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A Ascensão da Nova Gerente

A Ascensão da Nova Gerente

Autor:: Si Si Qing Wang
Gênero: Moderno
Minha colega de quarto, Sofia, chegou de madrugada, trazendo consigo aquele cheiro insuportável de perfume barato e cigarro que dominava nosso pequeno espaço. Ela jogou a bolsa na cama e começou a falar alto no celular: "Amiga, você não acredita! A festa bombou, rolou uma 'collab' com o cara da marca de bebida!" Enquanto eu fingia dormir, sonhando com as cinco da manhã e o trabalho exaustivo que me esperava, Sofia vivia sua farsa de "influencer" , sustentada por mentiras. Mas, então, veio o pior: a notícia do exame de saúde obrigatório no hotel. O pavor nos olhos de Sofia foi imediato, e em três dias, ela simplesmente desapareceu. Quando voltou, as marcas roxas no pescoço e a caneca da minha mãe na mão confirmaram meu medo: havia algo muito errado. "Onde você estava?" , eu perguntei, a voz ríspida, enquanto esfregava a caneca como se pudesse apagar a doença que eu temia. Minha intuição gritava que Sofia escondia algo contagioso, algo que ela arriscaria tudo para manter em segredo. A chefe exigiu o exame, e ver o gerente, Ricardo, protegendo-a com um atestado falso, me mostrou que se tratava de um conluio. Eles tentaram me silenciar, me ameaçaram por ser imigrante, mas eu, Maria Clara, não vou ficar calada. Não há doença mais contagiosa do que a corrupção e a mentira. Eles acham que me venceram, mas o jogo mal começou.

Introdução

Minha colega de quarto, Sofia, chegou de madrugada, trazendo consigo aquele cheiro insuportável de perfume barato e cigarro que dominava nosso pequeno espaço.

Ela jogou a bolsa na cama e começou a falar alto no celular:

"Amiga, você não acredita! A festa bombou, rolou uma 'collab' com o cara da marca de bebida!"

Enquanto eu fingia dormir, sonhando com as cinco da manhã e o trabalho exaustivo que me esperava, Sofia vivia sua farsa de "influencer" , sustentada por mentiras.

Mas, então, veio o pior: a notícia do exame de saúde obrigatório no hotel.

O pavor nos olhos de Sofia foi imediato, e em três dias, ela simplesmente desapareceu.

Quando voltou, as marcas roxas no pescoço e a caneca da minha mãe na mão confirmaram meu medo: havia algo muito errado.

"Onde você estava?" , eu perguntei, a voz ríspida, enquanto esfregava a caneca como se pudesse apagar a doença que eu temia.

Minha intuição gritava que Sofia escondia algo contagioso, algo que ela arriscaria tudo para manter em segredo.

A chefe exigiu o exame, e ver o gerente, Ricardo, protegendo-a com um atestado falso, me mostrou que se tratava de um conluio.

Eles tentaram me silenciar, me ameaçaram por ser imigrante, mas eu, Maria Clara, não vou ficar calada.

Não há doença mais contagiosa do que a corrupção e a mentira.

Eles acham que me venceram, mas o jogo mal começou.

Capítulo 1

Sofia voltou para o quarto que dividíamos bem depois da meia-noite, o cheiro forte de perfume barato e cigarro impregnando o ar abafado.

Ela jogou a bolsa em cima da cama, fazendo um barulho alto, e começou a falar no celular, a voz dela irritantemente animada.

"Amiga, você não acredita! A festa estava bombando, consegui uma 'collab' com aquele cara da marca de bebida, sabe? Sim, ele mesmo! A gente vai bombar muito."

Eu me virei na minha cama, fingindo que estava dormindo.

Desde que Sofia decidiu que seria uma influencer digital, nossas noites eram assim.

Ela vivia para as festas, para os "amigos" que mal conhecia e para a imagem que construía online, uma vida de glamour falso sustentada por sabe-se lá o quê.

Eu, por outro lado, só queria dormir.

O despertador tocaria às cinco da manhã, como sempre. O trabalho de faxineira no hotel de luxo era pesado, exaustivo, mas era o que pagava as contas e mandava dinheiro para a minha família no interior.

Dois dias depois, a chefe da equipe de limpeza, Dona Elvira, reuniu todo mundo na sala dos funcionários.

"Pessoal, atenção. A diretoria do hotel decidiu que todos os funcionários, sem exceção, precisarão fazer um exame de saúde obrigatório. É uma nova política de segurança. A lista com os horários de cada um será afixada no mural amanhã."

Uma onda de murmúrios percorreu a sala. Ninguém gostava de exames, mas era uma ordem. Eu olhei para Sofia, no canto da sala. O sorriso dela sumiu. O rosto ficou pálido.

Naquela noite, Sofia não saiu. Ela ficou no quarto, andando de um lado para o outro, roendo as unhas. No dia seguinte, quando acordei para ir trabalhar, a cama dela estava vazia. As coisas dela ainda estavam lá, mas Sofia tinha desaparecido.

Ela ficou sumida por três dias.

Ninguém no hotel sabia dela. O celular dela estava desligado. Dona Elvira já falava em comunicar o desaparecimento à polícia.

Então, no quarto dia, quando voltei do turno, a porta do nosso quarto estava entreaberta.

Lá estava Sofia.

Ela estava sentada na beira da cama dela, com um sorriso estranho no rosto, um sorriso que não chegava aos olhos. E estava bebendo água na minha caneca. A minha caneca preferida, que minha mãe me deu.

Um arrepio percorreu minha espinha.

Não era só o fato de ela ter sumido e voltado como se nada tivesse acontecido. Eram as marcas.

No pescoço e nos braços dela, havia arranhões e manchas vermelhas, quase roxas. Não pareciam arranhões normais de uma briga. Pareciam outra coisa. Algo que eu já tinha visto em panfletos de postos de saúde.

"Onde você estava?" , eu perguntei, a voz saindo mais dura do que eu pretendia.

Sofia deu de ombros, tomando mais um gole da minha caneca.

"Resolvendo umas coisas. Estava precisando de um tempo pra mim."

O sorriso dela se alargou, mas continuava vazio. Ela parecia febril, os olhos brilhando de um jeito esquisito. A suspeita se instalou na minha mente como uma praga. Uma doença. Uma doença contagiosa. E ela estava usando a minha caneca.

Assim que ela se levantou para ir ao banheiro, eu peguei a caneca da mão dela. O olhar dela encontrou o meu, surpreso, mas eu não me importei.

Fui direto para a pequena pia que tínhamos no quarto. Abri a torneira no máximo, joguei detergente com força dentro da caneca e comecei a esfregar com a bucha, como se quisesse arrancar uma camada de cerâmica.

Esfreguei até meus dedos doerem.

Depois, sequei a caneca, coloquei-a dentro de um saco plástico, dei um nó bem apertado e joguei no fundo da lata de lixo do corredor.

Quando voltei para o quarto, Sofia estava me olhando, os braços cruzados.

"Qual é o seu problema, Maria Clara? Era só uma caneca."

"Eu não gosto que usem as minhas coisas" , respondi, sem olhar para ela.

Eu me lembrava de quando Sofia chegou ao Rio. Ela era como eu, uma garota do interior cheia de sonhos. Trabalhava duro, era quieta. Mas a cidade grande, as luzes, a promessa de uma vida fácil como influencer a transformaram. Ela se tornou essa pessoa que eu mal reconhecia, alguém que faria qualquer coisa por atenção e por uma vida que não era dela.

No dia seguinte, no trabalho, procurei a Ana, uma colega em quem eu confiava.

"Ana, você viu a Sofia?" , perguntei em voz baixa, enquanto limpávamos um dos quartos de hóspedes.

"Vi. Ela voltou, né? Parece que viajou o mundo" , Ana respondeu, irônica.

"Você não a achou estranha? As marcas no pescoço dela... e ela está agindo de um jeito esquisito. Estou preocupada com esse exame de saúde. Acho que ela está escondendo alguma coisa."

Ana parou de arrumar a cama e me olhou, séria.

"Agora que você falou... ela parece meio doente mesmo. Você acha que é... aquilo?"

Eu não precisei responder. O medo nos olhos dela era a mesma resposta que estava na minha cabeça.

"A gente precisa fazer alguma coisa" , eu disse, mais para mim mesma do que para ela. "Isso é perigoso para todo mundo aqui."

A ideia começou a tomar forma na minha mente. Sofia não faria o exame por bem. Então, teria que ser por mal.

Capítulo 2

No dia seguinte, eu e Ana fomos falar com a Dona Elvira. Escolhemos um momento em que a sala dela estava vazia.

"Dona Elvira, com licença" , comecei, um pouco nervosa. "A gente está um pouco preocupada com a Sofia."

Dona Elvira tirou os óculos de leitura e nos encarou.

"Preocupadas como?"

"Ela sumiu por dias, voltou e não parece bem. Está com umas marcas estranhas no corpo, febril... E com o exame de saúde obrigatório chegando, a gente fica com medo de ser algo contagioso. É um risco para nós e para os hóspedes" , expliquei, tentando manter a voz calma e profissional.

Ana concordou com a cabeça.

"Ela está fugindo do exame, Dona Elvira. Todo mundo já fez, menos ela."

A expressão da nossa chefe ficou séria. Ela era uma mulher justa e se preocupava de verdade com a segurança da equipe.

"Deixem comigo. Vou resolver isso agora."

Dona Elvira pegou o telefone da mesa dela e ligou para o ramal do andar em que Sofia estava trabalhando.

"Sofia, aqui é a Elvira. Preciso de você na minha sala. Agora."

Esperamos no corredor. Não demorou cinco minutos e Sofia apareceu, limpando as mãos no uniforme. Quando ela nos viu paradas ali, o rosto dela se fechou.

"Podem entrar, as três" , disse Dona Elvira.

Dentro da sala pequena, a tensão era palpável.

"Sofia, ainda não recebemos o seu comprovante do exame de saúde. O prazo final era ontem" , Dona Elvira foi direto ao ponto.

Sofia forçou um sorriso.

"Ah, Dona Elvira, me desculpe. Com a correria, eu acabei esquecendo de entregar. Está na minha bolsa, lá no vestiário. Posso buscar?"

"Não precisa. O hotel providenciou uma enfermeira para fazer a coleta aqui mesmo, para os funcionários que perderam o prazo. Ela está esperando você na sala ao lado. É rápido, só uma amostra de sangue."

O pânico tomou conta do rosto de Sofia. A cor sumiu da sua pele, e ela deu um passo para trás, como um animal encurralado.

"Não... não precisa. Eu... eu tenho pavor de agulha. Sério. Eu pego o meu exame e trago amanhã, sem falta."

A voz dela tremia. As mãos dela suavam.

"Sofia, isso não é um pedido. É uma ordem da diretoria. Ou você faz o exame agora, ou eu terei que reportar sua insubordinação" , disse Dona Elvira, inflexível.

Foi nesse momento que tudo aconteceu muito rápido.

Sofia olhou para a porta, depois para a janela da sala de Dona Elvira, que dava para um corredor lateral do hotel. O olhar dela era selvagem, desesperado.

Num movimento brusco, ela empurrou uma cadeira que estava no caminho e correu.

Ela não correu para a porta de saída. Ela correu na direção oposta, pelo corredor de serviço do segundo andar.

Eu e Ana saímos atrás dela, gritando para ela parar. Dona Elvira pegou o rádio para chamar a segurança.

"Parem ela! Não a deixem sair!"

Sofia era rápida. Ela virou um corredor e chegou a uma área de serviço com uma grande janela de guilhotina, daquelas que abrem para cima. A janela estava aberta para ventilação.

Sem hesitar, ela subiu no parapeito.

"Sofia, não faz isso! Você vai se machucar!" , eu gritei, parando a uma distância segura.

O corredor dava para a lateral do hotel, uma área de carga e descarga. Não era uma altura mortal, mas era perigoso o suficiente.

Alguns funcionários da cozinha que estavam do lado de fora, na hora do cigarro, viram a cena.

"Olha lá! O que aquela maluca tá fazendo?"

"Ela vai pular!"

Sofia não olhou para trás. Com um impulso, ela se jogou pela janela. Ela não pulou de forma limpa. Ela se agarrou na borda, tentou descer se apoiando na parede e acabou caindo de mau jeito no chão de concreto lá embaixo, uns quatro metros de queda.

Ela gemeu de dor, mas se levantou mancando e começou a correr, desaparecendo pela rua dos fundos do hotel.

Tudo ficou em silêncio por um segundo.

Depois, o caos.

Gritos, gente correndo, o som do rádio da segurança chiando.

Eu fiquei parada, olhando para a janela vazia. Minha suspeita não era mais uma suspeita. Era uma certeza. Sofia estava escondendo algo muito sério, algo pelo qual valia a pena arriscar a vida para não ser descoberto.

E, no meio da confusão, eu vi que um dos cozinheiros lá embaixo não estava apenas olhando, chocado. Ele estava com o celular na mão. E estava gravando tudo.

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