[ Park Slope, Brooklyn - Nova York ]
07 De Fevereiro, 05:45 AM.
O despertador tocou às cinco e quarenta e cinco da manhã, como todos os dias da semana. Ana Isis Hayes Foster estendeu o braço sonolenta, tateando a mesinha de cabeceira até encontrar o aparelho barulhento que insistia em arrancá-la dos poucos momentos de paz que conseguia ter.
Mais cinco minutos, murmurou para si mesma, puxando o cobertor fino sobre a cabeça. O apartamento em Park Slope estava gelado - novamente. O aquecedor havia pifado na semana passada, e o senhorio prometera consertá-lo "em breve", uma promessa que Ana já aprendera a não levar muito a sério.
Mas cinco minutos se transformaram em dez, e o segundo alarme - esse programado para as seis em ponto - a fez pular da cama de uma vez. Não podia se dar ao luxo de se atrasar, não quando seu salário mal cobria as despesas básicas e as parcelas do empréstimo estudantil pareciam crescer a cada mês.
Ana se dirigiu ao pequeno banheiro, evitando olhar no espelho rachado acima da pia. Sabia exatamente o que veria: olheiras escuras sob os olhos verde-acinzentados, resultado de mais uma noite mal dormida pensando nas contas em atraso e na saúde deteriorada do pai.
A ducha foi rápida e fria - a caldeira também estava com problemas. Ela se vestiu mecanicamente: calça preta que já não estava tão preta assim, blusa branca simples e o blazer cinza que comprou em promoção há dois anos. Não era o guarda-roupa dos sonhos de uma arquiteta, mas era o que podia pagar.
Enquanto preparava um café instantâneo na cozinha minúscula, Ana pegou o celular e checou as mensagens. Duas perdidas de Sophie, sua melhor amiga, provavelmente querendo saber como havia sido a reunião de ontem no escritório. Uma notificação do banco lembrando que a fatura do cartão venceria em três dias. E nada do hospital.
Sem notícias, boas notícias, disse para si mesma, repetindo o mantra que usava sempre que se preocupava excessivamente com o pai.
Robert Hayes Foster estava internado há duas semanas no Mount Sinai Beth Israel, depois de outro episódio cardíaco. Os médicos diziam que ele estava estável, mas Ana via a preocupação nos olhos deles quando pensavam que ela não estava olhando. As sequelas do acidente de trabalho de três anos atrás haviam deixado seu pai frágil, e cada internação parecia pior que a anterior.
Ana terminou o café, pegou a bolsa surrada e deu uma última olhada no apartamento. Era pequeno, estava se deteriorando e custava uma fortuna pelos padrões do Brooklyn, mas era seu lar. As plantas na janela - sua única extravagância - balançaram levemente com a brisa matinal que entrava pela fresta na vedação.
Descendo os quatro lances de escada do prédio sem elevador, Ana cumprimentou brevemente Mrs. Chen, a vizinha idosa que sempre acordava cedo para regar as plantas do hall de entrada.
Mrs. Chen: Bom dia, querida - disse a senhora com um sorriso gentil. - Como está seu pai?
Ana: Melhorando, obrigada por perguntar -mentiu Ana, forçando um sorriso. Mrs. Chen já tinha seus próprios problemas; não precisava se preocupar com os dela também.
A estação de metrô ficava a três quarteirões de distância. Ana caminhava rapidamente, esquivando-se dos outros pedestres matinais que se dirigiam ao trabalho. Nova York ainda estava despertando, mas o Brooklyn já fervilhava com pessoas tentando chegar ao Manhattan para mais um dia de trabalho.
No metrô, Ana encontrou um cantinho e puxou o sketchbook da bolsa. Desenhar era seu refúgio, sua forma de escapar da realidade por alguns minutos. Hoje esboçou um prédio que vira na semana passada em SoHo - linhas limpas, vidro e aço, mas com detalhes arquitetônicos que sugeriam história e permanência.
Esse era o tipo de projeto que sonhava em fazer: arquitetura que honrava o passado enquanto abraçava o futuro. Infelizmente, no Sterling & Associates, ela passava a maior parte do tempo desenhando reformas de banheiros e pequenas ampliações residenciais.
O trem parou na estação dela, e Ana guardou rapidamente o sketchbook. Mais quinze minutos de caminhada e estaria no escritório, pronta para enfrentar outro dia de projetos pequenos e sonhos grandes.
Enquanto subia as escadas da estação, Ana não tinha como imaginar que este dia seria diferente de todos os outros. Que em questão de horas, sua vida tomaria uma direção completamente nova, levando-a para um mundo que ela só conhecia de longe.
Por enquanto, ela era apenas Ana Hayes Foster, arquiteta de 24 anos tentando sobreviver em Nova York, carregando o peso das preocupações familiares e sonhando com algo maior.
Ela não fazia ideia de que do outro lado da cidade, em uma cobertura luxuosa com vista para o Central Park, alguém muito poderoso estava prestes a tomar uma decisão que mudaria ambas as suas vidas para sempre.
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[ Upper East Side, Manhattan - Nova York ]
05:15 AM.
O sol ainda não havia nascido quando Christian Alexander Blackwood Ashford já estava acordado. Não por escolha - dormir nunca havia sido fácil para ele - mas porque sua mente simplesmente se recusava a descansar quando havia negócios pendentes, decisões a serem tomadas, problemas a serem resolvidos.
Cinco e quinze da manhã no relógio Patek Philippe na mesa de cabeceira. Mais cedo que o habitual, mas Christian sabia que não conseguiria voltar a dormir. Os pesadelos sobre o acidente do pai haviam retornado na noite anterior, trazendo consigo a familiar sensação de sufocamento e a certeza de que o tempo estava sempre contra ele.
Levantou-se da cama king-size que dominava o quarto principal da mansão Blackwood Ashford, seus pés descalços tocando o piso de mármore italiano aquecido. A suite principal occupava todo o terceiro andar da mansão histórica, com janelas que ofereciam uma vista privilegiada do Central Park. Era um luxo que ele raramente parava para apreciar.
Christian se dirigiu ao banheiro privativo, maior que muitos apartamentos em Manhattan. O chuveiro já estava na temperatura ideal - 38 graus Celsius exatos, como gostava - graças ao sistema automatizado que havia mandado instalar dois anos atrás. Pequenos luxos que tornavam sua rotina mais eficiente, economizando preciosos minutos que podia dedicar aos negócios.
Quinze minutos depois, estava vestindo um de seus ternos sob medida da Savile Row. Hoje seria o Armani cinza carvão com gravata de seda azul marinho. Margaret, sua assistente pessoal, sempre deixava três opções preparadas na noite anterior, organizadas de acordo com a agenda do dia. Hoje havia duas reuniões importantes e um jantar com investidores japoneses - o Armani transmitia seriedade sem ser intimidador demais.
Descendo a escadaria principal da mansão, Christian passou pela galeria de retratos familiares que remontavam a cinco gerações de Blackwood Ashfords. Seu bisavô, que começara com uma pequena construtora. Seu avô Harrison, que transformara o negócio familiar em um império. Seu pai Marcus, que ampliara as operações internacionalmente antes de morrer jovem demais.
E agora ele, aos 31 anos, carregando o peso de um legado de 15 bilhões de dólares e as expectativas de um avô que não aceitaria nada menos que perfeição.
Na cozinha gourmet - onde raramente comia, preferindo fazer suas refeições no escritório - encontrou James Morrison, chefe de segurança da família há dez anos.
James: Bom dia, Mr. Blackwood Ashford -cumprimentou James, consultando seu tablet. - O carro estará pronto em cinco minutos. Sua primeira reunião foi antecipada para as sete e trinta.
Christian assentiu, pegando apenas uma xícara de café espresso preparado pela governanta. Não era fome que sentia de manhã, apenas a necessidade de cafeína para manter a mente afiada.
Christian: Alguma novidade sobre a situação Montgomery? - perguntou, referindo-se ao rival italiano que vinha interferindo em alguns de seus negócios.
James: Dante Rossi Montgomery chegou a Nova York ontem à noite. Está hospedado no Plaza. Nossos contatos indicam que ele tem interesse no projeto Brooklyn Heights.
Christian franziu o cenho. Brooklyn Heights era um desenvolvimento residencial de luxo pelo qual a Blackwood Industries estava competindo há meses. Se Dante estava envolvido, significava problemas.
Christian: Mantenha-me informado sobre os movimentos dele - disse Christian, terminando o café. - E James
James: Sim, senhor?
Christian: Discretamente.
O Bentley preto estava esperando na entrada da mansão, motor já ligado. Christian entrou no banco traseiro, imediatamente abrindo o laptop para revisar os relatórios que chegaram durante a madrugada. Mercados asiáticos, flutuações cambiais, relatórios de desempenho das subsidiárias europeias - números que dançavam em sua mente com a precisão de uma sinfonia.
Durante o trajeto até o One World Trade Center, onde ficava a sede da Blackwood Industries, Christian permitiu-se alguns minutos para observar a cidade acordando. Nova York na madrugada tinha uma energia única, uma promessa de possibilidades infinitas que ainda o inspirava, mesmo depois de todos esses anos.
Mas sua mente logo retornou aos problemas imediatos. A pressão do avô Harrison para que se casasse estava se intensificando. Seis meses. Esse era o prazo que lhe restava para encontrar uma esposa ou perder 25% das ações da empresa - a parte que garantiria seu controle absoluto sobre o império familiar.
O problema não era encontrar mulheres interessadas. Seu telefone vivia cheio de convites, sua secretária social recebia dezenas de pedidos de encontros por semana, e sua mãe Victoria bombardeava-o regularmente com "sugestões" de filhas de famílias influentes da Europa.
O problema era encontrar alguém real. Alguém que o quisesse por quem ele era, não pelo que possuía. Alguém que não visse dollar signs quando olhasse para ele.
Aos 31 anos, Christian havia chegado à conclusão de que essa pessoa simplesmente não existia. Pelo menos não no mundo em que vivia.
O Bentley parou em frente ao arranha-céu que abrigava a Blackwood Industries. Christian guardou o laptop, ajustou a gravata e se preparou para mais um dia comandando um dos maiores conglomerados empresariais do país.
Enquanto caminhava pelo lobby de mármore em direção ao elevador privativo que o levaria diretamente ao 85º andar, Christian não fazia ideia de que a algumas milhas dali, uma jovem arquiteta lutava contra suas próprias preocupações financeiras.
Ele não podia imaginar que em breve seus caminhos se cruzariam de uma forma que mudaria tudo o que pensava saber sobre negócios, família e amor.
Por enquanto, Christian Blackwood Ashford era apenas um CEO solitário em busca de uma solução prática para um problema familiar, sem saber que às vezes as melhores soluções vêm dos lugares mais inesperados.
[ Sterling E Associates, Lower Manhattan - Nova York] ]
08:30 AM.
O escritório Sterling & Associates ocupava o terceiro andar de um prédio comercial na William Street, no coração do distrito financeiro. Era um espaço modesto comparado aos arranha-céus reluzentes que o cercavam, mas Ana sempre sentiu um pequeno orgulho ao ver a placa discreta na entrada do edifício.
Ana empurrou a porta de vidro fosco que separava a recepção do restante do escritório, cumprimentando Rebecca, a recepcionista de 19 anos que dividia o tempo entre atender telefones e estudar design gráfico online.
Rebecca: Bom dia, Ana! - disse a garota, erguendo os olhos da tela do computador. - O Mr. Sterling quer falar com você assim que chegar. Parece importante.
Ana franziu o cenho, pendurado o casaco no cabideiro próximo à sua mesa. David Sterling raramente a chamava logo cedo, a menos que houvesse algum problema com um projeto ou um cliente insatisfeito.
Ana: Alguma ideia do que se trata? - perguntou, puxando a cadeira de sua mesa.
Rebecca: Não faço ideia. Ele chegou há vinte minutos, falando ao telefone em voz baixa, e pediu para ser avisado no momento que você entrasse.
A mesa de Ana ficava em um espaço aberto que dividia com outros três arquitetos júniores: Michael Chen, um rapaz de 26 anos especializado em design comercial; Sarah Martinez, 29 anos, que focava em renovações residenciais; e Tom Bradley, 32 anos, o mais experiente do grupo e que Ana suspeitava estar sendo preparado para uma eventual promoção.
Michael: Bom dia, Ana - disse Michael, sem tirar os olhos da tela onde trabalhava em uma planta baixa. - Você ouviu falar sobre o projeto Blackwood?
Ana parou de organizar seus materiais de trabalho, olhando para o colega com curiosidade.
Ana: Que projeto Blackwood?
Sarah: Onde você estava ontem à tarde? - riu Sarah. - Sterling quase teve um ataque do coração quando recebeu o telefonema. A Blackwood Industries abriu uma licitação para um projeto gigantesco em Manhattan.
Tom: Não é só gigantesco - interrompeu Tom, finalmente se virando para participar da conversa. - É o maior projeto residencial de luxo dos últimos cinco anos. Dois bilhões de dólares, Ana. Dois bilhões.
Ana sentiu o estômago dar um pequeno nó. Projetos desse calibre eram raros, e quando apareciam, geralmente eram disputados pelos escritórios de arquitetura mais renomados da cidade. Sterling & Associates era respeitado, mas definitivamente não estava na mesma liga dos grandes players.
Ana: E nós vamos participar da licitação? - perguntou, tentando manter a voz casual.
Michael: Sterling está considerando. O problema é que eles querem apresentações presenciais na própria Blackwood Industries. No One World Trade Center.
Sarah: Com Christian Blackwood Ashford em pessoa - acrescentou Sarah, com um tom que deixava claro que sabia exatamente quão intimidadora seria essa perspectiva.
Ana havia ouvido falar de Christian Blackwood Ashford, claro. Era impossível trabalhar em arquitetura ou construção em Nova York sem conhecer pelo menos a reputação do CEO da Blackwood Industries. Jovem, bilionário, conhecido por sua inteligência afiada e padrões impossíveis de perfeição.
Tom: Sterling vai escolher um de nós para liderar a apresentação - disse Tom, e Ana percebeu um tom de competitividade em sua voz. - Obviamente, seria uma oportunidade incrível para qualquer um.
Ana: Miss Hayes Foster?
Todos se viraram ao ouvir a voz de David Sterling. O homem de 54 anos estava parado na porta de sua sala, gesticulando para que Ana se aproximasse.
Sterling: Poderia vir até minha sala, por favor? Temos algumas coisas para discutir.
Ana trocou um olhar rápido com os colegas antes de se levantar. Sarah lhe deu um sorriso encorajador, enquanto Tom parecia ligeiramente tenso. Michael apenas acenou, já voltando sua atenção para o computador.
O escritório de Sterling era pequeno mas bem organizado, com plantas arquitetônicas emolduradas nas paredes e uma mesa de madeira escura que ocupava a maior parte do espaço. Ele indicou a cadeira à frente da mesa, fechando a porta atrás dela.
Sterling: Ana, sente-se, por favor - disse ele, rodeando a mesa para se sentar em sua própria cadeira. - Preciso conversar com você sobre uma oportunidade que surgiu.
Ana: O projeto Blackwood? - perguntou diretamente.
Sterling: Exato - Sterling se recostou na cadeira, estudando o rosto de Ana com atenção. - Como você sabe, é um projeto extraordinário. O tipo de oportunidade que pode definir a carreira de alguém.
Ana assentiu, esperando que ele continuasse.
Sterling: A Blackwood Industries especificamente solicitou apresentações focadas em arquitetura sustentável integrada a desenvolvimento de luxo. É uma área na qual você tem demonstrado particular interesse e competência.
Isso era verdade. Ana havia escrito sua tese de conclusão de curso sobre habitação sustentável em centros urbanos, e sempre que possível incorporava elementos ecológicos em seus projetos, mesmo nos mais modestos.
Ana: Mr. Sterling, eu ficaria honrada em trabalhar nesse projeto, mas - começou ela, sentindo a necessidade de ser realista sobre suas limitações.
Sterling: Ana - interrompeu ele gentilmente. - Eu quero que você saiba que estou considerando você para liderar nossa apresentação.
Ana sentiu o coração acelerar. Liderar uma apresentação para a Blackwood Industries seria, sem dúvida, o maior desafio profissional de sua carreira até agora.
Ana: Eu... agradeço a confiança, Mr. Sterling, mas Tom tem muito mais experiência com projetos dessa magnitude.
Sterling: Tom tem experiência, isso é verdade. Mas você tem algo que ele não tem.
Ana: O que seria?
Sterling: Paixão genuína pela arquitetura que faz diferença. Eu li sua tese, Ana. Eu vejo como você trabalha. Você não projeta apenas edifícios; você projeta espaços que melhoram a vida das pessoas. E isso é exatamente o que a Blackwood Industries disse estar procurando.
Ana permaneceu em silêncio por um momento, processando as palavras dele. Uma parte dela estava empolgada com a possibilidade, mas outra parte - a prática, a cautelosa - sabia dos riscos envolvidos.
Ana: Quando seria a apresentação? - perguntou finalmente.
Sterling: Na segunda-feira. Nove da manhã. No 85º andar do One World Trade Center.
Três dias. Ela teria três dias para preparar a apresentação mais importante de sua vida profissional.
Sterling: Ana, eu não vou mentir para você. As chances de ganharmos este projeto são pequenas. Estaremos competindo com alguns dos maiores nomes da arquitetura. Mas se conseguirmos impressionar Christian Blackwood Ashford o suficiente para pelo menos sermos lembrados, isso já seria uma vitória.
Ana respirou fundo, pensando rapidamente. As contas do cartão de crédito, as parcelas do empréstimo estudantil, as despesas médicas do pai - tudo isso seria muito mais fácil de gerenciar se ela pudesse provar seu valor em um projeto dessa magnitude.
Ana: Eu aceito - disse ela, surpreendendo-se com a firmeza em sua própria voz.
Sterling: Excelente - Sterling sorriu, parecendo genuinamente aliviado. - Você terá acesso total aos nossos recursos. Use o que precisar. E Ana?
Ana: Sim?
Sterling: Não subestime você mesma. Você pode não ter a experiência de Tom, mas tem talento e visão. Às vezes, isso vale mais que anos de experiência fazendo a mesma coisa.
Ana saiu do escritório de Sterling com a mente fervilhando de ideias e nervosismo. Quando voltou para sua mesa, encontrou os três colegas obviamente curiosos sobre a conversa.
Tom: Então? - perguntou ele, tentando soar casual.
Ana: Eu vou liderar nossa apresentação para a Blackwood Industries - disse ela simplesmente.
O silêncio que se seguiu foi quase palpável. Sarah foi a primeira a reagir, com um sorriso genuíno e um "Parabéns!" entusiasmado. Michael assentiu aprovadoramente. Tom, por outro lado, forçou um sorriso que não chegou aos olhos.
Tom: Parabéns, Ana. Tenho certeza de que você fará um excelente trabalho.
Ana: Obrigada, Tom. Na verdade, eu esperava que você pudesse me ajudar com alguns aspectos técnicos da apresentação. Sua experiência seria invaluável.
A tensão no rosto de Tom diminuiu ligeiramente. Trabalhar colaborativamente era sempre melhor que competir destrutivamente.
Tom: Claro. Conte comigo.
Ana passou o resto da manhã iniciando sua pesquisa sobre a Blackwood Industries, Christian Blackwood Ashford e o tipo de projetos que a empresa havia desenvolvido nos últimos anos. Ela não fazia ideia de que a alguns quilômetros dali, no 85º andar do One World Trade Center, o homem que ela tentava impressionar estava lidando com seus próprios dilemas, completamente alheio ao fato de que uma jovem arquiteta de Brooklyn estava prestes a entrar em sua vida de uma forma que mudaria tudo.
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[ Blackwood Industries, One World Trade Center, Nova York]
08:45 AM.
O elevador privativo abriu diretamente no hall de entrada da Blackwood Industries, e Christian foi imediatamente recebido por Margaret Hayes, sua assistente pessoal há oito anos. A mulher de 45 anos, sempre impecável em seus ternos escuros, já estava esperando com um tablet na mão e aquela expressão eficiente que significava que o dia seria particularmente agitado.
Margaret: Bom dia, Mr. Blackwood Ashford - cumprimentou ela, caminhando ao lado dele em direção ao corredor que levava ao seu escritório. - Sua reunião de nove horas com a equipe de desenvolvimento foi cancelada. O Mr. Richardson está com gripe.
Christian: Reagende para amanhã na mesma hora - disse ele, ajustando os punhos da camisa enquanto caminhava. - O que mais?
Margaret: O advogado da empresa ligou três vezes desde as sete da manhã. Algo sobre os contratos do projeto Brooklyn Heights. E seu avô pediu para ser avisado assim que você chegasse.
Christian parou abruptamente no meio do corredor. Quando Harrison Blackwood Ashford queria falar com ele logo cedo, geralmente significava apenas uma coisa: mais pressão sobre o casamento.
Christian: Meu avô está aqui? - perguntou, resignado.
Margaret: Chegou há quinze minutos. Está esperando em seu escritório.
Christian suspirou quase imperceptivelmente. Adorava o avô, respeitava-o mais que qualquer pessoa no mundo, mas as conversas recentes sobre sua vida pessoal estavam se tornando cada vez mais tensas.
O escritório de Christian ocupava o canto sudeste do 85º andar, com janelas do chão ao teto que ofereciam uma vista espetacular da baía de Nova York. Era um espaço moderno mas elegante, com móveis de mogno escuro e algumas peças de arte cuidadosamente selecionadas. Harrison Blackwood Ashford estava sentado em uma das poltronas de couro próximas às janelas, lendo um jornal financeiro.
Aos 82 anos, Harrison ainda mantinha a postura ereta e o olhar penetrante que haviam intimidado concorrentes por décadas. Seu cabelo completamente branco estava, como sempre, penteado com precisão militar, e ele usava um de seus ternos cinza impecáveis.
Harrison: Bom dia, Christian - disse o patriarca, sem tirar os olhos do jornal. - Espero que tenha dormido bem.
Christian: Bom dia, vovô - respondeu ele, dirigindo-se à sua mesa. - Imagino que isso não seja uma visita social.
Harrison: Você imagina certo - Harrison dobrou o jornal cuidadosamente e o colocou na mesa lateral. - Seis meses, Christian.
Christian: Eu sei exatamente quanto tempo me resta - disse ele, ligando o computador.
Harrison: Sabe? Porque não me parece que está fazendo muito esforço para resolver a situação.
Christian finalmente olhou para o avô, tentando manter a expressão neutra.
Christian: Eu tenho encontrado com várias mulheres, como você bem sabe.
Harrison: Encontros casuais não são casamento, meu rapaz - Harrison se levantou, caminhando até a janela. - Sua mãe me ligou ontem de Paris. Ela tem algumas sugestões interessantes.
Christian: Não quero ouvir as sugestões da mamãe - disse Christian firmemente. - Já deixei claro que não vou me casar com nenhuma dessas herdeiras europeias entediadas que ela fica me empurrando.
Harrison: Então encontre alguém você mesmo - Harrison se virou para encará-lo. - Mas encontre rápido. Esta empresa precisa de estabilidade, Christian. Os acionistas precisam saber que a liderança familiar continuará forte.
Christian: A empresa está mais forte do que nunca sob minha liderança.
Harrison: Sim, está. E é por isso que não posso permitir que você perca o controle acionário por teimosia.
O silêncio se estendeu por alguns segundos, carregado da tensão familiar que havia se tornado constante nos últimos meses.
Margaret: Com licença - disse ela, aparecendo na porta. - Mr. Blackwood Ashford, chegaram as propostas para o projeto Manhattan Luxury Residences. Gostaria de revisá-las agora?
Christian: Quantas propostas? - perguntou, grato pela interrupção.
Margaret: Dezessete escritórios de arquitetura submeteram propostas iniciais. Selecionei as oito mais promissoras para sua análise.
Harrison: Manhattan Luxury Residences? - perguntou, interessado. - O projeto de dois bilhões?
Christian: O mesmo - confirmou Christian. - Será nosso maior desenvolvimento residencial.
Harrison: Excelente. Um projeto dessa magnitude certamente impressionará uma futura esposa - disse o avô com um sorriso que Christian conhecia bem.
Christian: Vovô...
Harrison: Estou apenas observando que sucesso profissional pode ser atrativo para o tipo certo de mulher - Harrison pegou seu casaco. - Preciso ir. Tenho almoço com os Peterson.
Depois que Harrison saiu, Christian se permitiu um momento de silêncio para organizar os pensamentos. Seis meses. Cento e oitenta dias para encontrar alguém disposta a se casar com ele por razões certas, não apenas pelo dinheiro e status que ele podia oferecer.
Margaret: As propostas, señor? - perguntou ela gentilmente.
Christian: Sim, claro. Traga-as.
Margaret voltou momentos depois com uma pilha de pastas organizadas. Ela havia claramente passado a manhã revisando cada proposta, resumindo os pontos principais de cada escritório.
Margaret: Começando pelas mais tradicionais - disse ela, abrindo a primeira pasta. - Hartley & Associates tem quarenta anos de experiência em desenvolvimentos de luxo. Sua proposta é sólida, conservadora...
Christian: E previsível - completou ele, folheando rapidamente o material. - Próxima.
Eles passaram os próximos trinta minutos revisando as propostas. Algumas eram impressionantes do ponto de vista técnico, outras tinham orçamentos agressivos, e algumas combinavam experiência com inovação de forma inteligente.
Margaret: Esta é interessante - disse ela, abrindo uma pasta menor. - Sterling & Associates. É um escritório menor, mas a proposta deles tem uma abordagem diferente.
Christian: Diferente como?
Margaret: Eles estão focando em sustentabilidade integrada ao luxo. Arquitetura ecológica sem sacrificar elegância ou conforto. É... refrescante.
Christian pegou a proposta, examinando os desenhos conceituais. Havia algo na abordagem que o intrigou imediatamente. Era sofisticada mas não ostensiva, luxuosa mas consciente do impacto ambiental.
Christian: Quem seria o arquiteto líder? - perguntou, procurando o nome na documentação.
Margaret: Ana Isis Hayes Foster - leu ela. - Vinte e quatro anos, formada em Arquitetura pela Columbia. Especialização em desenvolvimento sustentável urbano.
Christian: Muito jovem - observou ele.
Margaret: Jovem, mas o portfólio dela é impressionante. Projetos menores, mas todos com essa mesma filosofia de sustentabilidade elegante.
Christian estudou o material por mais alguns minutos. Havia algo autêntico naquela proposta que a diferenciava das outras. Não era apenas sobre impressionar ou ganhar o contrato; parecia genuinamente apaixonada por criar algo significativo.
Christian: Agende apresentações presenciais para as cinco propostas mais interessantes - decidiu ele. - Quero conhecer pessoalmente os arquitetos por trás desses projetos.
Margaret: As cinco? Sterling & Associates está incluído?
Christian: Sim - disse ele, sem hesitar. - Na verdade, marque Sterling & Associates para segunda-feira de manhã. Nove horas.
Margaret: Muito bem. Mais alguma coisa?
Christian: Sim - ele se recostou na cadeira, olhando pela janela para a cidade que se estendia abaixo. - Pesquise um pouco mais sobre esta Ana Hayes Foster. Quero saber com quem estou lidando.
Margaret assentiu e saiu do escritório, deixando Christian sozinho com seus pensamentos. Ele não sabia explicar por que a proposta de Sterling & Associates havia chamado tanto sua atenção. Talvez fosse a abordagem honesta, sem artifícios desnecessários. Talvez fosse a paixão evidente pelo trabalho que transparecia em cada linha do projeto.
Ou talvez fosse simplesmente o fato de que, em um mar de propostas calculadamente impressionantes, aquela parecia real.
Christian voltou sua atenção para os outros negócios do dia, mas uma parte de sua mente permaneceu curiosa sobre a jovem arquiteta que havia conseguido capturar seu interesse profissional de uma forma que poucos conseguiam.
[ Sterling & Associates, Lower Manhattan - Nova York ]
10:15 AM.
Ana estava sentada em sua mesa, cercada por pilhas de livros de arquitetura, artigos impressos e várias xícaras de café já frias. Desde que saiu da reunião com Sterling, duas horas atrás, ela havia mergulhado completamente na pesquisa sobre a Blackwood Industries e seu enigmático CEO.
A tela do seu computador mostrava a página principal do site da empresa - uma apresentação elegante e minimalista que destacava alguns dos projetos mais impressionantes da companhia. Arranha-céus em Dubai, complexos hoteleiros na França, desenvol vimentos residenciais de luxo espalhados por três continentes. Era um portfólio que impressionava até mesmo os padrões mais exigentes.
Sarah: Ana, você já almoçou alguma coisa? - perguntou sua colega, aparecendo ao lado de sua mesa com um sanduíche na mão. - São mais de dez horas e você não saiu daí.
Ana: Não tenho tempo para comer - murmurou ela, sem tirar os olhos da tela. - Preciso entender completamente o perfil da empresa antes de começar a trabalhar na apresentação.
Michael: Você vai se matar de trabalhar - comentou Michael, girando a cadeira para ficar de frente para ela. - É só uma apresentação, Ana. Não é como se você já tivesse ganhado o projeto.
Ana finalmente olhou para os colegas, notando que Tom também havia se aproximado, aparentemente curioso sobre sua pesquisa.
Ana: É exatamente por isso que preciso me preparar perfeitamente - disse ela. - Esta pode ser minha única chance de impressionar alguém como Christian Blackwood Ashford.
Tom: O que você descobriu sobre ele? - perguntou, tentando soar casual enquanto observava a tela do computador de Ana.
Ana: Ele assumiu a empresa aos 26 anos, depois da morte do pai - leu ela de suas anotações. - Desde então, expandiu as operações em quarenta por cento e aumentou o valor da empresa em mais de cinco bilhões de dólares.
Sarah: Impressionante - disse Sarah, sentando-se na beira da mesa. - Ele é casado?
Ana: Solteiro - respondeu Ana, consultando novamente suas anotações. - Pelo menos não encontrei menção a esposa ou namorada em nenhuma das entrevistas recentes.
Michael: Provavelmente muito ocupado para relacionamentos - comentou Michael. - Ou muito exigente.
Tom: Ana, posso dar uma sugestão? - perguntou ele, e ela percebeu um tom mais sério em sua voz.
Ana: Claro.
Tom: Christian Blackwood Ashford tem reputação de ser... intimidador. Muito inteligente, muito direto, e com paciência zero para apresentações mal preparadas. Se você for fazer isso, precisa estar absolutamente pronta para qualquer pergunta que ele possa fazer.
Ana: Que tipo de perguntas?
Tom: Técnicas, financeiras, logísticas. Ele não é apenas o dono da empresa; ele entende profundamente de construção e arquitetura. Já vi arquitetos experientes saírem de reuniões com ele completamente humilhados.
Ana sentiu um frio no estômago, mas tentou não deixar o nervosismo transparecer.
Ana: Então é melhor eu me preparar ainda mais - disse ela, voltando a atenção para o computador.
Sarah: Ana, não deixe Tom te assustar - disse ela, lançando um olhar repreensivo para o colega. - Você é talentosa. Sterling não teria escolhido você se não acreditasse nisso.
Rebecca: Ana? - chamou a recepcionista de sua mesa. - Telefone para você. É do hospital.
Ana sentiu o coração acelerar imediatamente. Ligações do hospital nunca eram boas notícias, especialmente no meio do dia de trabalho.
Ana: Com licença - disse ela aos colegas, pegando o telefone com mãos ligeiramente trêmulas. - Ana Hayes Foster.
Voz: Miss Foster? Aqui é Dr. Martinez, do Mount Sinai Beth Israel. Estou ligando sobre seu pai.
Ana: Ele está bem? - perguntou imediatamente, sentindo o sangue gelar nas veias.
Dr. Martinez: Ele está estável, não se preocupe. Mas precisamos conversar sobre o plano de tratamento dele. Seria possível você vir até aqui hoje à tarde?
Ana: Claro. Que horas?
Dr. Martinez: Às três horas estaria bom para você?
Ana olhou para o relógio. Três horas lhe daria mais algumas horas para trabalhar na pesquisa sobre a Blackwood Industries.
Ana: Perfeito. Eu estarei aí.
Depois de desligar o telefone, Ana ficou alguns segundos em silêncio, tentando processar a ligação. "Estável" era bom, mas os médicos sempre pediam conversas presenciais quando havia complicações ou mudanças no tratamento.
Sarah: Tudo bem? - perguntou gentilmente.
Ana: Meu pai. Tenho que ir ao hospital às três.
Tom: Quer que eu cubra alguma coisa para você? - ofereceu ele, e Ana ficou grata pela oferta genuína.
Ana: Obrigada, Tom. Acho que vou ficar bem. É só uma conversa de rotina.
Mas mesmo enquanto dizia isso, Ana sabia que não seria uma conversa de rotina. Médicos não marcavam conversas de rotina no meio da tarde com tom de voz preocupado.
Michael: Ana, por que você não vai para casa cedo hoje? - sugeriu Michael. - Você já trabalhou muito na pesquisa. Amanhã você pode começar a montar a apresentação com a cabeça mais fresca.
Ana: Não posso. Só tenho o fim de semana para preparar tudo. Segunda-feira de manhã eu estarei cara a cara com Christian Blackwood Ashford.
Sarah: E você vai estar pronta - disse Sarah com convicção. - Mas não vai ajudar em nada você se matar de trabalhar e chegar na apresentação exausta.
Ana sabia que Sarah tinha razão, mas a ansiedade sobre a apresentação, combinada com a preocupação sobre o pai, estava fazendo com que ela se sentisse compelida a trabalhar sem parar.
Ana: Só mais uma hora - prometeu ela. - Quero terminar de ler sobre os projetos recentes da empresa.
Tom: Ana - disse ele, e havia algo diferente em sua voz, quase paternal. - Eu sei que esta oportunidade é importante para você. Para todos nós. Mas não deixe a pressão te paralisar.
Ana olhou para Tom, surpresa pela gentileza em suas palavras. Ela sabia que ele havia ficado desapontado por não ter sido escolhido para liderar a apresentação, mas estava genuinamente tentando ajudá-la.
Ana: Obrigada, Tom. Sério. Isso significa muito para mim.
Tom: Somos uma equipe - disse ele simplesmente. - Se você impressionar Christian Blackwood Ashford, todos nós nos beneficiamos.
Ana voltou sua atenção para o computador, mas agora com uma sensação ligeiramente diferente. Não estava mais sozinha nessa preparação. Tinha o apoio dos colegas, a confiança de Sterling, e sua própria determinação.
Enquanto continuava lendo sobre os projetos da Blackwood Industries, Ana começou a formar uma imagem mental do homem que conheceria na segunda-feira. Inteligente, exigente, bem-sucedido, e aparentemente muito focado em resultados.
Ela não fazia ideia de que naquele exato momento, no 85º andar do One World Trade Center, Christian Blackwood Ashford estava examinando sua proposta com interesse genuíno, intrigado pela abordagem autêntica e apaixonada que transparecia em seu trabalho.
Ana também não sabia que essa reunião de segunda-feira seria apenas o primeiro passo de uma jornada que mudaria sua vida de formas que ela nunca poderia ter imaginado.
Por enquanto, ela era apenas uma jovem arquiteta determinada, preparando-se para a oportunidade de sua carreira, carregando suas preocupações familiares e sonhando com um futuro mais estável.
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[ Blackwood Industries, One World Trade Center - Nova York ]
11:30 AM.
Christian estava em sua mesa, revisando contratos para uma aquisição na Europa, quando Margaret bateu levemente na porta do escritório. Ela entrou carregando uma pasta de couro marrom e uma expressão que ele conhecia bem - aquela que indicava que ela havia encontrado informações interessantes.
Margaret: Mr. Blackwood Ashford, consegui as informações adicionais sobre Ana Isis Hayes Foster que você solicitou - disse ela, aproximando-se da mesa.
Christian: O que descobriu? - perguntou, fechando o laptop e dando atenção total à assistente.
Margaret: É uma história interessante - disse ela, abrindo a pasta. - Ela se formou em arquitetura na Columbia com louvor acadêmico. Sua tese foi sobre habitação sustentável em centros urbanos, especificamente sobre como integrar responsabilidade ambiental com necessidades econômicas reais.
Christian: Continue.
Margaret: Ela trabalha no Sterling & Associates há dois anos. Começou como estagiária ainda na faculdade e foi efetivada imediatamente após a formatura. Seu supervisor direto a descreve como 'talentosa, dedicada e com uma ética de trabalho impecável'.
Christian se recostou na cadeira, processando as informações. Era exatamente o perfil que esperava com base na proposta que havia revisado.
Christian: E pessoalmente?
Margaret: Aí é onde a história se torna mais... complexa - Margaret virou algumas páginas em suas anotações. - Ela mora sozinha em um apartamento pequeno no Park Slope, Brooklyn. Filha única. Sua mãe morreu quando ela tinha dezesseis anos.
Christian: E o pai?
Margaret: Robert Hayes Foster. Cinquenta e dois anos, ex-engenheiro civil. Sofreu um acidente de trabalho há três anos e ficou permanentemente incapacitado. Está atualmente internado no Mount Sinai Beth Israel com problemas cardíacos.
Christian franziu o cenho. Estava começando a entender por que uma arquiteta obviamente talentosa estava trabalhando em um escritório menor em vez de uma das grandes firmas.
Christian: Situação financeira?
Margaret: Complicada - disse Margaret diplomaticamente. - Ela tem empréstimos estudantis substanciais, e as despesas médicas do pai são... consideráveis. Meus contatos indicam que ela está lutando para manter tudo em ordem.
Christian permaneceu em silêncio por um momento. Ele havia solicitado a pesquisa por curiosidade profissional, mas agora estava vendo um quadro mais completo de quem era Ana Hayes Foster. Uma jovem lutando para equilibrar ambições profissionais com responsabilidades familiares pesadas.
Christian: Mais alguma coisa relevante?
Margaret: Ela mantém um círculo pequeno de amigos próximos. Sem relacionamentos românticos sérios no momento. Seus vizinhos a descrevem como quieta, educada, e alguém que sempre ajuda quando necessário.
Christian: Obrigado, Margaret. Isso é muito útil.
Margaret: Posso perguntar por que o interesse especial nesta arquiteta em particular? - perguntou ela, fechando a pasta.
Christian: Sua proposta se destacou. Quero entender a pessoa por trás do trabalho antes da reunião de segunda-feira.
Margaret assentiu, acostumada com a tendência de Christian de pesquisar profundamente qualquer pessoa com quem fosse fazer negócios importantes.
Margaret: Mais alguma coisa sobre as outras apresentações?
Christian: Na verdade, sim - disse Christian, voltando sua atenção para o computador. - Cancele três das outras reuniões. Quero focar apenas nas duas propostas mais interessantes.
Margaret: Sterling & Associates e...?
Christian: Hartley & Associates. Eles têm experiência, Sterling tem inovação. Será uma comparação interessante.
Após Margaret sair, Christian se levantou e caminhou até as janelas que dominavam sua parede. A cidade se estendia abaixo dele, um labirinto de concreto e aço que representava oportunidades e desafios infinitos.
Mas sua mente estava focada na jovem arquiteta que conheceria em três dias. Havia algo na combinação de seu talento profissional e sua situação pessoal que despertava sua curiosidade. Ana Hayes Foster não era como as mulheres que geralmente cruzavam seu caminho - não estava interessada em impressioná-lo socialmente, não tinha conexões familiares poderosas, e obviamente tinha motivações reais para trabalhar duro.
O telefone em sua mesa tocou, interrompendo seus pensamentos.
Christian: Christian Blackwood Ashford.
Adrian: Christian? Sou eu. Você tem alguns minutos?
A voz de seu irmão mais novo soava ligeiramente tensa, o que imediatamente colocou Christian em alerta.
Christian: Claro. O que aconteceu?
Adrian: Posso subir? Prefiro conversar pessoalmente.
Christian: Venha.
Cinco minutos depois, Adrian Blackwood Ashford entrou no escritório. Aos 28 anos, ele mantinha o mesmo porte aristocrático da família, mas com um ar mais descontraído que Christian nunca conseguira cultivar. Hoje, porém, parecia preocupado.
Adrian: Precisamos conversar sobre o vovô - disse ele, sentando-se numa das poltronas em frente à mesa de Christian.
Christian: O que ele fez agora?
Adrian: Não é o que ele fez, é o que ele planeja fazer - Adrian se inclinou para frente. - Ele me ligou hoje cedo. Quer que eu ajude a 'encontrar candidatas adequadas' para você.
Christian: E o que você disse?
Adrian: Que você é um adulto e pode encontrar sua própria esposa - Adrian riu sem humor. - Ele não gostou da resposta.
Christian: Adrian, eu aprecio a lealdade, mas não quero que você se indisponha com o vovô por minha causa.
Adrian: Christian, nós dois sabemos que ele está certo sobre uma coisa - disse Adrian seriamente. - A empresa precisa de estabilidade sucessória. Mas também sabemos que você não pode se casar com qualquer pessoa só para satisfazer uma exigência familiar.
Christian: Então o que você sugere?
Adrian: Encontre alguém real - disse Adrian simplesmente. - Alguém que te ame pelo que você é, não pelo que você tem.
Christian: Mais fácil falar que fazer.
Adrian: É? - Adrian se levantou, caminhando até a janela. - Christian, você passa dezesseis horas por dia trabalhando. Como vai conhecer alguém real se nunca sai do escritório ou de eventos empresariais?
Era uma observação justa, e Christian sabia disso.
Christian: E qual é sua sugestão prática?
Adrian: Não sei - admitiu Adrian. - Mas sei que se você se casar apenas para manter o controle da empresa, vai ser infeliz pelo resto da vida. E isso não é justo com você nem com a mulher.
Christian: Seis meses, Adrian. É o tempo que tenho.
Adrian: Então vamos usar esses seis meses sabiamente - disse Adrian, voltando-se para encará-lo. - Conhecer pessoas diferentes, em situações diferentes. Não apenas herdeiras e socialites.
Christian assentiu, mas sua mente estava novamente na arquiteta que conheceria na segunda-feira. Ana Hayes Foster era definitivamente diferente. Real. Com motivações genuínas e problemas autênticos.
Adrian: Você está bem? - perguntou Adrian, notando a expressão pensativa de Christian.
Christian: Sim, só pensando sobre o que você disse.
Adrian: Bom - Adrian se dirigiu à porta. - Christian?
Christian: Sim?
Adrian: Qualquer coisa que decidir, você tem meu apoio. Sempre.
Depois que Adrian saiu, Christian voltou para sua mesa, mas teve dificuldade em se concentrar nos contratos. Sua mente continuava voltando para Ana Hayes Foster - uma mulher que ele ainda não havia conhecido, mas que já havia despertado sua curiosidade profissional e, agora, pessoal.
Havia algo sobre a combinação de talento e vulnerabilidade, ambição e responsabilidade, que o intrigava. Era exatamente o tipo de pessoa "real" que Adrian havia mencionado.
Christian não fazia ideia de que a algumas milhas dali, Ana estava naquele momento caminhando nervosamente pelos corredores de um hospital, preocupada com o pai e tentando não pensar na apresentação que poderia mudar sua vida.
Ele também não sabia que essa reunião de segunda-feira seria o início de algo muito mais complexo e transformador do que uma simples transação empresarial.
Christian Blackwood Ashford estava intrigado por uma arquiteta que parecia oferecer tanto talento profissional quanto autenticidade pessoal - duas qualidades que ele havia começado a perceber serem mais raras do que imaginava.