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A Última Górgona - Livro 1

A Última Górgona - Livro 1

Autor:: Jacief
Gênero: Aventura
Martina, uma jovem comum, faz uma descoberta extraordinária no sótão de sua casa: um livro secreto que desencadeia uma viagem mágica e sobrenatural. Ao tocá-lo, ela é transportada para uma dimensão mitológica fascinante, onde seu destino se entrelaça com a lendária Medusa e suas irmãs górgonas. Martina, sem saber, é revelada como a quarta e última irmã das górgonas, uma revelação que a coloca no centro de uma trama épica e cheia de perigos. Seu objetivo: mudar o coração de Medusa e desvendar os segredos profundos que envolvem a linhagem das górgonas. Enfrentando criaturas míticas e desafios inimagináveis, ela se torna uma heroína relutante, cuja coragem e determinação serão postas à prova. No entanto, o destino tem mais surpresas reservadas para Martina, pois ela se encontra dividida entre dois amores de mundos completamente distintos, uma complicação que a leva a uma jornada emocional complexa. Além disso, a morte súbita de seu pai abusivo desencadeia uma série de segredos há muito guardados, deixando-a perplexa e determinada a desvendar a verdade que paira no ar. "A Última Górgona" é uma história envolvente que combina mitologia, aventura e romance, levando os leitores a um mundo mágico repleto de mistérios e reviravoltas emocionantes. Martina está prestes a descobrir que o destino tem planos grandiosos para ela, e o curso de sua vida nunca mais será o mesmo.

Capítulo 1 A Pior Notícia

Faz duas semanas que o meu pai não dava notícias e, por mais que eu fingisse não me importar, a minha cara emburrada e o olhar tristonho me denunciavam. Ele nunca ficava em casa, porque as suas amantes lá fora eram muito mais importantes que a sua filha e a sua esposa. Era tão maravilhoso não o ter por perto, pois a sua presença só nos fazia mal, porém, também era muito triste não ter uma figura paterna para te amar e te proteger, já que meu pai era um verdadeiro escroto.

"Precisava esquecê-lo"

Meu leito continuava quente, tornou-se um incômodo continuar deitada ali, mas me deixei consumir por essa dor impertinente que assolava o meu corpo. A preguiça impedia a minha locomoção. Sou uma garota de dezessete anos, na flor da idade, mas isso não refletia na minha realidade, porque as costas doíam como se eu fosse uma idosa no auge dos oitenta anos.

O silêncio em minha mente me deixava à deriva. Levantei da cama com dificuldades, meus movimentos estavam travados como se eu tivesse corrido uma maratona por três dias, totalmente limitada, o que me fez perceber que eu ainda continuava sonolenta da noite mal dormida. Entrei no banheiro, tomei banho e escovei meus dentes que estavam mais amarelados que implantes de ouro, vesti a farda da escola que estava pronta em cima da minha cama. Eu era do tipo de pessoa que preparava tudo a véspera, para não haver atrasos, odiava atrasos, pensei em me maquiar também, precisava parecer viva, embora sentisse o oposto nesse momento.

Hoje será interessante, uma escola nova, vida nova e, eu preciso de fato causar uma boa impressão. Mas não precisava de uma superprodução com tanta coisa, não é uma festa, é só o meu primeiro dia de aula do terceiro ano e sendo sincera, não preciso de maquiagem, pois a minha aparência já passa a impressão que estou, ou melhor, me sinto maquiada, pois a minha pele branca é quase rosada nas bochechas dando um ar de blush, meus olhos e cabelos negros formavam minha própria maquiagem natural. Terminei de me arrumar dando uma última olhada no espelho e desci para a sala.

- Bom dia, filha? O café está na mesa - minha mãe disse ao me ver descer as escadas.

- Bom dia! - respondi desanimada.

Coloquei minha mochila atrás da cadeira para sentar à mesa, e poder tomar meu café normalmente, olhei o relógio e vi faltarem quinze minutos para o ônibus passar.

- Como está a expectativa para o primeiro dia de aula? - perguntou empolgada, parecia que ela seria a novata no meu lugar.

- Aí, se eu pudesse continuaria na minha cama, mas fazer o que, né? - lamentei apoiando meu queixo sob o braço em cima da mesa.

Minha mãe ficou um pouco estagnada com a minha revelação, o que quase me fez rir dos seus grandes olhos arregalados, tentou recuperar a compostura para talvez me transmitir a sua empolgação.

- Faz parte - ela respondeu secamente, parece ter desistido de destilar euforia, o que me deixou agradecida. Não aguento pessoas elétricas pela manhã, de onde tiravam tanta energia?

- O papai deu notícias? - perguntei por mero hábito e não porque fazia falta.

- Não e estou feliz por isso - disse, recuperando todos os traços de contentamento em seu rosto.

Sempre quando eu falava do papai, mamãe entrava em um estado traumático. Mas naquele momento ela parecia vivenciar um misto de sentimentos como alegria e tristeza.

- Quando ele dá as caras, a senhora me liga - Me levantei da mesa e pegando a minha mochila de trás da cadeira para seguir em direção a porta, parando apenas por um instante - Aliás, não. Quando ele aparecer, eu não quero saber - falei friamente indo até minha mãe para lhe dar um beijo na testa - Tchau!

- Tenha um ótimo primeiro dia de aula querida - desejou.

Fiquei aguardando o ônibus escolar na frente de casa. Ele sempre passava às 6h40 certinho, talvez apenas com um ou dois minutos de atraso. O motorista parou para mim e subi com rapidez, vendo uma quantidade razoável de pessoas sentadas na frente, fui para o fundão do veículo onde ainda havia alguns lugares vazios. Sentei na antepenúltima cadeira da fileira esquerda, peguei meus fones de ouvido e sem perda de tempo, os colocando para escutar as minhas músicas favoritas, levantei o capuz da minha blusa moletom sob a minha cabeça e me encostei no vidro da janela relaxando durante todo o trajeto.

Após meia hora estávamos chegando na escola, quando desci segui para o pátio da entrada, as pessoas presentes ali me olhavam com estranheza e descaradamente, o que me fez perguntar se era pelo fato de eu ser novata ou se havia algo realmente estranho em mim, não sei. Quanto mais caminhava, mais as pessoas encaravam, acho que fiz uma merda muito grande na minha maquiagem, era a única explicação para isso. Deviam me achar uma palhaça com esse cabelo horroroso e essa pintura tosca na cara, mas tenho um crédito, não sei me maquiar e nem tenho paciência para assistir tutoriais.

Seguir direto pelo corredor, precisava passar na diretoria para receber o plano de aula e pudesse ir para minha nova sala antes do primeiro horário tocar.

Paro em frente de uma porta marrom com o letreiro escrito diretoria.

- Bom dia, diretora! Posso entrar? - bati na porta que estava meio aberta.

- Pode entrar! - disse a diretora sentada atrás da mesa.

- Sou Martina Leoni, a nova aluna do terceiro ano, queria saber sobre minha turma.

- Ah, sim! - disse, procurando o meu nome na lista que estava em cima da sua mesa - Sua sala é a 13B. Você está sem armário também, não é?

- Sim - confirmei, se ela não me perguntasse nem lembraria de pedir um armário.

- Vamos providenciar isso para você - garantiu, me entregando meu plano de aula.

- Ok, com licença - saí da sala fechando a porta.

Após rodar praticamente todo o colégio a procura da minha sala encontrei a turma que ela me informou, 13B quase no último andar, sério, odeio escadas. Cadê o elevador? Três lances de escadas só pode ser brincadeira, ofegante, paro na porta que está aberta.

- Seja bem-vinda, srta. Leoni. Me chamo Meriz, sou professora de português. - disse a professora sentada à mesa, que se levantou para se apresentar a mim - Entre!

- Bom dia, professora - respondi, educadamente.

- Venha aqui irei te apresentar a turma - Ela me acompanhou até ficar de frente para os alunos - Classe, essa é Martina Leoni, ela será a nova colega de vocês. Deem as boas-vindas!

- Seja bem-vinda! - todos disseram tão desanimados quanto eu.

- Obrigada! - respondi com timidez, pior que isso é quando nos fazem se apresentar. A escola gosta de traumatizar seus alunos.

- Sente-se e fique à vontade - disse a professora Meriz.

Sentei no fundo da sala na última cadeira vaga. Conseguia ouvir alguns cochichos que tenho certeza serem ao meu respeito, afinal eu era a novidade daquele colégio. Fingir não escutar e tentei prestar atenção na aula enquanto a professora explicava sobre os quatro tipos de gramática.

As horas se passaram tão rápido que quase não percebi que já tive, após português, mais três aulas, estava esgotada, precisava comer e como música aos meus ouvidos ouço o sino bater indicando o intervalo. Levanto entusiasmada, a melhor parte chegou.

No caminho para a cantina, os alunos abriam seus armários para guardar suas mochilas. Lembrei que estou sem armário, mas a diretora prometeu que arrumaria um para mim. Sinto do nada uma mão puxando-me pela alça da mochila, viro e vejo um garoto ainda segurando a minha mochila.

- Posso guardar a mochila pra você com as minhas coisas, se quiser, é claro - sugeriu ele, tentando retirar a minha mochila do meu ombro.

"Mais que garoto gentil, nem me conhece e parece ser tão prestativo."

Ele tinha um cabelo lambido na frente e aqueles óculos redondos enormes que o deixavam parecendo um nerd, o que fazia jus já que pela cara parecia ser mega inteligente. Acho que será bom fazer amizade com um nerd, nunca sabemos quando precisaremos dos seus favores em uma atividade como matemática.

- Tá bom - disse, entregando a minha mochila.

- Me chamo Hebert, e você? - perguntou enquanto ajeitava minha mochila em seu armário

- Martina - respondo com os olhos curvados, sem jeito

- Prazer - Riu graciosamente

Ele soube organizar minha mochila em seu armário, ao lado das suas coisas perfeitamente. Espero que a diretora não demore muito para me dar um armário, não me sinto bem tendo que pedir a alguém para guardar as minhas coisas todos os dias.

Depois de um papo breve com Hebert, me despedi do dele e fui para a fila da cantina à espera do lanche, segurando minha bandeja vazia. Avaliando todo o local avistei um garoto que não parava de me olhar, parecia me encarar com segundas intenções, deve estar atraído pela minha maquiagem horrorosa. Eu não vestia nada demais para chamar tanta atenção, estava apenas usando a farda escolar e uma blusa moletom de manga comprida por cima que é da própria instituição. O cara era extraordinariamente gato.

"O que será que ele está vendo em mim?"

Verifiquei ao redor para ver se os olhares não seriam para outra pessoa, mas não havia ninguém ao meu lado, então de fato os olhares eram para mim. Peguei minha bandeja e coloquei em cima da mesa self-service de alumínio e caminhei para sentar na única mesa vazia. O garoto que me olhava se aproximou de mim e colocou sua bandeja em cima da minha mesa. Fiquei sem entender nada.

"O que deu nesse garoto?"

- Oi, você é nova por aqui? - Ele puxou assunto.

- Sim, é meu primeiro dia de aula - digo, recolhendo as minhas mãos para debaixo da mesa.

- Qual é o seu nome?

- Martina e o seu?

- Rodrigo, ao seu dispor - Ele fez um gesto de cavalheirismo que automaticamente me dá uma pequena crise de risos.

- Você é muito sem noção - sussurro, mas ele dá de ombros mostrando que escutou, o que nos leva a rimos juntos iguais a dois bobos.

- Sem noção é apelido, mas me fala o que você faz no seu dia a dia?

- Bom, eu gosto de assistir séries e...

- Filmes? - Ele me interrompeu.

- Assisto de vez em quando. Não curto muito, gosto de histórias com longas durações - confessei.

- Hum, interessante - sorriu. - Já assistiu "The Walking Dead"?

- Ah, não. - digo, observando o choque em sua face. - Não curto séries macabras, na verdade, eu estou terminando a segunda temporada de "Thirteen Reasons Why".

- Então quer dizer que você acha a série da garota que corta os próprios pulsos numa banheira menos macabra que a série de zumbis? - Ele arqueou uma das sobrancelhas interrogativamente.

- Acho que a série da garota que corta os próprios pulsos na banheira tem um contexto mais interessante que um bando de mortos vivos comendo carne humana - simplifiquei - você não acha?

- Talvez você tenha razão - admitiu.

- Eu sempre tenho razão - repliquei, olhando fixamente para ele.

Ele levantou as sobrancelhas surpreso com a minha audácia e percebeu que seria difícil ganhar de mim nos argumentos. Minha mãe costuma dizer que não sabe de quem herdei essa personalidade de tentar controlar tudo e todos.

- Gosta de livros? - Rodrigo continuou se mostrando ainda mais interessado em me conhecer.

- Isso é um interrogatório? E sim, gosto de mitologia grega - falo, arrancando um meio sorriso dos seus lábios.

- Uai, como ela é um fenômeno! - brincou - Curte música?

- Sim, eu adoro Bon Jovi.

- Sério? - disse arregalando os olhos - Caralho que irado! And I will love you, baby, always - sussurrou empolgado para do nada começar a cantar alto sem se importar com atenção que estava trazendo, um grande louco, óbvio, mas a música "Always" do Bon Jovi ficava bem na sua voz. No início fiquei um pouco sem graça e constrangida, porém ele estava fazendo uma capela só para mim.

- Vai, canta! - Ele me incentivou pegando na minha mão.

- And I'll be there forever anda day - não resistir para só então encerrarmos com... - Always!

Todos estavam olhando para gente com estranheza. Tentamos disfarçar e voltar a comer o nosso lanche na base de risos, os sanduíches que antes estavam quentes, agora quase frios e intocáveis nos pratos. Fiquei um bom tempo admirando aquele garoto à minha frente. Rodrigo é moreno, tem um sorriso fácil, um rosto quadrado e belo, seus cabelos são negros e curtos fazendo-o parecer muito aqueles filhinhos de papaizinho que andam de skate.

"Será que ele é um skatista?"

Assim como eu, ele não conseguia tirar aqueles belos pares de olhos na cor azul hortênsia de mim, enquanto comia seu misto quase frio. Eu tentava disfarçar o clima que estava rolando, mas era inegável o interesse de ambos ali.

O som da TV recém-ligada me tirou dos devaneios, vejo a tia da cantina sentar na cadeira com um controle aumentando o volume para assistir o jornal. Aquilo foi a pior coisa que ela poderia ter feito naquele dia, pelo menos para mim.

A voz da jornalista invadiu a cantina noticiando.

"Um corpo foi encontrado numa ribanceira perto de uma ferrovia. Os documentos encontrados no local identificaram a possível vítima como Saulo Leoni, promotor de uma empresa de aviação..."

Levantei da mesa bruscamente sem acreditar no que meus olhos estavam vendo e os meus ouvidos escutaram. Pouco a pouco a minha mente apagou a voz da apresentadora que noticiava o jornal.

"O que está acontecendo?", era só o que eu conseguia pensar.

Fiquei atordoada, sem chão, meus olhos não paravam de escorrer lágrimas. Logo me bateu uma tontura e meu estômago começou a rejeitar o lanche que havia comido. Corri para o banheiro mais perto da cantina e vomitei no primeiro vaso sanitário que avistei pela frente. Era meu pai que estava sendo noticiado na TV. A sua documentação estava bem nitidamente estampada na tela, era o meu maldito pai. Eu não conseguia compreender as minhas reações. Era para eu estar feliz e aliviada porque agora finalmente minha mãe teria paz, nós teríamos paz, mas não sei o que estava acontecendo comigo. Estava angustiada e passando mal pela morte do homem que torturou a mim e a minha mãe a vida inteira.

- Martina! Martina! - ouço a voz do Rodrigo atrás de mim - Você está bem? - ele perguntou preocupado - O que aconteceu? - disse se abaixando para ficar na minha altura, o abracei e me escondi em seu peito chorando e sem conseguir parar de soluçar. - O que houve? O que aconteceu? - disse, ficando ainda mais preocupado.

- O corpo, anunciado na TV... era do meu p... pai - respondi com dificuldades.

- Sinto muito. Shiu, eu tô aqui. Não deixarei você sozinha, tá bom? - ele prometeu, enquanto alisava os meus cabelos.

Acenei com a cabeça me sentindo mais segura naquele abraço aquecido. Ele me abraçou bem forte e sem deixar de acariciar minha nuca seguido de um beijo na testa. Lembrei da minha mãe e se essa notícia chegou até ela, deveria estar arrasada.

- Preciso ir ver a minha mãe, ela deve estar péssima. Com certeza ela já sabe - Me levantei com dificuldades do chão devido à tontura que havia me consumido, mas precisava sai do banheiro o mais rápido possível.

- Posso te levar para casa se preferir - sugeriu Rodrigo.

- Não, não precisa. Eu pego o busão, você deve estar cheio de problemas, não quero te envolver com os meus - dispensei.

- Faço questão, não deixarei você ir sozinha para casa nesse estado. Vem, eu te levo - Ele insistiu pegando minha mão, guiando até a saída.

Saímos do banheiro, abraçados, encontrando uma turma de curiosos que estavam na porta nos observando. Fomos à diretoria pedir permissão para ir embora, expliquei toda a situação, ela entendeu e assinou a minha liberação, mas não antes de me desejar os pêsames. Pêsames era o que eu menos precisava naquele momento, pois não sinto nenhuma dor pela morte do meu pai.

Rodrigo me guiou para o seu carro, que estava estacionado na garagem da escola. Quando ele ativou o alarme da chave pude ver uma Ferrari luxuosa na cor vermelha piscar os faróis. Foi aí que descobri que o carinha ao meu lado não era um simples garoto e, sim, um filhinho de papaizinho riquíssimo. Nada disse a respeito, naquele momento o que me importava era chegar em casa às pressas. Agilizei meus passos enquanto Rodrigo abria a porta do passageiro para mim, entrei no carro que era mega espaçoso, não tinha como não notar o luxo exagerado que era por dentro, Rodrigo entrou, em seguida, tomando a direção saímos do estacionamento.

Estávamos muito próximos um do outro, mas devido à situação ele tentava esconder o seu interesse por mim, vendo que ali não era o momento. Quando cheguei na minha casa com Rodrigo notei que o clima estava incomum, minha mãe se encontrava sentada no sofá de cabeça baixa. Rafael, um amigo da família, estava a consolando e sendo muito prestativo servindo um copo d'água com açúcar.

- Martina, minha querida! Você soube? Como você está? - Rafael me encheu de perguntas enquanto vinha me abraçar ao me ver entrar pela porta da sala

- Eu estou bem – declarei

Rafael estranhou a presença de Rodrigo ao meu lado, pois nunca havia o visto antes

- Não vai me apresentar o rapaz?

- Esse é o Rodrigo, um amigo novo que conheci na escola e Rodrigo, esse é o Rafael, um amigo da família.

Rafael e Rodrigo se cumprimentaram amigavelmente

- Como está minha mãe? - perguntei ao notar o estado melancólico em que minha mãe se encontrava

- Está péssima, ela não reage, não fala nada, não demonstra nenhuma reação.

- Como ela soube? - indaguei, analisando a melhor forma de me aproximar dela.

- A polícia veio aqui, fizeram várias perguntas. Parece que foi um assassinato - resumiu aflito, sabia que não era fácil para ele ver minha mãe naquela situação.

Fiquei chocada com o que havia acabado de ouvir, mal conseguia ter alguma reação. Nesse momento eu não conseguia sentir dó com a morte do meu pai, diria que aquilo se tornou um alívio e não um lamento.

Din-don, din-don... a campainha tocava.

- Deixa que eu atendo - Rafael disse, indo em direção a porta.

Consegui ouvir pequenos murmurinhos de um homem que se apresentava como policial falando com o Rafael, a conversa foi curta. Rafael fechou a porta e em suas mãos segurava uma pasta grande de cor branca, sua face era rígida e me deixando ansiosa pela sua explicação.

- Era a polícia? O que eles queriam? O que é isso? - enchi Rafael de perguntas, tudo isso ainda parecia muito confuso para mim.

- Sim, eles me entregaram o exame de óbito. Ao que tudo indica, Saulo foi realmente assassinado, eles também disseram que Saulo estava com uma... puta, na noite em que ele morreu - Rafael disse em um tom acanhado com receio da reação da minha mãe.

Ouvir aquilo na presença de uma pessoa desconhecida era algo vergonhoso e deprimente, principalmente para minha mãe, mas não esperava nada menos daquele traste que chamo de pai, já que ele nunca teve responsabilidade afetiva pela sua família.

De repente minha mãe, que apesar do estado letárgico conseguiu assimilar a informação de Rafael, começou a gritar desesperadamente, se lamuriando em prantos para em seguida desmaiar em cima de uma luminária.

- Mãe? - berrei.

Capítulo 2 O Velório

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Capítulo 3 A Rival

Depois de uma semana de luto, que eu não fiz nenhuma questão de vivê-lo, voltei hoje para o que seria o meu segundo dia de aula. Era incrível como todos os alunos da escola não conseguiam parar de me olhar sinistramente como no primeiro dia.

"Será que vai ser sempre assim todos os dias ou só quando alguma tragédia acontecer na minha família?"

Caminho exausta de toda aquela atenção desnecessitaria, decidida a evitá-los, sigo pelo jardim que dá acesso à segunda escadaria do prédio. Debaixo da árvore a minha esquerda estava Rodrigo com aquele belo sorriso faceiro, enquanto resenhava com os seus amigos. Quando ele me viu, pude perceber o momento exato que os seus olhos brilharam. Para não dar na pinta que o observava ao caminhar, desviei os meus olhos para outro lugar e, novamente, mudei a minha rota.

"Aquele garoto não é para mim"

Rodrigo pertencia a um mundo totalmente oposto do meu, ele precisava encontrar uma garota que estivesse à sua altura. Que fosse rica e tivesse o padrão de beleza igual das patricinhas que estavam no pátio da escola. Eu nem de longe era essa garota, então resolvendo evitar as possíveis e futuras decepções amorosas, ignorei o seu chamado. Mas senti a presença de alguém me seguindo, não tinha dúvidas de quem seria, entretanto, me virei para confirmar se era o Rodrigo vindo atrás de mim. Apressei os meus passos tentando fugir dele, o que apenas o encorajou a correr para me alcançar antes que eu chegasse no meu destino.

- Espera um pouco! - disse ofegante, enquanto segurava o meu braço, me obrigando a parar de andar. - Por que está fugindo de mim? - perguntou desconfiado.

- Porque estou com pressa! - disse me soltando do seu aperto e tornando a andar.

- Espera, vamos conversar! - insistiu ficando na minha frente.

- Depois a gente conversa, tá? Agora estou sem cabeça para isso. - falei sem paciência, era louvável a sua persistência, mas era frustrante não conseguir evitá-lo.

- Ok, mas eu não desistirei de você tão fácil assim. Você que lute para se livrar de mim! - Ele começou a gritar colocando as mãos ao redor da boca como se falasse em um megafone, para depois sai correndo de volta para os seus amigos.

Ele é inacreditável, como controlaria as sensações se ele não desgruda. Pelo menos ele não viu que eu ri da cara dele, pois daria mais corda a sua perseguição. Mas acho que lá, no fundo, eu gosto de vê-lo correndo atrás de mim, era como um desafio.

"Acho que vou me aproveitar um pouquinho disso para brincar um pouco."

A sala de aula parecia mais um deserto de tão vazia. A maioria dos alunos ainda não havia chegado ou até mesmo entrado, nem mesmo a professora havia dado sinal de vida. Sentei na mesma cadeira do primeiro dia, coloquei a minha mochila em cima da mesa da carteira, e fazendo-a de travesseiro, tentei relaxar enquanto a aula não começava.

Em questão de minutos o sinal bateu me arrancando do maravilhoso cochilo, passo as mãos no rosto de modo a limpar qualquer vestígio de baba. Vejo uma multidão espalhafatosa de alunos entrarem na sala tão desanimados que pareciam uma torcida que acabara de ver o seu time favorito perder e logo em seguida a professora adentrou fazendo um contraste enorme com turma, pois tinha em seu rosto um enorme sorriso de orelha a orelha. Deveria ser novata, os novatos sempre são assim, calorosos.

- Bom dia, turma! Preparados para mais um dia de aula? - perguntou animada. A professora me avistou lá, no fundo da sala e eu cruzei os dedos para que não me chamasse. - Srta. Leoni? - Ela me chamou, fazendo despertar de imediato o pânico em ter que ir à frente e encarar todo esse povo estranho, por favor, que não seja isso. - Meus pêsames, espero que esteja tudo bem com você e a sua família.

- Obrigada. Está tudo bem, sim! - respondi com uma vozinha melodiosa, não podia quebrar a expectativa dela ao identificar o meu "foda-se" aos pêsames pela morte do seu pai.

- Bom, proponho começarmos a aula. Afastar toda a tristeza, pois hoje teremos trigonometria! - disse trocando de assunto, e distribuindo toda a sua euforia nada contagiante.

A professora escrevia no quadro branco o novo tema. Estava abrindo a minha mochila para pegar o meu caderno e a caneta quando de repente sinto uma leve pancadinha na cabeça e pelo barulho que fez, deduzo que alguém havia jogado uma bolinha de papel. Olhei para trás e uma garota mal-encarada acenou para mim com as mãos. Ela tinha um belo par de olhos verdes-claros e o seu cabelo caracolado era loiro com duas mechas tingidas de rosa e preto na região da nuca, parecia uma boneca, embora as argolas no nariz e sobrancelhas - tinha a maior cara de maloqueira -, gritasse o oposto.

- Fiquei sabendo que o seu pai morreu. Ele foi degolado, não foi? Tadinha de você, né? Nasceu tão azarada. - Ela me provocou com um olhar debochado. - Que dó, tô com peninha, sabia?

Não entendi o porquê que essa doida começou a me atacar passivamente do nada, sendo que eu nada fiz a ela, nem mesmo a conheço. Decidi não cair nas suas provocações, voltando a minha posição, e me mantendo em silêncio. Se ela soubesse que a morte do meu pai foi um livramento para mim, talvez o papo seria outro ou nem existiria.

- Não vai me responder? Ownt, ainda tá sofrendo com a morte do papaizinho ou será que não? - Ela estava determinada a me tirar do sério.

Fechei meus olhos e respirei fundo, buscando a calma que estava começando a esgotar antes de me virar para ficar de frente com ela.

- O que você quer comigo, hein? - indaguei entre dentes, quase perdendo a paciência.

- Vi você e o Rodrigo hoje mais cedo. Me contaram que vocês dois estavam juntinhos no dia em que descobriu que o teu paizinho morreu. Só vou te dar um aviso guria, fica longe do meu namorado ou você terá muitos problemas aqui, fui clara? - Ela me ameaçou na maior cara de pau.

- Nossa, olha como tô morrendo de medo, chega, tô me tremendo todinha, olha! - debochei simulando tremer as minhas mãos.

- Você está avisada, depois não diga o contrário. - Ela disse com uma cara bem séria e tenebrosa.

- Ui! Calma aí, garota, eu nem te conheço, então abaixa essa bola. - debochei mais uma vez, perdendo toda a paciência.

- Ei?! - A professora reclamou, o que me fez automaticamente me recompor - Vocês duas, aí, no fundo, não é hora de conversinha. - reclamou - Vou começar a chamada, façam silêncio, pois não repetirei!

Na chamada da escola descobri que a minha suposta rival se chama Rebecca.

O sino da escola bateu indicando o intervalo, precisava comer, embora não tivesse fome naquele momento. Arrumando minhas as coisas para sair da sala quando a tal da Rebecca esbarrou de forma brutal e propositalmente em mim, fiquei sem reação com a tamanha falta de educação daquela garota.

"Meu Deus! Que garota mal-educada"

Saio da sala atordoada com o que acabara de acontecer, o colegial é sempre uma merda, mas esse ganharia o prêmio do ano, e o pior: ainda não havia conseguido um armário novo, então pedi para Herbert guarda as minhas coisas mais uma vez junto com as suas, e ele assentiu

No caminho para a cantina, senti uma presença masculina e em seguida, sua voz

- Vai continuar fugindo de mim? - Rodrigo surgiu ao meu lado.

- Não, quer ir comigo para cantina? - convidei estendendo a mão para ele segurar.

- Claro. Eu já ia fazer o convite - respondeu maravilhado e com os olhos brilhando de imediato.

Durante toda a caminhada até a cantina, Rebecca nos seguia com os olhos. Pegamos a fila para escolhermos nosso almoço e por fim sentamos juntos numa mesa vazia no fundo, esquerdo do salão. Aquilo foi intencional da minha parte, queria provocá-la para mostrar que eu não tenho medo de nada que venha dela.

Percebi de longe que a garota estava furiosa somente pela forma que segurava com força o garfo, nem queria imaginar o que ela faria com aquele garfo caso eu estivesse na sua frente. Eu realmente sou uma pessoa que rir da cara do perigo.

- E aí, como você está? - Rodrigo perguntou dando uma garfada no espaguete de carne em seu prato.

- Estou bem, poderia abrir a minha latinha de coca? - pedi, aproveitando cada momento ao lado do Rodrigo para alfinetar a queridinha da Rebecca.

- Claro! Ah, Martina, eu... - pausou ponderando se devia ou não continuar. - Por que não atendeu as minhas ligações? Deixei até recado, mas acho que não o escutou. - indagou direto ao ponto.

- Eu não estava me sentindo bem esses dias. Precisava ficar um pouco sozinha - respondi à verdade.

- Tô te achando um pouco cabisbaixa. Queria te convidar para sair hoje à noite, para quem sabe tirar você dessa bad. Que tal? - Ele disse, com uma carinha meiga, esperando uma resposta positiva da minha parte.

- Eu não sei...

- Ah, por favor! - disse juntando as duas mãos.

- Tá bom, eu topo! - aceitei.

- Isso! - comemorou, me fazendo gargalhar da sua postura cativante.

Fui uma das primeiras a entrar na sala após o intervalo, e logo em seguida aquela garota - Rebecca -, passou por mim com passos fortes e firmes como se fosse rachar o chão da sala, parando apenas ao chegar em sua carteira. Ela ficou me fitando intensamente com os olhos, aquilo já estava me dando calafrios e confesso que até deu um pouco de medo, mas não deixei ela me intimidar, mantive a cabeça erguida. E para o meu alívio, o professor de biologia entrou na sala, dei graças a Deus.

- Boa tarde, turma! - cumprimentou a classe e, em seguida, olhou para mim - Para quem está começando agora. Sou Matias, o professor de biologia - Ele se apresentou olhando diretamente para mim. - Como se chama aluna nova?

- Martina, o meu nome é Martina! - respondi, cansada de repetir o meu nome tantas vezes.

- Seja bem-vinda! - acenei positivo com a cabeça ao ouvir a felicitação. - Bom, turma, na nossa aula de hoje vamos falar sobre moléculas, células, tecidos...

Horas mais tarde o sinal bateu marcando o fim das aulas. No momento em que eu estava arrumando os meus materiais na mochila, a tal da Rebecca me pegou pelo braço.

- Você acha que estou brincando, né? Garota, você não sabe com quem está mexendo! - Rebecca me empurrou contra a parede sem largar o meu braço, enquanto me lançava um olhar psicopata.

- Me solta! - gritei, puxando o meu braço da mão dela com força. - Eu não tenho medo de você. Saio com quem eu quiser, e se ele quisesse ficar realmente com você, era você que ele procuraria todos os dias e não eu! - vomitei algumas verdades na cara dela. - Agora saia da minha frente!

Esbarrei em seu ombro retribuindo o empurrão anterior. Não aguentava mais ficar ali, dando as costas para ela, fui embora daquela sala.

"Que garota insuportável!"

Quando cheguei em casa encontrei vários caixotes na sala de estar, a minha mãe estava arrumando alguns pertences do meu pai na intenção de se desfazer e colocar para a doação.

- Acho que deixarei essas coisas no sótão por enquanto, a ONG ainda não confirmou o dia que virá buscar os caixotes. E não estou pretendendo entrar lá até esvaziar dessa casa todas as coisas dele, mas apesar de tudo eu ainda o amava... - Sentada no chão, lançava um olhar vazio à medida que embalava cada peça de roupa, perfumes e objetos que Saulo costumava usar.

- Eu realmente não entendo como a senhora conseguiu amar um homem desse! Quando chorei ao saber da sua morte, saiba que não foi um choro de tristeza, mamãe, foi um choro de alívio e vitória. Eu não consigo sentir luto por quem nos fez sofrer tanto. - desabafei enquanto as lágrimas caiam dos meus olhos.

- Quando você conhecer alguém que ama e se casar, aí, sim, você vai entender. - disse com uma expressão cabisbaixa.

- Não, eu não entenderei, porque eu nunca permanecerei ao lado de alguém que me faça mal. Sou de reagir e fazer muito pior, e era o que a senhora deveria ter feito - encerrei o assunto indo em direção a escada.

Entrei no quarto apenas para me jogar na minha cama com mochila e tudo, estava chateada, não entendia o porquê de ela agir assim. Mas precisava me acalmar antes de descer para o jantar, respirando fundo, levantei da cama para retirar o meu tênis e a farda escolar. Apenas de calcinha e top, volto a deitar na cama e abro a mochila para fazer os deveres da escola, ao tirar o caderno um papel amassado acaba caindo no colchão.

Por curiosidade, abri e dentro dele tinha um pequeno texto, escrito de recortes de jornais e revistas, que dizia:

"Se afaste ou sofrerá as consequências."

Revirei os olhos diante do papel, se tratava de uma ameaça muito infantil, já imaginava de quem seria aquele temível bilhete. Estou começando a ter uma certeza, Rebecca não vai me deixar em paz nunca, pois de fato ela acredita que sou a sua rival.

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