ROMANCE ADULTO🔞
CENAS DE SEXO EXPLÍCITO. VIOLÊNCIA. CIÚMES EXAGERADOS.
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P E R S O N A G E N S
◆ PÉROLA SAVARIN ◆ (Atriz Sıla Türkoğlu)
Apesar do nome delicado, este é um nome que representa força, devido a resistência e durabilidade da Pérola uma moça doce e bondosa que usa muletas, pois sofreu um acidente que a deixou com um problema na perna. Tímida e insegura por causa da limitação física que possui, Pérola passa a maior parte do tempo em frente ao computador, conversando com pessoas que passam pela mesma situação que ela. Aos 21 anos, faz faculdade de administração.
◆ HUGO GRATTERI ◆ (Ator Giulio Berruti)
É um homem fechado. Inteligente, sensual e quando quer,extremamente carismático. É um pouco esnobe e gosta de exibir o seu gosto impecável pelo melhor de tudo. 34 anos.
◆ SIMONE ◆
Ela é uma manipuladora habilidosa que utiliza de qualquer meio necessário para atingir seus objetivos. 27 anos.
◆ LORRANA SAVARIN ◆
Forte e determinada, é super protetora com sua irmã adotiva Pérola. Tem uma natureza sensível e amorosa. Aos 18 anos está prometida em casamento.
◆ IGOR GRATTRI ◆
É uma pessoa muito atraente, positiva, peculiar e otimista. 29 anos.
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ESPERO QUE GOSTEM!!!❤❤
Pérola - Narrando
Eu sorrio incansavelmente, como uma menina feliz diante de várias pessoas que me olham com indiferença, e outros da minha idade com pena.
Estou quieta, sentada no sofá da sala da casa dos meus tios, no aniversário da minha prima Regiane.
Como é difícil fingir, fingir que está tudo bem ser diferente. Olho para as muletas do meu lado, respiro fundo. Elas são minhas companheiras.
- Filha? - meu pai adotivo chama minha atenção, desvio os olhos da mesa na minha frente para encará-lo. Sorrio.
- Sim, pai? - respondo, ele se aproxima e senta do meu lado.
- Quer ir para casa? - ele faz a tão desejada pergunta para mim.
- Por favor! - imploro em minha resposta, ele mostra um sorriso triste me olhando. Holando é um pai exemplar, é carinhoso, compreensivo e engraçado às vezes. O amo como se fosse sangue do seu sangue.
- Me perdoe por insistir que viesse para essa festa - fala se sentindo culpado, só vim por causa dele, insistiu muito.
- O conheço, e sei que suas intenções foram boas ao insistir que viesse. E está legal - o tranquilizo, ele tem medo que entre em depressão novamente, mas isso não vai acontecer. Minha mente está muito mudada, tenho vinte e um anos, aprendi a lidar com a vida que tenho, com o meu destino.
Holando sorri pegando minhas mãos para me ajudar a levantar.
- Sua mãe chegou de viagem, trouxe muitos presentes - fala, ajeito-me com as muletas já em mãos.
Odete minha mãe havia viajado para resolver algumas questões sobre o casamento de Lorrana, com a sogra, Miranda Gratteri.
Fora da casa dos meus tios que não quis me despedir, vejo a Lorrana vir correndo para me encontrar.
- Também estou pronta para ir embora - ela fala ofegante, olhando-me com um sorriso.
- Lorrana, não precisa ir só porque já estou indo. Fique e aproveite mais com a nossa prima - falo, Lorrana sempre faz isso, não importa qual ambiente a gente esteja, seja o seu favorito, quando me canso e quero ir embora ela sempre vai junto para me fazer companhia. Vejo e sinto que não é por pena, ou se sente obrigada em fazer, mas é porque gosta de mim. Porém as vezes me sinto culpada.
- Aproveitei o suficiente. Não estou voltando só por você, mas por mim também. A gente precisa descansar para essa noite - fala, lembrando-me do importantíssimo compromisso.
- O jantar de noivado! - exclamo ansiosa por causa dela e sua alegria em casar com Igor Gratteri.
Papai apareceu com o carro e entramos. O percurso até nossa linda casa foi de conversas sobre o casamento, o único que não está tão animado para isso é nosso pai, ele resmunga enquanto Lorrana tagarela sobre Igor e sua beleza devastadora.
Somente faço rir, essa é minha vida e com eles, essa família que me encontrou é minha força e equilíbrio para não parar de sonhar.
Chegamos em casa e logo na entrada encontramos Odete, nossa mãe. O abraço dela aquecia toda e qualquer dor em minha perna, seu sorriso e gentileza me encantavam.
Odete mostrou os vários presentes que comprou, muitos vestidos lindos e sapatos. Mas nada que me fizesse querer usar, uma peça tão bonita teria que ser exibida com elegância, não comigo, que infelizmente nem consigo andar direito. Subo para meu quarto, no elevador feito para mim.
Vou para frente do meu computador, vejo várias mensagens dos grupos que participo na internet, interajo com pessoas em situações parecidas com a minha, passam pelo mesmo processo que eu de integração social.
O acidente que comprometeu meu futuro, aconteceu quando tinha treze anos, em uma viagem de família. Aquela noite foi horrível, fomos atacados, papai na tentativa de nos salvar acabou perdendo o controle do volante. Sei que até hoje ele se culpa, o que não é para acontecer. Holando não tem culpa, a não ser os homens que queriam matar nossa família.
Sei de todo esquema da máfia, o que meu pai faz parte e consequentemente todos nós, mas graças a Deus não é necessário que convivamos no meio do fogo cruzado. Às vezes papai precisa viajar, mas sempre volta para casa com vida.
- Pérola? Posso entrar? - Lorrana abre a porta, inclina a cabeça para dentro. Balanço a cabeça dizendo que pode. - Está conversando com alguém?
- Sim, alguns colegas da Internet, estão combinando para a gente se encontrar em algum lugar legal que aceite cadeiras de rodas - falo fechando a aba de conversa, após responder que quero fazer parte da saída, será bom conhecê-los pessoalmente e trocar experiências de vida.
Lorrana entra no quarto.
- Mas isso é seguro? - ela pergunta, é desconfiada, somos filhas de um capo, tem muitas pessoas vigiando. - Irei com você.
- Sim, é seguro - respondo. - Eu adoro a sua companhia, mana, mas quero estar sozinha nesse dia, pelo menos uma vez quero pensar que sou independente da ajuda de alguém.
- Fico esperando no carro, em frente ao restaurante que escolherem - retruca, não desiste fácil de estar comigo. - Tudo bem?
- Sim, Lorrana - falo fazendo careta pela insistência. - Mas a gente ainda nem decidiu nada, quando tudo for resolvido te aviso para ficar de segurança.
Satisfeita. Ela me guiou para seu quarto, para ajudá-la a escolher o vestido para a noite. Tarefa difícil, todos seus vestidos são bonitos.
Lembro que no meu closet, há muitos que nunca usei, e me culpo por não dar a ninguém, vez e outra pego algumas peças, as que desejo usar um dia quando perder a vergonha. Me imagino de salto altos, dentro de um vestido com decote médio, costas nuas, desfilando em um evento que nunca quis participar da família.
- Estou tão nervosa. Igor me faz sentir muitas coisas - fala Lorrana andando de um lado para o outro no quarto, já tendo decidido o vestido que usaria.
Sinto muita curiosidade sobre o amor, o calor que se sente ao ser tocada. Como é ser beijada? Ser admirada e desejada por alguém? Qual a sensação de fazer sexo?
Tenho muitos desejos e vontades. Os filmes picantes que já assisti despertaram em mim certas vontades, principalmente os livros.
- Que coisas o Igor te faz sentir? - pergunto curiosa. Eles se encontraram apenas cinco vezes.
Lorrana foi na porta e a trancou, se aproximou de mim com um olhar diferente, parecia envergonhado.
- Ele me faz sentir vontade de tirar a roupa - coloca a mão na boca rindo de nervoso, eu acompanho com os olhos arregalados. - O beijo dele é quente, o jeito que ele me olha me faz queimar por dentro.
Suspiro imaginando.
- Papai nem sonha que isso aconteceu - falo para espantar os pensamentos e a expressão de desejo de Lorrana.
- Não mesmo! - fala rindo.
E continuou contando algumas experiências com Igor, esse que nunca vi pessoalmente, apenas por foto. Só escuto falar muito sobre a família Gratteri
Algum tempo depois.... 19:48
Chegamos a propriedade dos Gratteri, onde tem uma das maiores plantações de café do país. Sinto ao vento da noite o cheiro suave e imagino o sabor adocicado.
Olho para o grande casarão que parece antigo mas tem sua beleza.
- Não precisa ficar atrás de mim, pai, fique perto da Lorrana, ela está muito nervosa - falo para meu pai, estou usando as muletas. - Vou devagar para apreciar esse lugar, de dia deve ser lindo.
- Sim, de dia é lindo - fala concordando, com certeza já esteve aqui. - Irei ficar com sua irmã, não exite em gritar por mim.
Passa para frente deixando-me para trás. Mamãe já estava na entrada do casarão conversando com Miranda, a única da família que conhecia pessoalmente.
Entramos no casarão, fomos recebido somente pela Miranda, segundo informações, Igor chegaria um pouco atrasado e seu filho mais velho de uma viagem.
Me aproximo de uma janela enorme que dá a visão ampla do céu e embaixo a plantação de café. Sozinha na sala, estando os outros na sala de jantar conversando, me arrisquei a subir na janela para passar as pernas para o outro lado e pensar enquanto apreciaria. Porém, isso sendo ridiculamente perigoso para alguém na minha condição, o previsível aconteceu, perdi o equilíbrio na minha própria arte e rodei para o lado de fora com as muletas e tudo.
O baque do meu corpo no chão não foi forte, mas doeu minha perna e gemir soltando o ar pela boca. Meu vestido branco sujou de terra, para meu azar as muletas ficaram longe de mim, do meu alcance.
Suspirei olhando para cima, para a janela. Como sairei daqui? Teria que me arrastar. Fechei os olhos procurando por autocontrole para não me descabelar de frustração.
Primeiro tentei ficar de pé, conseguir, mas o equilíbrio me faltou e fui ao chão.
Em uma dessas tentativas, só para não me arrastar, passar por essa humilhação, eu ouvi um latido um pouco longe, olhei na direção da plantação, e outro latido ecoou esse mais perto que o outro, mais perto e mais perto até que vi na iluminação nos estreitos caminhos entre uma plantação e outra um cachorro, esse que conhecia bem.
É um canário, essa raça tem uma das mordidas mais fortes. Meu coração disparou e rapidamente comecei a me arrastar, mas desisti quando o cachorro já estava perto. Fechei meus olhos, aguardando o ataque.
- Pare agora, madruga! - uma voz de comando se fez por cima do latido alto do cachorro. Abri meus olhos dando de cara com o cachorro sentado na minha frente, assustada, me afastei. - Vem aqui!
O cachorro obedeceu a voz, olhei para o lado, o dono da voz e do animal que me mataria, colocou uma coleira de cabeça no cachorro.
Fiquei em silêncio olhando.
- Leve-o! - mandou. Percebi a presença de um outro homem que saiu levando o cachorro. - Como chegou aqui?
O dono da voz se aproximou. Não conhecia. Mas seus olhos extremamente azuis me lembraram de Igor, poderia ser o irmão mais velho que chegaria de viagem. Ele usava um terno, tinha o cabelo bagunçado, expressão de cansaço.
- Não sei - falo, ainda processando o que acabou de acontecer, meu coração ainda estava acelerado.
O homem pigarreou um palavrão.
- Volte por onde veio, na próxima poderá ser o jantar do meu cachorro. Não a salvarei, essa é uma área proibida - fala grosseiramente andando para o lado esquerdo, onde com certeza dava a saída dessa área.
Permaneci no mesmo lugar, buscando coragem para me mover, e engolir as palavras desse homem grotesco.
- Não me ouviu? - ele voltou com expressão aborrecida no rosto. - Prefere ser arrastada pelos seguranças?
Que babaca! Sem escolha, me arrastei para pegar minha muleta.
- Você é.. - a voz dele falhou.
- Manca! Cair da janela, e não consigo ficar de pé e andar depressa para evitar ser o jantar do seu cachorro - falo, consigo ficar de pé com as muletas na mão.
Queria tanto sumir. Passei por ele sem olhá-lo, na minha lentidão, sentindo dor pela queda. Sair da área da plantação, e meu pai ia saindo do casarão.
- Filha, o que aconteceu? Estava te procurando - se aproxima preocupado comigo por ver meu estado, estou suja.
Segurei as lágrimas e me apoiei nele, que prontamente me carregou, deixei as muletas caírem no chão e escondi meu rosto.
- Só me leve para casa, peça desculpas por mim para a Lorrana, não conseguirei ficar - falo fungando. - Depois conto para o senhor o que aconteceu.
Papai começou a andar, mas parou de repente.
- Holando - essa voz é a mesma que a do homem grosseiro. Me encolhi mais no colo do papai.
- Sr Gratteri - fala o papai. Ele é o filho mais velho mesmo.
- Não é necessário essa formalidade, me chame pelo primeiro nome - fala, o tom dele agora é gentil. - Ela é sua filha? Para onde vai?
- Sim, Hugo, é minha filha. Não se sente bem - meu pai responde. O homem que agora sei que se chama Hugo soltou um resmungo que acredito que nem meu pai entendeu.
Papai me levou para o carro. Precisava do meu quarto, ficar sozinha.
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Hugo Gratteri - Narrando
Minha vida não tem sido fácil, conciliar a máfia e meu tempo na empresa em Londres. Nesses últimos dias tudo tem acontecido, e exige minha atenção. É difícil lidar com os traidores, na curta viagem que fiz, foi somente para eliminar os envolvidos em uma operação contra mim.
Não queria ter sido um otário com a menina, a filha de Holando, principalmente pela condição dela, agora sentado na mesa de jantar minha consciência pesa lembrando dela se arrastando.
- Está longe, Hugo - Miranda atrai minha atenção. Olho para minha mãe e para Igor colocando a aliança no dedo de Lorrana.
- Estou pensando - falo, ela continua me olhando. - Como é o nome da outra filha do Holando?
Pergunto em tom baixo para não chamar a atenção da família Saverin.
- É Pérola, ela é a mais velha - responde. - Viu ela por foto, ficou interessado nela?
Mirando é louca para me ver casar, e dar netos para ela cuidar. Nosso pai já é falecido.
- Não vi ela por foto, e não estou interessado nela - falo pensando. - Só quero encontrá-la para me desculpar.
Levanto da mesa sem dar mais informações para Miranda que certamente ficou roendo as unhas para saber o que aconteceu.
Vou para meu quarto, pego meu celular e ligo para Augusto, meu agente aqui em Londres.
"Manda para mim tudo que encontrar sobre Pérola Saverin" só mando e desligo.
Pego meu Tablet na mala. Essa menina teve muita sorte, não é sempre que dou atenção para os latidos de madruga.
Augusto manda uma foto para mim, e é da Pérola. Coloco os óculos para detalhar seu rosto, tem cara de anjo, é muito bonita. Aguardo pelo relatório da vida dela, amanhã mesmo a encontrarei.
Pérola - Narrando
Todos nós temos traumas, o meu sem sombra de dúvidas são pessoas. Não é fácil para ninguém como eu sobreviver nesse mundo cruel onde pessoas egocêntricas habitam. Arrumo minha bolsa guardando meus livros sentindo ódio, ódio pela noite anterior.
Será possível que aquele homem, Hugo Gratteri, não enxergou minhas muletas no chão? Ou toda sua elegância acabaria se usasse um pouco do cérebro para prestar atenção?
Qualquer pessoa diante de um cachorro grande e assustador como aquele, teria a reação de correr ou pegar algo para se defender. E ver-me suja naquele chão, não lhe ocorreu a droga do pensamento que havia algo errado comigo?
- Filha, está tudo bem? - encerro os pensamentos. Odete minha mãe entra no meu quarto.
- Sim, tudo ótimo, mãe! - respondo franzindo a testa, mostro um sorriso e continuo organizando minhas coisas. - Porque?
- Porque a ouvir bravejar quando passei no corredor - comentou me olhando desconfiada. - É sobre ontem? Você não quer contar o que aconteceu, a gente quer entender como foi parar naquela área.
- Mãe, eu preciso responder? - respiro fundo. - Eu caí da janela, fui tentar me sentar e aconteceu isso. Rolei para o outro lado. Foi isso que aconteceu.
- Filha, isso foi muito arriscado, não devia sair de perto - Odete iria falar muita mais, sobre o que já havia decorado. Por isso a interrompo.
- Mãe, hoje não preciso de todo esse cuidado. Vou para faculdade, quero ver pessoas e sofrer a realidade da minha vida. Ontem serviria de jantar para um cachorro, então tudo bem lidar com pessoas da minha idade - falo desabafando.
Hoje não é um dia bom para mim. Não sei porque mas não consegui esquecer a voz de Hugo Gratteri. Foi a pior vergonha e humilhação que passei, ele é cunhado da minha irmã, o pior é que terei que vê-lo mais vezes. Por isso a angústia.
- Tem certeza que quer ir? - ela pergunta, tentando moderar no tom de tristeza, ela nem consegue imaginar o que passo.
- Sim, mãe. Eu te amo! - falo, coloco a bolsa em cima das minhas coxas, passo por ela na minha cadeira de rodas.
No lado de fora de casa, espero pelo motorista e meu guarda costas, Danilo. O homem que a quase três anos me acompanha na faculdade. Ele foi escolhido a dedo para estar comigo, cuidar de mim quando necessário e solicitado.
- Bom dia, Pérola! - fala chegando-se a mim, faço um aceno e nem sorrio por não sentir vontade. O carro para na nossa frente, um Citroën C4 Cactus Feel Business, adaptado para cadeirante. Prefiro estar logo na cadeira, para não ter que ser carregada na frente da faculdade.
Danilo abre a porta e empurra minha cadeira para dentro.
Alguns minutos depois.... No carro.
Olho para as páginas do livro. Sinto que Danilo me olha, e isso me incomoda.
- Porque me ignora, srta Pérola?
Danilo pergunta em tom risonho, ergo os olhos para ele, é a primeira vez que faz essa pergunta.
- É pago para me proteger, não para conversar comigo - respondo, volto meus olhos para a página do livro.
- Não cobrarei dinheiro extra se falar comigo, Pérola - ele fala, paro de ler. - Posso ser seu amigo, faz tempo que quero dizer isso. Pode aceitar?
Seu tom é gentil, sinto a mão dele na minha, um toque agradável sem más intenções.
- Sente pena de mim? - pergunto, não quero me decepcionar.
Danilo respira fundo.
- Sinto pena de quem perde a oportunidade de tê-la como amiga, Pérola - fala sincero, baixo a cabeça. - E não digo isso por ser uma menina rica de família conhecida. Meu irmão caçula é paraplégico, ele era atleta, um acidente de moto paralisou não só suas pernas como sua vida completamente. Então, não sinto pena de você.
Meus olhos ardem. Paraplégico. Eu consigo movimentar minhas pernas, só não manter-me em pé sem apoio, já o irmão de Danilo não pode fazer isso. No fim percebo que sinto tanta pena quanto os outros que me olham, preciso superar a mim mesma.
- Qual o nome do seu irmão? - pergunto interessada em saber mais.
- Luciano - responde mostrando uma foto no celular. - Um dia posso levá-la para conhecê-lo se quiser.
- Eu quero sim! - sorri para ele, sentindo que poderíamos sim, ser amigos.
Algum tempo depois.... Na saída da faculdade, após uma aula longa..
A pedido meu Danilo usava roupas comuns enquanto na minha companhia na faculdade, isso desde o começo. Para mim é mais fácil assim, ser vista com ele no padrão de roupa de guarda costas, me constrangeria, ainda mais em uma faculdade.
Na saída do edifício, onde "colegas" de classes saíam para aproveitar o final de semana, Danilo parou-me e se agachou na minha altura.
- Hoje sua irmã vai escolher as lingerie para a lua de mel e sua nova rotina como esposa. Ela me ligou quando estava na sala de aula, quer você para ajudá-la - fala Danilo, suspiro sem vontade de ir, lembro bem desse compromisso importante na escolha de lingerie, e principalmente de uma presença feminina que a ajudaria.
- Ela não precisa de mim, sei que uma parente distante de Igor irá ajudá-la. Mas como Lorrana quer que eu participe, irei! - falo, é melhor que voltar para casa e me enfurnar no quarto.
Danilo contente com minha resposta iria me levar para o carro, porém, um homem se aproximou de nós e me entregou um lindo e grande buquê de flores. Isso chamou a atenção de alguns "colegas". Olhei para Danilo e cheguei a rir, iludida que alguém poderia ter se interessado por mim.
- Você que pediu? - pergunto para Danilo, antes de ler o bilhete.
- Não! Leia o bilhete - responde se levantando erguendo as mãos.
Abri o pequeno envelope e comecei a ler o bilhete.
"Perdoe-me pela noite passada, me excedi! Não devia ter sido um grosseirão com a filha do meu fiel amigo. Essas flores representam meu pedido e arrependimento." Hugo Gratteri
Minha reação após ler o bilhete foi apenas de amassá-lo. Avistei uma lixeira perto, pedi para Danilo me levar até ela, e lá joguei as flores.
- Quem mandou? - Danilo pergunta confuso com minha atitude.
- Um grosseirão - pigarreo sem paciência para explicar.
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Hugo Gratteri - Narrando
Bebo mais um gole do café, o gosto amargo salpica na minha boca. Já tem um tempo que mandei que comprassem as flores mais lindas para entregar à filha de Holando, a pequena Pérola de vinte e um anos. Olho no relógio, a essa hora deve ter recebido e se derretido, esquecendo minha deselegância.
Estou na terceira reunião na empresa, não teria tempo para ir pessoalmente entregar as flores e pedir desculpas para a filha de Holando, por estar ansioso tive a ideia da entrega.
Uma batida na porta dupla de vidro escuro tem minha atenção, uma das minhas secretárias adentra a sala retangular para me passar algum recado, e recebe um olhar repreendedor por interferir a reunião, e ela sabe disso.
- Perdão, sr. Gratteri. Mas o sr. Augusto insiste em falar com o senhor - ela fala se justificando.
Mandei que ele próprio entregasse as flores para a filha de Holando. Mesmo não sendo seu trabalho, ele é perfeito para descrever a reação dela e por esse motivo me levantei da cadeira e saí da sala de reunião, deixando sozinho quem dialogava.
Encontro Augusto sentado na poltrona próxima à mesa da recepcionista. Passei por ele e me seguiu para minha sala.
- Como ela reagiu? - pergunto para ter certeza do que já sei. Ela se derreteu.
Augusto faz uma expressão que me faz duvidar da minha convicção, mas espero ouvi-lo.
- A filha do Holando leu o bilhete e o rasgou - informa com tensão nos olhos, isso já faz minha respiração mudar. - As flores, ela jogou no lixo.
Isso não deveria me irritar tanto e fazer-me desejar ver essa menina para confrontá-la sobre as flores. Gastei meu tempo para isso, e ela joga fora as flores mais caras da cidade? Sem contar com a beleza, escolhi a dedo. Minha caligrafia cravou naquele pequeno papel.
- Onde ela está agora? - pergunto, pego meu paletó e visto.
- Em uma boutique de lingerie, está ajudando a irmã a escolher as lingerie para a lua de mel - responde.
Não pergunto mais nada, ligo para minha secretária e mando que cancele as próximas reuniões.
- Para onde o senhor vai? - Augusto me pergunta, seguindo-me para fora da minha sala.
- Atrás dessa menina - resmungo. Quem ela pensa que é?
Alguns minutos depois.....
NA BOUTIQUE... adentro o espaço decorado na cor branca e vermelha, está praticamente vazia, Igor certamente quis assim para que Lorrana tivesse liberdade para escolher o que quisesse.
A poucos metros de mim, vejo a filha de Holando, a responsável pelo meu súbito estresse. Pérola está sentada em uma cadeira de rodas, tem o corpo reto, uma boa postura. Está de lado para minha direção. Me aproximo.
- Porque jogou fora as flores e rasgou o bilhete que lhe mandei, srta Savarin? - ressalto minha voz atraindo a atenção das mulheres que trabalham na boutique, ouço os suspiros e tenho certeza que recebo olhares de desejo, mas mantenho os meus na menina que continua sentada e não moveu um músculo para olhar para mim e responder-me. - Está me ignorando? Devia seguir o que seu pai ensinou, ser educada!
Que inferno! Ela continua parada sem olhar para mim.
- Hugo! - a voz de Simone, minha prima, me faz tirar os olhos da menina mal educada.
- Simone - falo com voz arrastada, estou irritado! Não lhe dou atenção e me aproximo mais da menina.
Me coloco na frente dela, assim não continuará me ignorando, seguro em cada lado da cadeira, inclinando-me para baixo . Ela finalmente me olha com os olhos assustados, na foto não mostrava o contraste perfeito da cor de mel, que me miram agora.
- Mas o que está fazendo? - ela pergunta, tira dos ouvidos os fones. Puta que pariu!
❇❇❇
Pérola - Narrando
Sorte minha sempre ter comigo meus fones, pois foram meus salvadores da companhia de Simone. Fomos apresentadas e o jeito que ela me olhou e as palavras delas? Que ódio!
Lembrando de minutos atrás..
- Nossa, ela é tão bonitinha, parece uma boneca! - fala Simone sem jeito em como me comprimentar.
- Não use o diminutivo comigo, não me agrada - falo, não tenho a mínima vontade de agir na falsidade, menos ainda com essa Simone. Não quero julgá-la, mas seu olhar mostra o tipo de pessoa é.
Atualmente.
Olho assustada para esse homem que tem os olhos tão azuis que pareço estar diante do oceano pela também profundidade que me levou por alguns segundos, quase me afogando.
Pergunto o que ele está fazendo, está muito inclinado para mim. Me sinto desconfortável.
- Pensei que estivesse me ignorando - ele pigarreia em resposta a minha pergunta. Fica reto, agora olho para cima para encarar sua face confusa.
Respiro fundo, desvio meus olhos dele. O que veio fazer aqui? Iria colocar novamente meus fones de ouvido, mas fui impedida pelas mãos do grosseirão retirando-os da minha mão.
- Devolva meus fones! - falo. Ele os coloca no bolso do terno.
- Primeiro responda minha pergunta, srta Savarin - fala com sanha nos olhos, se inclina mais uma vez para mim. - Porque rejeitou o meu pedido de desculpas? Jogou fora as flores e o bilhete.
Hugo Gratteri veio até aqui, para reclamar sobre o que fiz?
- Eu aceitei seu pedido de desculpas, sr. Gratteri. Só não as flores que eram feias e a caligrafia no bilhete não me passaram seu arrependimento, mas, aceitei seu pedido - falo, movo meus lábios em um sorriso sem mostrar os dentes. - Não precisava se preocupar pela sua grosseria. Até tinha esquecido.
Tirei suas mãos da cadeira, e quis locomover-me para longe dele.
- Eu posso te ...
O tom de voz dele saiu grosso, não iria permitir que falasse alto comigo.
- Pode o que?
Travei a cadeira de rodas e me coloquei de pé, apoiando-me nela. Hugo se afastou alguns centímetros e olhou-me dos pés à cabeça. Eu usava uma melissa transparente brilhante e calças jeans, blusa branca.
- É linda .. - ele sussurrou de repente com os olhos estreitos, como se isso fosse uma surpresa para ele, não sei explicar.
Engulo em seco. Ele parecia me ver nesse momento como uma mulher, não uma manca indefesa.
De repente ficamos nos olhando, meu coração ficou acelerado.
- Hugo, o que faz aqui? - a aparição de Igor no cômodo me assustou e acabei soltando da cadeira perdendo o equilíbrio iria cair, mas os braços fortes de Hugo agarraram minha cintura. Típico.
Prendo minha respiração. Meu corpo ficou colado no dele, nunca havia ficado tão próxima de um homem.
❇❇❇
Hugo Gratteri - Narrando
Estranho o que meu corpo sente, não quero soltá-la. Ela é pequena e parece indefesa, embora mostre força e independência em suas palavras. Seu corpo cheira a sândalo, é exótico, amadeirado e doce.
Percebo que meu corpo quer ela. A coloco na cadeira. Quase não conseguindo tirar as mãos dela.
- Vim falar com a irmã da sua noiva, Igor - respondo, olho para Pérola, ela parece afetada com o meu toque, tem os olhos fixos em minhas mãos. - Mas tenho que ir agora.
Sair sem olhar novamente para Pérola. Preciso entender o que meu corpo quer.
Voltei para a empresa.
Algum tempo depois ...
Suspiro sentado na minha cadeira no escritório. Lendo pela vigésima vez o relatório da Pérola Savarin. Ela ousou me enfrentar, isso nunca aconteceu antes, todos temem a mim, as mulheres se ajoelham aos meus pés. Ela desdenhou das flores da minha caligrafia. Me prestei a fazer isso pela primeira vez.
- Porque está inquieto? - Augusto entrou no escritório, pensei que tinha ido embora.
- Estou pensando! - advirto.
- Há uma hipótese da srta Savarin não ter ficado "feliz" com as flores e tê-las jogado fora - fala Augusto com uma foto nas mãos, a coloca em cima da mesa, a pego, é de Pérola em frente a boutique sorrindo para um homem agachado, muito próximo do rosto delicado dela. - Ela tem namorado!
- Isso não está na porra do relatório que fez, Augusto! - me exalto, amasso a foto, sentindo meu sangue ferver. Porra! Eu dificilmente perco o autocontrole. - Descubra tudo sobre esse namorado.
- O que vai fazer, sr. Gratteri? - odeio a expressão de Augusto e o tom de voz modelado por riso. Está se divertindo.
- Vou te matar se permanecer na minha sala! - bravejo. Ele sai sério, entendendo que não estou brincando.
Pego meu celular, ligo para Holando.
"Um jantar?" Holando pergunta com voz surpresa.
"Sim, um jantar na sua casa" afirmo, pensando no que farei. "Essa noite!"