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A Ex-Esposa Que Voltou Para Brilhar

A Ex-Esposa Que Voltou Para Brilhar

Autor:: Cinderella's Sister
Gênero: Romance
"Nancy, a passagem para o Vale do Silício, para si e para o Tiago, já está reservada. Voo na próxima terça-feira." A voz da minha assistente, Bethany, soou eficiente ao telefone. Doze anos da minha vida. Doze anos a cozinhar para os seus eventos de networking, a usar o meu talento para o ajudar a construir o seu império do zero. Agora, ele era o CEO de sucesso da "Contreras Tech". E eu... eu era apenas a namorada que ele se preparava para descartar e substituir. Quando pedi a Bethany para cancelar a minha passagem e comprar uma para Juliette Lawrence, a sua amante de nove anos, sabia que o abismo se abria sob os meus pés. Naquele dia, Tiago entrou em casa furioso, abanando o telemóvel com a confirmação do bilhete da Juliette. Ele disse, sem um pingo de vergonha: "É a terceira vez que te peço para aceitares a Juliette vir connosco para os Estados Unidos. Ela esteve ao meu lado durante nove anos, apoiou-me, inspirou-me. Tenho uma dívida para com ela." Nove anos. Nove dos doze anos que estivemos juntos. Um caso que durou quase a totalidade da nossa relação. Ele chamou-me amarga, disse que a Juliette era mais "adequada para ser a esposa de um CEO", uma "musa", enquanto eu devia aprender a "agradar a um homem". Depois, com uma crueldade casual, anunciou que comprara duas mansões no Vale do Silício: uma para ele e para a Juliette, e uma "mais pequena" para mim, para que eu "não ficasse desamparada". A Juliette, uma flor pálida e delicada, chegou em seguida, a gabar-se de ter acesso às contas bancárias e ao cofre dele, algo que ele sempre me negou. Ela "acidentalmente" esbarrou numa panela quente, simulou uma queimadura e gritou que eu a agredira. "Como te atreves a magoá-la? És uma mulher horrível!" Tiago berrou, virando-se contra mim. Ele empurrou-me, atirou-me ao chão, bofeteou o meu rosto, escoltando a sua "preciosa" Juliette para fora como se eu fosse um monstro. Ele nem sequer notou a mancha de sangue a espalhar-se no meu vestido claro, fruto da hemorragia provocada pela agressão combinada com um aborto recente do nosso filho, que fizera em segredo, pois sabia que ele nunca o amaria. O sangue na minha roupa suja era o último vestígio da sua cruel cegueira. Depois de tudo isto, ele olhou para mim e perguntou-me por que eu não cooperava. Será que a minha dor e o meu sacrifício não significavam nada? Como eu, a mulher que o ajudou a construir um império, que abriu mão dos seus sonhos por ele, me tornei tão descartável? Mas talvez este não fosse o fim da história. Talvez fosse apenas o seu começo.

Introdução

"Nancy, a passagem para o Vale do Silício, para si e para o Tiago, já está reservada. Voo na próxima terça-feira."

A voz da minha assistente, Bethany, soou eficiente ao telefone.

Doze anos da minha vida. Doze anos a cozinhar para os seus eventos de networking, a usar o meu talento para o ajudar a construir o seu império do zero.

Agora, ele era o CEO de sucesso da "Contreras Tech".

E eu... eu era apenas a namorada que ele se preparava para descartar e substituir.

Quando pedi a Bethany para cancelar a minha passagem e comprar uma para Juliette Lawrence, a sua amante de nove anos, sabia que o abismo se abria sob os meus pés.

Naquele dia, Tiago entrou em casa furioso, abanando o telemóvel com a confirmação do bilhete da Juliette.

Ele disse, sem um pingo de vergonha: "É a terceira vez que te peço para aceitares a Juliette vir connosco para os Estados Unidos. Ela esteve ao meu lado durante nove anos, apoiou-me, inspirou-me. Tenho uma dívida para com ela."

Nove anos. Nove dos doze anos que estivemos juntos. Um caso que durou quase a totalidade da nossa relação.

Ele chamou-me amarga, disse que a Juliette era mais "adequada para ser a esposa de um CEO", uma "musa", enquanto eu devia aprender a "agradar a um homem".

Depois, com uma crueldade casual, anunciou que comprara duas mansões no Vale do Silício: uma para ele e para a Juliette, e uma "mais pequena" para mim, para que eu "não ficasse desamparada".

A Juliette, uma flor pálida e delicada, chegou em seguida, a gabar-se de ter acesso às contas bancárias e ao cofre dele, algo que ele sempre me negou.

Ela "acidentalmente" esbarrou numa panela quente, simulou uma queimadura e gritou que eu a agredira.

"Como te atreves a magoá-la? És uma mulher horrível!" Tiago berrou, virando-se contra mim.

Ele empurrou-me, atirou-me ao chão, bofeteou o meu rosto, escoltando a sua "preciosa" Juliette para fora como se eu fosse um monstro.

Ele nem sequer notou a mancha de sangue a espalhar-se no meu vestido claro, fruto da hemorragia provocada pela agressão combinada com um aborto recente do nosso filho, que fizera em segredo, pois sabia que ele nunca o amaria.

O sangue na minha roupa suja era o último vestígio da sua cruel cegueira.

Depois de tudo isto, ele olhou para mim e perguntou-me por que eu não cooperava.

Será que a minha dor e o meu sacrifício não significavam nada?

Como eu, a mulher que o ajudou a construir um império, que abriu mão dos seus sonhos por ele, me tornei tão descartável?

Mas talvez este não fosse o fim da história. Talvez fosse apenas o seu começo.

Capítulo 1

"Nancy, a passagem para o Vale do Silício, para si e para o Tiago, já está reservada. Voo na próxima terça-feira."

A voz da minha assistente, Bethany, soou clara e eficiente através do telefone.

Olhei para o calendário na parede da cozinha. O número sete, circulado a vermelho, parecia-me um gancho afiado.

Faltavam sete dias.

"Bethany, cancele a minha passagem," disse eu, com a voz calma.

"O quê? Nancy, o que se passa?"

"Cancele a minha. E compre uma outra, para o mesmo voo do Tiago, em nome de Juliette Lawrence. Primeira classe, claro."

Houve um silêncio do outro lado da linha. Bethany era mais do que a minha assistente; era a minha melhor amiga. Ela sabia de tudo.

"Entendido," disse ela finalmente, a sua voz um misto de alívio e preocupação. "E quanto a si?"

"Compre-me uma passagem para a Madeira. Só de ida."

"Certo. Estarei à sua espera no aeroporto nesse dia."

Desliguei a chamada e continuei a mexer a massa dos pastéis de nata que estava a preparar. O cheiro a canela e limão enchia a cozinha, um aroma que em tempos me trazia conforto, mas que agora só me lembrava anos de serviço não reconhecido.

Doze anos. Doze anos desde que conheci Tiago Contreras na universidade. Eu era uma promissora chef de pastelaria, com o sonho de abrir a minha própria confeitaria em Lisboa. Ele era um estudante de tecnologia com grandes ideias e bolsos vazios.

Apaixonei-me pela sua ambição. Abandonei o meu sonho, usei as minhas economias, e mudei-me com ele para um apartamento minúsculo no Porto. Durante anos, fiz doces para os seus eventos de networking, usei o meu talento para o ajudar a construir o seu império do zero.

Agora, ele era o CEO de sucesso da "Contreras Tech". E eu... eu era apenas a namorada que ele se preparava para descartar.

A porta da frente abriu-se com estrondo.

"Nancy! O que significa isto?"

Tiago entrou na cozinha, o seu rosto bonito contorcido numa máscara de impaciência. Ele acenava com o telemóvel. A Bethany, como combinado, tinha-lhe enviado a confirmação do bilhete de Juliette.

"É a terceira vez que te peço para aceitares a Juliette vir connosco para os Estados Unidos. Ela esteve ao meu lado durante nove anos, apoiou-me, inspirou-me. Tenho uma dívida para com ela."

Ele disse isto sem um pingo de vergonha. Nove anos. Um caso que durou nove dos doze anos que estivemos juntos.

"Eu sei," disse eu, sem o olhar. Continuei a verter a massa nas formas.

A minha calma pareceu surpreendê-lo. Ele esperava gritos, lágrimas. Já não as tinha para lhe dar.

"Então... tu concordas?"

"Sim, Tiago. Eu concordo."

A sua expressão mudou de irritação para um alívio presunçoso.

"Ótimo. Sabia que acabarias por entender. É o melhor para todos."

Ele aproximou-se, tentando abraçar-me por trás. Afastei-me, e a sua mão caiu no vazio.

"Não me toques."

O seu rosto escureceu novamente. "Qual é o teu problema agora? Estou a tentar ser razoável."

"Razoável?" Ri-me, um som oco e sem alegria. "Flashbacks dos nossos primeiros anos passaram pela minha mente. O apartamento húmido, as contas por pagar, as noites que passei a cozinhar para os seus investidores enquanto ele praticava os seus discursos. Lembrei-me do esgotamento que sofri há cinco anos, o stress e o excesso de trabalho que me deixaram com a saúde fragilizada, uma condição que o meu médico, que por acaso era o marido da Bethany, me disse que comprometia a minha fertilidade."

"A Juliette é mais adequada para ser a esposa de um CEO," disse ele, com uma crueldade casual. "Ela é delicada, uma musa. Tu... tu tornaste-te amarga. Devias aprender com ela a agradar a um homem."

Agradar a um homem. As palavras ecoaram na minha cabeça.

"Já comprei duas mansões no Vale do Silício," continuou ele, como se me estivesse a dar uma grande notícia. "Uma para mim e para ela, e uma mais pequena para ti, para não ficares desamparada."

"Ambas em nome da Juliette, suponho?" perguntei, a minha voz gelada.

Ele não respondeu, o que era uma resposta em si.

"Ela é a minha inspiração," repetiu ele, como se isso justificasse tudo.

A campainha tocou. Tiago foi abrir a porta com um sorriso. Era ela. Juliette Lawrence.

Ela entrou, delicada e pálida, como uma flor de estufa. Os seus olhos encontraram os meus com um brilho de triunfo.

"Nancy, querida. Vim agradecer-lhe. Por ser tão compreensiva."

A sua voz era suave, mas cada palavra era uma provocação. Ela olhou em volta da nossa casa, a casa que eu tinha decorado, e sorriu.

"O Tiago contou-me que finalmente concordou. Fico tão feliz por podermos ser uma família."

Ela aproximou-se de mim na cozinha. "Sabe, o Tiago confia tanto em mim. Até me deu as senhas das contas bancárias dele. Diz que eu tenho mais cabeça para as finanças do que você."

Isso era algo que eu nunca tinha tido. Ele sempre me disse que eu não percebia nada de dinheiro.

A raiva, que eu pensava estar morta e enterrada, começou a borbulhar dentro de mim.

Juliette, sentindo a minha mudança de humor, deu um passo para trás, "acidentalmente" esbarrando numa panela quente que estava no fogão.

Ela gritou, um som agudo e performativo.

"Ai! Queimaste-me! Fizeste de propósito!"

Tiago correu para o lado dela, examinando a sua mão ligeiramente vermelha como se fosse uma ferida mortal.

Ele virou-se para mim, os seus olhos a chamejar.

"Como te atreves a magoá-la? És uma mulher horrível!"

As palavras dele atingiram-me. Eram as mesmas palavras que ele tinha usado há muitos anos, na universidade, para me defender de um colega que me tinha acusado injustamente. Agora, ele usava-as contra mim, para defender a sua amante.

A ironia era esmagadora.

Naquele momento, toda a dor, toda a humilhação, cristalizou-se numa única e fria certeza. A minha decisão estava tomada. Não havia mais volta a dar.

Capítulo 2

No dia seguinte, encontrei-me com o meu advogado, o Sr. Alves, um homem de meia-idade com um olhar astuto.

"Quero o divórcio," disse-lhe eu, sem rodeios. "Ele tem uma amante há nove anos."

O Sr. Alves ergueu uma sobrancelha. "Tiago Contreras? O menino de ouro da tecnologia portuguesa? A imagem pública dele é impecável."

"A imagem pública é uma mentira," respondi, entregando-lhe uma pasta com as provas que tinha reunido: extratos de cartão de crédito, reservas de hotel, até capturas de ecrã das redes sociais de Juliette, onde ela exibia os presentes caros que Tiago lhe dava.

Estávamos a meio da nossa conversa quando a porta do escritório se abriu e Tiago entrou. Ele tinha-me seguido.

"Divórcio? Nancy, estás a falar a sério?" Ele ouviu a última parte da nossa conversa.

Pensei rápido. "Estava a falar sobre o divórcio dos meus pais, Tiago. O Sr. Alves está a tratar do processo."

Ele pareceu acreditar. A sua arrogância não lhe permitia conceber que eu o pudesse deixar.

"Ah, bom," disse ele, relaxando. "Não me assustes assim." Depois, virou-se para mim com um sorriso presunçoso. "A propósito, já fechei o negócio das casas no Vale do Silício. A mansão principal para mim e para a Juliette, claro. É maior, com piscina. A outra, para ti, é mais modesta. Mas tem um belo jardim."

Ele disse aquilo como se me estivesse a fazer um favor. A crueldade dele era tão natural como respirar.

Mais tarde, nesse mesmo dia, a Juliette apareceu em nossa casa novamente. Desta vez, trazia malas.

"O Tiago disse que eu podia começar a mudar-me," disse ela, com um sorriso doce e venenoso. "Para nos habituarmos a viver todos juntos."

Ela entrou e começou a inspecionar a casa, abrindo armários, comentando a minha decoração.

"Este sofá é um pouco antiquado, não achas? E as cortinas... talvez algo mais leve, mais moderno."

Depois, sentou-se à minha frente na sala de estar. "O Tiago é tão generoso. Deu-me um cartão de crédito sem limite. Disse que eu merecia ser mimada." Ela abriu a carteira e mostrou-me o cartão preto, com o nome dele. "Ele até me deu a senha do cofre dele. Disse que não tem segredos para mim."

Cada palavra era uma facada. Ele tinha-me negado o acesso às contas conjuntas durante anos, alegando que eu era "irresponsável com o dinheiro".

A provocação continuou. Ela falou sobre os restaurantes caros a que iam, as viagens secretas, os planos que faziam para o futuro. A minha paciência esgotou-se.

Levantei-me. "Juliette, sai da minha casa."

Ela riu-se. "Tua casa? Querida, em breve será a minha casa."

Nesse momento, não consegui mais conter-me. Agarrei-a pelo braço. Não com força, apenas para a fazer sair.

Mas ela era uma atriz nata. Gritou como se eu a estivesse a matar, tropeçou e caiu no chão, segurando o tornozelo.

"Socorro! Tiago! A Nancy está a atacar-me!"

Tiago, que estava no escritório, correu para a sala. Ao ver Juliette no chão, a chorar, e a mim de pé, furioso, não hesitou.

"O que é que lhe fizeste?" gritou ele, empurrando-me para trás. "Já não te bastava tê-la queimado ontem?"

Ele ajoelhou-se ao lado de Juliette, tratando-a com uma ternura que nunca me tinha demonstrado.

"Estás bem, meu amor? Ela magoou-te?"

"Eu só queria ajudar a arrumar," soluçou Juliette. "E ela ficou louca. Disse que me ia matar."

"Eu vi, eu vi," disse Tiago, olhando para mim com puro ódio. "Tu és igual à tua mãe. Sempre a causar problemas."

Ele ajudou Juliette a levantar-se e levou-a para o sofá. "Vou chamar um médico. E tu," disse ele, apontando para mim, "pede-lhe desculpa. Agora."

"Não," disse eu, a minha voz a tremer de raiva.

"Pede-lhe desculpa, ou juro que te ponho na rua hoje mesmo!"

Olhei para o rosto dele, o rosto do homem que eu amara, e vi um estranho.

"Se me puseres na rua, Tiago," disse eu, a minha voz agora firme e fria, "amanhã, toda a imprensa saberá do teu caso de nove anos. Vamos ver como a imagem do 'menino de ouro' sobrevive a isso."

A ameaça fê-lo recuar. O seu império era a coisa mais importante para ele. A sua reputação era tudo.

Ele olhou para mim, depois para Juliette, que continuava a chorar no sofá. Ele estava encurralado.

"Fica longe dela," rosnou ele, antes de se concentrar em consolar a sua amante.

Naquela noite, enquanto eles sussurravam no quarto de hóspedes, eu usei a senha que Juliette me tinha revelado tão arrogantemente. Entrei na conta bancária online de Tiago. A quantidade de dinheiro que ele tinha transferido para ela ao longo dos anos era astronómica. Tirei capturas de ecrã de tudo. Depois, apaguei o histórico do meu computador.

Na minha parede, risquei mais um número. Faltavam cinco dias.

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