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A Gêmea Errada para o Alfa Certo

A Gêmea Errada para o Alfa Certo

Autor:: Bianca C. Lis
Gênero: Lobisomem
Deslizei por baixo dos seus braços, buscando um espaço seguro para respirar. Percebi um sorriso divertido escapar de seus lábios, mas optei por ignorá-lo. - A transformação vai doer? – Abaixei o olhar, perguntando em um sussurro singelo. - Mais do que você possa imaginar, humana... – A franqueza em suas palavras me fez erguer o queixo em sua direção. - Como é a transformação? - Ele voltou a se aproximar falando pausado. - Primeiro, seus ossos vão começar a quebrar, te lançando ao chão. – Seus olhos estavam cerrados. – Depois acontecerá o crescimento de pelos densos em todo o seu corpo. O alongamento dos membros, considero a parte mais excitante da dor. – Ele brincou com um tilintar da língua antes de prosseguir. – Aí vem o encurtamento do focinho e o desenvolvimento de garras e presas afiadas. Respirei fundo, tentando processar o que estava por vir. - Algo mais que devo saber? – Com a voz trêmula, perguntei. - A perda de controle é iminente. – Seus olhos cintilaram, como se tivesse percorrido alguma lembrança escondida em sua mente. – A sede por sangue é insaciável, a fera a dominará, fazendo agir principalmente por instintos primitivos. Resultando em ataques violentos contra qualquer pessoa ou animal à sua frente! - Me tornarei irracional? – Tapei a boca, tentando controlar o nó que se formara em minha garganta. – Como vocês controlam isso? Rindo, ele já me alcançara, puxando-me para perto e fincando suas garras não muito fundo em meu quadril, provocando um gemido de dor. - É necessário força, treinamento e ter a Deusa ao seu lado, humana...– Ele encolheu as garras, deixando apenas uma cumprida, e voltou ao meu queixo, arranhando-o e recolhendo uma gota de sangue. Lambeu-a e sorriu. – Não se preocupe, estarei aqui em todo o seu processo... - Para garantir que morrerei? – Com lágrimas nos olhos, dei mais alguns passos à frente, entrando em seu jogo perigoso, notei sua respiração um pouco mais densa. - Você lembra muito a ela. – Ele murmurou, encostando sua testa na minha. – Para garantir que sua transformação não saia do controle e para testemunhar a escolha da Deidade. – Com mais pressão na testa, me obrigou a ceder alguns passos com a dor. - Estou com medo...- confessei, apertando as mãos. O lobo continuava sentado enigmático, sem proferir uma única palavra. As dores nas articulações começaram, uma reviravolta no estômago e minhas costelas pareciam se espaçar por dentro, como se abrissem espaço para acomodar uma alma canídea. - Aiii, que dor...- gemi, agachando-me e envolvendo os braços em volta da minha barriga. - Eu não quero isso...- supliquei, com os olhos marejados, olhando para o Alfa à minha frente. - Por favor, me ajude a evitar isso! - Aiii, merda, droga – Berrei, entregando-me à dor. Um suor frio escorreu pela minha testa, quando ergui a mão para secar percebi que pelos começaram a brotar. – Mãe, Pai, por favor me ajudem! – Sussurrei, sentindo a tensão em cada parte do meu corpo. Parecia que meu ser inteiro estava sendo dilacerado e moldado, e jurei que um rugido havia escapado dos meus pulmões. Conforme avisado, meus membros começaram a alongar-se, causando uma aflição indescritível. Comecei a delirar, sentindo minha mente racional sendo empurrada para o fundo dos meus pensamentos, como se algo estivesse tentando me aprisionar, tentando me dominar! Não sabia se aquilo era um delírio ou talvez um sonho... "A Gêmea Errada para o Alfa Certo" é uma emocionante narrativa repleta de reviravoltas, poderes sobrenaturais, traições e conflitos, enquanto Sophie enfrenta escolhas impossíveis e busca uma maneira de trazer paz a um mundo dividido por rivalidades lupinas, desejos por poder e o fim de uma maldição.

Capítulo 1 PRÓLOGO

A respiração dela estava pesada devido ao ar gélido das ruas do Colorado, seus pulmões ardiam a cada inspiração profunda, enquanto buscava desesperadamente ar em sua incansável fuga. Ao longe, ela captou o som ameaçador de um assovio, acompanhado de risadas cruéis e uma promessa carregada de ódio.

- Você não pode escapar de nós. Vamos caçá-la até o inferno, e você pagará por sua traição!", declarou um dos perseguidores.

- Malditos! - Agatha sussurrou para si mesma, exausta. - Por que não me deixam em paz?

Dobrando a esquina e adentrando um beco escuro, ela acreditou ter encontrado um refúgio temporário. No entanto, antes que pudesse recuperar o fôlego, passos pesados se aproximaram. Um vulto na escuridão emergiu na forma de um lobo, com presas à mostra, anunciando claramente o perigo iminente.

- Por favor, deixem-me em paz... Prometo que não revelarei nada a ninguém! - Suplicou Agatha à fera diante dela.

- Ah, minha querida, não podemos deixá-la escapar. Você carrega nossa vitória contra ele, e precisamos do filhote! - rugiu o ser sobrenatural, lançando a ela um olhar frio que a fez tremer.

- Isso não fazia parte do acordo - Agatha apertou suas mãos com firmeza. - Não envolvia um inocente. Vocês me usaram! - protestou ela com firmeza.

- Usamos? Haha, não foi exatamente isso que você fez com ele? O que acha que acontecerá quando ele descobrir que você era uma infiltrada que o seduziu e gerou seu herdeiro como moeda de troca para outra alcateia, apenas para adquirir dinheiro e poder? - O tom do ser se tornou ainda mais ameaçador, incitando-o a avançar em sua direção.

- Vocês não farão nada se não conseguirem nos encontrar! - Agatha alisou sua barriga, posicionando-se defensivamente, pronta para qualquer ataque. Nesse momento, um lobo de pelagem marrom quente investiu com voracidade, tentando abocanhar e rasgar com suas garras afiadas. Agatha sibilou enquanto esquivava habilmente, tirando rapidamente um pó areoso do bolso e soprando-o no focinho de seu predador. O lobo, agora desorientado, espirrou.

- MALDITA, O QUE É ISSO? - o inimigo exclamou enquanto sua visão turvava, fazendo-o cambalear de um lado para o outro.

- Um presentinho das bruxas. Volte para as sombras de onde veio e avise ao líder da Alcateia da Lua de Sangue que vocês NUNCA colocarão as garras no meu filho! - Com isso, Agatha virou as costas para fugir, mas não antes de ouvir suas ameaças finais.

- Vamos encontrá-los. Mataremos todos que você ama. Seu destino está selado, humana...

Olhando por cima do ombro, Agatha pôde ver a seriedade em suas palavras, antes do Beta desmaiar nas ruas frias e congelantes.

Pov: Sophie

Há alguns meses, minha irmã gêmea idêntica, que havia desaparecido, retornou sem maiores explicações. Ela nos fazia usar um colar que exalava um aroma de musgo. Sua justificativa era simples: uma proteção concedida pelas bruxas reclusas do Colorado, adquirida durante uma de suas viagens mundo afora.

Percebi um aumento em seu peso e, consequentemente, em sua inquietude. Ela parecia viver em constante estado de alerta, como se estivesse sendo perseguida por algo invisível.

- Há algo de errado? - questionei, observando-a espalhar um pó roxo cintilante pela casa.

- Preciso te contar algo! - exclamou, seus olhos arregalados encontrando os meus. Seu semblante demonstrava cansaço, algo que eu vinha notando desde seu retorno. Sua boca estava constantemente ressecada, sua pele pálida e fria. Nada daquilo condizia com a jovem mulher de 23 anos que ela era.

- Você não parece bem. Deve deitar-se - eu me aproximei, mas parei subitamente quando senti algo úmido em meus pés. Uma poça de água envolvia suas pernas, com traços de sangue escorrendo por sua pele.

- Não há tempo, eu... Aiiiiiii - Ela gritou, fazendo-me correr para o seu lado em estado de choque.

- O que está acontecendo? - perguntei em desespero.

- Eu, eu, aiiiiii. Estou em trabalho de parto! - sua declaração ecoou em minha mente.

Grávida? Como poderia ser? Como eu não percebi?

- Grávida? Você deve estar delirando. Eu teria percebido.

- Perdoe-me, minha irmã. Você não teria percebido. Estou usando saliva de rã em suas bebidas, para alterar sua visão, distorcendo a minha aparência...

- Você fez o QUÊ? POR QUE FARIA ISTO? - cerrei os punhos, sentindo a raiva crescer.

- Aiii, como dói... Por favor, por favor, Sophie, me ajude...- ela desmaiou em seguida.

- Diabos, AGATHA, por que você sempre atrai confusões? - praguejei antes de levá-la às pressas para o hospital.

Os apitos do aparelho ecoavam, evocando memórias assustadoras do passado, quando recebemos a ligação do hospital informando que algo havia atacado nosso pai. "Os apitos me fazem lembrar daquele terrível dia. Uma ligação do hospital... Nosso pai..." Os policiais locais afirmaram que a criatura responsável era sobrenatural, mas nunca houve prova disso; o caso foi encerrado como um "ataque de urso". Após a morte dele, nossa mãe mergulhou na depressão, acabando por nos deixar.

Agatha sempre foi impulsiva, suas atitudes irresponsáveis me forçaram a amadurecer precocemente, aos 18 anos, e a cuidar dela desde então. Renunciei a muitas coisas por ela, mas sempre garanti que não lhe faltasse nada. Mesmo quando ela desapareceu, me mantive fiel à nossa conta secreta, continuando a depositar dinheiro. Era para emergências, uma lição que aprendemos com nosso pai, que estranhamente vivia em constante estado de alerta, assim como Agatha vinha fazendo nos últimos meses.

- Onde estou - Agatha acorda de seu desmaio, gemendo de dor. - Isso não pode ser um sonho... A dor é insuportável, algo está me rasgando por dentro!

- Aguente firme, vou chamar um médico! - Eu me apresso, mas ela agarra minha mão desesperadamente.

- NÃO!

- O que você está dizendo, Agatha? Você está em trabalho de parto. Precisamos de um médico urgentemente. - Com as sobrancelhas franzidas, aponto para seu estado.

Ela se contorce, gritando de dor. - Por favor, Sophie, me ouça... Por favor, entenda... Aa., está doendo tanto!

- Podemos conversar depois. Apenas aguente! - No entanto, ela não solta minha mão.

- ME ESCUTE. Não sei como enfrentar isso sozinha... - Seu olhar está aflito. - Mas você é tudo o que tenho agora. - Concordo com um gesto enquanto acaricio sua mão, tentando acalmá-la.

- O pai desta criança... Ele não é comum, é extraordinário, algo que eu nunca tinha visto. Eu fui tola... Aaaaaah! - Outra onda de dor a interrompe.

- Por favor, deixe-me chamar o médico. Depois lidamos com o idiota que a engravidou. Eu me encarregarei pessoalmente dele! - Sorrio com compreensão.

- NÃO, PRESTA ATENÇÃO. Eu mudei... Tornei-me quase sobre-humana para protegê-lo. Preciso que você o proteja, esconda-o, pois haverá aqueles que o buscarão. O mal o perseguirá.

- Você está falando incoerências, Agatha. Está delirando! - Contesto, mas estranhamente suas palavras parecem lúcidas dadas as circunstâncias.

- SOPHIE, fiz outra grande besteira, por isso desapareci... Eu... eu queria retribuir tudo o que você fez por mim. Era dinheiro fácil... Só precisava seduzi-lo e se deitar com ele. Não parecia um grande sacrifício...- Ela faz uma careta enquanto espreme minha mão, mostrando que outra contração a atinge. - Tentei descobrir a verdade sobre a morte do nosso pai... – Ela para respirando fundo – Não tenho muito tempo...

- A morte do nosso pai? O que isto tem a ver com tudo isso? – Coloco as dúvidas de lado, fungo profundo e a fito seriamente – Pare de falar bobagens, Agatha. Você está em trabalho de parto, não está morrendo! Aperto suas mãos com força, temendo o olhar desolado que ela direcionou a mim.

- Independentemente do que aconteça aqui, você vai cuidar deste bebê, colocar meu colar nele e fugir. Você entendeu? Nunca pare de fugir, por nada, não confie em ninguém...

- Você está me assustando, minha irmã...

- Prometa que fará o que estou pedindo. - Sua respiração fica mais pesada e irregular. - Por favor, Sophie... Sempre prometemos nos proteger. Este bebê é uma parte minha... Por favor, proteja-o como se fosse seu!

Suas palavras me deixam atordoada enquanto ela desmaia. Um apito irrompe do aparelho, e um alarme ecoa por todo o hospital:

"CÓDIGO AZUL, ALA NORTE, SALA 13."

Enfermeiros e médicos entram na sala, me puxando para o lado, enquanto eu permaneço estagnada, observando em desespero.

- Ela está em parada! – Grita uma médica, lançando um olhar para os outros.

- Cesária de emergência! – Eles correm com o carrinho médico, e eu os sigo em um estado de angústia.

- ESPEREM, NÃO A LEVEM... POR FAVOR, NÃO LEVEM ELA DE MIM!

Entretanto, sou impedida de prosseguir quando uma das enfermeiras me contém no lugar.

Não demora muito para que um médico se aproxime de mim, palavras são desnecessárias diante da notícia que meu coração já pressente. Sinto como se parte da minha alma se desprendesse junto com a dela... Consigo quase sentir seu último suspiro, ver sua última lágrima caindo e ouvir seu sussurro suplicante: "PROTEJA-O!"

Respiro profundamente, meus olhos fixos no médico à minha frente.

- Posso ver a criança? Quando poderei pegá-lo?

- A senhora acabou de receber uma notícia avassaladora. Existem opções para a criança, caso deseje explorá-las.

- Quero levá-lo agora! – Levanto-me abruptamente da poltrona que antes era o refúgio para minhas lágrimas e preces. – Quando poderei tê-lo comigo?

Capítulo 2 CAÇADOS

Após os tristes dias passados, assumi a dolorosa tarefa de velar o corpo da minha amada irmã e sepultá-la ao lado dos nossos pais. O sentimento de abandono me envolvia enquanto encarava a terra recém-sobreposta, como se todos aqueles que eu amava tivessem me virado as costas. Um resmungo de protesto irrompeu do bebê em meu colo, arrancando um suspiro cansado dos meus lábios.

- Certo, parece que todos me deixaram, exceto você, Conan...- Murmurei com um sorriso terno dirigido ao pequeno ser agitado em minhas mãos. Logo depois, lágrimas inundaram meus olhos e uma única gota teimosa escorreu pelo meu rosto. "Sim, eu sei", continuei enquanto recolhia o bebê e o colocava com cuidado no canguru em frente ao meu peito. "Também sinto falta dela, mas agora somos apenas eu e você, meu valente."

Um sorriso gentil pairou nos meus lábios enquanto acariciava a maciez da bochecha do bebê, balançando-o suavemente para acalmar seus ânimos inquietos. Enquanto o fazia, eu cantarolava uma melodia suave, uma lembrança afetuosa das canções que minha mãe costumava entoar para nós quando éramos crianças.

De repente, um ruído perturbador ecoou do outro lado das sepulturas, forçando-me a girar abruptamente em direção ao som. Meu coração disparou quando deparei com uma matilha de lobos emergindo das sombras, olhos faiscando com um faminto fogo selvagem. Caninos à mostra e rosnados vorazes compunham um quadro aterrorizante.

- Lobos? - Minha voz escapou em um sussurro temeroso, enquanto eu apertava Conan nos meus braços, buscando instintivamente protegê-lo. - O que diabos esses lobos estão fazendo aqui?

Desesperadamente, meus olhos buscaram algum apoio nas imediações do cemitério, mas a paisagem permanecia desoladamente vazia. Dando passos cautelosos para trás, meus olhos correram em direção ao meu carro, não muito distante.

Entretanto, meus movimentos não passaram despercebidos. Um dos lobos emitiu um uivo estridente, quase como se fosse um comando. O som ecoou como um grito de guerra, e os lobos avançaram, movendo-se com uma agilidade feroz em nossa direção.

- Xii, xiii meu amor, está tudo bem, tudo bem. – Tento acalmar Conan que resmunga com a agitação.

Minhas pernas bombeavam com vigor enquanto eu buscava alcançar o abrigo do carro, mas um lobo de pelagem cinza interceptou meu caminho, saltando com presas à mostra, visando me abocanhar. Minha bolsa foi atirada com força em direção ao focinho do lobo, fazendo-o recuar momentaneamente, mas seus olhos ardiam com uma raiva intensa.

Meus olhos vasculharam freneticamente o ambiente em busca de qualquer coisa que pudesse servir como uma defesa improvisada. Um estilete, um presente do meu pai, escondido em meu bolso, trazendo um lampejo de determinação. Retirei-o e o apontei na direção do lobo que ameaçava nos ferir. Para meu horror, mais dois lobos se juntaram ao primeiro, formando um círculo ameaçador ao meu redor, seus olhos fixos em mim com uma predatória intensidade.

- Merda! – Proferi entre dentes, minha mente reconhecendo rapidamente a desvantagem em que me encontrava. O lobo cinza avançou novamente, e num movimento ágil, esquivei para o lado, buscando evitar o ataque. No entanto, um segundo lobo surgiu silenciosamente por trás, suas patas atingindo minhas costas com força. Apesar do impacto, consegui manter minha posição, evitando cair.

Uma onda de ardor se espalhou das feridas causadas pelo ataque do lobo menor em minhas costas. Ofegante, rosnei para os lobos com uma determinação feroz, minhas palavras carregadas de uma ameaça sincera:

- Nós não seremos o lanchinho de vocês!

Os lobos não hesitaram e se lançaram novamente contra mim. Agi por instinto, desviando do ataque de um deles e desferindo um chute poderoso no maxilar do lobo menor. Um grunhido de dor escapou dele, enquanto o lobo cinza se aproximou do ferido, tocando-o gentilmente com o focinho. Um terceiro lobo, com uma pelagem mesclada de cinza e preto, avançou implacavelmente. Com poucas opções, corri em direção à densa floresta de Goethe State Forest, buscando abrigo.

No entanto, a velocidade do lobo era impressionante e ele me alcançou antes que eu pudesse me distanciar o suficiente. Senti suas presas cravarem em meu tornozelo, e agi rapidamente para proteger a cabeça do meu fiel companheiro, Conan, do impacto iminente. Com esforço, arrastei meu corpo para trás, erguendo um estilete em um gesto defensivo. "Você não vai tocar nele, seu lobo pulguento!" Rosnei com uma mistura de medo e bravura, encarando o lobo nos olhos.

O rosnado da criatura se intensificou, um som ameaçador que parecia quase carregar um riso contido. Seus dentes afiados estavam a centímetros de nós, prontos para nos dilacerar. No momento crucial, o lobo avançou, suas mandíbulas se fechando sobre meu braço. Com a outra mão, enfiei o estilete com determinação em sua barriga peluda. O lobo arregalou os olhos, mas não recuou, continuando a pressionar seus dentes contra meu braço em um esforço brutal.

Um grito de dor rasgou meus lábios, ecoando pela floresta enquanto o lobo esmagava meu braço. Conan chorava inconsolavelmente, sua aflição ecoando pela cena desesperadora. Com lágrimas nos olhos, direcionei um olhar reconfortante para ele e murmurei: "Eu prometi que iria te proteger, eu vou te proteger!"

Desesperadamente, desferi joelhadas na lateral do lobo que se mantinha sobre nós, usando todas as forças para empurrar o estilete ainda mais profundamente. A fera tentou soltar meu braço, mas eu resisti, forçando-o a manter sua mordida. Implacável, continuei a golpear com o estilete até sentir o corpo do animal ceder.

Com um esforço, finalmente consegui empurrá-lo para o lado, levantando-me com dificuldade. Minha carne estava exposta, retalhada pelo ataque. Com uma voz suave e tranquilizadora, murmurei para Conan:

- Shhh, Conan, está tudo bem, tudo bem. A titia matou o lobo mau!

Mas antes que eu pudesse tentar acalmar a situação, os outros dois lobos surgiram ao nosso encontro. A loba menor aproximou-se do corpo do animal que eu havia derrotado, suas ações denotavam tristeza e suas lágrimas pareciam misturar-se à pelagem. Um rosnado desesperado rasgou pelo ar, enquanto o segundo lobo me fitava com olhos faiscantes de fúria. A cada passo que davam em nossa direção, podia sentir a intensificação do ódio emanando deles.

Meus esforços para recuar foram em vão, e minha perna vacilante não tardou em me derrubar no chão. Supliquei ao vento em um tom carregado de esperança: "Por favor, por favor, alguém nos ajude..." Encarei firmemente o lobo maior, libertando Conan do canguru e gentilmente colocando-o no chão. Os lobos observavam com atenção cada movimento meu. Minha voz trêmula continuou:

- Não sei se vocês podem me entender... Podem me devorar, mas eu imploro, não machuquem este bebê inocente..."

Os lobos trocaram olhares em uma comunicação que só eles compartilhavam, e não demorou para que avançassem em minha direção. No entanto, antes que pudessem me atingir, um novo lobo surgiu abruptamente à minha frente, suas presas agarrando um dos lobos hostis pelo pescoço e derrubando-o com força, ceifando sua vida em um instante.

Involuntariamente, minha mão foi parar na boca, testemunhando tal demonstração de força. O lobo sobrevivente investiu contra seu adversário, obrigando o lobo branco com cinza a recuar e a investir suas patas nas costelas do oponente. Um rosnado ensurdecedor rasgou o ar, enquanto o lobo branco investia novamente, mordendo o lobo cinza acima da pata e, em um segundo ataque, cravando suas presas no rosto do oponente, um vermelho intenso escorria, sinalizando a gravidade dos ferimentos.

A criatura cinza retrocedeu, lançando um olhar breve aos corpos inertes e voltando seu olhar na minha direção. Com um movimento ameaçador do lobo empoderado branco, o lobo cinza desapareceu na floresta, fugindo para a segurança das profundezas.

O lobo voltou sua atenção ao bebê. Instintivamente, saltei sobre Conan, protegendo-o e clamei:

- Não ouse se aproximar, já ceifei a vida de um de vocês, e não hesitarei em repetir o feito com você! - Contudo, ele contina se aproximando, e minhas vistas começaram a escurecer pela perda de sangue.

Desesperadamente, dirigi-me ao bebê: - Conan, me perdoe... - Lágrimas fluíram sem restrições pelo meu rosto, encontrando o rosto delicado do meu sobrinho. Então, voltei a minha atenção ao lobo, minhas percepções obscurecendo à medida que eu lutava para erguer o estilete. No limite da visão, testemunhei o lobo branco se transformar diante dos meus olhos, revelando a forma humana.

Capítulo 3 ENCURRALADA PELO ALFA

Despertei de súbito, procurando por Conan. Percebi que meus ferimentos haviam sido tratados e varri o ambiente com os olhos, encontrando meu sobrinho em um berço próximo à minha cama. Minha atenção foi capturada pela figura enigmática do lobo, que possuía um tom branco gelo misturado com luzes prateadas, adentrando o quarto.

- Não se aproxime de nós, fera! - gritei, esforçando para parecer ameaçadora, embora minha voz entregasse o nervosismo que estava sentindo.

O lobo continuou avançando, parando em minha frente e sentando-se em suas patas traseiras. Ele emitiu um som de escárnio, como se achasse minhas ameaças engraçadas.

- Estou te avisando, besta. Não permitirei que machuque meu bebê! - reforcei minhas palavras, para que não houvesse dúvidas.

O peludo se aproximou, olhando-me intensamente e farejando o ar ao meu redor.

- Este filhote não é seu. O cheiro é semelhante, mas não idêntico. Ele me pertence - rosnou, exibindo seus caninos.

- Você está falando? Ou estou ficando louca, ouvindo um lobo falar... - balbuciei, intrigada.

- Me entregue o filhote, humana! - rosnou de forma ainda mais ameaçadora, sua voz ressoando com autoridade.

- Filhote? Você não vai tocar no meu bebê! - gritei desesperadamente, ficando em frente ao berço em posição de defesa.

O lobo se aproximou ainda mais, tentei atacá-lo. No entanto, com um movimento rápido e quase imperceptível, ele conseguiu me derrubar no chão e colocar o peso do seu corpo sobre o meu, cheirando meu pescoço.

- Sendo uma presa tão fraca, não deveria me desafiar - Ele rosnou

Estremeci, sentindo um arrepio na espinha

- O seu cheiro é similar, mas não igual. Você não é ela, e este não é o seu filhote! - esbravejou, seus dentes serrados próximos à minha pele quente.

Subitamente, ele se afastou, transformando-se em um homem alto, de pele clara, com um olhar orgulhoso. Sua estrutura muscular exalava poder e vitalidade. Seu cabelo escuro emoldurava um rosto esculpido, uma barba bem cuidada adicionando um toque de sofisticação. Sua postura confiante e presença dominante chamavam a atenção, mas meus olhos foram diretamente para a cicatriz que ia do ombro até o meio do tórax nu.

- O QUE É VOCÊ? - falei alto, chocada e assustada.

Ele declara com determinação: - Este filhote me pertence!

- Por que o chama de filhote? Quem você pensa que é para reivindicá-lo? - questiono, levantando uma sobrancelha desafiadora.

- Sou o pai dele e seu rei! - sua voz soa feroz e arrepiante.

- E-Eu... você é o pai? - gaguejo perplexa com a revelação.

- Sim, portanto, o filhote me pertence, - declarou imponente.

- Não! - minha resposta é firme, desafiando sua pretensão.

Ele arqueia uma sobrancelha, avaliando minha resposta desafiadora.

- Não? Interessante... - ele comenta, observando minha determinação crescente.

Tomando uma postura determinada, afirmo: - Prometi a minha irmã que cuidaria e protegeria seu filho como se fosse meu. Não permitirei que você o leve, nem que tenha que lutar até a morte!

Ele observa, percebendo a coragem emergindo em mim. Um sorriso quase imperceptível cruza seus lábios, mas sua confusão e nervosismo a impedem de notar.

Ele reconhece:

- Você não tem cheiro da morte, acredito em sua história.

- Cheiro da morte? - repito, surpresa.

- Sim, sua irmã, ela exalava doença e morte. Mas havia algo único nela... - Seus olhos ficam semicerrados enquanto ele refletia. - Pelo menos foi o que pensei.

Lágrimas enchem meus olhos.

- Se você sabia que ela morreria, - cerro os punhos em ira, - por que não cuidou dela? Por que a abandonou? E por que somente agora apareceu, querendo levar a única lembrança que sobrou dela? - Esbravejo, encarando-o sem ceder.

- Sua irmã conseguiu disfarçar bem o cheiro dela, sem deixar rastros. Eu a encontrei pelo cheiro do meu filhote. Senti a ameaça em volta dele, e seu desespero, - pondera ele, aproximando-se.

- Por que me atacou? - questiono, lembrando das cenas no cemitério que me causavam arrepios de pavor.

Ele dá de ombros: - Não a ataquei. Eu os protegi.

- Os outros lobos não estavam com você?

- Não, são de outra matilha. Querem destruir meu herdeiro e tomar meu trono.– Seu olhar cintilou, pude sentir o ódio em suas palavras.

- Trono? Você é um rei, - boquiaberta, pergunto.

- Melhor ainda, sou um ALFA, - há um tom de orgulho e honra em seu timbre, sua postura majestosa revela seu poder.

- O que é um alfa? - sigo confusa.

- Vocês humanos são tão deprimentes... - Ele revira os olhos com desprezo.

Observo atentamente sua postura enquanto seco uma lágrima teimosa que escorria pelo meu rosto. "Preciso de respostas. Quem nos atacou? Por que querem matar Conan? Como conheceu minha irmã?" - Solto o ar após as perguntas que martelavam minha mente.

- Foram atacados pelos lacaios da Alcateia da Lua Crescente. Já respondi sua pergunta quanto ao filhote... Não seja lerda, humana. Acompanhe as respostas. - A rispidez em suas palavras deixa claro que os questionamentos o aborreciam.

- Ok, Sr. sem educação.

Em um rosnado estrondoso, ele rugiu: - Sr. Alpha ou Rei, humana insolente.

Seu rugido me fez recuar alguns passos até encostar no berço. Conan acordou chorando, tão assustado quanto eu estava. Virei para pegá-lo, mas uma mão forte e áspera o amparou antes que eu pudesse alcançá-lo. Sua velocidade era absurda, fora do normal.

- Não o machuque, por favor - abaixei meu tom de voz, com medo dele quebrar meu sobrinho em seus braços fortes. - Devolva-o para mim, por favor. - Estendi os braços devagar.

- Ele é meu herdeiro. Meu sangue, meu primogênito e futuro líder desta alcateia. Por que o machucaria? - Seu cenho franzido me fitava como um ponto interrogativo.

Estranhamente, o bebê se acalmou em seus braços, como se o tivesse reconhecido apenas pela aproximação. Talvez ele esteja dizendo a verdade, talvez seja o pai desta criança! Minha irmã havia avisado que ele era um ser extraordinário, entretanto, nada disso fazia sentido. Como ela o conheceu? Por que se escondeu dele?

Ergui meu queixo desafiadoramente, obrigando-o a manter seu olhar nos meus.

- Como conheceu minha irmã? Por que ela sentiu que deveria se esconder de você?

Uma neblina pairou sobre seu olhar, fazendo-me tremer com a pressão de sua presença. Seus olhos estavam em chamas de formas predatórias. Apesar de sua intimidação, não desviei o olhar. Eu precisava das respostas e, mais importante, precisava saber se corríamos riscos aqui!

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