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A Escolha das Chamas

A Escolha das Chamas

Autor:: Mo Yufei
Gênero: Moderno
Meu irmão Miguel estava gravemente doente, e a única esperança de tratamento residia nas nossas poupanças, guardadas no apartamento dele. Quando um incêndio infernal deflagrou no edifício, liguei desesperada para o meu marido, Leo, um bombeiro. Implorei-lhe que salvasse Miguel e o dinheiro vital. Mas a voz dele, do outro lado da linha, soava irritada e distante, mencionando apenas que a irmã dele, Clara, também estava lá presa. Corri para o caos e vi Leo emergir do fumo e das chamas. Nos braços dele, a sua irmã Clara, milagrosamente ilesa, segurando firmemente uma mala de marca. Minutos depois, Miguel foi retirado inconsciente numa maca, o corpo coberto de fuligem, a lutar pela vida. "Não consegui chegar a tempo", gaguejou Leo, e aquele suspiro falso rasgou o meu coração. No hospital, perante a condição crítica de Miguel, a família de Leo – ele próprio, a mãe Helena e a irmã Clara – agiam como os verdadeiros heróis e vítimas da tragédia. Helena louvava a "coragem" do filho, ao mesmo tempo que me culpava por ter o dinheiro de Miguel em casa. A raiva e a dor esmagaram-me. Mas a verdade, cruel e fria, veio à tona através da Sra. Matos, nossa vizinha do 4B. Ela revelou que Leo passou mais de quinze minutos no apartamento da Clara, no segundo andar, a ajudá-la a recolher joias e malas valiosas. Isso aconteceu antes que o fogo impedisse o acesso aos andares superiores. A Sra. Matos viu-o olhar para a janela de Miguel e hesitar, antes de simplesmente desistir. Não foi um acidente. Não foi falta de tempo ou impossibilidade. Foi uma escolha deliberada. Ele, um bombeiro treinado, escolheu conscientemente bens materiais em detrimento da vida do meu irmão. A traição era uma lâmina afiada cravada no meu peito. Não havia volta a dar. Fui para casa e enfrentei-o. "Tu não tentaste. Tu escolheste." Perante as suas justificações repugnantes e a sua crueldade, a minha voz tremeu apenas uma vez. "Quero o divórcio." A partir daquele momento, a guerra estava declarada. E eu, Sofia, não ia perder. Lutaria por Miguel e faria Leo pagar por cada centímetro da sua traição.

Introdução

Meu irmão Miguel estava gravemente doente, e a única esperança de tratamento residia nas nossas poupanças, guardadas no apartamento dele.

Quando um incêndio infernal deflagrou no edifício, liguei desesperada para o meu marido, Leo, um bombeiro.

Implorei-lhe que salvasse Miguel e o dinheiro vital.

Mas a voz dele, do outro lado da linha, soava irritada e distante, mencionando apenas que a irmã dele, Clara, também estava lá presa.

Corri para o caos e vi Leo emergir do fumo e das chamas.

Nos braços dele, a sua irmã Clara, milagrosamente ilesa, segurando firmemente uma mala de marca.

Minutos depois, Miguel foi retirado inconsciente numa maca, o corpo coberto de fuligem, a lutar pela vida.

"Não consegui chegar a tempo", gaguejou Leo, e aquele suspiro falso rasgou o meu coração.

No hospital, perante a condição crítica de Miguel, a família de Leo – ele próprio, a mãe Helena e a irmã Clara – agiam como os verdadeiros heróis e vítimas da tragédia.

Helena louvava a "coragem" do filho, ao mesmo tempo que me culpava por ter o dinheiro de Miguel em casa.

A raiva e a dor esmagaram-me.

Mas a verdade, cruel e fria, veio à tona através da Sra. Matos, nossa vizinha do 4B.

Ela revelou que Leo passou mais de quinze minutos no apartamento da Clara, no segundo andar, a ajudá-la a recolher joias e malas valiosas.

Isso aconteceu antes que o fogo impedisse o acesso aos andares superiores.

A Sra. Matos viu-o olhar para a janela de Miguel e hesitar, antes de simplesmente desistir.

Não foi um acidente.

Não foi falta de tempo ou impossibilidade.

Foi uma escolha deliberada.

Ele, um bombeiro treinado, escolheu conscientemente bens materiais em detrimento da vida do meu irmão.

A traição era uma lâmina afiada cravada no meu peito.

Não havia volta a dar.

Fui para casa e enfrentei-o.

"Tu não tentaste. Tu escolheste."

Perante as suas justificações repugnantes e a sua crueldade, a minha voz tremeu apenas uma vez.

"Quero o divórcio."

A partir daquele momento, a guerra estava declarada.

E eu, Sofia, não ia perder.

Lutaria por Miguel e faria Leo pagar por cada centímetro da sua traição.

Capítulo 1

O meu telemóvel quase me caiu das mãos trémulas. Do outro lado da linha, o som de sirenes e gritos abafava a voz do meu marido, Leo.

"Leo, por favor, o Miguel!" A minha voz falhou, embargada pelo pânico. "O apartamento dele é no quinto andar, o 5B. O dinheiro, Leo, o dinheiro para o tratamento dele está lá!"

"Sofia, acalma-te," a voz dele soou distante, irritada. "Há um incêndio em todo o prédio. A minha irmã também está aqui presa!"

"A Clara mora no segundo andar!" gritei, o desespero a tomar conta de mim. "O fogo está a subir, por favor, vai buscar o Miguel primeiro!"

"Estou a tratar disso. Tenho de desligar."

A chamada terminou.

Um silêncio ensurdecedor encheu o meu pequeno apartamento, a quilómetros de distância do caos. Fiquei a olhar para o ecrã escuro, o coração a bater descontroladamente no meu peito.

Não consegui ficar parada. Agarrei nas chaves do carro e corri para a rua, conduzindo de forma imprudente em direção ao inferno que tinha engolido o prédio do meu irmão.

Quando cheguei, a cena era de puro pânico. Fumo negro subia para o céu noturno. Polícias criavam um perímetro, mantendo os curiosos afastados.

Procurei desesperadamente por Leo no meio da multidão de bombeiros.

E então vi-o.

Ele estava a sair do cordão de isolamento, a cara manchada de fuligem. Nos seus braços, carregava a sua irmã, Clara.

Ela chorava, mas parecia ilesa. Agarrava-se a ele com uma mão e, na outra, segurava firmemente uma mala de marca.

Corri na direção deles, o meu alívio por vê-lo seguro foi imediatamente substituído por um medo gelado.

"Leo! E o Miguel? Onde está o meu irmão?"

Leo evitou o meu olhar. Pousou Clara cuidadosamente no chão, que foi imediatamente amparada pela nossa sogra, Helena, que tinha chegado não sei como.

"Sofia," ele disse, a voz rouca. "Eu... não consegui chegar a tempo."

O mundo à minha volta parou. O barulho das sirenes, os gritos, tudo desapareceu.

"O que queres dizer com 'não consegui chegar a tempo'?" perguntei, a minha voz um sussurro. "Tu foste buscá-la a ela primeiro, não foste?"

Ele olhou para a irmã, depois para a mãe, e finalmente para mim. A culpa no seu rosto era inegável.

"O andar dela era mais acessível. O fogo já tinha bloqueado as escadas para o quinto andar quando eu tentei subir."

Naquele momento, uma equipa de paramédicos passou por nós a correr com uma maca.

Deitado nela, coberto por uma máscara de oxigénio, estava o meu irmão, Miguel. Inconsciente.

O meu corpo moveu-se por instinto. Corri atrás da maca, o nome dele a sair dos meus lábios num grito mudo.

Capítulo 2

No hospital, o cheiro a antissético era avassalador. Sentei-me numa cadeira de plástico desconfortável, à espera de notícias. Cada minuto parecia uma hora.

Finalmente, um médico apareceu. A sua expressão era grave.

"A condição do seu irmão é crítica," disse ele, com uma voz calma mas firme. "Ele sofreu uma inalação severa de fumo. Os pulmões dele estão gravemente danificados. A condição crónica que ele já tinha... isto complicou tudo de forma perigosa. As próximas 48 horas são cruciais."

As palavras dele eram como golpes físicos. Senti o ar a faltar-me.

Pouco depois, Leo, Helena e Clara entraram na sala de espera. Helena correu para a filha, a examinar um pequeno arranhão no braço de Clara como se fosse um ferimento mortal.

"Oh, minha querida, que susto! Estás bem? Aquele fumo todo... podias ter morrido!"

Clara fungava, encostada ao ombro da mãe. "Foi horrível, mãe. O Leo foi um herói. Salvou-me."

Helena virou-se para mim, o seu olhar frio como gelo.

"Devias estar grata, Sofia. O meu filho é um herói. Ele arriscou a vida dele. A família tem de vir primeiro nestas situações."

A família. A família deles. O meu irmão, a lutar pela vida a poucos metros de distância, não contava.

A raiva sobrepôs-se ao choque. Levantei-me.

"O dinheiro, Leo," disse eu, a minha voz a tremer. "O dinheiro para o tratamento do Miguel. Estava debaixo da cama dele, numa caixa. Eram todas as nossas poupanças."

Leo desviou o olhar novamente. "Sofia, agora não é altura para falar de dinheiro. Vidas estavam em risco."

"A vida do meu irmão estava em risco!" a minha voz subiu de tom. "Aquele dinheiro era a única esperança dele! Tu foste ao segundo andar buscar a tua irmã e a mala de luxo dela, mas não conseguiste subir ao quinto para salvar o meu irmão e a única coisa que o podia manter vivo?"

"Não fales assim com o meu filho!" interveio Helena, defensiva. "Ele fez o que pôde! Se o teu irmão era tão importante, porque é que guardavas o dinheiro dele num apartamento em vez de num banco?"

A crueldade da pergunta deixou-me sem palavras.

Ficámos em silêncio, a tensão a pairar no ar, até que uma enfermeira nos interrompeu.

"A família do senhor Miguel Andrade?"

Virei-me de imediato. "Sou eu, a irmã dele."

"Ele está a ser transferido para os cuidados intensivos. Podem vê-lo por um momento, mas apenas uma pessoa de cada vez."

Sem sequer olhar para trás, segui a enfermeira pelo corredor.

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