Eu estava destruída em uma cama de hospital depois de um acidente de carro brutal.
Mas minha família nunca apareceu.
Meu pai e meu irmão estavam ocupados demais preparando o casamento da minha meia-irmã manipuladora, Aline.
O noivo era o meu noivo, Caio.
Enquanto eu lutava pela vida, suas últimas palavras para mim ao telefone foram uma ordem fria e cruel.
"Por mim, você pode ir para o inferno."
Eles me abandonaram, disseram ao mundo que eu estava morta e até gravaram meu nome em uma lápide. Me enterraram sob uma montanha de mentiras para que Aline pudesse roubar a vida que era minha.
Mas eu não morri. Eu renasci.
Cinco anos depois, eu voltei como Isabela Ricci - uma autora de best-sellers, casada com um CEO de tecnologia e apoiada por uma família com um poder inimaginável.
Eu só voltei para resolver o inventário da minha mãe. Mas a primeira pessoa que encontrei foi Caio, parado em frente ao meu túmulo, de luto pela garota que ele ajudou a matar.
Capítulo 1
Ponto de Vista: Isabela
Eu vi meu próprio túmulo hoje. Não em um sonho, não em uma metáfora, mas uma lápide real e fria, de pé inocentemente ao lado da da minha mãe, sob um salgueiro-chorão. Foi a primeira coisa que me atingiu quando dirigi meu carro alugado pelos portões enferrujados do cemitério da família Dantas, um lugar onde jurei que nunca mais colocaria os pés por vontade própria. O nome esculpido no granito cinza era inegavelmente o meu: ISABELA DANTAS. Abaixo, as mentiras mais cruéis: "Amada Filha, Noiva Querida."
Um arrepio percorreu minha espinha, mas não era do frio do outono. Foi o choque paralisante de ver meu eu do passado tão bem posto para descansar, um eco doloroso da vida que eu havia deixado para trás. A pedra era nova, mais nova que a da minha mãe, e perturbadoramente impecável. Em sua base, um buquê desbotado de lírios de plástico murchava ao lado de um medalhão de prata manchado. Era o medalhão que Caio me deu no colégio, aquele que eu pensei que guardava seu coração.
Um velho coveiro, seu rosto um mapa de rugas, passou arrastando os pés. Ele provavelmente cuidava desses túmulos desde antes de eu nascer. Ele semicerrou os olhos para mim, depois para a lápide.
"Nossa senhora", ele murmurou, sua voz rouca. "Por um segundo, pensei que você era um fantasma. É a cara da pobre Isabela Dantas. O mesmo cabelo escuro, os mesmos olhos tristes." Ele deu uma risadinha, um som seco e arrastado. "Mas ela já se foi há cinco anos, coitadinha."
Senti uma frieza se espalhar por mim, mais profunda que qualquer túmulo.
"Apenas uma coincidência", eu disse, minha voz neutra. Eu não o corrigi sobre a parte dos "olhos tristes". Meus olhos não eram mais tristes. Eram afiados.
Ele deu de ombros, apoiando-se em seu ancinho. "Se a senhora diz. Mas você é igualzinha a ela. Uma Dantas de corpo e alma."
Engoli em seco, o nome como cinzas na minha língua.
"Meu nome é Isabela Ricci", corrigi-o, endireitando a postura. "Sou uma autora de best-sellers de Nova York. Estou aqui para resolver o inventário da minha falecida mãe." Não era para me gabar, apenas uma constatação de fato. Uma declaração.
Ele piscou, nem um pouco impressionado. "Ah. Bem, bom para a senhora, eu acho." Ele voltou a varrer as folhas caídas, o som mundano um contraste gritante com o terremoto que sacudia meu interior.
Isabela Ricci. Esposa de César Andrade, um CEO de tecnologia cujo nome poderia abrir qualquer porta. Mãe de um menino brilhante que ria como a luz do sol. Minha vida foi construída sobre rocha sólida, uma fortaleza de amor e sucesso que eu construí meticulosamente, tijolo por tijolo. A mulher deitada sob aquela pedra, Isabela Dantas, era o fantasma de um pesadelo do qual eu havia escapado há muito tempo.
Isabela Dantas era a garota que amava demais, confiava cegamente. Foi ela quem foi abandonada em uma cama de hospital, com seu pai e irmão escolhendo um casamento em vez de seus ferimentos críticos. Foi ela cujo noivo, Caio, dançou com sua meia-irmã manipuladora, Aline, enquanto ela lutava pela vida. Isabela Dantas morreu naquele dia, não debaixo de um carro, mas sob o peso da traição deles.
Eu mesma a enterrei, pedaço por pedaço agonizante, nos últimos cinco anos. Ela merecia um enterro adequado, pensei, um fim silencioso para uma vida que foi tão brutalmente interrompida pelas mesmas pessoas que diziam amá-la. Mas ver seu nome gravado em pedra, um monumento à mentira conveniente deles, era uma ferida nova.
O túmulo da minha mãe estava a poucos metros de distância, um pequeno monte marcado por uma pedra simples. Essa era a verdadeira razão de eu estar aqui. Não para lamentar um fantasma, mas para honrar a única pessoa naquela família que realmente me amou. Respirei fundo, afastando a imagem do meu próprio túmulo fictício. Meu propósito era claro. Isso era uma limpeza. Um encerramento de contas.
"Isabela?"
A voz era um murmúrio baixo, familiar, mas chocante, como uma melodia esquecida de um pesadelo. Eu congelei, minha mão pairando sobre a alça da minha bolsa. Eu conhecia aquela voz. Estava rouca, cheia de uma descrença que imitava a minha.
Eu não me virei. Não conseguia. Eu só queria chegar ao túmulo da minha mãe, prestar minhas homenagens e deixar este lugar amaldiçoado para sempre. Apressei meus passos, meus saltos afundando levemente na terra macia.
Uma mão, surpreendentemente firme, agarrou meu braço, me parando no lugar.
"Isabela, é você mesmo?"
Eu me virei bruscamente, meus olhos em chamas, pronta para atacar. Caio Gomes estava lá, cinco anos mais velho, um pouco mais pesado, mas ainda inconfundivelmente ele. Seu aperto era doloroso, seus olhos arregalados e injetados de sangue, fixos em mim como se eu fosse um espectro. O coveiro parou de varrer, seu olhar alternando entre nós, intrigado.
"Como você está viva?", ele sussurrou, sua voz falhando. Ele parecia genuinamente abalado, seu rosto bonito pálido de choque.
Puxei meu braço com força, a pele protestando.
"Isso não é da sua conta, Caio." Minha voz era fria, desprovida de emoção. Enquanto eu olhava para ele, meu olhar caiu sobre os lírios de plástico desbotados que ele segurava com força. Os mesmos do meu túmulo.
Cinco anos. Cinco longos anos. E ele ainda estava aqui, ainda de luto por uma garota que ele ajudou a matar. Seus olhos estavam vermelhos, sua mandíbula tensa. Era culpa que eu via? Ou apenas o choque de ver um fantasma?
Ponto de Vista: Isabela
Observei o velho coveiro se afastar, sua curiosidade satisfeita por enquanto. Caio ainda estava lá, uma estátua de incredulidade, agarrando aqueles patéticos lírios de plástico. O silêncio se estendeu entre nós, denso com anos não ditos e feridas infeccionadas.
Ele finalmente se moveu, jogando os lírios descuidadamente na grama, suas pétalas desbotadas uma triste mancha de cor contra a terra úmida. Seus olhos, embora ainda injetados, endureceram com uma raiva familiar.
"Como você ousa?", ele cuspiu, sua voz baixa e perigosa. "Como você ousa aparecer aqui como se nada tivesse acontecido? Cinco anos, Isabela! Cinco anos nós pensamos que você estava morta! Você gostou de nos ver de luto por você? Gostou de nos fazer sentir culpados?"
Culpados? A palavra tinha gosto de veneno na minha boca. Eu quase ri.
"Culpados?", repeti, um divertimento frio no meu tom. "Vocês se sentiram culpados?"
Ele recuou, sua mandíbula se contraindo. "Claro que sim! Meu Deus, Isabela, você tinha sumido! Tivemos um funeral, um túmulo para você!" Ele gesticulou descontroladamente em direção à lápide. "Você sabe o que isso fez comigo? Com a Aline? Com a sua família?"
Minha família. A dor daquelas palavras, a memória de sua traição, era uma pontada surda no meu peito. Lembrei-me da última vez que o vi, que realmente o vi. Foi um borrão de luzes piscando e metal retorcido, uma luta frenética para respirar.
"Você me ligou do hospital", eu disse, minha voz mal um sussurro, mas cortou o ar entre nós. "Minha perna estava estilhaçada, minhas costelas quebradas. Os médicos não tinham certeza se eu sobreviveria."
Ele recuou, como se tivesse sido atingido. "Eu... eu sei. Foi terrível, Isabela, de verdade."
"Terrível?" Eu ri então, um som áspero e quebradiço. "Você me disse que não podia vir. Disse que tinha 'outras obrigações'. Disse que sentia muito, mas a Aline precisava mais de você."
As palavras saíram tropeçando, cada uma um caco afiado de memória.
Flashback
"Caio, por favor", eu murmurei, minha garganta arranhando. O quarto do hospital cheirava a antisséptico e desespero. "Estou com medo. Eles disseram que talvez eu não ande de novo."
Sua voz ao telefone era distante, tensa. "Eu sei, Isa. Sinto muito. De verdade. Mas a Aline... ela está passando por um momento tão difícil com tudo isso. Ela precisa que eu seja forte por ela. O papai Donato já está tão estressado com os preparativos do casamento."
"Os preparativos do casamento?", engasguei, lágrimas ardendo em meus olhos. "Caio, nosso casamento ainda está a semanas de distância. E o casamento dela com você é amanhã!"
Ele suspirou, um som impaciente. "É complicado, Isa. Você sabe como a Aline é. Tão frágil. Todo esse acidente a deixou no limite. Ela precisa que eu esteja lá amanhã. Para a prova do vestido. Para o jantar de ensaio. Ela não consegue fazer isso sem mim."
"Mas eu estou morrendo, Caio!", gritei no telefone, minha voz falhando. "Eu estou morrendo, e você está escolhendo ela em vez de mim! Você está escolhendo a Aline, a mulher que roubou meu anel de noivado, a mulher que disse a todo mundo que eu estava fingindo meus ferimentos para chamar a atenção!"
Houve um longo silêncio. Então, sua voz, fria e desprovida de qualquer calor. "Sabe de uma coisa, Isabela? Talvez seja melhor se você simplesmente... desaparecer. A Aline merece felicidade. Felicidade de verdade. Não esse drama que você constantemente traz. Apenas vá. Vá para o inferno, por mim."
Fim do Flashback
"Vá para o inferno", repeti, meu olhar fixo nele. "Essas foram suas palavras exatas, não foram, Caio? 'Vá para o inferno'. Eu apenas segui seu conselho."
Seu rosto era uma máscara de confusão, depois raiva. "Isso foi só... uma hipérbole! Eu estava estressado! Estávamos todos estressados! Você sempre foi tão dramática, Isabela. Sempre fazendo tudo ser sobre você." Ele passou a mão pelo cabelo, me olhando de cima a baixo. "Mas olhe para você. Você... você está bem. Na verdade, você está incrível. Roupas novas? Corte de cabelo novo? Isso é algum tipo de jogo doentio? Você fingiu sua morte para se vingar de nós, não foi? Para me fazer sentir mal?"
Ele se aproximou, um sorriso presunçoso se formando em seus lábios. "Bem, funcionou. Por um tempo. Mas Aline e eu estamos felizes. Realmente felizes. Você não estragou nada." Ele gesticulou vagamente em direção à lápide. "Se este é o seu grande retorno, tentando me fazer arrepender, você chegou tarde demais. Olha, Isabela, se você quer voltar, talvez possamos conversar. A Aline sempre teve um carinho por você, apesar de tudo. Mas você terá que se desculpar. Por essa palhaçada. E por perturbar a paz dela."
Eu não aguentava mais. A audácia, a autopiedade, a pura ilusão.
"Você é verdadeiramente patético", eu disse, minha voz pingando desprezo. "Eu não voltei por você, Caio. Eu não voltei pela Aline, ou pelo Diego, ou pelo Donato. Eu voltei pela minha mãe. E nada mais."
Dei um passo para passar por ele, indo em direção à saída do cemitério.
"Faça um favor a si mesmo, Caio", gritei por cima do ombro, sem me dar ao trabalho de olhar para trás. "Pegue aqueles lírios de plástico. Eles combinam mais com você do que qualquer flor de verdade jamais combinaria."
Ouvi seu suspiro engasgado, mas continuei andando. Eu não ia deixar que ele me puxasse de volta para aquele pântano tóxico. Nunca mais.
Ponto de Vista: Isabela
Caio ficou paralisado, como um cervo pego pelos faróis, enquanto minhas palavras pairavam no ar fresco do outono. Não lhe dediquei outro olhar. Meu passo acelerou, cada um me levando para mais longe do passado ao qual ele tentava se agarrar desesperadamente.
"Isabela! Espere!", ele chamou, sua voz tingida com uma estranha mistura de desespero e confusão. "Donato... seu pai... ele quer te ver! Teremos uma festa de aniversário hoje à noite, uma pequena reunião de família. Por favor, apenas venha! Fale com ele!"
Hesitei por uma fração de segundo. A ideia de encarar Donato, de voltar para aquela casa dos horrores, fez meu estômago se contrair. Mas então a imagem do túmulo solitário da minha mãe brilhou em minha mente, e a raiva se acendeu novamente. Todos eles me abandonaram. Por que eu deveria olhar para trás? Empurrei o portão enferrujado do cemitério e saí para a rua, fazendo sinal para um táxi que passava.
Meu coração martelava contra minhas costelas enquanto o táxi se afastava, deixando o cemitério e Caio para trás. As velhas feridas, infeccionando logo abaixo da superfície, começaram a doer. Donato Dantas. Meu pai. O homem que fora tão consumido pela culpa por seu caso extraconjugal que me apagou sistematicamente de sua vida para expiar um pecado que ele cometeu.
Lembrei-me do funeral da minha mãe, cinco anos atrás. Minha perna ainda estava engessada, meu corpo machucado e quebrado pelo acidente que eles convenientemente ignoraram. Donato estava na frente, seu rosto manchado de lágrimas, mas seu braço estava em volta de Aline, que soluçava dramaticamente em seu ombro. Ela era sempre a vítima. Mesmo então, depois que minha mãe, sua esposa, morreu, ele escolheu sua filha ilegítima, o produto de sua traição, em vez de mim, sua filha legítima.
"Isabela, não seja tão dramática", ele sibilou para mim quando tentei me aproximar, apoiando-me pesadamente em minhas muletas. "Aline precisa de consolo agora. Você está apenas chamando a atenção para si mesma."
Donato sempre me viu como a "forte", aquela que aguentava tudo. Essa força se tornou minha maldição. Significava que Aline sempre precisava de mais, merecia mais, exigia mais. Ela conseguiu a atenção do meu pai, a proteção do meu irmão Diego e, eventualmente, até mesmo meu noivo, Caio.
O acidente de carro que quase me matou foi o prego final no caixão. Eu estava deitada em uma cama de hospital, mal consciente, quando a enfermeira me trouxe o telefone. Era Donato.
"Filha?", sua voz era rude, distante. "Como você está?"
"Pai", sussurrei, minha voz fraca. "Eles disseram que é grave. Minha coluna... eles não têm certeza se vou andar de novo."
Houve uma pausa. Uma pausa longa e agonizante. "Bem, você sempre foi uma lutadora, Isabela. Você vai ficar bem."
"Você pode vir?", implorei, lágrimas brotando. "Por favor, estou com tanto medo. Eu só preciso de você aqui."
Outro suspiro. "Isabela, você sabe que não posso. É o grande dia da Aline amanhã. O casamento dela com o Caio. Não posso decepcioná-la. Toda essa história com o seu acidente... já estragou o clima. Ela está tão chateada. Preciso estar lá por ela."
Lembro-me de desligar o telefone, o plástico frio escorregando de meus dedos trêmulos. A enfermeira, uma mulher de rosto gentil cujos olhos continham uma pena que eu não suportava, o pegou gentilmente. Ela não disse nada, mas seu olhar dizia tudo. Foi então que eu soube. Eu estava verdadeiramente sozinha. Minha família havia escolhido Aline, escolhido uma mentira, escolhido a conveniência em vez da minha vida.
Inconscientemente, toquei a cicatriz desbotada que serpenteava pela minha clavícula, uma dor fantasma persistindo mesmo depois de todos esses anos. Aquela garota, aquela que eles deixaram para morrer, estava enterrada sob aquela pedra. E já foi tarde.
O táxi parou em frente ao luxuoso flat que eu havia alugado. Era uma base temporária, uma zona neutra, muito distante dos fantasmas do meu passado. Paguei o motorista e entrei, o silêncio dos cômodos vazios uma mudança bem-vinda do barulho do cemitério.
Meu telefone vibrou. Era uma chamada de vídeo de César. Meu coração se aqueceu instantaneamente. Atendi, e seu rosto bonito preencheu a tela, seguido pelo nosso filho, Léo, rindo ao fundo.
"Mamãe!", Léo gritou, seu rostinho radiante. "Quando você volta pra casa? O papai disse que você está numa missão super importante!"
"Logo, meu amor, muito logo", eu disse, um sorriso genuíno finalmente enfeitando meus lábios. "A mamãe está com saudades."
César sorriu, seu olhar cheio do amor firme e incondicional que eu sempre desejei. "Tudo bem, meu bem? Você parece um pouco... despenteada."
"Só um dia longo", menti suavemente. "Lidando com papelada."
Nesse momento, a tela mudou, e meu pai adotivo, Arthur Ricci, apareceu. Seus olhos gentis continham uma pitada de preocupação. "Isabela, querida, tudo está correndo conforme o planejado, confio? Arnoldo me informou que você chegou em segurança."
Arnoldo. Meu irmão adotivo, o arquiteto brilhante que me encontrou quebrada e abandonada e me trouxe para a família Ricci. Ele provavelmente já estava cuidando de mim, mesmo de longe.
"Está tudo bem, pai", eu o tranquilizei. "Apenas amarrando as pontas soltas. Estarei de volta antes que você perceba."
"Bom", disse Arthur, sua voz firme. "E lembre-se, você nos tem agora, querida. Qualquer coisa que precisar, qualquer problema, nos ligue. Nós somos sua família."
Um nó se formou na minha garganta. Família. A palavra, antes tão manchada, agora tinha gosto de calor e segurança. Essas eram as minhas pessoas. Minha verdadeira família.
"Eu sei, pai", sussurrei, minha voz embargada de emoção. "Eu sei."
Conversamos por mais alguns minutos, Léo contando sobre seu dia, César verificando meu humor, Arthur me lembrando de comer direito. Quando finalmente desliguei, uma profunda sensação de paz se instalou sobre mim. Os fantasmas do cemitério, a amargura do passado, pareciam recuar, substituídos pela realidade vibrante e amorosa do meu presente. Era um lembrete gritante do que eu havia ganhado e do que eu havia verdadeiramente deixado para trás.