Spin-off de: A babá grávida do cowboy
Capítulo 1
Clarice de Alencar percorre calmamente os corredores da empresa de seu pai, atenta a cada detalhe. Seus passos ressoam nos saltos altos sobre o piso impecavelmente limpo. De repente, a iluminação falha por um breve momento, intrigando-a. Retornando à sua sala, ela instrui a secretária a contatar o responsável pela parte elétrica do prédio.
- Sim, senhora. Imediatamente.
A secretária se comunica com o eletricista chefe por celular, informando que ele não está no prédio naquele momento.
- Aguarde um momento, por favor - diz ela ao telefone. - Senhora, o eletricista chefe não está disponível agora.
- Entendo. Peça para ele vir à minha sala assim que chegar - responde Clarice antes de sair da sala e retomar seu passeio pela empresa.
A secretária atende ao pedido, e Clarice deixa o assunto de lado por enquanto. Ela segue até o andar dos advogados, onde encontra seu filho Nikolas, abraçando-o carinhosamente.
- Mamãe, o que a traz aqui?
- Vim te convidar para almoçar comigo, meu amor.
- Ótimo, estou mesmo com fome. Só um momento - diz Nikolas, dirigindo-se à secretária. - Você separou os currículos que pedi?
- Sim, senhor.
- Por favor, entre em contato com cada um e agende uma entrevista. Vou entrevistá-los um por um.
Clarice e Nikolas saem da empresa de mãos dadas. O afeto pela família a faz desejar tê-los sempre por perto. Aos 42 anos, divorciada, não teve relacionamentos sérios desde então. Apesar de ainda amar o ex-marido, sabe que ele seguiu em frente. Ruan Rocha, seu ex-marido, é a única exceção.
Enquanto caminham até um carro de aplicativo, um homem os observa ao passar por eles. Natan nota o amigo de mãos dadas com uma das mulheres mais bonitas que já viu, mas presume que ela seja a companheira do amigo, então desiste de olhar e entra na empresa.
Sem querer atrasar-se, Natan, o eletricista, chega à sala da CEO.
- Boa tarde, sou o eletricista, Natan. Fui chamado pela CEO.
- Sinto muito, mas a senhora Clarice acabou de sair para almoçar. Ela voltará em uma hora - disse a secretária.
- Está bem, volto depois.
Natan fica preocupado com o motivo de ter sido chamado pela CEO, afinal, seus superiores são subordinados a ela. Ele coloca a mão no queixo enquanto reflete se será demitido. Este é o melhor trabalho que conseguiu em anos. Divorciado e pagando aluguel, enfrentou questões judiciais pela pensão da filha.
Não se nega a pagar a pensão, mas é difícil atender às exigências da ex-esposa. Agora, com um salário três vezes maior do que imaginava, consegue pagar uma pensão mais substancial.
Em seus trinta e dois anos, jamais imaginou enfrentar tantos problemas legais. Quase foi preso por atrasar a pensão durante quatro meses. Na época, estava desempregado, passou por dificuldades financeiras quase tendo que sair da casa que pagava aluguel sem ter para onde ir, e a situação parecia piorar na época.
Foi quando seu amigo, Nikolas, o empregou na empresa de seu avô, o que foi como uma luz no fim do túnel. Naquele mesmo mês, conseguiu quitar a maioria de suas dívidas.
Enquanto refletia sobre sua vida, nem havia percebido que passou uma hora e meia. Com certeza, a CEO já havia retornado do almoço. Antes de ir à sala dela, decidiu vestir seu uniforme de eletricista, já que precisaria ir ao último andar depois da conversa, se não fosse dispensado.
Ao sair do vestiário, caminha novamente até a sala da CEO, pensando em como ela deve ser. Nunca a viu, mas segundo Nikolas, é a mãe dele. Supõe que seja uma senhora, apenas espera não ser recebido com grosseria, já que teve sua cota de pessoas tentando prejudicá-lo nos últimos anos.
- Entre - escuta a voz suave de uma mulher após bater na porta.
Suspirando fundo, ele abre a porta e entra, pedindo licença. Fica surpreso ao ver a mesma mulher que saiu do prédio de mãos dadas com seu amigo.
Clarice franze a testa ao ver o homem de uniforme de eletricista na sua frente e pergunta sem o olhar diretamente:
- Quem é você?
Natan fica sem palavras, a voz dela parece música para seus ouvidos, mesmo usando um tom sério.
- Eu... Sou Natan, o eletricista. Disseram que precisava falar comigo.
- Ah, sim. Sente-se - ela diz, apontando para a cadeira, fazendo ele observar as unhas dela, que são bem cuidadas, e então senta, observando-a ainda mais de perto.
Clarice termina de assinar alguns documentos e os afasta para conversar com Natan.
- Você é o responsável pela parte elétrica do prédio, certo? - diz ainda sem o olhar diretamente. - Seu nome?
- Sim, sou o responsável. Meu nome é Natan.
- Certo. Acredito que você não está desempenhando seu trabalho de maneira adequada, Natan.
- O que? - expressou, preocupado e com receio.
- O prédio tem um gerador, e ficamos alguns momentos sem luz, isso não pode acontecer. Quero que descubra por que o gerador não ligou imediatamente - disse, olhando para ele rapidamente antes de desviar o olhar para o computador. - Pode se retirar.
Clarice volta a focar em seu trabalho diante do computador, deixando Natan perplexo com a forma abrupta como foi tratado. Sem ter alternativa, ele se levanta, pede licença e deixa a sala.
A bela mulher, agora identificada como a mãe de seu amigo, não demonstra qualquer disposição para uma conversa que poderia esclarecer a situação. Isso aumenta ainda mais a apreensão de Natan. O incidente com o gerador, que já estava na empresa desde antes de ele começar a trabalhar, pode ser interpretado como motivo para sua demissão.
- Droga... - murmura ele, dirigindo-se até a cobertura para verificar um dos painéis de energia solar do prédio.
Chegando na cobertura observa os painéis de energia solar, mas não concentrar. A mãe de Nikolas, seu amigo, parece difícil de se dobrar. Então o jeito é trabalhar dia e noite, reunir uma boa equipe fazendo cada um desempenhar uma função para resolver o problema o mais rápido possível.
Se conseguir fazer do jeito como está pensando, continuará em seu emprego e a bela CEO não terá mais nada contra ele.
Natan sorri de seus próprios pensamentos. A quem quer enganar? Não quer apenas manter o emprego, tem algo a mais. Deseja chamar atenção da CEO, principalmente agora que sabe que ela não é uma namorada do amigo e sim a mãe dele.
Não seria certo pensar assim dela por conta do parentesco, mas não tem como evitar. É a mulher mais linda que já viu na vida.
Capítulo 2
Clarice está exausta, trabalhando incansavelmente de segunda a segunda. Até seu pai a repreendeu, alertando sobre os riscos de adoecer devido ao excesso de trabalho. No entanto, para ela, é inevitável. Prefere se ocupar com o trabalho a ficar em casa remoendo um passado do qual gostaria de retroceder.
Suspirando resignada, encara-se no espelho, habilmente aplicando maquiagem. Ainda não compreende por que sua amiga a convidou para uma festa de máscaras, e só aceitou após muita insistência.
Sair e se divertir nunca foi seu forte; sua verdadeira alegria reside em ser feliz ao lado do filho e do neto, pois para ela, nada na vida supera essa prioridade. Ao olhar para a mão esquerda, seus olhos se enchem de lágrimas; a aliança de casamento ainda adorna seu dedo, mesmo após tantos anos de divórcio.
Ruan, seu ex-marido, foi seu único e grande amor. Lamenta profundamente não ter tido a coragem de seguir adiante com o casamento e sucumbir ao medo da difícil situação que viviam juntos. Se tivesse persistido, acredita que sua felicidade hoje seria completa.
A porta do quarto se abre, interrompendo seus pensamentos. Um sorriso ilumina seu rosto ao ver quem é.
- Vovó, não consigo dormir. Conta uma história para mim? Eu prometo que durmo rapidinho - pede Robson.
- Ah, meu querido - ela se levanta, segura a mão dele e o conduz de volta ao quarto. - Então vamos lá. Vou te contar uma história sobre o menino robô.
Envolvida na narrativa, Clarice vê Robson adormecer poucos minutos depois. Com um sorriso suave, beija o neto na testa e retorna ao quarto. Pega sua bolsa e as chaves do carro.
Dentro do veículo, Clarice suspira e examina-se no retrovisor. A maquiagem está impecável, mas a vontade de desistir desse compromisso cresce. A natureza da festa ainda é um mistério; sua amiga a envolveu em suspense ao mencioná-la.
- Dependendo do tipo de festa, vou embora. Não gosto de muita bagunça - diz ela, removendo a aliança e a colocando no porta-luvas do carro.
Na garagem, liga o carro e parte. Navega pelas ruas de Bragança Paulista, atenta ao GPS. Ao chegar, franze a testa; o local parece uma boate, apesar de ser uma mansão.
Liga para sua amiga, Cíntia, questionando se está no lugar certo. Cíntia se aproxima usando uma máscara e um vestido provocante.
- Sim, Clarice, você está no lugar certo. Estacione ali - aponta para o local. - Te espero na entrada da mansão. Ah, coloque a máscara antes de sair do carro.
Elas entram na mansão, e Clarice percebe vários olhares masculinos voltados para ela, causando uma sensação perturbadora.
- Aqui está - diz Cíntia, entregando uma taça de bebida alcoólica para Clarice, que a coloca na mesa mais próxima. - Hoje você vai se divertir. Tem muitos homens interessantes aqui; se você preferir os mais ricos, posso te apresentar alguns.
- Eu sabia que você estava armando alguma coisa para o meu lado - diz Clarice, cruzando os braços. - Vou embora!
- Não! Fique calma - diz Cíntia, segurando a mão dela e pegando novamente a bebida que ela descartou. - Fique pelo menos um pouco. Se não quiser ficar com ninguém, não tem problema.
- Claro que não quero ninguém. Tenho 42 anos, um filho, um neto e meu pai. Não preciso de mais nada nem ninguém na minha vida.
- Acalme-se - Cíntia entrega novamente a bebida. - Não saia daqui, já volto.
Clarice toma um gole da bebida e balança a cabeça negativamente. Nos próximos minutos, ela circula pela festa até chegar à área externa, onde o ruído é menor.
Fecha os olhos, buscando acalmar-se, e ao abri-los, contempla a lua crescente. Um breve instante de inquietação a invade, como se estivesse sendo observada. Ao olhar para a entrada da festa, percebe um homem de terno que a encara com notável interesse.
Apesar de não ter ido à festa com a intenção de encontrar um pretendente, Clarice se sente provocante em seu vestido colado. Mesmo sem interesse, algo no olhar penetrante do homem a impede de desviar. Ela desce o olhar pelo corpo dele, que, apesar de estar totalmente vestido, emana charme e sensualidade.
O homem se aproxima lentamente, estendendo a mão. Sem entender completamente por que, Clarice aceita, deixando-se ser puxada até ficar em pé. Ele olha nos olhos dela, beijando delicadamente sua mão. Uma máscara cobre grande parte do rosto dele, mas seu charme não passa despercebido. Quem será ele? Neste momento, talvez isso não importe.
Como se estivessem sob um encantamento, os dois se aproximam. Clarice ergue as mãos até os ombros dele, incapaz de resistir, e ele envolve a cintura dela, enquanto a outra mão segura seu queixo, erguendo-lhe a cabeça. Um suspiro escapa dos lábios dela; fazia muito tempo desde que sentia desejo de ser beijada dessa maneira.
Os lábios se encontram, o beijo começa suave e torna-se ardente a cada segundo, até que Clarice, envolvida por emoções avassaladoras, interrompe o beijo abruptamente.
- Eu não posso... - murmura, com a voz trêmula, afastando-se rapidamente em direção à saída.
Ele a segue, mas é interrompido por outro homem que o reconhece e o cumprimenta. Leva alguns instantes para se desvencilhar educadamente e correr atrás de Clarice até sair da mansão.
Um BMW branco acelera, deixando o estacionamento, e ele suspira resignado, acreditando ser ela. Consegue ver apenas parte da placa, insuficiente para identificar o proprietário, embora ela lhe pareça familiar.
***
Clarice respira com dificuldade, suas mãos tremem, e ela as tira várias vezes do volante para secá-las no vestido. O beijo e o desejo repentino a assustam, pois a última vez que experimentou tais emoções foi durante o casamento com o ex-marido.
Há muito tempo não sentia sentimentos tão intensos. Sua vida amorosa foi marcada por um único homem, e de repente, ela se vê tomada por desejo e atração por um estranho, cujo rosto nem sequer viu.
Com a mente confusa, ultrapassa um sinal vermelho, só percebendo quando ouve uma buzina estridente alertando-a. Seus olhos se arregalam ao ver um veículo se aproximando rapidamente pelo lado. Desesperada, tenta fazer algo para evitar a colisão.
Mas o impacto é inevitável...
Capítulo 3
O impacto do acidente é repentino e brutal. Ela é jogada para frente, sentindo o cinto de segurança pressionar contra seu peito. Tudo acontece em um borrão, e a escuridão a envolve. O silêncio se instala por um momento antes de ser quebrado pelos sons distantes de sirenes e vozes.
Desacordada, Clarice é resgatada pelos paramédicos que chegam rapidamente ao local do acidente. Eles agem com eficiência, avaliando sua condição e administrando os primeiros socorros. Com cautela, a colocam em uma maca, imobilizando-a.
A sirene da ambulância corta o ar enquanto ela é transferida com urgência para o hospital mais próximo. Durante o trajeto, os paramédicos monitoram seus sinais vitais para que permaneça estável.
Ao chegar ao hospital, é encaminhada imediatamente para a sala de emergência. A equipe médica realiza uma série de exames e procedimentos para avaliar a extensão de seus ferimentos.
***
Natan suspira profundamente enquanto observa o carro se afastar. Ele sente a pressão da máscara em seu rosto e decide removê-la, expondo seus cabelos naturalmente loiros. Passa as mãos pelos cabelos, ainda perplexo com a situação. Por que ela fugiu desse jeito? O que teria acontecido para assustá-la? Afinal, ela parecia estar gostando do beijo.
A incerteza paira sobre ele, e Natan se lamenta por não saber a identidade da mulher que o fascinou na festa de máscaras. Se ao menos pudesse descobrir quem ela é.
Com a máscara em mãos, ele a guarda no bolso e olha ao redor, tentando decidir o que fazer em seguida. A festa continua animada, mas a atmosfera festiva parece ter perdido parte de seu encanto para ele.
Decide ir para onde sua moto está estacionada e afastar-se um pouco da agitação da festa. Monta na moto e acelera pelas ruas da cidade, refletindo sobre o encontro inesperado. Enquanto as luzes da noite o cercam, ele se pergunta se terá a chance de encontrar novamente a misteriosa mulher que o deixou intrigado e, ao mesmo tempo, despertou uma série de emoções intensas em seu interior. Se for ver bem, é quase impossível, não sabe nada sobre ela, nem ao menos tem a placa completa do veículo.
Natan estaciona a moto na garagem do vizinho. Ele paga uma mensalidade para garantir a segurança de seu veículo. Ao entrar na pequena casa alugada, pondera sobre a possibilidade de morar em um lugar melhor. Contudo, as dívidas acumuladas ainda o prendem a essa realidade, e ele reluta em investir em um aluguel mais caro em um bairro mais privilegiado.
Natan relembra os encontros perigosos que teve com assaltantes quando estava desempregado. Foi revistado algumas vezes na entrada do bairro, ele percebeu que ao constatarem que nunca tinha um centavo no bolso, pediam desculpas e o deixavam passar. Desde então, a tranquilidade voltou a fazer parte de sua rotina e nunca mais tentaram nada.
Suspirando ao entrar em casa, ele se acomoda no sofá que também serve como cama, deixando sua mente divagar sobre a possibilidade de mudança. Sonha com um lugar mais confortável e, quem sabe, até a chance de encontrar uma namorada. Entre risadas de si mesmo, ele se diverte com a ideia de querer uma namorada, mesmo já estando pensando em duas, a mãe do amigo que o deixou surpreso com tanta beleza e a mulher da festa.
Após esse momento de descontração, Natan decide fazer a barba, mantendo um visual com bigode e cavanhaque que o faz parecer mais velho. Essa escolha, por mais curiosa que pareça, lhe confere uma seriedade que ele acredita não ter quando está com o rosto completamente liso. O fato de parecer ser mais jovem do que realmente é sempre o acompanhou, e ele ri de sua própria situação enquanto realiza esse ritual.
À medida que contempla o espelho, reflete sobre sua idade, talvez e a seriedade pode mudar quando atingir os cinquenta anos. No entanto, por ora, ele continua a rir das próprias reflexões e segue com sua rotina noturna.
Após o banho, Natan ajeita o sofá que serve como sua cama, preparando-se para descansar. Seus pensamentos, no entanto, estão voltados para o desafio que enfrentará no dia seguinte: encontrar o defeito no gerador da empresa da CEO, Clarice.
Consciente da complexidade da tarefa, ele espera que ela esteja de bom humor e seja paciente o suficiente para compreender que essas soluções demandam tempo e dedicação.
Cansado, Natan se entrega ao sono, espera estar pronto para enfrentar mais um dia de desafios e mistérios na empresa Alencar.
***
No hospital, Clarice desperta desorientada, seus olhos lentamente se ajustando à luz do ambiente hospitalar. Nikolas, seu filho, percebe a mudança e imediatamente se levanta, aproximando-se com expressão preocupada.
- Mãe, como você está se sentindo? - pergunta Nikolas, com o olhar cheio de apreensão.
Clarice pisca algumas vezes, tentando se situar, antes de responder:
- Estou um pouco confusa, mas acho que estou bem. O que aconteceu?
Nikolas suspira aliviado e explica:
- Você sofreu um acidente de carro. Parece que passou por um sinal vermelho e houve uma colisão. Os médicos disseram que você está fora de perigo, mas ficarão de olho por precaução.
Clarice, ainda tentando processar as informações, agradece:
- Obrigada por estar aqui, meu filho. Sinto-me grata por você estar ao meu lado.
Nikolas sorri, segurando a mão dela com carinho:
- Sempre estarei aqui para você, mãe. Vou avisar o médico que acordou.
Enquanto Nikolas sai, Clarice reflete sobre o que pode ter causado o acidente e se preocupa com os compromissos que terá que adiar na empresa.
Devido ao efeito dos medicamentos, Clarice volta a adormecer, mergulhando em um sonho onde o homem mascarado, que a beijou na festa de máscaras, surge novamente em sua mente, os detalhes do rosto dele permanecem velados pela máscara.
Ele está vestido com elegância, um traje que destaca sua presença enigmática. A máscara que cobre seu rosto mantém seus traços ocultos, intensificando o mistério que o envolve.
Sem uma palavra, o homem estende a mão para Clarice, convidando-a para dançar. Ela aceita, sentindo-se atraída pela energia magnética que emana dele. Os dois se movem graciosamente pela pista de dança, seus corpos sincronizados ao ritmo da música envolvente.
Em um determinado momento , ele faz uma pausa e segura o rosto dela suavemente entre as mãos, seu olhar fixo nos olhos dela. A máscara que cobre seu próprio rosto parece não ser um obstáculo para a conexão que se estabelece entre eles. O beijo acontece de maneira ardente e apaixonada.
Clarice se entrega ao momento, perdendo-se na sensação avassaladora do beijo. Cada toque dos lábios do homem mascarado é como uma chama que a consome, despertando emoções há muito adormecidas. O cenário ao redor desfoca, e a única realidade presente é a intensidade desse encontro.
Então, como em um suspiro, a cena desvanece, e Clarice desperta do sonho com o eco de vozes em sua mente a tirando de seu doce sonho.