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A Imperatriz que Sepulta Seu Passado

A Imperatriz que Sepulta Seu Passado

Autor:: Xiang Si
Gênero: Moderno
Sacrifiquei meu ventre e minha juventude para construir o império arquitetônico de Alexandre nas sombras. Ele me retribuiu trazendo sua amante, Bia, para me incriminar por plágio e destruir minha reputação. Quando meu pai sofreu um infarto fulminante, Bia usou sua influência para bloquear a cirurgia que salvaria sua vida. Alexandre manteve a vida do meu pai moribundo como refém, forçando-me a ficar de joelhos diante da mulher que me arruinou. - Peça desculpas a ela, Cíntia - ele ordenou. - Ou eu mando desligar os aparelhos. Eu implorei. Raspei o que restava da minha dignidade do chão. Mas eles deixaram meu pai morrer de qualquer maneira. Descartada e humilhada, desapareci em um acidente de avião, deixando apenas uma aliança de casamento em um aterro sanitário. Anos depois, em uma cúpula global, Alexandre assistiu sua empresa desmoronar sob os ataques de um novo e implacável rival. Ele agarrou a mulher no vestido esmeralda, as mãos trêmulas ao reconhecer os olhos que pensava terem desaparecido para sempre. - Cíntia? Você está viva? Sorri, fria como o gelo. - A Sra. Ferraz morreu, Alexandre. Eu sou aquela que vai te enterrar.

Capítulo 1

Sacrifiquei meu ventre e minha juventude para construir o império arquitetônico de Alexandre nas sombras.

Ele me retribuiu trazendo sua amante, Bia, para me incriminar por plágio e destruir minha reputação.

Quando meu pai sofreu um infarto fulminante, Bia usou sua influência para bloquear a cirurgia que salvaria sua vida.

Alexandre manteve a vida do meu pai moribundo como refém, forçando-me a ficar de joelhos diante da mulher que me arruinou.

- Peça desculpas a ela, Cíntia - ele ordenou. - Ou eu mando desligar os aparelhos.

Eu implorei. Raspei o que restava da minha dignidade do chão. Mas eles deixaram meu pai morrer de qualquer maneira.

Descartada e humilhada, desapareci em um acidente de avião, deixando apenas uma aliança de casamento em um aterro sanitário.

Anos depois, em uma cúpula global, Alexandre assistiu sua empresa desmoronar sob os ataques de um novo e implacável rival.

Ele agarrou a mulher no vestido esmeralda, as mãos trêmulas ao reconhecer os olhos que pensava terem desaparecido para sempre.

- Cíntia? Você está viva?

Sorri, fria como o gelo.

- A Sra. Ferraz morreu, Alexandre. Eu sou aquela que vai te enterrar.

Capítulo 1

Meu mundo rachou ao meio no momento em que Bia Torres entrou no meu recém-inaugurado estúdio de design, com os olhos arregalados e transbordando de lágrimas fabricadas. Eu tinha acabado de lançar a "Ferraz Arquitetura", um pequeno escritório de arquitetura sob medida no qual despejei minha alma nos últimos seis meses. Era um salto de fé, um passo em direção a um futuro que eu havia deixado em espera por muito tempo, pouco antes de me comprometer com um mestrado adiado no exterior.

- Cíntia - ela choramingou, a voz mal passando de um sussurro, mas alta o suficiente para ecoar no espaço silencioso.

Ela parecia um gatinho abandonado na chuva, pura vulnerabilidade e desespero. Seu vestido caro estava amassado, o cabelo geralmente perfeito, desgrenhado. Era uma performance que eu reconhecia, uma na qual Alexandre sempre caía.

- Bia - respondi, minha voz plana, não traindo nada do turbilhão que se agitava dentro de mim. - A que devo esta... visita inesperada?

Ela desabou no sofá de veludo macio, enterrando o rosto nas mãos. Seus soluços preencheram a sala, teatrais e ensaiados. Eu a observava, minha fachada profissional firmemente no lugar. Eu era arquiteta, sim, mas também tinha treinamento em psicologia, uma habilidade que cultivei para lidar com a família volátil de Alexandre, nunca imaginando que a usaria em sua amante.

- Eu não consigo... não consigo mais fazer isso - ela engasgou entre suspiros. - A pressão. As expectativas. É demais.

Ela levantou a cabeça, os olhos borrados de rímel encontrando os meus.

- Você não entenderia, Cíntia. Você sempre teve tudo. Uma família amorosa, uma mente brilhante. Você nunca teve que rastejar do nada para chegar ao topo.

Suas palavras eram uma alfinetada sutil, um lembrete do abismo percebido entre nós. Ela estava certa sobre uma coisa; eu não tinha rastejado. Eu tinha construído. Mas minhas fundações estavam desmoronando rápido.

- Com o que exatamente você está lutando, Bia? - perguntei, minha voz calma, quase distante. Meu coração, no entanto, era um tambor frenético contra minhas costelas.

Ela fungou, puxando um lenço de seda da bolsa.

- O mundo é tão cruel, Cíntia. Você tem que sacrificar tanto apenas para sobreviver, para sentir o gosto da vida que merece. Coisas... coisas que você nunca pensou que faria.

Um calafrio percorreu minha espinha. O jeito que ela disse "sacrificar", a implicação velada de acordos ilícitos, era tudo muito claro. Ela estava confessando, à sua maneira distorcida, que estava se vendendo.

Antes que eu pudesse formular uma resposta, o som abafado de passos no corredor lá fora ficou mais alto. Minha respiração parou. Eu conhecia aquele passo confiante e decidido.

Os olhos de Bia piscaram para a porta, um brilho astuto e conhecedor substituindo momentaneamente sua angústia. Um fantasma de sorriso tocou seus lábios.

- Ele está aqui - ela anunciou, a voz subitamente mais forte, carregada de um triunfo perturbador. - Seu marido. Meu... benfeitor.

Meu olhar disparou para o vidro fosco da porta. Uma silhueta alta, inconfundivelmente a de Alexandre, apareceu. Ele segurava um buquê ridiculamente grande de rosas vermelhas vibrantes, suas pétalas um toque de cor berrante contra a elegância neutra do meu estúdio.

Minha garganta apertou. Alexandre. Aqui. Com ela. A cena era uma paródia grotesca de cada gesto romântico que ele já havia feito para mim. Mas desta vez, as rosas não eram para mim.

Seus olhos, geralmente tão afiados e dominadores, arregalaram-se momentaneamente em choque quando encontraram os meus através do vidro. Ele não esperava me encontrar aqui. Ou talvez, não esperasse encontrar Bia comigo. A surpresa rapidamente se transformou em uma máscara de preocupação educada, mas vi o lampejo de pânico, a breve rachadura em sua fachada polida.

Fechei os olhos por uma fração de segundo, desejando poder voltar no tempo. Lembrei-me dos primeiros dias, quando Alexandre me cortejava com uma seriedade tímida, uma única margarida colhida na beira da estrada, o rosto corado de afeto genuíno. Ele me prometeu o mundo então, não com rosas compradas em uma floricultura chique, mas com a ambição crua em seus olhos e as mãos calejadas que construíram nossos primeiros sonhos compartilhados.

Começamos com nada, um apartamento minúsculo, macarrão instantâneo tarde da noite e sonhos compartilhados desenhados em guardanapos. Ele era o visionário, eu era a estrategista silenciosa, a arquiteta de seu império nos bastidores. Trabalhamos incansavelmente, alimentados pelo otimismo juvenil e pela crença feroz um no outro. Ele jurou que tornaria nossas vidas lindas, que eu nunca teria que desejar nada novamente. Eu acreditei nele. Despejei meu talento, meu tempo, minha vida no Grupo Junqueira, sacrificando minhas próprias aspirações para que as dele pudessem voar.

Agora, seu império estava alto, reluzente, e eu fui deixada do lado de fora, um fantasma nos corredores brilhantes que ajudei a projetar. A riqueza veio, mas o amor, a intimidade, o futuro compartilhado, murcharam. Meu coração doía com uma pulsação familiar e surda. Respirei fundo, recusando-me a deixar a mágoa transparecer. Eu não daria a eles essa satisfação.

A porta se abriu e Alexandre entrou, o cheiro das rosas colidindo duramente com o leve aroma de tinta fresca e novos começos no meu estúdio. Ele sorriu, uma curva praticada e encantadora de lábios que não alcançava seus olhos.

- Cíntia, querida - disse ele, a voz suave, tentando preencher o silêncio constrangedor. Ele estendeu as rosas para mim, um gesto absurdo de normalidade fingida. - Vim buscar a Bia. E parabéns pelo estúdio. Soube dele pela... bem, pela Bia.

Não peguei o buquê. Minhas mãos permaneceram frouxamente entrelaçadas na minha frente, firmes como pedra.

- Você soube pela Bia? - perguntei, a voz calma, mas com uma ponta que esperava que ele não perdesse. - Que interessante. Minha inauguração não foi exatamente divulgada.

Bia, ainda no sofá, mas agora composta, ofereceu um sorriso doce e inocente.

- Ah, Cíntia, eu contei ao Alexandre. Vi sua postagem naquela rede social profissional e tive que dizer a ele o quanto estava orgulhosa de você começar seu próprio empreendimento.

Ela olhou para Alexandre, uma troca silenciosa passando entre eles, uma linguagem secreta compartilhada que me excluía.

Aquele sorriso, aquele olhar compartilhado, era como sal em uma ferida aberta. Olhei para a foto emoldurada na minha mesa - uma imagem desbotada de Alexandre e eu no dia do nosso casamento, jovens, esperançosos, ingênuos. Senti uma vontade súbita e visceral de quebrá-la, de estilhaçar a ilusão de um amor que já estava morto há muito tempo. Mas não o fiz. Eu não era mais aquela garota impulsiva. Eu tinha responsabilidades, um negócio incipiente, um nome a recuperar. Minha raiva fervilhava, um fogo frio no meu estômago.

- Entendo - disse finalmente, a palavra pesada com significado não dito. - Bem, obrigada pelo elogio.

Alexandre pareceu aliviado com minha resposta controlada. Ele largou as rosas em uma mesa próxima, seus caules espinhosos arranhando a madeira polida.

- Você está pronta, Bia? - perguntou ele, sua atenção já voltando para ela.

- Sim, Alexandre - respondeu ela, levantando-se com uma nova leveza em seus passos. Ela me deu outro sorriso meloso, os olhos brilhando com uma alegria maliciosa. - Foi... esclarecedor, Cíntia. Se cuida.

Eles se viraram para sair, mas antes que chegassem à porta, os primeiros gritos começaram. Uma cacofonia de vozes explodiu do lado de fora, ficando mais alta, mais agressiva.

- Cíntia Ferraz, é você?

- A plagiadora! A fraude!

- Como você ousa abrir um negócio depois de roubar o trabalho de outra pessoa?

Meu sangue gelou. Ouvi o clique frenético das câmeras, os flashes cegantes iluminando o espaço antes sereno. Bia não tinha apenas "contado ao Alexandre". Ela havia orquestrado isso.

Alexandre, momentaneamente atordoado, instintivamente me puxou para trás dele enquanto a multidão avançava contra a porta de vidro. Seus rostos, contorcidos com indignação fabricada, pressionavam contra os painéis.

- O que é isso, Cíntia? - Alexandre exigiu, a voz baixa e furiosa. - O que você fez?

- Eu não fiz nada - retruquei, minha voz tremendo apesar dos meus esforços. - Isso é obra da Bia. Ela armou para mim.

Bia, enquanto isso, havia se pressionado contra as costas de Alexandre, fingindo terror.

- Ah, Alexandre, eles estão tão bravos! E se nos machucarem?

De repente, um objeto pesado - um tomate podre, pelo cheiro - espatifou-se contra a porta, espalhando polpa vermelha no terno caro de Alexandre. Outro seguiu, atingindo o braço de Bia. Ela gritou, agarrando o cotovelo dramaticamente.

A postura protetora de Alexandre em relação a mim evaporou. Ele se virou, sua atenção voltada apenas para Bia.

- Você está bem, querida? Deixe-me ver.

Ele ignorou completamente a barragem de insultos e sujeira, os gritos de "plagiadora" e "destruidora de lares" que agora eram explicitamente dirigidos a mim. Ele havia me acusado de ser uma destruidora de lares em um sussurro, mas a multidão agora gritava isso, e meu nome estava atrelado a isso.

Ele guiou Bia para fora do estúdio, através de uma porta lateral que ela parecia saber que existia, deixando-me sozinha, desprotegida, enfrentando a multidão enfurecida. A última coisa que vi antes da porta bater foi a mão de Alexandre apoiando gentilmente as costas ilesas de Bia, o rosto marcado pela preocupação com ela.

Meu corpo parecia feito de gelo. Eu estava sozinha. Totalmente, completamente sozinha. Outro projétil, um saco do que cheirava a lixo em decomposição, atingiu meu ombro, derramando seu conteúdo no meu casaco branco imaculado. O fedor era avassalador. Tropecei para trás, minha visão embaçando.

Minha assistente, uma jovem chamada Sara que eu tinha contratado no mês passado, entrou correndo, o rosto pálido.

- Sra. Ferraz! Você está bem? Para onde vamos?

Não respondi. Apenas passei por ela, minhas pernas se movendo no piloto automático, desesperada para escapar da humilhação sufocante. Mal registrei os murmúrios preocupados da equipe restante. Eu só precisava sair dali.

Enquanto lutava para entrar no banco de trás de um carro que esperava, meu telefone tocou. Era o hospital. Meu pai.

- Sra. Ferraz - disse a voz do outro lado, urgente e grave. - Seu pai... ele sofreu um infarto fulminante. Precisamos realizar uma cirurgia de emergência, mas os fundos ainda não foram autorizados.

Minha respiração falhou.

- O quê? Isso é impossível. Alexandre cuida de todas as despesas médicas dele. Ele deveria ter autorizado imediatamente. - Minha voz era um sussurro desesperado. Apertei o telefone, os nós dos dedos brancos. - Leve-me para o hospital, Sara. Agora!

Enquanto Sara acelerava pelas ruas caóticas da cidade, eu os vi. Alexandre e Bia. O carro deles estava parado em um sinal vermelho, apenas algumas faixas adiante. Ele estava enxugando ternamente o braço de Bia com um lenço, acariciando seu cabelo, os olhos cheios de uma preocupação que eu não via dirigida a mim há anos. Por um arranhão no cotovelo. Enquanto meu pai estava morrendo.

No hospital, o cheiro estéril de antisséptico arranhou minha garganta. Corri, meus sapatos escorregando no chão polido, minhas roupas sujas um contraste gritante com a dignidade silenciosa da sala de espera. Quando cheguei ao quarto dele, ele já estava conectado a um emaranhado de máquinas, o rosto cinzento. Caí de joelhos ao lado da cama, a força drenando do meu corpo.

- Cíntia? - A voz dele era fraca, quase inaudível. - Por que... por que o Alexandre não está aqui com você?

Meu peito apertou. Eu não podia contar a ele. Não agora. Não quando ele estava tão frágil.

- Ele... ele teve uma emergência no trabalho, pai - menti, as palavras com gosto de cinzas. - Mas mandou lembranças. Ele está preocupado com o senhor.

Ele sorriu fracamente, um lampejo de seu antigo eu.

- Bom. Ele é um bom homem, Cíntia, sempre tão ocupado. Você parece cansada, minha menina. Você... você chegou a ir para aquele mestrado no exterior?

A pergunta me pegou desprevenida.

- Ainda não, pai. Comecei meu próprio escritório.

- Isso é maravilhoso - sussurrou ele, um brilho de orgulho nos olhos. - Mas não adie seus sonhos por muito tempo. Não se preocupe comigo. Vivi uma vida plena. - Ele fez uma pausa, o olhar distante. - Diga ao Alexandre... diga a ele que sinto muito por tentar impedir seu casamento, todos aqueles anos atrás. Eu pensei... pensei que ele não era bom o suficiente para você. Mas você o amava. E isso era tudo o que importava no final.

Uma enfermeira tocou gentilmente meu ombro.

- O horário de visita acabou, Sra. Ferraz. Precisamos prepará-lo para o procedimento.

Enquanto eu saía, meu telefone vibrou. Era uma mensagem do meu antigo professor, aquele que me incentivou a continuar os estudos. "Cíntia, o prazo de inscrição para a bolsa de pesquisa global é amanhã. É sua última chance. Pense nisso."

Minha mente girava. Todos esses anos, coloquei Alexandre em primeiro lugar. A carreira dele, os sonhos dele, o ego frágil dele. Sacrifiquei os meus. Meu pai, meu campeão inabalável, estava desaparecendo, e Alexandre estava cuidando do joelho ralado de Bia. Eu estava sendo publicamente humilhada, minha reputação destruída. Meu casamento era uma casca vazia. As palavras do meu pai ecoavam em meus ouvidos: *Não adie seus sonhos por muito tempo.*

Uma resolução feroz e desesperada endureceu em meu coração. Era isso. Essa era minha fuga. Minha tábua de salvação. Minha chance de finalmente escolher a mim mesma. Meus dedos tremiam enquanto eu digitava uma resposta para meu professor. "Estou dentro. Estarei lá."

A resposta dela foi imediata: "Excelente! O próximo voo para Londres parte em três dias. Vejo você lá, Cíntia."

Três dias. Três dias para desaparecer. Para morrer. Para renascer. O pensamento enviou um arrepio eletrizante através de mim. Meu casamento de treze anos, minha velha vida, minha própria identidade como "Sra. Alexandre Junqueira", parecia uma âncora pesada. Eu sabia o que tinha que fazer. Eu garantiria que essa âncora afundasse no fundo do oceano mais profundo.

Capítulo 2

Na manhã seguinte, uma solicitação genérica de amizade apareceu no meu telefone: "Bia Torres quer ser sua amiga". Meu polegar pairou sobre a tela, dividido entre a curiosidade mórbida e o instinto de excluir. A curiosidade venceu. Aceitei.

Meu coração martelava enquanto eu rolava pelo perfil dela. Era um destaque cuidadosamente curado de opulência e glamour. Fotos de festas luxuosas, roupas de grife, férias exóticas. Então eu vi. Uma foto de Alexandre e Bia, de braços dados, rindo, os rostos próximos, banhados pelo brilho suave da luz de velas. A legenda dizia: "Meu tipo favorito de noite romântica. Tão grata por este homem."

Meus olhos dispararam para a data abaixo da foto. 15 de outubro. Meu aniversário. Alexandre me disse que estava voando para Tóquio para uma reunião de negócios urgente, uma negociação crítica que ele não podia perder. Ele até me enviou uma mensagem de texto protocolar mais tarde naquela noite, desejando-me feliz aniversário e prometendo compensar quando voltasse.

Lembrei-me daquele aniversário. Passei sozinha, comendo comida chinesa de caixinha, tentando me convencer de que a ausência dele era um sinal de sua dedicação ao nosso futuro compartilhado, ao império que supostamente estávamos construindo juntos. Lembrei-me do ano anterior, quando comemoramos meu aniversário com champanhe barato na varanda do nosso apartamento minúsculo, rindo tanto que quase caímos. Ele me prometeu a eternidade então, uma vida inteira de alegrias simples compartilhadas.

Será que ele sequer se lembrava dessas promessas agora? Alguma coisa importava para ele? Senti uma onda de náusea me invadir. Não conseguia mais olhar. Fechei o aplicativo, a sensação nauseante de traição formando um nó frio no meu estômago.

Joguei meu telefone no banco do passageiro e acelerei em direção ao hospital. Precisava de respostas sobre meu pai. Irrompi pelas portas, indo direto para o posto de enfermagem no andar dele. A enfermeira-chefe, uma mulher mais velha chamada Marta que conhecia meu pai há anos, olhou para cima, os olhos se arregalando de surpresa.

- Cíntia? Não te vejo aqui há séculos. Está tudo bem?

- Marta, preciso saber sobre a condição do meu pai - disse, minha voz tensa. - Ele deveria ter feito uma cirurgia. Já aconteceu?

A testa de Marta franziu.

- Ah, Cíntia, o Alexandre não te contou? O hospital mudou de dono no mês passado. Estamos sob nova direção agora, e houve algumas... mudanças.

Minha cabeça se ergueu bruscamente.

- Mudou de dono? Não, não fui informada. - Alexandre era responsável por tudo, nossas finanças, os cuidados do meu pai. Ele nunca mencionou isso.

- A condição do meu pai - insisti novamente, ignorando a notícia perturbadora. - A cirurgia foi realizada?

Marta hesitou, olhando em volta nervosamente.

- Bem, Sra. Ferraz, a boa notícia é que ele está estável. Os novos médicos decidiram contra a cirurgia imediata. Eles o colocaram em uma nova medicação experimental. Dizem que é muito promissora, mas tem... efeitos colaterais.

- Efeitos colaterais? - cortei-a, uma pontada de desconforto se espalhando por mim. - Que tipo de efeitos colaterais? E quem autorizou essa mudança? Eu sou a parente mais próxima!

Marta torceu as mãos.

- Foi a assistente do Alexandre, Bia Torres. Ela veio ontem de manhã, logo depois que seu pai foi internado. Disse que o Alexandre estava muito ocupado para vir pessoalmente, mas que ele queria explorar todas as opções para seu pai. Ela autorizou o novo tratamento.

Minha visão embaçou. Bia. Claro. A mulher que havia planejado meticulosamente minha humilhação pública agora estava brincando de médica com a vida do meu pai.

- Ela autorizou? - repeti, minha voz mal passando de um sussurro. - Por que não fui informada? Eu sou a filha dele!

- Assumimos que o Alexandre tinha te contado - disse Marta, a voz cheia de preocupação genuína. - A Bia foi muito insistente. Disse que você estava... indisposta. E francamente, querida, ela foi bastante desagradável. Exigente, na verdade. Disse que se não seguíssemos as instruções dela, o Alexandre cortaria todo o financiamento do hospital.

O mundo inclinou-se em seu eixo. Alexandre. Bia. Meu pai. Tudo estava conectado em uma teia de engano e malícia. Meu pai, que viveu sua vida com tanta integridade, agora era um peão no jogo distorcido deles.

Tropecei para fora do hospital, o sol brilhante da tarde parecendo um soco no estômago. O cheiro de antisséptico agarrava-se às minhas roupas, um lembrete constante da traição estéril. Minha mente corria, juntando os fragmentos. Bia mudou o tratamento dele. Alexandre sabia. Ele permitiu. Era essa a maneira dele de me punir? Ou era algo muito mais sinistro?

Eu não podia ir para casa. Não para a casa que não era mais um lar, cheia dos fantasmas de uma vida que eu não reconhecia mais. Caminhei sem rumo, a cidade um borrão ao meu redor, até me encontrar parada em frente ao nosso primeiro prédio de apartamentos, o prédio sem elevador alugado onde Alexandre e eu começamos nossas vidas juntos.

Parecia menor, mais gasto do que eu lembrava. Um prédio de tijolos vermelhos desbotados, janelas riscadas de fuligem, uma planta solitária lutando pela vida em uma escada de incêndio. Lembrei-me das noites intermináveis que passamos lá, a comida barata, os sonhos que sussurrávamos um para o outro no escuro. Éramos tão pobres, tão cheios de esperança. Alexandre prometeu que um dia teríamos uma casa grande o suficiente para todos os nossos sonhos. Ele me prometeu a eternidade.

Estendi a mão para a maçaneta, uma necessidade desesperada de recuperar um pedaço daquele passado inocente. Mas quando minha mão tocou o metal frio, eu ouvi. Um gemido baixo e gutural, seguido pela risadinha sem fôlego de uma mulher. Meu sangue gelou. Os sons eram inconfundíveis, íntimos, crus.

Congelei, minha mão ainda na maçaneta. A risadinha parou, substituída por uma voz masculina, a voz de Alexandre, rouca e satisfeita. Ele murmurou algo que não consegui entender, mas o tom era claro o suficiente. Era uma voz que eu não ouvia dirigida a mim há anos. Então, outra risadinha, mais perto desta vez.

Minha mente ficou em branco. Fiquei ali, uma estátua esculpida em gelo, ouvindo a sinfonia horrível da traição do meu marido, tocando no mesmo lugar onde nosso amor floresceu. Um clique pequeno, quase imperceptível, ecoou pelo prédio quando minha mão, ainda segurando a maçaneta, se moveu ligeiramente.

Os sons íntimos lá dentro cessaram abruptamente. A voz de uma mulher, a voz de Bia, afiada com suspeita, cortou o silêncio repentino.

- Você ouviu isso, Alexandre? Tem alguém lá fora.

A voz de Alexandre, carregada de aborrecimento, seguiu.

- Provavelmente são só os vizinhos, Bia. Não seja tão paranoica.

Meu coração se estilhaçou, pedaço por pedaço agonizante. Os últimos vestígios de amor, de esperança, de qualquer pingo de dignidade que eu pensava ainda possuir, desmoronaram em pó. Eu queria gritar, enfurecer-me, arrombar a porta e confrontar os dois. Mas uma calma estranha se instalou sobre mim. Não havia mais nada pelo que lutar. Nada mais para salvar.

Percebi então que eu não era mais aquela garota jovem e impulsiva. Eu era uma mulher, despida pela traição, mas não quebrada. Ainda não. Eu não daria a eles a satisfação de ver minha dor.

A porta rangeu ligeiramente. Ouvi um suspiro lá de dentro, depois a voz de Alexandre, mais afiada agora.

- Quem está aí?

Virei-me e fugi. Corri escada abaixo, meus pés batendo, meus pulmões queimando, o som da minha própria respiração irregular ecoando em meus ouvidos. As lágrimas vieram então, quentes e ardentes, embaçando o corredor já escuro. Não me importava quem me visse. Apenas corri.

Um homem na rua olhou para mim, perplexo.

- Está chovendo? - murmurou ele, protegendo o rosto.

Não, não estava chovendo. Era só eu. Meu mundo estava desmoronando.

Naquela noite, encontrei-me no escritório mal iluminado de um renomado advogado de divórcio, um contraste gritante com meu próprio estúdio bem iluminado. Sentei-me à frente dele, meu rosto uma máscara de exaustão.

- Quero o divórcio - declarei, minha voz desprovida de emoção.

Ele perguntou sobre bens, sobre pensão alimentícia, sobre os anos que despejei na empresa de Alexandre. Listei as infidelidades de Alexandre, sua negligência, a indiferença fria que havia esvaziado nosso casamento. Mas quando ele perguntou sobre a profundidade da nossa conexão, o porquê de tudo isso, eu vacilei. As palavras ficaram presas na minha garganta. A dor era crua demais, profunda demais.

- Apenas... apenas me tire dessa - sussurrei finalmente, minha voz falhando. - Não quero nada. Apenas o divórcio. Só quero sair.

Ele olhou para mim, um lampejo de pena em seus olhos.

- Tem certeza, Sra. Ferraz? Você tem direito à metade de tudo.

- Tenho certeza - disse, minha voz firme apesar do tremor em minhas mãos. O pensamento de lutar por uma parte dos espólios deles me revoltava. Eu só queria que tudo acabasse. Eu queria ser livre.

Na manhã seguinte, armada com uma petição de divórcio recém-assinada, entrei novamente no arranha-céu reluzente que abrigava o Grupo Junqueira, o império que ajudei a construir.

Capítulo 3

O saguão elegante e moderno do Grupo Junqueira parecia estranho, apesar de eu mesma tê-lo projetado. A recepção, antes uma visão familiar, agora era ocupada por um rosto novo. Uma jovem com olhos afiados e inquisitivos olhou para cima quando me aproximei.

- Com licença, a senhora tem hora marcada? - perguntou ela, a voz educada, mas firme.

- Não - respondi, minha voz estável. - Sou Cíntia Ferraz. Esposa de Alexandre Junqueira.

Os olhos dela se arregalaram, um lampejo de surpresa, depois curiosidade mal velada, cruzando suas feições. Meu status como "a esposa" sempre foi nebuloso, um título que Alexandre raramente exibia. Minha ausência da face pública da empresa significava que muitos funcionários novos nem sabiam que eu existia.

Ela pegou o telefone, o olhar ainda fixo em mim.

- Bia, a Sra. Ferraz está aqui para ver o Sr. Junqueira.

Alguns momentos depois, Bia emergiu do elevador, seu cabelo perfeitamente penteado e maquiagem impecável um contraste gritante com sua aparência desgrenhada de ontem. Seus olhos, no entanto, continham um brilho frio e predatório sob a inocência fingida.

- Cíntia? Ah, meu Deus - exclamou ela, a voz carregada de falsa preocupação. - Que surpresa! O Alexandre ainda não chegou, mas por favor, suba. Podemos esperá-lo no escritório dele.

Ela usou o pronome "nós" com ênfase deliberada, uma afirmação sutil de sua nova posição.

Eu a segui, meus olhos examinando os corredores familiares. Ela se movia com uma facilidade perturbadora, navegando pelo labirinto corporativo como se fosse dona dele. Aquele era meu mundo, minha criação, mas eu me sentia uma intrusa, um fantasma assombrando os corredores do meu próprio passado. Cada canto, cada elemento de design, sussurrava sobre as noites sem dormir que despejei neste lugar, os sonhos que compartilhei com Alexandre. Eu havia imaginado uma vida inteira aqui, trabalhando ao lado dele, construindo algo duradouro. Em vez disso, tornei-me a "esposa desempregada", uma sócia silenciosa apagada da narrativa da empresa.

- Chegamos - anunciou Bia, empurrando a porta pesada do escritório de Alexandre.

Preparei-me para um confronto, uma ameaça velada, uma declaração presunçosa de sua vitória. Mas ela simplesmente sorriu, uma curva melosa e perturbadora nos lábios, e fechou a porta atrás de nós.

Meu olhar varreu a sala. Era o escritório de Alexandre, mas parecia distintamente dela. Um lenço de seda delicado drapeado sobre a cadeira dele, um tubo meio vazio de creme para as mãos caro ao lado do teclado, e uma pequena vela perfumada, ainda quente, perfumava o ar com uma fragrância doce e enjoativa. Aquilo não era apenas um escritório; era um santuário, um espaço compartilhado onde construíam uma vida, uma paródia perversa daquela que Alexandre e eu sonhamos anos atrás. Aqueles não eram apenas objetos; eram declarações, gritos silenciosos de posse.

Meus olhos pousaram em uma fotografia com moldura de prata na mesa dele. Um menino, não mais velho que cinco anos, com o cabelo escuro e os olhos travessos de Alexandre, estava rindo, com o braço em volta de um golden retriever. Minha respiração falhou.

Minha mão tremeu quando a alcancei, meus dedos traçando o rosto inocente do menino. Folheei o pequeno álbum ao lado, cada página um instantâneo da infância: primeiros passos, festas de aniversário, peças da escola. E em quase todas as fotos, lá estava Alexandre, com o braço em volta do menino, o rosto irradiando um calor e orgulho que eu não o via expressar há anos.

Então, lá estava. Um retrato de família. Alexandre, Bia e o menino, todos sorrindo, perfeitamente posados, uma imagem de felicidade doméstica. Meu mundo, já despedaçado, estilhaçou-se em mais um milhão de pedaços. Uma criança. Alexandre tinha um filho. O filho deles.

- Ele é um menino lindo, não é? - A voz de Bia, suave e enganosamente gentil, cortou o silêncio. Ela estava ao meu lado, segurando uma caneca fumegante de chá, os olhos fixos na fotografia. - O Alexandre o adora.

Ela tomou um gole de chá, depois continuou, a voz ganhando um tom arrepiante.

- Foi um acidente, sabe. Aquela primeira noite. O Alexandre estava... perturbado. Você não estava muito por perto, ele disse. Ele tinha bebido, e alguém colocou algo na bebida dele. Ele pensou que eu fosse você. - Ela fez uma pausa, deixando as palavras pairarem no ar. - Ele ficou tão envergonhado na manhã seguinte. Ordenou que eu ficasse quieta. Mas depois de algumas semanas, ele não suportou a ideia de eu ir embora. Ele me mudou para um apartamento, depois me trouxe para cá, como assistente dele. Disse que precisava de mim por perto.

Olhei para ela, vendo-a verdadeiramente pela primeira vez. Seus olhos, seu sorriso, a curva de seu maxilar. Ela não era uma réplica exata, mas havia uma semelhança impressionante. Eu estava olhando para uma versão mais jovem e menos calejada de mim mesma, uma substituta cuidadosamente escolhida para preencher um vazio.

Uma risada amarga escapou dos meus lábios. Um som seco e sem humor que surpreendeu até a mim.

- Então, você é a substituta - disse, minha voz fria, desprovida de emoção. - A dublê conveniente para a esposa que "nunca estava por perto".

O sorriso de Bia vacilou por um momento, depois se endireitou.

- Ele foi muito claro sobre os sentimentos dele por mim depois que contei sobre o bebê. Ele ficou em êxtase. Disse que era um sinal, um novo começo. Ele me comprou aquele colar, sabe - ela gesticulou para o pingente de diamante brilhante em sua garganta. - E me prometeu tudo. - Seus olhos brilharam com triunfo. - Ele me escolheu, Cíntia. Ele escolheu nossa família. Você... você é apenas uma relíquia.

Minha mão, segurando o chá, tremeu imperceptivelmente. O calor infiltrava-se pela porcelana, mas eu não sentia nada além de gelo. Olhei para as fotos novamente, depois de volta para o rosto presunçoso e vitorioso dela. Então, com um movimento súbito e deliberado, joguei o chá quente no rosto dela.

Bia gritou, um grito cru e não adulterado de choque e dor. Ela tropeçou para trás, agarrando o rosto, depois desabou no chão, puxando o cabelo dramaticamente, seus soluços transformando-se em lamentos torturados. Ela até conseguiu dar um tapa na própria bochecha, adicionando uma marca vermelha fresca à pele manchada de chá. Uma verdadeira performance.

Nesse momento, a porta do escritório se abriu com força. Alexandre estava lá, uma sacola de compras de grife em uma mão, um sorriso suave e amoroso no rosto. Seus olhos, geralmente tão afiados, estavam suaves de afeto. Ele devia estar trazendo roupas novas para Bia, outro símbolo de sua devoção.

Seu sorriso desapareceu no momento em que viu Bia no chão, chorando, e eu de pé sobre ela, meu rosto uma máscara de fúria fria. Seus olhos se estreitaram, cheios de raiva imediata e pura.

- Cíntia! O que você fez?! - ele rugiu, largando a sacola. Correu para o lado de Bia, puxando-a para seus braços, ignorando-me completamente. - Bia, meu amor, você está bem? O que ela fez com você?

Bia soluçou no peito dele, a voz abafada, mas teatral.

- Ela... ela simplesmente entrou, Alexandre. Estava tão brava. Tentei acalmá-la, mas ela simplesmente... ela simplesmente jogou chá quente na minha cara! E disse... disse coisas terríveis sobre nosso bebê!

Zombei, um som curto e agudo de descrença.

- Nosso bebê, Alexandre? É assim que você o chama agora? - Levantei a foto da família, minha mão tremendo levemente. - O que é isso, Alexandre? Sua vida secreta? Sua família perfeita?

Ele recuou, os olhos disparando para a foto, depois de volta para Bia, que agora segurava o estômago, choramingando.

- Cíntia, não é o que parece. Você não entende.

- Ah, eu entendo perfeitamente - rebati, minha voz carregada de veneno. - Entendo que você construiu uma segunda vida, uma segunda família, nas sombras, enquanto eu estava ao seu lado. Entendo que você permitiu que essa... essa mulher mudasse o tratamento médico do meu pai. E entendo que você tem mentido para mim há anos.

O rosto dele endureceu.

- O que você quer, Cíntia? Dinheiro? É por isso que você está aqui, me chantageando? - As palavras dele foram como um golpe físico.

- Chantagem? - Ri novamente, um som áspero e quebradiço. - Você acha que eu quero seu dinheiro? Depois de tudo? Você realmente pensa tão pouco de mim? - Dei um passo mais perto, meus olhos flamejando. - Você me prometeu uma família, Alexandre. Você me prometeu uma vida inteira. E então me disse... me disse que eu não podia ter filhos. - As palavras foram arrancadas da minha garganta, cruas e dolorosas. - Você se lembra disso, Alexandre? Lembra por que não posso ter filhos?

Os olhos dele piscaram, uma pitada de algo ilegível ali.

- Cíntia, não. Não toque nesse assunto.

- Por que não? - cuspi, os anos de dor reprimida explodindo. - Porque é inconveniente? Porque te lembra da verdade? Eu quase morri, Alexandre! Trabalhando até ficar doente pela sua empresa, sofrendo uma hemorragia gástrica, perdendo minha chance de ser mãe! E você... você prometeu que ficaríamos bem, que não precisávamos de filhos. Você até sugeriu uma vasectomia, mas nunca fez!

Ele recuou como se tivesse levado um tapa.

- Eu... eu sei que te devo, Cíntia. Vou consertar as coisas. Mas não se atreva a machucar meu filho. Ou a Bia.

- Machucá-los? - perguntei, uma calma arrepiante se instalando sobre mim. - Ah, Alexandre, não vou encostar um dedo neles. Mas vou pegar o que é meu. Cada centavo do que me é devido. Começando com o divórcio. - Puxei o documento branco e nítido, suas bordas ainda afiadas, e o joguei na mesa dele. - Assine.

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