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A Farsa Bem Montada

A Farsa Bem Montada

Autor:: Jin Nian
Gênero: Romance
Minha vida com Pedro já era uma farsa bem montada, um casamento onde o amor tinha dado lugar ao vazio e à minha crescente desconfiança sobre ele e aquela "consultora de bem-estar" , Camila. A bomba explodiu quando nossa filha, Alice, foi diagnosticada com uma rara doença cardíaca, exigindo uma cirurgia caríssima e urgente. Pedro entrou em pânico, mas eu, por outro lado, senti a frieza gelada de uma desconfiança familiar: o Dr. Ricardo, Pedro e Dona Laura, minha sogra, pareciam encenar um drama. Minha conta conjunta, antes recheada para a cirurgia da Alice, amanheceu zerada, e a explicação de Dona Laura veio em caixas de "Elixir da Vida". «Meu Deus, Sofia... de onde vamos tirar tanto dinheiro?» Pedro choramingou, fingindo desespero, mas eu sabia que ele e Camila estavam por trás disso. Eu, com uma calma assustadora, vendi meu apartamento. O dinheiro, que Pedro esperava para a cirurgia de Alice, evaporou novamente nas mãos de Dona Laura e seus produtos "Elixir da Vida" . «Você é um monstro, Pedro, mas o seu erro não foi me subestimar. Foi achar que o meu amor pela minha filha me deixaria cega. Quando, na verdade, foi ele que me deu olhos para ver a sua escuridão.» No hospital, enquanto Pedro e Dona Laura faziam um show de horror, tentando me pintar como uma mãe desalmada para a internet, eu sorri. A recusa em aceitar a caridade do público chocou a todos. Então, revelei a verdade: Camila é a verdadeira dona da empresa de fachada, vendendo produtos falsos. «Senhoras e senhores, permitam-me apresentar o amante de Camila Souza: o meu marido, Pedro Almeida.» Com a mão no meu ventre e no de Camila, revelei o filho bastardo de Pedro, a herança que eles planejavam roubar de mim. A doença de Alice, um palco para a traição. «Não existe mãe no mundo que não conheça a respiração do seu próprio filho. E desde o primeiro dia, eu soube. Eu soube que a tosse dela era falsa. Eu soube que a falta de ar era fingimento.» Eu venci.

Introdução

Minha vida com Pedro já era uma farsa bem montada, um casamento onde o amor tinha dado lugar ao vazio e à minha crescente desconfiança sobre ele e aquela "consultora de bem-estar" , Camila.

A bomba explodiu quando nossa filha, Alice, foi diagnosticada com uma rara doença cardíaca, exigindo uma cirurgia caríssima e urgente.

Pedro entrou em pânico, mas eu, por outro lado, senti a frieza gelada de uma desconfiança familiar: o Dr. Ricardo, Pedro e Dona Laura, minha sogra, pareciam encenar um drama. Minha conta conjunta, antes recheada para a cirurgia da Alice, amanheceu zerada, e a explicação de Dona Laura veio em caixas de "Elixir da Vida".

«Meu Deus, Sofia... de onde vamos tirar tanto dinheiro?» Pedro choramingou, fingindo desespero, mas eu sabia que ele e Camila estavam por trás disso.

Eu, com uma calma assustadora, vendi meu apartamento. O dinheiro, que Pedro esperava para a cirurgia de Alice, evaporou novamente nas mãos de Dona Laura e seus produtos "Elixir da Vida" .

«Você é um monstro, Pedro, mas o seu erro não foi me subestimar. Foi achar que o meu amor pela minha filha me deixaria cega. Quando, na verdade, foi ele que me deu olhos para ver a sua escuridão.»

No hospital, enquanto Pedro e Dona Laura faziam um show de horror, tentando me pintar como uma mãe desalmada para a internet, eu sorri. A recusa em aceitar a caridade do público chocou a todos.

Então, revelei a verdade: Camila é a verdadeira dona da empresa de fachada, vendendo produtos falsos.

«Senhoras e senhores, permitam-me apresentar o amante de Camila Souza: o meu marido, Pedro Almeida.»

Com a mão no meu ventre e no de Camila, revelei o filho bastardo de Pedro, a herança que eles planejavam roubar de mim. A doença de Alice, um palco para a traição.

«Não existe mãe no mundo que não conheça a respiração do seu próprio filho. E desde o primeiro dia, eu soube. Eu soube que a tosse dela era falsa. Eu soube que a falta de ar era fingimento.» Eu venci.

Capítulo 1

"Sinto muito, Sra. Mendes. O caso da sua filha é grave."

O Dr. Ricardo ajustou os óculos, seu rosto era uma máscara de falsa compaixão. Ele empurrou uma série de exames sobre a mesa em minha direção.

"Alice tem uma condição cardíaca congênita rara. Precisamos operar o mais rápido possível."

Meu marido, Pedro, que estava ao meu lado, empalideceu na mesma hora. Suas mãos começaram a tremer.

"Operar? Doutor, mas... quão grave é isso? Qual a chance de sucesso?"

A voz dele falhou.

"A cirurgia é de alto risco," o médico respondeu, com o tom solene e ensaiado, "mas é a única chance dela. Sem a cirurgia, a expectativa de vida é... curta."

Pedro desabou na cadeira, o rosto entre as mãos. Eu, por outro lado, permaneci quieta. Observei a cena com uma calma que não condizia com a notícia. Peguei os exames, olhando os gráficos e os números que não significavam nada para mim, mas fingi analisar.

"E o custo, doutor? Quanto custaria essa cirurgia?" perguntei, minha voz firme.

O médico citou um valor exorbitante. Uma quantia que eu sabia que não tínhamos disponível de imediato. Pedro soltou um gemido abafado.

"Meu Deus, Sofia... de onde vamos tirar tanto dinheiro?"

Eu não respondi. Apenas dobrei os papéis e os guardei na bolsa.

Saímos do consultório em silêncio. Pedro andava como um zumbi, tropeçando nos próprios pés. Alice, nossa filha, que esperava na recepção brincando com um tablet, correu até nós.

"Mamãe, papai! O médico disse que eu vou ficar boa?"

Pedro se agachou e a abraçou com força, as lágrimas escorrendo por seu rosto.

"Vai, meu amor. O papai vai dar um jeito. Você vai ficar boa."

Eu observei a cena, meu coração não sentia nada. Nenhuma dor, nenhuma pena. Apenas um frio calculista.

No caminho para casa, Pedro não parava de falar, sua voz cheia de pânico.

"A gente tem que usar nossas economias, Sofia. Todas elas. É pela Alice. Podemos vender o carro, pedir um empréstimo..."

"Calma, Pedro," eu disse, com uma suavidade que o surpreendeu. "Vamos chegar em casa primeiro e ver o que temos. Não adianta se desesperar agora."

Ele me olhou, um pouco aliviado pela minha aparente tranquilidade.

"Você tem razão. Você sempre sabe o que fazer."

Chegamos em casa. A casa que eu comprei com meu próprio dinheiro, antes mesmo de conhecer Pedro. Minha sogra, Dona Laura, estava na sala, assistindo à novela e comendo pipoca. Ao nos ver, ela abriu um sorriso.

"E então? O médico disse que não é nada, não é? Eu falei que era só manha de criança."

Pedro explodiu.

"Manha? Mãe, a Alice precisa de uma cirurgia de coração urgente! Ela pode morrer!"

Dona Laura derrubou o balde de pipoca no chão, o rosto contorcido de espanto.

"O quê? Cirurgia? Meu Deus do céu!"

Ignorei o drama dos dois e fui direto para o nosso quarto. Abri o aplicativo do banco no meu celular. Eu sabia exatamente quanto tínhamos na nossa conta conjunta. Era o suficiente para cobrir os custos iniciais, pelo menos.

Mas a conta estava zerada.

Não um pouco baixa. Totalmente zerada.

Respirei fundo. Uma, duas, três vezes. Eu já esperava por isso.

Voltei para a sala. Pedro estava tentando consolar a mãe, que agora chorava histericamente.

"Pedro," chamei, minha voz ainda calma. "O dinheiro sumiu. A conta está vazia."

Pedro parou de repente. Ele me encarou, confuso.

"O quê? Vazia? Como assim, vazia? Tinha mais de duzentos mil reais lá!"

Ele pegou o celular dele, frenético, e abriu o aplicativo. Seus olhos se arregalaram.

"Não é possível... Sofia, o que aconteceu?"

Eu não olhei para ele. Meus olhos se fixaram na minha sogra. Dona Laura parou de chorar e começou a desviar o olhar, de repente muito interessada em um ponto qualquer na parede.

"Mãe," a voz de Pedro era um fio. "O que a senhora fez com o dinheiro?"

Dona Laura se encolheu no sofá.

"Eu... eu não fiz nada..."

"Não minta pra mim!" Pedro gritou, o desespero o tornando agressivo. "O extrato mostra dezenas de transferências nos últimos meses! Todas para a mesma pessoa! Camila Souza! Quem é Camila Souza?"

Dona Laura começou a soluçar de novo.

"É a minha consultora de bem-estar! Ela vende uns produtos maravilhosos, meu filho! Produtos quânticos, que alinham os chakras e curam tudo! Eu comprei para ajudar a família, para trazer prosperidade e saúde!"

Pedro parecia que ia ter um colapso.

"Produtos de bem-estar? A senhora gastou duzentos mil reais em produtos de bem-estar? O dinheiro da cirurgia da sua neta?"

"Mas eu não sabia que ela ia precisar de cirurgia!" ela se defendeu, a voz esganiçada. "A Camila disse que os produtos iam proteger a todos nós de qualquer mal! Ela disse que era um investimento na nossa felicidade!"

Enquanto Pedro gritava com a mãe, eu observei a cena toda. Caixas e mais caixas de produtos inúteis empilhadas nos cantos da sala. Cremes, óleos, pedras energéticas, aparelhos que piscavam luzes coloridas. Tudo com a mesma marca. "Elixir da Vida". Eu já tinha visto aquela vendedora, Camila, aqui em casa algumas vezes. Uma mulher bonita, falante, que sempre trazia presentinhos para Alice e encantava minha sogra com seu papo furado.

Pedro se virou para mim, o rosto vermelho de raiva e desespero.

"Sofia, e agora? O que a gente faz? O dinheiro sumiu! A Alice..."

Eu me aproximei dele e, para o espanto total dele e da mãe, coloquei a mão em seu ombro e disse, com a voz mais gentil que consegui fingir:

"Pedro, não brigue com a sua mãe. Ela não fez por mal."

Pedro me olhou como se eu fosse louca.

"Não fez por mal? Sofia, ela gastou todo o nosso dinheiro! Todo!"

"Eu sei, querido," continuei, no mesmo tom apaziguador. "Mas ela foi enganada. Ela só queria o nosso bem. A culpa não é dela."

Dona Laura me olhou com gratidão, as lágrimas ainda escorrendo.

"Isso mesmo! A Sofia entende! Eu só queria ajudar!"

Eu sorri para ela. Um sorriso vazio.

"Não se preocupe, Pedro. Dinheiro a gente arruma. O importante é a família ficar unida. Eu vou dar um jeito."

Pedro me abraçou, aliviado. Ele se agarrou a mim como um náufrago.

"Ah, Sofia... me desculpe. Eu perdi a cabeça. Você é tão compreensiva. Eu não sei o que faria sem você."

"Eu sei, querido. Eu sei."

Eu o afaguei nas costas, enquanto olhava por cima de seu ombro para o rosto assustado de minha sogra.

O jogo deles tinha começado.

Mas o meu também. E eu não ia perder.

Capítulo 2

Os dias seguintes foram um inferno fabricado. Alice, sob instruções que eu ainda não entendia completamente, começou a piorar. Ela se queixava de dores no peito, de falta de ar. Parou de brincar e passava a maior parte do tempo deitada no sofá, pálida e apática.

Ela não podia mais ir à escola, e os remédios caríssimos que o Dr. Ricardo receitou, e que tivemos que comprar com o limite do cartão de crédito, pareciam não fazer efeito.

Uma noite, eu a encontrei chorando baixinho no quarto dela.

"Mamãe, eu vou morrer?"

A pergunta dela, dita com a inocência cruel das crianças, deveria ter me destruído. Mas meu coração já estava blindado. Eu me sentei na cama e a abracei.

"Claro que não, meu amor. A mamãe não vai deixar."

"Mas o papai disse que a gente não tem dinheiro pra cirurgia," ela sussurrou contra o meu peito. "Eu ouvi ele falando com a vovó. Ele tava chorando. Eu quero fazer a cirurgia, mamãe. Eu quero ficar boa pra brincar com a tia Camila. Ela disse que vai me levar pra Disney quando eu sarar."

Tia Camila. A vendedora. A amante.

Então era esse o nível da manipulação. Elas estavam usando a minha própria filha contra mim. Senti uma onda de raiva fria subir pela minha espinha, mas meu rosto permaneceu sereno.

"A gente vai conseguir o dinheiro, filha. Não se preocupe."

Pedro, por sua vez, estava no limite. Ele andava pela casa como um animal enjaulado, as olheiras fundas, o rosto sempre crispado de ansiedade. Toda hora ele vinha até mim.

"Sofia, você disse que ia dar um jeito! A Alice está piorando! A gente precisa fazer alguma coisa!"

"Eu estou fazendo, Pedro. Tenha paciência."

"Paciência? Como eu posso ter paciência? É a nossa filha!"

Eu o observava se descontrolar. A culpa e o medo estavam o consumindo. Bom. Era exatamente isso que eu queria.

Enquanto ele se desesperava, eu agia nas sombras. Fiz uma série de ligações. Contatei um antigo colega de faculdade que trabalhava como corretor de imóveis e coloquei à venda um apartamento que meus pais me deram de presente de formatura, um imóvel que Pedro nem sabia que estava apenas no meu nome.

Meu colega, ciente da "urgência familiar" , agiu rápido. Em menos de uma semana, ele encontrou um comprador disposto a pagar à vista. O valor era um pouco abaixo do mercado, mas era mais do que suficiente. Era uma quantia que faria os olhos de Pedro e sua amante brilharem de ganância.

Na sexta-feira, o dinheiro caiu na minha conta pessoal. Quase um milhão de reais.

Naquela noite, esperei Pedro chegar do seu "trabalho" – que eu sabia ser um encontro com Camila. Ele entrou em casa com a cara de sempre, derrotado.

"Alguma novidade?" ele perguntou, sem esperança.

Eu forcei um sorriso cansado, mas vitorioso.

"Sim. Consegui."

Ele me encarou, sem entender.

"Conseguiu o quê?"

"O dinheiro, Pedro. O dinheiro para a cirurgia da Alice."

Os olhos dele se arregalaram. Ele se aproximou de mim, incrédulo.

"Como? Sofia, como você conseguiu? É muito dinheiro!"

Eu fiz uma pausa dramática. Era hora de plantar a semente da minha história.

"Eu... pedi ajuda para a minha família."

O rosto dele se contraiu levemente. Ele sempre odiou a ideia de depender dos meus pais, que nunca aprovaram nosso casamento.

"Seus pais... eles emprestaram?"

"Não," eu menti, olhando em seus olhos. "Eles me deram. Eles venderam umas terras que tinham no interior. Disseram que a neta deles vem em primeiro lugar."

Era a mentira perfeita. Humilhante para ele, mas plausível.

Pedro ficou em silêncio por um momento, processando a informação. Então, a ganância e o alívio tomaram conta de sua expressão. Um sorriso enorme se abriu em seu rosto. Ele me agarrou e me levantou no ar, me girando pela sala.

"Sofia! Eu não acredito! Você conseguiu! Você é incrível! Meu amor, você salvou a nossa filha!"

Ele me beijou, um beijo desesperado e grato. Eu retribuí, sentindo o gosto amargo da traição em sua boca.

"Eu faria qualquer coisa pela Alice," eu disse, quando ele me colocou no chão.

"Eu sei, eu sei!" ele dizia, eufórico. "Vamos ligar para o Dr. Ricardo agora mesmo! Vamos marcar essa cirurgia! A Alice vai ficar bem! Tudo vai ficar bem agora!"

Ele correu para o telefone, transbordando uma felicidade que me dava nojo.

Eu o observei, com o meu sorriso sereno no rosto.

Não, Pedro.

Nada vai ficar bem.

A segunda parte do meu plano estava prestes a começar. E eu mal podia esperar para ver a máscara de vocês cair.

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