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A Farsa do Meu Noivo Morto

A Farsa do Meu Noivo Morto

Autor:: Meng Xin Yu
Gênero: Romance
O telefone tocou no meio da noite, e a voz trêmula da avó de Pedro anunciou a tragédia: um acidente de carro, "não resistiu". Meu mundo desabou. Pedro, meu noivo, o homem com quem eu planejava a vida, estava morto. Os dias se arrastaram em um borrão de luto, o apartamento antes cheio de sonhos, agora um mausoléu de lembranças dolorosas. Cada canto gritava a ausência dele, e a dor me consumia, quase me levando à morte. Lucas, seu primo, foi meu porto seguro, a única rocha em meu oceano de desespero, cuidando de mim com uma devoção que eu não compreendia totalmente. Até que um dia, uma enxaqueca me levou a uma clínica chique, e ali, sorrindo e abraçado a outra mulher, estava Pedro. Meu coração congelou. Aquela risada, aquela postura, aquele jeito de inclinar a cabeça – não podia ser. Ele, o homem por quem eu havia chorado cada lágrima, estava vivo. E com outra! A recepcionista confirmou: "Sr. Alves, acompanhando a esposa, Sra. Clara Alves." Alves? Não era o sobrenome dele. A semente da dúvida havia sido plantada, virando minha dor em uma suspeita gélida. Vasculhei suas coisas, e em um diário escondido, encontrei a verdade nauseante: Clara, sua obsessão secreta, a quem ele amou à distância. A peça final se encaixou com um panfleto da "Clínica de Cirurgia Estética e Reconstrutiva Dr. Monteiro". Pedro não estava morto. Ele forjou a própria morte, mudou sua aparência, tudo para viver com outra mulher. Meu luto, minha quase morte, tudo tinha sido uma farsa cruel. A tristeza deu lugar a uma raiva fria e cortante. O amor virou desprezo. Ele não estava morto, mas para mim, morreria agora. E eu faria com que ele se arrependesse de ter me transformado em uma tola. A vingança seria um prato frio, e eu estava disposta a esperar.

Introdução

O telefone tocou no meio da noite, e a voz trêmula da avó de Pedro anunciou a tragédia: um acidente de carro, "não resistiu".

Meu mundo desabou. Pedro, meu noivo, o homem com quem eu planejava a vida, estava morto.

Os dias se arrastaram em um borrão de luto, o apartamento antes cheio de sonhos, agora um mausoléu de lembranças dolorosas. Cada canto gritava a ausência dele, e a dor me consumia, quase me levando à morte.

Lucas, seu primo, foi meu porto seguro, a única rocha em meu oceano de desespero, cuidando de mim com uma devoção que eu não compreendia totalmente.

Até que um dia, uma enxaqueca me levou a uma clínica chique, e ali, sorrindo e abraçado a outra mulher, estava Pedro.

Meu coração congelou. Aquela risada, aquela postura, aquele jeito de inclinar a cabeça – não podia ser. Ele, o homem por quem eu havia chorado cada lágrima, estava vivo. E com outra!

A recepcionista confirmou: "Sr. Alves, acompanhando a esposa, Sra. Clara Alves." Alves? Não era o sobrenome dele. A semente da dúvida havia sido plantada, virando minha dor em uma suspeita gélida.

Vasculhei suas coisas, e em um diário escondido, encontrei a verdade nauseante: Clara, sua obsessão secreta, a quem ele amou à distância.

A peça final se encaixou com um panfleto da "Clínica de Cirurgia Estética e Reconstrutiva Dr. Monteiro".

Pedro não estava morto. Ele forjou a própria morte, mudou sua aparência, tudo para viver com outra mulher. Meu luto, minha quase morte, tudo tinha sido uma farsa cruel.

A tristeza deu lugar a uma raiva fria e cortante. O amor virou desprezo. Ele não estava morto, mas para mim, morreria agora. E eu faria com que ele se arrependesse de ter me transformado em uma tola.

A vingança seria um prato frio, e eu estava disposta a esperar.

Capítulo 1

A notícia chegou como um soco no estômago, o telefone tocando no meio da noite com uma voz que eu mal reconheci.

Era a avó de Pedro.

"Júlia, minha querida... aconteceu um acidente."

Meu mundo parou.

O telefone caiu da minha mão, o barulho ecoando no silêncio do meu apartamento. As palavras dela, "acidente de carro", "não resistiu", "sinto muito", formavam uma névoa densa na minha cabeça.

Pedro. Meu noivo. Morto.

Não podia ser verdade. Nós tínhamos acabado de escolher as flores para o nosso casamento na semana passada. Ele riu quando eu insisti em peônias, dizendo que eram extravagantes demais, mas depois me beijou e disse que teria qualquer flor que eu quisesse.

Corri para o hospital, com o coração batendo na garganta, uma esperança desesperada de que tudo fosse um engano horrível. Mas o que encontrei foi apenas a confirmação fria e burocrática da tragédia. Um corpo coberto, um rosto desfigurado, a avó dele chorando em um canto, e Lucas, o primo de Pedro, com um olhar de dor que refletia o meu.

Os dias que se seguiram foram um borrão de luto. Amigos e familiares entravam e saíam, trazendo comida que eu não tocava, oferecendo palavras de conforto que não me alcançavam.

"Você precisa ser forte, Júlia."

"Ele não gostaria de te ver assim."

"Aguenta firme."

Lucas era o mais presente. Ele se sentava em silêncio ao meu lado por horas, apenas para que eu não ficasse sozinha. Sua presença era uma rocha silenciosa em meio ao meu oceano de dor.

Uma noite, a dor se tornou insuportável. O apartamento, que antes era nosso ninho de amor, agora parecia um mausoléu cheio de fantasmas. Cada objeto, cada foto, cada canto gritava a ausência dele.

Fui até o banheiro, olhei para o meu reflexo pálido e peguei a lâmina que Pedro usava para se barbear. A ideia de me juntar a ele era a única coisa que parecia fazer sentido. A dor física seria um alívio para a agonia na minha alma.

Foi Lucas quem arrombou a porta. Ele me encontrou no chão, o pulso sangrando, a consciência se esvaindo. Ele me salvou, mas na época, eu o odiei por isso. Ele me forçou a continuar vivendo em um mundo sem Pedro.

Semanas se passaram. Eu voltei a dar aulas na universidade, movendo-me como um autômato. A vida continuava ao meu redor, mas a minha havia parado naquele telefonema.

Até o dia em que uma forte enxaqueca me forçou a sair mais cedo da universidade e ir a uma clínica para pegar uma receita. Era uma clínica chique, num bairro nobre que eu não costumava frequentar.

Enquanto esperava na recepção, um casal passou por mim, rindo. O homem tinha o braço em volta da cintura da mulher, e sussurrou algo no ouvido dela que a fez rir ainda mais alto.

Meu coração congelou.

Aquele riso. Aquela postura. Aquele jeito de inclinar a cabeça.

Era ele.

Era Pedro.

Ele estava diferente. O cabelo estava mais curto, o rosto parecia um pouco mais fino, mas não havia dúvida. Era o homem que eu amava, o homem por quem eu chorei, o homem que estava morto.

E ele estava com outra mulher. Uma mulher bonita, com um ar de sofisticação, que olhava para ele com adoração.

Fiquei paralisada, o ar faltando nos meus pulmões. Eles não me viram. Passaram direto e entraram em um consultório no final do corredor.

Minha mente girava. "Impossível", eu dizia a mim mesma. "Você está enlouquecendo. É o luto."

Mas a semente da dúvida havia sido plantada.

Voltei para a recepção, tremendo, e perguntei à recepcionista quem era o homem que acabara de entrar.

"Ah, o Sr. Alves? Ele veio acompanhar a esposa, Sra. Clara Alves, para um check-up."

Alves. Não era o sobrenome de Pedro. E Clara... o nome me soava familiar, mas eu não conseguia lembrar de onde.

Voltei para casa num estado de torpor. Minha dor se transformou em uma confusão gelada, uma suspeita terrível.

Passei a noite em claro, vasculhando as coisas de Pedro, procurando por algo, qualquer coisa. E então eu encontrei. Escondido no fundo de uma gaveta, um velho diário que ele mantinha na adolescência. Eu nunca o tinha lido, por respeito à sua privacidade.

Mas a privacidade tinha morrido com ele. Ou com o homem que eu achava que ele era.

Abri o diário. E lá estava ela. Clara. Páginas e páginas dedicadas a ela. A garota que ele amou a distância por anos, sua obsessão secreta, a vizinha que se mudou e que ele nunca esqueceu.

A peça final do quebra-cabeça se encaixou quando vi o nome da clínica novamente, em um panfleto amassado no bolso de um casaco velho: "Clínica de Cirurgia Estética e Reconstrutiva Dr. Monteiro".

A verdade me atingiu com a força de um trem.

Pedro não estava morto. Ele tinha forjado a própria morte. Ele tinha feito uma cirurgia plástica para alterar sutilmente sua aparência. E ele tinha feito tudo isso para ficar com outra mulher.

A mulher que ele sempre quis.

Todo o meu luto, toda a minha dor, toda a minha quase-morte... tudo tinha sido uma farsa. Uma mentira cruel e elaborada.

A tristeza em meu peito se transformou em uma raiva fria e cortante. O amor que eu sentia por ele se desfez em pó, substituído por um desprezo profundo.

Ele não estava morto. Mas para mim, ele morreria agora. E eu faria com que ele se arrependesse de ter me transformado em uma tola.

Capítulo 2

Os meses que antecederam o "acidente" foram os mais felizes da minha vida.

Estávamos noivos há seis meses, e cada dia era uma celebração do nosso amor. Júlia e Pedro, o casal perfeito. Era o que todos diziam. Professora universitária e empresário promissor, nós tínhamos o futuro inteiro pela frente.

Lembro-me de uma tarde de domingo, deitados na grama do parque, planejando nossa lua de mel na Itália.

"Vamos comer gelato até passar mal em Roma", ele disse, beijando a ponta do meu nariz.

"E velejar pela costa de Amalfi", eu completei, sentindo meu coração transbordar de felicidade.

Ele me olhou com uma intensidade que me fazia sentir a única mulher no mundo.

"Eu te amo, Júlia. Mais do que tudo."

Eu acreditei nele. Acreditei em cada palavra, em cada promessa, em cada olhar. Como eu poderia não acreditar?

A notícia da sua morte foi um raio em céu azul. A avó dele me ligou, chorando histericamente.

"O carro... capotou na estrada da serra... a chuva estava muito forte... ele não..."

Ela não conseguiu terminar a frase. Nem precisava.

Lucas veio me buscar e me levou para a casa da avó. A família estava toda lá, um mar de rostos contorcidos pela dor. Eles me abraçaram, me consolaram, compartilharam da minha dor. Ou fingiram compartilhar.

Eles sabiam. A avó, os tios, os primos. Lucas era o único cujo choque parecia genuíno. Olhando para trás, vejo a performance deles com uma clareza nauseante. Eles eram cúmplices da mentira.

E eu, a tola apaixonada, acreditei em tudo. Chorei no funeral de um caixão fechado, segurando a mão da mulher que ajudou a orquestrar a maior traição da minha vida.

Depois de ver Pedro na clínica, a dúvida me corroía. Eu precisava ter certeza absoluta. A ideia de que ele estava vivo e me enganando era tão monstruosa que parte de mim ainda se recusava a aceitar.

Voltei à clínica no dia seguinte. O nome no panfleto, "Clínica de Cirurgia Estética e Reconstrutiva", era a minha única pista.

O dia estava cinzento, uma garoa fina caindo do céu, espelhando a desolação em minha alma.

Entrei na clínica com o coração na mão. Inventei uma história para a recepcionista, disse que estava procurando informações sobre um procedimento para uma amiga. Enquanto ela falava, meus olhos percorriam o lugar.

Foi então que vi, em um porta-retratos digital na mesa dela, uma foto da equipe da clínica em uma festa de fim de ano.

E lá estava ele.

Pedro. Rindo, com um braço em volta do ombro do Dr. Monteiro. A foto era de alguns meses atrás, antes do "acidente". A legenda dizia: "Comemorando com nosso querido amigo e paciente, Pedro".

A prova. Irrefutável.

A recepcionista continuava a falar, mas eu não ouvia mais nada. O som em meus ouvidos era o da minha própria realidade se quebrando em mil pedaços.

Saí da clínica e a garoa tinha se transformado em uma tempestade. A chuva caía forte, impiedosa, mas eu não senti. Fiquei parada na calçada, deixando a água encharcar minhas roupas, meu cabelo, escorrendo pelo meu rosto junto com as lágrimas silenciosas.

Não eram lágrimas de tristeza. Eram de raiva. De humilhação.

Ele não só me abandonou. Ele me aniquilou. Ele me fez de luto por um homem vivo. Ele me transformou na protagonista de uma piada trágica.

E foi nesse momento, encharcada e tremendo de frio e fúria, que o vi novamente.

Do outro lado da rua, debaixo da marquise de uma loja, estavam Pedro e Clara. Ele segurava um guarda-chuva sobre a cabeça dela, protegendo-a da tempestade que caía sobre mim. Ele se inclinou e roçou o nariz no dela, um gesto carinhoso, íntimo. Um gesto que ele costumava fazer comigo.

Meu passado e meu presente colidiram naquela imagem. O homem que prometeu me amar para sempre, protegendo outra mulher, enquanto eu me afogava na chuva e na dor da sua traição.

Ele ergueu os olhos e, por um segundo, nossos olhares se cruzaram através da cortina de água. Vi um lampejo de reconhecimento, de pânico, antes que ele desviasse o rosto rapidamente, puxando Clara para dentro da loja.

Ele me viu.

E ele fugiu.

Fiquei ali, imóvel no meio do temporal. A chuva lavava minhas lágrimas, mas não conseguia apagar a imagem deles juntos, felizes e secos, enquanto meu mundo desabava.

O amor havia morrido. E em seu lugar, nasceu um desejo frio e calculista de vingança.

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