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A Dor do Adeus

A Dor do Adeus

Autor:: Hui Hui Xiao Gu Liang
Gênero: Romance
O cheiro de desinfetante e a dor lancinante no meu abdômen foram os primeiros sinais. "Perdemos o bebê" , a frase do médico flutuou, inerte, antes de esmagar meu coração. Mas a dor física se tornou insignificante diante do vazio no meu peito. Lucas chegou, impecável, com seu terno e sua indiferença. "É uma pena, Lívia. Mas podemos tentar de novo" , disse ele, antes de atender o celular. Uma mensagem de Sofia acendeu na tela: "Lucas, a saia que você me deu ficou perfeita! Mal posso esperar para te mostrar. 😉" Sofia, a "energia e proatividade" que ele elogiava, e a dor no meu peito se transformou em raiva fria. Eu não era uma esposa, era um obstáculo inconveniente. No dia seguinte, Sofia trouxe um bolo de coco, "seu favorito" , disse ela. Eu odeio coco. O sorriso dela vacilou, mas a humilhação era um gosto amargo na minha boca. Horas depois, o Instagram da empresa de Lucas. Uma foto de "celebração de equipe" . Lá estava ele, sorrindo, com Sofia ao lado, usando a saia preta curta e justa. A legenda: "Um agradecimento especial à Sofia por sua dedicação e energia contagiante" . Não era apenas uma traição privada; era uma declaração pública, me substituindo diante de todos. Eu não chorei, não senti dor; apenas um frio que se espalhou pelas minhas veias. Com uma calma assustadora, enviei meu currículo para a "Doce Sonho", a maior concorrente dele. Naquela noite, não chorei por Lucas, planejei meu futuro. O casamento de sete anos não estava ruindo, ele já tinha acabado. Uma semana depois, ele tentou o truque do café: "Forte, como você" . "Lucas, há sete anos tomo café com leite e dois açúcares" , respondi, colocando o copo intocado no porta-copos. "Você que parou de prestar atenção." Ele tentou me dar cinquenta mil reais para "recomeçar" . Eu, na frente dele, transferi cada centavo de volta. "Eu não preciso do seu dinheiro." Fui à festa de aniversário de Sofia, no trabalho, com minha carta de demissão. "Você vai trabalhar para o nosso maior concorrente?" , ele sibilou. "Eu posso e eu vou." Ele agarrou meu braço, bem onde o cinto de segurança do acidente havia deixado uma marca roxa. Sofia se aproximou, o sorriso triunfante, exibindo uma pulseira idêntica à que ele me deu para "proteger nosso amor". "O Lucas disse que a sua arrebentou e ele jogou fora há meses. Ele me disse que queria que a proteção fosse para nós agora." Lentamente, tirei a pulseira do meu pulso e a deixei cair no chão. "Feliz aniversário" , eu disse a Sofia, "Você pode ficar com as sobras dele." Quebrei meu chip e joguei os pedaços pela janela. Aquele capítulo estava, finalmente, encerrado. Mas Lucas não parou. Ele queria a destruição. Será que Lívia conseguiria se libertar da teia de obsessão e vingança que ele tecia?

Introdução

O cheiro de desinfetante e a dor lancinante no meu abdômen foram os primeiros sinais.

"Perdemos o bebê" , a frase do médico flutuou, inerte, antes de esmagar meu coração.

Mas a dor física se tornou insignificante diante do vazio no meu peito.

Lucas chegou, impecável, com seu terno e sua indiferença.

"É uma pena, Lívia. Mas podemos tentar de novo" , disse ele, antes de atender o celular.

Uma mensagem de Sofia acendeu na tela: "Lucas, a saia que você me deu ficou perfeita! Mal posso esperar para te mostrar. 😉"

Sofia, a "energia e proatividade" que ele elogiava, e a dor no meu peito se transformou em raiva fria.

Eu não era uma esposa, era um obstáculo inconveniente.

No dia seguinte, Sofia trouxe um bolo de coco, "seu favorito" , disse ela. Eu odeio coco.

O sorriso dela vacilou, mas a humilhação era um gosto amargo na minha boca.

Horas depois, o Instagram da empresa de Lucas. Uma foto de "celebração de equipe" .

Lá estava ele, sorrindo, com Sofia ao lado, usando a saia preta curta e justa.

A legenda: "Um agradecimento especial à Sofia por sua dedicação e energia contagiante" .

Não era apenas uma traição privada; era uma declaração pública, me substituindo diante de todos.

Eu não chorei, não senti dor; apenas um frio que se espalhou pelas minhas veias.

Com uma calma assustadora, enviei meu currículo para a "Doce Sonho", a maior concorrente dele.

Naquela noite, não chorei por Lucas, planejei meu futuro.

O casamento de sete anos não estava ruindo, ele já tinha acabado.

Uma semana depois, ele tentou o truque do café: "Forte, como você" .

"Lucas, há sete anos tomo café com leite e dois açúcares" , respondi, colocando o copo intocado no porta-copos.

"Você que parou de prestar atenção."

Ele tentou me dar cinquenta mil reais para "recomeçar" .

Eu, na frente dele, transferi cada centavo de volta. "Eu não preciso do seu dinheiro."

Fui à festa de aniversário de Sofia, no trabalho, com minha carta de demissão.

"Você vai trabalhar para o nosso maior concorrente?" , ele sibilou.

"Eu posso e eu vou."

Ele agarrou meu braço, bem onde o cinto de segurança do acidente havia deixado uma marca roxa.

Sofia se aproximou, o sorriso triunfante, exibindo uma pulseira idêntica à que ele me deu para "proteger nosso amor".

"O Lucas disse que a sua arrebentou e ele jogou fora há meses. Ele me disse que queria que a proteção fosse para nós agora."

Lentamente, tirei a pulseira do meu pulso e a deixei cair no chão.

"Feliz aniversário" , eu disse a Sofia, "Você pode ficar com as sobras dele."

Quebrei meu chip e joguei os pedaços pela janela. Aquele capítulo estava, finalmente, encerrado.

Mas Lucas não parou. Ele queria a destruição. Será que Lívia conseguiria se libertar da teia de obsessão e vingança que ele tecia?

Capítulo 1

O cheiro de desinfetante invadiu minhas narinas antes mesmo de eu conseguir abrir os olhos, um odor agudo e limpo que contrastava com a dor surda que pulsava em meu abdômen.

Abri os olhos devagar.

As luzes brancas do teto do hospital me cegaram por um instante.

Um médico estava ao lado da minha cama, seu rosto era uma máscara de compaixão profissional.

"Senhora Lívia, você sofreu um acidente de carro. Você está estável, mas... lamento informar que perdemos o bebê."

As palavras dele flutuaram no ar, sem peso, demorando a encontrar um lugar para pousar na minha mente atordoada.

O bebê.

Meu bebê.

A dor física em meu corpo de repente se tornou insignificante, engolida por um vazio imenso que se abriu no meu peito.

Eu não chorei. Eu não gritei. Apenas senti o eco daquela perda, um silêncio profundo e assustador.

Lucas chegou uma hora depois.

Ele entrou no quarto, o som de seus sapatos caros ecoando no chão de linóleo. Ele parecia impecável, como sempre, em seu terno de negócios, o cabelo perfeitamente penteado.

Ele olhou para mim, depois para o monitor de frequência cardíaca ao meu lado.

"O médico disse que você vai ficar bem."

Sua voz era calma, distante, como se estivesse comentando sobre o tempo.

"Lucas... o bebê..." minha voz saiu como um sussurro rouco.

Ele suspirou, um som de impaciência.

"Eu sei. É uma pena. Mas nós somos jovens, Lívia. Podemos tentar de novo."

Ele pegou o celular do bolso e começou a digitar, o polegar se movendo rapidamente sobre a tela.

"Aconteceu um problema com o projeto de Santa Mônica, preciso resolver isso."

Eu o observei, deitada naquela cama de hospital, o corpo dolorido, a alma estraçalhada, e vi um estranho. O homem com quem eu havia compartilhado minha vida por sete anos não estava ali. Em seu lugar, havia um empresário preocupado com seus negócios.

A indiferença dele era mais dolorosa que a perda.

Ele foi ao banheiro, e foi quando o celular dele, que ele deixou na mesinha de cabeceira, vibrou.

A tela se acendeu.

Uma notificação de mensagem de uma tal de Sofia.

"Lucas, a saia que você me deu ficou perfeita! Mal posso esperar para te mostrar. 😉"

Sofia.

A nova assistente dele. Uma jovem que ele havia contratado há dois meses, elogiando sua "energia e proatividade" .

Naquele momento, tudo fez sentido. A distância, as reuniões noturnas, a frieza.

A imagem daquela saia, que eu nunca tinha visto, se projetou na minha mente. A dor no meu peito se transformou em uma raiva fria.

Eu não era apenas uma inconveniência. Eu era um obstáculo que havia sido temporariamente removido do caminho dele.

Enquanto a raiva fervia sob a minha pele, uma clareza inesperada tomou conta de mim. Eu não podia continuar assim. Eu não queria mais ser a mulher que esperava por migalhas de atenção.

Peguei meu próprio celular, meus dedos tremendo um pouco, e disquei o número de Bruno. Meu amigo de longa data, o chef confeiteiro que sempre me incentivou.

"Lívia? O que aconteceu? Sua voz está estranha."

A preocupação genuína na voz dele quase me fez desmoronar.

"Eu sofri um acidente, Bruno. Perdi o bebê."

Houve um silêncio chocado do outro lado da linha.

"Meu Deus, Lívia. Onde você está? Estou indo para aí agora."

"Não precisa. Eu só... eu precisava ouvir uma voz amiga." Respirei fundo, tentando manter a firmeza. "Bruno, a 'Doce Sonho' ainda está contratando um chef de confeitaria?"

Ele hesitou por um segundo, provavelmente surpreso com a pergunta repentina.

"Sim. A vaga ainda está aberta. Mas, Lívia, você tem certeza? Agora?"

"Eu nunca tive tanta certeza de nada na minha vida" , eu disse, e pela primeira vez naquele dia, senti uma faísca de força dentro de mim.

Lucas saiu do banheiro, já ajeitando a gravata.

"Preciso ir. Tenho uma reunião urgente que não posso adiar." Ele nem olhou para mim direito. "Vou pedir para a Sofia passar na nossa casa e trazer algumas coisas para você. Ela é muito prestativa."

Ele se inclinou, deu um beijo frio na minha testa e saiu, deixando para trás o cheiro de seu perfume caro e um silêncio ensurdecedor.

Sozinha no quarto estéril, eu olhei para a janela. A noite caía sobre a cidade. O reflexo no vidro me mostrava um rosto pálido, com olhos que pareciam vazios. Mas por baixo da dor, algo novo estava nascendo.

Uma decisão.

O relacionamento de sete anos não estava apenas ruindo.

Ele já tinha acabado.

Eu só não tinha percebido até agora.

Capítulo 2

No dia seguinte, Sofia apareceu no hospital.

Ela era exatamente como eu imaginava: jovem, bonita, com um sorriso que não alcançava os olhos. Carregava uma sacola de uma confeitaria famosa.

"Lívia, o Lucas me pediu para trazer suas coisas. E eu trouxe um doce para você se sentir melhor."

Ela colocou a caixa na mesinha de cabeceira e a abriu, revelando um bolo de coco perfeitamente decorado.

Eu olhei para o bolo.

Eu odeio coco. Sempre odiei. Em sete anos, Lucas nunca se esqueceu disso. Ele sempre tirava sarro de como eu fazia careta só de sentir o cheiro.

"Obrigada" , eu disse, a voz neutra. "Mas sou alérgica a coco."

O sorriso de Sofia vacilou por um segundo.

"Oh! Que pena. O Lucas disse que era o seu favorito."

Claro que ele disse.

Mais tarde, meu celular tocou. Era Lucas.

"Você já superou o drama? Preciso que você assine uns papéis do apartamento, estou pensando em usar como garantia para um novo investimento."

A frieza em sua voz era inacreditável. Eu ainda estava no hospital, me recuperando de um acidente que matou nosso filho, e ele estava falando de investimentos.

"Lucas, eu acabei de passar por uma cirurgia. Você pode esperar?"

"É rápido, Lívia. Não seja tão sensível."

De repente, ouvi uma risada feminina no fundo. Uma risada alta e um pouco forçada. A risada de Sofia.

A voz de Lucas mudou instantaneamente, tornando-se mais suave, quase brincalhona.

"Sofia, para com isso. Estou no telefone."

Ele se despediu de mim apressadamente e desligou.

Eu fiquei olhando para o celular em minha mão, a tela escura refletindo meu rosto sem expressão. A humilhação era um gosto amargo na minha boca.

Horas depois, sem conseguir dormir, peguei meu celular e abri o Instagram por puro hábito. A primeira postagem no meu feed era da página da empresa de Lucas.

Uma foto de uma "celebração de equipe" .

Lá estava ele, no centro da foto, sorrindo para a câmera. Ao seu lado, com um braço possessivamente em volta de sua cintura, estava Sofia.

Ela usava uma saia preta curta e justa. A mesma saia da mensagem de texto.

A legenda, claramente escrita por Lucas, dizia: "Comemorando o sucesso com a equipe que faz acontecer. Um agradecimento especial à Sofia por sua dedicação e energia contagiante, que nos impulsiona a ir sempre além."

O ar pareceu ser sugado dos meus pulmões.

Não era apenas uma traição privada. Era uma declaração pública. Ele não estava apenas me enganando, estava me substituindo diante de todos. Nossos amigos em comum, colegas de trabalho, todos veriam aquilo.

Eu esperava sentir uma onda de dor, lágrimas, desespero.

Mas não senti nada.

Apenas um frio que se espalhou por minhas veias.

Fechei o Instagram. Abri meu e-mail.

Com uma calma que me surpreendeu, anexei meu currículo e portfólio a uma nova mensagem. O destinatário era o gerente de RH da "Doce Sonho" , a maior concorrente da empresa de Lucas no ramo de confeitaria de luxo.

O assunto: "Candidatura para a vaga de Chef de Confeitaria."

No corpo do e-mail, escrevi uma breve apresentação, destacando minha experiência e minha paixão.

Cliquei em "enviar" .

O pequeno som de notificação do e-mail sendo enviado foi o som mais libertador que eu já tinha ouvido.

Naquela noite, eu não chorei por Lucas. Eu não chorei pelo nosso passado. Eu planejei meu futuro. Um futuro sem ele.

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