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Útero Vazio, Alma Partida

Útero Vazio, Alma Partida

Autor:: Dorothy
Gênero: Moderno
Minha vida era perfeita. Estava prestes a dar à luz o nosso filho, Lucas, a concretização do amor entre mim e o Diogo. Mas, no dia do parto, enquanto eu gritava de dor na sala, uma chamada mudou tudo: a sua ex-namorada, Sofia, ligou a chorar, o prédio em chamas. Sem hesitar, Diogo abandonou-me. Acordei para um útero vazio. O nosso bebé não sobreviveu, por falta de oxigénio. Em vez de consolo, recebi as desculpas vazias do Diogo e a culpa cruel da minha sogra, Dona Elvira, que me acusou de não ter sido "forte o suficiente", defendendo cegamente o filho por ter "resgatado" a Sofia. Até a própria Sofia apareceu, lamentando, mas as suas lágrimas só realçaram a traição. Como puderam escolher outra pessoa, outra vida, em vez da nossa, em vez do nosso filho? Como puderam pedir-me para superar quando a dor me rasgava a alma, e a minha única culpa foi amar um homem que me traiu no momento mais vulnerável? Cansada das meias-verdades e das tentativas de manipulação, incluindo a desesperada jogada de suicídio do Diogo, decidi que não seria a sua salvação. Assinei os papéis do divórcio. Não queria mais nada dele, apenas a minha liberdade. Esta é a história de como encontrei paz e um novo começo, longe de tudo o que me havia destruído.

Introdução

Minha vida era perfeita. Estava prestes a dar à luz o nosso filho, Lucas, a concretização do amor entre mim e o Diogo.

Mas, no dia do parto, enquanto eu gritava de dor na sala, uma chamada mudou tudo: a sua ex-namorada, Sofia, ligou a chorar, o prédio em chamas. Sem hesitar, Diogo abandonou-me.

Acordei para um útero vazio. O nosso bebé não sobreviveu, por falta de oxigénio. Em vez de consolo, recebi as desculpas vazias do Diogo e a culpa cruel da minha sogra, Dona Elvira, que me acusou de não ter sido "forte o suficiente", defendendo cegamente o filho por ter "resgatado" a Sofia. Até a própria Sofia apareceu, lamentando, mas as suas lágrimas só realçaram a traição.

Como puderam escolher outra pessoa, outra vida, em vez da nossa, em vez do nosso filho?

Como puderam pedir-me para superar quando a dor me rasgava a alma, e a minha única culpa foi amar um homem que me traiu no momento mais vulnerável?

Cansada das meias-verdades e das tentativas de manipulação, incluindo a desesperada jogada de suicídio do Diogo, decidi que não seria a sua salvação. Assinei os papéis do divórcio. Não queria mais nada dele, apenas a minha liberdade. Esta é a história de como encontrei paz e um novo começo, longe de tudo o que me havia destruído.

Capítulo 1

O meu filho morreu no dia em que nasceu.

Eu estava no hospital, a olhar para o teto branco. O médico disse que foi por falta de oxigénio.

O meu marido, o Diogo, não estava lá.

Ele estava a salvar a sua ex-namorada, a Sofia.

Ela ligou-lhe a chorar, a dizer que o seu prédio estava a arder.

"Diogo, socorro, estou com tanto medo, acho que vou morrer."

Essa foi a última coisa que ouvi antes de desmaiar na sala de parto.

O meu telemóvel caiu no chão, a chamada ainda estava ligada.

A enfermeira apanhou-o e desligou.

Quando acordei, o meu ventre estava vazio.

A dor no meu corpo não era nada comparada com o vazio na minha alma.

Peguei no meu telemóvel. Havia dezenas de mensagens e chamadas não atendidas do Diogo.

"Ana, desculpa, o fogo era grave."

"Estás bem? O bebé nasceu?"

"Porque não atendes?"

Ignorei tudo e liguei-lhe.

Ele atendeu quase de imediato, a sua voz cheia de ansiedade.

"Ana! Graças a Deus. Estava tão preocupado. O que aconteceu? O nosso filho está bem?"

A sua voz soava tão sincera.

Mas a imagem da Sofia a chorar no telefone não saía da minha cabeça.

"Ele morreu, Diogo."

Disse-o com uma calma que me assustou.

Houve um silêncio do outro lado. Um silêncio pesado, longo.

Depois, ouvi um soluço.

"O quê? Como... como assim? Não é possível. Ana, não brinques comigo."

"O médico disse que foi por falta de oxigénio. Eu precisei de ti. Tu não estavas aqui."

A minha voz continuava sem emoção, como se estivesse a falar do tempo.

"Eu... eu estava a ajudar a Sofia. O prédio dela... Ana, foi um incêndio terrível, ela podia ter morrido!"

Ele tentava justificar-se, a sua voz a tremer.

"E eu? E o teu filho? Nós não importávamos?"

"Claro que importavam! És a minha mulher, ele era o nosso filho! Eu pensei que tinha tempo, pensei que..."

"Pensaste mal."

Desliguei.

Não tinha forças para discutir. Não tinha forças para chorar.

Só sentia um frio imenso, um frio que vinha de dentro.

O meu filho. O nosso filho. Tínhamos escolhido o nome dele juntos. Lucas.

Agora, o Lucas era apenas uma memória que nunca chegou a ser.

Capítulo 2

A minha sogra, a Dona Elvira, entrou no quarto.

Ela não olhou para mim. Foi direta à janela e abriu as cortinas.

A luz do sol magoou os meus olhos.

"O Diogo contou-me."

A sua voz era fria como gelo.

"É uma pena. Mas a vida continua."

Virei-me para ela, incrédula.

"Uma pena?"

"Sim. Mas não podes culpar o meu filho. Ele tem um bom coração. A Sofia estava em perigo, ele fez o que qualquer homem de bem faria."

Ela finalmente olhou para mim. Os seus olhos eram duros.

"Tu devias ter sido mais forte. As mulheres aguentam estas coisas. O teu trabalho era trazer o meu neto ao mundo em segurança."

Senti uma raiva a subir pela minha garganta.

"O meu trabalho? Eu estava sozinha, a gritar por ele, enquanto ele estava com outra mulher!"

"Não fales assim da Sofia!"

A sua voz subiu de tom.

"Ela é uma boa rapariga, passou por muito. Perder os pais tão cedo... O Diogo sempre a protegeu. É o instinto dele."

"Instinto? E o instinto de pai? Onde estava?"

Ela aproximou-se da cama.

"Ouve-me bem. Vais superar isto. Vais para casa e vais ser uma boa esposa para o Diogo. Ele está a sofrer tanto como tu."

Eu ri. Uma risada seca, sem alegria.

"Sofrer? Ele nem sequer viu o rosto do filho. Ele escolheu."

"Ele não escolheu! A vida aconteceu!"

Ela gritou, o seu rosto vermelho de fúria.

"Tu és a mulher dele. O teu dever é apoiá-lo, não acusá-lo. Se continuares com esta atitude, vais perdê-lo."

"Talvez seja isso que eu quero."

As palavras saíram antes que eu pudesse pensar.

A Dona Elvira ficou sem palavras por um momento. Depois, o seu rosto contorceu-se numa expressão de desprezo.

"Ingrata. Depois de tudo o que o meu filho fez por ti."

Ela virou-se e saiu do quarto, a bater a porta com força.

Fiquei a olhar para a porta fechada.

Ingrata.

A palavra ecoava na minha cabeça.

Fechei os olhos. Só queria que tudo desaparecesse.

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