Amesterdão, 17/10/1990
- Então, já escolheu o nome? Pergunta a madre sorrindo e olha para a bebê com muito amor.
- Já! - ela fala emocionada e com gotas de lágrimas nos olhos
- Vai chamar-se Antonella, significa valioso, para mostrar o quanto minha filha é valiosa para mim...
- Sabe, admiro muito você! E a madre sai do quarto, preocupada com a situação, quando ela recebeu Fel grávida e sem abrigo porque tinha sido expulsa de casa ela sentiu-se tentada em perguntar quem é o pai... mas não teve a ousadia.
- Você gostou do seu nome minha filha? - ela perguntou com sua voz mais fina e dócil enquanto suas mãos fazem carinho na bebê
- A mamã adorou! Minha pequena Antonella... Amesterdão
25/10/2000
- Ah! Mãe, por quê temos que viajar e nunca mais voltar? - a pequena Antonella pergunta brava, ela não queria se mudar, já tinha seus amigos e não queria conhecer novos.
- Eu não disse que não vamos mais voltar, eu só disse que aqui não será mais nossa casa porque... Porque... Fel não sabia como acalmar a filha e nem o que dizer, ela nunca tinha planejado se mudar, pelo menos não tão cedo!
- Tá bem mãe! Já sei que são assuntos de adultos e mesmo com mil explicações eu não entenderia, mas eu já não sou um bebê e devia saber! Antonella podia ser muito chata quando o assunto é descobrir algo, mas não queria ver sua mãe triste. Fel sorri como uma boba
- Você sempre será meu bebê.
- Ah, que horror mãe! Eu já tenho 10 anos! E não sou mais uma bebê!
- E quem disse que não? Enche a boca dizendo que já não é um bebê, mas nunca me ajuda nos serviços de casa!
- Agora era vez de Fel reclamar, ela sabia que tinha nascido uma filha preguiçosa mesmo.
- Bem... Vou retirar-me, preciso ver se está chovendo
- Antonella sai correndo porque sabia que essa era uma briga sem chances de vencer.
- Cuidado para não cair filha! - ela grita - essa menina basta ouvir sobre trabalho e logo foge... - Fel resmunga. Antonella
Londres, 20/12/2004
- Mãe! Vou a casa da Beca! - Eu descia as escadas apressada e vestida de roupas de inverno. Minha mãe estava na cozinha preparando o jantar.
- Não esqueça de andar com a bomba de ar menina! E cubra-se bem!
- Não se preocupe mãe! Nesse momento com certeza Londres está com falta de tecidos porque está tudo no meu corpo! Estou parecendo uma hipopótamo!. Ouço os risos da minha mãe e saio de casa. Quando saio de casa estava muito frio, eu sentia como se minha pele estivesse congelando sempre que caia um floco de neve no meu corpo, até pensei em desistir e voltar para casa, mas preferi continuar a andar até chegar em casa da Beca. A cada passo que dou, sintoque o vento só aumentava e o frio também... Então preferi entrar na primeira loja que vi mesmo só tendo 50 centavos no bolso... Entro na loja pequena e quentinha, cumprimento uma senhora de meia idade nada simpática e começo a caça aos doces... Só espero que encontre algum bom que custe 50 centavos, mas o preço dessa loja era um pouquinho alto e o que tinha de 50 centavos era porcaria... A porta se abre roubando minha atenção e entra um garoto de cabelos pretos, olhos castanhos, com um corpo muito atraente e lábio fino... Não muito fino, mas perfeito! Eu fiquei observando ele enquanto falava com a senhora mal humorada, ele parecia ser mais velho que eu acho que tinha uns 17 anos... perfeito para mim literalmente manter em meus pensamentos... Vou o chamar de galã dos filmes! Ele é tão simples e tão... Oh Meu Deus! Eu estou apaixonada! E o pior é que ele nunca vai se interessar por mim... Minha mãe sempre diz que sou muito linda e muito parecida com meu pai, mas eu não acredito. Meus olhos grossos e meu cabelo comprido preto me fazem parecer ser uma indiana! Eu gostaria de ser loira, magra e linda como minha mãe... Mas sabe uma coisa que sempre aprendi? É que se o homem é muito bonito, provavelmente trará problemas no futuro! Então jamais me permitiria gostar de um garoto mais lindo e tudo que eu!
- Olá! Assustei-me quando aquele garoto se teletransportou e apareceu do nada me cumprimentando, oferecendo sua mão e adivinha quem não conseguiu falar nada? Eu! - Também está aqui por causa da tempestade? - ele pergunta apontando para fora.
- Sim! - Eu estava tão nervosa que panquei numa prateleira onde tinha gomas e a derrubei. - Opah! Cuidado, deixa que eu te ajude com essa merda! Será que eu ouvi bem? Ele chamou a melhor coisa do mundo de merda? Eu não sei se fico indignada pela ofensa sobre as gomas ou pelo facto de um "príncipe"ofender! E pra piorar o louco começa a rir e eu o acompanho rindo, mas de nervosismo!
- Eu arrumo sozinha! Tá? - falo seria. Meu humor mudou de 100 para 10 em questão de segundos. - Você quer destruir a minha loja!? - a senhora aproxima-se furiosa cuspindo fogo.
- Desculpe senhora... Eu arrumo. - Espere aí, foi mal senhora, mas fui eu que derrubou isso - ele aponta na bagunça. Porque ele mentiu? - Eu só vou perdoar hoje! - e a senhora se afasta me deixando de boquiaberta! Como ela pode ser tão compreensiva com ele e comigo uma bruxa louca!?
- Por quê você mentiu!? - pergunto em voz baixa para a senhora não ouvir.
- Encoste aqui... - ele me oferece sua mão, mas eu não me movo
- Está esperando o quê? Eu não mordo! Eu estava tão nervosa quando ele sorriu pra mim, mas mesmo assim me aproximei e muito... Ele inclinou um pouco a cabeça para baixo porque é mais alto que eu e sussurrou no meu ouvido - eu explico se me deixar acompanhar-te até a sua casa. Ele se afasta e sorri pra mim. Eu faço uma careta e reviro os olhos.
- Sou o Michael! E você? - ele pergunta calorosamente.
- Eu? - claro que sou eu! Não tem mais ninguém! - Sou Antonella... - Se não vão comprar nada podem sair! A tempestade já passou! - a bruxa louca fala e ignoramos.
- Permita-me pagar-lhe umas guloseimas? Minha mãe sempre me diz para não aceitar nada de estranhos! Mas ele não é um estranho... É o Michael! Eu fiquei tão feliz depois de ouvir o pedido dele que sorri animada e sem exitar respondo
- Claro! - Tudo bem... Então vou esperá-la no caixa. Tirei dois pacotes de batatas, um pacote dos rebuçado preferidos da Beca e chocolate branco... Fui até o caixa e entreguei as compras a senhora malvada para registrar.
- UAU menina! Tantas guluseimas! Você só pode estar de TPM! 12 libras! - como se não fosse bom para ela o facto de eu ter comprado tantas guluseimas.
- Ahmmm... aqui tem - Michael entrega o dinheiro e começa a pôr as guloseimas nas sacolas e depois entrega para mim.
- Muito obrigada! - agradeço tentando não gaguejar!
- Por nada... Agora já podemos ir para sua casa.
- Bom, agora estou indo ver minha amiga, mas não é muito longe... - Então vamos!
- Michael estava muito interessado em acompanhar-me até meu destino e fiquei um pouco receosa. Nós saímos da loja e a senhora agradeceu porque ela não gostava muito da presença de pessoas. Começamos a andar e eu abri um dos pacotes de batatas para comer. Michael estava pegando as sacolas porque minhas mãos estavam ocupadas...
- Então você é muito valiosa para sua mãe... Não é mesmo?
- Oi? Como assim? - Do que ele está falando? Se bem que todo filho é valioso pra sua mãe. Mas do nada essa pergunta?
- O significado do seu nome...
- Ah! Como eu sou burra. - Ahnnn, eu acho que sim, Michael!
- E porquê achas? - Sei lá... Nunca Duvidei do amor da minha mãe, mas por vezes sinto que eu sou apenas um atraso para sua vida... Minha mãe abriu mão de muita coisa que ela amava por mim, como por exemplo os estudos!
- Acho que não devemos achar que não somos valiosos para nossas mães... Devemos sempre ter certeza porque além de nos darem a vida elas cuidam da gente, o amor de uma mãe é único e protector. Eu vi que enquanto ele falava o seu humor mudou... Como se estivesse pensando em algo triste, preferi não falar nada.
- Minha mãe, por exemplo, fez de tudo para que eu estivesse vivo hoje! Preferiu minha vida que a dela...
- Oh! eu sinto muito Michael...
- Não... Não sinta, tudo bem... eu já superei... Michael estava calado e eu preferi não falar nada.
- Está com frio? - Michael me pergunta. Eu não tinha dado conta, que meu corpo está tremendo.
- Um pouco... - Ele tira seu sobretudo e coloca no meu corpo e foi tão bom sentir o cheiro do seu perfume no meu corpo. Eu até quis negar, mas ele foi mais rápido. Nunca nenhum garoto foi tão gentil comigo... Porquê ele me faz sentir assim? Eu me sinto tão bem tendo ele por perto que parece um sonho... Um sonho que na qual eu tenho que acordar porque regra número um é nunca se apaixonar por um garoto que é Mais que eu!
- Quem sabe você também se torne valiosa para mim... Ouço Michael dizer e apenas abaixo a cabeça fingindo não ter ouvido suas lindas palavras...
(...)
Posto em casa da minha amiga Beca, fico aliviada! Se eu passasse mais um segundo ao lado dele, era capaz de revelar todo meu amor que sinto! Mas quem estou a enganar? Eu não revelaria nem que passassem mil anos!
- Então, muito obrigada! - Digo e caminho rumo a porta
- Eu também cheguei! - fico de boquiaberta - coincidentemente estou aqui de férias! Olho para ele surpresa e ele apenas passa por mim, entra em casa. Dou de ombros e entro depois dele. Logo sou recebida por um abraço forte de Beca. Ofereço-lhe as guloseimas e ela aceita de bom grado.
- Obrigada Amiga! - agradece sorridente - Já conheces o Michael? - Nos cruzamos... - falo - O que vamos fazer agora?!
- Fofocar enquanto fazemos manicure e pedicure! Tenho algo para te contar! Subimos a escada eufóricas e Graças a Deus a mãe da Beca não se encontra em casa, porque quando estamos juntas nossos actos se resumem a barulho!
- Sinceramente, algumas vezes não entendo a minha mãe... - Beca fala triste Ela acabou de me contar que Michael não é um simples hóspede, também será o futuro marido dela! Beca é de uma família da Grã-Bretanha que segundo sua mãe, seu falecido bisavô foi duque, não têm muito reconhecimento por parte da família real, mas são ricos! Só a mansão onde eles vivem e que estou nesse momento e grandíssima e luxuosa! A mansão tem estilo rústico que deixa qualquer ambiente convidativo e aconchegante. Possue jardins, piscina, espaço fitness, área de convivência, quarto com suíte, banheiro com hidromassagem, varanda, área de lazer, espaço para leitura, e sem esquecer do tamanho da casa!
- Uau... mas ainda somos crianças e talvez futuramente você se apaixone - falo para consolá-la
- Isso não depende só de mim! - ela confessa exausta - ele não me ama e deixa bem claro que só me quer como irmã... Estamos sentadas no centro do chão do quarto da Beca, ela está de costas com a porta e eu tenho uma visão perfeita da porta simples de madeira branca.
- Você é linda e tenho certeza que não lhe vai custar te amar! - falo firma sem desviar meus olhos de Michael que está parado na porta. Tomara que um dia eles se entendam... (...) Depois de me divertir muito, infelizmente chegou a hora de ouvir sermões por ter ficado muito tempo fora de casa! O estranho é que minha mãe não ligou o dia todo, e claro, isso é mais perigoso. Antes de entrar em casa cumprimento um velho vizinho chato, mas gente do bem.
- Mãe! Cheguei! - grito e não obtenho resposta. Dou de ombros e caminho até a cozinha. Está tudo bem arrumado! Tanto a sala como a cozinha. Sirvo um pouco de leite numa caneca e preparo meu cappucino, por fim despejo chantilly por cima - Mãe! - chamo por ela enquanto subo as escadas. Ando pelo corredor que está silencioso e noto que a máquina de lavar está a girar... - posso desligar a máquina?! - pergunto e não obtenho resposta. Dou um gole na minha bebida que me aquece por completo e caminho até o quarto da minha mãe. - Por que não... - perco a fala e deixo a caneca cair no chão quando vejo sangue espalhado no chão do seu quarto... muito sanguee! - Não!!! - grito desesperada.
13 anos depois... Aqui estou eu, mais uma vez de luto, são 13 anos que se passaram desde que minha mãe perdera a vida. Estou usando uma saia que tapa meus joelhos de cor preta e uma camisa branca. Meu coraçãoe está partido e sinto-me sem chão sempre que visito minha mãe... É Horrível... Só espero que tudo mude depois de eu me vingar de todos que acabaram com a vida da minha mãe! Eu prometo mãe, todos vão sofrer! A viagem foi longa e eu acabei ficando exausta...
muito exausta! Então, logo que chegamos no apartamento não tive tempo de arrumar as coisas e nem de observar o apartamento, apenas me deitei na cama e apaguei por completo. Quando eu desperto já era de noite, eu estava com muita fome, porém, também estava cansada. Depois de um bom tempo me espreguiçando, calço minhas pantufas e coloco meu roupão de Çetin de cor preta. Chegando na sala me surpreendo ao ver Lucas sentado na mesa de jantar mexendo no computador. Eu nunca digo, mas ele fica muito lindo quando usa seus óculos graduado, dá um ar de CEO. Eu me aproximo dele em passos lentos e abraço-o de costas e logo a seguir sinto seu cheiro que era floral. Sempre digo que a sensação provocada quando inalamos o cheiro de alguém, é causada pela pessoa, e não pelo perfume, ou seja, se não tivemos sentimentos por alguém o perfume não nos trará sensação de conforto e o cheiro não será tão agradável... em suma, não é sobre o perfume e sim sobre quem usa.
- Usou meu sabonete? - pergunto e sento-me na cadeira ao lado. Ele estava muito lindo, porém cansado. Ele sorri pra mim me dando visão de suas covinhas e seus dentes perfeitos
- Você só comprou sabonetes florais, o que eu podia fazer? - ele volta a mexer no computador e dou uma olhada. Ele via umas fotos publicadas no facebook de alguém. Na foto tinha duas jovens bonitas, uma loira e outra morena de cabelos pretos e um jovem de cabelos castanhos. Eles estavam sorrindo na foto e se abraçando num barco e a vista era muito linda, sem falar da água azul e brilhante. A foto e as pessoas transmitiam luxo.
- Quem são? - pergunto curiosa, provavelmente são meus meios irmãos. - A loira é a Emily, a morena é a sophie. E esse - ele aponta na cara do jovem - É Harry, o filho adotivo da família Horton. - Eles parecem ser muito felizes... Não vejo a hora de acabar com o sorriso de cada um, Lucas. Lucas suspira de cansaço e olha pra mim - esse dia vai chegar boneca, pode crer. - Você não tem fome ou sono? - pergunto preocupada porque ele pode estar lindo, mas está parecendo um fantasma!
- É que você está parecendo uma alma penada! Já se olhou no espelho?!
- Você tem razão, mas antes quero comer e você vai me ajudar a cozinhar. Lucas levanta e me oferece sua mão para me ajudar a levantar. Eu aceito sua ajuda e assim me levanto.
- Lucas, por favor, eu não vou aguentar cozinhar - faço becinho e Lucas ri da minha cara. - E por quê não? Você já dormiu mesmo e com certeza estás bem melhor que eu! - Isso você tem razão... Mas só vou ajudar porque não aguento mais olhar nessa sua cara pálida!
- Por que é tão cruel comigo? Sabe, isso me magoa e muito. - Lucas faz uma cena fingindo se apunhalar com uma estaca imaginária no coração e eu rio de sua cara.
- Me poupe dos seus dramas. -vou até a cozinha, abro a geladeira pra ver o que tinha. Parece que Lucas tinha feito compras porque a geleira estava cheia de legumes, frutas, iogurte...
- Parece que alguém fez compras! - Digo gritando pra ele ouvir.
- Enquanto você roncava eu fazia compras para não morrermos de fome! - fala orgulhoso
- Também não precisa jogar na minha cara o quanto você é responsável! E já que fez compras porquê não se lembrou de comprar sabonete para você? - tiro tomates, pimenta, cebola, alho e salsas para fazer omelete. Pouso todos ingredientes no balcão onde Lucas estava sentado
- Não pense que não vai fazer nada! Comece a cortar os legumes, por favor. - Que mulher mais chata! - Ele resmunga e ignoro-o. Abro o congelador pra ver se temos chouriço, queijo e fiambre... e tem, realmente ele preveniu para não passarmos fome. Toc, Toc, Toc. Ouvimos alguém bater a porta e nos questionamos com o olhar antes de Lucas ir ver quem é. Eu lavo minhas mãos e limpo pra ver quem é... espero que não sejam essas vadias com quem o Lucas se envolve! Isso já aconteceu várias vezes e odio ficar como vela enquanto ouço-os a gemerem. Graças a Deus não era nenhuma vadia, era só uma senhora de cabelos grisalhos...
- Eu vi da janela que recém casados são agora meus vizinhos, então decidi fazer uma torta deliciosa de maçã para dar as boas vindas. - A senhora explicava para Lucas que abriu a porta, a torta cheirava muito bem! Já amo essa senhora.
- Ahn, sim! Recém casados... Claro! - Lucas põe as mãos no bolso para esconder a grande mentira e eu fico nervosa.
- Por quê a senhora não está usando a aliança? - A velha senhora me pergunta olhando com desdém e desconfiança, Lucas fazia sinal gesticulando sobre o que devo dizer a seguir e eu não entendia nada! Na verdade só me deixava mais confusa! QUE SENHORA MAIS INTROMETIDA!
- Eu... - começo a pensar - me sinto um pouco incomodada usando todos os dias a aliança e o anel de noivado dona! E estou em casa! Para quê usar? Sem a senhora pedir permissão entra no nosso apartamento e começa a caminhar até a cozinha poisando a torta no balcão.
- Aié? Minha filha também casou e ela gosta de se exibir com o anel, ela não tira nunca! Mesmo dormindo e publica todos os dias uma foto do seu dedo com a pedra gigante que tem na mão. Posso ver o seu anel? - Que senhora mais inconveniente, sério que ela está me comparando com sua filha?
- Desculpe senhora, mas eu não sou como sua filha e a senhora não pode ver o meu anel porque com certeza não é uma pedra gigante como de sua filha.
- Eu não queria responder isso, mas acabei soltando. A senhora ficou de boquiaberta e Lucas estava se controlando para não rir.
- Dona Flora Fielding, a minha mulher quis dizer que não pode mostrar porque já estamos de saída e não dá tempo... E minha mulher é tão simples que prefere um anel bem mais barato.
- Tudo bem - Dona Flora me olha de cima pra baixo e olha feio
- Um dia eu venho com mais calma e aproveito apresentar vocês a minha linda filha. Tchau. Ela sai de cabeça erguida e com uma postura de rainha. Mal ela fecha a porta Lucas solta uma gargalhada de matar e eu o acompanho.
- Como você foi capaz de dar aquela resposta numa velha coitadinha? - ele pergunta rindo. - Ela me irritou e não estava nos planos isso de sermos noivos! - faço uma careta - não quero ser vista com a mulher do homem mais devasso do condomínio! - Minha linda mulher! Não vai ser difícil se habituar a vida de casados. E vai ser bem melhor assim conquistar a confiança do senhor Horton, pessoas casadas causam uma boa impressão - Lucas se aproxima de mim e meu coração começa a acelerar
- Que modelo de anel você vai querer? - ele pergunta com a voz rouca e eu me afasto indo para cozinha.
- Não sei! Qualquer, é tudo mesmo mentira - Dou de ombros- Lucas! - Grito e Lucas vem a correr e preocupado - tive uma ideia maravilhosa! Largo tudo que estou fazendo porque tive uma ideia que não vai falhar! Autora : Marilene Mateus
"Não existe nada mais poderoso no mundo do que a ideia que chega na hora certa." De Victor Hugo.
Antonela
- Não, não e não! - Pela milésima vez, Lucas negou meu fantástico plano.
- Como não? Lucas! Tu imaginas o maior escândalo que isso vai causar para a grande família Horton!?
Quando decidi vingar a morte da minha mãe, cheguei a conclusão que farei tudo que fôr preciso para acabar com a paz dessa família estúpida e daquele senhor que o sangue dele escorre por minhas veias.
- Mas é de loucos!
- Sim, é! E isso é que torna mais interessante... mais cruel! E olha que isso é o mínimo, pode ser pior!
O meu grande plano é o seguinte. Eu pretendo dar uma grande festa para celebrar o meu noivado falso com Lucas, então, eu vou mandar convites para as famílias mais importantes da cidade, incluindo os Horton e aí bem na festa eu solto a grande bomba! E qual é a bomba? Falar para todos que estiverem lá que eu sou a filha do grande e respeitoso senhor Horton. Parece um plano de loucos e um pouco precipitado,mas claro que esse acontecimento maravilhoso não vai ser hoje e muito menos amanhã. Primeiro precisamos enquadrar-nos na vida de grandes e poderosos ricos. E como? Participando em grandes festas e não será difícil porque a mãe do Lucas, ou melhor, a família do Lucas faz parte duma dessas famílias importantes de Londres, então não será difícil enquadrar-se. Sei muito bem que essa gente odeia escândalos e claro que não é só! Antes de revelar para todos minha paternidade, vou criar meios para destruir a união da família e depois exigir meus direitos como filha legítima!
- E qual é o primeiro passo? - Lucas pergunta rendido.
- Contar para sua família sobre o nosso noivado, mas só depois da entrevista de trabalho na empresa - Depois de amanhã é a minha entrevista de trabalho como oficial assistente do Harry Horton, o filho adotivo do senhor Horton, meu pai.
- Isso não vai resultar. E vamos supor que esse plano resulte, e depois? - Lucas cruza os braços fixando seus olhos no meu.
- Vai resultar porque depois vem a melhor parte que será exigir meus direitos e conquistar a total confiança do senhor Horton.
- Aié? E até onde você quer chegar?
- No topo, sinta-se lisonjeado - eu me aproximo de Lucas em passos curtos - porque bem na sua frente está a futura herdeira de toda fortuna do senhor Horton... na verdade, quero afastar todos daquela empresa e por fim mandar toda família para Rua! - Eu dou uma gargalhada, esse plano fez-me sentir-se bem.
- E você pretende fazer o quê para afastar todos? Matá-los?!
- Não perdes por esperar! Brevemente saberás tudo que tenho em mente...
Lucas dá mais um passo e eu recuo para aumentar a distância e evitar cair em tentação - Tudo bem, e depois?
- E depois eu vou rir deles e ficar muito feliz. - Sorrio de leve e me afasto dele.
- Você é mesmo muito louca, sabia?
- É. Eu sei que sou. - Dou de ombros. - ainda queres comer?
- E se o plano não resultar? Vamos pensar nas possibilidades do senhor Horton não gostar de você, odiar você depois de tudo isso... Como você vai pensar reconquistar a sua confiança?
- Se o plano A não resultar, lembra-se que o alfabeto ainda tem mais 25 letras... - Por fim digo sem exitar.
(...)
Já é dia seguinte e eu pensei, por quê não sair para comprar roupas? Eu acho que minhas roupas não são apropriadas para usar no trabalho. Estou a precisar de roupas mais ousadas e chiques, tipo saias e vestidos justos e preciso de roupas da moda, sim! Tipo cores mais claras, mas sem muito exagero.
Sempre fui o tipo de mulher que preferiu usar roupas pagãs e simples demais. Minha maior atração eram roupas que me deixavam com um aspecto sem graça para não atrair homens com interesse amoroso e amigos.
Levanto-me da cama e vou até o banheiro fazer minha higiene. Enquanto me olhava no espelho eu pensava em como tudo vai mudar de agora em diante... Eu não serei mais uma menina inocente, mas vai valer a pena tudo isso. Ainda me dói pensar no dia em que tudo aconteceu... o dia que eu...
Toc, toc, toc. deve ser Lucas! Será que esse homem não dorme? Meu Deus! São só 7AM. Saio do banheiro com a toalha amarrada ao corpo e abro a porta.
- Meu Deus! Que humor de cão! - Lucas brinca e eu reviro o olho.
- Lucas, o que você quer? - Ignoro seu comentário e tento não perder a paciência.
- É que a nossa querida vizinha está aqui - Ele sorri - E trouxe a filha.
- Manda todas embora ou diga que não estou Lucas! Ah! Era só que me faltava! Com tantos problemas ter que aturar essa senhora. - Eu estava preste a fechar a porta quando Lucas me puxa pelo braço colando nossos corpos. Naquele momento eu só pedi a Deus que não permitisse a queda da toalha.
- Eu descobri que elas são pessoas importantes, a família Fielding é dona de uma das fábrica de perfumes mais famosas de Londres, então seja boa e pega leve.
- Você tem certeza? - falo num tom baixo,quase o tom de um sussurro.
- Sim - ele responde no mesmo tom e eu sorrio antes dele me soltar e eu voltar ao banheiro para me preparar.
Eu escolhi um vestido justo preto ombro a ombro de mangas compridas que valoriza minhas curvas, acompanhei com uma bolsa branca e um salto alto azul escuro e para finalizar passei chapinha no meu cabelo para ficar mais liso e sem esquecer do perfume doce.
Antes de sair do quarto olhei-me no espelho e espero não ter exagerado. O plano é fingir estar muito atrasada e sair correndo daí, por isso prefreri escolher uma roupa mais arrumada.
Eu desço as escadas devagarinho e de cabeça erguida mantendo a postura de uma verdadeira dama, mas os saltos faziam aquele barulho irritante e assim roubando a atenção de todos. Quando eu termino de descer as escadas a Sra.Fielding levanta-se esbajando seu sorriso perfeito, seus dentes brancos como neve e sorrio de volta.
- Aqui está ela! A noiva, venha! Eu vou apresentar a minha filha a você.
Porém, sua filha continuava sentada no cadeirão terminando de beber o chá. Mesmo vendo ela de costas notava-se que ela é uma mulher chique.
- Estou tão empolgada - tento fingir estar empolgada. Sinceramente, não sou e nunca fui
- Oi, sou Anna Fielding Cartwright. Sua casa é muito linda e moderna. - Ela me dá dois beijinhos na bochecha.
Ela é realmente uma mulher linda e chique de pernas grossas e cintura fina. Sua postura é chique e de princesa. Seus olhos azuis são chamativos e brilham como o mar.
- Oi Anna, Obrigada. Foi meu esposo quem comprou a casa e decorou - Sento-me com elas no cadeirão.
- Então essa ainda é a vossa casa de solteiro? -Senhora Fielding pergunta. - Porque normalmente as mulheres são quem decoram a casa...
- É que meu esposo já tinha essa casa, então não achei necessário redecorar. - quando termino de falar a senhora Fielding fica de boquiaberta e lança um olhar cúmplice a sua filha.
Lucas estava na cozinha fazendo sei lá o quê, provavelmente está ouvindo nossa conversam e a fugir da conversa!
- Então você vai aceitar viver numa casa de solteiros e pior que - ela baixa o tom de voz - ele trouxe outras mulheres cá.
De repente sua filha engasga-se com o chá. Sem ofensa, mas com a mãe que tem não vou me surpreender se ela desmaiar aqui mesmo de vergonha.
- Desculpe Antonella. - Anna bebe um pouco de água - Minha mãe está dizendo que daqui há mais anos vocês terão filhos e um apartamento não é apropriado para criar filhos.
- Ah sei... Nós não pensamos em ter filhos tão cedo. - Esclareço - somos o típico casal moderno e só estamos afim de curtir.
- Eu também! Mas minha mãe não aceita. - ela sorri e olha para sra.Fielding.
- Precisamos de herdeiros filha! Se você fôr esperta não terá problemas no futuro.
OK, para mim basta!
- Infelizmente eu preciso sair... - me levanto e elas também. Eu acompanho elas até a porta.
- Sexta feira terá um jantar em casa, depois eu mando um convite. - Anna me dá dois beijinhos da bochecha antes de saírem.
Depois de fechar a porta eu suspiro de cansaço, não é fácil suportar a sra.Fielding.
- Muito bem sra.Thompson, gostei de ver. - Lucas sai da cozinha sorrindo.
- Eu estava quase surtando Lucas. - Eu apoio meu corpo na porta e fecho os olhos. Fico pensando que só falta mais um dia e algumas horas para a entrevista de trabalho. Espero que eu convença sr.Harry para depois pôr em prática o plano.
Quando abro os olhos, Lucas estava bem na minha frente com as duas mãos apoiadas na porta. Sinto meu coração a bater num ritmo acelerado e por um instante minha respiração falha.
- Lucas... - sussurro.
- Shhh, apenas sinta o momento Antonella... eu não te vou tocar - ele sussurra no meu ouvido - só se você pedir.
Realmente eu não sabia o que queria, ao contrário do meu corpo, que sabe muito bem o que quer sentir agora.
- É melhor eu... - Sério Antonella? Diga alguma coisa! - eu preciso sair para comprar os meus novos grifes... Você quer ir também?
Eu sei! Sou uma estúpida! Mas o que sinto por Lucas é apenas um grande carinho e não quero estragar nossa amizade! Nunca estive aberta a relacionamentos amorosos, sempre preferi evitar para depois não sofrer como minha mãe sofreu.
- Desculpe, mas eu preciso sair para comprar o anel da minha linda esposa, moça - fala deixando o clima menos pesado e sorrio. Me estico para beijar sua bochecha.
- OK, moço. Sua esposa é muito sortuda...
- É verdade, ela sabe que é - Lucas sorri me dando visão do seu sorriso perfeito e suas covinhas que morro de amores só de ver.