⚠️ AVISO DE CONTEÚDO (Trigger Warning)
ESTA É UMA OBRA DE DARK ROMANCE EXTREMO. Este livro contém cenas de violência explícita, abuso psicológico, físico e sexual, além de temas sensíveis e comportamentos criminosos. O relacionamento retratado é tóxico e abusivo e não deve, sob nenhuma circunstância, ser normalizado ou romantizado na vida real. Trata-se de uma ficção sombria destinada exclusivamente a maiores de 18 anos que possuem consciência da distinção entre fantasia e realidade.
Leia por sua conta e risco. Se você possui gatilhos com os temas citados, esta obra não é para você.
Essa história é um crossover/ Spiin off da história que dará inicio a varios outros personagens ( Comprada pelo Mafioso obcecado: contrato com a virgem) Que está disponivél aqui na plataforma ok.
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POV Alessia
O cheiro de incenso e lírios brancos costumava ser o perfume da paz em solo sagrado, mas hoje, ele tinha o odor metálico e sufocante de um funeral. O meu funeral. Eu não era uma noiva caminhando para o amor; eu era um cordeiro sendo arrastado para o cepo, onde o carrasco já afiava a lâmina com um sorriso de satisfação.
O vestido de seda marfim, escolhido a dedo por minha mãe para camuflar a fera que eu escondia sob as camadas de tule, era uma obra-prima de tortura arquitetônica. O espartilho estava tão absurdamente apertado que cada inspiração se transformava em uma agonia silenciosa; as barbatanas de aço cravavam-se nas minhas costelas, moldando minhas curvas generosas em um padrão que agradasse aos olhos masculinos, lembrando-me, a cada batimento cardíaco, de que na Fartalle, eu não tinha direito nem ao oxigênio que preenchia meus pulmões.
Eu sou Alessia Lombardi. A "Princesa de Prata". Uma anomalia genética que me deu cabelos da cor da lua e uma alma forjada no ferro, mas que para o meu pai, Leopoldo, não passava de uma mercadoria de luxo com data de validade. Ele estava me entregando, como um pedaço de carne sangrenta e marmorizada, para os lobos famintos da Eslovênia.
O objetivo de Leopoldo Lombardi era uma transação comercial fria: comprar o apoio da máfia Cantaloupe com a minha virgindade. Nossa organização, erguida sobre as cinzas e as traições da brutal Fratellanza di Ferro, era um castelo de cartas em meio a um furacão. Meu pai sabia que o chão sob seus pés estava podre, coberto pelo sangue dos que ele traiu. Ele precisava das rotas eslovenas para escoar sua sujeira e, acima de tudo, precisava de cães de guarda estrangeiros para garantir que seus próprios soldados não cortassem sua garganta enquanto ele dormia.
Caminhei pelo corredor da catedral sentindo o peso esmagador de centenas de olhares predatórios. Sorrisos falsos, dentes brilhantes que escondiam o veneno da elite criminosa. Eles viam exatamente o que os Lombardi venderam: a herdeira de curvas fartas, o busto oprimido pelo decote casto, a pele alva contrastando com os fios prateados que me faziam parecer uma santa saída de um altar. Eles viam a "boa garota", a virgem intocada que seria entregue a Marcellos Cantaloupe como um troféu de caça.
O que nenhum daqueles bastardos via eram os calos nos meus nós dos dedos, camuflados pela renda delicada das luvas de seda. Eles não faziam ideia de que, enquanto minha mãe me forçava a bordar enxovais e a baixar os olhos, meu primo Kauan me ensinava, no breu dos galpões úmidos, como estraçalhar a traqueia de um homem e como desmontar uma Beretta em segundos. Fui criada para ser uma boneca de porcelana puritana, submissa e pronta para abrir as pernas e sorrir para o monstro que pagasse o preço mais alto.
Meu pai queria uma donzela; eu me tornei uma estrategista para tentar sobreviver.
Eu sangrei no escuro, treinei até minhas pernas tremerem e aprendi a governar no silêncio da minha mente, esperando o dia em que o império seria meu. Mas a lógica da máfia é uma doença incurável: para Leopoldo, a mediocridade do meu irmão Lucca era uma virtude só porque ele nasceu com um pau entre as pernas. Lucca é um bastardo vazio, um erro de cálculo genético, mas no patriarcado podre dos Lombardi, um homem idiota ainda vale mais do que uma mulher brilhante.
No altar, Marcellos Cantaloupe me esperava. Ele era, visualmente, o arquétipo do príncipe encantado das trevas: cabelos negros como a noite, barba desenhada com precisão e olhos escuros que transbordavam uma possessividade nojenta. Ele não queria uma esposa; ele queria um objeto de prata para exibir em sua mansão gelada na Eslovênia. Algo para polir, usar, bater ou foder quando estivesse entediado e descartar quando o brilho sumisse. Marcellos já me olhava como se fosse o dono das minhas entranhas.
Em um de nossos raros e asquerosos encontros, ele sussurrou contra o meu rosto que não via a hora de estraçalhar minha virgindade; disse, com um hálito que cheirava a pecado, que queria me ver sangrar no pau dele até que a dor se tornasse a única forma de amor que eu conhecesse. Palavras grotescas, vomitadas sobre uma moça que o mundo acreditava ser tímida, puritana e intocada.
O que aquele bastardo não sabia era que meu coração não estava disponível para a sua crueldade. Ele estava trancado em um cofre de gelo eterno, e eu havia engolido a chave há muito tempo. Desde os doze anos, quando o sangue da minha primeira menstruação desceu, eu entendi meu propósito neste império de homens: eu nasci para ser uma mercadoria de pernas abertas e uma incubadora silenciosa.
Eu era o sacrifício, o preço da paz entre traidores. Olhei de soslaio para o meu pai e vi o triunfo em sua face gordurosa. Ao lado dele, Lucca parecia um pavão estufado, pronto para herdar o trono que eu construí com meu silêncio e inteligência. Naquele mundo, a coroa nunca tocaria minha cabeça prateada.
- Princesa... - Marcellos sussurrou quando alcancei os degraus.
Sua mão, quente e possessiva, cobriu a minha como uma garra de ferro. O toque me causou uma náusea visceral, um arrepio de repulsa que subiu pela minha espinha como ácido. Eu já podia sentir o peso do "dever" que viria à noite. A invasão de um homem que me via apenas como um útero para herdeiros eslovenos. Eu estava pronta para o meu papel de mártir, pronta para entregar meu corpo para salvar os negócios sujos do meu pai...
Até que o universo simplesmente foi rasgado ao meio.
Uma detonação ensurdecedora. As portas maciças da catedral foram arrancadas das dobradiças por uma carga explosiva de alto impacto. O mundo ficou cinza, preenchido por poeira, gritos e o cheiro doce de pólvora queimada. A onda de choque me arremessou para trás como se eu não passasse de uma pena. Caí de forma desajeitada, o peso do meu próprio corpo batendo contra o presbitério de madeira maciça. Ouvi o som doloroso do tule e da seda rasgando no meu braço, expondo minha pele à poeira do caos, mas a dor era um detalhe ínfimo comparado ao zumbido agonizante que tomou conta dos meus ouvidos.
O sacrifício havia sido interrompido. E, pela primeira vez na vida, o medo que senti foi substituído por uma faísca selvagem de esperança: os lobos haviam chegado, mas talvez eles não estivessem ali para o banquete... talvez estivessem ali para a matança.
POV/ Alessia
Poeira, fumaça cinza e estilhaços de carvalho voavam por toda parte, misturando-se aos gritos histéricos que transformavam a casa de Deus em um abatedouro. Minha mãe gritava meu nome em algum lugar à esquerda, mas a cortina de pó era um muro intransponível.
Tentei me levantar, mas minhas pernas tremiam tanto que quase cedi sob o peso sufocante de quilos de seda e renda inúteis. Eu era uma mulher de um metro e sessenta e sete, com braços curtos e o corpo pesado pela imobilidade do espartilho; embora treinada, eu estava encurralada em uma armadura de vaidade que tornava qualquer movimento uma luta contra a própria gravidade. O coração batia na garganta, um tambor frenético de pânico puro.
A luz do dia invadiu o templo pelas portas arrancadas, e uma silhueta alta, de ombros largos e uma postura de naturalidade assustadora, entrou carregando um fuzil como se fosse uma extensão de seu próprio corpo.
Ele usava a máscara de Michael Myers.
A face de plástico pálida, com aquele sorriso morto, cobria todo o rosto, deixando apenas o vazio sombrio dos espaços para os olhos. Ele parou no epicentro do caos e girou a cabeça na minha direção com um movimento mecânico. Mesmo através do plástico, eu senti: ele estava me devorando com o olhar. Era o olhar de um colecionador avaliando uma peça que ele pretendia quebrar.
O pânico paralisou meus centros nervosos. Dei um passo trôpego, tropeçando no próprio véu que se enroscava nos meus pés como uma armadilha. Marcellos estava estático ao meu lado, pálido, seus dedos inúteis apertando o cabo da arma na cintura enquanto o terror drenava sua coragem.
Outros homens invadiram logo atrás, usando máscaras de Halloween distorcidas. Um deles trazia uma katana longa; o aço brilhava com um tom rubro enquanto o sangue fresco de algum segurança pingava sobre o tapete vermelho. Marcellos finalmente reagiu, me agarrando pelo braço com uma força bruta, me puxando para trás dele como se eu fosse um escudo de carne.
- Fique atrás de mim, Alessia! - ele berrou, mas sua voz falhou.
Vi meu pai, Leopoldo ele agarrou minha mãe pelo pescoço, forçando a se abaixar atrás do banco e ouvi ele gritar:
- Leve Alessia daqui! Eles vieram buscá-la! - ele rosnou e empunhou a arma, enquanto Lucca, meu irmão, atirava freneticamente como uma criança apavorada.
Arrastei minha mãe em direção à sacristia. O tule do vestido era uma prisão. Rosnei e usei toda a minha força para rasgar a renda lateral do vestido até a coxa, expondo o metal frio da pistola no meu coldre oculto. O rasgo foi o som da minha liberdade momentânea.
Passamos pela porta e o pátio era um cenário de guerra. Mas o caminho foi barrado. Um homem alto, de máscara de palhaço, surgiu do nada. Minha mãe tentou se interpor, mas ele a empurrou como se ela fosse um trapo velho. Ela atingiu o chão com um baque seco que fez meu sangue ferver.
- Não toca nela, seu desgraçado! - O grito saiu da minha garganta como um rosnado.
Desferi um chute violento na canela dele. Enquanto ele vacilava, saquei. Não mirei; usei o peso da arma para golpear o queixo daquela máscara. O impacto foi seco. Ele cambaleou, mas ficou ali, com seus quase dois metros, me observando com um desprezo silencioso. Meus braços eram curtos demais para manter uma distância segura; eu precisava me expor para atingi-lo.
Eu ia atirar, mas um calafrio gélido percorreu minha nuca. Uma presença. Uma sombra maior que o próprio sol.
- Nossa... - A voz veio abafada pela máscara de Michael Myers, arrastada em uma diversão psicopata. - Por essa eu realmente não esperava. A princesinha morde.
Girei com tudo, tentando golpear a têmpora dele com a coronha da pistola, mas ele se moveu como um raio. Em um segundo, ele bloqueou meu braço com uma facilidade humilhante e me prensou contra a parede de pedra.
O impacto expulsou o ar dos meus pulmões. Meus braços curtos tentaram empurrá-lo, mas eram inúteis contra a envergadura dele. Minha cabeça latejou e a máscara de Michael Myers foi a última coisa que foquei. Tentei chutar, morder, mas ele me imobilizou usando o próprio peso esmagador. Ele era puro músculo e gelo, tornando todo o meu treinamento uma piada patética diante daquela disparidade física.
Ele apertou meu pulso com tanta pressão que meus ossos protestaram; fui obrigada a soltar a arma. O metal caiu no chão com um som final.
Com uma brutalidade desnecessária, ele virou meu pescoço para o lado, esmagando meu rosto contra a pedra áspera. Senti uma picada aguda e fria na lateral da minha garganta.
- Durma, principessa - ele sussurrou no meu ouvido. O hálito quente contra minha orelha contrastava com o tom letal. - O seu verdadeiro dono veio te buscar.
Meus joelhos cederam. O peso do meu corpo, que eu tanto tentava sustentar com dignidade, tornou-se fardo demais. Mas ele não me deixou cair. Ele me envolveu com braços fortes, me segurando como um prêmio, suspendendo-me contra seu peito largo.
A última coisa que vi foram os sapatos de couro dele. Manchados com o sangue fresco dos convidados do meu casamento que deveriam estar celebrando o início da minha vida, mas que agora marcavam o começo do meu inferno.
POV: DOMINIC FERRARO
- Isso vai ser um suicídio, Dominic. - A voz de Lorenzo era o único som dentro do galpão, além do clique-claque metálico e rítmico das armas sendo carregadas. - Entre no território Lombardi, pague o dote, faça uma proposta formal. É assim que a máfia funciona agora. Diplomacia, irmão.
Parei de limpar o cano da minha submetralhadora e olhei para ele. Meus olhos - um azul-gelo e o outro um castanho âmbar - fixaram-se nele com o desprezo que eu reservava para qualquer coisa que cheirasse a civilidade.
- Eu não sou um diplomata, Enzo. Eu sou o que sobrou de um massacre. - Minha voz saiu rouca, arranhada pelos anos em que o frio do asfalto e a fumaça de lixo queimado foram meus únicos companheiros. - Além do mais, eu pedi a mão daquela boneca de prata duas vezes. Aquele verme me negou como se eu fosse um vira-lata sarnento. Agora, eu vou tomar o que ele acha que vale ouro.
- Mas eu também não daria minha filha a um psicopata - Jales comentou ao meu lado, verificando as munições com um nervosismo mal disfarçado.
- Leopoldo Lombardi não merece meu dinheiro. Ele merece ver a ruína do que ele criou. E é exatamente isso que ele vai ter - afirmei, encaixando o pente da metralhadora com um estalo seco e final.
Passei a mão pelas cicatrizes que subiam pelos meus braços como serpentes de tecido cicatricial. Marcas de brigas de faca em becos onde a vida valia um prato de comida; queimaduras de quando tínhamos que dormir abraçados a latas de lixo em chamas para não congelar. Onze anos. Levou mais de uma década para eu desenterrar o nome Ferraro das cinzas e afiá-lo como uma navalha.
- Cassian, guarde a porra desse celular - rosnei para o caçula.
Ele estava deitado no chão de concreto, a cabeça descansando perigosamente perto de um tijolo de cocaína pura. Cassian tinha treze anos. Ele mal se lembrava do cheiro de pólvora e do som de ossos quebrando na noite em que nosso pai, o Capo, foi trucidado. Ele era um bebê quando fomos jogados no esgoto. Era o único de nós que ainda guardava um rastro de luz nos olhos, e eu pretendia usar essa pureza como escudo enquanto pudesse.
- Só estou estudando o mapa da catedral, Dom - ele resmungou, guardando o aparelho com um bico infantil.
Eu já tinha cada segundo calculado. Eu não ia apenas sequestrá-la. Eu ia dissecar a existência dela. Leopoldo amava aquela boneca de cabelos lunares? Ótimo. Eu ia usar cada fio prateado para enforcá-lo psicologicamente. Eu ia marcar a pele dela até que ela não passasse de um mapa da minha vingança.
- Vamos fazê-la pagar por cada noite que passamos disputando restos com os ratos - eu disse, vestindo a máscara de Michael Myers.
O látex era quente, sufocante, mas eu gostava daquela privação sensorial. Era a minha verdadeira face. A face que não sente, não pisca e não perdoa. Sob o plástico pálido, eu deixava de ser homem para me tornar um conceito de morte.
- Certo, contanto que possamos nos divertir com ela - um dos soldados riu, um brilho obsceno nos olhos. - Será que ela é toda grisalha lá embaixo? Seria uma experiência exótica.
- Cale a boca, imbecil - Lorenzo cortou, dando um tapa na nuca dele. - Tem uma criança aqui, não está vendo?
- Ah, seu filho da puta! Por que trouxeram o garoto? Vamos cometer uma chacina, não é lugar para creche.
Olhei para o soldado através dos buracos vazios da máscara. Minha voz saiu abafada, sem qualquer inflexão emocional:
- Não importa a cor, nem o que ela é. Ela vai receber tantas "visitas" que vai esquecer o próprio nome. Ela não é uma mulher hoje, soldado. Ela é uma dívida sendo cobrada com juros de sangue.
O que eu não disse em voz alta era o plano cirúrgico na minha mente. Eu pretendia devolvê-la ao pai em pedaços psicológicos, da mesma forma que os homens dele fizeram com a minha mãe. Olho por olho. Dor por dor. Eu não estava indo com intenções de um homem; eu estava indo com as intenções de um monstro faminto.
- Cassian, venha aqui - Lorenzo chamou, interrompendo minha linha de pensamento sombria. - Você vai com o Diego na van de apoio. Não saia de perto dele.
Cassian me olhou com seus olhos verdes, buscando uma aprovação que eu raramente dava. Eu apenas acenei com a cabeça protegida pelo plástico.
- Diego! - gritei, minha voz ecoando no galpão como um trovão. - Se um único fio de cabelo dele for tocado, eu mesmo vou te manter vivo enquanto arranco sua pele centímetro por centímetro. Entendeu?
- Sim, senhor. Venha, Cassian. - Diego o arrastou para o veículo.
- Vamos. Está na hora de transformar um casamento em um velório. - Ajustei a máscara pela última vez, sentindo o suor começar a descer pela minha nuca.
Antes de sair, o telefone no meu bolso vibrou. Chamada criptografada. Moretti. O único nome na Itália que ainda me fazia calcular as consequências antes de agir.
- Ferraro - a voz de Killian do outro lado era fria como uma lápide de mármore. - Ouvi dizer que você pretende fazer barulho no território Lombardi hoje.
- Vou apenas cobrar uma dívida antiga, Moretti. Nada que envolva seus portos.
- Vá em frente. Mas se o seu barulho atrair os holofotes para a minha porta, nos dois vamos ter uma conversa particular nada amigável.
- Entendido.
Desliguei. Eu não tinha medo de Killian Moretti, mas tinha o respeito que um predador dedica a outro maior. Entrei no carro blindado e dei o sinal. O massacre estava apenas começando, e Alessia Lombardi não tinha ideia de que seu vestido branco seria o lençol do seu próprio enterro em vida.