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A Cabana do Amor

A Cabana do Amor

Autor:: JulikaNesser
Gênero: Romance
Helena vai se casar, ela está na porta da igreja pra entrar. Mas então seu ex namorado Felipe aparece em sua moto e a convence a ir com ele para uma última conversa antes dela dizer o sim a outra pessoa. E bem, Helena a vai...

Capítulo 1 1

Helena respirou fundo em um suspiro pesado dentro do carro parado em frente a igreja. Ainda faltava meia hora para a cerimonia começar, mas ela resolveu vir antes pra não dar vontade de fugir. Ela passou as mãos pelos cabelos tentando se distrair, e então desbloqueou o celular, vendo a foto sua e de seu noivo na tela de descanso. Tentou sorrir, era com ele que passaria o resto de sua vida. Pelo menos era o que planejava. Mas porque seu coração não concordava com aquilo? Era o certo, tinha que ser assim.- Tem que ser assim - ela sussurrou a si mesma olhando as mãos que tremiam.

Fechou os olhos e tentou concentrar na respiração.

Inspira.

Expira.

Inspira.

Expira.

Insp... ela abriu os olhos.

O ronco inconfundivel o motor da moto que ela conhecia tão bem foi ouvido. Ela olhou pra tras, vendo a moto se aproximar do carro, com uma pessoa toda vestida de preto e capacete. Um fogo de ódio o consumiu. Agora? Nesse momento? Não era possivel. A moto parou na janela do carro e a viseira foi levantada e Helena viu aqueles olhos dos quais sentia tanta falta. Porque agora?

Duas batidas foram dadas na janela e Helena a abaixou - Felipe vai embora.

- Helena vem comigo, vamos conversar - a voz falou em meio ao barulho da moto.

- Tarde demais, não quero - ela disse fechando o vidro e Felipe colocou a mão no vidro quase tendo seus dedos imprensados. - QUER PERDER OS DEDOS SEU IDIOTA?

- Helena, vamos conversar, só alguns minutos - ele disse vendo o vidro ser abaixado de novo.

Era de tardezinha, o sol já estava se pondo e o tempo fechando, claramente ia chover. Helena olhava para Felipe que estava determinado, parecia que não ia sair dali enquanto não conversassem.

- Senhorita quer que eu ire ele daqui? - o motorista perguntou.

- Não, não - ela respondeu e então abaixou todo o vidro - Pode falar.

Felipe bufou dentro do capacete - Desce por favor.

- Não vou descer, vou me casar daqui meia hora Felipe, vai embora!

- Então me da 20 minutos, por favor Lena...

Lena... golpe baixo. Helena quem bufou dessa vez, abrindo a porta, arrumando seu vestido branco no corpo. - Pronto, fala.

- Sobe - Felipe disse acelerando a moto.

- Eu não vou subir nessa maquina mortifera...

- Isso nunca foi problema antes, anda sobe.

- Você vai me trazer aqui daqui 20 minutos!

- Caramba, já falei que vou. Sobe.

Helena grunhiu e então subiu na moto, agarrando a jaqueta de couro que Felipe vestia, que fora ela propria que deu, sentindo o cheiro do seu perfume quando o abraçou por tras. Péssima idéia, péssima idéia... ela não devia ter subido, não devia ter aceitado aquilo, devia ter ficado quietinha dentro do carro, talvez feito um escandalo pra tirarem Felipe dali, ela tinha todas as desculpas possiveis, mas mesmo assim subiu, e quando viu já estavam em alta velocidade pelas ruas de Curitiba.

Capítulo 2 2

Helena conhecia muito bem aquele caminho e não estava preparada pra voltar lá. Fazia menos de um ano que tinha terminado seu namoro de quase 3 anos com Felipe, e resolvido se casar, apenas para provar que ja tinha o superado.

Ela sabia que era completamente imatura, mas precisava daquilo.

Nem imaginava que Felipe surgiria, pra ela, Felipe ja tinha seguido em frente. A moto parou em na grama em frente o chalé afastado onde Felipe morava.

Ele era assim, moderno a moda antiga, gostava da vida simples, de acordar com o sol no rosto,o barulho dos passarinhos, de tomar vinho em frente a lareira e escutar musicas velhas.

E Helena sentia falta disso. Ela era elétrica, gostava de barulho, de conversa, de adrenalina. O completo oposto de Felipe, e assim ela era acalmada. Sentia que relaxava perto do mais velho, porque só com um olhar Felipe entendia tudo que passava com Helena, e com um olhar ele conseguia acalma-la ou doma-la. Eles eram completos juntos.

Helena desceu brava da moto, arrumando os cabelos que foram bagunçados com o venteo - Não acredito que me trouxe pra essa cabana ridicula!

Felipe riu, tirando o capacete e então Helena o olhou, os cabelos caindo pra tras revelando sua testa, e logo caindo pra frente novamente em seus olhos, a jaqueta de couro apertando seu corpo e a calça preta ridiculamente colada, com botas nos pés. O jeito badboy que Helena se lembrava estava intacto. - Você anda desdenhando muito das coisas que já aproveitou.

A mais nova cruzou os braços, na defensiva - Tudo bem, eu to aqui pode falar.

- Vamos entrar pelo menos?

- Não! Vamos conversar aqui fora! - Helena bateu o pé. Não estava preparada pra entrar, sabe-se la o que encontraria la dentro.

- Helena a, vai chover, você não quer molhar seu vestido caro, não é? - Felipe disse, e como um aviso ela sentiu uma gota em seu rosto, então olhou para o céu. Saiu correndo em direção a casa, Felipe caminhou a passos lentos ate a porta, mas quando Helena entrou a trancou, deixando Felipe pra fora. Na chuva.

- Helena abre a porta - Felipe disse batendo na madeira com vidros, a chuva engrossava e já molhava Felipe.

- Não, ninguem mandou me tirar do meu casamento! - gritou de dentro do aposento.

Ela se afastou, olhando em volta, o cheiro que se lembrava e a remetia a sensação de lar. Os moveis ainda no mesmo lugar que ela tinha trocado na ultima vez. A cama em frente a janela que deixava ver a paisagem la fora, uma foto antiga deles na estanestante. Helena suspirou, olhando pra fora, vendo Felipe encharcado. Ele poderia ficar doente, então foi ate a porta e a abriu.

- Merda Helena, não precisava disso tambem - disse abrindo a jaqueta e a tirando, e logo passou a camiseta molhada pelo corpo, deixando seu abdomen exposto, a tatuagem de aguia subindo por sua barriga, as gotas da chuva caindo de seus cabelos e molhando seu peito. Helena respirou fundo. Vendo Felipe indo ate a porta e a trancar.

- Vou tomar um banho quente, você sabe onde fica tudo aqui. To quase arrependido de ter te trazido.

- Ninguem mandou você me trazer! - ela disse - E eu sei onde fica a chave reserva! - ela gritou pra Felipe que tinha entrado no banheiro.

O mais velho voltou, dessa vez vestido só com a boxer preta, a tatuagem mais visivel dessa vez, o final das penas em sua coxa esquerda,caminhou ate a estante, pegando a chave reserva de dentro do pote, e olhou pra Helena com um sorriso sem dentes, voltando ao banheiro. - EU SEI SAIR DAQUI SEU IDIOTA, EU PRATICAMENTE MOREI AQUI!

- Mas que merda Helena - Felipe saiu novamente e Helena suspirou, gelando um pouco ao pensar que talvez ele saisse sem nada dessa vez, mas não, ele arrumou a boxer no corpo e foi ate o guarda roupa, pegando algo de dentro de uma caixa.

Depois foi ate Helena, a puxando pelo braço - O que você ta fazendo Felipe? Me solta. - Felipe apenas foi ate a cabeceira da cama em silencio, depois encaixou uma algema na grade e então uma no pulso de Helena, que riu - Você acha mesmo que essas algemas de sex shop vão me prender aqui?

- Acho - ele disse olhando nos olhos dela.

Então Helena puxou a mão uma vez, e outra, e outra, o som da grade batendo na parede o lembrava de um som que saia por motivos bem diferentes. Ela arfou, olhando Felipe sair para o banheiro - FELIPE NÃO ACREDITO NISSO!

Ele deu de ombros, de costas, tirando a boxer no caminho, mostrando a bunda para Helena que engasgou com a propria saliva - Filho da puta - falou baixinho então suspirou, sentando na cama. Tinha deixado o celular no carro, não tinha como avisar ninguem. Demorou alguns minutos para Felipe sair do banheiro com uma toalha amarrada na cintura, e Helena revirou os olhos - Você não podia ter se trocado no banheiro não?

Felipe riu, estava indo ate o guarda roupa mas virou e foi em direção a Helena, ela começou a recuar na cama o tanto que a algema permitiu, vendo Felipe em frente, com gotas de agua em seu torso, os cabelos bagunçados, a tatuagem... aquela tatuagem que ela amava tanto trilhar. - Ate parece que não cansou de ver tudo isso por anos.

- Mas agora é diferente, eu sou noiva e mereço respeito.

- Respeito? - Felipe arqueou uma sobrancelha - Você ta se casando com um cara que conheceu a menos de um ano como se ainda não sentisse nada por mim.

- Mas eu nao sinto! - ela disse com a garganta incomodada, o cheiro de Felipe estava tirando todos seus sentidos.

- Não sente? - ele provocou, colocando um joelho na cama no meio das pernas de Helena - Não mexo nada com você mais?

- Não - ela sussurrou - nadinha.

Felipe se abaixou e Helena foi recuando ate a algema fazer pressão em seu pulso,o peito molhado do ex quase encostava no seu.- Tem certeza vida? - Felipe falou com a voz baixa e grossa se aproximando do rosto de Helena.

Maldito apelido, maldito Felipe.

Helena juntou toda a força que tinha e quando o rosto se aproximou ela acertou uma joelhada no meio das pernas do ex. Felipe grunhiu em dor, indo pra tras e colocando as mãos nas partes intimas - Helena você ta louca?

Helena se arrumou na cama - Pra você aprender a não fazer gracinha comigo.

- Meu Deus o que eu tinha na cabeça pra te trazer aqui. - Felipe falou consigo mesmo - Ele se virou de costas, colocando uma boxer e um short - Eu vou ai te soltar, mantenha os joelhos quietos. - Helena apenas o olhou e Felipe se aproximou, meio afastando, mancando um pouco,e então abriu a algema, libertando o pulso de Helena. - Pronto, pode ir embora.

Capítulo 3 3

Helena se levantou indo ate a porta sem olhar pra tras. A chuva ainda caia, mas se ela saisse conseguiria pegar um onibus ou encontrar um telefone que pudesse ligar para o noivo ou para a irmã. Ela foi ate a porta, mas então olhou pra tras. Felipe estava encostado no batente da pilastra de madeira a observando, os braços cruzados sobre o peito nu, o cabelo ainda um pouco molhado, a expressão séria e levemente tristonha, e então de repente ela não quis mais ir embora.

- Eu quero ouvir o que você tem a dizer. Uma ultima vez.

Felipe suspirou, deixando os braços cairem, então Helena se aproximou, se sentando nas almofadas que tinham em cima do tapete perto da cozinha. Eles se olharam por longos segundos ate Felipe dizer - Vou pegar um vinho.

Era isso, o vinho significava que a conversa seria longa e seria, e Helena estava pronta pra isso, só queria escutar, não ia interferir em nada na sua decisão de se casar. A historia dela com Yoongi merecia essa conversa. Então ela apenas esperou, com o coração acelerado.

~

Felipe estava parado em frente a pequena adega que tinha na lateral da cozinha olhando o que pegaria. Na verdade ele sabia muito bem qual Helena gostava e era o que mais tinha ali. Desde que a mais nova foi embora Felipe não mudou muito sua rotina,que ainda envolvia varias coisas das quais ela planejou, como os moveis da casa que continuaram do mesmo jeito que ela reorganizou, as coisas no banheiro que ainda continham itens de Helena, algumas peças de roupa que ela esqueceu no guarda roupa...Não que Felipe fosse um masoquista, ou obcecado, mas eles ja tinham terminado tantas vezes e sempre voltado, que ele apenas achou que essa seria mais um vez... mas os meses foram passando e quando chegou a noticia do casamento de Helena, ele não aguentou, precisava fazer algo...Ele respirou fundo. Amava aquela garota. Mas era verdade que se desentendiam muito... talvez teria sido melhor não ter feito nada, ter deixado Helena casar... Um aperto se apossou do seu peito ao pensar nisso então ele pegou o primeiro vinho que viu,foi ate a cozinha pegando duas taças e então se dirigiu a sala novamente onde Helena ainda estava sentada no mesmo lugar. Tinha dobrado o vestido ate os joelhos. O véu com a tiara jazia ao seu lado e os sapatos chiques estavam no chão, deixando-a apenas de meias calça.

Ele estendeu a garrafa a Helena junto com o abridor, a mais nova sempre tinha sido melhor em abrir, e como sempre em apenas um segundo o vinho tinha sido aberto. Felipe arrumou as taças enquanto Helena colocava o liquido nelas e pegava uma para si,entregando a garrafa de volta a Felipe que bebeu um gole e foi ate o quarto. Pegou uma camiseta preta e a vestiu, voltando a sala e se sentando na almofada em frente a Helena, que o olhava com olhos curiosos.

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