Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Moderno > A Gaiola Dourada Partida
A Gaiola Dourada Partida

A Gaiola Dourada Partida

Autor:: Xin Miao Miao
Gênero: Moderno
O telefone tocou, quebrando o silêncio que eu tinha finalmente encontrado. Pensei que a minha fuga daquela gaiola dourada, o meu casamento arranjado, me tinha concedido a liberdade. Mas era Pedro, o meu marido, exigindo que eu voltasse para casa. A minha família, os mesmos que me venderam, começaram a implorar, a manipular. Diziam que o meu pai, o homem que me sacrificou por dinheiro, estava a morrer. Que ele precisava de mim. Por um breve instante, achei que tinha escapado. Consegui um trabalho simples, uma vida anónima numa nova cidade. Mas a paz foi brutalmente quebrada. O meu meio-irmão apareceu, depois a minha madrasta, e então Pedro. Ele não pediu, ele ameaçou. E, numa noite de terror, ele invadiu o meu quarto de hotel e arrastou-me de volta à força. Fui lançada de novo para a minha prisão, com a porta trancada por fora. Como puderam eles fazer isto? Como puderam exigir tanto, depois de me terem roubado tudo? Quando o meu pai moribundo me pediu perdão, as suas palavras não foram as últimas que ele diria. As minhas seriam. Eu não o perdoaria. Enquanto todos choravam a sua morte, eu tinha um segredo guardado. Uma gravação. Não só da sua confissão, mas também das ameaças do meu marido. Preparei-me para a batalha final. E desta vez, não haveria regresso.

Introdução

O telefone tocou, quebrando o silêncio que eu tinha finalmente encontrado.

Pensei que a minha fuga daquela gaiola dourada, o meu casamento arranjado, me tinha concedido a liberdade.

Mas era Pedro, o meu marido, exigindo que eu voltasse para casa.

A minha família, os mesmos que me venderam, começaram a implorar, a manipular.

Diziam que o meu pai, o homem que me sacrificou por dinheiro, estava a morrer.

Que ele precisava de mim.

Por um breve instante, achei que tinha escapado.

Consegui um trabalho simples, uma vida anónima numa nova cidade.

Mas a paz foi brutalmente quebrada.

O meu meio-irmão apareceu, depois a minha madrasta, e então Pedro.

Ele não pediu, ele ameaçou.

E, numa noite de terror, ele invadiu o meu quarto de hotel e arrastou-me de volta à força.

Fui lançada de novo para a minha prisão, com a porta trancada por fora.

Como puderam eles fazer isto?

Como puderam exigir tanto, depois de me terem roubado tudo?

Quando o meu pai moribundo me pediu perdão, as suas palavras não foram as últimas que ele diria.

As minhas seriam.

Eu não o perdoaria.

Enquanto todos choravam a sua morte, eu tinha um segredo guardado.

Uma gravação.

Não só da sua confissão, mas também das ameaças do meu marido.

Preparei-me para a batalha final.

E desta vez, não haveria regresso.

Capítulo 1

O telefone tocou, quebrando o silêncio da noite. Eu atendi.

"Clara?"

Era o meu marido, Pedro. A sua voz estava baixa e rouca, como se estivesse a conter alguma emoção forte.

"Sim, sou eu."

"Onde é que estás? Porque é que não estás em casa?"

Olhei para as paredes brancas do quarto de hotel. Cheirava a desinfetante e a solidão.

"Estou fora. Preciso de um tempo."

"Um tempo? O que é que isso quer dizer? O teu pai está doente, ele precisa de ti. Ele não para de perguntar por ti."

O meu pai. O homem que me vendeu.

"Diz-lhe que estou morta," respondi, com a voz vazia de qualquer sentimento.

"Clara! Que raio estás a dizer? Ele é teu pai! Ele está a morrer!"

A sua voz subiu, cheia de raiva e incredulidade.

"Ele deixou de ser meu pai no dia em que me forçou a casar contigo para salvar a empresa dele."

Houve um silêncio do outro lado. Um silêncio pesado, carregado.

"Volta para casa, Clara. Vamos conversar sobre isto."

"Não há nada para conversar, Pedro. Eu quero o divórcio."

Desliguei antes que ele pudesse responder.

Bloqueei o número dele. Depois o da minha madrasta, Sofia. E o do meu meio-irmão, Tiago.

Finalmente, respirei fundo.

O casamento foi um negócio. Eu era o preço. O meu pai, Artur, estava à beira da falência. Pedro, o herdeiro de uma família rica, ofereceu-se para o salvar. A condição era simples: eu.

Casei com ele. A empresa do meu pai foi salva. Ele, a sua nova mulher Sofia e o filho dela, Tiago, continuaram a sua vida de luxo.

Eu fiquei presa.

Durante dois anos, vivi numa gaiola dourada. Pedro era um marido ausente, sempre a viajar, sempre ocupado. Eu era apenas um troféu que ele exibia em jantares de negócios.

O meu "pai" ligava-me todas as semanas. Não para saber de mim, mas para me lembrar do meu dever.

"Sê uma boa esposa, Clara. A nossa família depende disso."

A família deles. Eu não fazia parte dela.

Mas agora, o meu pai estava a morrer de cancro. Os médicos deram-lhe meses. De repente, eu tornei-me a sua filha querida outra vez.

Ele queria que eu implorasse a Pedro que usasse as suas ligações para conseguir um tratamento experimental no estrangeiro. Um tratamento que custava uma fortuna.

Eu recusei.

E pela primeira vez na minha vida, fugi.

Peguei no meu passaporte, em algum dinheiro que tinha guardado e saí daquela casa sem olhar para trás.

Não tinha para onde ir, por isso vim para este hotel barato numa cidade onde ninguém me conhecia.

A minha liberdade era estranha. Assustadora. Mas era minha.

Capítulo 2

No dia seguinte, encontrei um pequeno café perto do hotel. O cheiro a café fresco e pão quente era reconfortante.

Pedi um café e um pastel de nata, e sentei-me a uma mesa perto da janela.

Pela primeira vez em anos, senti-me normal. Ninguém me olhava como a "esposa de Pedro Bastos". Eu era apenas uma mulher a tomar o pequeno-almoço.

O meu telemóvel vibrou. Um número desconhecido. Ignorei.

Vibrou outra vez. E outra.

Finalmente, atendi, irritada.

"Estou?"

"Clara, sou eu, a Sofia."

A voz da minha madrasta era melosa, como sempre.

"O que é que queres?"

"Querida, o teu pai não está bem. Ele precisa de ti. Ele está a chamar por ti."

"Já disse ao Pedro. Eu não vou voltar."

"Não sejas assim, Clara. Ele ama-te. Nós todos te amamos. Estás a ser egoísta."

Egoísta. A palavra atingiu-me.

"Egoísta? Fui eu que fui vendida para que vocês pudessem manter os vossos carros de luxo e as vossas férias na Europa. E eu sou a egoísta?"

"Isso não é verdade! Foi um sacrifício pela família!"

"Não, Sofia. Foi um sacrifício da minha vida pela vossa família."

Desliguei o telefone.

As minhas mãos tremiam. O café parecia amargo agora.

Paguei a conta e saí. Precisava de andar.

As ruas estavam cheias de gente. Famílias a rir, casais de mãos dadas.

Senti uma pontada de inveja.

Será que algum dia eu teria aquilo? Uma vida simples, um amor verdadeiro?

Ou estava condenada a carregar o peso do meu passado para sempre?

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022