Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Moderno > A Chuva do Funeral e a Vingança Fria
A Chuva do Funeral e a Vingança Fria

A Chuva do Funeral e a Vingança Fria

Autor:: Shui Qing Ying
Gênero: Moderno
A chuva caía impiedosa sobre o meu guarda-chuva no dia do funeral do meu pequeno Leo. Eu estava ali, encharcada pela dor e pela água fria, a enterrar o meu filho. Mal sabia eu que o meu marido, Pedro, estava noutro lado, sob luzes quentes e risos, a escolher um anel de noivado para a sua amante. O choque veio numa fotografia enviada pela irmã dela: Pedro e Sofia, um sorriso que eu não via há anos, um diamante a brilhar. A mensagem que a acompanhava era um tiro no coração dormente: "Ele nunca te amou. O filho que perdeste? Ele nunca o quis. Ele só está contigo por causa do dinheiro da tua família." O meu telemóvel caiu na lama, e o meu mundo virou-se. Ele, ocupado a construir uma nova vida com outra, enquanto o meu filho jazia sob a terra. A raiva, fria e cortante, varreu o torpor do luto. E quando liguei, ouvi a voz dela ao fundo, e a mentira dele: "Ninguém." Não era apenas uma traição; era a aniquilação de tudo o que eu pensava ser verdade. Saber que ele engravidou a amante enquanto o nosso filho crescia dentro de mim... essa foi a última gota. O meu coração, que eu pensava estar morto, ardeu em fúria. Eu não queria mais chorar, eu queria justiça. E a minha vingança, fria e calculada, ia começar agora.

Introdução

A chuva caía impiedosa sobre o meu guarda-chuva no dia do funeral do meu pequeno Leo.

Eu estava ali, encharcada pela dor e pela água fria, a enterrar o meu filho.

Mal sabia eu que o meu marido, Pedro, estava noutro lado, sob luzes quentes e risos, a escolher um anel de noivado para a sua amante.

O choque veio numa fotografia enviada pela irmã dela: Pedro e Sofia, um sorriso que eu não via há anos, um diamante a brilhar.

A mensagem que a acompanhava era um tiro no coração dormente: "Ele nunca te amou. O filho que perdeste? Ele nunca o quis. Ele só está contigo por causa do dinheiro da tua família."

O meu telemóvel caiu na lama, e o meu mundo virou-se.

Ele, ocupado a construir uma nova vida com outra, enquanto o meu filho jazia sob a terra.

A raiva, fria e cortante, varreu o torpor do luto.

E quando liguei, ouvi a voz dela ao fundo, e a mentira dele: "Ninguém."

Não era apenas uma traição; era a aniquilação de tudo o que eu pensava ser verdade.

Saber que ele engravidou a amante enquanto o nosso filho crescia dentro de mim... essa foi a última gota.

O meu coração, que eu pensava estar morto, ardeu em fúria.

Eu não queria mais chorar, eu queria justiça.

E a minha vingança, fria e calculada, ia começar agora.

Capítulo 1

No dia do funeral do meu filho, o meu marido, Pedro, estava a escolher um anel de noivado para a sua amante, Sofia.

Eu estava no cemitério, a chuva fria a encharcar-me, a terra a colar-se aos meus sapatos.

Ele estava numa joalharia de luxo, sob luzes quentes, a rir com ela.

Eu sei disto porque a irmã da Sofia, a Clara, enviou-me a fotografia.

Na imagem, Pedro segura a mão de Sofia, o diamante a brilhar. O sorriso dele é largo, feliz. Um sorriso que eu não via há anos.

Junto com a foto, uma mensagem de texto.

"Eva, ele nunca te amou. O filho que perdeste? Ele nunca o quis. Ele só está contigo por causa do dinheiro da tua família."

O meu telemóvel caiu na lama.

Eu não chorei. As lágrimas tinham secado há dias.

O meu corpo inteiro estava dormente, frio como a lápide à minha frente.

O nome do meu filho, Leo, estava gravado nela. Ele viveu apenas três dias.

Três dias.

Voltei para casa, a casa que partilhava com o Pedro. Estava vazia. Silenciosa.

As coisas do bebé ainda estavam no quarto. O berço, os brinquedos, as pequenas roupas que eu tinha lavado e dobrado com tanto cuidado.

Sentei-me no chão do quarto do Leo. O cheiro a pó de talco ainda estava no ar.

Peguei no telemóvel outra vez. Disquei o número do Pedro.

Ele atendeu ao segundo toque. A sua voz estava irritada.

"Eva? O que queres? Estou ocupado."

"Ocupado?", a minha voz saiu rouca, um som estranho. "Onde estás, Pedro?"

"Estou numa reunião importante. Não me incomodes com trivialidades. Já não chega o que aconteceu?"

Ouvi a voz da Sofia ao fundo, a rir.

"Pedro, querido, quem é?"

"Ninguém," ele respondeu-lhe rapidamente, a sua voz a suavizar para ela. "Apenas um telefonema de trabalho."

"Ninguém," repeti eu para o quarto vazio.

"Olha, Eva, falamos mais tarde. Sê razoável."

Ele desligou.

Olhei para a fotografia outra vez. O anel. O sorriso.

"Sê razoável."

A raiva subiu, quente e forte, pela primeira vez em dias. Queimou o torpor.

Ele estava a pedir-me para ser razoável enquanto o nosso filho estava a ser enterrado.

Ele estava a pedir-me para ser razoável enquanto comprava um anel para outra mulher.

Peguei num saco grande. Comecei a colocar as coisas do Pedro lá dentro. As suas roupas caras, os seus sapatos, os seus relógios.

Trabalhei depressa, com um propósito. Cada item que eu tocava parecia sujo.

Quando terminei, arrastei os sacos para a porta da frente.

Liguei-lhe outra vez.

Ele não atendeu.

Enviei uma mensagem de texto.

"As tuas coisas estão à porta. Vem buscá-las. Quero o divórcio."

A resposta dele foi quase imediata.

"Enlouqueceste? Para com este drama. O nosso filho acabou de morrer, e é nisto que pensas? Não tens coração?"

O meu filho.

Ele usou o meu filho contra mim.

O meu coração, que eu pensava estar morto, partiu-se um pouco mais.

Não respondi.

Em vez disso, liguei ao meu advogado.

Capítulo 2

O meu advogado, o Sr. Alves, foi rápido. Ele conhecia a minha família há anos.

"Eva, tens a certeza?", perguntou ele ao telefone, a sua voz calma e profissional.

"Absoluta," respondi eu, a minha voz firme. "Quero tudo a que tenho direito. E quero-o fora da minha casa."

A casa pertencia à minha família. Um presente de casamento dos meus pais.

"Ele vai lutar, Eva. Ele não vai desistir facilmente do estilo de vida."

"Eu sei," disse eu. "É por isso que te liguei."

Desliguei e olhei em volta para a casa silenciosa. Era grande demais, vazia demais.

O Pedro chegou uma hora depois. Ele não bateu. Usou a sua chave e entrou de rompante.

O seu rosto estava vermelho de fúria.

"Que raio pensas que estás a fazer?", gritou ele, a apontar para os sacos.

Eu estava sentada no sofá, imóvel. "Estou a pedir o divórcio."

"Por causa de uma fotografia estúpida? A Clara odeia a irmã, ela faria qualquer coisa para causar problemas!"

"Não é por causa da fotografia, Pedro. É por causa disto." Apontei para o quarto do Leo. "É por não estares lá. É por estares com ela."

Ele aproximou-se, a sua raiva a transformar-se em algo mais manipulador.

"Eva, meu amor, tu não estás a pensar bem. Estás de luto. Estás confusa."

Ele tentou tocar-me, mas eu recuei.

"Não me toques."

O seu rosto endureceu outra vez. "Não podes fazer isto. Nós passámos por tanto juntos."

"Não, Pedro. Eu passei por tanto. Tu estiveste ausente."

"Isso não é justo! Eu trabalho muito para nos dar esta vida!"

"Esta vida?", ri amargamente. "Esta vida é financiada pelos meus pais. Tu trabalhas, sim, mas gastas o teu dinheiro em ti e nela."

O seu silêncio foi uma confissão.

"Pega nas tuas coisas e sai," disse eu, a minha voz baixa e fria.

"Não vou a lado nenhum. Esta é a minha casa."

"Não, não é. O meu advogado vai contactar o teu. Agora, sai."

Ele olhou para mim, os seus olhos a calcular. Ele viu que eu não estava a ceder.

A sua postura mudou. A raiva desapareceu, substituída por um desprezo gelado.

"Vais arrepender-te disto, Eva."

Ele agarrou nos sacos, a arrastá-los pelo chão de madeira que os meus pais tinham pago.

Quando ele saiu, bateu a porta com tanta força que um quadro na parede caiu e o vidro partiu-se.

Eu não me mexi.

Apenas ouvi o som do seu carro a arrancar e a desaparecer.

Então, o silêncio regressou. Mais pesado do que antes.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022