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A Esposa de Mentira do Sottocapo

A Esposa de Mentira do Sottocapo

Autor:: Yana _ Shadow
Gênero: Bilionários
Após ser vendida pela madrasta, Antonella foi trancada num quarto escuro com um brutamontes que pretendia tirar a sua inocência. Desesperada, a garota conseguiu se desvencilhar e fugir pela janela. Em busca de ajuda, ela segurou o vestido rasgado enquanto corria pelas ruas durante a noite fria. No meio do caminho, um carro freou bruscamente e por pouco, não atropelou Antonella. "Você é louca?" O tom rouco inquiriu. "Por que você não olha para onde anda, garota?" O homem alto estava bastante irritado quando saiu do automóvel. Bernardo Matarazzo era o sottocapo de um dos clãs ligados a uma organização mafiosa e o filho do homem que humilhou Antonella e destruiu tudo o que ela tinha sem piedade. Ele a examinou minuciosamente antes de fazer mais perguntas, "O que houve com você?" Os olhos verdes observaram a ferida no ombro de Antonella. "Quem te atacou?". A moça assustada piscou algumas vezes, as lágrimas molharam o rosto anguloso. Ela não imaginava que o destino colocou em seu caminho a peça chave para saciar a sua sede de vingança.

Capítulo 1 A dívida

Antonella

O céu estava cinzento quando parei na porta do casebre durante a manhã.

Eu respirei profundamente o ar úmido do orvalho e então apressei os passos a caminho da pequena horta, onde reguei uma pequena plantação de alcachofra e as mudas de tomate que havia plantado cuidadosamente no dia anterior. Diariamente, eu costumava acordar um pouco antes do sol nascer para cuidar da plantação e colher verduras e frutas para vender no estabelecimento onde eu trabalhava para auxiliar no sustento da minha família. Após organizar tudo em uma cesta de vime, voltei para casa. Eu estava tão distraída que não vi o homem de meia-idade que se aproximou furtivamente. Ele puxou as rédeas do cavalo e parou diante de mim.

- Olá, Antonella! - Esboçou um sorriso amarelo.

- Bom dia, senhor Giuseppe!

Os equinos dos outros dois homens trotaram no pedregoso caminho ao se aproximarem.

- Você já tem o dinheiro?

- Não, senhor. - Eu encolhi os meus ombros.

- Ragazza, - o brutamontes desceu do cavalo. - Esse é o terceiro mês que você atrasa o pagamento. O meu chefe não está muito feliz com isso. - Ele caminhou em torno de mim e apertou a minha cintura.

Sobressaltada, eu tomei distância daquele homem asqueroso.

- Vou pagar!

- Chega de promessas. - Giuseppe berrou.

Os outros dois homens me olhavam de uma maneira que me enojava.

- Vou falar com o meu patrão para te dar mais uma semana. - Ele tocou os meus cabelos e cheirou.

Dei um salto e saí de perto quando Giuseppe tentou beijar meu rosto.

- Se você não tiver o dinheiro, o senhor Matarazzo cobrará a dívida com juros. - Ele pegou a cesta das minhas mãos. - Agradeço pelo presente.

- Tenho que levar essas verduras e frutas para a mercearia. - Eu tentei tomar a cesta.

Um dos capangas desceu do cavalo e segurou os meus braços atrás das minhas costas.

- Essa garota é muito arisca! - disse a voz profunda do jovem que me continha.

- Solte a ragazza, - O senhor Giuseppe mandou.

Em certo momento, eu fui derrubada no chão. Olhei para as folhas secas e marrons que o vento daquela manhã espalhou pela propriedade.

- Não levante, Antonella, fique onde está! - Giuseppe estreitou o olhar. - Eu não tolero esse desrespeito. Considere isso como um aviso. Da próxima vez, não serei tão compassivo. Entendeu?

- Sim, senhor! - Respondi.

A fisionomia sombria daqueles homens me assustava.

- Antonella! - A voz crepitante veio da janela da casa. - O que está acontecendo aí fora? - A minha madrasta indagou.

- Olá, senhora Francesca! - Giuseppe sorriu. - Prazer em vê-la. - Pôs o chapéu de volta à cabeça.

Ele montou no cavalo e se foi com seus capangas. Giuseppe era um dos homens de confiança do dono de boa parte das terras naquela região. Diversas famílias e comerciantes da aldeia sofriam com aquelas cobranças exorbitantes.

- Antonella, entre!

- Eu já vou, - levantei e limpei as folhas da minha saia.

A minha madrasta estava na soleira da porta quando eu me aproximei.

- Por que você estava no chão?

- Eu tropecei. - escondi a verdade.

Não queria que a minha madrasta visse aquilo. A Francesca já estava sofrendo demais desde a morte do meu pai. Eu não queria atormentá-la com mais problemas.

- A senhora está bem? - Perguntei quando ela cambaleou.

- Sim, foi só uma tontura. - Francesca apoiou a mão na parede.

- Deite-se e descanse um pouco! - Olhei para os ossos da clavícula que começavam a despontar na pele pálida da minha madrasta.

Francesca chegou em minha vida quando eu tinha cinco anos. Mesmo não sendo filha de sangue, ela cuidou de mim. Anos mais tarde, o meu pai morreu em um acidente. Depois dessa tragédia, a vida parecia não fazer mais sentido para a minha madrasta.

- O que o Giuseppe queria?

- Não era nada!

- Eu sei que ele veio cobrar a dívida.

Fiquei em silêncio e ajeitei a mulher emaciada sobre a cama no canto estreito da sala. Eu já sabia onde aquela conversa chegaria.

- Você tem que casar e cuidar do seu irmão, Antonella - As mãos ressequidas acariciaram o meu antebraço. - Você precisa de um homem para te ajudar a cuidar desse lugar.

Capítulo 2 A cobrança

Antonella

- Não se preocupe! - Eu a cobri com uma manta de retalhos vermelha. - Vou dar um jeito de conseguir pagar a dívida! - Eu disse com veemência. - Agora descanse, vou acordar a Luca.

Após acordar o meu irmão caçula, eu me arrumei. Estava escovando os meus cabelos quando Luca apareceu.

- Não quero comer esse pão duro. - Ele jogou no chão.

O meu meio-irmão tinha dez anos e reclamava de tudo.

- Hei, é pecado desperdiçar comida dessa maneira! Devia agradecer por ter o que comer. Tem muitas crianças no mundo que estão passando fome.

- Você devia casar como a mamãe falou.

Prendi os meus cabelos com um elástico. Decidi manter o silêncio, pois não queria me estressar demais naquela manhã.

- Odeia essa pocilga ridícula. - Luca disse, revoltado. - Tenho vergonha de trazer os meus amigos da escola para cá.

A casa de um estilo rústico, com paredes de pedra e pisos em terracota, não tinha muito conforto. O teto com vigas de madeira expostas era atacado por cupins.

- Já chega, Luca! Pegue suas coisas, vou te deixar na escola e correr para o trabalho.

Desde que completei dezoito anos, a minha madrasta insistia que eu deveria me casar. Eu queria sair daquela cidade para continuar os meus estudos na capital, mas o meu pai deixou a responsabilidade de cuidar do meu irmão caçula e da minha madrasta quando partiu dessa vida. Eu já estava na porta quando uma vizinha apareceu e fez companhia para Francesca. Elas ficaram entretidas com a conversa que nem perceberam quando eu saí. No meio do caminho de paralelepípedos, eu diminuí os passos e olhei para trás. O meu irmão andava devagar.

- Depressa, Luca!

- Estou cansado, Antonella!

- Nós já estamos chegando.

Após caminharmos por meia hora, paramos na entrada da escola, onde deixei o Luca. Logo depois, eu andei mais alguns quilômetros até o meu trabalho.

- Antonella, você está atrasada de novo! - O dono do estabelecimento reclamou. - Onde estão as alcachofras, os tomates e as alfaces frescas que te pedi?

- Infelizmente estavam ruins, senhor! - Desviei os meus olhos para a banca de verduras e legumes vazia. - Uma praga atacou a horta e eu não tive uma boa colheita.

- Muito bem, eu não vou pagar o que você trouxe na última semana, os vegetais também não estavam bons. - O dono do estabelecimento falou.

- Não pode fazer isso, o senhor tem que me pagar. - Eu segui o velho robusto que foi para trás do balcão. - Selecionei as melhores verduras na semana passada.

- Comece a trabalhar antes que eu me arrependa de ter dado um emprego para você. - Ele coçou a barba, olhando-me de um jeito estranho.

Silenciei e não retruquei. Eu tinha que arrumar uma maneira de ganhar mais dinheiro antes que os homens do senhor Matarazzo retornassem para fazer a cobrança.

______________________________

Na semana seguinte, o prazo se extinguiu. O desespero tomou conta de mim no dia em que Giuseppe viria exigir o pagamento da dívida.

- Antonella! - Chamou e, em seguida, bateu palmas.

Eu abri a cortina e olhei através da janela. Giuseppe não estava sozinho. Havia os dois que costumava acompanhá-lo e o dono da propriedade que observava tudo à volta.

- Olá! - Giuseppe disse num tom forçadamente gentil.

Eu me afastei da janela ao notar o olhar dele se fixando em mim.

- Venha até aqui, Antonella. - Desta vez, a voz profunda do senhor Matarazzo chamou.

- O que está acontecendo? - A minha madrasta perguntou fracamente.

- Não é nada, descanse.

- Quem está lá fora? - Luca indagou.

Puxei o meu irmão pelo braço, quando ele tentou espiar pela janela.

- Chega de perguntas, Luca. - Sussurrei para que os homens lá fora não me ouvissem. - Esconda-se embaixo da cama e não saia de lá até eu voltar.

- Por quê?

- Faça o que te mandei!

A contragosto, o meu irmão desapareceu do meu campo de visão.

- Vou resolver isso! - falei com a minha madrasta.

Enfiei a mão num jarro onde peguei o envelope com o dinheiro que recebi pelo meu trabalho na venda nos últimos sete dias.

- Boa tarde, senhores!

- Olá, Antonella! - O senhor Matarazzo tirou o chapéu, revelando uma vasta cabeleira branca. - O meu encarregado disse que você se recusa a pagar a dívida.

- Sei que atrasei um pouco, mas eu consegui algum dinheiro, - entreguei o envelope.

O velho abriu e contou as notas de euros e então, olhou para o lado, frustrado.

- Isso não paga metade do que deve.

- Logo, eu lhe darei o restante, senhor.

- Não é assim que as coisas funcionam, Caspita! - Joaquim bufou ao me olhar. - O seu pai pagava em dia.

- Eu sei, mas a minha madrasta está doente e meu irmão...

- Os seus problemas não me interessam.

- Só o que o senhor deseja é dinheiro, não é mesmo? - Desabafei num ímpeto de fúria

Slapt! O som do tapa estalou dentro de meus ouvidos.

Fiquei ligeiramente tonta por alguns segundos. A palma da mão comprida estava marcada em meu rosto. Toquei a minha pele que ainda ardia.

- Sou um homem generoso e estou lhe dando bastante tempo, mas não me desrespeite, ragazza! - O senhor Matarazzo esbravejou entre os dentes cerrados.

Permaneci calada, engolindo tudo o que eu pretendia falar para aquele homem ambicioso e avarento.

Joaquim era o filho de Don Domênico Matarazzo, um dos líderes do clã ligado à máfia. Embora Joaquim se esforçasse para ficar no lugar do pai, todos na aldeia diziam que Domênico pretendia preparar o neto para administrar os negócios da família.

Apesar de tudo, Joaquim possuía diversos hectares de terras e era dono da próspera fazenda com um palacete imerso em vinhedos, além de ter uma vinícola na região da Umbria.

- Na próxima vez que você me desrespeitar. - Ele estreitou o olhar para A minha casa. - Vou destruir tudo o que você tem! Entendeu?

As minhas pernas tremiam, as palavras ficaram presas em minha garganta.

- Responda ao chefe, Antonella! - Giuseppe ordenou.

- Entendi, senhor Matarazzo.

De repente, o semblante austero me examinou. O senhor Joaquim observou-me de cima a baixo e passou a língua em torno dos lábios.

- A partir de amanhã, você vai trabalhar na minha casa para pagar o resto da dívida.

- Acho melhor ela trabalhar no vinhedo, senhor... - Giuseppe não parecia gostar da ideia.

- Caspita, eu não te pago para me dar conselhos. - Joaquim vociferou entre dentes. - A minha esposa despediu a última empregada e a cozinheira precisa de ajuda.

O meu coração se agitou quando vi o rosto do meu irmão na janela. Luca nunca fazia o que eu pedia.

- Agradeça ao senhor Matarazzo! - Giuseppe segurou com força em meu braço, sacudindo-me.

- Obrigada, senhor! - Resignada, eu abaixei o rosto.

Capítulo 3 A garota na estrada

Bernardo

O carro fazia um trajeto pela Estrada Etrusco Romana, percorrendo as paisagens com belas vinícolas e vinhedos na região da Umbria. Após passar um ano na Sicília, eu fui obrigado a voltar para honrar um compromisso inadiável.

- Como foi a viagem, senhor Bernardo? - O motorista perguntou.

- Por favor, preste atenção na estrada, Casimiro. - Cortei o assunto.

Exausto da viagem, eu joguei a cabeça para trás e passei as mãos nos meus fios curtos antes de fechar os olhos. Eu devia cumprir a promessa de casar, já que a aliança entre os clãs foi acordada durante a minha infância. Por algum motivo, o meu avô queria que eu tomasse a frente dos negócios da família.

O celular tocou, tirando-me de minhas divagações. Era a terceira vez que a Mariana ligava. O término não foi amigável e ela não entendeu que eu tinha uma obrigação a cumprir.

Não posso negar que eu curti a vida intensamente ao lado da minha amante siciliana, mas pela segurança dela, eu escolhi dar um fim naquele relacionamento. Os gritos e os xingamentos durante a última discussão ainda reverberaram em minha mente.

- Então, você vai embora?

- Pare de complicar as coisas, Mariana! - Eu terminei de arrumar as minhas roupas na mala. - O meu voo sai em uma hora.

Às quatro da manhã, a mulher alta e esguia me seguia pelo quarto.

- Pode ir embora, Bernardo! - A voz anasalada falou. - Já marquei um encontro com um belo moreno no Tinder.

Cerrei os punhos ao lado do meu corpo. Precisei de todo o meu autocontrole para não perder a minha razão.

- Vou me divertir bastante enquanto você finge que será um bom marido naquela fazenda.

- Não posso quebrar o acordo que a minha família fez há mais de vinte anos. - A minha voz ficou mais rouca quando berrei. - Eu peguei a alça da mala e fitei a tela do celular quando uma mensagem chegou. - Divirta-se com o cara do Tinder.

- Ele trabalha numa agência de modelos e disse que vai me ajudar a arrumar trabalhos.

Mariana não dormia no ponto quando o assunto envolvia a sua carreira de modelo e atriz. Ela era extremamente bonita e tinha uma sedução diabólica, mas eu nunca a amei.

- Ótimo! - Vaguei pelo apartamento até a porta. - Seja feliz!

- Estúpido, você vai se arrepender. - Ela agarrou um jarro. - Logo, eu farei muitos desfiles e comerciais. Serei uma atriz famosa!

Agachei quando ela jogou o objeto de cerâmica que passou um pouco acima da minha cabeça. O meu sangue borbulhou, larguei a mala num canto e avancei, mas Mariana correu e se escondeu no banheiro antes que eu a alcançasse. Abri os meus olhos e abandonei as lembranças que teimavam em me aborrecer.

Deitando a cabeça para o lado, eu contemplei a cidade protegida por muralhas na província de Perugia aonde a parte mais moderna ficava na parte baixa.

- O senhor está muito calado. - O motorista da minha família tentou puxar assunto. - Está tudo bem? - Ele me olhou.

- Cuidado, Casimiro. - Arregalei os olhos ao ver a garota de cabelos castanhos avermelhados montada no cavalo.

O meu corpo foi jogado para frente no instante em que ele freou bruscamente perto do animal que se assustou.

- Oh, Dio mio! - Casimiro exclamou quando o equino levantou as patas dianteiras e jogou a garota no chão. - Antonella! - Ele chamou enquanto o cavalo galopava para longe da moça desmaiada.

O motorista saiu às pressas enquanto eu tirava o cinto.

- Antonella, acorde! - Casimiro agachou e verificou a pulsação.

- Eu te falei para prestar atenção. - Repreendi o funcionário.

- O cavalo apareceu do nada, senhor. - disse o motorista.

- Casimiro, - a garota chamou num murmúrio.

Ela abriu os olhos. As pupilas eram como duas pedras de safiras reluzentes.

- Por que você estava passeando a cavalo por essas bandas, Antonella? - O motorista perguntou num tom de repreensão.

- Eu peguei um atalho porque estou atrasada para o trabalho! - Ela levantou devagar e olhou a volta. - O Fergus não está aqui. Para onde ele foi?

Apesar dos arranhões no joelho, nos braços e na testa, ela ainda tinha forças para andar devagar.

- Fergus!

Antonella tocou nos lábios, fez um biquinho e tentou assobiar.

- Oh, céus! - Ergui os meus olhos para cima e virei para o outro lado. - Quem é esse? - Indaguei ao motorista.

- Acho que é o nome do cavalo. - Casimiro replicou. - Antonella, o Fergus foi por ali. - O motorista apontou para árvores que ladeavam a estrada.

- Tenho que encontrá-lo, - a sua voz estava fraca. - Eu peguei esse cavalo emprestado com o marido da minha vizinha. - Ela cambaleou e tropeçou nos próprios pés.

Em uma fração de segundos, eu estendi os meus braços e segurei-a antes que ela tombasse no chão. Os belos olhos azuis estavam presos aos meus quando, de repente, as pálpebras dela começaram a fechar.

- Temos que levar a Antonella para o hospital, senhor Bernardo. - Casimiro falou

- Vamos!

- Estou atrasada para o trabalho. - Ela sussurrou.

- Não seja estúpida! Você prefere morrer? - Eu inquiri enquanto a carregava no colo. - Abre logo a porta do carro, Casimiro.

- Solte-me, por favor, - Antonella abriu os olhos e cravou a unha em meu pescoço. - Eu não quero ir!

- Fique no carro! - ordenei com uma seriedade hostil.

Ela tentou me empurrar no momento em que entrei.

- Fica quieta! - Impus toda a minha força para não deixá-la sair.

- Ai, a minha cabeça dói. - Ela pôs a mão ao lado do ferimento na testa.

- Não devia andar a cavalo nessa estrada. - Eu cocei minha vista, buscando autocontrole para suprimir a raiva.

- O senhor não entende, eu preciso trabalhar.

- Antonella, acalme-se! - O motorista pediu. - O senhor Bernardo só quer te ajudar.

Naquela tarde, o motorista me auxiliou a levá-la para um hospital na cidade vizinha. Assim que chegamos, eu deixei a garota sob os cuidados dos médicos e fui para o corredor. Mentalmente, eu torcia para não encontrar a filha da minha madrasta, que era médica residente.

- O senhor não lembra dessa garota? - Casimiro perguntou.

- De quem?

- Da Antonella.

- Não.

- Ela é a filha de um antigo funcionário que trabalhou nos vinhedos na fazenda do seu pai.

Cocei a minha nuca instintivamente, a conversa com o motorista ficava cada vez mais entediante.

- O pai dela morreu e, agora, ela cuida da madrasta e do irmão caçula.

- Lamento por ela! - Olhei para a saída. - Vamos embora, Casimiro!

- E quanto à Antonella?

- Eu já paguei a conta do hospital.

- A casa dela é distante daqui, senhor!

- Ela pode pedir carona.

Casimiro hesitou por alguns segundos. Ele olhou para o corredor. Parecia bastante preocupado com a garota.

- Senhor, me dê alguns minutos, por favor! Deixarei um trocado para Antonella pegar um ônibus.

- Não demore, vou te esperar no carro.

Minha mente já estava conturbada demais para sofrer com o problema dos outros. Eu estava pensando em como convencer o meu pai e o meu avô de que era melhor gerir os negócios da família na Sicília. Para falar a verdade, eu não queria ficar preso naquela cidade. Eu não pertencia àquele lugar.

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