Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Moderno > A Fúria de uma Mãe: Vingança e Recomeço
A Fúria de uma Mãe: Vingança e Recomeço

A Fúria de uma Mãe: Vingança e Recomeço

Autor:: Yi Xiao Xin
Gênero: Moderno
O meu filho, Lucas, faria hoje cinco anos. Comprei o seu bolo de chocolate favorito, acendi as velas, mas a alegria desvaneceu-se quando o meu marido, Pedro, chegou a casa. O seu rosto transformou-se numa máscara de desprezo. "Ele já morreu há cinco anos. Já chega." Ele disse, a sua voz fria como gelo. Pior do que a dor das suas palavras, foi a notícia que me gelou o sangue: a Beatriz, a mulher que ele nunca esqueceu, voltaria a viver connosco amanhã. A mesma Beatriz, que há cinco anos, ligou-lhe com um falso pedido de ajuda, fazendo com que ele nos abandonasse, a mim e ao nosso filho, com febre alta e o carro avariado, no meio da autoestrada. O Lucas morreu nos meus braços, enquanto o Pedro corria para ela. Agora, ele limpava o quarto do meu filho, atirava os seus desenhos e brinquedos para o lixo. Ele estava a apagar o Lucas da nossa casa. Com uma fúria que eu nunca soubera que possuía, percebi que a mulher que eu era morreu naquela autoestrada. Mas eu não ia deixar Pedro e Beatriz vencerem. Peguei na faca e cortei o bolo. A guerra começava e eu estava pronta para lutar.

Introdução

O meu filho, Lucas, faria hoje cinco anos.

Comprei o seu bolo de chocolate favorito, acendi as velas, mas a alegria desvaneceu-se quando o meu marido, Pedro, chegou a casa.

O seu rosto transformou-se numa máscara de desprezo.

"Ele já morreu há cinco anos. Já chega." Ele disse, a sua voz fria como gelo.

Pior do que a dor das suas palavras, foi a notícia que me gelou o sangue: a Beatriz, a mulher que ele nunca esqueceu, voltaria a viver connosco amanhã.

A mesma Beatriz, que há cinco anos, ligou-lhe com um falso pedido de ajuda, fazendo com que ele nos abandonasse, a mim e ao nosso filho, com febre alta e o carro avariado, no meio da autoestrada.

O Lucas morreu nos meus braços, enquanto o Pedro corria para ela.

Agora, ele limpava o quarto do meu filho, atirava os seus desenhos e brinquedos para o lixo.

Ele estava a apagar o Lucas da nossa casa.

Com uma fúria que eu nunca soubera que possuía, percebi que a mulher que eu era morreu naquela autoestrada.

Mas eu não ia deixar Pedro e Beatriz vencerem.

Peguei na faca e cortei o bolo.

A guerra começava e eu estava pronta para lutar.

Capítulo 1

O meu filho, Lucas, teria feito cinco anos hoje.

Eu tinha comprado um bolo de chocolate, o seu favorito, e o coloquei na mesa da sala de estar.

O meu marido, Pedro, entrou em casa, viu o bolo e o seu rosto ficou sombrio.

"Sofia, o que é isto?"

A sua voz era fria, sem qualquer emoção.

"É o aniversário do Lucas."

Eu respondi calmamente, acendendo as cinco velas, uma a uma.

"Ele já morreu há cinco anos. Já chega."

Ele atirou a sua pasta para o sofá, o som ecoou na sala silenciosa.

"Ele não morreu, Pedro. Ele está aqui."

Eu apontei para o meu coração.

"Ele está sempre aqui."

Pedro riu, um som amargo e cheio de desprezo.

"Estás louca. Completamente louca."

Ele caminhou até à mesa, olhou para o bolo e depois para mim.

"A Beatriz vai voltar a morar connosco amanhã."

O meu corpo ficou rígido. A chama das velas tremeluziu.

Beatriz. A sua ex-namorada. A mulher que ele nunca esqueceu.

A mulher que, há cinco anos, me ligou no meio da noite, a chorar e a dizer que estava a morrer, fazendo com que o Pedro me deixasse sozinha na autoestrada com o nosso filho a arder em febre.

"Ela está doente," ele continuou, evitando o meu olhar. "Precisa de alguém para cuidar dela."

"E eu?" a minha voz saiu como um sussurro. "E o nosso filho, o que teria sido dele?"

"Não fales do passado!" ele gritou, a sua fúria a explodir de repente. "A Beatriz estava sozinha! Tu tinhas o Lucas contigo! Eu não podia deixá-la morrer!"

Sozinha? Ela tinha toda a sua família. Eu só tinha o Pedro.

O nosso carro tinha avariado numa autoestrada deserta. O Lucas estava a arder em febre nos meus braços, a sua respiração fraca. Eu liguei ao Pedro, a implorar que voltasse.

Mas a Beatriz tinha ligado primeiro.

"Eu volto para te buscar, prometo," ele disse ao telefone, mas a sua voz já estava distante. "Só preciso de ver como a Beatriz está."

Ele nunca mais voltou.

Eu esperei horas. Tentei chamar uma ambulância, mas não havia sinal. Tive de caminhar quilómetros com o meu filho nos braços até encontrar ajuda.

Quando finalmente chegámos ao hospital, já era tarde demais.

Sépsis. O médico disse que se tivéssemos chegado uma hora antes, o Lucas poderia ter sobrevivido.

Uma hora. O tempo que o Pedro levou para ir confortar a sua ex-namorada.

Agora, ele queria trazê-la para a nossa casa. A casa que eu e o Lucas deveríamos ter partilhado com ele.

Eu olhei para as chamas das velas.

"Não."

"O quê?"

"Ela não vai entrar nesta casa."

Pedro olhou para mim, chocado, como se eu tivesse dito a coisa mais absurda do mundo.

"Sofia, não sejas egoísta. Ela não tem para onde ir."

"Isso não é problema meu."

"Tu mudaste," ele disse, com a voz cheia de deceção. "Costumavas ser tão compreensiva."

Eu sorri, um sorriso sem alegria.

"A mulher que tu conhecias morreu naquela autoestrada, juntamente com o filho dela."

Peguei na faca do bolo. Com um movimento rápido, cortei uma fatia e coloquei-a num prato.

"Feliz aniversário, meu amor," sussurrei para o ar.

Pedro observou-me, a sua raiva a misturar-se com confusão. Ele não me entendia. Ele nunca entendeu.

Para ele, o Lucas era uma memória dolorosa que ele queria enterrar. Para mim, ele era tudo o que me restava.

E a Beatriz era a mulher que tinha tirado tudo de mim.

Ele abriu a boca para dizer algo mais, mas o seu telemóvel tocou. Ele olhou para o ecrã e o seu rosto suavizou-se instantaneamente.

"Bia? Sim, sou eu. Está tudo bem? Não te preocupes, amanhã estarei aí para te ir buscar."

Ele saiu da sala, a sua voz a tornar-se um murmúrio reconfortante.

Eu fiquei sozinha com o bolo e as memórias.

Amanhã.

Amanhã, a guerra começaria.

Capítulo 2

No dia seguinte, acordei cedo.

A casa estava silenciosa. O Pedro já tinha saído. Provavelmente para ir buscar a Beatriz.

Fui ao quarto do Lucas. Estava exatamente como ele o tinha deixado. Os seus brinquedos arrumados na prateleira, os seus desenhos colados na parede.

Sentei-me na sua pequena cama e abracei o seu urso de peluche. O cheiro dele ainda estava lá, fraco, mas presente.

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Eu enxuguei-a rapidamente. Hoje não era dia para chorar. Era dia para lutar.

Levantei-me e fui para a cozinha. Preparei o pequeno-almoço, comi em silêncio e depois comecei a limpar a casa.

Tirei o pó, aspirei o chão, lavei a loiça. Queria que tudo estivesse perfeito. Imaculado.

Quando a campainha tocou, o meu coração parou por um segundo. Respirei fundo e fui abrir a porta.

Era o Pedro. E ao lado dele, estava a Beatriz.

Ela parecia pálida e frágil, apoiada no braço do Pedro como se não conseguisse ficar de pé sozinha. Usava um vestido branco simples que a fazia parecer ainda mais doente.

Os seus olhos encontraram os meus. Havia um brilho de triunfo neles.

"Sofia," disse o Pedro, com uma voz falsamente alegre. "A Beatriz está aqui."

"Eu vejo," respondi, a minha voz neutra.

Abri mais a porta.

"Entrem."

O Pedro ajudou a Beatriz a entrar, tratando-a como se fosse feita de vidro. Ele levou-a até ao sofá e fê-la sentar-se.

"Queres um pouco de água, Bia? Ou talvez um chá?"

"Água está bom, obrigada, Pedro," ela sussurrou, com uma voz fraca.

Ele correu para a cozinha.

Fiquei sozinha com ela na sala. O silêncio era pesado.

"Esta casa é bonita," disse ela, olhando em volta. "Vocês decoraram-na bem."

"Eu decorei-a," corrigi. "Para a minha família."

Ela sorriu, um sorriso pequeno e forçado.

"Claro."

O Pedro voltou com um copo de água. Entregou-o à Beatriz com o maior cuidado.

"Obrigada, querido."

Querido. A palavra atingiu-me.

"Eu vou levar as tuas coisas para o quarto de hóspedes," disse o Pedro.

"Não," eu disse, com firmeza.

Ele virou-se para mim, confuso.

"O quarto de hóspedes está ocupado."

"Ocupado? Com o quê?"

"Com as coisas do meu filho."

A cara do Pedro ficou vermelha de raiva.

"Sofia, já falámos sobre isto. O Lucas..."

"O nome dele é Lucas," interrompi. "E aquele é o quarto dele. Ela não vai ficar lá."

A Beatriz começou a tossir, uma tosse seca e fraca.

"Está tudo bem, Pedro," disse ela, entre tosses. "Eu posso ficar no sofá. Não quero causar problemas."

O Pedro olhou para ela com preocupação e depois para mim com pura fúria.

"Vês o que fizeste? Ela está doente!"

"Então leva-a para um hospital. Ou para a casa da família dela."

"A família dela não a pode ter agora!"

"Que conveniente."

"Sofia, para com isso!" ele gritou. "Ela vai ficar aqui! E vai ficar no quarto de hóspedes! Tira as coisas do Lucas de lá, agora!"

Eu cruzei os braços.

"Não."

Nós encarámo-nos, a tensão na sala era quase palpável. A Beatriz observava-nos, com uma expressão de falsa inocência no rosto.

Ela estava a gostar disto. Ela estava a adorar ver-nos a lutar por causa dela.

O Pedro respirou fundo, tentando controlar-se.

"Ok," disse ele, com uma calma assustadora. "Se tu não o fazes, eu faço."

Ele virou-se e caminhou em direção ao quarto do Lucas.

O meu sangue gelou.

"Não te atrevas a tocar nas coisas dele, Pedro."

Ele ignorou-me e abriu a porta do quarto.

Eu corri atrás dele.

"Eu disse para não tocares!"

Ele já estava lá dentro, a olhar para os brinquedos e os desenhos. Por um momento, vi uma sombra de dor no seu rosto. Mas desapareceu tão depressa como apareceu.

Ele pegou num saco de lixo preto da sua mala.

"Pedro, não."

Ele começou a varrer os brinquedos da prateleira para dentro do saco. O som dos carros de plástico e dos blocos de madeira a baterem uns nos outros era ensurdecedor.

Cada som era uma facada no meu peito.

Eu tentei tirar-lhe o saco, mas ele empurrou-me.

"Fica longe disto, Sofia!"

"São as coisas dele! São tudo o que me resta!"

"São apenas coisas! Ele já se foi!"

Ele estava a rasgar os desenhos da parede, a amachucá-los e a atirá-los para o saco. Os desenhos que o Lucas tinha feito para nós. Um sol sorridente, uma casa, a nossa família de mãos dadas.

Eu caí de joelhos, a chorar.

"Para, por favor, para."

Ele não parou. Continuou até o quarto estar vazio. Despido. Sem alma.

Ele arrastou o saco para fora do quarto e fechou a porta.

"Agora," disse ele, a sua voz fria e dura. "O quarto de hóspedes está livre."

Ele olhou para mim, caída no chão, e não havia um pingo de piedade nos seus olhos.

A Beatriz apareceu à porta, a olhar para a cena com uma satisfação mal disfarçada.

"Está tudo bem, Pedro?"

"Sim, Bia. Tudo resolvido."

Ele foi até ela e pôs um braço à volta dos seus ombros.

"Vem, vou ajudar-te a instalar-te."

Eles afastaram-se, deixando-me sozinha no corredor, em frente à porta fechada do quarto agora vazio do meu filho.

Naquele momento, eu percebi.

O meu marido não me amava mais. Talvez nunca me tenha amado.

E eu não ia deixar que eles vencessem.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022