Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Moderno > A Escolha de Sofia: Um Destino Longe do Desprezo
A Escolha de Sofia: Um Destino Longe do Desprezo

A Escolha de Sofia: Um Destino Longe do Desprezo

Autor:: Qin Wei
Gênero: Moderno
Por três longos anos, eu, Sofia, uma jovem rotulada como "mimada" por meu pai, o Senhor Almeida, fui enviada para uma estação de pesquisa remota no coração do Pantanal. Lá, em meio à natureza selvagem e isolamento, minha única esperança era conquistar o afeto do Capitão Ricardo. Mas ele, o homem por quem eu nutria uma paixão obstinada, só me oferecia frieza e desdém, tratando-me como um fardo. Enquanto isso, minha meia-irmã Laura, a "doce" assistente da estação, incessantemente me incriminava e manipulava as situações, envenenando qualquer chance de aceitação. A dor se tornou insuportável no dia em que, após uma perigosa picada de cobra, Ricardo friamente me abandonou à minha sorte para salvar Laura. Mas a humilhação final veio quando Laura, em um ato de pura maldade, rasgou a única e preciosa foto da minha falecida mãe. E Ricardo? Ele, o Capitão "justo", mais uma vez cegamente tomou o lado dela, e como punição, fui obrigada a passar a noite inteira sob uma chuva gélida e persistente. Como ele pôde ser tão cego à verdade? Tão cruelmente injusto? Meu coração, que um dia o amou com fervor, se despedaçou e virou cinzas, e a dor da sua traição era excruciante. As lágrimas que se misturavam à chuva em meu rosto eram de libertação. Basta! Eu não seria mais a Sofia mimada, aprisionada por uma busca vã por aprovação. Com a herança da minha mãe, que era minha por direito, tomei uma decisão drástica: aceitei o casamento arranjado no sertão desconhecido da Bahia. Era hora de fugir. Iria me libertar, construir uma vida genuína onde encontraria o verdadeiro amor, respeito e valor que ele jamais me deu, custasse o que custasse. Que a minha nova vida comece!

Introdução

Por três longos anos, eu, Sofia, uma jovem rotulada como "mimada" por meu pai, o Senhor Almeida, fui enviada para uma estação de pesquisa remota no coração do Pantanal. Lá, em meio à natureza selvagem e isolamento, minha única esperança era conquistar o afeto do Capitão Ricardo.

Mas ele, o homem por quem eu nutria uma paixão obstinada, só me oferecia frieza e desdém, tratando-me como um fardo. Enquanto isso, minha meia-irmã Laura, a "doce" assistente da estação, incessantemente me incriminava e manipulava as situações, envenenando qualquer chance de aceitação.

A dor se tornou insuportável no dia em que, após uma perigosa picada de cobra, Ricardo friamente me abandonou à minha sorte para salvar Laura. Mas a humilhação final veio quando Laura, em um ato de pura maldade, rasgou a única e preciosa foto da minha falecida mãe. E Ricardo? Ele, o Capitão "justo", mais uma vez cegamente tomou o lado dela, e como punição, fui obrigada a passar a noite inteira sob uma chuva gélida e persistente.

Como ele pôde ser tão cego à verdade? Tão cruelmente injusto? Meu coração, que um dia o amou com fervor, se despedaçou e virou cinzas, e a dor da sua traição era excruciante. As lágrimas que se misturavam à chuva em meu rosto eram de libertação.

Basta! Eu não seria mais a Sofia mimada, aprisionada por uma busca vã por aprovação. Com a herança da minha mãe, que era minha por direito, tomei uma decisão drástica: aceitei o casamento arranjado no sertão desconhecido da Bahia. Era hora de fugir. Iria me libertar, construir uma vida genuína onde encontraria o verdadeiro amor, respeito e valor que ele jamais me deu, custasse o que custasse. Que a minha nova vida comece!

Capítulo 1

Sofia encarou o telefone por um longo momento.

Três anos.

Três anos naquela estação de pesquisa remota no Pantanal, tentando fazer o Capitão Ricardo notá-la, desejá-la.

Três anos de olhares frios, palavras duras, e uma indiferença que a feria profundamente.

Ele a tratava como uma criança mimada, um fardo.

O Pantanal, que seu pai, o Senhor Almeida, escolhera para "discipliná-la", tornou-se o palco de sua humilhação silenciosa.

Agora, o desespero era um nó na garganta, sufocante.

Ela não aguentava mais.

Com dedos trêmulos, discou o número do pai.

A voz dele, do outro lado da linha, soou impaciente, como sempre quando se tratava dela.

"Sofia? O que quer desta vez? Mais dinheiro para suas festas?"

A ironia doía. Festas. Aqui, no meio do nada, sua única festa era a solidão.

"Eu aceito," ela disse, a voz surpreendentemente firme, cortando a zombaria dele.

"Aceita o quê?"

"O casamento. Com o tal João, do sertão da Bahia. Eu me caso."

Um silêncio pesado instalou-se na linha.

Sofia podia quase ouvir os pensamentos do pai, o alívio mal disfarçado. Laura, sua preciosa enteada, estaria livre.

"Mas," Sofia continuou, a voz ganhando força, "quero o que é meu por direito. A herança da minha mãe. Quero cada centavo. Como meu dote."

Outro silêncio, mais longo.

Então, a voz do Senhor Almeida, agora com um tom calculista.

"Está bem, Sofia. Se é isso que quer para acabar com essa rebeldia."

Rebeldia. Era assim que ele via sua dor, seu sentimento de abandono.

Ela desligou, o coração batendo forte contra as costelas. Uma mistura de desafio e um medo gelado do desconhecido.

As lembranças vieram como uma enxurrada, dolorosas e nítidas.

Sua mãe, tão vibrante, definhando em uma cama de hospital. A morte prematura.

E então, rápido demais, o novo casamento do pai. Com Amélia, sua paixão de juventude, a mãe de Laura.

Laura. Doce e frágil na aparência, mas com olhos que brilhavam com uma astúcia que Sofia aprendeu a temer.

De repente, Sofia era a intrusa em sua própria casa. O centro das atenções do pai deslocou-se para a nova esposa e, principalmente, para Laura.

Cada gesto de carinho para Laura era uma farpa em seu coração.

A rebeldia começou aí. Festas, roupas caras, amantes passageiros na Suíça, tudo financiado pelo dinheiro do pai, uma provocação constante.

Uma tentativa desesperada de ser vista, de sentir alguma coisa além do vazio.

Até que veio a notícia da "política de integração social".

Uma desculpa esfarrapada.

Seu pai queria proteger Laura de um casamento arranjado no interior, um destino considerado indigno para sua enteada perfeita.

E Sofia, a filha problema, era o sacrifício perfeito.

Antes do sertão, porém, veio o Pantanal. A estação de pesquisa do Capitão Ricardo.

Um amigo da família, encarregado de "endireitá-la".

Ricardo. Frio, disciplinado, dedicado ao trabalho.

Um homem que ela, em sua carência e desafio, decidiu que seria seu.

Ele era alto, forte, com olhos penetrantes que pareciam ver através dela.

Mas sua frieza era uma muralha.

Por três anos, ela tentou.

Deixava bilhetes provocantes. Usava roupas que realçavam suas curvas sob o calor úmido do Pantanal.

Fingia precisar de ajuda com equipamentos pesados, apenas para sentir a proximidade dele.

Às vezes, ele parecia ceder. Um olhar mais demorado. Uma ajuda não solicitada para carregar algo pesado.

Uma vez, encontrou um frasco de repelente natural em sua mesa, feito com ervas locais, do tipo que ele mesmo usava. Ele nunca admitiu ter deixado lá.

Esses pequenos gestos alimentavam uma esperança frágil.

Mas Laura estava sempre presente, mesmo à distância.

Laura, a bióloga assistente na estação, que chegara alguns meses depois dela.

Laura, que Ricardo tratava com uma deferência especial.

Ele guardava um artesanato malfeito que ela lhe dera, um pequeno jacaré de argila, em sua mesa.

E havia a história. Laura o "salvara" de um ataque de onça durante uma expedição.

Um arranhão no braço dele, um desmaio "heroico" dela.

Desde então, ele se sentia em dívida. Uma dívida que Laura cobrava com juros, com sorrisos doces e olhares desamparados que o mantinham preso.

Sofia observava tudo, o ciúme e a mágoa crescendo.

Ela via a forma como ele falava com Laura, a gentileza em sua voz, um tom que ele nunca usava com ela.

Um dia, ela o viu rindo com Laura perto do rio, uma risada genuína, relaxada.

Naquele momento, algo dentro dela se quebrou.

A decisão de ligar para o pai e aceitar o casamento no sertão veio logo depois.

Era uma fuga, uma rendição, um último ato de desafio.

Se não podia ter o amor dele, teria sua liberdade, mesmo que fosse em um lugar desconhecido e assustador.

A água do chuveiro da estação acabou bem na sua vez.

Típico.

Sofia improvisou um banho em seu pequeno alojamento, usando um balde e uma caneca.

Estava seminua, ensaboando-se, quando ouviu vozes do lado de fora.

Ricardo. E outros.

Seu coração disparou.

Ela se enrolou às pressas em uma toalha fina, bem no momento em que a porta se abriu sem aviso.

Ricardo parou na soleira, os olhos percorrendo-a rapidamente, o rosto uma máscara de severidade.

Os outros homens desviaram o olhar, constrangidos.

"O que significa isto, Sofia?" a voz dele era dura.

"A água do chuveiro acabou," ela respondeu, tentando manter a voz firme, sentindo o rubor subir pelo pescoço.

"E isso lhe dá o direito de transformar seu alojamento em um banheiro particular? Existem regras nesta estação."

Ele a repreendeu ali, na frente dos outros, como se ela fosse uma delinquente.

A humilhação queimava.

Ele não perguntou se ela precisava de algo. Não mostrou qualquer preocupação.

Apenas a acusou.

"Vista-se. E limpe essa bagunça."

Ele fechou a porta com força.

Sofia ficou ali, tremendo, não de frio, mas de raiva e mágoa.

Era sempre assim. Ele sempre assumia o pior dela. Sempre a julgava.

A decisão de partir, de aceitar o sertão, pareceu ainda mais acertada.

Capítulo 2

As palavras de Ricardo ecoaram em sua mente, cortantes.

"Transformar seu alojamento em um banheiro particular."

"Regras."

Ele a tratava como uma intrusa, uma desordeira.

A humilhação do banho improvisado ainda ardia.

No dia seguinte, a punição veio.

Laura, com seu ar de vítima perpétua, apareceu na sala de Ricardo com um equipamento de pesquisa danificado.

Um GPS caro, com a tela trincada.

"Capitão," ela disse, a voz embargada, "eu não sei como aconteceu. Estava na prateleira onde Sofia costuma deixar as coisas dela."

Sofia, que tinha acabado de entrar para entregar um relatório, parou, sentindo o sangue gelar.

Era mentira. Ela nunca tocava nos equipamentos de Laura.

Ricardo olhou de Laura para Sofia, o rosto impassível.

"Sofia, você mexeu neste equipamento?"

"Não, Capitão. Eu não toquei em nada da Laura."

Laura fungou. "Eu não quero acusar ninguém, mas..."

Ricardo não precisou de mais.

"Sofia, já estou farto de suas negligências e de seu comportamento irresponsável."

Ele não a deixou explicar. Não quis ouvir.

"Como punição, você vai limpar toda a área de armazenamento dos barcos. E depois, vai capinar a área ao redor do laboratório. Sob o sol."

Sofia engoliu a raiva. Discutir seria inútil.

Ele já a havia condenado.

O sol do Pantanal era impiedoso.

Ela trabalhou por horas, o suor escorrendo, as mãos doendo.

Ouviu os comentários dos outros funcionários da estação.

"Coitada da menina rica, não está acostumada com trabalho pesado."

"O Capitão não perdoa mesmo."

"Dizem que ele tem um fraco pela Laura. Ela é tão doce."

Cada palavra era um pequeno espinho.

Ela continuou, a mandíbula cerrada. Não daria a eles o prazer de vê-la fraquejar.

No meio da tarde, suas forças começaram a falhar.

A cabeça girava, as pernas tremiam.

Ela se apoiou em um cabo de enxada, tentando recuperar o fôlego.

Ricardo passou por perto, o olhar frio.

Ele não disse nada. Não ofereceu ajuda. Apenas a observou por um instante e seguiu em frente.

O desprezo dele era palpável.

Ela sentiu uma onda de desafio. Não ia desmaiar ali, na frente dele.

Reuniu suas últimas forças e voltou ao trabalho.

Mas o corpo tem limites.

Ela cambaleou e caiu, a enxada escapando de suas mãos.

Ficou ali, estirada na terra quente, a respiração difícil.

Esperou que ele viesse. Talvez um pingo de compaixão.

Ele se aproximou, parou ao lado dela.

"Levante-se, Sofia. O trabalho não terminou."

A voz dele era desprovida de emoção.

Ela o encarou, os olhos ardendo.

"Não consigo."

Ele a observou por um momento, depois se inclinou e a pegou nos braços.

O contato súbito a surpreendeu.

Ele a carregou como se ela não pesasse nada.

"Isso não é gentileza," ele disse, a voz rouca perto do ouvido dela. "É minha responsabilidade garantir que você não morra de insolação sob minha supervisão. Daria muita papelada."

Responsabilidade. Papelada.

Era isso que ela significava para ele.

Ele a levou até seu alojamento e a deixou na cama estreita.

Quando ela acordou, horas depois, o sol já se punha.

A cabeça ainda doía, mas a febre havia baixado.

Laura estava sentada em uma cadeira ao lado da cama, folheando uma revista.

Ela levantou os olhos, um sorriso ensaiado nos lábios.

"Ah, Sofia, você acordou. Ficamos tão preocupados."

Preocupados. Sofia duvidava.

"O Capitão Ricardo ficou muito aflito. Ele mesmo te trouxe para cá."

Laura fez uma pausa, o sorriso se alargando sutilmente.

"Ele cuida tão bem de todos nós, não é?"

Sofia apenas a encarou, o cansaço e o ressentimento pesando em seu peito.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022