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A Hacker e o Criminoso

A Hacker e o Criminoso

Autor:: Elle Magom
Gênero: Romance
🔞🔞Romance Dark 🔞🔞 Esse livro possui diversas cenas de violência, torturas, abuso sexual, personagens de carater duvidoso e ações não convencionais, problemas mentais e gatilhos, não é recomendado para pessoas sensíveis, se você está frágil leia outro tipo de livro, preserve sua saúde mental e se apenas não gosta desse tipo de conteúdo, não leia, esse livro não é para você! Os abusos não são romantizados, eles existem, mas ao seu tempo terão as devidas retaliações, porém a maior parte das ações e decisões dos personagens não são saudáveis e muito menos indicadas. Lembre-se: Violência contra mulher é crime! Denuncie!!! Dito isso. Boa Leitura! Sinopse: Anastácia Ortiz é uma hacker extremamente inteligente, que possui informações privilegiadas e roubadas em seu servidor sobre quase todos os chefões do crime no Brasil, o que lhe dá mais poder do que ela tem coragem de usar, além de hacker ela é uma grande ladra, sobrevive roubando de pessoas perigosas, viciada em adrenalina e a sensação que o roubo lhe trás, planeja um roubo ousado, só que dessa devido a problemas que afetam sua família, ela comete uma sequência de erros que a levam a ser capturada. Martin Dolabella é um criminoso dos piores tipos, sanguinário, violento e sem o mínimo de escrúpulos, após sua equipe identificar um roubo gigantesco em sua conta ele surta e fica louco a caça do desgraçado que ousou invadir suas contas, ele encontra Anastácia, que de longe é o que ele esperava, planejava torturar o ladrão até a morte, mas ao olhar para sua prisioneira seus planos mudam completamente. Porém com o tempo ele vai descobrindo que Anastácia não é a moça indefesa que ele acreditava, e isso muda todos os seus planos. P.S: Essa não é uma história de amor!

Capítulo 1 Avisos e Gatilhos

Esse livro é um livro para adultos, e para adultos com a mente no lugar, pois de nenhuma forma eu recomendo que qualquer ação tomada por alguns personagens sejam recriadas de algum modo na vida real, esse livro é uma ficção, é apenas para lazer, para distração, para passar o tempo, para passarmos raiva e nos encantarmos com alguns personagens, odiar outros, mas a partir do momento que a leitura acaba, todas essas emoções devem ficar aqui dentro, apenas aqui dentro é o lugar delas.

Esse livro é totalmente ficcional, e as instituições mencionadas são tiradas da minha cabeça, é um livro onde os protagonistas são envolvidos em um mundo de crimes, logo, assim como na realidade, não são pessoas com escrúpulos e não tem uma bússola moral, logo, não se assustem com ações violentas, pois na vida real, infelizmente é dai para pior, então não se assustem com ações maldosas ou cruéis, pois essa é a realidade dos personagens, e isso vai acontecer, é um romance dark, ele foge completamente do que é aceitável socialmente, e é assim que a estória vai andar até o seu fim, se você está aqui, é isso que encontrará.

O livro conta com cenas gráficas de violência física e verbal, torturas físicas e psicológicas, cenas de estupro, sexo com consentimento duvidoso, mentiras e trapaças, além de cenas gráficas de sexo consensual, dentre outras coisas que englobam todo esse gênero, também teremos algumas cenas doces e cenas amáveis, mas temos aqui o lado negativo do amor, que resume em obsessão, posse, controle e persuasão, não escrevo essas cenas romantizando amores doentios, eles são doentios, eles existem, mas deixo claro o tempo todo que eles são doentios, logo, peço que jamais aceitem qualquer relacionamento que seja minimamente parecido com o do casal principal, é doentio, e sempre vai ser.

A vida real não é um livro! Na vida real você morre de verdade, na vida real, babacas, são babacas, e sempre serão babacas, fuja de pessoas assim, não dêem segundas chances!

Se depois de ter tudo isso, ainda deseja continuar, então delicie-se, o livro todo tem picos de emoções, sempre acontece algo perigoso e algo fora do convencional, porém garanto que é eletrizante, emocionante, e tem vários acontecimentos que eu diria serem bem interessantes e diferentes...

Estou supervalorizando o produto? Talvez, mas recebi algumas criticas que me disseram o mesmo, então, escolho acreditar nisso, visto que não fui a única a pensar assim, mas caso ache clichê, tudo bem, clichês também são maravilhosos se bem escritos, então, apenas divirta-se.

Como uma leitora voraz, principalmente de darks, resolvi escrever o meu, e tenho planejamentos para um spin-off desse livro, talvez um segundo livro como continuação, ainda estou vendo sobre e mais um ou dois livros no futuro do gênero, já tenho alguns rascunhos, mas não tem nada certo ainda, criei esse enredo de acordo com a ideia do que eu gostaria de ver em um romance do gênero, e dessa vontade, esse livro surgiu, eu realmente não sei como você verá tudo até o final, mas espero que eu consiga te surpreender, temos muitos acontecimentos nesse livro, e muitas emoções.

Ao final do livro abrirei um capítulo de notas para explicar quais foram as ideias que tive, o processo criativo, além de abrir os comentários para responder qualquer dúvida inerente ao livro e a estória, como um mini fórum, para conversarmos sobre ele, não faço agora para evitar spoilers, mas tenho a intenção de fazer isso ao final, então, não desistam, vamos até o fim disso.

Não se esqueçam de votar sempre, isso engaja muito a estória, se você gosta dela, vote para que chegue a mais pessoas e a estória fique mais conhecida, comente sempre, eu amo receber os comentários, e respondo sempre, então não fiquem acanhados, compartilhem se puderem para me ajudar a obter mais leitores e adicionem na biblioteca para saberem de cada atualização de capítulos, sigam meu perfil também, ele é novo, mas acredito que tem de tudo para crescer, então conto com vocês!

No mais, se você tem a mente insana como a minha, se jogue!

Venha comigo nessa loucura!

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Contém os seguintes gatilhos:

° Casamento forçado;

° Violência física e violência contra a mulher;

° Assassinatos e torturas;

° Sexo Explícito consentido e com consentimento duvidoso;

° Coação e ameaças;

° Muitos palavrões e palavras de baixo calão;

° Abuso sexual e estupro;

° Pedofilia;

° Transtornos mentais;

° Violência e tortura Psicológica.

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***SE MESMO COM TODOS ESSES GATILHOS VOCÊ AINDA DECIDIR CONTINUAR! A RESPONSABILIDADE É SUA!

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SOBRE PLÁGIO:

*LIVRO DEVIDAMENTE REGISTRADO, CASO TENHA VONTADE DE USAR ALGO SEMELHANTE AO QUE FOR ESCRITO, PEÇA AUTORIZAÇÃO, NÃO VAMOS TER DORES DE CABEÇA COM PLÁGIO, INSPIRAÇÃO DE UM AUTOR QUE ESTÁ VIVO DEVE SER SOLICITADA E REFERENCIADA, RESPEITO AO TRABALHO DOS OUTROS É ESSENCIAL PARA UM BOM RELACIONAMENTO NA PLATAFORMA.

** SE HOUVER PLÁGIO EU DENUNCIAREI E TOMAREI MEDIDAS CABÍVEIS, SOU UM AMOR DE PESSOA E RESOLVO TUDO NA CONVERSA, ENTÃO NÃO ME DESRESPEITE, NÃO FAÇA COMIGO O QUE VOCÊ NÃO GOSTARIA QUE FIZESSEM COM VOCÊ!

Capítulo 2 O Erro de Anastácia

Anastácia Ortiz

Definitivamente Saulo estava certo, eu realmente merecia tirar férias, ele ficaria completamente surpreso se eu contasse para ele que fiz uma viagem, com toda certeza iria perguntar quem eu era e o que eu tinha feito com a irmãzinha dele. O danado não valia nada, mas mesmo assim eu o amava absurdamente, ele fazia muita falta para mim, mas finalmente resolvi escutar algum conselho seu, e olha que ele tinha muitos, em suma, inúteis e irresponsáveis, mas finalmente depois de anos me vejo fazendo algo que ele sempre quis que eu fizesse, ele realmente estava certo, a viagem fez maravilhas para a minha mente.

Abri a porta de casa me sentindo feliz, como eu não me sentia há muito tempo, ponderei brevemente sobre fazer isso com mais frequência, agora que minha vida estava prestes a mudar, considerando que há essa altura eu já estava milionária, era só uma questão de pouco tempo, talvez um, ou dois anos de trabalho e eu conseguiria viajar com frequência e como dizia meu amado Saulo, aproveitar a vida como um ser humano normal.

Porém ao olhar para a sala da minha casa, ainda com um pé para fora algo me parecia terrivelmente errado, como se tivessem bagunçado tudo e depois arrumado, estava limpo demais para um apartamento desabitado por dias, organizado demais a contraponto da minha própria organização, meus livros não estavam na ordem costumeira, o tapete estava levemente desalinhado, as cortinas estavam completamente fechadas, sendo que eu sempre deixo uma brecha para entrar pouca luz solar, com uma breve olhada, haviam muitas coisas diferentes ali, passariam despercebidas a um olhar destreinado, mas eu consigo perceber mudanças sutis com uma facilidade absurda.

Sou uma pessoa extremamente sistemática, completamente metódica, prezo por ordem em tudo que toco, tenho tantos toques quantos alguém possa ter com meu modo peculiar de organizar as minhas coisas, seria impossível alguém conseguir arrumar minha casa do jeito que eu faço, bastava um lápis fora do lugar para que eu soubesse que tinham mexido nas minhas coisas, e baseado na sala que eu observava atentamente agora, era claro como água que tinham mexido em muitas coisas por ali.

Merda!

Eu fui pega, tinha absoluta certeza disso, alguém invadiu minha casa, mas que merda, provavelmente havia alguém escondido por ali, meu coração acelerou, eu precisava ir embora, todo meu equipamento estava no quarto, não seria inteligente ir buscá-lo, provavelmente já tinha alguém me esperando por lá, na verdade era bem possível que nem houvesse mais equipamento a resgatar, o melhor a fazer, mesmo sendo arriscado, e me dando o maior prejuízo que eu já tive em toda minha vida, seria virar as costas e correr dali imediatamente, mesmo sabendo que existia uma chance gigantesca de alguém também estar me esperando do lado de fora.

Odeio ações sem planejamento, para qualquer tipo de coisa, se tem algo que eu sempre me ferro é quando preciso improvisar, eu não sou a garota dos improvisos, sou a garota que calcula cada passo, eu planejo, analiso, estudo todas as possibilidades e então só aí quando tenho todas as possibilidades claras em minha mente que eu ajo, mas dessa vez não tive escolha, tentar fugir me parecia a melhor opção, e foi o que fiz, meus instintos gritaram dentro de mim, quando vi a sala, o cuidado com que as coisas estavam ali me fizeram perceber facilmente que aquele trabalho era de um profissional, o que deixava claro a armadilha, e o fato de eu estar completamente fodida se fosse capturada.

Foi apenas um passo, nem tinha virado o corpo completamente, já pude senti um cano frio encostando-se à minha cabeça, nem foi preciso falar, eu já sabia, não era a polícia, era alguém pior, alguma das minhas vítimas conseguiu me rastrear, nem tentei correr, gosto de adrenalina, mas não sou louca o suficiente para correr naquela situação e ter minha cabeça belamente explodida na porta de casa. Respirei fundo, minhas mãos levantaram-se lentamente até que pude ouvir uma voz masculina suave atrás de mim.

- Peguei você nanico!

Meu sangue gelou na mesma hora, passei os olhos para toda a parte da casa que minha visão podia alcançar sem que fosse necessário mexer a cabeça, a fim de tentar encontrar qualquer rota de fuga que fosse possível, porém nenhuma das minhas fechaduras estavam ligadas, devem ter cortado a luz já há algum tempo, pois se não as baterias reservas dariam conta de mantê-las funcionando, eu era uma ladra não uma lutadora, não tinha nenhuma merda uma arma que pudesse usar para uma possível luta, mas que merda, eu nem sei lutar. Odeio ter que improvisar.

Merda! Merda! Merda!

- Entre quietinho, sem fazer estardalhaço, se não eu estouro seus miolos antes que consiga falar uma única palavra.

A voz que vinha aos meus ouvidos era calma e mortal, tive que controlar a minha respiração antes que notassem meu leve desespero, não que já não tivessem percebido, é óbvio, uma arma na cabeça de alguém deixaria qualquer ser humano minimamente nervoso, mas eu sabia que não poderia demonstrar fraqueza ou desobedecer enquanto estava naquela posição. Resignada, entrei até que me mandassem parar, fui direcionada até meu quarto e lá vi o que verdadeiramente abalou todas as minhas estruturas.

Todo meu equipamento, meu servidor, computadores, tudo, não passava de sucata, foi difícil engolir depois daquela visão, todo meu trabalho, tudo que eu mais amava na minha vida miserável estava ali, naquelas máquinas, absolutamente tudo, meus servidores possuíam informações que poderiam derrubar qualquer governo que chegasse ao poder pelos próximos 30 anos, além de diversas provas de crimes federais e estaduais, vídeos, fotos, áudios, conversas de whatsapp, relatórios, listas de nomes...

Tinha tanta coisa valiosa ali, mas tanta, oficialmente era a maior riqueza que eu possuía, o trabalho da minha vida, não que eu gostasse de extorquir pessoas, ok, talvez um pouco, mas era bom saber que eu tinha o poder sobre tanta gente importante, e bastava uma única ameaça minha para fazê-los me obedecer, e todo esse poder foi jogado pelo ralo. Eu apelidava meu servidor de Pandora, já deve ficar claro o motivo disso, Pandora possuía tanta informação que se eu ousasse abrir e jogar toda aquela merda no ventilador, das duas uma, ou eu ficaria rica ao ponto de sustentar facilmente minhas próximas dez gerações ou eu seria morta em minutos.

Eu me senti igual meus equipamentos se encontravam, quebrada, destruída, havia acabado tudo, simplesmente tudo, minha riqueza, não que eu realmente fosse usar algum dia, mas eu poderia usar, pensei seriamente em me virar e o mandar acabar logo com tudo aquilo, costumo ser ótima em controlar minhas emoções, Saulo dizia que eu conseguia mentir até para um polígrafo se quisesse, mas diante disso tudo minha frustração foi tão grande e tão visível que eu escutei novamente a voz daquele imbecil que teimava em manter a porra da arma na minha cabeça.

- Gostou? Isso é para você aprender o que acontece com quem rouba do Martin! Se você tivesse sido menos ambicioso talvez vocês pudessem entrar em um acordo, mas depois do rombo que você deixou nas contas dele, acredite, ele vai querer cortar cada pedaço seu para se vingar. – Sua voz era fria e cortante, me mantive calada, precisava pensar, tinha que ter uma saída. - Vira!

Puta que pariu! Não! Não! Não! Tô fodida!

Ouvi a ordem e senti meu corpo amolecer no mesmo instante. – Vira bem devagar, e sem tentar nenhuma gracinha. – Continuei imóvel, se vissem meu rosto a minha situação ficaria muito pior, sobrevivi por quinze benditos anos na vida do crime sem que ninguém conhecesse minha identidade, ser pega assim iria me expor para todos, ser mulher nesse meio é um perigo incontestável a nossa dignidade, mulheres não morrem quando são pegas, elas são usadas até que não aguentem mais e tirem as próprias vidas, ainda mais tendo o meu lindo, mas perigoso histórico, assim que me vissem eu estaria completamente enrascada, minha fama me precedia, bastava descobrirem quem eu era para quererem a minha cabeça numa bandeja, com muita sorte seria apenas a minha cabeça que iriam querer.

- ESTÁ SURDO PORRA? EU MANDEI VIRAR – Não tive tempo, o tal do bandidinho de merda puxou meu braço e me virou com força, no susto acabei caindo no chão, mantive a cabeça baixa, o capuz escondendo quase todo o meu rosto. - LEVANTA O CAPUZ VAGABUNDO! – O escuto gritar novamente e ouço o clique na arma sendo engatilhada – Não vou mandar de novo! – Sua voz voltou a ser suave, e isso me fez ter certeza que eu estava perdida, talvez fosse melhor deixa-lo atirar, pelo menos isso acabaria ali, sem tantos danos, seria tão mais simples.

É foda o que a esperança e a possibilidade de viver faz conosco, mesmo sabendo que o melhor era morrer ali mesmo por algum motivo não consegui desobedecer a sua ordem, e extremamente contrariada, puxei meu capuz lentamente para trás, fazendo com que meu rosto fosse ficando gradualmente a mostra, pensando em como eu tinha me metido naquela confusão, eu nunca tinha sido pega, não era possível, e ainda mais sem saber o que aconteceu para isso, eu nem teria como tentar consertar, que puta desgraça, excelente hora para escolher escutar os conselhos de Saulo, pensei revoltada, logo no momento que eu realizei o maior roubo da minha vida. Que puto azar foi esse.

Olhei para o bandido que segurava a arma apontada para mim, haviam mais uns sete homens atrás dele, vieram mesmo preparados para uma emboscada, provavelmente esperavam uma equipe imensa de ladrões virtuais, qual não devia ser a decepção deles ao ver que era só a idiota aqui, era impossível lutar contra eles sozinha, seria estupidez, suicídio tentar qualquer coisa agora, por algum motivo eu acabei por chamar atenção demais para mim, deixei o capuz cair nas costas, a surpresa nos olhos daqueles babacas me enojou.

- É uma garota! – Sua afirmação estúpida me fez revirar os olhos, e logo senti meu coração errar uma batida ao ver um meio sorriso se formando em seu rosto. – Martin vai adorar saber disso.

Ouvir suas palavras me fez ter certeza que era melhor ter deixado ele atirar, aquilo não era nada bom, vi o imbecil que me derrubou ligar para um número através de uma chamada de vídeo, após dois toques a chamada foi aceita e a voz que saiu de lá era bem grave e fria, terrível, perguntando se tinham conseguido concluir a tarefa. Logo ouvi quando o capacho de merda disse que ele ia adorar a surpresinha que ele tinha sobre quem realizou os roubos. Foi impossível não temer pela minha vida, mais temor do que eu já sentia naquele momento.

- Chefe, tu não vai acreditar no que encontramos na emboscada que armamos para o ladrãozinho que te deu aquele baita prejuízo. Ou eu deveria dizer: "ladrazinha" – Fez questão de enfatizar essa palavra.

- O que? Você quer dizer que? – A voz grave do tal chefe soou surpresa do lado de lá do telefone, senti nojo novamente. – Me mostra! – Ordenou.

O tal capacho virou a câmera do celular, me mostrando sentada no chão, abaixei a cabeça imediatamente por puro instinto, então o senti segurar meu coque e puxar para trás, fazendo com que meu rosto ficasse completamente visível, e naquele momento eu o vi. Martin Dolabella. Um chefão do crime organizado no Brasil, o cara tem uma imensidão de negócios visíveis ao público, pagando de empresário honesto e bom moço filantrópico para a sociedade, conheço cada propriedade que esse homem tem, e não são poucas, conheço sua fama muito bem, e de todos os grandes chefões que eu conheço, a fama dele é das piores, o mais cruel, sanguinário e violento, nunca nem passou pela minha cabeça ameaçá-lo, sempre mantive roubos muito pequenos, quase que insignificantes de suas contas.

Ele era um homem extremamente perigoso, não matava de imediato, torturava sua vítima até conseguir satisfazer seu desejo de sangue, era um psicopata sanguinário o maldito, ao ver o seu rosto confesso que senti medo, não adrenalina, mas medo, de todos os malditos chefes de organizações criminosas, por que diabos ele estava atrás de mim, que merda eu fiz na conta dele para chamar a sua atenção ao ponto de armarem uma emboscada para me pegar. Olhei nos olhos dele através da tela do celular, inconscientemente segurei a respiração, eu tinha assinado minha sentença de morte, não tinha a menor dúvida disso.

- Então foi você que me deu um prejuízo de 200 milhões de reais. – Meus olhos arregalaram de surpresa ao ouvir o valor mencionado. Como assim tudo isso, a minha meta era roubar apenas 2 milhões, o suficiente para me manter e montar meus pequenos negócios, eu não seria louca em roubar um valor tão alto, ainda mais em um período tão curto de tempo, imediatamente comecei a refazer mentalmente toda a programação que desenvolvi para o roubo a fim de tentar entender que merda eu fiz para acontecer um erro tão grande como esse. – Traga ela para mim, ela vai me pagar cada centavo que me roubou, tenho grandes planos para essa mocinha ai. – Ele ordenou para o seu capacho o que prontamente foi atendido.

Vi o capacho pegando uma seringa no bolso e o vi se aproximando de mim com a arma apontada para minha cabeça - Não se mova! – ordenou, a essa altura eu já tinha absoluta certeza de que era melhor morrer do que ser capturada, então tentei correr, obviamente que foi inútil, o imbecil me alcançou facilmente me puxando pelo cabelo com força e me jogando nos braços de dois capangas que estavam ali, logo me imobilizaram e em seguida o capanga que me abordou puxou meu braço, subindo o casaco por ele, depois ingeriu uma substância que eu supus ser algum tranquilizante, claro que iriam me apagar, o formigamento que se seguiu após a inserção do líquido no meu corpo, e a forma que eu comecei a amolecer apenas confirmaram os meus palpites.

Merda! Mil vezes merda!

Depois do tranquilizante veio o saco, me tirando a visão de absolutamente tudo, em seguida escutei os passos, alguém que eu não saberia dizer quem me carregando como um animal, senti meu corpo cada vez mais mole, não conseguia reagir, sequer falar alguma coisa, mas lembro vagamente de escutar a voz dele cada vez mais baixa no telefone.

- Quero ela intocada...

Era melhor ter deixado ele atirar!

Capítulo 3 Calabouço

Anastácia Ortiz

Tudo estava tão escuro, abri os olhos e não consegui ver nada, demorou alguns minutos para que meus olhos conseguissem se acostumar a escuridão, ao que me parecia, aquilo ali era uma espécie de calabouço, o cheiro metálico do sangue era tão forte quanto o de fezes e urina, alguns gemidos sofridos me avisavam que eu não era a única pessoa presa naquele local, e os timbres diferenciados me diziam que havia pelo menos umas cinco pessoas ali além de mim.

Minha cabeça doía absurdamente, com certeza devido ao tranquilizante que injetaram no meu corpo, ou talvez tivessem me batido enquanto eu estava apagada, tudo era possível, tentei levantar a cabeça lentamente, para esticar o pescoço que já se encontrava bem dolorido, eu não fazia a menor ideia de quanto tempo havia se passado desde que fui capturada em casa, ou se quer a mínima noção da localização que eu estava agora, eu simplesmente poderia estar em qualquer lugar do mundo.

Olhei ao redor para tentar me familiarizar com o espaço, eu estava sentada em uma cadeira de metal, minhas mãos e meus pés estavam amarrados, não tinha urina nas minhas roupas, isso poderia ser um indício de que eu não estava ali há tanto tempo assim, as mesmas estavam intactas, então provavelmente ninguém havia me tocado, e sinceramente apesar de parecer, eu nem tinha tanta certeza de que aquilo era algo positivo na situação em que eu estava.

A sala que eu estava era usada como uma cela, mas parecia mais um quarto, muito relegado de cuidados, apenas abandonado ali para que se fosse feito os piores usos possíveis, com meus olhos mais adaptados a escuridão pude ver manchas nas paredes, provavelmente eram de sangue, mas eu precisaria de luz para conseguir ter certeza, havia uma porta como as de escola, com um recorte na altura dos olhos, para que pudessem vigiar para dentro, eu podia imaginar que existiam várias salas como essa onde eu estava, não havia nenhuma janela, e pelo ar rarefeito, eu supunha que estávamos no subsolo.

Enquanto eu analisava a sala meus ouvidos se atentaram para um som ao longe de passos, senti minha pele toda arrepiar nesse instante, eu não precisei nem esperar para vê-lo entrar, de algum modo insano minha mente já estava me preparando para esse embate, e eu sabia que era ele, seria correto dizer que ele era minha vítima? Ou que eu era a vítima dele? Eu não consegui decidir de imediato, mas era claro como água para mim que aqueles passos lentos e arrastados eram dele, do meu algoz, vindo me confrontar, e provavelmente acabar com cada pedaço da minha dignidade até então intacta.

Passaram-se segundos, e o som dos passos foi ficando cada vez mais alto, até que ouvi barulho de chaves na porta, e em seguida o vi, entrando pela porta que agora ele deixava escancarada, para meu total desespero, era tão cruel deixar a única saída aberta, seu olhar para mim deixou claro a provocação, mesmo com aquela porta aberta, eu provavelmente nunca conseguiria sair dela, era como estar morrendo de fome e simplesmente olhar a comida do outro lado do vidro, sem ter um tostão sequer para comer, e aquele que te poderia alimentar prefere jogar fora a comida ao invés de se apiedar de seu desespero.

Ele sorriu! É obvio que sorriria!

- Olá menina! – Sua voz grave e fria, agora sem o caráter metálico do celular, era completamente assustadora, sua altura absurdamente fora do normal, ele parecia tão grande quanto o Hulk, e tão alto quanto o Spaceboy, não poderia deixar de mencionar que por mais que ainda não tivesse feito qualquer coisa, eu poderia supor que ele era tão forte quanto eles dois, só a sua presença dentro daquela sala já era torturante para mim.

"Olá gigante desconexo, sequestrador e desgraçador da minha vida" Pensei na resposta, mas simplesmente não falei, faço isso com mais frequência do que sou capaz de contar, Saulo vivia reclamando dessa mania estranha que tenho de não responder as pessoas, apenas mentalmente, como se elas fossem capazes de ler o que eu penso, dizia que isso me deixava imensamente antissocial diante dos outros, não que eu me importasse, eu definitivamente não era a pessoa mais sociável do mundo, sempre tive imensa preguiça em falar, preferia o silêncio, mas as vezes eu precisava me controlar e falar, pois eu simplesmente esquecia que possuía essa habilidade.

- Você é muda? – Perguntou com curiosidade, olhando em meus olhos, "Óbvio que não, apenas não quero falar com você, por razões mais do que óbvias" respondi mentalmente, encarando-o com a mesma intensidade com a qual ele me encarava, eu estava apavorada, mas ele não precisava saber dessa parte, se eu mantivesse minha postura, eu conseguia fazê-lo acreditar que não tinha medo dele, e assim, talvez, eu tivesse alguma chance contra ele, então fiz o que Saulo vivia dizendo que eu era mestre em fazer, mantive meu olhar firme e sólido, como uma rocha intransponível.

Ele cruzou os braços e caiu com a cabeça para o lado, provavelmente curioso, talvez irritado, eu não saberia dizer bem, não sou especialista em ler emoções alheias, talvez devido ao fato de eu nunca me importar muito em conviver com pessoas, viver com a cara nos computadores, nos livros ou em minhas HQs, mas fato era que eu tinha a inteligência emocional de um amendoim, isso me fez começar a pensar que eu era realmente uma pessoa extremamente estúpida, se eu tivesse ao menos me esforçado, seria capaz agora de fazer algo simples, como talvez entender quais eram as emoções que ele transmitia tão intensamente.

- Você consegue me escutar? – Perguntou. "Claro seu imbecil" mais uma vez eu respondi mentalmente, encarando-o, pensei ter mexido a cabeça em sinal afirmativo, mas o fato de ele ter pego uma faca e enfiado parte dela na minha coxa esquerda, me fazendo soltar um grito seguido de um palavrão daqueles bem sujos, me fez ter certeza que mais uma vez eu apenas pensei ter gesticulado uma afirmação, algo que pensando agora com a dor lancinante que estou sentindo eu deveria ter sido mais inteligente e falado em alto e bom som.

- Parece que sim, e parece que você sabe falar muito bem! – Disse quase salivando de raiva, engoli a dor e retornei a minha expressão apática e congelada, controlando para que a dor não me consumisse e fizesse com que eu me rendesse a ele. – Qual o seu nome? E acho bom você me responder, caso contrário, não serei tão benevolente na próxima vez – Disse arrastando a faca ao lado do machucado que ele tinha terminado de abrir.

- Júlia – Respondi de imediato, sem alterar qualquer traço na minha expressão, ele não seria capaz de saber se era ou não verdade.

- Então, Júlia, parece que você tem uma dívida comigo! Duzentos milhões não é um valor que possamos ignorar – Ele falou calmamente enquanto contornava meu corpo e se posicionava atrás de mim, suas mãos em meus ombros, apertando como se fizesse uma massagem ali – Não é mesmo? – Sussurrou baixo em meus ouvidos enquanto eu olhava quase que hipnotizada para aquela maldita porta aberta.

Se eu desse uma cabeçada na lateral do seu nariz, colocando uma força considerável, certo, força considerável não, a maior força que eu tenho, dando absolutamente tudo de mim, e acertando bem no local entre o olho e o nariz, existe a possibilidade, obviamente não é certo, mas existe a possibilidade dele desmaiar ou ficar desorientado, e assim eu conseguir derrubá-lo. Fechei e abri rapidamente os olhos, calculando a possibilidade de 97% de falha, era óbvio que eu não conseguiria derrubar um monstro desse tamanho, e mesmo se eu o afetasse a ponto de desmaiá-lo, estou fortemente amarrada, seria impossível sair daqui, principalmente considerando que sendo desse meio ele provavelmente tem algum tipo de treinamento de luta, o que o faria reagir rápido, e antes mesmo que eu pudesse pegar o impulso ele me imobilizaria.

- É bem atrativa a porta né, a sua única saída desse local – Sua voz me fez sair do meu devaneio insano de tentar desmaiar um homem gigante como ele com uma mera cabeçada, às vezes eu me surpreendo com a minha falta de habilidade de arquitetar um maldito plano em pouco tempo, se fosse Saulo nessa situação, provavelmente já teria inventado umas trinta maneiras de sair daqui, eu definitivamente preciso de mais tempo. – Eu acho bom você começar a abrir a boca Júlia, ou então eu não vou ser tão gentil como estou sendo com você.

- O que você quer! – Quase como um sinal do meu corpo me gritando que eu deveria começar a falar imediatamente, as palavras saíram da minha boca, para meu total alívio, para fora, e não para dentro.

- Depende! – Ele sussurrou em meu ouvido – Depende daquilo que você pode me oferecer – Foi impossível não sentir um calafrio em todo o meu corpo diante daquelas palavras, eu provavelmente deveria sentir medo, mas era absurdamente assustador e mórbido sentir que eu estava ligeiramente excitada com aquela situação, eu poderia jurar que era assexuada até aquele momento, agora eu realmente acreditava que era alguma masoquista muito doente, principalmente pelo fato de me sentir excitada e enojada ao mesmo tempo, era conflitante e perturbadoramente surreal sentir duas emoções tão contrastantes.

- Eu posso te devolver o dinheiro, só preciso de um computador com acesso a internet – Respondi friamente e firme, sempre firme, agradecendo aos céus por ser alguém tão controlada, sabendo que minha voz não caiu nem um único decibel em cada sílaba pronunciada.

- Você vai me devolver o dinheiro e também vai roubar para mim! – Ele afirmou categoricamente, e de um modo loucamente insano eu sabia ali que não era isso que ele me pedia, pois ele tinha absoluta certeza em sua voz que eu faria isso para ele, esperei pelo mais que deduzi que viria. – E vai fazer mais ainda por mim – E agora sim, eu sabia exatamente ao que ele se referia.

- Eu só sei roubar, invado sistemas, sou hacker, é a única habilidade que eu possuo, tirando isso sou quase obsoleta.

- Pode deixar que eu decido isso – Respondeu com um ar de sorriso na voz – Existem muitas outras coisas que você pode fazer por mim Júlia, eu poderia escrever um livro apenas citando cada uma delas.

- Eu já disse que não possuo grandes habilidades, não sei o que pretende, mas saiba que eu não sou muito útil sem um computador nas mãos. – Tentei a todo custo tirar dele a possibilidade de qualquer ação que pudesse me colocar em uma posição pior daquela que eu já estava.

- Já disse que sou eu quem decide isso! Além do mais, se você foi capaz de me roubar tanto dinheiro em tão pouco tempo, eu tenho que te dar os parabéns, ninguém é louco o suficiente para ousar me enganar desse jeito, muito menos mulheres, e principalmente mulheres que trabalham sozinhas. – Ele ficou novamente a minha frente, me analisando, deixando tão clara a curiosidade que eu despertava nele, que nem eu fui capaz de duvidar disso, ele passou a mão pelo rosto e cruzou os braços em seguida, caindo novamente o rosto para o lado. – O que eu faço com você hein? – Sorriu ao perguntar.

- Me deixa ir? – Perguntei verbalmente, sem se quer perceber que as palavras saíram dos meus lábios, o único sinal que me fez perceber isso foi a gargalhada estridente que saiu de seus lábios, deixando para mim claro que a minha mente e minha capacidade de controla-la era no mínimo duvidosa.

- Sinto muito querida, mas acho que a ultima coisa que eu vou fazer é deixar você ir embora – Ele falou enquanto passava os dedos na minha bochecha, meu impulso foi afastá-lo, mas me controlei para me manter firme, sem dar a ele a chance de me ver abalada. – Você é bem corajosa, não vejo medo nos seus olhos, se sente medo, sabe disfarçar muito bem, isso me deixa muito intrigado, muito mais intrigado do que eu deveria estar com uma ladra como você.

Ele continuou olhando em meus olhos, e se aproximou, estava com o rosto bem próximo do meu, mesmo sobre o véu da escuridão, por algum louco motivo eu imaginei que ele me beijaria, e por algum motivo mais insano ainda eu tinha certeza de que se ele fizesse isso eu o corresponderia, meu coração falhou uma batida, molhei os lábios que já estavam rachados de tão secos, vi seus olhos acompanharem esse movimento, e me senti absurdamente tentada a beijá-lo, tive que apelar a minha razão com todas as minhas forças para não fazer alguma estupidez que de modo completamente perturbado meu corpo pedia que eu fizesse.

Antes mesmo que eu fosse capaz de falar ou reagir senti sua mão apertando firmemente no furo que ele tinha feito antes na minha coxa, eu nem sentia mais aquele corte, mas fui lembrada dolorosamente que ele ainda estava ali, e que eu ainda era sua refém, pagando por um crime que cometi contra ele próprio, por um erro que eu ainda não tinha sido capaz de descobrir qual foi, mas eu soube naquele instante que ele me faria pagar por cada centavo roubado, sem piedade, sem misericórdia. Seu sorriso insano me fazia ter essa certeza, vi quando ele puxou uma agulha do bolso, e antes que eu pudesse falar mais qualquer coisa senti que furava meu braço, de novo eu estava sendo dopada, e outra vez senti meu corpo mole, sendo arrastado lentamente para a mais completa escuridão.

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