Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > A Última Vez Que Acreditei
A Última Vez Que Acreditei

A Última Vez Que Acreditei

Autor:: Gorgeous Killer
Gênero: Romance
O cheiro a desinfetante ainda estava nas minhas narinas. Minha irmã Ana tinha acabado de sair de uma cirurgia de emergência no hospital. Meu marido, Diogo, estava ali, ao meu lado, no hospital. Mas os seus olhos estavam colados no telemóvel. "A Eva ligou," ele disse, as palavras penduradas no ar como veneno. "O pai dela morreu. E-eu tenho que ir a Lisboa. Ela precisa de mim." Eva. A ex-namorada que ele nunca esqueceu. "E quanto a nós?" minha voz tremeu, enquanto eu jazia, convalescendo. "E quanto à sua mulher e à sua cunhada recém-operada?" A resposta foi um olhar irritado e um adeus apressado. Ele voou para Lisboa para cuidar dela, para ser o seu "amor" no Instagram. A esposa dele, a mulher que o amava, que estava ali, no quarto estéril de um hospital, não merecia nem uma chamada. Ele nem sequer me queria em casa. Queria-me fora, a cuidar de Ana. Pergunto-me, ele realmente não entende? Ou eu finalmente entendi? Olhei para os documentos do divórcio. Quando ele voltasse, não encontraria uma esposa. Encontraria papéis prontos para serem assinados.

Introdução

O cheiro a desinfetante ainda estava nas minhas narinas.

Minha irmã Ana tinha acabado de sair de uma cirurgia de emergência no hospital.

Meu marido, Diogo, estava ali, ao meu lado, no hospital. Mas os seus olhos estavam colados no telemóvel.

"A Eva ligou," ele disse, as palavras penduradas no ar como veneno.

"O pai dela morreu. E-eu tenho que ir a Lisboa. Ela precisa de mim."

Eva. A ex-namorada que ele nunca esqueceu.

"E quanto a nós?" minha voz tremeu, enquanto eu jazia, convalescendo.

"E quanto à sua mulher e à sua cunhada recém-operada?"

A resposta foi um olhar irritado e um adeus apressado.

Ele voou para Lisboa para cuidar dela, para ser o seu "amor" no Instagram.

A esposa dele, a mulher que o amava, que estava ali, no quarto estéril de um hospital, não merecia nem uma chamada.

Ele nem sequer me queria em casa. Queria-me fora, a cuidar de Ana.

Pergunto-me, ele realmente não entende?

Ou eu finalmente entendi?

Olhei para os documentos do divórcio. Quando ele voltasse, não encontraria uma esposa. Encontraria papéis prontos para serem assinados.

Capítulo 1

O cheiro de desinfetante inundou minhas narinas, uma lembrança dura do lugar onde eu estava.

Hospital.

Meu marido, Diogo, sentou-se na cadeira ao lado da minha cama, seu rosto uma máscara de preocupação enquanto olhava para o seu telefone.

"A cirurgia da Ana correu bem?" ele perguntou, sem levantar os olhos.

"O médico disse que sim," respondi, minha voz fraca. "Ela só precisa descansar."

Minha irmã mais nova, Ana, estava na outra cama do quarto, dormindo profundamente sob o efeito da anestesia. Ela tinha tido um ataque de apendicite aguda no meio da noite.

Foi uma noite caótica.

Diogo finalmente bloqueou o telefone e olhou para mim. Seus olhos estavam vermelhos de cansaço.

"Isso é bom. Fico feliz que ela esteja bem," ele disse, mas seu tom era distante. "Olha, Joana, eu sei que este não é o melhor momento, mas precisamos conversar."

Meu coração apertou. Eu sabia o que vinha a seguir.

"A Eva ligou," ele continuou, a menção do nome dela pairando no ar como uma nuvem de veneno. "O pai dela faleceu esta tarde. Ataque cardíaco."

Eva. Sua ex-namorada. A mulher que ele nunca esqueceu de verdade.

"Ela está sozinha agora, Joana. A mãe dela já se foi há anos. Ela não tem mais ninguém."

Eu olhei para ele, um sentimento frio se espalhando pelo meu peito. "E o que você quer que eu faça sobre isso, Diogo?"

"Eu vou para Lisboa," ele disse, as palavras saindo com uma finalidade que me atingiu como um golpe físico. "Ela precisa de mim. Eu tenho que estar lá para ela durante o funeral e para resolver as coisas."

"E quanto a nós?" minha voz tremeu, apesar de eu tentar mantê-la firme. "E quanto à sua família? Sua esposa? Sua cunhada que acabou de sair de uma cirurgia de emergência?"

A frustração tomou conta de seu rosto. "Joana, não seja assim! Você não está sozinha. Sua mãe está vindo amanhã, e a Ana vai ficar bem. Isto é diferente. A Eva está completamente desamparada."

"Ela sempre está, não é?" eu retruquei, a amargura subindo pela minha garganta. "Sempre que algo dá errado na vida dela, ela corre para você, e você larga tudo para salvá-la."

"Não é justo!" ele levantou a voz, fazendo uma enfermeira que passava olhar para nós. Ele baixou o tom, mas a raiva ainda queimava em seus olhos. "O pai dela morreu! Você tem alguma compaixão?"

"Eu tenho compaixão," eu disse baixinho. "Mas minha compaixão não se estende a deixar meu marido correr para os braços de sua ex-namorada toda vez que ela estala os dedos."

Ele se levantou, pegando sua jaqueta. A decisão já estava estampada em seu rosto.

"Eu não tenho tempo para discutir isso. O voo dela sai em três horas. Eu tenho que ir."

Ele se inclinou para me beijar na testa, mas eu me virei. Seu gesto pareceu um insulto.

"Joana..." ele suspirou, um som de puro cansaço e irritação. "Eu volto em alguns dias. Apenas... tente entender."

E com isso, ele se foi.

Eu fiquei lá, olhando para a porta fechada, o som de seus passos se afastando ecoando no corredor silencioso.

Eu olhei para a minha irmã adormecida, depois para o meu próprio reflexo na janela escura.

Entender?

Oh, eu entendia perfeitamente.

Eu entendia que eu era a esposa, mas Eva era a prioridade. Eu entendia que nosso casamento era uma conveniência para ele, enquanto o coração dele pertencia a outra pessoa.

Naquele momento, no silêncio estéril de um quarto de hospital, eu tomei uma decisão.

Quando ele voltasse, não encontraria uma esposa esperando.

Ele encontraria os papéis do divórcio.

Capítulo 2

Dois dias se passaram num piscar de olhos.

Minha mãe chegou na manhã seguinte, seu rosto cheio de preocupação. Ela cuidou de Ana com uma dedicação incansável, me permitindo respirar um pouco.

Ana estava se recuperando bem, já reclamando da comida do hospital e do tédio.

Diogo não ligou. Nem uma vez.

Ele postou uma foto no Instagram, no entanto.

Era uma foto dele e de Eva, abraçados. O fundo era um cemitério. A legenda dizia: "Sempre aqui para ti. Força, meu amor."

Meu amor.

As palavras me encararam da tela do telefone.

Minha mãe viu a expressão no meu rosto e se aproximou, olhando por cima do meu ombro.

Ela suspirou pesadamente. "Aquele rapaz... ele nunca vai aprender."

Eu bloqueei o telefone e o joguei na cama. "Não, ele não vai. Mas eu aprendi."

"O que você vai fazer, Joana?" ela perguntou, sua voz suave.

"Vou me divorciar dele," eu disse, as palavras soando mais fortes e mais certas do que eu esperava.

Minha mãe não pareceu surpresa. Ela apenas assentiu, colocando uma mão reconfortante no meu braço. "Eu estou contigo, filha. Seja o que for que você decidir."

Naquela tarde, liguei para uma advogada. Expliquei a situação de forma calma e objetiva.

A advogada foi direta. "Considerando o comportamento dele e o fato de vocês não terem filhos, deve ser um processo relativamente simples, desde que ele coopere."

Cooperação. Essa era a grande questão.

No terceiro dia, Diogo finalmente ligou.

Eu estava ajudando Ana a comer uma gelatina quando meu telefone tocou, mostrando o nome dele.

Meu coração deu um salto, uma mistura de raiva e uma estúpida ponta de esperança.

Eu atendi.

"Joana?" sua voz soou cansada.

"Sim."

"Como está a Ana?"

"Melhorando. Ela provavelmente terá alta amanhã."

"Isso é ótimo," ele disse. Houve uma pausa. Eu podia ouvi-lo respirar do outro lado da linha. "Olha, as coisas aqui são mais complicadas do que eu pensava. O pai da Eva não tinha testamento, e há muitas burocracias para resolver."

Eu permaneci em silêncio, esperando.

"Eu acho que vou precisar ficar mais alguns dias. Talvez uma semana."

Uma semana.

"Tudo bem," eu disse, minha voz desprovida de emoção.

Ele pareceu surpreso com a minha falta de resistência. "Sério? Você está bem com isso?"

"Sim, Diogo. Fique o tempo que precisar. Cuide da Eva."

"Obrigado, Joana. Eu sabia que você entenderia," ele disse, alívio em sua voz. "Significa muito para mim. E para a Eva também."

"Eu sei," eu disse. "Diogo?"

"Sim?"

"Quando você voltar, precisamos conversar. Há algo que eu preciso te dar."

"Claro, claro. Assim que eu voltar, nós conversamos sobre tudo," ele prometeu apressadamente. "Tenho que ir agora. A Eva está me chamando. Te ligo mais tarde."

Ele desligou.

Eu olhei para o telefone. Ele não ligaria mais tarde.

Ana me observava com olhos sábios demais para sua idade. "Você vai mesmo fazer isso, não vai?"

Eu assenti. "Sim, eu vou."

Ela pegou minha mão. "Bom. Você merece mais do que isso."

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022