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A Babá protegida do CEO

A Babá protegida do CEO

Autor:: Carla Cadete
Gênero: Romance
Victor sempre teve controle absoluto sobre sua vida, negócios e desejos. Mas tudo muda quando Isabelle, a jovem babá de seus sobrinhos, desperta nele sentimentos inesperados. Entre o luto da cunhada, as intrigas da alta sociedade e sua própria resistência, ele se vê preso em um jogo perigoso de atração e negação. Com uma diferença de idade gritante e uma reputação a zelar, ele lutará contra o que sente... mas até quando conseguirá resistir?

Capítulo 1 Capitulo 1

Capítulo 1

Victor Mendonça estava em frente à janela do seu quarto, vestido de forma impecável como sempre. Um suspiro pesado escapou de seus lábios. Tudo em sua vida mudara quando o irmão caçula faleceu de forma abrupta. De um momento para o outro, se viu responsável pela cunhada e pelos sobrinhos. Já não bastava ter perdido os pais, que se foram pela idade avançada.

Eles eram sua base, sua razão de seguir em frente. Agora, com 43 anos, ele se sentia mais velho do que realmente era. Algo estava faltando, mas ele não sabia o quê. Afinal, tinha tudo o que o dinheiro podia comprar.

- Victor, querido, venha almoçar conosco - disse a cunhada, tocando-lhe o braço com delicadeza.

- Sim, claro - ele respondeu, sem demonstrar mais do que um leve sorriso. A vontade de lhe dizer que entrar no seu quarto sem bater não era correto estava ali, mas ele deixou para um outro momento. Tadinha, ela estava sofrendo demais para perceber o quanto a falta de limites também estava desgastando a dinâmica deles.

Na sala de jantar, ele a observava, ainda tão abatida. Seus olhos estavam cansados, e o rosto, marcado pela tristeza. Ele se inclinou à frente da mesa e falou com uma voz suave, mas firme:

- Você precisa voltar a ser quem era. Volte a se cuidar. Vá ao Pilates, faça suas massagens, volte ao salão. Não pode deixar que tudo a consuma assim.

Ela olhou para ele com um olhar vazio, e a expressão de desgosto tomou seu rosto.

- E meus filhos? Não tenho quem cuide deles, os empregados mal conseguem dar conta...

Victor, vendo a tristeza em seus olhos, suspirou e tomou sua mão sobre a mesa.

- Não se preocupe com isso. Eu vou contratar uma babá.

Ela sorriu, um sorriso triste e agradecido.

- Ah, obrigada, Victor querido - ela disse, apertando a mão dele antes de se recostar na cadeira.

Victor sorriu de volta, mas a verdade era que seu sorriso estava vazio. Ele puxou a mão de volta delicadamente e voltou a comer, tentando se concentrar na comida, mas sua mente estava longe.

***

Victor entrou em seu escritório, fechando a porta com um suspiro. Sentou-se atrás da mesa e, com a ponta dos dedos, passou por sua tela do computador até encontrar o número que procurava. Seu melhor amigo, Felipe, sempre fora a pessoa a quem ele recorria quando precisava de algo.

- Felipe? Tudo bem? - disse ele ao telefone, tentando soar tranquilo. - Preciso de uma ajuda... Estou pensando em contratar uma babá para meus sobrinhos. Você conhece alguém?

Do outro lado, a voz de Felipe foi imediata e descontraída.

- Claro, cara! Minha prima acabou de chegar ontem do Canadá. Ela é ótima, super responsável.

Victor pensou por um momento, antes de responder, com uma leve preocupação.

- Embora minha família fale inglês, prefiro manter o idioma local. Acho que seria mais adequado.

Felipe riu, sem mostrar qualquer dúvida.

- Fica tranquilo, meu amigo. Ela fala português fluente, nem parece que nasceu no Canadá. Você vai gostar dela, tenho certeza.

Victor sorriu ligeiramente, aliviado, com a sensação de que sua vida estava prestes a mudar novamente.

- Beleza, Felipe. Se você puder mandar o número do telefone, vou entrar em contato com ela.

- Claro! Vou te passar os detalhes. Fique tranquilo, vai dar tudo certo.

Victor desligou o telefone e olhou pela janela mais uma vez, pensativo. A ideia de trazer uma nova pessoa para dentro de sua casa o deixava inquieto. Mas, por ora, não havia outra opção. Ele precisava de alguém em quem pudesse confiar, para que sua cunhada pudesse ter o espaço necessário para se recuperar de sua perda.

Victor recebeu a mensagem de Felipe quase imediatamente com o número de telefone da prima dele. Sem perder tempo, discou e esperou, ouvindo os toques do outro lado da linha. Quando a chamada foi atendida, uma voz suave e educada respondeu:

- Alô?

- Boa tarde. É Isabelle? - perguntou ele, mantendo seu tom firme e cordial.

- Sim, sou eu. Quem fala? - A voz dela era tranquila, com um leve tom de curiosidade.

- Meu nome é Victor Mendonça. Felipe, seu primo, me deu o seu contato. Preciso de uma babá para meus sobrinhos, e ele falou muito bem de você. Gostaria de saber se tem interesse no trabalho.

Houve uma breve pausa do outro lado.

- Ah, claro. Tenho interesse, sim. Pode me contar um pouco mais sobre as crianças e as responsabilidades?

Victor ajeitou-se na cadeira, olhando para o monitor do computador à sua frente, onde um lembrete piscava com reuniões marcadas no escritório da empresa.

- São dois. Uma menina de sete anos e um menino de cinco. São educados, mas, como qualquer criança, precisam de atenção e disciplina. Minha cunhada está passando por um momento difícil, e preciso que você assuma algumas tarefas básicas com eles: brincadeiras, supervisão de estudos e organização da rotina. Não se preocupe, você terá todo o suporte necessário.

Isabelle sorriu do outro lado da linha, a voz dela agora mais calorosa.

- Parece ótimo. Eu adoraria ajudar.

Victor respirou fundo. Era isso. Ele confiava em Felipe e, sinceramente, precisava resolver a situação o quanto antes.

- Excelente. Pode começar amanhã?

- Sim, sem problemas. Onde estão localizados? - perguntou Isabelle.

Victor forneceu o endereço da mansão, explicando que um motorista estaria disponível para buscá-la, se necessário.

- Não precisa se preocupar, eu consigo chegar. Até amanhã, senhor Mendonça.

Victor encerrou a chamada e, por um momento, ficou olhando para o celular como se esperasse algo mais. Ele apoiou o aparelho sobre a mesa, recostando-se na cadeira. Um arrepio inesperado percorreu sua espinha, e ele balançou a cabeça, tentando afastar aquela sensação estranha.

- Isso é o que dá pensar só em trabalho. Estou enlouquecendo... - murmurou para si mesmo, passando uma mão pelo rosto.

Mas, por mais que tentasse ignorar, a voz de Isabelle continuava ecoando em sua mente. Havia algo naquele tom gentil e confiante que o havia desarmado. Ele se levantou, caminhando até a janela do escritório, observando o jardim impecável que se estendia até os muros da mansão.

- É só uma babá, Victor. Nada mais. - Ele tentou convencer a si mesmo, mas o desconforto persistia.

Ele passou o restante da tarde envolvido em reuniões e e-mails, mas, em intervalos, encontrava-se distraído, lembrando-se daquela breve conversa.

Naquela noite, durante o jantar, a cunhada percebeu que ele estava mais quieto que o normal.

- Tudo bem, Victor? Parece distante hoje.

Ele ergueu os olhos do prato e forçou um sorriso.

- Estou bem. Apenas cansado com o trabalho.

Ela assentiu, embora parecesse não totalmente convencida.

Depois do jantar, enquanto tomava um último café no escritório antes de se recolher, Victor releu as mensagens de Felipe no celular. Sentiu-se ridículo por estar tão inquieto.

- Amanhã tudo voltará ao normal. Ela vai começar, as crianças terão alguém para cuidar delas, e pronto. - Ele disse em voz alta, como se tentasse dar fim àquela inquietação.

Mas, no fundo, Victor sabia que algo estava diferente.

Capítulo 2 Capitulo 2

Capítulo 2

O relógio no pulso de Isabelle marcava 8h quando ela chegou ao portão da mansão Mendonça. O carro alugado para se locomover pela cidade parecia pequeno diante da imponência da propriedade. A entrada era ampla, cercada por altos muros cobertos de hera, com um portão automático que dava acesso a uma alameda ladeada por árvores perfeitamente alinhadas.

- Uau... Nunca vi uma casa tão linda - murmurou para si mesma, admirando o cenário.

Respirando fundo, ela tocou o interfone.

- Bom dia. Aqui é Isabelle. Estou aqui para começar o trabalho como babá.

A voz de um funcionário respondeu prontamente:

- Ah, sim, o senhor Mendonça nos avisou. Um momento, por favor.

O portão se abriu lentamente, revelando o interior luxuoso da propriedade. Isabelle dirigiu com cuidado até a entrada principal, onde um mordomo a aguardava.

- Bem-vinda, senhorita Isabelle. Por aqui, por favor.

Enquanto era conduzida para dentro da casa, Isabelle não conseguia disfarçar a admiração. Tudo era impecável: o chão de mármore reluzia sob a luz natural que entrava pelas janelas enormes, e os móveis elegantes compunham uma decoração sofisticada, mas nada exagerada.

"Uau de novo", pensou, enquanto seus olhos percorriam os detalhes ao redor.

Victor apareceu no topo da escada, ajustando o relógio no pulso. Impecavelmente vestido, como sempre, ele usava um terno escuro que realçava sua postura firme e confiante.

"Oh, my God!", pensou Isabelle, admirando a figura do homem no topo da escada. Conseguiu fechar a boca antes que ele percebesse seu encantamento.

Victor desceu os degraus com passos decididos.

- Isabelle? - cumprimentou-a com um aceno discreto. - Seja bem-vinda.

Ela levantou os olhos e sorriu, tentando soar profissional.

- Obrigada, senhor Mendonça - respondeu, piscando um pouco mais do que gostaria.

Victor percebeu o nervosismo, mas não comentou.

Mesmo sem querer, Isabelle sentiu-se intimidada pela presença dele. Victor era o tipo de homem que exalava autoridade e controle, o que a deixava desconfortável, mas também despertava sua curiosidade.

- Vou te apresentar à minha cunhada e às crianças. Elas estão na sala de estar. - Ele indicou o caminho com um gesto e começou a andar, enquanto Isabelle o seguia.

No trajeto, Victor lançou um olhar discreto para ela. A jovem era simples, mas sua postura transmitia uma autoconfiança que ele não esperava encontrar, especialmente em um ambiente tão imponente.

Na sala de estar, duas crianças se levantaram imediatamente, curiosas com a nova presença. A menina mais velha, de cabelos castanhos e olhos brilhantes, correu para Isabelle.

- Você é a babá? - perguntou, animada.

- Sou, sim. E você deve ser... Letícia? - Isabelle disse, lembrando-se dos detalhes que Victor mencionara ao telefone.

A menina sorriu, surpresa.

- Ela sabe meu nome!

Victor observava a interação com atenção. Mesmo o pequeno Henrique, geralmente tímido com estranhos, se aproximou, segurando o brinquedo preferido e analisando Isabelle com curiosidade.

A cunhada, Mercedes, apareceu na sala com um sorriso, mas ao ver a jovem mulher interagindo tão naturalmente com seus filhos, analisou-a de cima a baixo. Seus olhos se demoraram nos detalhes: o cabelo preso num coque, a postura confiante e o jeito acolhedor com as crianças.

Victor, que havia notado sua entrada, observou a expressão de Mercedes, que parecia estar avaliando Isabelle com cuidado.

Por um instante, parecia que ela buscava algum sinal de ameaça ou algo que pudesse lhe desagradar. No entanto, ao ver o pequeno Henrique sorrindo e mostrando seu brinquedo para a nova babá, o olhar de Mercedes suavizou, e ela se aproximou.

- Você é a Isabelle? - perguntou Mercedes, estendendo a mão em um gesto educado, mas cauteloso.

- Sim, sou eu, senhora Mendonça. É um prazer conhecê-la. - Isabelle respondeu com um sorriso simpático, apertando a mão de Mercedes.

- Por favor, pode me chamar apenas de Mercedes, Isabelle. "Senhora" me faz parecer mais velha do que sou - ela disse, tentando aliviar a tensão.

- Com todo respeito, senhora, prefiro manter a formalidade. É o mais adequado, já que sou funcionária - Isabelle explicou, educadamente.

Mercedes arqueou as sobrancelhas, surpresa, mas acabou sorrindo com aprovação.

- Está bem, como preferir, Isabelle.

Letícia, sempre curiosa, puxou a mão da babá.

- Você sabe fazer trança?

- Sei, sim, Letícia. Quer que eu faça uma agora? - Isabelle perguntou, animada.

- Sim! - Letícia disse, correndo para pegar uma escova e alguns elásticos coloridos.

Victor, que havia permanecido em silêncio até então, cruzou os braços e sorriu de lado, intrigado com a facilidade com que Isabelle havia conquistado a confiança das crianças. Mesmo Henrique, normalmente reservado, parecia mais à vontade do que nunca.

Mercedes notou o sorriso do cunhado e comentou em voz baixa para ele:

- Parece que você acertou, Victor. Ela tem jeito com eles.

Victor inclinou a cabeça em concordância, mas não respondeu. Ainda havia algo em Isabelle que o intrigava.

Enquanto isso, Letícia voltou com a escova e os elásticos, e Isabelle começou a trançar o cabelo da menina, enquanto Henrique mostrava seus carrinhos, claramente esperando sua vez de receber atenção.

- Já posso ver que as crianças vão te adorar, Isabelle - disse Mercedes, finalmente relaxada.

- Espero, senhora. Quero que se sintam seguros e felizes comigo - respondeu Isabelle com gentileza.

Victor ouviu aquelas palavras e, por um momento, sentiu um peso sair de seus ombros. Talvez, apenas talvez, Isabelle fosse exatamente o que a casa precisava para recuperar um pouco de alegria.

- Muito bem - ele disse, interrompendo os pensamentos. - Isabelle, vou pedir para que o mordomo te mostre seu quarto e te apresente à rotina da casa. Qualquer dúvida, por favor, me procure diretamente.

- Sim, senhor Mendonça. Obrigada pela confiança - ela respondeu, mantendo o tom respeitoso.

Victor assentiu e, antes de sair da sala, lançou mais um olhar para a interação de Isabelle com as crianças.

"Ela parece ser boa demais para ser verdade", pensou, mas logo afastou a ideia, dizendo a si mesmo que estava apenas cansado de tantos problemas.

Isabelle observou, o patrão sair da sala, e mais uma vez ficou boquiaberta. Ele era impecável em cada detalhe, de sua postura altiva ao terno perfeitamente ajustado. Um homem que parecia ter saído de uma capa de revista, mas que carregava no olhar autoridade e cansaço.

"Ele é lindo de todos os ângulos...", pensou, quase hipnotizada, enquanto seus olhos acompanhavam os passos firmes de Victor até desaparecer pela porta.

Mercedes, que ainda estava na sala, não perdeu o momento. Ao notar o olhar distraído de Isabelle, ergueu uma sobrancelha, intrigada.

- Isabelle?

A voz de Mercedes trouxe Isabelle de volta à realidade. Ela piscou algumas vezes, percebendo que havia sido pega em flagrante. Sentiu o rosto corar, mas tentou disfarçar, olhando para Letícia e fingindo estar completamente focada no que fazia.

- Sim, senhora Mendonça? - respondeu, mantendo o tom educado.

Mercedes estreitou os olhos levemente, mas não disse nada. Ela sabia reconhecer aquele tipo de olhar, mas decidiu não comentar. Pelo menos, não por enquanto.

- Apenas queria dizer que, se precisar de algo, pode me procurar. Quero que se sinta à vontade aqui - Mercedes disse, com um sorriso leve, mas seus olhos ainda analisavam a jovem com cuidado.

- Muito obrigada, senhora. Vou me esforçar para que tudo corra bem com as crianças - respondeu Isabelle, tentando soar o mais profissional possível.

Letícia, alheia ao breve momento de tensão entre as duas, puxou a babá pelo braço.

- Agora faz uma trança com essas flores de mentira! Vai ficar lindo!

Isabelle sorriu, aliviada pela interrupção.

- Claro, Letícia, vai ficar maravilhoso!

Mercedes observou enquanto Isabelle mergulhava de volta no mundo das crianças, mostrando habilidade e paciência ao lidar com elas. Apesar de suas suspeitas iniciais, não pôde negar que havia algo de especial na jovem. Contudo, em sua mente, uma semente de dúvida havia sido plantada.

Enquanto isso, Isabelle tentava ignorar o calor que ainda sentia nas bochechas e se concentrava em sua nova rotina. Mas, no fundo, sabia que o impacto de seu primeiro encontro com Victor Mendonça era algo que ficaria marcado em sua memória.

Capítulo 3 Capitulo 3

Capítulo 3

Victor saiu apressado da sala, com passos firmes que ecoavam pelo piso impecável da mansão. Ao chegar ao escritório da casa, pegou a pasta que estava sobre a mesa e ajustou o paletó antes de sair.

Na limusine, deixou a pasta de lado e voltou sua atenção para a paisagem além da janela. O carro atravessava os portões da imponente mansão, e ele se perdeu nos próprios pensamentos enquanto as árvores alinhadas da entrada ficavam para trás.

Como de costume, sua mão foi instintivamente ao anel no dedo. Ele girava a joia delicadamente, um gesto quase automático. Aquele anel havia pertencido ao seu pai, um homem que sempre fora seu exemplo e maior inspiração. Foi presenteado a Victor no leito de morte, em um momento que ele jamais esqueceria.

Enquanto seus olhos fixavam o horizonte, lembranças do pai surgiam com nitidez. Ele ainda podia ouvir a voz grave e tranquila dizendo: "Use este anel como símbolo da nossa família e de tudo o que construímos juntos. Lembre-se de quem você é, Victor."

Essas palavras ecoavam em sua mente sempre que se sentia sobrecarregado. Hoje não era diferente. Ele suspirou profundamente e repousou a mão sobre a perna, deixando o anel quieto por um momento.

A limusine acelerava pelas ruas da cidade, mas na mente de Victor, os pensamentos agora desviavam para Isabelle, a nova babá. Ele se pegou lembrando da voz suave dela, que parecia envolvê-lo de um jeito que o desarmava completamente. Era algo inexplicável; toda vez que a escutava, sentia um arrepio percorrer sua espinha, como se ela tivesse o poder de atravessar a fachada controlada que sempre mantinha.

Ele balançou a cabeça, tentando afastar a ideia. "É só cansaço", pensou, tentando racionalizar. No entanto, havia algo mais. Algo que ele não sabia definir, mas que o intrigava profundamente. Isabelle não era apenas educada e profissional; havia uma energia nela, uma leveza, algo que não sabia como definir.

Enquanto olhava pela janela, Victor se deu conta de que fazia muito tempo desde que alguém o fazia sentir assim. Ele não queria admitir, mas aquela inquietação estava começando a ocupar mais espaço do que deveria em sua mente. Fechou os olhos por um instante e respirou fundo, tentando se concentrar no dia de trabalho que tinha pela frente.

"Ela é só uma funcionária. Nada além disso", murmurou para si mesmo, como se dizer isso em voz alta pudesse dissipar os pensamentos que insistiam em voltar. Mas, no fundo, sabia que não era tão simples assim.

A limusine parou suavemente em frente ao edifício imponente da Mendonça Corporation. Assim que a porta foi aberta pelo motorista, Victor desceu com passos firmes, ajustando o terno impecável. O calor da manhã era intenso, mas, assim que atravessou as portas de vidro, uma rajada de ar fresco o envolveu, aliviando-o do calor intenso da rua.

O ambiente interno era moderno, sofisticado e extremamente organizado. O som de saltos e sapatos ecoava pelo piso de mármore polido, e os funcionários que estavam por perto imediatamente interromperam o que faziam para cumprimentá-lo com respeito.

- Bom dia, senhor Mendonça.

- Bom dia, senhor.

Ele apenas acenava discretamente com a cabeça, mantendo sua expressão impassível. Estava acostumado com os olhares de admiração e, em alguns casos, até de receio. Sua presença sempre impunha respeito, e ele fazia questão de manter essa postura.

Ao passar pela recepção, sua assistente, Camila, já estava a postos, acompanhando seu ritmo acelerado enquanto lhe entregava uma pasta.

- Aqui estão os relatórios atualizados da fusão com a Atlantic Group. O conselho espera sua aprovação até o fim do dia, senhor.

- Alguma alteração significativa? - ele perguntou sem diminuir o passo, folheando rapidamente as primeiras páginas.

- Nada que fuja do esperado. Mas há uma cláusula que o setor jurídico sugeriu revisar antes da assinatura final.

Victor assentiu, já prevendo mais uma reunião desgastante. Chegando ao elevador privativo, ele entrou sem hesitar, e Camila o seguiu, continuando o resumo das pendências do dia.

- Ah, e tem também o evento de gala no sábado. Confirmo sua presença?

Ele exalou discretamente, sem demonstrar irritação. Não era fã dessas ocasiões, mas sabia que sua posição exigia aparências.

- Sim, confirme.

O elevador chegou ao último andar, e Victor saiu diretamente para seu escritório, um ambiente espaçoso, com uma vista panorâmica da cidade. Caminhou até a mesa, largou a pasta e, por instinto, girou o anel em seu dedo.

Por mais que estivesse ali para trabalhar, sua mente insistia em vagar por um detalhe inesperado: Isabelle. O que aquela mulher tinha que o fazia perder o foco de maneira tão irritante? Ele não sabia, mas uma coisa era certa, isso o incomodava mais do que deveria.

Victor estava prestes a abrir a pasta que Camila havia acabado de lhe entregar quando seu celular vibrou na mesa. Ele pegou o aparelho e viu o nome de Felipe piscando na tela. Suspirou ligeiramente antes de atender, ajustando o tom de voz para algo casual.

- Felipe, bom dia.

- Bom dia, Victor. Liguei para saber como estão as coisas. Deu tudo certo para contratar Isabelle?

Victor se recostou na cadeira, girando o anel no dedo enquanto respondia:

- Sim, ela começou hoje. Parece ser competente e boa com as crianças.

Felipe riu do outro lado da linha.

- Parece? Você é sempre tão cauteloso. Dê uma chance, cara. Isabelle é uma ótima pessoa.

Victor arqueou uma sobrancelha, embora Felipe não pudesse vê-lo.

- Não é questão de cautela, Felipe. É o mínimo que espero de qualquer profissional que contrato.

- Claro, claro - Felipe provocou. - Mas, honestamente, ela é mais do que apenas competente. Isabelle é esforçada, responsável e muito dedicada. Você vai ver.

Victor apertou os lábios, pensando por um momento. Algo sobre Isabelle realmente o intrigava, mas ele não iria admitir isso para Felipe.

- Espero que esteja certo. Não tenho tempo para problemas.

- Relaxa, meu amigo. Confie em mim, ela vai ser um alívio, não um problema.

Victor soltou um leve "hum" em resposta, sinalizando que a conversa estava encerrando.

- De qualquer forma, obrigado pela indicação. Tenho coisas para resolver aqui.

- Tudo bem, só não vá pegar muito no pé dela. Isabelle é um diamante bruto - disse Felipe, com um tom quase de brincadeira.

- Até mais, Felipe.

- Até mais, Victor.

Ao desligar, Victor ficou por um momento olhando para o celular. As palavras de Felipe ecoavam em sua mente: "Um diamante bruto." Ele balançou a cabeça levemente e voltou sua atenção para a pasta na mesa.

Preciso parar de pensar nisso, pensou, mas, de alguma forma, a lembrança do sorriso de Isabelle insistia em invadir seus pensamentos.

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