Na escuridão e umidade de uma cela, uma figura frágil se encolhia num canto. Seus cabelos estavam emaranhados, as mangas vazias da blusa pendiam onde antes haviam seus braços, e o rosto permanecia escondido entre os joelhos.
Passos aproximaram-se - leves, alegres, quase saltitantes.
A porta rangiu ao abrir. Entrou uma mulher de vestido de renda marfim, apoiada no braço de um homem bem-vestido, que carregava uma caixa retangular.
"Mana, estou linda hoje, não estou?" Ela girou diante da mulher no chão, erguendo a barra do vestido com orgulho. A voz era doce e clara, como sininhos. "É seu grande dia, então achei que precisava de algo brilhante e festivo. Este marfim. combinou, né? Perfeito para um casamento! E adivinha? Wyatt e eu acabamos de pegar nossa certidão também. Tudo no tempo certo, não é?"
Lentamente, a mulher no canto ergueu o olhar. O rosto estava sujo, marcado por cicatrizes horrendas que pareciam parasitas a rastejar.
De repente, ela se atirou para frente, investindo contra a mulher de marfim com toda a força que lhe restava.
Mas, antes de se aproximar, levou um chute brutal. Seu corpo voou como um trapo, batendo contra a parede de pedra gelada.
Contorcendo-se de dor no peito, ela fez uma careta enquanto sangue fresco escorria por seus lábios costurados.
Seus olhos, injetados de sangue e carregados de ódio, fixaram-se no casal arrogante que a observava de cima.
O homem suspirou, limpou a calça como se sua presença o tivesse contaminado, puxou a mulher de marfim para perto e beijou-a.
Ele olhou para a mulher no chão como se visse lixo. A voz transbordava desprezo. "Megan, ainda fazendo pose de durona à beira da morte? Molly veio aqui pessoalmente para se despedir, e é assim que você a recebe?"
Molly agarrou-se à cintura de Wyatt, piscando os olhos marejados. "Ela sempre foi assim comigo. já estou acostumada."
O coração de Megan doía. Ela soltou uma risada quebrada, que apenas esticou os pontos nos lábios e os fez sangrar novamente. A agonia física era nada perto da dor que a traição da irmã esculpira em sua alma.
Irmã? Molly nunca foi família.
Molly afastou-se de Wyatt, agachou-se diante dela e sussurrou com um sorriso: "Pensou que era durona? Tirei seus braços. Pensou que era bonita? Arruinei seu rosto. Tinha língua afiada? Costurei sua boca. Confesso. foi divertido."
Pegou o celular e passou fotos lentamente. "Veja os últimos momentos da sua família amada. Tudo o que era dos Shaw. agora é meu."
Megan a encarou, os olhos em chamas.
Molly não recuou. Inclinou-se e sussurrou, num tom que só Megan ouvia: "Até Tristan Reid, aquele homem que você nem valorizava. em breve será meu. Imagine a cara dele quando descobrir que foi você quem o destruiu."
Deu uma risadinha. "Quem diria que você era uma hacker genial? Dava até inveja!"
Ao ouvir o nome de Tristan, uma culpa profunda agitou-se no peito de Megan.
Ela acreditara em todas as mentiras de Molly - acreditara que Tristan era um monstro que a prendera para torturá-la, sem nunca dar-lhe chance de se explicar. Molly até incriminara Tristan pela morte do avô delas. Aquela mentira cegara Megan de ódio.
Então, ela destruiu a empresa dele. Arrasou o legado centenário dos Reid.
Arrastou-o do pedestal direto para o abismo.
Ela o arruinara.
Seus olhos, opacos e sem vida, perderam lentamente o último vislumbre de luz.
De repente, Molly caiu no chão, fingindo-se apavorada e abalada.
Wyatt ajoelhou-se imediatamente para ajudá-la, puxando-a para trás de si com gesto protetor. Então, sem aviso, pisou com força na lateral da cabeça de Megan, torcendo o calcanhar com crueldade.
Deu uma risada sarcástica. "Adivinha? Todos aqueles negócios dos Reid que você tomou no final. caíram nas minhas mãos. Tristan não tem mais nada. Absolutamente nada."
Abrindo a caixa estreita, tirou uma adaga militar e jogou a tampa de lado.
Sob a luz pálida que adentrava a cela, a lâmina brilhou friamente. Ele ergueu o braço e cravou a faca no lado de Megan. O frio cortante invadiu-a como gelo. A dor tornava cada respiração um suplício. Megan sabia que ambos os pulmões haviam sido perfurados. Seu tempo estava no fim.
Mesmo assim, nenhuma lágrima caiu. Ela já nem tinha ductos lacrimais funcionando.
Wyatt puxou a lâmina e continuou a esfaquear - uma, duas, várias vezes. O sangue jorrava na parede monótona da cela como flores de ameixa vermelha explodindo no inverno.
Megan permaneceu ali, entorpecida pela dor. Sua mente começava a desvanecer.
Ouviu vagamente o som de uma luta, depois - bang! bang! - dois tiros quebrando o silêncio.
"Megan! Megan!"
Uma voz chamava. Ela sentiu-se envolvida por um abraço quente.
Lutou para abrir as pálpebras pesadas, tentando ver quem gritava seu nome.
Quando a visão clareou por um instante, uma única lágrima escorreu do canto de seu olho.
Tristan segurava seu corpo ensanguentado, lágrimas escorrendo por seu rosto.
"Megan, acorde. Olhe para mim. Eu a vinguei."
Com o pouco de força que tinha, Megan olhou para os dois que a torturaram minutos antes. Agora jaziam mortos, em poças de sangue, com balas na cabeça.
Tristan pressionava suas feridas, as mãos trêmulas tentando estancar o sangue - mas eram tantas.
"Megan. me perdoe. Cheguei tarde demais. Vou levá-la ao hospital agora," disse ele, a voz falhando.
Megan sentia a vida esvair-se. Balançou a cabeça levemente.
Tentou abrir os lábios costurados e arruinados para dizer algo.
Tristan entendeu. Pegou uma faca e cortou com cuidado os pontos.
Sua voz saiu rouca e quase inaudível. "Des.culpe. Tristan."
Ele segurou seu rosto machucado como se fosse a coisa mais preciosa do mundo, lágrimas quentes caindo sobre suas cicatrizes. "Não diga isso. Você não tem que se desculpar."
Ela desejava mais do que tudo poder enxugar suas lágrimas, tocar seu rosto bonito uma última vez. Mas já não tinha braços.
Sua visão turvou-se novamente. "Eu. não posso. Se houver. uma próxima vida. amarei você. melhor."
Quando a luz se apagou nos olhos de Megan, Tristan pegou a adaga e, sem hesitar, cravou-a em seu próprio peito.
Os lábios de Megan moveram-se quase imperceptivelmente, sussurrando a última palavra: "Não."
Tristan abraçou seu corpo sem vida, lágrimas inundando seus olhos enquanto desabava ao seu lado.
Com o último suspiro de força, estendeu a mão e fechou gentilmente os olhos dela.
Um sorriso suave tocou seus lábios. "Não pudemos viver juntos. mas pelo menos morreremos juntos. Se houver uma próxima vida. ainda vou amar você."
"Não!"
Megan abriu os olhos de súbito, ofegante, fixando o teto rosa-claro sobre ela.
Franziu a testa. Os longos cílios curvados tremiam ligeiramente. Ergueu os braços aos poucos - as mãos, presas por algemas personalizadas, vibravam junto com sua confusão.
"Meus braços. A Molly não os havia cortado? Não havia?" pensou, os dedos trêmulos tocando a pele lisa, sem marcas. "Lábios macios. intactos. Isto é. um sonho?"
Passos se aproximaram. Ela se ergueu por instinto, mas o corpo frágil a deixou tonta com o movimento.
Banhada pela luz suave da tarde, uma figura alta surgiu, envolta num brilho dourado.
O rosto era marcante, quase etéreo - sobrancelhas densas, olhos profundos, nariz reto e lábios finos, como esculpidos num mito - mas com uma palidez doentia que lhe dava um ar sombrio.
"Odeia-me tanto assim, não é?"
O homem parou à beira da cama, os olhos cravados nos dela, a voz baixa e carregada de cansaço.
O nariz de Megan ardeu. Ela estendeu os braços e o envolveu, pressionando o rosto pequeno contra a cintura firme dele.
"Tristan. Tristan."
O corpo de Tristan congelou. Ela jamais dissera seu nome daquela maneira - não com aquele tom quente, quase suplicante.
Sempre fora astuta - cheia de artimanhas, tentando de tudo para escapar.
Ele mandara fazer aquelas algemas - que só respondiam à sua impressão digital - apenas para impedi-la de fugir outra vez.
Ela até fizera greve de fome por causa delas.
E agora? Uma nova tática? Brandura calculada?
O calor úmido de seu rosto atravessava a camisa, tocando-lhe o abdômen.
Ele franziu a testa, colocando as mãos em seus ombros para afastá-la.
"Você. está chorando?"
Conseguira fazer aquela mulher, que nunca chorava, derramar lágrimas?
Uma onda de raiva surgiu dentro dele. Será que ela o odiava tanto a ponto de se desfazer assim?
Estava prestes a dizer-lhe - com lágrimas ou sem elas, ela não partiria. Ele nunca abria mão do que era seu.
Mas antes que pudesse falar, ela o abraçou de novo, mais forte desta vez.
"Tristan, Tristan. é realmente você? Estou sonhando?"
Não era o mesmo dia de três meses atrás - quando parara de comer?
Ela não havia. morrido?
Sua última memória era a dele. cravando a lâmina no próprio peito.
Seria possível. ter realmente voltado?
Tristan ergueu uma mão, quase a acariciando nas costas. No último instante, recuou.
Não - não cederia outra vez.
Sua voz era grave, suave como um violoncelo, mas fria o suficiente para cortar. "Não se iluda. Você nunca se livrará de mim."
Megan ergueu a cabeça de repente, agarrou o próprio braço e mordeu com força.
A dor.
Tão real.
Real demais.
O rosto de Tristan escureceu, os olhos estreitaram-se. "Ainda tenta machucar-se?"
Ela ajoelhou-se na cama e lançou os braços ao redor de seu pescoço. A voz suavizou-se até quase um sussurro: "Não estou. Só precisava saber se isto era real. Se você. é real. Cansei de fugir, Tristan. Eu. senti sua falta. Muito."
Senti-lhe falta?
Não era ódio?
Não o desprezava por mantê-la ali?
Esta - esta era a Megan que ele esperara. Uma versão dela que jamais imaginara ver. Mas a felicidade repentina parecia-lhe irreal demais. Ficou paralisado, sem saber como responder.
Megan chorou por um tempo antes de afrouxar o abraço e olhar para cima.
Os olhos estavam inchados e avermelhados, como duas cerejas machucadas. Ao vê-los, Tristan sentiu uma pontada aguda no peito. A maçã do rosto moveu-se sutilmente quando ele ergueu a mão em direção aos lábios dela: "Se quiser verificar se é um sonho, não morda a si mesma - vai doer. Mordeu-me, em vez disso."
Megan olhou para os dedos longos e bem cuidados, envolveu-os com as mãos e levou-os aos lábios.
Quando Tristan achou que ela os morderia, ela beijou-lhe suavemente a mão.
"O que está fazendo?" A voz era baixa, contida. "Tentando conquistar-me com mentiras? Para que eu a deixe ir?"
Ela balançou a cabeça e pressionou a mão dele contra o próprio rosto, a voz abafada: "Tristan, será que podemos. tentar viver uma vida normal juntos?"
Viver uma vida normal. Ele esperara tempo demais por essas palavras.
"Você. fala sério?" Tristan perguntou, ainda incrédulo.
"Com toda certeza. Cansei de fugir. Já estamos noivos. Sou sua noiva. Ficarei ao seu lado, aconteça o que acontecer." A confirmação de Megan veze carregada de convicção.
Seus olhos escuros brilharam por um instante, mas a desconfiança logo retornou. "Disse o mesmo da última vez. E mesmo assim fugiu."
Megan sabia que o decepcionara - repetidas vezes.
Na vida passada, aquele dia se desenrolara de forma quase idêntica. Ela fizera de tudo para ganhar a confiança de Tristan.
E conseguira. Ele retirara todas as restrições, deixara de tentar controlá-la.
Mas ela quebrara a promessa, desaparecera, escondendo-se numa sala secreta que Molly preparara.
Pouco depois, soubera que Tristan enlouquecera e, num acesso de fúria, matara o próprio avô.
Foi quando ela o contactara em particular, declarando guerra e exigindo vingança.
Tristan tentara localizá-la, mas ela era um fantasma, intocável.
Usara suas habilidades tecnológicas para invadir os sistemas internos da Reid Corp, drenar seus fundos e vazar relatórios financeiros falsos.
As ações da empresa despencaram da noite para o dia - bilhões evaporaram-se.
Todas as parcerias globais foram rompidas. O caos instalara-se. E ela, aproveitando-se, assumira o controle.
E durante tudo isso, Tristan, como CEO, nem sequer tentara reagir. Era como se. a deixasse fazer.
Em apenas dois meses, ela conseguira derrubar a Reid Corp do pedestal.
A lembrança passou como um relâmpago pela mente de Megan. Uma culpa profunda inundou-a. Ela segurou o rosto esculpido dele entre as mãos, fitou-o nos olhos e disse, suave e clara:
"Eu sei que, para você, toda esta alegria parece ter chegado rápido demais - como um golpe no peito. Mas, Tristan, só desta vez. pode confiar em mim?"
Tristan manteve o olhar profundamente cravado no rosto pálido dela, soltando um suspiro quase imperceptível pelas narinas. "Vou confiar em você. apenas desta vez."
Megan piscou os olhos com uma expressão inocente, balançando suavemente o punho que ainda estava preso à cabeceira da cama.
As sobrancelhas dele se franziram, a hesitação clara em seus traços.
Após um momento de silêncio pesado, ele finalmente decidiu, pressionando ambos os polegares nos leitores biométricos das algemas.
Um bip suave ecoou, e as algemas se soltaram com um estalo seco, caindo sobre o colchão.
Agora livre, Megan esfregou os pulsos avermelhados e alongou os membros com um suspiro de alívio.
Caramba. Nem eu mesma conseguiria abrir essas coisas-tecnologia de outro nível. E da última vez. fui eu que o enganei para que as abrisse. Acho que vou ter que pedir ajuda de novo. Ai.
De repente, um sorriso malicioso apareceu em seus lábios. "Onde você conseguiu essas algemas? Juro que, se eu descobrir quem as fabricou, farei questão de que nunca mais projetem nada parecido."
Tristan pigarreou levemente, evitando seu olhar. "Um cara de tecnologia."
Exatamente a mesma resposta, com o mesmo tom desinteressado de sempre.
Mas não importava. Estar livre já era suficiente.
Megan se aproximou e pressionou um beijo rápido nos lábios frios dele. "Obrigada por acreditar em mim outra vez."
Aquele leve contato enviou uma corrente elétrica por seu corpo, acelerando seu sangue. O pomo de Adão moveu-se com um salto nervoso.
Aquele era seu primeiro beijo de verdade.
Presumindo que a vez da reanimação cardiopulmonar não contasse.
Ele subitamente pareceu desajeitado, as orelhas adquirindo um tom rosado. "Hum. Ah, vou pedir à Dona Jones que prepare algo para você. Ela trará depois. Tenho uma reunião no escritório-preciso ir."
Virou-se rapidamente e dirigiu-se à porta.
Quando sua mão encontrou a maçaneta, parou.
Olhou por sobre o ombro para aquele rosto-o rosto que mais amava-e então saiu apressadamente, como se estivesse fugindo.
Os olhos de Megan encheram-se de lágrimas ao vê-lo partir, sua silhueta alta desaparecendo no corredor.
Deus realmente lhe dera uma segunda chance.
Uma oportunidade para acertar tudo com ele.
Seu olhar escureceu, a determinação solidificando-se em seu íntimo.
As dívidas de sua vida passada-ela liquidaria cada uma delas.
♥
Um elegante Maybach preto deslizava pela avenida em direção à Reid Corp.
No banco do motorista, Cameron Brooks ajustou os óculos de armação dourada e, ao espiar pelo retrovisor, levou um susto.
O chefe, normalmente impenetrável, estava. sorrindo?
Isso era mais raro que acertar na loteria.
Havia cinco anos servindo como assistente de Tristan e jamais vira aquele homem esboçar um sorriso.
Será que o chefe estava ficando louco por causa daquele drama na mansão?
"Cameron, mantenha os olhos na pista," veio a voz monótona do banco traseiro. "Você não é um meme de internet."
O lábio de Cameron tremeu levemente. Estava sendo tão óbvio assim?
O leve sorriso de Tristan permaneceu em seus lábios até que o carro entrou no estacionamento subterrâneo da empresa.
Mal pararam, Cameron saltou e abriu a porta para ele.
Os dois adentraram o saguão e dirigiram-se ao elevador exclusivo do CEO.
Pouco antes das portas se fecharem, uma bolsa de grife entrou no vão, bloqueando-as.
Uma mulher de curvas acentuadas e olhar sedutor adentrou, com voz melíflua. "Senhor Reid, espera um momento."
A temperatura no elevador caiu instantaneamente. O sorriso de Tristan evaporou-se como fumaça, seus olhos lançando faíscas geladas.
"Saia," ordenou, a voz cortante como lâmina.
Desprovida de qualquer instinto de autopreservação, a mulher colocou um salto alto dentro do elevador.
"Expulse-a."
"Às suas ordens," respondeu Cameron, instantaneamente no modo guarda-costas.
Ele a agarrou sem cerimônia e a colocou para fora do cubículo.
Em seguida, apertou calmamente o botão para fechar as portas.
"Melhor desinfetar o elevador inteiro."
"Já estou nisso."
Sinceramente, esse tipo de incidente ocorria com tanta frequência que ele já perdera as contas. Desinfetar o elevador tornara-se parte da rotina.
Que mistério era aquela Megan. Apesar de toda sua instabilidade, tinha o chefe completamente dominado.
E estamos falando do homem mais rico do império-poderia ter qualquer mulher que desejasse.
Mas não. Ele precisava se apaixonar justamente por alguém que nem gostava dele.
Enquanto Cameron ainda ruminava esse paradoxo, uma voz gelada o trouxe de volta à realidade.
"O 88º andar. Você apertou?"
Cameron limpou a garganta, constrangido. "Ah, desculpe, senhor. Corrigindo agora."
"Se aparecer no trabalho só com a cabeça da próxima vez, fique em casa."
"Sim, senhor!"
Um calafrio percorreu a espinha de Cameron. O suor brotou instantaneamente em suas costas.
As portas se abriram. Tristan Reid, impecável em seu terno sob medida, adentrou a sala de reuniões com passos firmes.
Na sala espaçosa, uma mesa oval de madeira escura ocupava o centro, todas as cadeiras ao redor já ocupadas.
Quando Tristan entrou, todos se levantaram rapidamente. "Bom dia, Senhor Reid."
Ele acenou levemente com a cabeça e a reunião teve início.
Mas, para ser sincero, Tristan mal prestou atenção. Sua mente estava em outro lugar-remetendo ao comportamento estranho de Megan mais cedo.
Estaria ela tentando fazê-lo baixar a guarda? Planejaria fugir novamente?
Ela era capaz de qualquer coisa para escapar.
Contudo, não importava para onde fosse, ele a encontraria.
Mesmo que ela corresse para os confins da terra, ele a traria de volta pessoalmente.
Esse pensamento fez seus olhos escurecerem. A linha de sua mandíbula tensionou-se, seus punhos cerrando-se sobre a mesa.
A sala caiu em silêncio mortal. Ninguém ousou proferir uma palavra, e quem estava falando interrompeu-se, os lábios trêmulos.
Então, subitamente, Tristan levantou-se e, sem uma palavra, deixou a sala de reuniões com passos longos e decididos.
Cameron correu para acompanhá-lo.
♥
Na Mansão Dreamscape.
Megan estava diante do espelho impecável, encarando seu próprio reflexo ainda úmido da água fria.
Após dias sem se alimentar direito, sua pele outrora radiante adquirira uma palidez doentia. Cabelos desalinhados, olheiras profundas-ela parecia um fantasma saído de um filme de terror.
E ela tinha beijado Tristan naquele estado?
Ela soltou uma risadinha abafada. Será que ele teria pesambos à noite?
Saiu do banheiro e apoiou-se na parede, sentindo o peso da exaustão. Seu olhar percorreu o quarto. Tons suaves de rosa por toda parte-sua cor favorita.
Desde que Tristan a trouxera para lá, reformara todo o cômodo. Antes era preto e branco, moderno e frio-mas agora? Lençóis rosas, carpete rosa, tudo rosa. Ele até enchera o ambiente com bichinhos de pelúcia-todos rosas também-como se tentasse preencher o vazio com afeto.
Ao observar aquilo tudo, Megan não podia negar: Tristan a mimava à sua própria maneira torta.
O problema é que o homem não sabia expressar amor.
Bem, então, ela o ensinaria.
"Toc, toc!"
Ouviu-se uma batida suave na porta.
"Pode entrar," respondeu Megan, com voz ainda fraca.
Dona Jones entrou, carregando uma bandeja com croissants ainda quentes e biscoitos amanteigados.
Ao ver Megan encostada na parede, seus olhos arregalaram-se de preocupação.
Pousando a bandeja na mesa de cabeceira, correu para ajudá-la a levantar.
"Oh, Minha Jovem Senhora, por favor, faça as pazes com o jovem senhor. Olhe para você-definhou completamente nestes últimos dias."
Dona Jones a guiou gentilmente até a cama e cobriu-a com um edredom leve.
Em seguida, entregou-lhe um biscoito. "A senhorita nem imagina, mas o jovem mestre também não tem comido. Trabalha sem parar, sem descanso. O estômago dele já está dando problemas de novo."
As sobrancelhas de Megan franziram-se.
Então era por isso que ele estava tão pálido ultimamente-estava se punindo junto com ela.
Que idiota.
Uma sensação apertada instalou-se em seu peito, e até o biscoito amanteigado pareceu amargo em sua boca.
Ela suspirou suavemente. "Dona Jones, eu já parei de brigar com o Tristan. Quero recomeçar com ele."
Mesmo com suas palavras, Dona Jones ainda parecia inquieta.
Depois de ver Megan terminar o croissant, ela entrelaçou as mãos, olhando-a com sinceridade profunda. "Minha senhora, por favor. tenha um pouco de compaixão pelo jovem mestre. Ele a ama de verdade, mesmo que às vezes a maneira dele demonstrar seja. complicada."
Megan segurou as mãos enrugadas e calejadas de Dona Jones, oferecendo um sorriso suave. "Desta vez é sério. Quero acertar as coisas com o Tristan e cuidar dele também."
Os olhos de Dona Jones avermelharam-se, um leve ardor no nariz. "Que bom. que bom. Eu o vi crescer. Quando era pequeno, vivia apenas com a mãe no interior. Só voltou para a família Reid quando tinha oito anos. Coitado do menino."
Megan só conhecia o lado polido e público de Tristan. Não fazia ideia do que houvesse por trás de sua história.
Ela fitou Dona Jones com um toque de perplexidade. "Espere, não estou entendendo-Dona Jones, a mãe dele não é a Sra. Reid?"
Dona Jones balançou a cabeça, prestes a explicar, quando ambas ouviram uma batida forte e insistente na porta.