Magia...
Você já se perguntou como seria se você pudesse fazer algo flutuar ou até mesmo fazer fogos saírem pelas suas mãos? Ou melhor, se você pudesse curar alguém ou revelar o seu futuro, prever desastres, prever sonhos... Parece ser incrível, não é? Ter tudo bem nas palmas de suas mãos apenas usando a sua magia...
Mas não, não é assim que funciona, quem dera se fosse... Fazer magia tem um preço, e na maioria das vezes esse preço você só paga com a morte.
Eu venho de uma linhagem extensa de bruxas e por alguma razão eu consigo usar magias que eu não deveria. Usar magia causava uma sensação mista de intriga e força, mas a energia ao fazer ou conjurar um feitiço que você não sabe como está fazendo isso, te matava por dentro, cada vez que fazia isso, era como se estivesse acontecendo uma guerra dentro de mim... então eu não uso mais magia, pelo menos nāo como antes.
Meus pais morreram por isso, morreram por serem bruxos e usarem magia, mortos pelas mãos dos humanos quando eu ainda era só um bebê.
Vivo com a minha tia, Ofélia. Ela nunca me contou exatamente como eles morreram ou o que eles faziam no meio dos humanos. Eu sempre busquei por resposta mas eu nunca conseguia uma simples explicação... Era como se quem soubesse tentasse me poupar da verdade, então eu desisti de saber o verdadeiro motivo, pelo menos por agora.
Não podemos pisar ou nem nos aproximar num reino que antes era nosso. O Reino de Cloudencie. É tão irônico o reino ter o nome de uma das maiores bruxas que ja viveram, sendo que agora é conhecido como o reino que mais assassina bruxos no mundo.
Eu os odiava por isso.
Mas também, eu não me importava mais. Há uns anos atrás eu queria vingança, queria muito. Mas o que isso iria valer? Não traria meus pais de volta e eles não ficariam nem um pouco orgulhosos ao ver o que eu me tornei, eu tenho certeza que eles desejariam que eu tivesse um futuro melhor do que me tornar uma bruxa assassina.
Então eu apenas guardei essa ideia, não valia a pena sujar minhas mãos com o sangue humano.
Não agora...
- Imogen! - Os gritos de Ofélia tiram dos meus pensamentos me fazendo franzir o cenho. - Imogen! - Ela aparece em meu quarto rapidamente, me assustando. Tia Ofélia parecia com minha mãe, seus cabelos eram curtos e encaracolados. Ela era alta e seus olhos eram cinzas.
Reparo em um papel em suas mãos, parecia um convite.
- Aconteceu alguma coisa, Ofélia - Me coloco de pé. Ela sorria de forma sarcástica.
- " Senhoras e senhores do reino de Cloudencie, o rei acaba de anunciar o noivado do seu único filho e herdeiro do trono junto a princesa de Jurdanis. Assim fazendo com que o reino rival agora sejam aliados, e assim, em comemoração a aliança dos reinos e dos seus futuros herdeiros, haverá um baile sem tema escolhido e todos os súditos dos dois reinos estão convidados!" - Terminou, me encarando. Eu Franzi o cenho, confusa.
- E o que isso tem haver com a gente? - Minha tia revira os olhos.
- E em letras miúdas está escrito " Caso alguma bruxa tentar entrar no Palácio, serão queimadas em praça pública. Assinado, governantes de Cloudencie." - Pontuou, furiosa. Sinto o meu sangue ferver. Puxo os meus cabelos para trás, tentando acalmar o fogo que se acende dentro de mim, um fogo repleto de ódio.
Eles ainda tinham a ousadia de debochar da gente? Porque eles acham que nós iríamos perder tempo naquela merda de baile?
Eu pego o papel de sua mão e começo a ler novamente. Eles são uns idiotas!
- Como eles ousam debochar disso?. - Eu Murmuro. Ela me encarou, estranhamente.
- Eles irão se arrepender. - Sorriu, com um sorriso cruel que me fez arrepiar. Ela me deu as costas, pronta para sair do meu quarto. - Oh, Imogen! Reunião do coven às 12 da noite. Sem atrasos! - Terminou, desaparecendo do meu campo de visão.
Provavelmente todo o coven iria encarar isso como uma afronta, e os conhecendo eu saberia que isso iria causar um repercussão grande. O coven lida com ameaças e afrontas desde a muito tempo, até então desde que saímos do reino não recebemos mais ameaças ou afrontes, porque eles não sabiam onde nós nos escondíamos. Por essa razão decidimos não atacar se não fôssemos atacados.
Mas eles mexeram com forças perigosas ao debochar da nossa maior dor, que são nossas irmas bruxa que eles queimaram.
Meus pais, que eles também queimaram...
Fecho o meu livro de feitiços prendendo o meu cabelo logo em seguida e caminho para fora do meu quarto.
⚜
Observo Cloudencie de longe, dando um logo suspiro enquanto brincava com a máscara prateada de minha mãe. Ela me contava histórias que aconteceram enquanto ela usava essa máscara, inclusive, isso estava em seu rosto quando ela conheceu o meu pai. Por isso eu me sentia tão proxima deles quando eu a segurava, então comecei a andar com a máscara por toda parte.
Bem, prefiro contar essa historia depois.
Eu estava no topo de uma árvore observando o reino, eu sempre me sentava nessa árvore e me perguntava como seria se bruxas e humanos não tivessem essa rincha... Sem guerra, sem afrontas, sem caos... Eramos tão fortes, podiamos exterminá-los apenas com um simples feitiço, mas não queríamos fazer isso, isso nos faria o ser o que eles dizem que somos, montros... E nós não somos!
Eu perdoaria o que eles fizeram se ao menos nos pedissem desculpas e mostrassem arrependimento. No diário de minha mãe, ela escreve como é bom perdoar e ser perdoado, que essas são as maiores virtudes da nossa vida e que isso lava a nossa alma. Ela era incrivel...
Porque eles preferem o caos? Porque eles não opitam por se redimirem? Eu queria muito entender o que se passa na cabeca deles para preferirem semear essa discórdia, essa luta, esse odio!
Minha tia sempre me contou histórias tão crueis sobre o que eles faziam com gente da nossa espécie que eu cresci com ódio, raiva, irá... Todos esses más sentimentos, eu queria destruir eles, um por um. Acho que foi isso que abriu o poder proibido dentro de mim, era tanta mágoa tanta raiva em uma criança que eu tive que liberar esse odio.
Ao liberar tanta raiva, eu fui punida pela minha própria espécie, ou melhor... pela minha tia. Ofélia me prendia numa cela escura com meus braços amarrados com correntes enfeiticadas, eu ficava quatro dias seguidas sem comer, eu apenas me hidratava com um copo de àgua por dia. Ela dizia que isso me faria ser forte, que isso me faria ter raiva, mas não ao ponto de usar a magia que eu não conhecia.
São memorias tão ruins que eu gostaria de apagar da minha mente para sempre.
Olho para as estrelas que já apareciam no céu. Passei muito tempo nessa árvore, nem havia visto o tempo passar. Respiro fundo antes de descer para voltar para casa, teria a reunião do Coven meia noite em ponto, eu nao poderia me atrasar, Ofelia me mataria. Eu precisava me sentar ao seu lado como futura governante e ser como ela, cruel.
Eu sempre tive que fingir ser uma outra pessoa na frente dela.
Moravamos num parte distante e escura da floresta, nossas casas ficavam escondidas pela barreira mágica, era uma espécie de camuflagem. Apenas bruxas podiam passar, não era muito longe chegar a pé.
Eu sempre gostei de pensar muito e essa era uma das dádivas de caminhar um pouco longe, eu sempre tinha mais tempo para me afogar em pensamentos e...
Espera, o que foi isso?
Um barulho desvia a minha atenção, era como um gemido de dor. Franzi o cenho e procuro saber de onde havia saído aquilo.
Por favor, não seja uma armadilha!
Vejo um arbusto se mexer, eu rapidamente corro até lá assustada, mas em sinal de alerta...
Quando eu vejo um homem na minha frente, caído. Ele sangrava muito e iria morrer em questões de minutos! Me ajoelho rapidamente e abro a sua camisa vendo um grande e fundo corte feito por uma espada. Estava muito fundo, se eu fosse procurar por ervas, ele morreria.
Eu so podia fazer uma coisa para ajudá-lo..
"Por favor, não seja humano!" Sussurro para mim mesma enquanto pego um pouco de seu sangue com o meu dedo...
Não brilhava... merda ele era um humano!
Passo as mãos em minha cabeça, nervosa. Eu não sabia o que fazer! Se eu não usasse a mágia de cura ele iria morrer! Mas eu não posso usar magia em um humano, isso quebrar todas as regras e então seríamos nós que estariamos arrumando uma encrenca enorme... Mas eu não posso deixar ele morrer, o que isso me tornaria? Mesmo ele sendo humano, ele gemia de dor, eu não posso deixá-lo morrer assim.
Droga!
- O que eu vou fazer com você? - Eu estava tão nervosa que podia começar a chorar ali mesmo. Me sento ao seu lado e coloco a cabeça dele sobre o meu colo tentando pensar em algo, mas eu não tinha outra escolha.
Eu não posso deixar ele morrer!
Ele se mexe, gemendo. Olho para o seu rosto e vejo que ele não estava desacordado. Merda, ele não pode me ver!
Pego a máscara de minha mãe que estava em meu bolso e coloco no meu rosto rapidamente. Caso eu o curasse, ele saberia que eu sou uma bruxa e ele não pode de maneira alguma ter noção de como é o meu rosto, isso prejudicaria o coven e seria por minha culpa.
Ele era bonito, seus cabelos eram castanhos e ondulados, sua pele estava pálida por causa da grande quantidade de sangue que ele estava perdendo, seus lábios eram rosados, mas estavam secos e também ficavam cada vez mais pálidos. Ele era muito bonito.
Seus olhos se abrem, eu me assusto. Eles não se abriram por completo, mas ele agora estava me encarando. Seus olhos eram uma espécie de verde água, eram bem claros e...e encantadores.
Sua boca começa a sangrar no mesmo instante, merda! Faz alguma coisa, Imogen!
Meu medo era usar magia e não conseguir parar! Mas eu não me permito deixá-lo morrer assim, com dor e lentamente. Eles podem ser os monstros que mataram meus pais, mas eu não sou como eles.
Respiro fundo, e o olho novamente, que ainda continuava a me encarar.
- Vai ficar tudo bem, ok? - Sussurro. Rasgo um pedaço da minha roupa e limpo o sangue que saía de sua boca.
Coloco as minhas mãos no grande corte em seu abdômen, ele geme mais, sentindo a dor. - Olha pra mim - Tento o aliviar, mas eu não sabia se ele se sentia mesmo aliviado ao ver uma bruxa na sua frente e com a mão na sua ferida. - Vai ficar tudo bem, eu prometo - Repito. Posso estar louca, mas eu sinto o seu corpo ficar menos rígido depois que eu digo isso... Talvez ele esteja confiando em mim.
- Q-quem é v-o-ocê? - Ele gagueja, as palavras saem com dificuldade de sua boca.
- Shh, não faça esforço. - Sussurro. - Isso pode doer um pouco, mas você aguenta. - Respiro fundo antes de fazer a maior loucura e quebrar uma das maiores regras do clã. Usar magia sem a permissão dos líderes, na qual a maioral é minha tia. Fecho os olhos e volto a estender as mãos em seu grande corte - Curaivos arementrius stornes sucumbias - Seu corpo volta a ficar rígido, Mas sinto suas mãos segurando um dos meus braços, me deixando mais nervosa. Mas eu não paro - Curaivos arementrius stornes sucumbias, Curaivos arementrius stornes sucumbias...Curaivos arementrius stornes sucumbias... - Abro os olhos.
A sua ferida agora estava num clarão branco, que impedia de ver qualquer coisa. Ele estava suando frio, sei que estava doendo, mas ele vai ficar melhor.
- Você vai ficar melhor. - Murmuro, baixo. - Dorme... - Passo a mão em sua cabeça e fecho os seus olhos, o fazendo dormir no mesmo momento.
Eu poderia ficar com ele a noite toda para ajudá-lo, mas ele é humano, quando acordar irá querer me matar. Então eu apenas me levanto e o deixo lá, indo para casa.
Meu corpo estava coberto de sangue e minha roupa rasgada, se Ofélia me ver assim, ela irá me mat... Merda! A reunião!
Eu estava perdida.
Sentada na reunião do coven, minha tia junto aos bruxos anciãos dava a sua palestra ou seja lá o que ela esteja dizendo, eu não prestava atenção. Minha cabeça estava focado no homem de olhos verdes, ele era tão... agradável aos olhos, digamos assim. Nunca vi um humano como ele, na verdade eu nunca cheguei tão perto de um.
Eu achei que eles eram feios e assustadores, mas ele não era nada assustador.
Será que ele ainda está dormindo? Ou até mesmo, se lembra de mim? Merda, Imogen! Para de pensar nele, ele é um humano, iria te matar na primeira oportunidade!
Se Ofélia descobrisse o que eu fiz, ela me mataria. Já é proibido usar magia com com um humano, então para salvar o humano era ainda pior! Seria considerado até mesmo traição.
- IMOGEN! - O grito de Ofélia me faz ter a sua atenção, espantando os meus pensamentos. A atenção de todo o clã estava voltada para mim. Engulo um seco. - Você é a escolhida!
Escolhida? Escolhida em quê? Eu não prestei atenção em uma única palavra dela e se eu dissesse isso na frente do coven, ela me puniria da pior maneira possível. Então apenas me levanto e a reverêncio sem mesmo saber onde eu estava me metendo.
Volto a me sentar.
- Eles nunca mais irão zombar da gente! Podem ir, irmãos. Amanhã no mesmo horário vós espero aqui! - Terminou. - Que o caos estejam em vossas mãos! - Ao dizer isso ela sai, olhando para mim. Isso significa que eu deveria segui-la. Vou atrás dela, tentando manter a mesma postura. Minha tia era má, antes de meus pais morrerem, minha mãe era a líder. Éramos como um reino de bruxas, a líder deveria ser eu, mas como eu era apenas um bebê, não pude.
- Eu sei que você não ouviu nada do que eu disse. - Ela diz, me fazendo arregalar os olhos. Mas rapidamente volto a minha postura rígida. - Se você estivesse ouvindo você não concordaria. - Termina, me deixando mais confusa do que eu estava.
- Bem, já que a senhora sabe que eu não ouvi, eu fui escolhida para quê, exatamente? - Questiono. Ela sorri sarcasticamente e me dá as costas me ignorando.
Não volto a perguntar. Se ela quisesse responder, já teria respondido.
Ao chegar em casa eu me jogo em minha cama e novamente volto a me lembrar do humano ferido. Espero que agora ele esteja bem.
.
- Príncipe Aidan! - O grito histérico de Pauline fazem meus ouvidos zumbirem quando eu adentro o palácio, mancando. Merda, eu não queria essa recepção. - Oh céus! Porque você está sujo de sangue? Onde você estava? Vou chamar o médico real! - Ela se vira rapidamente, mas eu seguro o seu braço antes que ela fizesse essa loucura.
- Pauline, o sangue não é meu. Se acalme! - Eu minto. O que eu menos queria agora era o meu pai acompanhado de um maldito médico me enchendo de perguntas desnecessárias. Pauline arregala os olhos, assustada com a confissão. - Vou tomar um banho. Diga para os guardas não comentarem nada com o meu pai. E isso serve para você também! - Exclamo, e caminho diretamente para o meu quarto.
Eu não lembrava de quase nada. Apenas me lembro do dia longo e tedioso. Eu estava farto de ouvir todos comentando sobre o maldito casamento, no qual eu aceitei por livre e espontânea pressão! A princesa de Jurdanis, Catarina, ela era esplêndida. Mas eu não queria me casar, pelo menos não com ela!
Eu não quero passar a vida toda com uma pessoa que eu mal conheço apenas para que o nosso reino tenha uma trégua! Eu estaria vendendo a minha dignidade mesmo esse sendo o meu dever como o futuro rei de Cloudencie.
Se é que eu quero realmente essa merda de coroa...
Prometi a minha avó antes da mesma morrer que teria a responsabilidade de um rei, mas não é isso que eu realmente quero. Tudo a minha volta tem que ser escolhido por alguém, até mesmo minha futura rainha!
Eu me sentia preso! Passei o dia todo enchendo a cara de bebidas até chegar ao ponto de não conseguir andar, mas os sentimentos de ódio e raiva me dominavam e quando eu percebi, uma espada estava atravessada em meu abdômen, na esperança que isso acabasse logo de uma vez por todas!
Eu preferia morrer do que passar a vida preso e sem escolha. Me desculpe, vó! Não cumprirei a promessa.
Arranco a espada do meu corpo e me ajoelhei sentindo a dor. Eu não me importava, havia feito a escolha certa. Pelo menos uma escolha que teria partido de mim!
Eu me sentia fraco, com dor, eu mal tinha voz e minha visão estava falhando. Mas então, um anjo apareceu. Um anjo de máscara prateada. Eu não sabia se aquilo tinha sido realmente uma alucinação ou eu estava entrando no céu quando eu a vi. Mas ela com certeza era o anjo mais bonito.
Eu apenas me lembro dos seus olhos castanhos, do seu cabelo escuro, e de sua máscara. Ela me salvou. Eu não sabia se agradecia ou não, mas eu esperava acordar e sentir o anjo ao meu lado.
Mas não aconteceu, ela não estava lá.
Eu havia bebido de mais e tive uma alucinação, essa era a única resposta cabível no momento.
Espanto os meus pensamentos e vou em direção a banheira. Eu não estava totalmente sóbrio, mas precisava para saber o que aconteceu e encarar o que me espera amanhã.
Tiro a minha roupa, indo tomar o banho. Mas me assusto ao ver uma enorme cicatriz em meu abdômen, exatamente no mesmo lugar que eu havia enterrado a espada a horas atrás..
Então ela não era apenas um anjo ou fonte da minha imaginação, ela era real.
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- Pode me dizer o que eu tenho que fazer, Ofélia? - Tento pela última vez saber onde eu me meti. E pela primeira vez consigo a atenção dela.
- Você apenas aceitou ser uma "espiã" no castelo do rei para ver se ele está tramando algo contra nós... Ah, e envenena-lo após o casamento. - Respondeu, calmamente.
Espera... O que!?
Meu coração se acelera e meu sangue começou a queimar. Ela estava maluca? Eu não iria de maneira alguma entrar naquele castelo e muito menos matar alguém! Claro, matar o rei seria muito bom se eu não tivesse feito uma promessa a mim mesma que não me tornaria uma assassina!
Eu esperei isso por anos, por vingança. Mas então comecei a ler o livro da minha mãe que dizia exatamente o contrário. Eu sentia os sentimentos dela e por essa razão se eu matasse o rei por vingança, ela se decepcionaria comigo e isso eu não posso permitir.
Quero que eles tenham orgulho de mim!
- Eu não posso assassinar o rei, tia Ofélia! - Exclamo. Eu esperava o pior após a desobedecer, ela era agressiva. Mas a mesma apenas se vira para mim, me encarando e parando de ler o livro.
- Claro que você pode, querida. - Respondeu calmamente. - Aliás, você deve! Fez um promessa em frente a todo o coven, você se curvou a essa promessa, se lembra? - Sorriu, diabólica. Arregalo os olhos. Ela era uma cobra, ela sabia que eu não estava ouvindo um palavra sequer e por essa razão ela propos que eu fizesse esse absurdo...
Merda, o que eu fiz!?
Eu me ajoelhei a promessa... como eu sou idiota! A promessa em frente ao clã é extremamente perigosa, mas quando você se curva para essa promessa, você está vinculado com ela para sempre. Se eu não fizer o que eu prometi, eu posso ser morta por mim mesma ou cair em tentação, que seria virar uma bruxa das trevas.
Merda!
Eu estava paralisada, eu não podia acreditar na estupidez que eu havia feito. Eu me ajoelhei porque ela sempre me disse para me curvar quando ela me pede alguma coisa, porque estaria mostrando para o coven a obediência e a fidelidade que eu daria ao clã quando eu fosse a líder!
Eu não consigo dizer mais nada, apenas me viro e volto para o meu quanto, em choque.
Não consegui dormir essa noite.
Minha cabeça estava na loucura em que eu me submeti! Eu estava perdida, eu teria que assassinar uma pessoa mesmo sendo um humano! Eu salvei um deles, então porque eu mataria outro!?
Havia uma parte de mim que queria a vingança pela morte de meus pais, mas essa parte eu guardei e tranquei com sete chaves porque ela era cruel. Eu não quero de maneira alguma ser como a minha tia, que é totalmente uma narcisista sem escrúpulos.
Eu confiava nela, ela foi quem me criou desde que eu tinha três meses de vida. Eu não entendia o porquê dela está fazendo isso comigo. Era algum castigo? Eu pequei com ela?
Bem... Eu pequei, mas ela não sabe disso, eu espero.
Dou um longo suspiro e seguro a máscara prateada de minha mãe, a acariciando. Era incrível a sensação que isso fazia sobre mim, eu podia até mesmo imaginar o seu cheiro.
Pode ser difícil de acreditar, mas eu via a minha mãe em Ofélia quando eu era criança mesmo ela me prendendo num calabouço e me deixando sem comer por dias, dizendo que aquilo era para o meu bem. Todo aquele sofrimento fez com que a garota revoltada e poderosa reprimisse os poderes e se tornasse uma garotinha assustada. Mas eu a perdoei por essa dor que eu guardo, eu acreditei que ela fez isso porque me amava...
Agora, consigo ver que ela ama apenas a si mesmo e a sua liderança!
Eu suspiro fundo.
Eu estava de frente a um espelho terminando de me arrumar. Eu me ajoelhei a promessa sem saber onde havia me metido, e agora teria que me mergulhar no leite da cabra, literalmente. Era como uma cerimônia que acontecia quando uma pessoa faz uma promessa importante como a que eu fiz.
Eu fui tão idiota, droga! Ofélia sempre me disse para reverenciar a cada pergunta que ela fizesse quando se virasse para mim, para que o clã visse que eu seria uma boa líder no futuro.
Eu nem sei se quero mesmo ser essa líder.
Agora, eu estou prestes a virar uma mentirosa, espiã e assassina! Tudo o que minha mãe nunca sonhou para mim... Estou quebrando os valores dela.
Respiro fundo, e termino de arrumar o meu cabelo. Peguei o vestido largo e branco que batia um pouco acima dos meus pés. Já estava na hora... Sinto quando eu ouço barulhos de sinos.
Fecho os punhos e peço pela bênção de meus pais antes de caminhar para fora daquela sala.
Do lado de fora, haviam bruxos por todas as partes. Assim que notam a minha presença, as atenções estavam sobre mim.
Olho para o grande buraco que agora estava repleto de um líquido branco. Era o leite de cabra. Era lá que eu deveria mergulhar.
Engulo um seco. Todos esperavam uma reação de minha parte, mas eu não podia esbanjar outra reação a não ser medo!
Olho por toda parte buscando alguma saída. Se eu pudesse fugir, eu fugiria agora mesmo. Mas não adiantaria de nada, se eu não cumprisse o que eu prometi seria morta ou dominada pelas trevas por ser uma bruxa sem palavra.
Aconteceria o mesmo se eu usasse magia negra.
Vamos, Imogen. Você se meteu nisso quando se reverenciou ao pedido de sua tia!
Sussurro em meus pensamentos.
Falando em Ofélia, ela estava sentada na primeira fileira me encarando. Ela não parecia feliz, na verdade, nem um pouco. Talvez seja por causa da minha demora ao entrar dentro dessa coisa.
Ok, vamos!
Respiro fundo novamente e fecho os punhos caminhando vagarosamente até o "leite de cabra"
Assim que coloco o meu pé dentro do líquido, todos eles se levantam, aguardando que eu entre totalmente.
Que pesadelo horrível.
Eu travo no mesmo lugar.
Meus pais ficariam decpcionados se eu fizesse isso. No diário de minha mãe, ela diz o quanto achava essa passagem desnecessária, apenas para prender uma pessoa ao clã para sempre contra a vontade...
Não era isso que eu queria para mim... e nem eles...
Olho para todos que estavam confusos por eu ainda não ter entrado totalmente. Mas quem estava furioso era minha tia, que agora me encarava com fogo nos olhos.
Engulo um seco.
Eu já estava presa a uma maldição, não preciso me comprometer ainda mais a isso entrando nessa coisa estranha!
Quando eu vejo, já estava correndo para o lado oposto de todos eles, fazendo um grito de surpresa sair pela boca de todos.
Fiz a escolha certa, uma escolha que partiu de mim e não por Ofélia.
Mas eu estava perdida, ela iria me matar por esse constrangimento ou iria me prender no seu "cantinho da tortura"
Entro no meu quarto as pressas e tento pegar o máximo de roupas possíveis para dar o fora daqui de uma vez por todas. Eu não demorei muito, eu não tinha muita coisa.
Quando me viro para sair, dou de cara com Ofélia que estava me observando na porta. Seu olhar estava distante. Eu sabia que ela estava repleta de ódio.
- O QUÊ VOCÊ FEZ!? - Começa a gritar, me fazendo soltar a minha caixa com roupas. - Você vai voltar lá e pedir desculpas a todos por tanto constrangimento e então vai completar aquele ritual! - Ela parecia tentar ficar calma, mas eu sabia que ela não estava. Ela dizia tudo apontando o seu dedo para mim. Então me lança um olhar mortífero antes de se preparar para sair.
- Não! - Meu corpo age em automático. A vejo voltar lentamente e se virar para mim, perplexa.
- Como é? - Respiro fundo e tento juntar toda a coragem que me restava.
- Eu sou uma mulher e bruxa já crescida e posso começar a tomar minhas próprias decisões. Então, tia Ofélia, eu não vou fazer aquele ritual! - Minha voz não falha quando eu digo isso a ela. Isso me faz me sentir orgulhosa de mim mesma.
Ofélia me encarava, seu olhar mudou totalmente. Seus olhos quase sangravam de tanto ódio. E de uma vez, ela segura o meu braço fortemente.
- Quer agir como a idiota da sua mãe, garota estúpida? - Ela me enforca, batendo minhas costas na parede com força. - Se você quer ser como ela, se prepara para estar no mesmo lugar que ela - Solta o meu pescoço, me fazendo tentar puxar todo o ar, tentando voltar a respirar.
- N-não f-fala assim dela! - Consigo dizer, tentando manter minha respiração calma.
- Pensei que estava te tornando poderosa como eu, mas você é fraca como ela - Diz, se aproximando.
- Minha mãe sempre foi mais poderosa do que você, de espírito e de força! Tanto que você é apenas a líder disso daqui por ela está morta! - Eu grito, gesticulando com os dedos - Sua inveja por ela é porque ela sempre foi a primeira opção, enquanto você sempre foi a última - Cuspo as palavras. Se ela queria ver o que ela criou, ela irá.
De uma só vez ela avança em mim, tentando me enforcar novamente. Mas eu não deixo e a empurro fazendo suas costas se baterem com força na parede.
- Sua idiota! - Gritou, pulando em cima de mim - Você é apenas o que eu te criei, sua tola! Você não pode medir força comigo porque tudo que você sabe, foi eu que te ensinei - Gargalhou, puxando o meu cabelo e me fazendo a encarar nos olhos.
Cuspo em seu rosto a fazendo gritar.
Eu sorrio com satisfação, mas então quando ela me olha, podia ver seu ódio triplicar.
Eu apenas sinto uma adaga sendo empurrada em minha cintura, foi tão rápido que não consigo dirigir o que havia acontecido. Empurro Ofélia para longe e encaro o punhal preso em mim. Era um punhal de prata pura... Isso era o ponto fraco das bruxas.
A última coisa que eu vejo é o seu sorriso maléfico.
⚜
Acordo sentindo uma dor gigantesca por todo o meu corpo. Abro os olhos e a primeira coisa que eu vejo são ratos, que fogem assim que eu me mexo.
Gemo com a dor e tento me colocar de pé, mas era impossível. Olho para o chão vendo a quantidade de sangue que eu estava perdendo. Se continuasse assim eu morreria em algumas horas.
Eu estava no covil de Ofélia, o famoso canto da tortura ou calabouço. Mas dessa vez eu não estava amarrada, eu apenas estava trancada e com uma hemorragia que me mataria em questões de horas, pois havia sido feita por uma adaga de prata.
Eu preciso sair daqui.
O feitiço da cura não iria dar certo, eu estava fraca de mais para conseguir fazer algum feitiço.
Junto todas as minhas forças e tento me colocar de pé, caminhando até a porta da cela que provavelmente estava trancada. E eu estava certa. Merda!
Olho para todos os lados em busca de algo para me ajudar a sair daqui, mas eu não vejo nada, estava apenas eu e os ratos nessa maldita cela. Merda, mil vezes merda!
Minha única esperança era a magia, mas eu estava muito fraca então provavelmente não teria resultado nenhum. Eu não posso morrer nessa cela, não posso morrer hoje...
Estendo minhas mãos para o portão trancando e murmuro as seguintes palavras - Azara trofogos imani imendias - Repito com dificuldade por mais 2 vezes, mas uma dor insuportável me joga para trás. Eu queria gritar de dor, mas eu estava tão fraca que não conseguiria.
Me deito no chão esperando a morte chegar. Minha visão começa a se apagar lentamente, mas eu pude ouvir passos se aproximando de mim.
Antes que eu consiga ver quem era, eu apago.