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A Casa da Vida

A Casa da Vida

Autor:: Paula Albertão
Gênero: Romance
Helena acompanhou sua mãe até a "Casa da Vida", uma casa a beira mar para pacientes terminais, para que ela tivesse um final de vida da forma como deseja. Depois de estarem lá há um tempo, Maria Cecilia diz que precisa contar a história de toda sua vida antes de partir. Ao mesmo tempo, Yan aparece com sua avó, e chama atenção de Helena não só por ser muito mais jovem do que a maioria dos acompanhantes, mas porque é um homem diante da maioria de acompanhantes femininas. Por mais que Helena tente se manter afastada de Yan, é impossível negar que alguma coisa acontece entre os dois desde que trocaram o primeiro olhar e, aos poucos, ela vai abrindo espaço para que ele se aproxime – sem saber que o rapaz esconde um segredo.

Capítulo 1 A escolha da minha mãe

Eu estava sentada na cadeira mais próxima da janela para poder observar o movimento do mar e me desligar um pouco do que estava acontecendo do lado de dentro.

Não seria minha escolha estar naquele lugar, mas precisava deixar minhas opiniões de fora e não deixar que meu rosto as entregasse. Para alguém que sempre gostava das coisas do meu jeito, era um feito e tanto.

A praia estava deserta, como na maior parte do tempo. Às vezes alguns pacientes pediam para passear por lá, mas não era o caso naquele horário da manhã. Se fosse acontecer seria mais no final da tarde, para o espetáculo do pôr-do-sol ser um bônus a mais.

Minha mãe estava dormindo em sua cama, o peito subindo e descendo suavemente. Já fazia um tempo que não queria sair do quarto, o que me fazia pensar se nosso tempo já estava se esgotando.

Claro que eu sabia que ir até aquele lugar significava não ter mais muito tempo pela frente, e eu era tão contra simplesmente desistir de tudo e apenas ver acontecer bem diante dos olhos sem fazer absolutamente nada para impedir.

Éramos instruídos a não falar sobre doença, nem entre os familiares e muito menos com outras pessoas. O que importava naquele lugar era chegar ao fim com dignidade, com todos os últimos desejos realizados.

Já tínhamos tido uma festa de aniversário para um senhor que estava completando noventa e cinco anos. Houveram balões, brigadeiros e chapeuzinhos em formato de cone para todos. Além de um bolo imenso, todo decorado em tons de verde.

Teve uma senhora que pediu para ver filmes antigos, todos vetados por sua mãe no passado – uma senhora rigorosamente religiosa -, e nos sentamos na área comum por três dias seguidos.

Outra mulher, que tivera uma vida terrível com um marido violento, pediu apenas um abraço de todos antes de se isolar em seu quarto. De lá, só saiu quando a hora chegou.

Minha mãe tinha participado de tudo isso, firme e forte, e logo seria a sua hora de ter um desejo final. Não me orgulho de dizer que eu não sabia o que ela poderia querer.

Nós duas não tínhamos uma história muito bonita, mas isso não vem ao caso agora. Quando vemos que a razão de nossa existência está se preparando para partir, tudo que queremos é impedi-la de interromper os tratamentos para ir viver em uma casa à beira mar que quer ajudá-la a partir.

Nada que eu disse pode mudar a cabeça teimosa de minha mãe, então larguei minha vida para dormir ao seu lado todas as noites e acordar angustiada para saber se ainda estava respirando.

Eu chamava aquele lugar de "Casa da Morte", mas depois de algum tempo vivendo com o pessoal que trabalhava com tanto cuidado, mesmo não gostando da ideia, entendi porque havia a inscrição "Casa da Vida" acima da porta de entrada.

Vi pessoas viverem dez dias muito mais bem vividos do que durante os últimos noventa. Vi abraços sinceros. Vi estranhos acolhendo uns aos outros muito melhor do que familiares.

A existência de lugares daquele tipo ainda era controversa, eu mesma ainda não podia dizer que concordava, mas talvez houvesse sentido. Talvez algumas pessoas com vidas difíceis, ou solitárias, ou tristes demais precisassem de acolhimento e respeito no fim.

Mas por que a minha mãe, com uma boa vida, precisava daquele lugar?

Por que uma mulher, viúva de um dos homens mais ricos daquele tempo, com uma mansão cheia de empregados dispostos a fazerem todas as suas vontades com sorrisos nos rostos, precisava ir viver em uma simples casa na praia?

Eu fiz todas essas perguntas, mas tudo que ouvi foi: Helena, eu estou indo independente do que você pensa.

Fiz as malas e a segui, emburrada.

Minha mãe, até então uma senhora refinada, se adaptou tão bem naquela simplicidade que me peguei pensando que havia muitas coisas que eu não devia saber sobre ela. Aquela mulher, que eu conhecia há tantos anos, era um mistério completo para mim.

Quem era minha mãe, afinal?

Capítulo 2 O jovem acompanhante

Me afastei da janela quando a enfermeira apareceu para a primeira medicação do dia. Ajudava com as dores, apenas, e eu tinha desistido de perguntar um milhão de coisas que nunca conseguia entender.

- Bom dia, dona Maria Cecilia. – ela falou em um tom animado e gentil – Bom dia, Helena.

- Bom dia. – respondi com um sorriso educado.

Minha mãe se moveu um pouco e abriu os olhos.

- Olá, querida. – disse para a mulher ao seu lado em uma voz fraca.

Virei o rosto para a janela outra vez, e para a minha surpresa havia uma pessoa caminhando pela areia. Um rapaz muito jovem para estar hospedado na Casa da Vida – só podia ser acompanhante.

- Prontinho. – a enfermeira me distraiu – O café da manhã já está sendo servido.

Uma das coisas que ainda alimentava a minha esperança era minha mãe comer por vontade própria, mesmo que fossem poucas coisas – o que fazia a alimentação por outras vias ser essencial.

A ajudei a andar até a cadeira de rodas, o que levou vários minutos, então já haviam várias pessoas comendo quando chegamos até o refeitório.

Por puro instinto, passei os olhos ao redor para ver se o jovem rapaz estava ali – e sim. Como eu havia imaginado, ele estava sentado ao lado de uma senhora de bastante idade e muito bem arrumada.

Ao contrário do que se pode esperar de um lugar daqueles, sempre havia alegria e pessoas conversando em pequenos grupos. Não era uma algazarra, mas estava longe de parecer um velório em vida – que era o que eu tinha imaginado até chegar ali.

Minha mãe tinha seu grupo de amigas, Ivete e Olga, duas senhoras que se sentavam ao seu lado e conversavam sobre amenidades todas as manhãs enquanto nós duas comíamos e, basicamente, não contribuíamos em nada.

Naquela manhã em específico, eu não conseguia tirar os olhos do rapaz. Não somente por ele ser mais jovem que todos ali, mas também por ser homem – a maioria esmagadora era de mulheres, sempre.

Por um instante, como se ele estivesse sentindo a minha presença, seus olhos foram direto na minha direção. Eram verdes, penetrantes, e eu covardemente virei o rosto e não tive coragem de olhar outra vez.

Eu também era décadas mais jovem do que a maioria, mas aquele rapaz devia ser ainda mais novo do que eu. Me espantava que ele se propusesse a ser acompanhante de alguém porque viver por tempo indeterminado ali não era fácil.

Havia muita morte. Todas as semanas era a hora de alguém, e por um período anterior, houveram falecimentos todos os dias. Tinha que ter estômago para ver tudo aquilo acontecer.

Depois do café, levei minha mãe para tomar um sol na varanda. O cheiro de mar, que eu já estava completamente acostumada, nos atingiu e ela inspirou profundamente.

- O dia está lindo hoje. – comentou, como quase todos os dias. Ainda não tínhamos presenciado nenhum dia que não fosse ensolarado.

- Verdade, mãe. – concordei, como sempre.

Por um instante, ficamos em silêncio absoluto, apenas ouvindo o som do mar ao longe e observando outras pessoas se acomodarem no sol.

- Helena, acho que temos que conversar. – o tom inesperadamente sério e lúcido me pegou de surpresa.

- O que foi? – meu coração acelerou, crente de que ela iria anunciar que precisava realizar o último desejo porque sua hora estava chegando.

- Existem coisas sobre mim que você não sabe. – ela disse, olhando em direção ao mar.

Não era o que eu estava esperando, mas mesmo assim fiquei apreensiva.

Pensei em dizer que com certeza havia coisas que eu não sabia, nosso relacionamento tinha sido complicado a vida toda, mas mordi a língua. Algo me dizia que a sua frase era muito mais complexa do que estava parecendo e eu não precisava bancar a adolescente rebelde naquele ponto da vida.

- O que quer me contar, mãe? – em vez disso, mantive a voz suave.

- Minha vida. – finalmente seus olhos intensamente azuis focaram nos meus.

- O que quer dizer? – franzi a testa.

- Tudo, Helena. – ela limpou a garganta antes de continuar – Cada ponto que eu escondi de você.

Senti uma pontada de irritação pela palavra "escondi" – me dava a sensação de ser separada da parte importante da vida da minha mãe -, mas respirei fundo e ignorei isso. Minha mãe era muito mais do que apenas minha mãe, e isso eu já tinha aprendido há muito tempo.

- Pode me contar o que quiser. – tentei soar o mais aberta possível, mas era difícil tirar o tom de ordem da minha voz – Eu vou ouvir tudo que você quiser me contar. – a segunda tentativa soou muito melhor.

Maria Cecilia me olhava com um certo divertimento, como se soubesse o que eu estava tentando fazer – o que provavelmente era verdade. Minha mãe me conhecia muito bem, já tinha me visto em altos e baixos, triste e feliz, brigando e gritando e rindo e festejando. Ela sabia que eu estava tentando fazer o meu melhor dentro da situação que eu não concordava.

- Mais tarde. – disse por fim – Lá no quarto, com a privacidade que merecemos.

Não tentei nem dizer que eu estava me corroendo de curiosidade, não adiantaria, então segui com nossa rotina diária. Enquanto ela pegava seus preciosos minutos de sol, eu que não me interessava muito por isso, ia tomar um banho no nosso quarto.

A parte de dentro da Casa da Vida estava praticamente deserta, apenas alguns moradores mais debilitados que não queriam ir até o lado de fora e os funcionários circulando.

Parei instintivamente quando vi o rapaz de mais cedo sentado em um dos sofás, perto de uma janela com as cortinas abertas em uma área comum que era tipo uma sala para leitura ou assistir filmes.

Os olhos dele estavam focados em um livro, mas assim que parei abruptamente, os ergueu para mim com curiosidade.

- Oi. – me vi na obrigação de dizer, já que só estávamos os dois ali.

- Oi. – ele respondeu com um indício de sorriso, embora os olhos ainda fossem curiosos.

- Bem-vindo à Casa da Vida. – soei como uma funcionária animada – Não que seja bom estar aqui. – tentei melhorar, mas as sobrancelhas dele subiram – Não que seja ruim também, mas... – eu estava conseguindo piorar cada vez mais. – O que estou tentando dizer é... – respirei fundo – Embora essa muito provavelmente seja uma fase muito difícil, espero que se sinta bem vivendo aqui.

- Obrigado. – finalmente seu sorriso se abriu de forma mais sincera.

Ainda me sentindo um pouco ridícula, fui cuidar da minha vida antes que conseguisse dizer algo ainda mais estranho e acabasse criando uma inimizade.

Quinze minutos depois eu estava pronta, então busquei minha mãe e a posicionei com cuidado na cama, mais sentada do que deitada. Depois de colocar travesseiros e almofadas que a deixassem o mais confortável possível, fui me sentar perto da janela.

- Certo... – ela sorriu para mim – Vamos conversar.

- Vamos conversar. – concordei, me controlando para não torcer uma mão na outra.

- Sinto que você me conhece muito pouco. – ela começou, mesmo com toda a postura confiante, parecia um pouco insegura.

- Também sinto isso, mãe. – concordei – E sei que muito disso é minha culpa e...

- Não, Helena. – ela me cortou – Não vamos transformar isso em uma sessão de terapia. Eu só quero te contar sobre a minha vida, nada mais.

Senti como se um peso tivesse sido tirado dos meus ombros.

- Não é porque eu estou morrendo que você precisa assumir todas as culpas do mundo. – agora Maria Cecilia estava no controle da situação novamente – Nossa relação foi complicada, eu sei e você sabe. Vamos aceitar esse fato.

- Vamos. – balancei a cabeça, verdadeiramente surpresa.

- Sei que você não sabe basicamente nada do meu passado. – prosseguiu – Nada de antes de me casar, nada da infância.

- Não sei. – concordei, mais uma vez balançando a cabeça – É sobre isso que quer falar?

- Sim. Sobre minha origem e tudo que veio depois, antes da parte rica. – seus olhos se fecharam.

- Antes da parte rica? – repeti, incrédula – Quer dizer que houve um tempo em que não era rica?

- Ah, Helena... – um sorriso surgiu em seu rosto cansado – Houveram muitas coisas antes da parte rica. Uma parte grande da minha vida veio antes de todo esse dinheiro.

Capítulo 3 Uma origem simples

Minha família era de um lugar muito parecido com esse, onde todas as pessoas se conheciam e viviam da pesca no mar.

Quando nasci, a primeira filha, meu pai ficou decepcionado porque não era um garoto que fosse ajudá-lo no trabalho. Minha mãe fez de tudo para ter outros filhos, e então vieram meus dois irmãos mais novos.

Assim que tiveram idade, os dois garotos foram para o mar com meu pai e eu ficava sozinha com a minha mãe e as tarefas tediosas da casa.

No tempo livre, eu andava pela areia e conversava com qualquer pessoa que aparecesse porque minha casa era silenciosa demais. Durante o dia, minha mãe não falava nada além do necessário, e durante a noite, nosso pai não queria barulho sem propósito.

Aprendi a ler, escrever e fazer contas porque uma professora aparecia para ensinar as crianças. Nós nos sentávamos sob árvores e absorvíamos cada palavra que ela dizia, e quando chovia ficávamos tristes porque não havia lugar para aprender.

Um dia, quando eu tinha dezesseis anos, a professora não apareceu. Esperamos por dias, ansiosos, mas ela não mandou nem mesmo um recado para explicar porque nossas aulas não aconteceriam mais.

Lembro de sentir que a vida era muito pequena. Eu provavelmente me casaria com algum pescador e viveria uma vida como a da minha mãe. Não era empolgante, mas na minha cabeça daquela época, não haviam outras ambições para pessoas como nós.

Mesmo tão jovem, meu pai já recebia propostas para casamento comigo. A maioria eram de homens mais velhos, alguns viúvos que queriam alguém que cuidasse de seus filhos e da casa, mas haviam alguns tão jovens quanto eu e com olhares similares de falta de expectativa com a vida.

Só o que me impediu de estar em uma vida com a minha mãe, foi a negativa que meu pai deu a cada um deles. Não sei porque ele não se interessou em nenhuma proposta, mas ficava aliviada cada vez que um pretendente era desprezado.

Eu tinha uma amiga, uma dessas que a gente sempre recorre quando precisa se sentir acolhida, e o pai a obrigou a casar aos quinze anos. Não aguentou ao parto, e aquele foi um dos momentos mais tristes da minha vida.

Na noite da morte dela, sai escondida de casa e me ajoelhei diante do mar. Estava calor e a brisa fresca arrepiava minha pele.

Foi a primeira vez que desejei que minha vida fosse diferente, que eu pudesse ir para longe de situações como aquela. Eu não queria ser minha mãe, não queria ter um marido como meu pai e muito menos um monte de filhos que iriam para o mar todos os dias.

Claro que a rotina me sufocou e todas as ideias revolucionárias foram abafadas em uma semana.

A primeira vez que vi alguém de fora foi aos dezoito anos. Foi um rapaz que veio encontrar com o pai pela primeira vez porque a mãe tinha morrido uns meses antes.

Foi um escândalo porque o pai em questão era casado e pai de outros quatro filhos. A briga dos dois podia ser ouvida em cada casa ao redor.

Acho que foi a primeira vez que nós percebemos que os homens iam para outros lugares, apenas nós éramos prisioneiras naquele vilarejo. Minha mãe ficou apreensiva por semanas, talvez esperando que algo semelhante acontecesse na nossa família.

Augusto, o rapaz causador da discórdia, era educado e gentil e, aparentemente, ficou verdadeiramente sem graça por descobrir que seu pai tinha duas famílias.

- Eu não sei se ela sabia. - ele me disse, sem nenhum tipo de apresentação ou cumprimento.

- Como disse? - olhei ao redor, sem entender se ele realmente falava comigo.

- Não sei se minha mãe sabia que meu pai tinha outra família. - saiu como um som de desabafo, e eu percebi que ele se sentia culpado pela briga toda.

- Não vai perguntar ao seu pai? - perguntei, intrigada pelo seu jeito.

- Ninguém fala comigo. - ele deu de ombros - Nem mesmo sou aceito na casa. Estou dormindo ao relento.

Foi assim que me aproximei de Augusto. Senti pena por ele estar sem teto e ao mesmo tempo preso naquele lugar, sem ter para onde ir.

Não tenho vergonha de dizer que levei toda a comida que consegui, sem chamar a atenção, no meio da noite, para ajudá-lo. Era impossível até mesmo trabalhar, já que ninguém queria se posicionar no meio de toda aquela confusão.

Augusto foi meu primeiro amor.

Não aconteceu do dia para a noite, foi algo que foi crescendo com o tempo, enquanto eu o via comer com as mãos sob a luz do luar e fingia não notá-lo perambulando pela praia durante o dia.

Não sabia quantos anos ele tinha, sabia instintivamente que não poderia ter uma idade muito diferente da minha, mas não pensava em perguntar coisas assim quando estava ao seu lado.

- Gosto de você, Maria Cecilia. - ele me disse, depois de colocar o prato vazio de lado, e apoiou a mão quente na minha perna.

Houve um estalo dentro de mim, como uma porta emperrada se abrindo, e senti coisas que nunca estiveram disponíveis antes. Foi uma enxurrada de sensações, de pensamentos e desejos oprimidos pelos anos de isolamento em um lugar como aquele.

Eu decidi que o queria, independente do que todas as pessoas fossem pensar - inclusive meus próprios pais. Pela primeira vez, nada parecia mais importante do que minhas vontades.

Não cheguei nem a pensar sobre as consequências de minhas ações, sobre o que poderia acontecer se eu mergulhasse de cabeça em Augusto como se o mundo não estivesse acontecendo ao nosso redor.

Eu só queria viver. Viver por mim mesma.

Segurei seu rosto com as duas mãos. Ainda posso sentir sua pele suada sob meus dedos e ver seus olhos ficarem tão próximos que eu não conseguia mais focá-los.

Augusto me tomou em seus braços como eu nunca tinha visto nenhum casal fazer. Não sabia se não era comum ou se todos faziam escondido das outras pessoas, mas adorei o calor de sua pele e a pressão de seus dedos.

- Você é o que faz tudo que aconteceu valer a pena. - ele sussurrou no meu ouvido.

- Você apareceu para salvar meus dias. - respondi no mesmo tom.

- Maria... - ele colocou as duas mãos no meu rosto, tirando o cabelo do caminho - Sou todo seu, independente do que aconteça.

Eu não esperava que nada fosse acontecer, estava me encontrando com ele há meses sem ninguém perceber e tinha certeza de que poderia continuar com isso indeterminadamente.

Eu era tão inocente, e estava tão errada.

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