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A Farsa Desmascarada

A Farsa Desmascarada

Autor:: Jiu Meier
Gênero: Romance
Quatro anos se passaram desde que Juliana abraçou a memória de seu falecido noivo, Carlos, dedicando sua vida a cuidar de Pedro e Ana, seus irmãos mais novos, transformando Pedro em um jogador de futebol estrela e Ana em uma jovem sofisticada. Na véspera de um jogo crucial, o coração de Juliana gelou ao ouvir, pela porta entreaberta do escritório, a voz chorosa de Ana confessando seu amor por Pedro, enquanto sua família arquitetava um plano diabólico para humilá-la no altar. A cena se desenrolava bem diante dela: a mãe e a irmã de Pedro pressionavam-no a fugir do casamento, exigindo vingança por anos de uma suposta "coação", enquanto ele, por conivência ou desespero, aceitava o acordo cruel. "Pedro, você também a odeia, não é? Se você me prometer isso, eu nunca mais vou tentar me matar." Juliana observava, paralisada, a farsa que ela mesma havia construído desmoronar, percebendo que a semelhança de Pedro com Carlos era apenas uma dolorosa ilusão. Determinada a reescrever seu próprio destino e libertar-se das amarras de um passado distorcido, Juliana toma uma decisão inabalável: ela não se casará, mas, antes de partir, fará Pedro e sua família provarem do próprio veneno.

Introdução

Quatro anos se passaram desde que Juliana abraçou a memória de seu falecido noivo, Carlos, dedicando sua vida a cuidar de Pedro e Ana, seus irmãos mais novos, transformando Pedro em um jogador de futebol estrela e Ana em uma jovem sofisticada.

Na véspera de um jogo crucial, o coração de Juliana gelou ao ouvir, pela porta entreaberta do escritório, a voz chorosa de Ana confessando seu amor por Pedro, enquanto sua família arquitetava um plano diabólico para humilá-la no altar.

A cena se desenrolava bem diante dela: a mãe e a irmã de Pedro pressionavam-no a fugir do casamento, exigindo vingança por anos de uma suposta "coação", enquanto ele, por conivência ou desespero, aceitava o acordo cruel.

"Pedro, você também a odeia, não é? Se você me prometer isso, eu nunca mais vou tentar me matar."

Juliana observava, paralisada, a farsa que ela mesma havia construído desmoronar, percebendo que a semelhança de Pedro com Carlos era apenas uma dolorosa ilusão.

Determinada a reescrever seu próprio destino e libertar-se das amarras de um passado distorcido, Juliana toma uma decisão inabalável: ela não se casará, mas, antes de partir, fará Pedro e sua família provarem do próprio veneno.

Capítulo 1

Quatro anos se passaram. Quatro longos anos desde que a vida de Juliana se entrelaçou com a de Pedro e Ana, os irmãos mais novos de seu falecido noivo, Carlos.

Naquele dia, o mundo dela desmoronou com a notícia da morte de Carlos, mas ela se agarrou à promessa que fez a ele no leito de morte da mãe deles: cuidar de seus irmãos como se fossem dela.

E ela cumpriu.

Juliana investiu tudo o que tinha, e mais um pouco, na carreira de Pedro. Ela o tirou de um emprego medíocre em um bar e o transformou em uma estrela do futebol, contratando os melhores treinadores, nutricionistas e agentes. Para Ana, ela garantiu uma vaga em uma das escolas de elite mais caras do país, moldando-a para ser uma jovem elegante e sofisticada. Ela dedicou sua vida a eles, acreditando que estava honrando a memória do homem que amou.

Hoje era a véspera de um jogo importante, o jogo que poderia consagrar Pedro de vez. Juliana preparou o lanche favorito dele e foi até o escritório que montou para ele no apartamento de luxo onde viviam. A porta estava entreaberta, e vozes tensas vinham de dentro.

Ela parou, com a mão na maçaneta, e ouviu a voz chorosa de Ana.

"Pedro, eu sei que você não gosta da Juliana. Eu sei que você sempre me amou. A gente estava tão perto de ficar junto, mas por causa da doença da nossa mãe e da falta de dinheiro para a minha escola, você não teve outra escolha a não ser aceitar a ajuda da Juliana e fingir ser namorado dela."

O coração de Juliana parou. A bandeja em suas mãos tremeu.

"Ela te forçou por todos esses anos. Agora que você é famoso, você não precisa mais se casar com ela! Eu não aceito que você se case com ela. Se você fizer isso, eu pulo daqui!"

A mãe de Pedro e Ana, que também estava na sala, interveio com um tom de súplica.

"Pedro, a Ana cresceu comigo, e eu sempre a vi como minha nora. Você não pode desapontá-la!"

A irmã de Pedro, que não era Ana, também se manifestou.

"Irmão, por favor, termina com a Juliana! A Ana te ama tanto, eu quero que ela seja minha cunhada."

Todos pressionavam Pedro, que permanecia em silêncio.

"Diga alguma coisa, Pedro! Você tem o poder de se livrar da Juliana agora. Por que você não termina com ela? Por que você vai se casar com ela? Se você se apaixonou por ela, eu vou me matar!"

O caos se instalou. Sem obter uma resposta, Ana perdeu o controle e correu para a sacada do trigésimo andar, tentando pular.

Pedro finalmente se moveu, agarrando-a com força. Em voz baixa, ele disse a única coisa que poderia acalmá-la.

"Está bem, eu não vou me casar."

Um sorriso vitorioso brotou no rosto de Ana, em meio às lágrimas.

"Eu sabia que você me amava! Eu quero que você fuja do casamento e humilhe a Juliana, como vingança por todos esses anos de coação."

A sugestão chocou a todos na sala. Vendo a hesitação no rosto de Pedro, Ana começou a chorar novamente.

"Pedro, você também a odeia, não é? Se você me prometer isso, eu nunca mais vou tentar me matar."

A mãe deles, em vez de repreender a filha, incentivou o plano cruel.

"Fuja do casamento, meu filho. A Juliana merece uma lição."

Pedro franziu a testa, seu rosto uma máscara de pensamentos conflitantes. Por fim, ele cedeu.

"Tudo bem."

Sua mãe e irmã sorriram, radiantes. Ana se jogou nos braços de Pedro, o rosto sorridente manchado de lágrimas.

"Então está combinado! Mal posso esperar para ver a Juliana sofrendo."

Do lado de fora, Juliana ouviu cada palavra. O mundo que ela construiu nos últimos quatro anos se desfez em pó. Ela se virou, sem fazer barulho, e caminhou em direção ao elevador. O lanche que ela preparou com tanto carinho caiu no chão, esquecido.

Dentro do carro, com as mãos tremendo no volante, ela ligou para sua mãe.

"Mãe, você estava certa."

Sua voz era um fio.

"Pedro, mesmo que se pareça com o Carlos, ele não é o Carlos. Eu não vou me casar."

Do outro lado da linha, um suspiro cansado.

"Carlos se foi há tantos anos, minha filha. Você só o usou como um substituto. Já deu, não precisa se casar com ele."

As palavras da mãe trouxeram à tona um passado doloroso.

Juliana conheceu Carlos na infância. Ele era o vizinho dois anos mais velho, o cavalheiro gentil que sempre protegia a pequena rebelde que ela era. Eles cresceram juntos, inseparáveis, e o amor floresceu de forma natural e inevitável. Ela o amava com cada fibra de seu ser e jurou que se casaria apenas com ele.

No dia do aniversário de vinte e dois anos de Carlos, eles planejaram se casar. Juliana esperou por ele o dia todo no cartório, com o coração cheio de sonhos. Mas ele nunca apareceu. Em vez disso, ela recebeu a pior notícia de sua vida: Carlos havia morrido em um acidente de carro.

Seu mundo mergulhou na escuridão. Incapaz de aceitar a verdade, ela começou uma busca desesperada por ele em outros rostos. Um rosto semelhante, olhos claros, uma voz gentil... Qualquer traço de Carlos em outra pessoa era o suficiente para ela tentar uma aproximação.

Há quatro anos, ela encontrou Pedro. Ele trabalhava em um bar, um jovem com uma semelhança impressionante com Carlos. Movida por seu luto e sua obsessão, Juliana decidiu que precisava tê-lo por perto. Ela descobriu sobre sua família endividada, sua mãe doente e sua irmã precisando de uma boa escola. E então, fez a proposta: ela pagaria por tudo, se ele aceitasse ser seu namorado.

Desde então, ela nunca mais procurou outro substituto. Todos, inclusive a família dele, pensavam que ela estava perdidamente apaixonada por Pedro. Mas no fundo, ela sabia a verdade. Estava apenas se lembrando de Carlos através dele, vivendo uma ilusão que ela mesma se forçou a acreditar.

Até hoje. A cena no escritório foi o despertar brutal de que precisava. Um substituto é apenas um substituto.

Sua voz saiu rouca.

"Mãe, vou te encontrar em Lisboa em alguns dias. Vamos morar lá."

E passar o resto da vida se lembrando do verdadeiro Carlos.

Depois de desligar, ela dirigiu de volta para a suíte nupcial que dividiria com Pedro. Uma designer a esperava com mais de cem vestidos de noiva espalhados pelo quarto. A visão que antes a animaria, agora a enchia de náuseas.

Ela acenou com a mão, dispensando a mulher.

"Não vou escolher, não vou me casar."

No instante seguinte, a porta se abriu. Era Pedro, com seus olhos claros que um dia a lembraram tanto de Carlos.

"Não vai se casar?"

Capítulo 2

Juliana não esperava que ele voltasse tão cedo. O acordo deles sempre foi claro: ela mandava, ele obedecia. Ela sempre foi a dominante na relação, a que ditava as regras. Por isso, não viu razão para esconder a verdade.

"Não vamos nos casar. Qual o problema?"

A indiferença no tom dela o pegou de surpresa. Pedro presumiu que era mais um de seus dramas, um teste para ver sua reação. Ele não levou a sério, tirou o casaco e disse com a frieza habitual.

"Você foi quem insistiu em se casar, e agora você é quem diz que não vai. O que você está aprontando de novo?"

Ele ignorou a pergunta dela e olhou para os vestidos espalhados pela sala. Seus olhos passaram por dezenas de modelos caros antes de apontar para um.

"Este aqui."

Juliana olhou. Era o vestido que ela tinha elogiado em um vídeo dois dias antes, o seu favorito. Uma pontada de surpresa a atingiu, mas ela a afastou rapidamente. Não significava nada.

"O que você fez hoje?", ela perguntou, a voz neutra.

Pedro mentiu sem piscar.

"Estava ocupado com o trabalho. Não se preocupe, não vou esquecer o que prometi, de transar com você todos os dias."

Ele se aproximou e a pegou nos braços, com a intenção de levá-la para o quarto. Era parte do acordo, parte do preço que ele pagava. Mas, pela primeira vez em quatro anos, Juliana o afastou.

"Não precisa por enquanto. Vá dormir no quarto de hóspedes."

A mão de Pedro hesitou no ar. Um traço de descrença passou por seus olhos, como se estivesse vendo-a pela primeira vez.

"Você não costumava me querer sempre?"

Um riso irônico escapou dos lábios de Juliana.

"Você não sempre disse que fruta forçada não tem doçura?"

Os olhos de Pedro se aprofundaram, analisando-a. Por um momento, ele pareceu querer dizer algo, mas se conteve. Ele a colocou no chão com uma delicadeza que não era comum.

"Como quiser."

Dito isso, ele subiu as escadas sem olhar para trás e entrou no quarto de hóspedes, fechando a porta atrás de si.

No dia seguinte, Juliana acordou cedo. A empregada trouxe o café da manhã e o relatório diário sobre o paradeiro de Pedro.

"O Sr. Pedro saiu cedo para se exercitar. Quer esperar por ele para o café da manhã?"

Juliana balançou a cabeça.

"Vou sair daqui a pouco, não vou esperar por ele."

Depois de comer, Juliana pegou o carro. Primeiro, resolveu os trâmites de sua residência permanente em Lisboa. Com tudo acertado, ela encontrou um café ao ar livre com uma vista ampla, um lugar perfeito para observar a cidade e se despedir dela em silêncio.

Ela mexeu no celular por um tempo, respondendo e-mails e fazendo arranjos para sua partida. Quando levantou a cabeça para apreciar a vista, seus olhos captaram uma cena na cafeteria do outro lado da rua.

Era Pedro. E ele estava com Ana.

Ele a puxava pela mão, rindo de algo que ela dizia. Entraram na cafeteria e ele pediu dois cafés, enfatizando que um deveria ser quente. Ana fez um bico manhoso, dizendo que queria um gelado. Pedro, com um sorriso que Juliana nunca tinha visto, acariciou o cabelo dela.

"Não, você ainda está naqueles dias, só pode beber quente."

Juliana observou, paralisada. Como esperado de amigos de infância, ele se lembrava de tudo sobre ela.

O cadarço de Ana desamarrou, e Pedro, sem hesitar, se abaixou para amarrá-lo para ela. Ana disse que queria provar o café dele, e ele estendeu o copo para que ela bebesse um gole. Ela apontou para um vestido na vitrine de uma loja, exclamando como era bonito, e ele a levou para dentro, pacientemente esperando enquanto ela experimentava um por um.

Vendo os dois passeando, agindo como um casal apaixonado, Juliana sentiu como se estivesse conhecendo o verdadeiro Pedro pela primeira vez.

Na frente da pessoa que ele gostava, ele não era o homem frio e distante que ela conhecia. Ele sorria, brincava, e seu olhar era cheio de carinho enquanto ela fazia caretas. Ele não mantinha uma distância calculada, indiferente a tudo. Pelo contrário, ele se lembrava dos gostos e preferências dela, até mesmo a ajudava a combinar as roupas. Ele não dizia nada que pudesse estragar o clima, e não importava o que ela dissesse, ele sempre encontrava um jeito de continuar a conversa, mantendo-a viva e engajada.

Na frente de Ana, ele tirou sua máscara de frieza e voltou a ser ele mesmo. O Pedro cheio de vida, de vigor, com uma capacidade infinita de amar.

E essas coisas, Juliana nunca viu quando estava com ele.

Naquele momento, ela finalmente entendeu. Entre amar e não amar, havia um abismo. E não era algo que o dinheiro pudesse preencher.

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