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A Estrela (Duologia Fama Livro 2)

A Estrela (Duologia Fama Livro 2)

Autor:: Lana Novaes
Gênero: Romance
Zeynep não pretendia mentir por muito tempo, mas após descobrir uma gravidez pós-divórcio, a atriz decide ocultar a informação de Emir. O que a jovem não imaginava era que a verdade iria aparecer, ela querendo ou não. Emir havia desistido de ser ator após a fama destruir seu casamento. Ainda apaixonado pela ex-mulher, vê na proposta de atuar ao lado dela um meio para a reconciliação, só que não suspeitava dos segredos que a mulher escondia. Agora as mentiras cairão por terra, uma a uma, e o amor deles pode não ser forte o suficiente. Enquanto ambos lutam contra sentimentos e desejos, um perigoso inimigo ainda está disposto a acabar com o casal Ozkurt.

Capítulo 1 1

Chegaram na mansão em silêncio. Quando o olhar de Jülide cruzou com o menino, chispas de ódio caíram sobre Zeynep.

Desceram do carro e Emir pegou o filho no colo. Ele entrou na frente e Jülide segurou Zeynep pelo braço:

- Você é uma meretriz! Não merecia ser mãe do filho dele.

- Eu protegi meu filho de gente como você! Acha que não sei? Emir é assim e a culpa é sua...

- Minha? Eu fui a mãe dele!

- Você o afastou da mãe dele, isso sim. Pode tê-lo criado, mas é seca, Jülide. Você é seca! Eu sou uma meretriz, Rüya é uma meretriz, mas Allah abençoou nossos ventres! Não precisamos roubar afeto de ninguém... Eu gostava tanto de você, mas você só via a esposa perfeita para o Emir.

- Você sabe sobre Rüya, então é pior do que eu pensei.

- E a senhora também sabe, agora vai me julgar por não ter contado?

Zeynep soltou o braço dela e seguiu para a mansão.

Emir esperava sentado na sala, o menino havia sumido.

- Jülide, me espere no carro; Zehra levou o menino e eu quero conversar com Zeynep.

- Emir...

- Jülide, por favor.

Emir manteve o olhar em Jülide e só voltou os olhos azuis para Zeynep quando ficaram a sós.

- Espero que seja boa com as palavras, porque não serão lágrimas que me convencerão.

- Emir... - Todo o corpo dela tremia. - Eu pensei em contar, mas o momento ideal não veio.

- Momento ideal? Você está brincando comigo?

- Não! Eu tive medo, foi um impulso... E um dia criei coragem e te liguei, falei que sonhei que estava grávida, eu tive medo...

- Foram cinco anos! Não foram cinco dias, nem cinco minutos... Você não esteve sob algum impulso esse tempo todo. Você planejou esses cinco anos! Me tirou da vida do meu filho, porque a vida não estava como você queria... Eu perdi o parto do meu filho, o cheiro dele quando era bebê, a primeira vez que ele andou e a primeira palavra que disse... Eu não tenho nada disso! Eu perdi tudo! E você me vem com a porra de uma lembrança sobre sonhos? É isso? Você queria que eu adivinhasse? Queria que depois de me dizer sobre um sonho eu pegasse o primeiro avião para os Estados Unidos, imaginando que se você sonhou era porque estava grávida? - Os olhos dele estavam inundados por lágrimas.

- Emir, não fiz por mal... As coisas foram acontecendo e, quando eu vi, já fazia cinco anos. Nunca quis tirar nada de você, me perdoe. - Zeynep caiu de joelhos em frente ao ex-marido.

- Eu não tive contato com meu filho, a minha família não imagina que eu tenho um filho. Já a senhorita teve irmã, mãe, todo mundo ao seu redor...

- Minha mãe não sabe, ela não faz ideia...

- Que tipo de monstro é você? Meu Deus, você escondeu uma criança e a manteve em uma bolha! Essa criança não tem nenhum registro pela mídia, você não passeia com ele? Ele não podia ser visto com a mãe para que o pai não o tivesse e nem mesmo você o assumiu. Eu sinto nojo de você! Meu Deus, como posso amar um monstro? Você merece o troféu de mãe do ano!

- Eu não sou um monstro, eu não sou!

- Levante-se, anda! - Ela obedeceu. - Você pode parar com seu show, essas lágrimas não me comovem, não mais. Você já devia ter planejado, não é? O Emir é um trouxa, eu vou chorar e ele vai querer me abraçar, e eu quero... Deus sabe o quanto me custa te ver caída e saber que você é um monstro, mas com monstros a gente não dá moleza. Jülide vai ficar aqui!

- Não, eu não quero aquela mulher aqui.

- Mas ela vai ficar até eu ajustar as minhas ideias. Não quero que você suma com o menino, ou que sua amiga o deixe em locais perigosos.

- Isso nunca aconteceu, foi só hoje e...

- Não quero te ouvir, não estou perguntando, ela fica! Agora eu quero ver o menino, ou você já mandou o esconderem dentro de algum quarto?

Zeynep enxugou as lágrimas; não aconteceu nada como ela imaginou e Emir não entendia o motivo para ter escondido o filho.

- Você promete que não vai falar nada assim? Ele vai ficar assustado... Eu ia mostrar fotos suas para ele se acostumar, não quero assustá-lo.

- Não farei mal a ele, o monstro aqui é você. Anda, busque meu filho.

- Está bem, eu vou buscá-lo. - Zeynep subiu as escadas.

Emir olhou a mulher que amava; ela ainda exercia muita força sobre ele, e constatar que o sentimento foi uma via de mão única o fez repensar tudo.

A raiva o consumia naquele momento e não acreditou nas desculpas dela. Zeynep teve oportunidade de contar, mas preferiu esconder.

Um filho! Ao lembrar do menino, um sorriso apareceu.

O menino era sua cópia, Jülide ficaria feliz em ajudá-lo.

Agora precisava preparar o pai e a madrasta.

***

Zehra, com o rosto inchado de tanto chorar, estava ao celular com Serkan quando Zeynep entrou.

Çağlar brincava com um carrinho, a médica encerrou a ligação e foi abraçar a amiga.

- Minha querida, Serkan e Rüya chegam amanhã. Eu já os avisei que Emir descobriu tudo e ele pediu que você não tome nenhuma atitude enquanto não chegarem... Me perdoe, Zeynep.

- A culpa não é sua, isso ia acontecer, foi uma traquinagem de menino.

- Emir já foi?

Zeynep balançou a cabeça, negando.

- Ele está lá embaixo e quer ver o filho. Emir me odeia, não sem razão...

- Ah, minha amiga, ele vai te perdoar.

- Não quero. Eu sou uma doença, você não entende? Até se ele perdoar, ainda vai me odiar. Acabou, Zehra. Eu queria deitar em posição fetal e não me mover até morrer.

- Você é forte, vai sobreviver.

- Tomara. Vem Çağlar, seu amigo está lá embaixo.

- Ele tem uma pinta igual a esta... - Mostrou a bochecha e Zeynep concordou.

Çağlar pulava de alegria ao saber que encontraria o amigo, sem imaginar que era o pai que o aguardava.

- Vamos, vamos. - O pequeno pegou a mãe pela mão e saiu puxando-a.

O menino desceu as escadas correndo e encontrou Emir esperando.

Quando o menino se jogou nos braços dele, o ator não segurou as lágrimas.

Zeynep olhava os dois amores da sua vida finalmente juntos. Ela ensaiou esse encontro por tanto tempo, mas agora não sabia como agir. Tinha consciência de que as chances de perder os dois eram imensas.

Pegou o celular no bolso. Era hora de enfrentar o mundo. Ligou para a mãe.

Capítulo 2 2

Emir viu o menino pegar a bola e correr pela área arborizada da mansão. Aquela criança era o seu desejo mais oculto, uma parte viva do amor que lhe inundava quando o assunto era a ex-esposa.

A criança parecia muito com ele, e nem isso fez com que Zeynep o incluísse na vida do filho. O desprezo que ela sentia por ele foi maior do que o bem-estar da criança. O choro veio como uma tempestade a molhar a terra seca, o menino parou e se aproximou do pai.

- Moço, por que está chorando? - O pequeno secou as lágrimas do pai.

Emir não conseguia esconder a emoção de ver o filho ali ao seu lado.

- Um cisco entrou no meu olho.

Emir limpou as lágrimas quando viu Zeynep se aproximando.

- Moço, quer brincar comigo? Meu tio Serkan brinca de bola comigo, só que ele trabalha muito.

Emir encarou Zeynep com a raiva estampada no olhar ao saber que o cara que foi responsável pela separação deles esteve presente na vida do filho todo esse tempo.

- Çağlar, coloca uma roupa bem bonita, nós vamos passear com a avó Jülide.

- Passear?

O menino passou correndo pela mãe e entrou na casa.

- Passear, ou como dizem os cristãos só o bom samaritano pode fazer boas ações sem que alguém espere?

- Não é isso... Ele acabou de te conhecer...

- Não me diga, de quem foi a culpa mesmo? Ah, já sei. Zeynep escolheu ter a companhia de Serkan, a sombra dela na gravidez, quando o filho deu os primeiros passos e quando o primeiro dentinho nasceu. É claro, não é mesmo? Ele só aceita suas migalhas...

- Nunca tive nada com Serkan e...

- Eu não dou a mínima se você transa ou não transa com ele, eu só quero meu filho.

- Emir, precisamos conversar, por favor.

- Agora Zeynep quer conversar? Que bonito, mas não estou interessado.

- Por favor, não fale nada, não agora. Eu vou marcar um encontro, nós três juntos... Eu ainda preciso contar para minha mãe, me dá só mais um tempo, liguei e ela não estava.

- São seus problemas! Ligue para o Serkan vir segurar sua mão... Com licença, meu filho me espera.

Emir caminhou até o menino, que voltava, pegou-o no colo e foi embora, deixando Zeynep calada.

***

Ömer jogava sinuca na mansão dos Ozkurt em frente a um Nihat que engolia em seco.

- Seu filho mais velho tem um filho! Você é avô! Quando ele te contar finja surpresa.

- Ömer, você enlouqueceu? Emir está solteiro, não há filhos.

- Eu estou bem, meu pai, é o mais velho que não anda muito bem. Mas também, pudera, Zeynep é linda, por isso que ele endoidou... Ela hoje estava com um vestido...

- Ömer! Respeite o vosso pai.

- Está certo, me desculpe.

Nihat deixou o filho sozinho, precisava fazer alguns telefonemas.

***

- Moço, sabia que minha mãe não me deixa sair sozinho? Ela diz que é perigoso e não posso sair. Eu estava querendo vê-la e me escondi no carro.

O filho conversava como um adulto, era maduro para a idade e muito inteligente.

- Foi perigoso, você viu?

- Mas eu não ia me machucar. Posso contar um segredo?

- Somos amigos, pode contar.

- Sabia que minha mamãe fica chorando sempre que eu pergunto do meu papai? - O rosto do menino ficou sério. - Ela fala que meu papai me ama muito, mas que não posso vê-lo. Ela diz que nós três vamos ficar juntos e aí não vou morar mais com a vovó Rüya.

- Vovó?

- Sim, a minha vovó. Eu moro com minha vovó e minha mamãe. A tia Zehra e o tio Serkan não moram, não.

Por que o menino chamava Rüya de vovó?

O filho era sua cópia e entendeu que Zeynep o escondeu dele por vingança pessoal.

Mas ficou se perguntando porque Zeynep não contou para a própria mãe a respeito do filho e, no entanto, deixou a amiga ser chamada de vovó.

***

Elif ouvia o que Nihat estava lhe dizendo. Era inacreditável que, depois de anos, Rüya estivesse mais presente do que nunca!

- Emir é meu filho, portanto quero a criança bem próxima de mim. Rüya é uma mundana, não quero um Ozkurt sob a influência dela.

- Você está certa, Elif. Se esse menino for filho dele, moverei céus e terra para que a criança venha para nós.

***

Zeynep ligava novamente para a mãe; a ideia de que Emir estava com Fazilet a torturava. O menino era seu bem mais precioso, e ela o perdera assim que colocou os pés na Turquia.

O celular tocou assim que a chamada para a mãe caiu novamente na caixa postal. Ela atendeu e ouviu a voz aflita de Serkan.

- Zeynep! Estamos indo para a Turquia e...

- É tarde demais, é tarde demais.

Ela desligou o aparelho enquanto entrava em outra crise de choro. O mundo desabava sobre a sua cabeça.

Capítulo 3 3

Zehra olhava para Zeynep, que tremia. O choro convulsionado mostrava que a moça estava prestes a sofrer um ataque de nervos.

- Calma, minha amiga, desse jeito você vai acabar passando mal de tanto nervoso. Çağlar está com o pai dele, as mentiras estão sendo enterradas e você não precisa mais se esconder.

- Eu morri para ele. Você não entende, não é? Você não entende...

Zeynep andava de um lado para o outro. Emir a odiava, e quando soubesse a verdade sobre a sua própria mãe, provavelmente tiraria a criança dela.

Zeynep desabou no chão, imersa em lembranças.

Se envolvera em uma teia de mentiras, colocando outras pessoas no meio e agora não sabia como se livrar daquele pesadelo; estava presa.

Não podia entregar Rüya, ela era uma mulher preciosa demais para Zeynep colocar no fogo cruzado. Passou a mão pelo ventre, sentindo a lembrança de Çağlar ali; ela sentiu tanto medo, tanta falta de Emir, mas já estava perdida naquela época. O mundo que a sugou a transformou em uma mulher muito invejada, rica, poderosa.

E pobre o suficiente para não ter direito a um abraço sem pedir.

- Emir não fará nada de errado, não tive muito contato com ele, mas sei que não é uma pessoa ruim. Ele está chateado, é normal, você escondeu o filho dele por cinco anos...

- Zehra, por favor...

- E não se esqueça que Serkan te ajudou nisso! Ele já odeia meu marido por ser seu amigo, agora sabendo que Serkan estava a par de tudo, a situação vai piorar mais ainda.

Zeynep abraçou os joelhos e fechou os olhos, a lembrança do pai a invadiu.

"Sempre que se sentir sozinha, aperte sua correntinha, aí você estará comigo."

Ela já não tinha mais a corrente. Estava sozinha.

***

Çağlar se divertiu a tarde toda com o pai. Amou a vista do apartamento e pediu para o pai segurá-lo perto da janela; Jülide fez uma porção de batata frita com molho de tomate, os dois conversavam como adultos e o menino contou como era sua rotina na América. A mãe ensinou ao menino o turco, e ele cresceu falando o idioma dos pais.

Ficou se perguntando como Zeynep colocaria o filho em uma escola e lembrou-se do choro dela quando disse que nem Fazilet sabia do menino.

- Não vou fraquejar. - Prometeu a si mesmo quando mandou Jülide arrumar algumas coisas para passar a noite na mansão.

Anoitecia quando Emir chegou com o filho, Zeynep os esperava na porta.

O filho correu para os braços da mãe, e chamou Emir para entrar com eles.

- Mamãe, eu tomei sorvete e brinquei no parquinho com ele, depois fui na casa dele... Você sabia que as janelas lá ficam no céu? O tio pode jantar com a gente?

- Claro que pode, meu amor.

- Você está chorando?

- Eu estou ensaiando, lembra que a mamãe chora no trabalho?

- Você não está no trabalho. - Emir ouvia tudo calado.

- Mas aproveitei o momento que você saiu para treinar, estou boa, não estou?

- Não, eu não gosto. - Çağlar choramingou. - Você só fica assim quando eu falo do papai, e eu não vou mais falar dele.

- Emir, você pode dar banho nele? - Zeynep pediu. - Por favor!

Ele concordou de imediato. Zeynep não permitia que empregados dessem banho na criança e não se sentia bem o suficiente; explicou onde era o banheiro e subiu com eles para separar uma roupa.

Foram os três para o quarto do menino. Zeynep entregou roupas limpas, mostrou onde ficava o banheiro e avisou que ele encontraria o que precisasse lá.

Desceu para preparar o jantar do filho e encontrou Zehra tomando um chá.

Notou a amiga pálida, perguntou se estava tudo bem com ela e se Serkan ligara novamente, já que eles chegariam no dia seguinte.

- Estou com dor de cabeça, com licença. - Zehra saiu da cozinha, a deixando sozinha; tinha dispensado os empregados, com exceção dos seguranças, e ia começar a preparar o jantar do menino quando Jülide chegou.

- Eu faço, apenas me diga onde estão as coisas.

Zeynep não protestou, estava entorpecida pela dor que sentia. Mostrou as coisas para Jülide e sentou-se, olhando para o nada.

Zeynep já tinha percebido desde a América que a amiga não andava muito bem; trabalhava muito e Serkan sempre reclamava que a esposa só ficava feliz quando estava clinicando.

***

Emir e Çağlar se divertiam, o menino brincava na banheira enquanto o pai lavava aqueles cabelos dourados; a criança começou a jogar água no pai, o que acabou molhando a camisa do astro.

Depois de brincarem muito, Emir começou a enxugar o menino; Zeynep chegou, avisando sobre o jantar.

Juntos, colocaram o pijama no filho e desceram. Emir ficou olhando o filho comer com apetite; era mesmo uma criança linda.

Um pouco depois, Çağlar sentiu sono e o pai o ajudou a escovar os dentes, Emir velou o menino até ter certeza de que dormia profundamente.

Quando ele desceu, Zeynep parou o ex-marido e pediu que conversassem antes de ele ir.

- Tive um dia cheio, vou dormir. Amanhã acorde cedo e se maquie, quero você bonita.

- Emir, eu não tenho cabeça.

- Você quer continuar com o menino? - Ela balançou a cabeça positivamente. - Então amanhã esteja impecável. Boa noite.

Emir não deu ouvidos aos argumentos de Zeynep e entrou no carro, deixando a jovem parada no portão.

No carro, ligou para Murat.

- Meu amigo, você está no apartamento de Suhan?

- Sim, ela está preparando o jantar; pretendo dormir aqui hoje.

- Passo aí em alguns minutos, tenho uma novidade muito grande para contar...

Estava feliz, apesar de tudo; ele tinha um filho saudável, inteligente e muito perspicaz. Estacionou o carro e foi direto para o apartamento de Suhan, que abriu a porta ansiosa.

- O que aconteceu?

Emir pediu uma bebida, estava nervoso e o dia tinha sido de muitas emoções.

- Você brigou com Zeynep de novo? - Murat revirou os olhos.

- Zeynep é sim um dos motivos do meu nervosismo, mas preciso contar outra coisa. Zeynep teve um filho meu!

- Ela está grávida? - Suhan sentou-se e batucou na mesa enquanto tomava um gole de rakı. - Eu falei, amor, que eles se pegaram na América...

- Não, Suhan, ela teve.

- Como assim teve? - Murat sentou-se ao lado do amigo e de frente para a namorada, que lhe estendeu um copo.

- Ela teve um filho meu. A criança tem cinco anos, é um menino inteligente e bonito igual ao pai, modéstia à parte. Eu descobri hoje.

- Isso é sério?

Emir tirou o celular do bolso e procurou na galeria uma foto dos dois; quando achou, entregou para a amiga.

- Meu Deus, ele é a sua cara! Mas eu acompanho a carreira dela e nunca soube de criança nenhuma.

- Essa criança passou a vida escondida dentro da mansão de Rüya Ertuğrul. Nem mesmo a mãe dela sabe da existência do neto!

- Gente! - Suhan devolveu o aparelho para o amigo. - Do que Zeynep tem medo?

- Zeynep não tem medo de nada, ela só pensou no próprio umbigo.

- Amigo, você me desculpe, mas isso não faz sentido. Ela é mãe, e se fez isso provavelmente foi para proteger o menino. Uma mãe faz tudo pelo seu filho.

- Proteger o filho de mim? Não, Suhan, você está enganada... Minha mãe foi a primeira a me virar as costas. Nem sempre uma mãe faz tudo pelo filho... Às vezes, elas fazem o que é bom para elas mesmas.

- Emir, o que você pretende fazer agora? Vai ficar com o menino para você? - O empresário bebeu mais um gole de rakı.

- Minha vontade era bem essa, mas eu tenho de pensar no menino. Então, eu vou voltar com Zeynep!

- O quê? - Murat encarou o amigo, quase engasgando com a bebida.

- Zeynep vai voltar comigo e vamos viver novamente juntos, mas sem casamento. A série vai ser gravada como estava previsto, e enquanto ela for necessária, vai ficar comigo e com meu filho. Depois que Çağlar se adaptar e a série se encerrar, ela pode seguir a vida dela como quiser, mas o meu filho fica comigo.

- Emir, isso é loucura... - Suhan levantou-se. - Se adaptem à distância! Não podem fazer isso com o filho de vocês.

- Suhan, se eu confiasse que ela não vai sumir com a criança até faria isso, mas eu não confio nela. Zeynep é um monstro, vai dar sumiço no meu filho e nunca mais eu irei vê-lo. Deixei Jülide lá vigiando essa noite.

- Eu concordo com você. - Murat bateu no ombro do amigo.

- Amor, você não vê que uma criança não tem condições psicológicas de viver com eles? Eu sou adulta e quase surtei!

- Suhan, é só fingirem o tempo todo. Acho que eles são capazes, pois são dois grandes atores. Daqui a uns dias anunciam que as agendas deles estão incompatíveis, se separam e Emir fica com o menino.

- Exatamente isso, Murat. Começaremos a namorar amanhã e a paixão que nos consome é tão grande que vamos morar juntos! Iremos procurar uma nova casa, que seja grande o bastante para um menino de cinco anos brincar, e Zeynep e eu nos tornaremos o casal mais apaixonado e amoroso de toda Turquia.

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