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A Última Chama Apagada

A Última Chama Apagada

Autor:: Gong Zi Qian Yan
Gênero: Romance
No dia do nosso terceiro aniversário de casamento, preparei um jantar à luz de velas, com o coração cheio de esperança. Mas essa esperança desfez-se com uma única mensagem do meu marido, Pedro: "A Sofia tentou suicídio outra vez. Estou a ir para o hospital. Não me esperes para jantar." Logo a seguir, veio uma foto dela numa cama de hospital, com os pulsos enfaixados, e Pedro a segurar a mão dela, com os olhos rasos de dor. A legenda? "Ela precisa de mim." O meu coração, que eu achava estar dormente, latejou. Ele precisava dela. E eu? No nosso aniversário, eu não precisava dele? Era eu tão descartável assim? Quando ele regressou, exigiu que eu fosse "compreensiva", acusou-me de ser "cruel" por querer liberdade, e ainda me culpou pelas "birras" da ex-namorada. A minha sogra teve de o forçar, mas ele, ao assinar o divórcio, virou-se para mim e disse: "Ela tentou suicídio outra vez por tua causa. Vais arrepender-te." Sentia-me a vilã da história, acusada de egoísmo por apenas querer ser vista. Como cheguei a um ponto onde a minha própria felicidade era considerada crueldade? A sua porta fechou-se com um clique final, mas eu já tinha pego no telefone. "Advogado Martins? Sou a Catarina. Quero iniciar o processo de divórcio." A partir daquele momento, a minha vida não seria mais sobre ser a segunda opção.

Introdução

No dia do nosso terceiro aniversário de casamento, preparei um jantar à luz de velas, com o coração cheio de esperança.

Mas essa esperança desfez-se com uma única mensagem do meu marido, Pedro: "A Sofia tentou suicídio outra vez. Estou a ir para o hospital. Não me esperes para jantar."

Logo a seguir, veio uma foto dela numa cama de hospital, com os pulsos enfaixados, e Pedro a segurar a mão dela, com os olhos rasos de dor. A legenda? "Ela precisa de mim."

O meu coração, que eu achava estar dormente, latejou. Ele precisava dela. E eu? No nosso aniversário, eu não precisava dele? Era eu tão descartável assim?

Quando ele regressou, exigiu que eu fosse "compreensiva", acusou-me de ser "cruel" por querer liberdade, e ainda me culpou pelas "birras" da ex-namorada. A minha sogra teve de o forçar, mas ele, ao assinar o divórcio, virou-se para mim e disse: "Ela tentou suicídio outra vez por tua causa. Vais arrepender-te."

Sentia-me a vilã da história, acusada de egoísmo por apenas querer ser vista. Como cheguei a um ponto onde a minha própria felicidade era considerada crueldade?

A sua porta fechou-se com um clique final, mas eu já tinha pego no telefone. "Advogado Martins? Sou a Catarina. Quero iniciar o processo de divórcio." A partir daquele momento, a minha vida não seria mais sobre ser a segunda opção.

Capítulo 1

No dia do nosso terceiro aniversário de casamento, o meu marido, Pedro, enviou-me uma mensagem.

"Catarina, a Sofia tentou suicídio outra vez. Estou a caminho do hospital. Não me esperes para jantar."

Olhei para a mesa cheia de pratos que preparei durante toda a tarde.

A luz das velas tremeluzia, refletindo-se no meu rosto pálido.

Senti um aperto no peito, uma sensação familiar e sufocante.

Respondi calmamente.

"Ok."

Não perguntei porquê, nem como ela estava.

Porque eu sabia que não obteria uma resposta que quisesse ouvir.

Nos últimos três anos, o nome "Sofia" tornou-se um tabu entre nós, uma ferida que nunca cicatrizava.

Ela era a ex-namorada dele, a luz branca da lua no coração dele, a razão pela qual ele ficava acordado até tarde a beber.

E eu, era apenas a esposa dele no papel.

Desliguei o fogo debaixo da sopa, apaguei as velas uma a uma.

A sala mergulhou na escuridão, apenas a luz fraca do ecrã do telemóvel iluminava o meu rosto sem expressão.

O telemóvel vibrou novamente.

Era uma fotografia enviada por Pedro.

Na foto, Sofia estava deitada numa cama de hospital, com o rosto pálido e os pulsos enrolados em ligaduras grossas.

Pedro segurava a mão dela com força, os olhos dele cheios de uma preocupação e dor que eu nunca tinha visto.

Debaixo da foto, uma linha de texto.

"Ela precisa de mim."

O meu coração, que eu pensava já estar entorpecido, doeu de repente.

Ela precisa dele. E eu?

No dia do nosso aniversário, eu não precisava dele?

Eu também era a esposa dele.

Ri-me de mim mesma, um som seco e amargo na sala silenciosa.

Peguei no telemóvel e disquei um número.

"Advogado Martins? Sou eu, Catarina. Quero iniciar o processo de divórcio."

Do outro lado da linha, o advogado fez uma pausa.

"Tem a certeza, Sra. Catarina? Pensou bem?"

"Tenho a certeza absoluta."

A minha voz estava surpreendentemente calma.

"Por favor, prepare os documentos o mais rápido possível. Não quero mais nada dele, apenas a liberdade."

Desliguei a chamada e bloqueei o número de Pedro.

Olhei para a aliança de casamento no meu dedo.

Ele colocou-a no meu dedo há três anos, prometendo cuidar de mim para sempre.

Agora, parecia uma piada.

Tirei o anel e coloquei-o em cima da mesa, ao lado do bolo de aniversário por cortar.

Este casamento, para mim, acabou.

Capítulo 2

Na manhã seguinte, a luz do sol entrou pela janela, mas não trouxe qualquer calor.

Eu não dormi a noite toda.

Fiz as minhas malas, apenas com algumas roupas e os meus documentos.

As coisas que Pedro me comprou, deixei-as todas para trás.

Não queria levar nada que me lembrasse dele.

Quando estava prestes a sair, a porta abriu-se.

Pedro entrou, com o rosto cansado e barba por fazer.

Ele viu as malas aos meus pés e o seu rosto mudou.

"O que estás a fazer?"

"A ir embora."

A minha resposta foi simples e direta.

Ele franziu o sobrolho, a sua impaciência era óbvia.

"Catarina, não sejas infantil. A Sofia acabou de sair de perigo, não tenho tempo para as tuas birras."

"Birras?"

Repeti a palavra, sentindo-a ridícula.

"Pedro, estamos a divorciar-nos."

Entreguei-lhe o acordo de divórcio que o advogado tinha enviado por email durante a noite.

Ele olhou para o título do documento, e a sua expressão passou de impaciência para raiva.

"Divórcio? Estás a brincar comigo? Só porque eu não voltei para casa ontem à noite?"

Ele agarrou o meu braço, a sua força era grande.

"Sabes o quão perigosa era a situação da Sofia ontem? Ela quase morreu! E tu só consegues pensar nisto?"

A sua acusação era como uma faca afiada.

Mas eu já não sentia dor.

"E eu? Pedro, ontem era o nosso aniversário. Eu esperei por ti a noite toda."

Olhei diretamente para os olhos dele, tentando encontrar um traço de culpa.

Mas não encontrei nada.

Apenas raiva e desapontamento.

"Aniversário? É mais importante que uma vida humana? Catarina, quando te tornaste tão egoísta e insensível?"

As palavras dele fizeram-me rir.

"Eu sou insensível? Pedro, nos últimos três anos, quantas vezes saíste a correr a meio da noite por causa dela? Quantas vezes me deixaste sozinha em ocasiões importantes?"

"Isso é diferente! A condição dela é especial, ela tem depressão!"

"Então a depressão dela é uma desculpa para destruir o casamento de outra pessoa? E eu? Tenho que aguentar tudo isto porque sou saudável?"

Soltei-me da mão dele com força.

"Chega, Pedro. Estou cansada. Não quero mais viver assim."

"Catarina, não faças isto."

A voz dele suavizou um pouco, talvez percebendo a minha determinação.

"A Sofia precisa de tempo para recuperar. Depois de ela melhorar, eu prometo que vou compensar-te. Podemos ir de férias, para onde tu quiseres."

Era a mesma promessa de sempre.

Uma promessa que ele nunca cumpriu.

"Não preciso. Só quero o divórcio."

Peguei na minha mala, pronta para sair.

Ele barrou-me o caminho.

"Eu não concordo."

O seu tom era firme.

"Eu sou o teu marido, não me podes deixar."

"Marido?"

Sorri amargamente.

"Quando é que realmente me trataste como tua esposa?"

Nesse momento, o telemóvel dele tocou.

O nome "Sofia" piscou no ecrã.

Ele atendeu a chamada sem hesitar, a sua voz tornou-se instantaneamente gentil.

"Sofia? Como te sentes? Não te preocupes, estou a caminho."

Ele desligou e olhou para mim, com um ar de desculpa.

"A Sofia acordou e não me vê. Tenho de ir para o hospital. Falamos sobre isto quando eu voltar."

Ele passou por mim, apressado.

No momento em que ele abriu a porta, eu disse com uma voz fria.

"Pedro, se saíres por esta porta hoje, nunca mais voltes."

Ele parou, de costas para mim.

Depois de alguns segundos de silêncio, ele disse sem se virar.

"Não sejas assim, Catarina. Sê compreensiva."

E depois, ele saiu.

A porta fechou-se com um clique, cortando a última réstia da minha esperança.

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