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A Esposa Descartada é Bilionária

A Esposa Descartada é Bilionária

Autor:: Nikolos Bussini
Gênero: Moderno
Após três anos de casamento, meu marido jogou os papéis do divórcio na minha cara. O motivo? Um teste de DNA com 0% de compatibilidade. Para a família Vilares, eu não passava de uma fraude, uma impostora que fingiu ser herdeira para dar o golpe. Minha sogra me humilhou, ordenando que os seguranças me revistassem e arrancassem cada joia que eu usava. José, o homem que eu amava, apenas observou com frieza, tratando nosso fim como uma transação comercial falida. Fui jogada na rua, no meio de uma tempestade, sem dinheiro e sem dignidade. Enquanto eu chorava na lama, vi Cláudia, a "verdadeira" herdeira, assumir meu lugar ao lado dele. Eu pensei que minha vida tinha acabado. Mas então, um comboio de Rolls-Royces parou diante de mim. Um homem poderoso desceu e me abraçou. Eu não era uma fraude. Eu era a filha perdida do império Cordeiro, uma família que fazia a riqueza dos Vilares parecer troco de padaria. Seis anos depois, voltei como uma neurocirurgiã de renome mundial. José está morrendo de uma doença misteriosa, e ninguém consegue curá-lo. Ninguém, exceto eu. No corredor do hospital, uma criança pequena agarra meu jaleco. É o filho dele. "Doutora, por favor, salve meu pai. Ele sente muita dor." José me olha, sem me reconhecer por trás da máscara, e ordena que me expulsem. Mal sabe ele que a "espiã" que ele quer enxotar é a única chance que ele tem de sobreviver. E desta vez, sou eu quem dá as cartas.

Capítulo 1

O papel nas mãos de Giselle não era apenas um documento; era uma sentença de morte para a vida que ela havia construído com tanto esmero. Os resultados do teste de DNA eram pesados, o papel grosso e caro, zombando das mãos simples e trêmulas que o seguravam. Lá fora, a tempestade açoitava as janelas do chão ao teto da mansão Villarreal, o trovão chacoalhando o vidro em um ritmo que combinava com a batida frenética de seu coração.

0% de compatibilidade.

O teste fora exigido pela família Woods no momento em que Clydie ressurgiu, uma confirmação final e brutal para cortar os laços que Giselle tentara desesperadamente atar. O texto em vermelho na parte inferior borrou-se enquanto os olhos de Giselle se enchiam de lágrimas que ela se recusava a derramar. Ela estava parada no centro do escritório com painéis de mogno, sentindo-se pequena. Insignificante.

As pesadas portas de carvalho atrás dela se abriram. O clique-claque agudo de saltos agulha no mármore ecoou antes mesmo que a mulher entrasse. Buna Villarreal. Sua sogra.

Ela não andava; ela marchava. Uma falange de advogados a seguia como aves de rapina esperando por uma carcaça. Ela jogou uma pasta sobre a mesa. Aterrissou com um baque surdo que fez Giselle se encolher.

"Você é uma figura e tanto, Giselle", cuspiu Buna, sua voz escorrendo satisfação venenosa. "Uma falsa herdeira. Uma fraude. A família Woods já emitiu uma declaração. Eles cortaram relações com você. Você não é nada. Você não é ninguém."

"Eu não sabia", sussurrou Giselle. Sua garganta parecia estar cheia de algodão. "Buna, por favor, eu não sabia."

"Não se atreva a me chamar assim", ela retrucou. "Você humilhou esta família pela última vez. Você é um descarte, Giselle. Um parasita que finalmente estamos removendo."

Um dos advogados deu um passo à frente, seu rosto inexpressivo, profissional. Ele destampou uma caneta-tinteiro e a estendeu para ela. A ponta de ouro brilhou sob a luz do lustre. Ele apontou para a linha pontilhada nos papéis do divórcio espalhados sobre a mesa.

Giselle não pegou a caneta. Seus olhos estavam fixos na porta. Ela estava esperando. Ela estava rezando.

Joseph.

Ele tinha que vir. Ele tinha que ouvir. Três anos. Eles estavam casados há três anos. Houve momentos - pequenos, silenciosos momentos - em que ela pensou que ele a via. Não a fusão, não o acordo comercial, mas ela.

O ar na sala mudou. Ficou mais frio, mais cortante.

Joseph Villarreal entrou.

Ele usava um terno preto feito sob medida que se ajustava perfeitamente aos seus ombros largos. Parecia imaculado, intocado pelo caos da tempestade lá fora ou pela destruição da vida de Giselle aqui dentro. Ele não olhou para sua mãe. Ele não olhou para os advogados.

Seus olhos escuros pousaram em Giselle.

Ela os vasculhou em busca de raiva. De tristeza. De qualquer coisa. Mas não havia nada. Era como olhar para um vazio. Ele a olhava com a mesma indiferença que demonstrava a um gráfico de ações flutuante.

Giselle deu um passo em sua direção, a mão se estendendo instintivamente. "Joseph..."

Ele se desviou dela. Suavemente. Sem esforço. Como se ela fosse contagiosa.

Ele contornou a mesa maciça e sentou-se em sua cadeira de couro. Pegou um cortador de charutos, o clique metálico soando alto no silêncio. Acendeu o charuto, deu uma tragada e exalou uma nuvem de fumaça cinzenta que se espalhou entre eles como uma parede.

"Assine", disse ele.

Sua voz era baixa, barítona e totalmente desprovida de emoção.

O peito de Giselle se contraiu. Doía fisicamente para respirar. "É só isso?", ela perguntou, com a voz trêmula. "Três anos, Joseph. Não significa nada para você?"

Ele bateu a cinza em um cinzeiro de cristal. Nem sequer levantou o olhar. "Este casamento foi uma transação comercial, Giselle. E o produto que comprei era fraudulento. A família Woods mentiu. Você não é quem disse que era."

"Eu não menti!", ela gritou. "Eu sou a mesma pessoa que fazia seu café todas as manhãs. Eu sou a mesma pessoa que-"

"Você é um passivo", interrompeu Buna, com um sorriso cruel. "E Joseph merece coisa melhor. Ele merece Clydie. A filha verdadeira. A que tem pedigree."

Clydie. O nome era uma faca se revirando nas entranhas de Giselle. A mulher que pairava nas bordas de seu círculo social, sempre sorrindo, sempre observando.

Giselle olhou de volta para Joseph. Ele estava lendo um arquivo em sua mesa, ignorando totalmente a conversa. Ele estava entediado. Para ele, tinha acabado.

A constatação a atingiu com a força de um golpe físico. Ele nunca a amou. Ele nem sequer a odiava. Para ele, ela era apenas um ativo que se desvalorizou a zero. A esperança que a sustentara por três anos evaporou, deixando para trás uma clareza fria e entorpecente. Não havia misericórdia aqui. Apenas cálculo.

Giselle estendeu a mão e pegou a caneta do advogado. O corpo de metal estava gelado contra sua pele.

Ela se inclinou sobre a mesa. Sua mão tremia, mas ela a forçou a se firmar. Pressionou a ponta no papel. A tinta fluiu, escura e permanente.

Giselle.

Ela assinou seu nome. Assinou abrindo mão de sua casa. Assinou abrindo mão de seu coração.

Joseph observou a caneta se mover. Por um segundo - apenas uma fração de segundo - sua testa se franziu. Uma microexpressão de desconforto. Mas então ele piscou, e ela desapareceu.

O advogado arrancou os papéis no momento em que ela levantou a caneta.

"Tirem as coisas dela daqui", ordenou Buna aos funcionários. "Agora."

Giselle endireitou a coluna. Exigiu cada grama de força que lhe restava. Ela olhou para Joseph uma última vez. O desespero se fora, substituído por um vazio oco onde antes havia seu amor.

"Espero", disse ela, com a voz baixa, mas firme, nascida da ruína absoluta, "que você nunca se arrependa do que fez hoje."

Joseph soltou uma risada curta e seca. Ele acenou com a mão em direção à porta, um gesto de dispensa. "Vá."

Giselle se virou. Suas pernas pareciam de chumbo. Ela passou pelos advogados, pelo sorriso triunfante de Buna. Caminhou em direção às pesadas portas duplas.

Ela podia sentir o cheiro de sua colônia - sândalo e chuva. Costumava ser o aroma de sua segurança. Agora, era o aroma de sua ruína.

Ela empurrou as portas para abri-las. O trovão rugiu, dando-lhe as boas-vindas à escuridão.

Capítulo 2

Giselle não tinha chegado nem na metade do corredor quando uma muralha de músculos bloqueou seu caminho. Dois dos guarda-costas da família estavam parados ali, de braços cruzados, com os rostos impassíveis.

"Indo a algum lugar?" a voz de Buna ecoou atrás dela.

Giselle se virou. Ela segurava outro documento, abanando-o como um leque. "Não tão rápido. Precisamos acertar as contas."

"Eu assinei os papéis", disse Giselle, abraçando o próprio corpo. "Estou indo embora."

"Você assinou o divórcio", Buna zombou, aproximando-se. "Agora vamos executar o acordo pré-nupcial. Cláusula 14: Em caso de fraude, todos os bens, presentes e joias fornecidos pela família Villarreal devem ser devolvidos imediatamente."

Ela estalou os dedos. "Revistem-na."

Os olhos de Giselle se arregalaram. "O quê? Não. Vocês não podem-"

A governanta-chefe se adiantou. Giselle recuou, suas costas batendo no peito do guarda-costas. Ela se sentiu violada enquanto mãos apalpavam seus bolsos, verificando o forro de seu casaco.

Joseph estava parado na porta do escritório. Ele estava encostado no batente, observando. Ele não se moveu. Ele não falou. Apenas observou.

"O colar", Buna ordenou.

A mão de Giselle foi para o pescoço. O solitário de diamante. Foi um presente de aniversário. "Joseph me deu isto", ela sussurrou, olhando para ele. "É meu."

"Foi pago com o dinheiro do fundo fiduciário da família", o advogado declarou monotonamente. "Tecnicamente, pertence ao patrimônio."

Giselle olhou para Joseph. Diga alguma coisa, ela implorou em silêncio. Por favor, tenha um pingo de decência.

Ele olhou para o relógio.

Algo dentro de Giselle se partiu. O último fio de esperança, o último desejo patético de que ele se importasse, se desintegrou.

Ela abriu o fecho do colar. Não o entregou a Buna. Deixou-o cair na bandeja de prata que o mordomo segurava. Aterrissou com um barulho metálico e agudo.

Os olhos de Buna caíram para a mão esquerda dela. "E o anel."

A respiração de Giselle falhou. O diamante rosa. Ele o colocara em seu dedo. Ele havia prometido...

"Ela não merece usá-lo", Buna sibilou. "Essa pedra pertence à futura senhora desta casa. A Clydie."

Giselle agarrou o anel. Seus nós dos dedos ficaram brancos enquanto ela o puxava com força por cima da junta. Ele arranhou sua pele, deixando uma marca vermelha.

Ela não o colocou na bandeja.

Ela se virou para Joseph. Encarou-o nos olhos. E o atirou.

O anel voou pelo ar e atingiu o tapete bem em frente aos seus sapatos polidos. Quicou uma vez e parou perto da ponta do seu pé.

Joseph olhou para o anel. Seu maxilar se contraiu. Sua mão tremeu ao lado do corpo, quase como se quisesse pegá-lo. Uma estranha corrente de eletricidade percorreu seu braço, um impulso primitivo de parar aquilo, mas ele o esmagou instantaneamente. Permaneceu imóvel no lugar.

"Fora daqui", Buna gritou. "Tirem este lixo da minha casa!"

Giselle correu. Correu escada acima para o quarto de hóspedes para onde a haviam mudado na semana passada. Pegou a mala velha e surrada com a qual chegara três anos antes. Jogou lá dentro seu jeans, seus suéteres velhos, sua identidade. Nada que eles tivessem comprado. Nada que cheirasse a esta casa.

Ela arrastou a mala pela grande escadaria. As rodinhas batiam ruidosamente em cada degrau.

A porta da frente se abriu. Uma rajada de vento e chuva entrou, junto com uma mulher em um vestido de coquetel cintilante.

Clydie Woods.

Ela sacudiu o guarda-chuva, entregando-o a uma empregada. Parecia seca, aquecida e cara. Viu Giselle parada ali, com os olhos marejados e despenteada, arrastando uma mala quebrada.

"Oh, Giselle", ela arrulhou, sua voz gotejando falsa simpatia. Aproximou-se, seus saltos estalando. Inclinou-se para perto, para que apenas Giselle pudesse ouvir. "Não se preocupe. Vou cuidar muito bem dele. Melhor do que uma farsa como você jamais poderia."

Ela se afastou e sorriu radiante. "Boa viagem."

Giselle não confiava em si mesma para falar. Passou por ela com um empurrão. O mordomo segurava a porta aberta, o rosto cheio de pena.

"Sra. Villarreal...", ele começou.

"Não", disse Giselle.

Ela saiu para a varanda. A chuva era torrencial. Caía em lençóis, encharcando sua blusa instantaneamente.

"Sem carro", Buna gritou do foyer. "Os carros dos Villarreal são para a família. Ela vai a pé."

Giselle agarrou a alça da mala. A entrada de carros era longa. Uma milha até o portão principal.

Ela começou a andar. O vento açoitava seu cabelo contra o rosto, cegando-a. A chuva fria encharcou suas roupas, gelando-a até os ossos. Seus sapatos chapinhavam nas poças.

Na metade do caminho, a rodinha da mala prendeu em uma fenda nos paralelepípedos. Ela puxou com força. A alça quebrou. A mala virou, derramando suas roupas humildes na lama.

Giselle parou. Encarou suas roupas encharcando na água suja.

Ela caiu de joelhos. A represa se rompeu. Ela soluçou, o som arrancado de sua garganta, perdido no rugido da tempestade. Juntou seus suéteres enlameados, abraçando-os contra o peito. Tinha vinte e três anos e não tinha nada. Nenhuma família. Nenhum dinheiro. Nenhum marido.

Lá no alto, na janela do quarto principal, Joseph estava no escuro. Ele observava a pequena figura desabar na chuva. Pressionou a mão contra o vidro frio. Seu peito doía com uma dor estranha e oca que ele não conseguia nomear. Parecia a síndrome do membro fantasma, uma dor por algo que não estava mais lá.

Giselle se levantou. Empurrou as roupas molhadas de volta para dentro da mala quebrada. Limpou a lama e as lágrimas do rosto.

Sobreviva, ela disse a si mesma. Apenas sobreviva.

Ela arrastou a mala pelo resto do caminho. Chegou aos portões de ferro. Eles se abriram lentamente.

Ela saiu para a estrada pública. Estava um breu total.

Então, uma luz branca e ofuscante inundou sua visão.

Capítulo 3

Giselle ergueu o braço para proteger os olhos, semicerrando-os contra o brilho ofuscante. Ela pensou que era um caminhão, talvez um motorista de entrega que a respingaria com mais lama.

Mas o veículo não passou. Ele desacelerou até parar com um ronronar suave bem na sua frente.

Era um Rolls Royce Phantom. Distância entre eixos estendida. Preto-azeviche. O ornamento do capô, o Spirit of Ecstasy, brilhava sob as luzes da rua, mas, ao contrário da frota ostensiva dos Villarreal, este carro não exibia bandeiras nem brasões. Era um fantasma na noite, irradiando um poder silencioso e aterrorizante.

Atrás dele, um segundo carro parou. Depois um terceiro. Um quarto. Era uma comitiva digna de um chefe de estado.

A porta traseira do primeiro carro se abriu bruscamente antes mesmo que o motorista pudesse chegar lá. Um homem de terno cinza saiu correndo na chuva. Ele não se importou com seus sapatos de couro italiano afundando na lama.

"Giselle!"

Era seu pai. Ou o homem que ela só tinha visto em memórias turvas e em recuperação.

Ele a alcançou em duas passadas e a puxou para um abraço esmagador. Ele cheirava a tabaco antigo e a conforto. "Eu te encontrei. Meu Deus, nós te encontramos."

Uma mulher o seguiu, soluçando abertamente. Sua mãe. Ela envolveu os braços em volta dos dois, prensando Giselle em um sanduíche de calor. "Meu bebê. Minha doce menina."

Giselle ficou parada, paralisada, a chuva colando o cabelo em seu crânio, a lama manchando sua bochecha. Ela estava chocada demais para chorar.

Então, as portas do segundo carro se abriram.

Três homens saíram. Altos. Imponentes. Eles se moviam com uma graça predatória que exalava poder.

Kordell Hines. O mais velho. Ele deu uma olhada em Giselle - tremendo, molhada, destruída - e seu rosto se fechou com uma raiva que poderia queimar cidades. Ele tirou seu trench coat de caxemira e o colocou sobre os ombros dela. Era pesado e quente.

"Quem fez isso?", ele perguntou, sua voz baixa e perigosa. Ele olhou em direção aos portões dos Villarreal.

"Vamos levá-la para dentro", disse o segundo irmão, Silas. Ele caminhou até a mala quebrada dela. Olhou para ela com desdém e a chutou para o lado. "Deixe isso aí. Você não precisa mais de lixo."

O terceiro irmão, o mais novo, Asher, se aproximou. Ele tirou um lenço de seda do bolso e limpou gentilmente a lama da testa dela. Seus olhos estavam avermelhados. "Temos uma cobertura pronta para você em Coast City. Ou a propriedade nos Hamptons. Para onde você quiser ir, Elle."

Elle. O apelido de uma infância que ela quase esquecera.

"Vamos para casa", disse seu pai, guiando-a em direção à porta aberta do Rolls Royce.

Giselle entrou no banco de trás. Era como entrar em um mundo diferente. O ar era climatizado a perfeitos vinte e dois graus. Os assentos eram mais macios que sua cama na mansão.

Sua mãe sentou-se ao seu lado, segurando sua mão com tanta força que seus anéis cravaram na pele de Giselle. Ela lhe entregou uma garrafa térmica com chocolate quente.

"Temos os melhores médicos de prontidão", disse Silas do banco auxiliar. "Vamos consertar o que quer que eles tenham quebrado."

Kordell entregou-lhe uma pasta de couro. "Isso é apenas o começo", disse ele. "Dez por cento da Hines Global. Está em seu nome. Com efeito imediato."

Giselle olhou para os papéis. Os números eram astronômicos. No espaço de cinco minutos, ela passou de indigente a bilionária.

"Por que...", sua voz falhou. "Por que agora?"

"Nós nunca paramos de procurar", disse seu pai, com a voz embargada. "A família Woods... eles esconderam você bem. Mas encontramos a discrepância nos registros. Viemos o mais rápido que pudemos."

Enquanto a comitiva começava a se mover, afastando-se do meio-fio, Giselle olhou pela janela traseira de vidro fumê.

Através da chuva, ela viu a silhueta imponente da mansão Villarreal. Agora parecia uma prisão. Um mausoléu frio de pedra.

Dentro daquela casa, Joseph provavelmente estava se servindo de uma bebida, aliviado por ter se livrado da "fraude". Ele não fazia ideia. Pensava que tinha jogado fora o lixo, mas acabara de declarar guerra a um império.

De volta à mansão, Joseph estava parado junto à janela. Ele viu as luzes traseiras vermelhas da comitiva desaparecerem na névoa.

"Senhor", Kieran, seu assistente, entrou na sala. "Nós a perdemos."

Joseph franziu a testa, virando-se. "O que você quer dizer?"

"Tentei rastrear o celular dela. Tentei verificar as estações de trem, os terminais de ônibus. Nada. O sinal dela simplesmente... desapareceu. É como se ela tivesse deixado de existir no momento em que saiu pelo portão."

Joseph girou o líquido âmbar em seu copo. "Ela está se escondendo", murmurou ele. "Vai aparecer em algum motel barato em alguns dias, quando precisar de dinheiro."

Mas um nó de inquietação se apertou em seu estômago. Ele se lembrou do olhar dela antes de partir. Não era o olhar de uma mulher derrotada. Era o olhar de alguém que não tinha mais nada a perder. E aquela comitiva... ele não tinha visto os logotipos, mas a precisão daqueles carros, a maneira como se moviam em formação - aquilo não era um serviço de táxi. Aquilo foi um resgate.

No Rolls Royce, Giselle tomou um gole do chocolate quente. O calor se espalhou por seu peito. Ela encostou a cabeça no ombro da mãe.

A garota que chorou na lama não existia mais.

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