Sem conseguir evitar, gaguejei:
"Me... me desculpe, Ian."