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A Escolha Fatal: Quando a Prioridade Não Era Eu

A Escolha Fatal: Quando a Prioridade Não Era Eu

Autor:: Qin Wei
Gênero: Moderno
O cheiro a desinfetante no hospital era sufocante. Eu estava ali, com o braço engessado, depois de um acidente de carro que quase me custou a vida. Atrás de mim, o meu namorado, Leo, falava ao telemóvel com a mãe, minimizando a minha dor. "A Ana? Ah, ela só partiu um braço. Não é nada de grave." A sua voz era leve, vazia de preocupação. Ele tinha o meu namorado, a pessoa que eu amava, tinha-me deixado presa nos destroços, a sangrar, para socorrer o pai dele, que tinha uma fratura ligeira na perna. «Mais urgente?», perguntei, a minha voz rouca, sem conseguir conter a incredulidade e a traição. Ele justificou-se com a maior naturalidade, como se fosse óbvio: "Sim, ele é mais velho. Tu és jovem, recuperas depressa." Ali, naquele leito de hospital, percebi que nunca seria a sua prioridade. Nem mesmo quando a minha vida estava em risco. Foi naquele momento que a minha desilusão se transformou em decisão. "Leo, vamos terminar", disse, com uma calma que me surpreendeu. Mas a confusão e a raiva dele foram imediatas, seguidas de uma incessante onda de manipulação vinda dele e da sua família. Mensagens, chamadas, presentes, e acusações de que eu era egoísta e ingrata. Eu, a vítima, estava a ser culpada. «Estás a ser egoísta, Ana. O Leo precisa de ti agora. A nossa família passou por um trauma», dizia a mãe dele, ignorando completamente o meu. Mas não era apenas a dor do abandono que me assombrava. Era a constatação de que o homem que eu amava era um estranho que me via como uma segunda opção, descartável. O que eu não esperava era que a sua obsessão o levasse a passar de suplicante a perseguidor. Fotos minhas tiradas à distância, do lado de fora do meu apartamento, revelaram o horror: ele estava a vigiar-me. Aquele que um dia prometeu cuidar de mim, agora era a minha maior ameaça. Quando ele me encurralou na rua, com uma chave de fendas na mão, a minha vida não era mais sobre recuperar de um acidente. Era sobre lutar pela minha liberdade, pela minha sanidade, e por fim, pela minha vida. Estaria eu condenada a ser a sua posse ou teria finalmente a força para me levantar e salvar-me?

Introdução

O cheiro a desinfetante no hospital era sufocante.

Eu estava ali, com o braço engessado, depois de um acidente de carro que quase me custou a vida.

Atrás de mim, o meu namorado, Leo, falava ao telemóvel com a mãe, minimizando a minha dor.

"A Ana? Ah, ela só partiu um braço. Não é nada de grave."

A sua voz era leve, vazia de preocupação.

Ele tinha o meu namorado, a pessoa que eu amava, tinha-me deixado presa nos destroços, a sangrar, para socorrer o pai dele, que tinha uma fratura ligeira na perna.

«Mais urgente?», perguntei, a minha voz rouca, sem conseguir conter a incredulidade e a traição.

Ele justificou-se com a maior naturalidade, como se fosse óbvio: "Sim, ele é mais velho. Tu és jovem, recuperas depressa."

Ali, naquele leito de hospital, percebi que nunca seria a sua prioridade.

Nem mesmo quando a minha vida estava em risco.

Foi naquele momento que a minha desilusão se transformou em decisão.

"Leo, vamos terminar", disse, com uma calma que me surpreendeu.

Mas a confusão e a raiva dele foram imediatas, seguidas de uma incessante onda de manipulação vinda dele e da sua família.

Mensagens, chamadas, presentes, e acusações de que eu era egoísta e ingrata.

Eu, a vítima, estava a ser culpada.

«Estás a ser egoísta, Ana. O Leo precisa de ti agora. A nossa família passou por um trauma», dizia a mãe dele, ignorando completamente o meu.

Mas não era apenas a dor do abandono que me assombrava.

Era a constatação de que o homem que eu amava era um estranho que me via como uma segunda opção, descartável.

O que eu não esperava era que a sua obsessão o levasse a passar de suplicante a perseguidor.

Fotos minhas tiradas à distância, do lado de fora do meu apartamento, revelaram o horror: ele estava a vigiar-me.

Aquele que um dia prometeu cuidar de mim, agora era a minha maior ameaça.

Quando ele me encurralou na rua, com uma chave de fendas na mão, a minha vida não era mais sobre recuperar de um acidente.

Era sobre lutar pela minha liberdade, pela minha sanidade, e por fim, pela minha vida.

Estaria eu condenada a ser a sua posse ou teria finalmente a força para me levantar e salvar-me?

Capítulo 1

O cheiro a desinfetante no hospital era forte, quase me sufocava.

Eu estava sentada numa cadeira de rodas, empurrada por uma enfermeira. O meu braço esquerdo estava engessado, pendurado à frente do meu peito.

Atrás de mim, o meu namorado, Leo, falava ao telemóvel com a sua mãe.

"Mãe, não te preocupes, a perna do pai está bem, o médico disse que é só uma fratura ligeira, vai recuperar depressa."

"A Ana? Ela está bem, só partiu um braço. Não é nada de grave."

A sua voz era leve, como se estivesse a falar do tempo.

Ele desligou o telemóvel e deu uma palmadinha no meu ombro.

"Ouviste? O meu pai está bem. Sinto muito, tive de o levar primeiro ao hospital. A situação dele era mais urgente."

Olhei para o gesso no meu braço.

"Mais urgente?"

A minha voz saiu rouca.

"Sim, ele é mais velho, os ossos são mais frágeis. Tu és jovem, recuperas depressa."

Ele disse isto com naturalidade, como se fosse a verdade mais óbvia do mundo.

No acidente de carro, o carro dele bateu no nosso. O pai dele estava no banco do passageiro, e eu estava no banco de trás.

O carro capotou.

Lembro-me de o ter chamado, a minha voz a tremer.

Ele saiu do carro, olhou para mim e depois para o pai dele, que gemia de dor.

Ele escolheu ajudar o pai primeiro.

Deixou-me presa nos destroços, a sangrar, à espera dos bombeiros.

Agora, ele diz que a situação do pai era mais urgente.

Uma fratura ligeira na perna contra um braço partido e múltiplas contusões.

"Leo, vamos terminar."

Eu disse isto com calma, olhando diretamente para ele.

Ele franziu a testa, parecendo confuso.

"Terminar? Porquê? Por causa disto? Ana, não sejas infantil. Eu estava numa situação difícil, tive de fazer uma escolha."

"Sim, tu fizeste uma escolha."

"Exato. E agora estamos todos bem. O meu pai está a descansar, e tu foste tratada. Qual é o problema?"

O problema era que, naquele momento, eu percebi que nunca seria a sua prioridade.

Nem mesmo quando a minha vida estava em risco.

Ele olhou para o relógio.

"Tenho de ir ver o meu pai. A minha mãe está a chegar. Fica aqui e descansa. Falamos mais tarde."

Ele virou-se para sair, sem esperar pela minha resposta.

"Leo."

Chamei-o.

Ele parou, mas não se virou.

"O anel. Devolve-mo."

Ele ficou em silêncio por um momento. Depois, tirou um pequeno anel de prata do dedo mindinho e colocou-o na mesa ao meu lado.

Era o anel que eu lhe tinha dado no nosso primeiro aniversário.

"Se é isso que queres."

E saiu.

Fiquei a olhar para o anel. Pequeno, simples, barato.

Como o meu amor por ele, que agora parecia igualmente insignificante.

A enfermeira voltou com os meus papéis da alta.

"Está pronta para ir, menina?"

Abanei a cabeça, tentando afastar as lágrimas.

"Sim. Estou pronta."

Capítulo 2

Cheguei a casa e o apartamento estava escuro e silencioso.

Leo não estava lá. Provavelmente ainda estava no hospital com a família.

Liguei a luz.

O nosso retrato, pendurado na parede da sala, pareceu zombar de mim.

Dois rostos sorridentes, congelados num tempo que já não existia.

Tirei o quadro da parede e pu-lo no chão, virado para baixo.

Não queria olhar para ele.

O meu telemóvel tocou. Era a mãe do Leo, a Sofia.

Atendi.

"Ana, querida, como estás? O Leo disse-me que partiste o braço. Sinto muito."

A sua voz era melosa, mas eu conseguia sentir a falsidade.

"Estou bem, obrigada."

"Que bom. O pai do Leo está a descansar. Foi um grande susto para todos nós. Sabes como ele é, já não tem idade para estas coisas."

Ela fez uma pausa, esperando que eu concordasse.

"O Leo disse-me que vocês tiveram uma pequena discussão. Ele está muito em baixo."

Pequena discussão. Era assim que ela chamava?

"Não foi uma discussão, Sofia. Nós terminámos."

Ouvi-a suspirar do outro lado da linha.

"Ana, não sejas precipitada. Os homens são assim. A família vem sempre em primeiro lugar. Devias entender isso. Um dia, quando te casares com o Leo, vais perceber."

"Eu não me vou casar com o Leo."

"Não digas isso. Vocês os dois amam-se. Foi só um momento de pânico. Ele teve de tomar uma decisão rápida. O pai dele estava a gritar de dor. O que é que ele podia fazer?"

Deixar-me presa no carro. Era isso que ele podia fazer.

"Eu compreendo a decisão dele. E tomei a minha. Acabou."

"Estás a ser egoísta, Ana. Estás a pensar só em ti. O Leo precisa de ti agora. A nossa família passou por um trauma."

A nossa família. Eu nunca fiz parte dela, pois não?

Eu era apenas a namorada. Descartável.

"Tenho de desligar, Sofia. Estou cansada."

"Espera! O Leo ama-te. Ele comprou-te um presente. Ia dar-to hoje à noite, antes do acidente."

Um presente?

Isso devia fazer-me sentir melhor?

"Não quero nenhum presente."

"É um colar. Muito bonito. Ele poupou durante meses para o comprar. Não podes simplesmente deitá-lo fora assim."

A sua voz tornou-se suplicante.

"Adeus, Sofia."

Desliguei antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa.

Bloqueei o número dela. E o do Leo também.

Não queria mais ouvir as suas desculpas, as suas manipulações.

Sentei-me no sofá. O silêncio da casa era ensurdecedor.

Pela primeira vez em três anos, eu estava sozinha.

E, estranhamente, senti um alívio.

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