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A Escolhida - Além da Vida

A Escolhida - Além da Vida

Autor:: Dakota D.
Gênero: Romance
O que você faria se tivesse que adentrar os portões do inferno pelo seu único e verdadeiro amor? Após perder a avó e melhor amiga, Giovana aceita tomar posse da sua parte da fazenda. Ao chegar lá descobre que os sonhos de vidas passadas tem uma ligação estranha com o lugar. E tudo só piora ao conhecer Antônio, antigo morador, Barão do Café, e morto... A pouco mais de um século. Logo ela entende que a missão da avó agora era dela, e Antônio tem uma única certeza. Giovana era a escolhida.. Enquanto corre contra o tempo, Giovana e Antônio acabam se envolvendo em um romance intenso, gostoso e engraçado. Giovana então embarca até os portões do inferno. Mas antes.....

Capítulo 1 Prólogo

O mar estava revolto tão cinza quanto o tempo. Eu podia ver a água espumosa se chocando com violência às rochas negras. Meu coração batia forte no peito. Não era como nos outros sonhos de menina. Esse era sombrio, quase como uma cena de terror.

Eu estava de novo com o vestido vermelho, a sandália preta com acabamento fino em minhas mãos. Minhas unhas normalmente roídas eram longas. Não era eu, mesmo eu tendo a plena certeza de tudo, da fuga de algum lugar, da perseguição. Quem quer que fosse o corpo estava sofrendo bastante.

Ele me olhou, por um momento, os olhos azuis brilharam de alguma emoção escondida, um trovão abalou o céu, e então eu o vi por completo. Terno negro bem alinhado, olhos azuis me encarando. Eu o conhecia. Se abrisse a boca saberia chamá-lo pelo nome. O estranho caminhou na areia como se flutuasse. Senti a tensão nos meus músculos quando ele se aproximou.

- Não. – Sussurrei. – Por favor, não.

Minha voz foi se perdendo no vento. O estranho de olhos frios tirou do bolso do terno uma adaga, um raio cortou o céu e refletiu na lamina ainda suja de sangue fresco. Ele tinha o rosto retorcido de fúria.

- Querido por favor. - Disse mais uma vez.

- Eu te avisei katharinna. – Ele continuava me olhando. - Eu te avisei.

E então o estranho me golpeou na barriga. Senti o beijo frio da lâmina em mim e o cheiro do meu sangue. Eu estava desabando nos braços dele. Sentindo minhas pernas falhar enquanto meu sangue pingava na areia molhada. Estava morrendo.

- Não! – sentei na cama com as duas mãos na barriga. – Cacete.

Era mais um sonho daqueles. Um sonho teimoso aliás.

Levantei da cama meio zonza de sono, arrastei os pés até o banheiro e fiz minha higiene. Hoje seria um dia cheio.

De banho tomado, enrolei uma toalha no cabelo e saí do quarto.

- Bom dia Jorge. – Gritei assim que sentei na mesa da pequena sala.

- Bom dia Gi.

Jorge era meu pai de coração. Não chamo de padrasto para não parecer algo raso, já que ele me criou desde que tinha quatro meses. Mas Jorge atravessou um período difícil depois de um câncer no estomago, que o obrigou a ficar em casa já que ele era jornalista de uma revista da cidade e até tentou trabalhar em casa, contudo o tratamento o deixava confuso, logo ele foi afastado do emprego. Por tempo indeterminado.

- Outro sonho daqueles Gi? – Ele apareceu na sala com duas xícaras de café fresquinho.

- Outro sonho. Você sabe, esse lance de ser médium é estranho. Quer dizer, faz tempo que não tenho contato com alguém, mas esse sonho está me deixando estranha.

- Talvez a pessoa quer que você saiba de algo. Sei lá. – Jorge bebeu o café com cuidado. – Sabe que sua mãe não gosta de conversar sobre isso.

- Ela tem medo. – pisquei para ele. – Que horas o caminhão chega?

- Daqui a pouco. Deixei minha cafeteira fora da bagunça. – Ele deu de ombros. – Não suporto ficar sem meu café, e a viagem vai ser longa.

- Mania de jornalista de se encher de café. – Brinquei com ele.

- Falando em café, eu dei uma olhada aqui e parece que vamos nos mudar para a parte antiga da fazenda de café.

- Droga. – Respirei fundo. – Só torço para não estar cheia.

- Eu também, você sabe, não quero tomar banho com ninguém me olhando...

Jorge me passou o celular, dei uma boa olhada nas fotos. Meu coração pulou umas passadas, quando tive a impressão de já ter andado por aquela casa,m não na minha infância, já que passava lá as minhas férias.

Como se fosse outra vida.

Capítulo 2 UM

- Jorge! Vai de vagar aí colega. – Me segurei no banco.

Minha mãe dona Rosa, nem se mexia no banco de trás. Chegava cansada quase todos os dias, e depois que dormia podia jogar fora.

- Gi, estou cansado. Acho melhor ficar no meu lugar.

Sem avisar Jorge jogou o carro no acostamento. Infeliz quase me fez soltar a bexiga. Desci do carro contrariada, dei a volta e assumi o lugar do meu padrasto, Jorge era alto, minha mãe e eu duas baixinhas. Eu odiava ter que mexer no banco, nos espelhos e o retrovisor,

- Segue o caminhão. - Ele apontou para frente.

- A poeira do caminhão, você quer dizer.

Tirei o carro do acostamento e segui o caminhoneiro meio louco. Ainda rodei por mais uma hora com Jorge apagado jogando a cabeça careca para os lados. Entramos a esquerda e então diminuí a velocidade,havíamos entrado na cidade onde as casas pareciam ter parado no tempo. Não deixava de ser charmosa, passei pelo pequeno centro prometendo a mim mesma que voltaria.

Pelo jeito minha avó gostava mesmo do mato, porque fiquei na estrada Rural por um bom tempo. Era linha reta e eu me pegava pensando nas histórias sobre lobisomem, saci e um monte de coisas que vó Áurea dizia para me fazer dormir cedo. Se um deles partisse para cima do carro eu morreria do coração antes de bater o carro e possivelmente me quebrar toda.

Lá onde Judas deixou as cuecas o caminhão parou. |Ainda era uma bela e antiga entrada, e se você pensa que depois de cruzarmos o portão chegamos? Esta enganado. Dirigi em linha reta por um caminho ladeado de palmeiras imperiais, e a minha mente reproduzia o alvoroço que era elas em uma tempestade.

- Tomara que não caia em cima da casa. – Jorge falou do meu lado. Os olhos brilhantes de sono e o rosto inchado e marcado. Estava agarrado a cafeteira nova.

- Nem me fala. – Minha mãe tinha acordado. - Isso aqui em tempos de chuva é um verdadeiro filme de horror.

- Acho que chegamos casal.

Parei o carro e desci, precisava esticar minhas pernas. Minha bota preta rapidamente ficou marrom da poeira.

Dei uma boa olhada na casa. Estava toda acesa, tinha uma escadaria de dez degraus todos em pedra com um vaso enorme de cada lado, estavam vazios, mas sei que Jorge ia querer colocar plantas ali rapidinho. A casa era muito antiga, pintada recentemente de branco, com janelas e portas azuis. Me senti uma sinhazinha, ou uma escrava nova,m se fosse depender da minha cor meio branco encardida. Ajeitei meu cabelo cacheado já ressecado pela poeira para trás e respirei fundo.

Fechei os olhos, limpei a mente e me concentrei. Senti o famoso aperto no peito, uma pontadinha no coração e o cheiro de velas, flores e suor, Tinha gente na casa. Não gente viva. Se é que entende.

- O que foi? – Jorge tinha chegado do meu lado e me observava.

- Acho que vi alguém. – Brinquei com ele.

- Onde?

- Medroso. – Bati no ombro dele. – Vamos logo com as malas, Quero tomar meu banho.

Subi os degraus contando, era minha mania. Abri a porta e uma lufada de ar quente passou por mim. A casa tinha mobílias antigas, bem conservadas, mas também tinha uma televisão nova e internet.

- Com licença. – Pedi permissão aos moradores antigos, embora não os visse,

Pisei na sala de madeira e esperei ansiosa minha mãe que ralhava com os caras do caminhão.

- Boa noite Giovana.

Me virei assustada;

- Malda? - Perguntei,

- Isso mesmo minha querida. Tia Malda. – Ela abriu os braços.

Tia Malda era dona da metade da fazenda. Ela fez questão de deixar a parte com a cede para a minha mãe. Como as únicas duas herdeiras do lugar. Minha avó Áurea havia morrido a pouco mais de um ano de um ataque do coração, ainda me lembro quando recebi a noticia, e o pior de tudo. Vovó Áurea mesmo me contou. Era cedo quando senti a mão dela no meu cabelo, ela tinha a mania de estralar o dedo indicador na minha cabeça com uma leve pressão. Eu estava dormindo e achei que ela tinha mesmo ido até em casa. Ela sentou na cama, estralou o dedo no meu couro cabeludo.

- Sinto muito minha querida. - Ela disse com uma voz doce. - Preciso ir até o Basílio.

- Vó. - Tentei abrir os olhos.

- Te amo tanto minha menina.

Quando abri os olhos ela já tinha ido.

- também sinto falta dela querida. – Ela bateu nas minhas costas, como se ouvisse meus pensamentos. – Sua avó adorava você.

Tia Malda não pode ter filhos, e eu sou filha única de uma aventura da minha mãe com um paciente dela.

- Bom, vem cá. Fiz algumas coisinhas para você comer.

Tia Malda tinha levado a equipe dela para limpar a casa. Do lado esquerdo passando por um arco entramos na sala de jantar. A mesa cabia vinte pessoas confortavelmente. Sentei perto dela e me servi.

Tinha bolo de chocolate, queijo fresco, e um tanto de pão caseiro. Me servi de suco de laranja colhida da fazenda e enchi a barriga,enquanto minha mãe falava com ela.

- Continua com a plantação de café? – Minha mãe comia com classe, diferente de mim.

- Claro. Tenho um negócio local. Meu café é conhecido aqui.

- Que bom Malda. - Ela deu um sorriso fraco. - Consegui um emprego no mesmo consultório onde... Comecei como dentista.

- Não se limita a ficar aqui Rosa, você consegue coisa boa. - Tia Malda a encorajou.

Minha mãe deu um sorriso amarelo. Jorge mantinha os olhos baixos. Alguma coisa estava entranha ali.

- Olha, não precisa vender a sua parte ok? Sei que e difícil, ainda mais depois da mamãe ter colocado você para fora de casa. - Tia Malda respirou fundo. – Ela te amava Rosa, e no fim só queria o bem de vocês. A mãe só não sabia se expressar, por isso acabou sozinha aqui.

Minha mãe apertou a boca, os nós dos dedos ficaram brancos pela força que fazia contra o garfo.

- Desculpa, preciso descansar um pouco. – Ela afastou a cadeira. – Jorge você vem?

- Claro..

Tia Malda não disse mais nada, acabou de comer em silêncio e ignorando minha presença, foi embora. Acabei indo a procura do meu quarto. A parte de cima da casa era composta por quartos grandes, o meu era o primeiro do lado esquerdo, com a porta enorme pesada pintada de branco, com entalhes de flores, entrei na penumbra.

Era um quarto bonito até, com uma cama no centro, guarda roupa enorme e uma penteadeira de madeira. Quando eu era pequena sempre dormia com a minha avó, ou tia Malda, não entrava nos quartos por medo.

- Parece que voltei no tempo. – Me joguei na cama. – só falta mudar meu nome para Isaura.

Do lado de fora a lua iluminava tudo vasculhei meu celular, meus colegas da faculdade estavam nas festas, postando fotos com copos de bebida, enquanto eu estava ali, adormecida, esquecida. Meu celular apagou descarregado, coloquei de lado e admirei a lua até sentir o sono. Fechei os olhos e senti o ar mudar no quarto. O sono parecia brincar comigo, pois desapareceu, abri os olhos irritada, precisava dormir, e então eu o vi. Estava de costas para mim junto á janela. Era alto e imponente, a lua que havia sido encoberta por uma nuvem voltou a brilhar no céu e o iluminou por completo.E eu vi o músculo bem definido pela camisa de linho fino, usava calça e botas. O cabelo era grande e caía nos ombros com cachos grandes. Arregalei os olhos quando ele me olhou sobre os ombros.

Tentei falar alguma coisa, e por Deus se tivesse com a bexiga cheia tinha esvaziado ali mesmo. Levantei a mão, ou o sono me pegou em cheio, ou desmaiei. Eu apaguei.

Capítulo 3 Dois

Acordei de um pulo, olhei para a janela. Vazia. O dia já tinha começado e eu acordando tarde.

Sentei na cama me sentindo cansada de mais. Descalça caminhei até o guarda roupas, a não ser uma aranha, não tinha nada.

- Legal Giovana. Não arrumou suas malas. – Me repreendi. – Agora vou ter que feder até subir as malas.

Lavei meu rosto cansado e inchado e depois de fazer minha higiene básica desci para a cozinha. Minha mãe havia saído e me deixou sozinha. Não que eu tenha medo, gostava de passar as férias com a minha avó, muito embora ela não falasse com a minha mãe.

Esperta que dona Rosa era, me deixou com os restos da noite passada. Peguei um prato e me servi de um pedaço de bolo, uma fatia de queijo e um copo – Sim um copo – de café fumegante.

- Bom dia senhora.

- Puta merda. – Quase voei da mesa, e ainda por cima queimei a boca. – Pode me chamar de Giovana, e por favor venha andando firme da próxima vez.

- Como quiser senhora.

A garota devia ter dezoito anos, era uma negra bonita de cabelos presos em um coque. Me senti uma velha com meus vinte e seis anos de gastrite e coluna torta, com meus pneuzinhos de fast food. Parei de comer e pousei a fatia de bolo no prato.

- Tia Malda te mandou, foi?

- Malda? – Ela me observou com a expressão neutra.

- Sim. Deixa pra lá. Como é o seu nome?

- Me chamo Sara senhora. – Ela respondeu calmamente.

- Sara, penso como a minha avó, não gosto de gente me chamando de senhora. Somos iguais entende? – Ela concordou. – Então só me chama de Gi. Não é como se fosse ficar ofendida. Não vou ser como as hipócritas que achavam que deveriam dar uma chibatada só por lhe chamar pelo nome.

Sara se encolheu toda na minha frente. Aquilo que já era estranho, se tornou bizarro. Fiquei em pé rapidamente e tentei me desculpar com ela, mas a garota se esquivou de mim e correu para a cozinha. Corri atrás dela. Lógico, odeio racismo e só quis fazer um comentário, não era porque morava em uma fazenda de café que adotaria os costumes horríveis da época.

- Sara por favor, eu só estava brin....

A cozinha estava vazia. Com as portas fechadas e janelas travadas. Não tinha como ela correr e se esconder. A casa era grande mas a cozinha era antiga, um quadrado grande com prateleiras, panelas e um fogão e forno a lenha, mesa pequena e um forno moderno a gás. Andei até metade da cozinha com o coração aos saltos.Sentia o ar pesado e uma vontade louca de correr. Meus pés descalços se arrastavam no piso de pedra fria. E então senti um puxão forte no braço que me fez rodopiar e por pouco não me choquei contra o fogão a lenha, que por sinal ardia.

- Quem está aí? – Disse firme. – Sara, eu não quis...

Todas as panelas de cima do fogão voaram no chão. Abri a boca e soltei todo o ar dos meus pulmões. Gritei porque só minha avó ficaria ali e ainda brigaria por ter que colocar tudo no lugar outra vez. Besta que não sou, corri dali, passei pela sala, quase derrubei a porta nos peitos, e corri para fora.

Estava apavorada.

O sol quase torrou meus olhos no momento em que passei pela porta. Senti a terra quente nos pés, mas continuei a correr.

- Onde vai? – Jorge vinha vindo na maior calma.

- Jorge do céu. Eu vi uma moça na casa. Achei que era viva, conversei com ela e tudo. Daí fui fazer uma brincadeira sobre chibatadas e quase morri. Ela sumiu dentro de casa. – Soltei tudo de uma vez.

- Não acredito Gi, você mal chega e já faz inimizade com o além. Não quero ninguém puxando meu pé. – Ele me jogou uma sacola pesada. – Trate de se comunicar com essa menina e diz que ela está despedida, manda ela para a luz,não sei.

- Você está me ouvindo Jorge?

- Claro que estou. – Ele olhou por cima dos ombros. – Olha só, sua mãe acaba de voltar do cemitério e não está nada bem. Por ela vendemos isso aqui e vamos embora, mas eu gosto daqui, e quero ficar. Por favor não conte essas coisas para ela.

Claro que o Jorge ia querer ficar na fazenda. Ele sempre se achou o Agroboy da família só porque cuidava de umas plantinhas na varanda de casa. Tirava aquelas foto de gente cansada, abraçado as plantas. Vencida voltei para dentro.Com olhos até na nuca, Sara podia achar interessante a ideia de arremessar coisas contra minha pessoa.

Tirei o dia para arrumar meu quarto, descobri não uma, mas uma família de aranhas morando no guarda roupas. Jorge agroboy quase enfartou quando as viu. E foi dona Rosa com a tia Malda que conseguiu dar um fim nelas.

Agro é tudo!

Acabada a seção de descarrego, organizei minhas coisas. Meus perfumes e cremes na penteadeira antiga, meus cremes de banho e de cabelo no banheiro antigo. E meus livros na minha prateleira que Jorge havia montado.

Tudo certo, nada resolvido. Teria que arrumar um jeito de trabalhar ali. Me formei em música aos vinte e três anos, arrumei um emprego em uma escola dando aula de violão, mas acabei por sair quando Jorge ficou doente. Encarei meu violão no canto do quarto.

- Tobias, logo eu brinco com você. – Mandei um beijo para o meu violão.

Almocei tarde, e consequentemente jantei mais tarde ainda. Quando minha mãe resolveu sair do quarto eu tinha preparado nossa noite de filmes. Até arrisquei ir para a cozinha. Estourei uma boa quantia de pipoca e fiz brigadeiro, mas não virei as costas, fazia nossas goloseimas meio de lado no fogão. Dessa vez não ia ser mais terror, pois a Sara ainda me deixava assustada. Fizemos nossa maratona de filmes de Romance começando por Orgulho e Preconceito e rumando para a Barraca do Beijo 1, o segundo não me interessava mais. Ah Noah, porque não aparece lá nos meus sonhos?

- Ah esse Darcy. – Suspirei. – Tão lindo. – Deve ser algum parente distante do Noah, não acha mãe?

Minha mãe ria, porque falar que Senhor Darcy era lindo e todo o pacote de elogios deixaria o careca dela com raiva, ela dizia não e meneava a cabeça afirmando.

Alguns filmes depois minha querida mãe resolveu deitar, me deixando a tarefa de apagar as luzes. Fiquei mais um pouco, apaguei as luzes e subi correndo, parecia que alguém ia morder a minha bunda se eu não chegasse no quarto.

Fechei a porta e passei o trinco. Com coisa que fantasmas iam bater na porta.

Dessa vez eu fui direto pro banheiro. Tomei meu banho, lavei o cabelo, cantei, conversei sozinha e imaginei uma vida perfeita ali. Escovei meus dentes e vesti meu pijama. Enrolei uma toalha na cabeça e saí. Iria ler até os olhos ficarem secos.

– Puta merda. – Não grita. Não Grita!

O homem estava de novo no meu quarto. Dessa vez eu sabia que não era sonho. Ele cravou os olhos verdes em mim, me olhou da pontinha dos pés até o fiozinho de cabelo quebrado. E juro que vi os olhos brilharem.

Fingir demência seria uma boa, se eu agisse com naturalidade. Ali na frente dele eu tremia mais que a pepita, a Pincher da minha ex vizinha.

Engoli em seco quando ele se aproximou, virei rapidamente, abri o trinco e corri para fora do quarto. No caminho praticamente passei por cima do Jorge nos embolamos no corredor escuro.

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