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A Herdeira Descartada: Renascida da Prisão Mafiosa

A Herdeira Descartada: Renascida da Prisão Mafiosa

Autor:: Hen Bu Qing Cheng
Gênero: Moderno
Há sete anos, meu noivo, Dom Dante Moretti, me mandou para a prisão para assumir a culpa por um crime da minha irmã adotiva, Chiara. Ele chamou isso de presente - uma forma de me proteger de um destino pior. Hoje, ele me buscou na saída da prisão apenas para me abandonar na mansão da minha família. O motivo? Chiara estava tendo outra de suas "crises". Meus pais então me informaram que eu ficaria no depósito do terceiro andar, para não perturbar a garota frágil que roubou minha vida. Eles celebraram a "recuperação" dela com um jantar luxuoso, enquanto eu era tratada como um fantasma. Quando me recusei a participar, minha mãe sibilou que eu era uma ingrata, e meu pai me chamou de invejosa. Eles presumiram que eu não entendia seus sussurros venenosos. Mas a prisão foi minha universidade. Eu aprendi espanhol. Eu entendi cada palavra. Foi então que percebi que não era apenas um sacrifício; eu era descartável. O amor que um dia senti por todos eles havia se transformado em cinzas. Naquela noite, no depósito empoeirado, acessei um canal criptografado que havia criado anos atrás. Uma única mensagem me aguardava: "A proposta ainda está de pé. Você aceita?" Minhas mãos, marcadas por cicatrizes, mas firmes, digitaram de volta: "Eu aceito."

Capítulo 1

Há sete anos, meu noivo, Dom Dante Moretti, me mandou para a prisão para assumir a culpa por um crime da minha irmã adotiva, Chiara. Ele chamou isso de presente - uma forma de me proteger de um destino pior.

Hoje, ele me buscou na saída da prisão apenas para me abandonar na mansão da minha família. O motivo? Chiara estava tendo outra de suas "crises".

Meus pais então me informaram que eu ficaria no depósito do terceiro andar, para não perturbar a garota frágil que roubou minha vida.

Eles celebraram a "recuperação" dela com um jantar luxuoso, enquanto eu era tratada como um fantasma. Quando me recusei a participar, minha mãe sibilou que eu era uma ingrata, e meu pai me chamou de invejosa.

Eles presumiram que eu não entendia seus sussurros venenosos. Mas a prisão foi minha universidade. Eu aprendi espanhol. Eu entendi cada palavra.

Foi então que percebi que não era apenas um sacrifício; eu era descartável. O amor que um dia senti por todos eles havia se transformado em cinzas.

Naquela noite, no depósito empoeirado, acessei um canal criptografado que havia criado anos atrás. Uma única mensagem me aguardava: "A proposta ainda está de pé. Você aceita?" Minhas mãos, marcadas por cicatrizes, mas firmes, digitaram de volta: "Eu aceito."

Capítulo 1

Alina POV:

O homem a quem fui prometida, Dom Dante Moretti, me disse que sete anos na prisão eram um presente. Ele disse que era sua maneira de me proteger, uma misericórdia em comparação com a alternativa que meus pais estavam considerando.

Isso foi há sete anos.

Hoje, ele estava me esperando do lado de fora dos portões de uma penitenciária federal, encostado no capô preto polido de um sedan blindado. O sol de São Paulo brilhava no cromo, uma luz ofuscante e brilhante que nunca alcançava a frieza imóvel em seus olhos. Ele parecia exatamente o mesmo - impossivelmente bonito, brutalmente composto, um rei em um terno feito sob medida que provavelmente custava mais que o orçamento anual desta penitenciária inteira.

Eu era quem havia mudado. A garota que entrou - aquela que o amou com cada pedaço fraturado de sua alma - estava morta. Eu a enterrei em algum lugar entre o terceiro e o quarto ano, logo após uma briga de faca na lavanderia por uma barra de sabão roubada.

"Alina", ele disse, sua voz um ronco baixo que um dia fez meu coração disparar. Agora, era apenas um som. Ele abriu a porta do passageiro para mim. "Acabou. Vou te levar para casa."

Casa. A palavra era uma risada amarga que engoli.

Deslizei para o assento de couro macio, o cheiro dele - sândalo e poder - preenchendo o pequeno espaço. Era sufocante. Enquanto ele dirigia, o silêncio entre nós se esticou em algo fino e letal, um fio esticado e pronto para cortar.

Minha mente voltou para aquela noite. A noite em que meu mundo acabou.

Minha irmã adotiva, Chiara, estava drogada, imprudente. Ela pegou meu carro e atropelou um homem importante da família Falcão, quebrando a frágil trégua que o pai de Dante havia negociado. Uma vida por uma vida. Essa era a lei do nosso mundo. Uma vingança de sangue estava por vir.

Mas a família Salinas não podia arcar com uma guerra. E Chiara, minha linda e frágil irmã, foi considerada preciosa demais para ser sacrificada.

Então eles me escolheram.

"São apenas sete anos, Alina", minha mãe, Isabella, sussurrou, suas mãos frias em meus ombros. "Um pequeno sacrifício para evitar um banho de sangue."

Meu pai, Marco, foi mais direto. "Este é o seu dever para com a família."

Até minha própria irmã, Giuliana, me olhou com olhos frios, dizendo-me para pensar no que era melhor para todos.

Eu recusei. Eu gritei. Eu lutei. Eu disse a eles que não pagaria por um crime que não cometi.

No final, foi Dante quem me quebrou. Ele era o Dom mais poderoso de São Paulo, um homem que construiu um império das cinzas de seu pai. Ele era temido, respeitado, um diabo que comandava lealdade pela pura força de vontade. E ele era meu noivo, o garoto que jurou me proteger desde que éramos crianças.

Ele me encurralou na biblioteca da nossa mansão. "Seus pais têm outro plano", ele disse, sua voz desprovida de todo calor. "Eles vão te entregar aos Falcão. Você sabe o que eles farão com você. A prisão é a única maneira de te manter viva. A única maneira de te manter minha."

Ele prometeu que esperaria. Ele prometeu que nos casaríamos no dia em que eu fosse solta.

Ele arranjou tudo. Uma confissão forçada. Um jogo de cartas marcadas no tribunal. Sete anos. Um presente.

Agora, parando nos portões da propriedade dos Salinas, o abismo entre nós era maior do que os sete anos que estivemos separados. Ele era o Dom polido. Eu era a mulher que a prisão havia forjado.

Quando ele desligou o motor, seu telefone vibrou. Ele olhou para a tela e, pela primeira vez, uma fissura apareceu naquela máscara de controle brutal. Um músculo saltou em sua mandíbula.

"É a Chiara", ele disse, a voz tensa de preocupação. "Ela está tendo outra crise."

Ele nem sequer olhou para mim. "Eu tenho que ir até ela."

Ele saiu do carro, me deixando ali, ao pé da imponente escadaria de mármore onde cresci. Ele passou correndo pelo mordomo, seu foco inteiramente na garota frágil que havia roubado minha vida.

O mordomo, um homem que me conhecia desde o nascimento, olhou para mim com um lampejo de pena. "Senhorita Alina. Seus pais me instruíram a preparar o depósito do terceiro andar para a senhorita. Para não perturbar a senhorita Chiara."

O depósito. Não o meu quarto de infância, com sua varanda com vista para os jardins. Um quarto pequeno, sem janelas, cheio de coisas esquecidas.

Foi então que finalmente entendi. Eu não era da família. Eu era uma coisa a ser usada, um escudo a ser quebrado. E meu propósito havia sido cumprido. O amor que um dia senti por Dante, por todos eles, havia se transformado em cinzas há muito tempo. Mas em seu lugar, um ódio frio e duro por Chiara começou a se cristalizar.

Naquela noite, no quarto apertado e empoeirado, abri o laptop surrado que recebi com meus papéis de soltura. Dentro, um canal criptografado que eu havia configurado oito anos atrás - uma linha de vida desesperada e secreta para um mundo diferente - estava adormecido. Um plano de contingência para uma vida que nunca tive.

Uma única nova mensagem aguardava, com data e hora de três minutos atrás. "A proposta ainda está de pé. Você aceita?"

Minhas mãos, marcadas por cicatrizes, mas firmes, moveram-se pelo teclado.

"Eu aceito."

Capítulo 2

Alina POV:

Antes de Chiara, eu tinha um futuro. Uma bolsa de estudos integral para uma prestigiosa faculdade de artes no Rio de Janeiro. Sonhos de galerias e estúdios, de uma vida pintada em cores em vez de sangue.

Chiara, com sua falsa condição cardíaca e necessidades infinitas, devorou tudo. Meu fundo para a faculdade foi desviado para seus "especialistas" e "tratamentos". Meus sonhos foram descartados como fantasias egoístas.

Agora, meu único futuro era uma passagem só de ida para Fernando de Noronha. O e-mail de confirmação chegou à minha caixa de entrada algumas horas após minha aceitação. Um carro me buscaria em três dias. Três dias para suportar este lugar que um dia chamei de lar.

Atraída por uma curiosidade mórbida, desci as escadas. A sala de jantar formal brilhava à luz de velas, um banquete se estendendo pela mesa de mogno. Era uma celebração.

Pela "recuperação" de Chiara.

Ela estava aninhada ao lado de Dante, parecendo pálida e adorável em um vestido de seda. Minha mãe a mimava, meu pai a observava com adoração. Eles eram uma família perfeita.

E eu era um fantasma em seu banquete.

Ninguém me notou até que Dante finalmente ergueu os olhos, seus olhos escuros e insondáveis. "Alina. Venha, sente-se."

Era uma ordem, não um convite.

Permaneci firme junto à porta.

Chiara, desempenhando seu papel com perfeição, suspirou fracamente. "Dante, querido, você poderia descascar uma uva para mim? Meus dedos estão tão cansados."

Por uma fração de segundo, ele hesitou. Um lampejo de conflito - uma tempestade que eu reconheci - cruzou seu rosto antes de ser suavizado. Ele pegou uma uva, suas mãos grandes e capazes - mãos que construíram um império do crime, mãos que um dia me seguraram com tanta ternura - descascaram a pele fina com cuidado praticado.

Algo dentro de mim se partiu. Silenciosamente. Irrevogavelmente.

Virei-me para sair.

"Ingrata", minha mãe sibilou, a palavra cortando o ar como um chicote.

"Ela só tem inveja da Chiara", acrescentou meu pai, seu tom gotejando desdém. "Sempre teve."

Eles pensaram que eu não entenderia. Eles presumiram que sete anos em uma penitenciária federal me deixaram sem educação, quebrada. Mas a prisão não me quebrou; foi minha universidade. Eu aprendi a sobreviver. A ouvir. E para navegar nas intrincadas hierarquias e alianças atrás das grades, eu dominei vários idiomas, o espanhol sendo o principal deles.

Eu entendi cada palavra venenosa.

Uma determinação fria se instalou no fundo dos meus ossos. Não voltei para o depósito. Atravessei o grande hall de entrada, passando pelo olhar de desaprovação do mordomo, e saí pelas pesadas portas de carvalho.

O ar fresco da noite bateu no meu rosto. Continuei andando, pela longa e bem cuidada entrada de carros, até que o peso opressivo da propriedade ficou para trás.

Foi só então, quando meus sapatos baratos da prisão tocaram o pavimento público, que me lembrei.

Era meu aniversário.

Outro marco que eles haviam esquecido. Outro pedaço de mim que eles haviam descartado.

Eu não estava apenas indo embora. Eu estava os apagando.

Capítulo 3

Alina POV:

Dois dias. Eu precisava sobreviver por dois dias.

Encontrei um emprego lavando pratos em uma lanchonete simples a alguns quilômetros da mansão. A água quente e o sabão forte pareciam purificadores, uma penitência por um pecado que nunca cometi. O trabalho era mecânico, exaustivo. E no zumbido silencioso da lanchonete, pela primeira vez em sete anos, senti um lampejo de algo que poderia ser liberdade.

O vazio permitiu que as memórias invadissem. Meu pai, dando a Chiara um carro esporte novo no seu aniversário de dezesseis anos, enquanto eu trabalhava depois da escola apenas para comprar meus próprios materiais de arte. Minha mãe, comprando para ela vestidos de grife para galas para as quais eu nunca era convidada. O favoritismo não era novo, mas a distância lhe dava uma clareza grotesca.

Na segunda noite, quando meu turno estava quase no fim, o sino acima da porta da lanchonete tocou.

Dante estava lá, segurando uma pequena caixa branca. Ele parecia dolorosamente deslocado entre as cabines de vinil rachado e o chão pegajoso.

"Feliz aniversário, Alina", ele disse, sua voz tão baixa que quase se perdeu no chiado da chapa. Ele colocou a caixa no balcão. Era um bolo de coco, meu favorito de infância.

Eu olhei para aquilo, e outra memória surgiu, nítida e amarga. A memória de vender a pintura de herança inestimável da minha avó - uma peça do meu próprio dote - para fornecer anonimamente o capital inicial para o primeiro empreendimento legítimo de Dante. Foi o negócio que solidificou seu poder, que o tornou o Dom que ele era hoje.

Chiara levou o crédito por isso também. Ela o presenteou com o "investimento", posicionando-se como sua parceira em sua ascensão. Outra mentira que ele engoliu inteira.

"Eu não gosto mais de coco", eu disse, minha voz nivelada e vazia. Empurrei a caixa de volta para ele.

Sua mandíbula se contraiu. Antes que ele pudesse falar, seu telefone tocou, um som estridente e exigente. Ele atendeu, e o sangue pareceu drenar de seu rosto, deixando-o uma máscara pálida e austera.

"Como assim ela está no telhado?", ele rosnou para o telefone.

Ele olhou para mim, seus olhos implorando por algo que eu não tinha mais para dar. "Alina, eu..."

"Vá", eu disse, virando-me de volta para a pia cheia de pratos sujos. "Ela precisa de você."

Ele hesitou, seu olhar alternando entre mim e a porta. Dividido. Então, como sempre, ele a escolheu. Ele saiu correndo da lanchonete, deixando o bolo abandonado no balcão.

Eu sabia que Chiara não ia pular. Era apenas uma performance. Outro ato calculado no longo drama de sua vida, uma manobra projetada para puxá-lo de volta pela coleira e lembrá-lo de sua suposta fragilidade.

Peguei outro prato e o mergulhei na água com sabão. O caos do mundo deles parecia a um milhão de quilômetros de distância. Tudo o que restava era uma exaustão profunda e oca.

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