Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Moderno > A Escolha do Meu Marido
A Escolha do Meu Marido

A Escolha do Meu Marido

Autor:: Xi Ying
Gênero: Moderno
Acordei num hospital, a dor latejava na cabeça. A barriga estava lisa. Onde estava o meu bebé? "Ele não resistiu", disse-me a enfermeira, e o meu mundo desabou. Miguel, o meu marido, chegou. Salvou a irmã dele, Sofia, primeiro do carro. Deixou-me a mim, grávida de oito meses, presa. A minha sogra, Helena, só me culpou pela perda do neto. "Esperas que estejas satisfeita! Perdeste o meu neto!", gritou ela. Miguel, sem hesitar, cortou o meu acesso à conta conjunta. "A vida custa dinheiro, Clara. Volta e pede desculpa à minha mãe", a mensagem era clara. Amigos e familiares ligavam, a expressar "deceção". Nas redes sociais, Sofia posava de vítima, e eu era pintada como a louca. Como puderam? O meu próprio marido escolheu a irmã em vez do nosso filho! O meu luto foi ignorado, a minha dor transformada em culpa. Humilhada, sem um cêntimo, perguntava-me: iriam conseguir que eu rastejasse de volta? A raiva transformou-se em gelo. "Quero o divórcio", disse eu. Quando a esperança esmorecia, o meu telemóvel tocou. "É a Clara? Sou Jorge. Conduzo um camião azul. Vi o acidente." Uma testemunha inesperada. A verdade tinha um nome. E com ela, a minha luta começou para valer.

Introdução

Acordei num hospital, a dor latejava na cabeça.

A barriga estava lisa. Onde estava o meu bebé?

"Ele não resistiu", disse-me a enfermeira, e o meu mundo desabou.

Miguel, o meu marido, chegou. Salvou a irmã dele, Sofia, primeiro do carro.

Deixou-me a mim, grávida de oito meses, presa.

A minha sogra, Helena, só me culpou pela perda do neto.

"Esperas que estejas satisfeita! Perdeste o meu neto!", gritou ela.

Miguel, sem hesitar, cortou o meu acesso à conta conjunta.

"A vida custa dinheiro, Clara. Volta e pede desculpa à minha mãe", a mensagem era clara.

Amigos e familiares ligavam, a expressar "deceção".

Nas redes sociais, Sofia posava de vítima, e eu era pintada como a louca.

Como puderam? O meu próprio marido escolheu a irmã em vez do nosso filho!

O meu luto foi ignorado, a minha dor transformada em culpa.

Humilhada, sem um cêntimo, perguntava-me: iriam conseguir que eu rastejasse de volta?

A raiva transformou-se em gelo.

"Quero o divórcio", disse eu.

Quando a esperança esmorecia, o meu telemóvel tocou.

"É a Clara? Sou Jorge. Conduzo um camião azul. Vi o acidente."

Uma testemunha inesperada. A verdade tinha um nome.

E com ela, a minha luta começou para valer.

Capítulo 1

Acordei com o cheiro forte de desinfetante. Uma dor surda pulsava na minha cabeça e por todo o meu corpo.

Abri os olhos. O teto era branco, as paredes eram brancas. Eu estava num hospital.

Uma enfermeira viu que eu estava acordada e aproximou-se. O seu rosto tinha uma expressão de pena.

"Como se sente?" perguntou ela suavemente.

Tentei falar, mas a minha garganta estava seca. A minha mão foi instintivamente para a minha barriga.

Estava lisa. Terrivelmente lisa. O peso familiar, a curva que eu amava acariciar, tinha desaparecido.

O pânico começou a instalar-se.

"O meu bebé", sussurrei, a voz rouca. "Onde está o meu bebé?"

A enfermeira baixou o olhar, evitando o meu. Ela pegou na minha mão.

"Lamento muito. Houve um acidente de carro. Fizemos tudo o que podíamos, mas o bebé... ele não resistiu."

As palavras dela pairaram no ar. Elas não pareciam reais.

Acidente de carro.

As memórias voltaram de repente. O som de pneus a chiar, o grito agudo da minha cunhada Sofia, o barulho ensurdecedor de metal a torcer-se.

Eu estava no banco de trás. Miguel, o meu marido, estava a conduzir. Sofia estava no banco do passageiro.

"O Miguel? E a Sofia? Eles estão bem?" perguntei, agarrando-me a um fio de normalidade.

"Eles estão bem. Sofreram apenas ferimentos ligeiros. O seu marido está com a irmã dele agora, ela estava muito abalada."

Ele estava com ela. Claro que estava.

A porta do quarto abriu-se. Não era o Miguel. Era a minha sogra, Helena.

O seu rosto estava tenso, os seus olhos frios. Ela caminhou até à minha cama, a sua mala de marca a balançar no seu braço.

"Clara", disse ela, a sua voz sem qualquer pingo de calor. "Finalmente acordaste."

Ela olhou para a minha barriga lisa e depois para o meu rosto.

"Espero que estejas satisfeita. Por causa da tua teimosia em querer ir àquela festa, quase mataste a Sofia. E perdeste o meu neto."

Fiquei a olhar para ela, sem palavras. A culpa, tão pesada e injusta, era a primeira coisa que ela me oferecia.

"Eu não..."

"Não fales", interrompeu-me ela. "O Miguel já está a sofrer o suficiente por ter de cuidar da irmã. Não lhe dês mais problemas. Devias pensar no que fizeste."

Ela virou-se e saiu, deixando para trás um silêncio gelado e o cheiro do seu perfume caro.

Naquele momento, eu soube. O meu casamento tinha acabado. O meu filho tinha morrido, e com ele, qualquer razão para eu continuar a fazer parte daquela família.

Capítulo 2

Esperei duas horas. Duas horas a olhar para o teto branco, com as palavras de Helena a ecoarem na minha cabeça.

Finalmente, Miguel apareceu.

Ele parecia cansado. Havia um pequeno corte na sua testa, coberto com um penso. Ele não me olhou nos olhos.

"Como estás?" perguntou ele, a sua voz baixa.

"Onde estiveste?" A minha voz saiu mais fria do que eu esperava.

Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo. "A Sofia estava em pânico. Ela não parava de chorar. A mãe teve de a levar para casa. Eu precisava de me certificar de que ela ficava bem."

Ele falou da irmã dele. Da mãe dele. Mas não do nosso filho.

"O nosso filho morreu, Miguel."

As palavras saíram diretas, sem emoção. Eu sentia-me oca por dentro.

Ele finalmente olhou para mim. Havia irritação nos seus olhos, não tristeza.

"Eu sei. Achas que não sei? Achas que não estou a sofrer?"

"Eu estava presa no carro", disse eu, a minha voz a tremer ligeiramente. "Eu chamei por ti. Tu tiraste a Sofia primeiro."

Não era uma pergunta. Era um facto. A última coisa de que me lembro antes de desmaiar foi de o ver a puxar a Sofia para fora do carro, enquanto eu estava presa com o cinto de segurança a apertar-me a barriga.

"A Sofia estava a sangrar da cabeça! Ela estava no banco da frente, o impacto foi maior para ela. Tu parecias bem!" a sua voz aumentou de tom, defensiva.

"Eu estava grávida de oito meses, Miguel. Eu estava a gritar o teu nome."

"E o que querias que eu fizesse? Eu entrei em pânico! Fiz o que achei melhor naquele momento! Pára de me culpar!"

Ele estava a gritar agora. A culpar-me por o culpar.

Senti uma calma estranha tomar conta de mim. A dor, o choque, a tristeza, tudo se transformou numa clareza gelada.

"Quero o divórcio", disse eu.

Ele parou de gritar. Olhou para mim como se eu fosse louca.

"O quê? Divórcio? Acabámos de perder um filho e estás a falar em divórcio? Não tens coração, Clara?"

"O meu coração foi esmagado no banco de trás daquele carro, enquanto tu escolhias a tua irmã em vez de mim e do teu filho."

"Isso não é justo! Eu não escolhi!"

"Sim, escolheste. E agora eu estou a escolher. Quero o divórcio, Miguel. Acabou."

Ele abanou a cabeça, incrédulo.

"Estás em choque. Não sabes o que estás a dizer. Vamos falar sobre isto mais tarde, quando estiveres mais calma."

Ele virou-se para sair.

"Não haverá um mais tarde", disse eu para as suas costas. "Vou contactar um advogado assim que sair daqui."

Ele parou à porta, mas não se virou. Depois, saiu e fechou a porta atrás de si, deixando-me sozinha com a minha decisão.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022