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 ONDE A LUA ENTERRA NOMES

ONDE A LUA ENTERRA NOMES

Autor: Day Oliver
Gênero: Lobisomem
🌹 Ela passou dez anos tentando esquecer o homem que a destruiu. 🐺 Ele passou dez anos tentando esquecer a mulher que nunca conseguiu deixar de amar. Lyra aprendeu cedo que algumas feridas não sangram. Algumas apenas permanecem abertas, escondidas sob a pele, esperando o momento certo para lembrar que ainda existem. Dez anos atrás, ela era apenas uma garota. A garota que amava Kael Draven. A garota que acreditava que o vínculo entre suas almas era eterno. Até ser rejeitada, humilhada e expulsa da única casa que conhecia. Naquela noite, Lyra perdeu tudo. Seu lar. Seu nome. Seu amor. E quase perdeu a si mesma. Mas a garota que partiu não existe mais. Nas sombras de Arcádia Noir, Lyra foi treinada para sobreviver. Aprendeu a mentir sem piscar, a matar sem hesitar e a transformar a própria dor em uma arma. Agora ela retorna à Vargem Negra por uma única razão: vingança! Vingar-se do homem que destruiu seu passado. Ele achou que ela estava morta. Ela jurou que ele a tinha destruído. Os dois estavam errados e quando a Lua finalmente revelar o que foi enterrado... alguns nomes serão lembrados. Outros serão apagados para sempre. E um deles pode ser o nome daquele que Lyra terá que matar. Dez anos atrás, ela foi rejeitada. Hoje, voltou para matá-lo. O problema é que o vínculo entre eles nunca morreu. Nem todo inimigo nasce para ser odiado. Alguns nascem para ser lembrados.
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Capítulo 1 🌕 Cap. 1: O Laço Esquecido na Floresta Proibida

🌹 Lyra Voss

A Floresta de Vargem Negra não guardava segredos; ela os devorava sob o manto gelado da meia-noite.

A névoa espessa e leitosa rastejava pelo solo negro como os dedos esqueléticos de um fantasma ancestral, congelando a umidade nas folhas retorcidas dos carvalhos milenares.

A cada passo calculado que eu dava sobre o musgo, sentia o peso sufocante de cruzar a fronteira proibida da Matilha Valkares.

Na hierarquia implacável das alcateias, uma intrusa sem o cheiro do bando era considerada caça viva, destinada a ser estraçalhada nas presas dos lobos de patrulha antes que pudesse sequer pronunciar uma súplica.

Contudo, eu não era uma humana indefesa.

Sob a minha capa de veludo negro, ajustada ao corpo para garantir agilidade mortal, meus dedos enluvados seguravam com firmeza o cabo esculpido em osso de uma adaga de prata pura.

Eu havia sido forjada na dor e no silêncio pelo Clã Noctharys, transformada na espiã mais letal da fortaleza sombria de Arcádia Noir.

Minha missão naquela noite de lua cheia parecia simples nos mapas de guerra: infiltrar-me no coração do território inimigo, mapear as rotas de caça do novo Alfa Supremo e encontrar a fraqueza que colocaria a Matilha Valkares de joelhos perante os nossos líderes.

Mas havia algo em Vargem Negra que nenhum treinamento em Arcádia Noir foi capaz de prever.

Conforme eu me aprofundava no escuro, o ar ao meu redor tornou-se subitamente leve e vibrante, como se a própria atmosfera tivesse sido eletrificada por uma tempestade ameaçadora.

Um perfume avassalador, intenso e carnal invadiu minhas narinas, notas amadeiradas de pinho selvagem, terra úmida pós-chuva de granizo, couro aquecido e a masculinidade bruta e indomável de um predador de sangue puro.

No mesmo instante, uma pontada aguda e ardente queimou bem no centro do meu peito, logo abaixo da clavícula, como se um ferro em brasa estivesse gravando uma marca invisível em minha carne.

Meu coração saltou na garganta, batendo em um ritmo frenético e irregular que não vinha do medo, mas de uma pulsação primordial que ressoava até a última gota do meu sangue.

- Mate bond... - o sussurro escapou dos meus lábios trêmulos como um lamento assustado.

Eu conhecia as lendas sobre o Laço de Companheiros Destinados pela Deusa da Lua.

Dizia-se que quando dois seres predestinados se aproximavam, seus lobos interiores uivavam em adoração e a atração física superava qualquer barreira de ódio ou sanidade.

Mas eu sempre fui ensinada de que era sem loba, uma rejeitada sem cheiro cujo passado foi consumido pelo fogo.

Como era possível que meu corpo estivesse queimando com a dor e a glória do vínculo sagrado?

O estalar seco de um galho quebrado na escuridão atrás de mim, fez todos os meus instintos de sobrevivência gritarem.

Girei sobre os calcanhares em uma fração de segundo, desembainhando a adaga de prata e assumindo uma postura de combate letal.

O metal sagrado brilhou com um reflexo prateado sob a luz prateada da lua cheia, que surgia entre as nuvens pesadas.

Das sombras profundas do nevoeiro, uma figura imensa emergiu com a graça silenciosa e letal de uma divindade da guerra.

Kael Draven. O temido Alfa de Ferro de Vargem Negra.

Ele tinha mais de um metro e noventa de estatura, ombros largos e uma presença esmagadora que parecia roubar todo o oxigênio ao redor.

Sua camisa de couro escuro estava entreaberta na altura do peito, expondo músculos rígidos esculpidos por batalhas e marcas profundas de cicatrizes de garras.

Mas foram seus olhos que me paralisaram por completo: duas esferas douradas e brilhantes de pura fúria selvagem que cintilavam no breu como brasas vivas.

Ele não trazia nenhuma arma nas mãos calejadas.

Ele não precisava.

Suas garras retráteis e a força sobrenatural de sua linhagem ancestral, eram suficientes para partir um homem ao meio.

Kael caminhou lentamente na minha direção, sem pressa, sabendo que eu não tinha para onde fugir.

A cada passo pesado que ele dava, a queimação em meu peito intensificava-se ao ponto de me tirar o fôlego.

Eu conseguia ver as narinas dele se dilatando enquanto ele farejava o ar noturno, capturando o meu perfume de jasmim e sangue com uma intensidade que fez os pelos de sua nuca se arrepiarem.

Seus lábios bem desenhados se curvaram em uma expressão perigosa, uma mistura esmagadora de ódio territorial, espanto e uma fome erótica e insaciável que ameaçava me devorar inteira.

- Uma espiã de Arcádia Noir armada com prata no meu santuário... - a voz dele soou grave, rouca e suave, ressoando como um trovão distante, que fez o chão vibrar sob minhas botas. - Você deveria estar morta antes de dar o terceiro passo nesta floresta, garota.

Tentei manter a mão firme, apontando a ponta afiada da lâmina diretamente contra o pomo de adão do Alfa.

- Dê mais um passo, Kael Draven, e eu garanto que seu sangue de monstro banhará este musgo antes mesmo que sua matilha alcance meus passos.

Em vez de recuar, Kael soltou uma risada sombria e rouca, que enviou uma onda de calor líquido direto para o centro do meu ventre.

Ele deu mais dois passos largos, encurtando a distância entre nós, até que a ponta da adaga tocasse a pele nua de seu peito, logo acima de uma cicatriz antiga.

Ele não se importou com a dor do metal.

Em vez disso, deu mais um passo à frente, forçando a lâmina a arranhar sua pele, fazendo com que uma única gota escarlate de sangue escorresse por seu músculo rígido.

Ele se inclinou sobre mim, sua sombra engolindo meu corpo por completo.

O calor que emanava de seu corpo musculoso, era como uma fornalha ardente contrastando com a noite congelante.

Eu podia sentir sua respiração quente batendo contra a curva do meu pescoço, acelerando minhas pulsações até o delírio.

Seus olhos dourados cravaram-se nos meus com uma ferocidade possessiva tão devastadora que minhas pernas tremeram.

Ele levou a mão áspera ao meu rosto, roçando os lábios na minha têmpora enquanto sussurrava:

- Você tem a coragem de me ameaçar com prata... mas não consegue esconder que o seu sangue acabou de reconhecer o seu Alfa.

Capítulo 2 🌕 Cap. 2: As Cinzas da Antiga Rejeição

🐺 Kael Draven

Eu passei dez anos acreditando que a Deusa da Lua me amaldiçoou com o vazio eterno.

Quando herdei o posto de Alfa Supremo da Matilha Valkares após a morte sangrenta de meu pai na Batalha dos Montes Cinzentos, a primeira coisa que o Conselho de Anciãos tentou me impor, foi uma Luna de conveniência política.

Fêmeas nobres de todas as alcateias do norte desfilaram diante do meu trono de pedra, ostentando perfumes caros, linhagens puras e olhares submissos.

Mas meu lobo interior, uma fera cinzenta gigantesca, impiedosa e faminta, rosnava com desprezo para cada uma delas.

Para ele, todas eram estranhas.

Nenhuma possuía o aroma que foi gravado na minha alma quando eu ainda era apenas um jovem guerreiro.

O aroma de jasmim noturno, chuva fresca e orvalho da floresta.

O cheiro da garota que foi arrancada dos meus braços e humilhada pelo conselho da matilha como uma "aberração sem loba", banida sob mentiras forjadas que quase destruíram a minha sanidade.

E agora, no meio da escuridão sagrada de Vargem Negra, o vento me trouxe de volta aquele mesmo perfume.

Não como uma lembrança dolorosa, mas em carne, osso, curvas perigosas e uma postura desafiadora que fez meu sangue ferver em chamas.

A mulher encurralada diante de mim, segurava uma adaga de prata com a perfeição de uma assassina profissional.

A ponta metálica perfurava de leve a pele do meu peito, fazendo arder as terminações nervosas com o veneno que enfraquecia minha espécie.

Mas a dor física da prata não era nada comparada à tempestade de luxúria e fúria que varria meu peito.

Meu lobo interior arranhava minhas costelas de dentro para fora, uivando em um delírio triunfante:

- Nossa! Ela voltou! Nossa Luna!

Olhei para o rosto dela sob a luz prateada da lua.

Os cabelos castanhos escuros caíam em ondas rebeldes sobre os ombros finos, emoldurando seus lábios carnudos e rosados, que estavam entreabertos em um suspiro trêmulo.

Seus olhos escuros e expressivos tentavam sustentar uma frieza assassina, mas a dilatação de suas pupilas e a vermelhidão intensa que subia por seu pescoço de porcelana, entregavam que o laço de companheiros estava exigindo seu desejo carnal.

- Você treme, linda assassina... - sussurrei, deixando que o rosnado grave de satisfação vibrasse em meu peito. - Está com medo de que eu rasgue a sua garganta com as minhas presas, ou está em pânico porque o seu corpo está implorando para que eu rasgue essas roupas e marque o seu pescoço sob este luar?

- Cale a boca, ... monstro! - ela cuspiu as palavras com veneno, mas sua voz falhou na última sílaba. O peito dela subia e descia em um ritmo acelerado, pressionando o corpete justo contra meu antebraço.

Com um movimento rápido e imperceptível para olhos humanos, desviei o pulso dela que segurava a adaga.

A lâmina de prata caiu sobre as folhas secas sem que ela pudesse sequer reagir.

Antes que ela desse um passo para trás, prendi sua cintura fina com meu braço esquerdo, puxando seu corpo pequeno com força implacável contra o meu quadril rígido.

O choque de nossos corpos colidindo arrancou um gemido sufocado de sua garganta.

A sensação do quadril macio dela prensado contra o meu, foi um golpe esmagador de prazer, que quase me fez perder o controle.

Ela era perfeita.

Cada curva encaixava-se no meu corpo como se tivéssemos sido moldados pela mesma matéria ancestral.

Minha mão direita subiu lentamente pela curva de sua cintura, percorrendo as costelas e pousando na linha delicada de seu maxilar, inclinando seu rosto para cima, para que ela não pudesse desviar o olhar do meu.

- Você não é uma humana qualquer enviada para espionar meu clã, não é? - perguntei, sentindo o calor febril de sua pele contra a palma da minha mão calejada. Meus polegares acariciaram o contorno macio de seus lábios inferiores, sentindo-os estremecerem ao meu toque. - Diga-me o seu nome verdadeiro antes que eu decida puni-la pelo veneno de prata que você ousou encostar em mim.

Ela cerrou os dentes, os olhos faiscando com um ódio que só os corações mais profundamente feridos conseguem carregar:

- Meu nome é Lyra Voss. E você me rejeitou quando eu não passava de uma menina assustada que a sua matilha jogou aos corvos, Kael Draven. Eu voltei apenas para ver o seu império queimar.

As palavras dela caíram como um raio no meu peito, e quando seus olhos se encheram de lágrimas de fúria, vi sob o tecido rasgado de sua gola a cicatriz em forma de lua minguante, que eu mesmo curei com meu próprio sangue, há dez anos atrás.

Capítulo 3 🌕 Cap. 3: O Gosto Proibido da Vingança e do Desejo

🌹 Lyra Voss

O choque elétrico que percorreu minha espinha quando Kael segurou minha cintura, foi tão violento que minhas pernas perderam a sustentação.

Eu estava completamente à mercê dele, colada contra o corpo rígido, musculoso e febril do guerreiro que assombrava meus pesadelos mais sombrios e minhas fantasias mais inconfessáveis.

Aquele não era apenas o líder militar mais temido do continente; era o homem que a Deusa da Lua havia gravado em meu destino, o mesmo homem cuja matilha me expulsou nas trevas da infância, rotulando-me como uma fêmea sem valor.

Por dez longos anos em Arcádia Noir, alimentei meu ódio dia após dia.

Treinei com lâminas envenenadas, aprendi a arte do disfarce, blindei meu coração para que nenhum sentimento pudesse me vulnerabilizar.

Eu jurara que quando reencontrasse Kael Draven, sentiria apenas desprezo e o desejo fulminante de vingança.

Mas a mentira que contei a mim mesma, desabou no exato instante em que a mão grande e áspera dele segurou meu queixo, forçando-me a encarar as profundezas douradas de seu olhar de fera.

O olhar dele não continha a arrogância fria de um carrasco. Estava repleto de um tormento devastador, um desespero primitivo que parecia queimar tudo ao redor.

- Lyra... - o som do meu nome pronunciado com tamanha reverência e dor, fez meu peito se contrair em agonia.

Ele não me soltou.

Pelo contrário: apertou-me ainda mais contra seu corpo, eliminando qualquer vestígio de distância entre nós, até que eu pudesse sentir a rigidez de seu membro ereto pressionando meu ventre através das camadas de tecido.

O calor que emanava daquela fricção proibida, fez um arrepio ardente explodir entre minhas coxas, umidade e desejo derretendo a última barreira de autocontrole que eu tentava sustentar.

- Você não sabe o que aconteceu naquela noite, pequena Luna... - ele rosnou contra a minha boca, seus lábios roçando os meus a cada palavra, tão próximos que eu podia saborear o gosto quente e amargo de sua respiração. - Eles me disseram que você estava morta. Disseram que o Clã Noctharys havia queimado sua carruagem na fronteira e que suas cinzas tinham sido espalhadas no rio de gelo. Eu executei quatro anciãos da matilha com minhas próprias garras na mesma noite em que perdi o seu rastro!

Minha respiração parou na garganta.

- Você mente... - sussurrei, lutando contra as lágrimas de raiva que teimavam em embaçar minha visão. - Eryon me mostrou os documentos selados com o brasão do Alfa! Você assinou meu banimento porque eu não manifestei uma loba aos dezesseis anos! Você me considerou fraca demais para ser a Luna dos Valkares!

- Eryon é uma víbora que pagará com a própria cabeça por cada mentira que envenenou sua mente! - o rugido de Kael ecoou pelo topo dos carvalhos centenários, fazendo os pássaros noturnos levantarem voo em bando.

Antes que eu pudesse pensar em qualquer contra-argumento, Kael perdeu a paciência que lhe restava.

Ele afundou os dedos fortes nos meus cabelos, puxando minha cabeça suavemente para trás, para expor a curva inteira do meu pescoço, e capturou meus lábios em um beijo selvagem, faminto e alucinante.

O mundo ao meu redor simplesmente desapareceu.

Foi um beijo de posse pura e libertação desesperada.

A língua dele invadiu minha boca com a voracidade de um predador reivindicando seu território sagrado, sugando meus lábios com uma urgência incontrolável que arrancou um gemido longo e desavergonhado do fundo do meu peito.

Eu tentei empurrá-lo, mas minhas mãos, traidoras e sedentas, cravaram-se nos ombros largos de Kael, sentindo a musculatura pulsar sob o couro enquanto eu me entregava totalmente àquela loucura.

O gosto dele, selvagem, carnal, misturado ao sabor metálico da gota de sangue de seu peito, era como uma droga proibida que embriagava meus sentidos.

Ele desceu os lábios quentes pela linha do meu queixo, mordiscando a pele sensível logo abaixo da minha orelha e descendo em beijos ardentes até a curva onde a artéria carótida pulsava descontrolada.

As mãos dele desceram para os meus quadris, erguendo-me ligeiramente do chão e prensando-me contra o tronco áspero do carvalho para acomodar o encaixe perfeito de nossos corpos.

Eu afundei minhas unhas na nuca dele, arqueando as costas e oferecendo meu pescoço enquanto um calor insuportável tomava conta de todo o meu ser.

- Diga que você é minha, Lyra... - ele ordenou com a voz rouca pelo desejo desenfreado, sua boca sugando a pele do meu pescoço com força suficiente para deixar uma marca roxa visível sob a luz da lua. - Diga antes que a matilha descubra que a verdadeira Luna de Vargem Negra retornou para tomar o trono que é dela por direito de sangue.

Quando eu estava prestes a ceder ao delírio daquele toque e confessar que meu corpo sempre pertenceu a ele, o uivo agudo e ensurdecedor da trombeta de caça de Eryon soou a menos de quinhentos metros de nós.

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