No batizado do sobrinho do meu marido, eu o vi do outro lado do salão de festas, segurando um recém-nascido com outra mulher. Eu estava grávida de quatro meses do seu herdeiro, mas ele apresentava o filho dela como se fosse seu.
Ele havia construído um império criminoso, e nosso casamento era uma aliança estratégica. Mas agora, os homens que brindaram ao nosso casamento o parabenizavam pelo filho de outra mulher, seus olhares passando por mim como se eu fosse invisível. Minha mãe confirmou meus piores medos: ele vinha pagando o apartamento de sua amante há meses.
Sua amante, Selena, me encurralou, sua voz escorrendo veneno.
"Ele me escolheu. E ao nosso filho."
O estresse provocou cólicas agudas e excruciantes, mas quando meu marido, Dante, correu até nós, ele tomou o lado dela.
"Abaixa o tom", ele ordenou. "Você está fazendo uma cena."
Ele me acusou de ser histérica, de encurralar sua amante frágil que acabara de dar à luz. Em meio a uma névoa de dor, eu o vi protegê-la de mim, sua esposa, me mandando para casa para "ser racional".
A humilhação pública foi total. Aniquiladora. No escritório do advogado, Selena me deu um tapa, depois derrubou o bebê conforto do próprio filho e gritou que eu tinha atacado a criança dela. Dante acreditou nela sem questionar. Enquanto eu desabava de dor, a última coisa que vi foram as costas dele enquanto se afastava com sua nova família.
Acordei no hospital. Ele chegou com a amante, não para ver se eu estava bem, mas para exigir que eu pedisse desculpas a ela.
Naquele momento, a mulher com quem ele se casou morreu. E em seu lugar, uma nova pessoa nasceu.
Capítulo 1
Ponto de Vista: Sofia
Os lustres de cristal do salão de festas pareciam chorar luz sobre a cena da demolição da minha vida. Eu vi meu marido, Dante Moretti, do outro lado do salão.
Ele não estava olhando para mim. Seu olhar estava fixo no recém-nascido aninhado nos braços de outra mulher, uma expressão de ternura paternal em seu rosto que eu apenas sonhara em receber.
Era o batizado do sobrinho dele. Eu estava grávida de quatro meses do seu herdeiro, a criança destinada a solidificar a aliança entre o dinheiro tradicional da minha família e seu crescente império criminoso.
Eu deveria estar ao seu lado, o retrato da esposa perfeita do chefe. Em vez disso, eu era um fantasma na minha própria festa, observando-o apresentar o filho de outra mulher como se fosse seu.
Os homens que brindaram ao nosso casamento, seus rostos lustrosos de falso respeito, agora o cercavam, a ele e sua nova família. Seus olhos passavam por mim, pela minha barriga inchada, como se eu não fosse nada mais que um móvel.
Minha mão tremeu enquanto eu encontrava um canto isolado e ligava para minha mãe.
"Sofi? O que foi?" sua voz era afiada, cortando meu pânico.
"Ele está aqui", sussurrei, as palavras presas na minha garganta. "Com ela. E um bebê."
Houve um silêncio glacial do outro lado da linha.
"Aquele desgraçado", minha mãe, Elisa Bastos, finalmente sibilou. "Eu sabia. Minhas fontes confirmaram esta manhã. Ele está pagando o apartamento dela no Itaim Bibi há oito meses."
A confirmação foi um golpe físico, roubando o ar dos meus pulmões. Ele não apenas traiu. Ele construiu uma segunda vida sobre uma base do meu dinheiro e de suas mentiras.
"Ele me disse que eu estava sendo paranoica", um soluço cru e feio escapou dos meus lábios. "Que eram apenas os hormônios da gravidez."
"Você é uma Bastos, Sofia", sua voz se tornou aço. "Você não é uma vítima. Não o confronte. Ainda não. Nós vamos resolver isso."
Desliguei a chamada, uma determinação fria como gelo começando a se cristalizar no fundo do meu estômago. Resolver isso? Não. Eu faria mais do que resolver. Eu ia queimar o mundo dele até as cinzas.
Assim que dei um passo para sair de trás do arranjo de flores, uma voz, escorrendo uma doçura sacarina, me parou.
"Sofia? Você parece tão pálida."
Era ela. Selena Campos. Ela estava diante de mim, um retrato perfeito de radiância maternal, seus olhos brilhando com um triunfo cruel e indisfarçado.
Ponto de Vista: Sofia
"Devem ser os hormônios da gravidez", Selena ronronou, seus olhos descendo para minha barriga com um olhar de puro desprezo. "Ouvi dizer que podem ser terríveis."
"Não se atreva a falar da minha gravidez", sibilei, minha voz tremendo com uma fúria tão profunda que parecia que poderia me partir em duas.
Ela riu, um som leve e aéreo que não alcançou seus olhos frios.
"Por que não? Somos praticamente irmãs nisso. Meu pequeno Dante Júnior já está aqui, sabe? Um herdeiro de verdade, vivo."
"Ele cometeu um erro", eu disse, as palavras soando fracas e ocas até para os meus próprios ouvidos.
"Não foi um erro. Foi uma escolha", ela rebateu, inclinando-se, sua voz um sussurro venenoso. "Ele me escolheu. Ele escolheu nosso filho. Ele me disse que havia... complicações com a sua gravidez. Que você talvez nem conseguisse levar até o fim."
A violação daquilo foi tão absoluta que pareceu um golpe físico. Ele havia discutido os detalhes íntimos e aterrorizantes da minha gravidez de risco com essa mulher.
Naquele momento, uma dor aguda, como um ferro em brasa, atravessou meu baixo-ventre. Eu ofeguei, cambaleando para trás contra a parede enquanto uma onda de tontura me dominava.
A falsa máscara de preocupação de Selena se transformou em um sorriso de escárnio.
"Oh, olhe. O drama começa." Ela ergueu a voz o suficiente para chamar a atenção. "Sofi, por favor. Não faça isso aqui. Vamos ser civilizadas."
Como se fosse um sinal, Dante correu até nós, seu rosto uma nuvem de tempestade. Seus olhos foram direto para Selena, não para mim.
"O que está acontecendo?", ele exigiu, sua voz perigosamente baixa. "Sofi, você está encurralando ela?"
"Ela estava me provocando", gritei, curvando-me enquanto outra cãibra, mais violenta, me rasgava por dentro.
"Acalme-se", Dante ordenou, sua voz soando com autoridade pública. Ele colocou uma mão protetora no braço de Selena, protegendo-a de mim. "Você está fazendo uma cena. Ela está frágil. Acabou de ter um bebê."
Seus homens, incluindo seu braço-direito, Ricardo, se aproximaram, seus rostos uma mistura de pena pela pequena amante corajosa e desaprovação pela esposa grávida e histérica. Eu estava sendo hostilizada por um salão inteiro de capangas.
Através de uma névoa de dor, vi Selena começar a soluçar, lágrimas delicadas e teatrais brotando em seus olhos.
"Eu só quero paz", ela sussurrou. "Pelo meu filho."
Dante a puxou para um abraço completo.
"Apenas vá para casa, Sofi", ele disse por cima do ombro dela, sua voz fria e desdenhosa. "Conversaremos quando você estiver sendo racional."
A humilhação pública foi total. Endireitei-me, a dor física momentaneamente eclipsada por uma clareza fria e dura. A mulher que ele pensava conhecer, aquela que sempre voltava, havia desaparecido.
"Estou indo embora", eu disse, minha voz estranhamente calma. Virei-me e saí, sem olhar para trás enquanto suas últimas palavras arrogantes me seguiam pela porta.
"Ela só está sendo dramática", ele garantiu ao salão. "Ela vai se acalmar. Ela sempre volta."
Ponto de Vista: Sofia
A cobertura era um mausoléu do nosso casamento morto. Cada foto, cada obra de arte que escolhemos juntos, parecia uma zombaria. Eu me movia pelos cômodos como um fantasma, um saco de lixo preto na mão, varrendo seus perfumes caros e gravatas de seda para dentro dele com uma fúria desapegada.
Meu celular vibrou. Uma coluna social. A manchete foi um soco no estômago: BEM-VINDO, MORETTI: DANTE MORETTI E A COMPANHEIRA SELENA CAMPOS CELEBRAM O BATIZADO DE SEU FILHO.
As fotos eram uma declaração pública do meu apagamento. Lá estava ele, radiante, com Selena em seu braço. A legenda a chamava de sua "adorável companheira". Como se eu não existisse. Como se a criança crescendo dentro de mim fosse uma invenção da minha imaginação.
Isso não era apenas um caso. Era uma campanha.
A fúria que me preencheu era fria e cortante. Queimou o resto das minhas lágrimas. Ele achava que eu era descartável. Ele estava prestes a descobrir o quão essencial eu tinha sido.
Quando ele chegou em casa tarde da noite, me encontrou de pé ao lado de uma mala pronta.
"Você ainda está remoendo o batizado?", ele perguntou, seu tom tingido de uma calma paternalista.
"Eu não estou chateada, Dante", eu disse, minha voz plana. "Eu terminei."
Ele estendeu a mão para mim, o gesto antigo e familiar que costumava me derreter. Eu me desviei.
"Não seja assim, cara. Foi um mal-entendido."
"Pagar o apartamento dela por oito meses foi um mal-entendido?", rebati. "Eu quero o divórcio."
A incredulidade lutou com a raiva em seus olhos. Ele ainda achava que isso era uma negociação.
A campainha tocou. Um som agudo e intrusivo. Um lampejo de pânico cruzou o rosto de Dante antes de ele abrir.
Lá estava ela. Selena, parada no corredor com suas próprias malas e o bebê em um bebê conforto. Ela passou por ele e entrou na minha casa, nossa casa, como se fosse a dona do lugar.
Dante foi pego, o arquiteto de seu próprio desastre, de pé entre sua esposa e sua amante. Ele fez sua escolha.
Ele se virou para mim, sua voz agora letalmente fria.
"Se você não pode aceitar isso, Sofi", ele disse, gesticulando vagamente entre Selena e eu, "então é você quem deve ir embora."