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A Ex-Esposa Que Voltou Mais Forte

A Ex-Esposa Que Voltou Mais Forte

Autor:: Lan Zhen
Gênero: Moderno
A chuva forte batia contra o para-brisas partido. Grávida de oito meses, senti uma dor terrível e aguda no meu ventre, misturada com o sangue na minha testa. O carro estava virado de lado, e a minha mãe, inconsciente, jazia no banco do passageiro. A minha única esperança, o meu telemóvel na mão a tremer, para ligar a Pedro, o meu marido. Quando finalmente atendeu, a sua voz era irritada, impaciente. "Que queres, Sofia? Estou no meio de uma coisa." Implorei: "Pedro, tivemos um acidente grave, o carro capotou! Estou a sangrar, acho que é o bebé!". Houve um silêncio, seguido da voz de Clara, a sua meia-irmã, a queixar-se de um tornozelo torcido. "Sofia, pára com o drama," ele respondeu duramente. "A Clara está com dores! Liga para o 112 e para de me chatear!" Ele desligou. E depois, bloqueou-me. Sim, o meu próprio marido me bloqueou enquanto eu perdia o nosso filho na estrada. Acordei num hospital estéril, com a barriga vazia e um buraco negro no lugar da esperança. Horas depois, Pedro apareceu acompanhado da sua família, incluindo uma Clara que coxeava dramaticamente. "Que susto nos pregaste!", disse ele, sem um pingo de remorso. O meu sogro acusou-me de ingratidão. Não havia dor, apenas aborrecimento e preocupação por um tornozelo. Olhei para a ligadura ensanguentada na cabeça da minha mãe e para a ligadura imaculada no tornozelo da Clara. O sarcasmo pingava das minhas palavras, mas o vazio dentro de mim era imenso. Como podia a minha própria família ser tão cruel? O que havia por trás desta lealdade doentia por Clara? Por que é que o meu sofrimento era tão ignorado em detrimento de uma simples entorse? O choque e a dor eram insuportáveis. Nesse momento de calma estranha, a decisão final formou-se. "Pedro, quero o divórcio," declarei, olhando-o nos olhos. Ele ameaçou deixar-me sem um tostão, mas eu estava determinada. Dias depois, ao arrumar as minhas coisas no apartamento da minha mãe, encontrei uma fotografia antiga. Era Pedro e Clara, não como irmãos, mas num beijo apaixonado. Uma traição doentia, encoberta durante anos. A arma que me daria a minha liberdade.

Introdução

A chuva forte batia contra o para-brisas partido. Grávida de oito meses, senti uma dor terrível e aguda no meu ventre, misturada com o sangue na minha testa. O carro estava virado de lado, e a minha mãe, inconsciente, jazia no banco do passageiro. A minha única esperança, o meu telemóvel na mão a tremer, para ligar a Pedro, o meu marido.

Quando finalmente atendeu, a sua voz era irritada, impaciente. "Que queres, Sofia? Estou no meio de uma coisa." Implorei: "Pedro, tivemos um acidente grave, o carro capotou! Estou a sangrar, acho que é o bebé!". Houve um silêncio, seguido da voz de Clara, a sua meia-irmã, a queixar-se de um tornozelo torcido. "Sofia, pára com o drama," ele respondeu duramente. "A Clara está com dores! Liga para o 112 e para de me chatear!"

Ele desligou. E depois, bloqueou-me. Sim, o meu próprio marido me bloqueou enquanto eu perdia o nosso filho na estrada. Acordei num hospital estéril, com a barriga vazia e um buraco negro no lugar da esperança. Horas depois, Pedro apareceu acompanhado da sua família, incluindo uma Clara que coxeava dramaticamente. "Que susto nos pregaste!", disse ele, sem um pingo de remorso. O meu sogro acusou-me de ingratidão. Não havia dor, apenas aborrecimento e preocupação por um tornozelo.

Olhei para a ligadura ensanguentada na cabeça da minha mãe e para a ligadura imaculada no tornozelo da Clara. O sarcasmo pingava das minhas palavras, mas o vazio dentro de mim era imenso. Como podia a minha própria família ser tão cruel? O que havia por trás desta lealdade doentia por Clara? Por que é que o meu sofrimento era tão ignorado em detrimento de uma simples entorse? O choque e a dor eram insuportáveis.

Nesse momento de calma estranha, a decisão final formou-se. "Pedro, quero o divórcio," declarei, olhando-o nos olhos. Ele ameaçou deixar-me sem um tostão, mas eu estava determinada. Dias depois, ao arrumar as minhas coisas no apartamento da minha mãe, encontrei uma fotografia antiga. Era Pedro e Clara, não como irmãos, mas num beijo apaixonado. Uma traição doentia, encoberta durante anos. A arma que me daria a minha liberdade.

Capítulo 1

A chuva forte batia contra o para-brisas partido, misturando-se com o sangue na minha testa. O carro estava virado de lado, preso contra a barreira da autoestrada. A minha mãe, no banco do passageiro, estava desmaiada, com um corte feio na cabeça.

Eu tinha dores. Uma dor terrível e aguda no meu ventre de oito meses.

Com as mãos a tremer, peguei no meu telemóvel. O ecrã estava estalado, mas ainda funcionava. Disquei o número do meu marido, Pedro.

O meu primeiro instinto, a minha única esperança.

O telefone chamou uma, duas, três vezes. Quando eu estava prestes a desistir, ele atendeu. A sua voz era irritada, impaciente.

"Que queres, Sofia? Estou no meio de uma coisa."

"Pedro," a minha voz saiu como um sussurro rouco. "Tivemos um acidente. Na A5. O carro capotou. A mãe está inconsciente."

Fiz uma pausa, a dor a intensificar-se. "Eu estou a sangrar, Pedro. Acho que é o bebé."

Houve um silêncio do outro lado, mas não era de choque. Era de aborrecimento. Depois, ouvi outra voz ao fundo, uma voz feminina, a queixar-se.

"Ai, o meu tornozelo, dói tanto! Jorge, achas que está partido?"

Era a Clara, a meia-irmã do Pedro.

A voz do meu sogro, Jorge, respondeu imediatamente, cheia de preocupação. "Calma, querida. O Pedro já vai tratar disso. Ele é o melhor a fazer ligaduras."

O meu coração gelou.

"Pedro, por favor," implorei, as lágrimas a misturarem-se com a chuva e o sangue no meu rosto. "É sério. Preciso de ti."

"Sofia, para com o drama," ele respondeu, a sua voz dura. "A Clara torceu o tornozelo a descer as escadas por causa do raio da tempestade. Estou a tratar dela. Não posso simplesmente largar tudo por um arranhão. Liga para a emergência, eles servem para isso."

"Não é um arranhão! Eu posso perder o nosso filho!" gritei, o pânico a tomar conta de mim.

"E o que queres que eu faça? Que voe até aí? A Clara também está com dores! Pelo amor de Deus, sê um pouco compreensiva. Liga para o 112 e para de me chatear!"

Ele desligou.

Olhei para o ecrã do telemóvel, para a chamada terminada. Tentei ligar de novo. O número estava bloqueado.

Ele bloqueou-me.

Enquanto a minha mãe estava inconsciente e o nosso filho morria dentro de mim, o meu marido estava a cuidar de um tornozelo torcido. E bloqueou-me.

A dor no meu ventre tornou-se insuportável, uma onda de agonia que me roubou o fôlego. Depois, tudo ficou escuro.

Capítulo 2

Acordei num quarto de hospital branco e estéril. O cheiro a antissético enchia as minhas narinas. A minha barriga, antes redonda e cheia de vida, estava agora vazia e flácida sob o lençol fino.

A minha mãe estava sentada numa cadeira ao lado da cama. Tinha a cabeça ligada, mas os seus olhos estavam claros e cheios de uma dor que espelhava a minha.

"O bebé..." sussurrei, embora já soubesse a resposta.

As lágrimas encheram os olhos dela. "Lamento muito, minha filha. Os médicos fizeram o que puderam."

Fechei os olhos. Não chorei. Senti apenas um vazio imenso, um buraco negro onde antes havia esperança e amor. O meu filho tinha-se ido. A única coisa que me ligava a Pedro, a razão pela qual eu suportava tudo, tinha desaparecido.

A porta do quarto abriu-se. Eram eles. Pedro, o seu pai Jorge, e a Clara, que coxeava dramaticamente, apoiada no braço do meu marido.

"Sofia," disse Pedro, sem um pingo de remorso na voz. "Que susto nos pregaste. Tivemos de vir a correr do outro lado da cidade."

"A correr?" A minha voz era fria e sem emoção. "Demoraram seis horas. A cirurgia acabou há três."

Jorge franziu a testa, o seu olhar era de desaprovação. "Não sejas ingrata. Viemos assim que pudemos. A Clara estava em choque. Tivemos de a levar primeiro ao hospital privado dela."

"O tornozelo dela está bem?" perguntei, o sarcasmo a pingar de cada palavra.

"Foi uma entorse grave," disse Clara, com a voz fraca e chorosa. "O médico disse que tive sorte. Podia ter ficado aleijada."

Olhei para a ligadura imaculada no tornozelo dela e depois para a ligadura ensanguentada na cabeça da minha mãe. Olhei para o meu ventre vazio.

Senti uma calma estranha tomar conta de mim. A calma da decisão final.

"Pedro," disse eu, olhando diretamente nos olhos dele. "Eu quero o divórcio."

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