Naquela manhã gélida e nebulosa, Jade Hernandez despertou de seu repouso noturno, com o ar frio que entrava pela janela. Ao levantar-se para fechá-la uma sensação enigmática a envolveu. Ao observar o horizonte avistou uma estranha sombra por trás das árvores que cercavam a casa. Assustada rapidamente fechou os vidros da janela.
Ao olhar para fora, viu apenas as folhas das árvores que balançavam suavemente com o vento. Por mais que acreditasse ser algo de sua imaginação, não conseguia mais pegar no sono.
Perdida nas lembranças da viagem que fizera outrora, Jade não conseguia esquecer a sensação que sentiu após uma inesquecível jornada pela Rússia.
Ela havia experimentado uma tranquilidade e realidade completamente distintas de sua rotina habitual.
Isso fazia com que sentisse uma paz profunda, dando alegria ao seu coração.
Mas de repente tudo mudou, e algo perturbador pairava no ar. O melodioso canto dos pássaros que costumava acolhê-la todas as manhãs foi abruptamente calado, substituído pelo incessante tumulto de notificações e chamadas não atendidas em seu celular, como se o iminente desastre estivesse prestes a acontecer.
Impaciente, Jade estica sua mão afim de apaziguar o barulho irritante que a confrontava desde o despertar.
Um resmungo inaudível escapou de seus lábios, revelando sua insatisfação. No entanto, para seu espanto, a fonte dessas perturbações não estava dentro de seu círculo social, não eram amigos ou familiares; era um número completamente desconhecido.
"Isso é estranho", ela murmurou consigo mesma. "Nunca vi esse número antes."
Em um esforço para acalmar seus nervos, Jade tentou se convencer de que era apenas um engano, um equívoco de alguém que ligara por acaso.
"Respire fundo, Jade", sussurrou para si mesma, enquanto depositava o telefone sobre a mesa da sala e se dirigia à cozinha para preparar seu café da manhã.
Durante um breve momento, uma sensação de desconforto e confusão persistiu, mas logo sua atenção retornou às mensagens misteriosas que acabara de receber. Com uma confiança forçada, ela decidiu enfrentar o desconhecido e respondeu de maneira direta:
-Quem é? E o que você quer?
Jade, com o coração acelerado, observou a resposta se desdobrar diante de seus olhos, mergulhando ainda mais fundo no enigma que a cercava.
Digitando...
77420517:
-Vou começar me apresentando.
Meu nome é Matteo.
-E não, isso definitivamente não é uma brincadeira.
-Katherine minha namorada, é corretora de imóveis. Ela desapareceu sem deixar rastros há quase uma semana. Partiu para mostrar uma propriedade a um potencial cliente, mas jamais chegou ao seu destino. Todas as tentativas de contato com ela foram em vão, exceto por uma mensagem que recebi ontem, contendo apenas um número...
-O seu!
-A propósito, como você se chama? Não entendo por que Kate enviou o seu número, nem sei como vocês se conhecem.
Após alguns minutos de profunda reflexão sobre as palavras de Matteo, Jade ponderou a ideia de falar com seu pai, em busca de conselhos e apoio.
O suspense pairava no ar, como se a realidade e o mistério se entrelaçassem de maneira inquietante, lançando-a em um turbilhão de incertezas.
O símbolo de dois "V" no canto inferior, indicava que seu interlocutor havia visualizado sua mensagem, mergulhando-a ainda mais nas sombras de um mistério que estava apenas começando.
Com o coração acelerado, a cada segundo que se passava, Jade ficava ainda mais ansiosa para a resposta que viria a seguir.
Matteo:
-Compreendo que é um pedido incomum, mas gostaria que você se juntasse ao meu grupo de amigos. Contei a eles sobre a mensagem de Katherine...
*Nessa parte, falarei brevemente sobre o Detetive Hernandez.*
Santiago era uma figura imponente, de estatura elevada, barba cerrada e cabelos negros que rivalizavam com a escuridão da noite. Sua forma física impecável era uma testemunha silenciosa de sua determinação. Seus olhos profundos, sombrios, refletiam um abismo de dor e um distante anseio. Uma ferida aberta que nunca cicatrizara; desde o dia em que perdeu sua amada de forma trágica, quando sua filha ainda era uma criança indefesa. O assassinato brutal de sua esposa havia deixado um vazio inexplicável em sua alma.
*O assassinato*
No fatídico dia da tragédia, Jade estava na casa de uma amiga, por sorte, e assim foi poupada da visão horrível que seu pai encontrou na sala de estar. O corpo de sua mãe jazia no chão, inerte e sem vida. Suas mãos haviam sido cruelmente amarradas, e uma mordaça macabra preenchia sua boca. Perfurações estranhas adornavam seu peito, manchando o ambiente com sangue, enquanto um papel enigmático completava a cena de agonia.
O bilhete perturbador, trazia uma mensagem destinada ao detetive Hernandez:
"Para Santiago Hernandez."
"Pensei em mil maneiras de fazer você sofrer terrivelmente. Mas nada se compara à doce vingança de privar você de um de seus tesouros mais preciosos. Espero que aprecie esta surpresa gloriosa, e saiba que é apenas um lembrete para que jamais cruze nossos caminhos novamente!"
" Lo cuervo negro."
A assinatura era acompanhada por um símbolo sombrio, o desenho inconfundível de um corvo.
Ao tocar aquele papel. Santiago sentiu um arrepio de horror percorrer sua espinha. A tinta usada para criar o sinistro carimbo não era de cor comum, mas um vermelho intenso e viscoso. Ele percebeu com pavor que aquela maldita tinta era, na verdade, sangue humano!
Nesse momento, um turbilhão de pensamentos o atingiu.
E Santiago compreendeu o que estava acontecendo. Ele havia inadvertidamente desenterrado um segredo sombrio da Máfia e cooperado com a polícia, desencadeando um confronto violento entre os mafiosos e as autoridades. No tumulto, Maribel, esposa do chefe da máfia, perdeu a vida ao ser alvejada no peito. Ela foi deixada para trás, Gravemente ferida. A morte brutal de Eliza tornou-se uma mensagem aterradora, um aviso solene de que Santiago nunca mais deveria ousar interferir nos negócios da Máfia.
O que Santiago não sabia era que o antigo chefe da Lo Cuervo Negro era pai de um certo mafioso que, no futuro, teria uma estranha conexão com Jade. Lançando uma sombra ainda mais densa sobre a vida de ambos. O assassinato de Eliza era apenas um dos fragmentos de uma trama intricada e assustadora.
Jade não queria assustar seu pai, e também já estava um pouco tarde para incomoda-lo com algo que ela conseguiria resolver por conta própria, já que ela não era apenas filha de um dos melhores detetives do país, mas também pelo fato dela ter a mesma profissão que o pai.
Apesar de nunca ter resolvido sozinha nenhum caso, ela estava acostumada com situações fora do comum. Uma vez que Jade era o braço direito do detetive Hernandez, e claro. Ela era incrivelmente boa em sua área, para ser mais específica, a segunda melhor, como ela mesma costumava dizer.
*O verdadeiro assassino de Eliza*
O que todos não imaginavam, era que o antigo Don da Lo cuervo negro nada tinha haver com o brutal assassinato de Eliza.
Uma vez que Augusto se negara a se vingar de Santiago, ele não queria machucar inocentes. Essa conduta jamais fez parte do caráter do chefe da máfia.
Alberto Herrera era o irmão mais novo de Maribel, e inconformado com a morte dela, insistentemente repetia a Augusto que algo deveria ser feito, e que o detetive Hernandez deveria pagar a qualquer custo.
Ao ver que o Don não faria nenhum mal a família Hernandez, Alberto decidiu tomar uma decisão, essa que implicou na eminente tragédia onde Eliza fora assassinada.
E como uma forma de culpabilizar o chefe da máfia por tal atrocidade, Herrera deixou um intrigante bilhete, ao qual facilmente seria associado a um crime de vingança; tornando Augusto no principal suspeito pela morte de Eliza, e dessa forma gerando um grande caos entre Alonzo e Jade em um futuro distante.
*Voltando as mensagens*
Após alguns minutos perdida em seus pensamentos, a detetive pega novamente o aparelho e decide responder as mensagens.
Jade:
-De que amigos está falando?
Como assim, me adicionar ao seu grupo?
*Mensagem visualizada*
Matteo:
-É apenas um grupo de mensagens que tenho com meus amigos. E não se preocupe, são poucas pessoas. Todos são amigos meu e da Katherine. Eu contei a eles sobre a mensagem com o seu número.
Jade:
-Se realmente recebeu uma mensagem com meu número, acredito que tenha uma prova disso, não é mesmo?
Matteo:
-Isso vai parecer bizarro, mas assim que recebi a mensagem só deu tempo de copiar o número, e em seguida ela foi apagada. Acredito que Kate teve só alguns minutos até que o sequestrador a visse com o celular, e consequentemente apagasse qualquer prova.
Jade:
-Essa história está ficando cada vez mais estranha, realmente não dá para acreditar em um monte de bobagens desse tipo. Onde conseguiu o meu número?
-Por favor, pare de me fazer perder tempo.
Matteo:
-Isso não é uma brincadeira!
-Eu já te disse, minha namorada está desaparecida, e a única pista que tenho é o seu contato!
-Você acha que se eu soubesse o que fazer, eu já não o teria feito?! Ao invés de ficar a mercê de uma pessoa estranha.
-Eu não tenho tempo a perder, a Katherine pode estar morta agora. E sem querer ofender, mas, é você quem está me fazendo perder tempo!
Jade:
-Se essa história for realmente verdade.
Por qual motivo ainda não procurou a polícia para contar sobre o "sumiço" dela?
Matteo:
-Não é tão fácil assim, a polícia em Northville não é das melhores.
Eles nunca solucionaram caso algum.
-Eu realmente tentei, já os procurei, mas disseram não ter o que fazer, pois só há alguns dias desde o desaparecimento da Katherine.
-Me disseram que ela apenas deve ter se cansado de mim, ou simplesmente ido embora da cidade.
-Mas isso não faz o menor sentido, ela nunca iria embora assim de repente, e ainda mais sem avisar a família, ou sem levar nada.
-Realmente não podemos contar com a polícia, já que eles não vão fazer nada a respeito!
-Eu posso por favor adiciona-la ao grupo com meus amigos?
Se não quer ajudar por mim, ajude pela Katherine, já que aparentemente ela te conhece.
Jade:
-Se isso for fazer você parar de encher a porra do meu saco, que seja! pode me colocar nesse tal grupo!
Matteo:
-Só um minuto, já estou te colocando lá.
*Você foi adicionada ao Grupo Buscas pela Kate*
Matteo:
-Pessoal, eu adicionei o número misterioso que a Kate mandou.
Aby:
-Uau, nem sei o que dizer.
Ramon:
-Vocês são malucos ou o quê? Como adicionam um completo estranho ao nosso grupo? Isso é muita burrice!
Jully:
-Olá pessoal, esse número é a pessoa misteriosa?
Gael:
-E aí, pessoal? Os ânimos já estão um pouco alterados Ramon?
-Respondendo a sua pergunta, Jully, eu acho que é ele sim, ou seria ela? Alguém já sabe de quem é esse número?
Jully:
-Acho que já vamos descobrir, a pessoa está escrevendo algo.
44775209 está Digitando...
-Olá estranhos, podem se referir a mim como "ela".
Ramon:
-Como se você também não fosse uma completa estranha para nós!
Gael:
-Tudo bem, senhorita, qual seria o seu nome? Gostaríamos de lhe conhecer melhor.
Ramon:
-Não acredito que está socializando com a esquisitona. Você tem algum problema, Gael? Ela pode muito bem ter sequestrado a Kate e enviado seu próprio número para nós, para nos espionar e tentar descobrir alguma coisa!
Gael:
-Eu só estou tentando ser educado, Ramon, coisa que você não é! E para de tratar as pessoas com ignorância o tempo todo!
Ramon:
-Olha aqui seu moleque idiota, quer mesmo me dar lição de moral?! Logo você que está tentando ser amiguinho da suspeita. Agora deu para fazer amizade com criminosos é? Isso é bem a sua cara mesmo!
Gael:
-Para de encher o saco, Ramon. As vezes fico abismado, como que um cara tão grande como você pode ser tão burro!
Matteo:
-Gente, dá para parar com essa palhaçada toda, Por favor? Nós estamos aqui para procurar pela Kate juntos, e não para ficarmos atacando uns aos outros.
-E deixem a garota falar!
44775209:
-Me chamo Jade Hernandez!
-E não conheço a Katherine, nem sei o motivo dela ter o meu número, e muito menos o porquê de tê-lo enviado a vocês!
Jully:
-Olá, Jade, seja bem-vinda ao nosso grupo de amigos.
Karoline:
-Olá pessoal, o que está acontecendo aqui?
Ramon e Gael estão brigando de novo?
-A minha irmã está desaparecida, e vocês parecem que só sabem brigar, quem é esse número desconhecido no grupo? Não vai me dizer que. Você não fez isso! Matteo!
-Eu vou agora mesmo remover essa pessoa. Ela pode muito bem ser cúmplice daquele hacker estranho, e agora estão tentando se infiltrar no nosso grupo.
-E pelo visto, vocês caíram direitinho nesse joguinho sujo deles.
-Como vocês podem ser tão ingênuos assim?
Jade:
-Eu não sou cúmplice de ninguém.
-Não estou entendendo esse assunto sobre hacker? Vocês que me mandaram mensagem contando uma história sem pé nem cabeça, e agora estão tentando me acusar de algo que eu não faço ideia do que estão falando.
-Vocês só podem estar brincando!
Karoline:
-Para sua informação, eu não pedi para que ninguém te colocasse aqui. E outra coisa, eu não falo com criminosos!
Jade:
-Qual é o seu problema, hein, garota? Você é maluca ou o quê? nem me conhece, e já está imputando um sequestro a minha pessoa, e outra, acusar sem provas é crime!
Karoline:
-Não perco meu tempo discutindo com pessoas do seu nível.
-Vou logo te remover!
*Karoline removeu Jade*