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A Esposa Virgem de Alfa

A Esposa Virgem de Alfa

Autor:: Baby Charlene.
Gênero: Lobisomem
Shilah era uma jovem bonita que veio dos lobisomens - também conhecidos como os leões da montanha. Ela cresceu em uma das matilhas mais fortes de sua família, mas infelizmente, não tinha habilidades de lobo. Ela era o único lobo impotente em sua matilha e, como resultado, sempre foi intimidada e ridicularizada por sua família e outros. Mas o que aconteceria quando Shilah caia nas mãos de Dakota, o Rei Alfa de coração frio? O Alfa de todos os outros Alfas? O superior e líder dos leões da montanha e dos sugadores de sangue - também conhecidos como vampiros. A pobre Shilah ofendeu o Rei Alfa desobedecendo impotentemente às suas ordens e, como resultado, ele decidiu tomá-la como sua quarta esposa para que ela nunca desfrutasse a alegria de ter companhia. Sim, a quarta. O Rei Dakota tinha se casado com três esposas em busca de um herdeiro, mas tudo em vão, pois eles só deram à luz mulheres - seria uma maldição da Deusa da Lua? Ele é um rei marcado e implacável e Shilah sentiu que sua vida estaria condenada ao cair nos seus braços. Ela tem que lidar com o marido implacável e também com as outras esposas dele. Ela é tratada como a mais inferior de todas... mas o que acontecerá quando Shilah acaba sendo algo mais...? Algo que eles nunca esperaram?

Capítulo 1 Lobo sem atributos de lobo

INTRODUÇÃO

Ofegante, ela corria pela floresta escura e com uma agilidade incrível, saltava galhos e troncos, assim, numa fração de segundos percorria uma grande distância. Se não fosse pelo barulho de suas pernas batendo contra as folhas e os galhos e, também os gritos dos homens que a perseguiam, ela tinha certeza de que o ruído causado por sua respiração fadigada poderia ser ouvido de muito longe.

"Vamos mais rápido, temos que pegá-la!"

"Estamos quase perdendo ela de vista, força, vamos avante!"

Os homens gritavam muito, porém ela não ousava olhar para trás, por causa do medo de ser capturada.

A criança pequena que ela carregava em seus braços, estava junto ao seu peito envolta num tecido grosso e assustada choramingava. Ela sentia-se esgotada de tanto correr.

"Me desculpa, querida. Sinto muito por fazer você sofrer desse jeito", a mulher reclamou e aumentou a velocidade dos passos.

Porventura, ela poderia despistar aqueles homens que a perseguiam? A floresta estava bastante escura, mas alguns reflexos da luz da lua passavam entre as folhas das árvores e ajudavam precariamente na visão do caminho.

De repente, um leve soluço percorreu sua garganta, então sentiu uma dor aguda em sua perna que a derrubou no chão no mesmo instante.

"Ai, acertaram em minha perna!" Começou a sentir dores insuportáveis que percorriam o seu corpo todo.

Naquele momento, seu bebê soltou-se de seus braços e rolou sobre as folhas secas espalhadas pelo chão.

"Não, acredito... por que me aconteceu isto agora?" Ela gemia, segurando sua perna.

Poderia afirmar que foi atingida por uma flecha envenenada com um dos venenos mais fortes das bruxas. Ninguém poderia sobreviver de tão letal que era... Ninguém mesmo!

E o bebê dela... onde poderia estar...

Ela ignorou as fortes dores e rastejou até onde estava o bebê e a puxou próximo ao peito enquanto se deitava de costas no chão. Sem sombra de dúvidas, agora aqueles homens iriam alcançá-la.

"Ei, sua luta chegou ao fim, Lura", uma voz feminina e ameaçadora ecoou perto dela.

Tinha certeza de que aquela flecha envenenada partiu dela.

De costas para o chão e olhando para cima pôde vê-la parada ali no escuro, vestida com seu longo vestido preto, que varria as folhas que estavam ao redor.

"Ayita, o que você quer comigo!" A mulher se estremeceu e não conseguiu finalizar suas palavras.

"Não posso acredita que você realmente pensou que poderia fugir do seu julgamento, Lura?" Ela falava e batia os pés no chão.

"Você achou que tinha inteligência suficiente para escapar da pena que você mesma causou através de suas fantasias?"

Vários soluços apertavam a garganta dela, já muito seca de tanto correr.

"Ei, por favor, minha filha não tem nada a ver com isso... Peço por favor, para não a machuque, pois ela é apenas uma criança inocente."

"Não, muito pelo contrário, sua filha tem TUDO a ver com isso!" Um potente raio riscou o céu enquanto Lura falava com arrogância e muita raiva.

"Você deveria saber que sua filha, Ayita, é uma maldição. Ela se tornou maldita no mesmo dia em que você se deitou com um de nossos inimigos e a gerou. Você quebrou uma das nossas leis mais sagradas, Ayita, e você e sua filha híbrida têm que pagar por isso!"

"Mas, ela não vai causar nenhum problema... Pode acreditar no que estou falando. Por favor Lura, você deveria me ouvir e deixá-la em paz."

"Você é uma bruxa, Ayita e uma das nossas melhores. Então, não deveria ter se apaixonado por um de nossos maiores inimigos e ainda pior, ter uma filha dele. Confesso que me decepcionou!"

"Não, por favor..."

"Cale-se, a conversa chegou ao fim, Ayita!" Suas palavras causaram mais um forte raio e outro estrondoso trovão.

Os homens que perseguiam Ayita haviam chegado ao local e pararam todos em volta para assistir ao diálogo entre as duas mulheres.

"Como Rainha das Bruxas Oceânicas do Oeste, eu sentencio você, Ayita e sua filha, à morte", ela estendeu a mão em sua direção e foi nesse momento que Ayita soube que sua vida chegaria ao fim, caso não fizesse nada para intervir.

Só havia uma coisa que ela podia fazer, lutar contra Lura. Mas com o veneno da flecha em seu corpo, usar seus poderes drenaria suas forças e a mataria. Mas, e o bebê dela... Dessa forma, não teve outra escolha.

Então, quando Lura estava prestes a usar a varinha mágica, Ayita soltou um grito muito intenso que causou uma grande tempestade.

A vibração rompeu os céus e estremeceu as árvores ao redor pela força da tempestade que se iniciou, então Lura ficou surpresa e muito assustada.

"Ayita, não, não faça isso!" Gritou angustiada e rapidamente liberou os poderes de sua varinha mágica, todavia, já era tarde demais, nessa altura um redemoinho de vento uivante a varreu e a levou para muito longe e, assim, arrancou uma árvore com as raízes ao bater contra ela.

Todos os homens que estavam ao redor também foram arrastados pela fúria do vento, e lançados para longe.

Ayita tinha certeza de que nenhum deles sobrevivera ao contra-ataque dela.

Segundos após os gritos da luta travada entre elas, a tempestade cessou e a floresta ficou calma e serena, como se nada tivesse acontecido. Estava tão serena, que era possível ouvir os alaridos dos grilos e o canto distante das aves noturnas da floresta.

Ayita sentiu suas forças se exaurindo dela e suas mãos mal conseguiam segurar seu bebê que estava ao seu lado brincando com um galhinho seco.

"Eu te amo minha princesinha e farei de tudo para proteger você." Ela sussurrou bem de leve e de repente, seus olhos se fecharam num sono profundo.

*

*

*

CAPÍTULO 1

23 ANOS DEPOIS

"Ei Shilah, seja mais rápida! Você é muito lerda", ela murmurou da mesa onde estava sentada.

"Você anda como se fosse uma lesma, vamos, apresse-se."

Shilah tinha 23 anos e não pronunciou nenhuma palavra enquanto descia as escadas rangentes para o jantar antiquado, onde o resto de sua família já estava sentada confortavelmente e alguns já estavam comendo.

"Espero que você tenha adicionado molho suficiente?" Perguntou um dos membros, mas a ingênua Shilah não disse nada.

Seus olhos voltaram-se para o chão enquanto ela caminhava em direção à mesa da sala de jantar, que estava rodeada por 6 pessoas, seu pai, sua mãe, três meias-irmãs e um meio-irmão.

"Desculpe, eu demorei um pouco. Tive que aquecê-lo", Shilah disse quando finalmente sentou-se à mesa do jantar e Ina, quem havia pedido para ela trazer o molho, o arrancou bruscamente das suas mãos.

"Você deveria pedir desculpas por isso", mas Ina olhou para cima, e procurando disfarçar, deixou uma mecha de seus cabelos cair sobre seus olhos e rapidamente começou a comer.

Havia sete cadeiras ao redor da mesa, porém apenas seis estavam ocupadas, mas Shilah sabia que a sétima cadeira não era para ela.

"Acho que já chega! Saia da mesa agora, vamos!" Sua madrasta falou e sinalizou com o dedo para Shilah deixar a mesa imediatamente. Humildemente ela se curvou e caminhou, a fim de se afastar da sala.

"Ela não pode ficar aqui com a gente? Por quê? Pelo menos hoje ela deveria ficar aqui." Vanessa, uma de suas irmãs interveio e Shilah parou de andar, esperando ouvir uma resposta positiva.

Comer junto com eles... isso seria maravilhoso.

"Ei Vanessa, o que há de errado com você? Por que está defendendo ela para comer junto com a gente? Esta mesa é especialmente para os membros dos lobos reais, ou seja, os possuem habilidades de lobos, e não para pessoas sem capacidade alguma", Ina falou alto e aquelas palavras quebraram o coração de Shilah.

"Ina, isso não tem importância nenhuma!"

"O quê?" Ela fingiu um sorriso menosprezando sua irmã. "Eu não disse mentiras, disse? Embora pareça maldade, é a realidade nua e crua. Shilah é a única da linhagem dos lobos que não buscou desenvolver seus poderes. Infelizmente, de toda família LOBO, ela é a única que não possui nenhuma habilidade de lobo. Ela é incompetente e incapacitada, isto é, não passa de um mero ser humano. Se não fosse pelo fato de meu pai afirmar que ela é filha de sua primeira esposa, eu jurava que ela não tinha sangue da linhagem dos lobos!"

"Por favor, Ina, já chega!" O pai delas interveio e virou-se para Shilah, que ficou pálida de medo.

"Você já deveria ter deixado a sala!"

Com seu coração partido, ela virou as costas e continuou a afastar-se da sala.

Abalada pelo preconceito e a discriminação sofrida, seus olhos brilhavam cheios de lágrimas, que ela se esforçava muito para não deixar escapar. Saiu caminhando cuidadosamente pelo corredor para não tropeçar, pois, as lágrimas inundaram seus olhos e atrapalhavam sua visão.

"Qual é o problema, Pia? Você está tão inquieta", ela ouviu sua madrasta dizer quando já estava findando o corredor.

Caminhando vagarosamente pelo corredor, ela conseguia ouvi-los perfeitamente.

Mas, acredito que vou ficar bem. Apenas estou me sentindo um pouco enjoada." Pia respondeu atordoada.

Ela era a filha caçula da casa.

Ao chegar próximo das escadas que ficavam um pouco distantes da sala de jantar, ela parou e tentou ouvi-los, porém já não escutava as palavras que eles pronunciavam.

Então, foi primeiro para a cozinha, alimentou-se e se dirigiu para seu quarto sentindo-se desconfortável e solitária.

Não era um quarto normal, onde teria uma cama aconchegante, um guarda-roupa grande, uma boa mesa para estudos e várias cadeiras. Infelizmente, não era assim. A única coisa boa que Shilah tinha em seu quarto era sua cama que mesmo não sendo tão confortável, era uma cama nova.

Tristonha, perdeu completamente o apetite. Então, deixou o prato de louça com um resto de farinha sobre a mesa e foi sentar-se na cama.

Ela amava ficar sentada na cama, que por ser próxima da janela lhe dava o privilégio de desfrutar da brisa fresca de uma bela paisagem.

Parou o olhar admirando a paisagem pela janela por algum tempo, desejando que seus problemas e suas preocupações fossem levadas junto com o vento, mas infelizmente isso seria impossível de acontecer.

Lamentavelmente, ela só tinha uma amiga, com a qual podia conversar e contar seus problemas e compartilhar segredos.

De repente, se afastou da janela, desceu da cama e pegou a boneca que guardava com muito carinho num cantinho do guarda-roupa.

Aquela boneca era sua única amiga, na qual ela poderia confiar.

Ela sorria enquanto acariciava os cabelos amarelos de sua amiga. Sentia que aqueles olhos que não eram de verdade, estavam sempre querendo dizer algo para ela. É claro que o brinquedo não estava verdadeiramente olhando para ela, no entanto, queria acreditar que aquela boneca comunicava com ela.

"Então, como já é costume, não me deixaram sentar junto com eles para jantar", ela continuou.

"Vanessa até que tentou convencê-los... mas, infelizmente eles não quiseram ouvir os argumentos dela."

Depressiva, ela fez uma pausa e suspirou melancólica.

"Por que sou tão infeliz?" Questionava à boneca, como se fosse obter alguma resposta.

"Às vezes eu desejo... Encontrar alguém que me explique, por que sou a única que não tenho as habilidades dos lobos, sendo que pertenço à família deles e, também não me sinto como um deles. Será que estou amaldiçoada ou algo assim?"

Fez uma pausa e cheirou o brinquedo.

"Eu queria que minha mãe estivesse viva, pois tenho certeza de que eu não estaria passando por tudo isso, mas, infelizmente ela esta morta."

Nesse momento a porta se abriu e subitamente Ina invadiu o quarto.

Shilah se assustou e ficou surpresa. Qual o motivo daquela repentina invasão de privacidade? Ela já tinha terminado de comer?

Ina tinha sinais de hipocrisia na sua face, enquanto olhava para Shilah, que ainda estava segurando sua boneca.

"Então, você está... precisando de alguma coisa?" Shilah indagou.

"Mesmo que eu tivesse precisando de algo, você não poderia resolver para mim", Ina falou manifestando um certo sarcasmo na voz.

"Somente vim te dizer para se preparar, porque você vai me acompanhar até o supermercado, pois teremos de comprar alguns alimentos, já que o Rei Alfa declarou que amanhã será * O Dia Sem Movimento. * Ah, e não me faça esperar, hein!"

Após isso, virou as costa e saiu rapidamente.

'O Rei Alfa', pensou Shilah enquanto olhava para sua boneca.

O Alfa era um ser poderoso que toda alma que respirava ao redor da montanha o temia.

No seu quarto, ela se perguntava o que estava acontecendo e qual seria a razão para o Rei Alfa ter declarado que o dia seguinte seria "O Dia Sem Movimento * um dia em que todos deveriam permanecer em suas casas de portas fechadas.

Capítulo 2 Um rei sem herdeiro

Em uma sala escura. Ela estava ansiosa deitada na cama, e outras três mulheres esperavam apreensivas ao seu redor.

"Ai meu Deus!!!" A grávida gritou, enquanto seus olhos foram ficando extremamente apertados de agonia.

Suas pernas estavam dobradas e bem abertas, garantindo acesso suficiente às parteiras.

"Mais forte, Nosheba! Já posso ver a cabeça do bebê!" Mas diante de sua fraqueza a parteira chefe lhe deu uma luz de esperança, e quando ela mordeu os lábios empurrou com mais força do que podia. Mordendo suas bochechas internas também.

Por que é tão difícil desta vez?

"Mais uma vez...!" A esposa gritou.

Mais um empurrão: "Aiiiii...!"

Respirou fundo. E apareceu a cabeça redonda do bebê.

Um suspiro escapou das outras três mulheres enquanto puxavam com cuidado a cabeça, até as pequenas pernas do bebê aparecerem. Um pequeno grito agudo ecoou na sala imediatamente.

Ao contrário de todos os outros nascimentos, as parteiras não comemoravam sua alegria antes de confirmarem mais uma coisa.

A parteira chefe era quem fazia todo o trabalho, e nervosa, olhou para as pernas do bebê, bem no meio. E seu coração saltou fortemente quando ela viu a região pélvica.

Medo e decepção transpareciam em seu rosto.

"Ahiga, o que é?" Uma das duas mulheres perguntou, com os olhos arregalados de curiosidade e ansiedade.

Ahiga era a parteira chefe, e olhou terrivelmente para o bebê antes de olhar para sua colega de trabalho.

"É uma menina", ela finalmente revelou junto com o medo e a decepção em seu rosto.

"Oh! Abençoada Selene!" A segunda mulher exclamou.

O bebê ainda chorava e a parteira olhava para a mãe que parecia estar desmaiada.

'Isso não é nada bom!' Ela pensou.

"Kimi, você deveria contar ao rei sobre isso. Pois ele está esperando lá fora e já não ouve os gemidos da Rainha, mas um bebê chorando ele definitivamente sabe o que significa." A parteira disse enquanto colocava o bebê chorando no chão.

"O quê?? E por que eu deveria fazer isso, Ahiga? Se você é nossa líder." "A notícia deve ser dada por você!" Kimi, a segunda parteira, exclamou.

"Mas é você a responsável em informar aos casais sobre o sexo dos bebês, Kimi." "O que você está dizendo?" Ahiga perguntou com seu rosto preocupado e uma voz inconformada.

"Sim, mas eu faço isso com casais normais, não... com alguém como o rei." Kimi respondeu.

"Vamos, Kimi. Não é hora para isso..."

"Talvez Louise devesse fazer isso", ela apontou para a última parteira ao lado dela.

"Afinal ela é a mais jovem de nós."

"O quê?" Louise gritou e balançou a cabeça com firmeza.

"Por favor, nem pense em fazer isso comigo. Meu noivo virá me ver, daqui a nove dias. E se tudo correr como planejado, vamos nos casar depois da 5ª lua cheia."

Ahiga suspirou e balançou a cabeça enquanto suas colegas de trabalho discutiam quem daria a notícia ao rei. Ela olhou para o bebê no chão. Então, quem teria tal coragem? Pois era um risco muito grande.

Mas elas sabiam que não demoraria muito para que o rei entrasse nervoso querendo saber o sexo do bebê. E definitivamente algo pior podia acontecer caso ele descobrisse por si mesmo."

"Está bem. Eu vou", sua voz se elevou e as duas senhoras olharam para ela aliviadas.

"Muito obrigada, Ahiga. Tenho certeza que você vai ficar bem." Kimi tentou ser amigável mas Ahiga não disse nada enquanto caminhava até a porta.

*

*

Preocupado num corredor longo e largo, o rei podia ser visto andando de um lado para o outro.

Não era comum outros reis fazerem isso, mas o Rei Dakota era sempre diferente.

Sim, ele estava ansioso e andava de um lado para outro tentando acalmar seus nervos.

Suas mãos estavam cruzadas atrás das costas, sua coroa na cabeça e seu manto real varrendo o chão enquanto ele andava.

Dois guardas estavam na entrada do corredor e dois à sua frente, para sua proteção. Não que o rei precisasse de proteção.

Entretanto, seus olhos estavam fixados na porta, aguardando notícias. Por que estavam demorando tanto? Ele tinha certeza de que a Rainha havia parado de gritar e o bebê de chorar. Por que nenhuma das parteiras saíra para contar sobre o sexo do bebê?

Então, pediu mais um pouco de paciência a si mesmo, e logo ouviu a porta se abrindo.

Ele virou-se rapidamente para dar uma olhada e viu a parteira-chefe saindo. Porém, parou logo de caminhar e aguardou que ela fosse ao encontro dele.

Desconfiado, notou que a parteira estava diminuindo os passos, pois estava demorando muito para chegar até ele.

"Como foi, Ahiga?" Ele perguntou respeitosamente.

"Qual é o sexo do bebê?"

Sem rodeios ele exigiu uma resposta.

Mas ela respirou fundo antes de prosseguir.

"M... M... Meu Rei", ela gaguejou impotente com a cabeça baixa.

"Sauda.... Saudações, Meu Rei."

"Diga-me exatamente o que eu quero ouvir, Ahiga." Sua voz estava rouca, e ela engoliu em seco.

'Não tem necessidade de rodeios, pois ele descobrirá de qualquer jeito', pensou Ahiga.

"Meu.... Meu Rei", ela continuou enquanto o suor transparecia em seu rosto.

"É.... é uma menina linda."

É isso mesmo.

A ansiedade no rosto do Rei Alfa desapareceu instantaneamente enquanto suas sobrancelhas franziam em surpresa. Havia desanimo em suas expectativas.

Imediatamente, lembrou-se das palavras do médico, quando ele o visitou algumas semanas atrás.

"Sua segunda esposa, Rainha Nosheba, carrega uma loba."

Ele ficou muito bravo e duvidou dele antes de partir, mas ele estava certo...! Infelizmente, estava certo.

Ahiga ainda estava abalada na frente dele com a cabeça baixa. Pois não saía uma única palavra de sua boca e isso a estava destruindo. Talvez devesse apenas se virar e ir embora.

Aos poucos ela foi sentindo um aperto firme em seu pescoço, que levantou seus pés do chão e os fez balançar no ar.

Era o Rei...!

Seus olhos dilataram-se de medo e choque quando ele a sufocou, segurando seu pescoço com toda sua ira.

Sua raiva era tão grande que ele poderia destruí-la em segundos.

E com uma voz gelada ele disse:

"Esta será a última vez que você me traz más notícias, Ahiga."

Sem dó e nem piedade ele a jogou com força no chão e marchou para longe.

********************

Capítulo 3 Amaldiçoado

O Rei Dakota era conhecido por todos como o Rei Alfa superior das sete montanhas e dos seis covens. Enquanto as montanhas eram um porão para sete matilhas diferentes, os covens pertenciam aos vampiros. Cada matilha tinha seu próprio Alfa, e cada coven tinha seu VampLord, mas o Rei Dakota atuava como governador sobre todos eles. O líder superior de cada autoridade nos dois grupos.

Há muito tempo, os lobisomens, que também eram conhecidos como leões da montanha, os vampiros e as bruxas não se davam muito bem uns com os outros. Eles estavam sempre brigando e possuíam muitas restrições.

A guerra durou um bom tempo até que os lobos e vampiros decidiram que era hora de colocar um fim. Eles decidiram fazer um tratado de paz para que pudessem ter um governo. Mas a principal lei era que não poderia existir mais de um líder, e com isso, eles decidiram fazer uma batalha entre um representante de cada grupo para que o vencedor se tornasse o líder geral. E, enquanto todos os preparativos desse evento estavam acontecendo, as bruxas juraram não se intrometer nisso.

Um representante dos lobos e um dos vampiros saíram para uma batalha e, eventualmente, os lobos venceram a luta. Com isso, o vencedor do grupo dos lobos tornou-se o líder superior. Que era nada mais nada menos que o avô do Rei Dakota.

Os lobos e vampiros formaram novas regras e constituições para si de forma coletiva.

Todos queriam paz e igualdade e, desde aquele momento, não existiram mais brigas entre lobos e vampiros. Mas como as bruxas haviam se recusado a participar no tratado, foram banidas para sempre de pisar naquelas terras, por isso, fizeram um juramento de nunca ter acordo nenhum com os leões da montanha ou sugadores de sangue.

E assim tinha sido por muito e muito tempo.

A liderança superior ficou durante muitos anos com os lobos, desde o avô de Dakota, até seu próprio pai, e agora até ele mesmo, o Rei Dakota.

Mas de toda a história, ele parecia ser o mais diferente de todos, mais poderoso e mais brutal do que seus antepassados.

Todos tinham medo dele, da forma como ele lutava contra os bandidos e outros inimigos. Ele era muito brutal e poderoso, ganhou muito medo e consequentemente respeito de todos.

Mas o todo-poderoso Rei Dakota tinha um, apenas um problema. Bem, talvez ele tivesse outros problemas também, mas aquele era o maior de todos.

Não importava o quanto tentasse, ele não conseguia ter um filho homem, um herdeiro para tomar o trono quando ele partisse.

Esse era o maior problema para ele, pois ele se sentia amaldiçoado. Sim, ele de fato havia sido amaldiçoado - pela deusa da lua.

Ele já havia se casado com três mulheres, e com elas teve um total de 4 bebês, todos eles eram meninas.

Ele sabia que estava amaldiçoado, mas, ele se perguntava o porquê.

Ele chegou até seu quarto não muito depois e se acomodou, sentando-se na cama com a cabeça apoiada nas palmas das mãos. 'Por que meu caso é diferente', ele pensou, se lamentando. 'Por quê?'

Não demorou muito até que seu assistente entrasse.

"Eu não quero ser incomodado, Pishan", o Rei Dakota murmurou ainda com a cabeça nas palmas das mãos.

Ele não precisou olhar antes para saber quem era. Ele estava acostumado com o cheiro que cada pessoa do topo da sua montanha tinha.

O assistente, Pishan, parou na porta. Ele era o único que conhecia o rei tão bem a ponto de poder adivinhar certeiramente o que havia de errado com ele no momento.

"Perdoe-me por interromper, Meu Rei, mas eu só desejo confirmar a ordem para amanhã", ele disse, fazendo o Rei Dakota tirar a cabeça da palma da mão para olhar para ele.

"A ordem ainda está de pé", rosnou.

"Eu não quero que ninguém esteja por perto quando aquilo acontecer. Então, quem quebrar essa lei e sair amanhã, será morto."

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