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A Irmã Bastarda: Metade do Império, Todo o Prazer

A Irmã Bastarda: Metade do Império, Todo o Prazer

Autor:: Andyie
Gênero: Bilionários
Ela foi abandonada pela mãe. Criada entre mentiras. Ignorada por todos. Até descobrir que metade de um império bilionário era seu por direito. Úrsula Costa nunca teve nada, mas agora, tem tudo. Uma herança inesperada a coloca lado a lado com a irmã perfeita, rica e mimada que nunca soube de sua existência. Isadora quer reconstruir laços de sangue. Úrsula só quer o que é dela... e talvez um pouco mais. Mais poder. Mais prazer. Mais vingança. E o que poderia doer mais em uma irmã do que perdê-lo? Luiz, o marido doce e submisso, o bom moço da elite, não resistiu ao veneno de Úrsula - e caiu de joelhos, literalmente. Agora, entre jogos corporativos e segredos de alcova, a bastarda não pretende recuar. Ela não quer ser apenas parte da família. Quer ser a dona de tudo.

Capítulo 1 Prefácio

O cigarro pairava entre os dedos com unhas longas pintadas de vermelho vibrante, a fumaça dançava no ar do cômodo fechado, impregnando o cheiro do tabaco em todos os tecidos. No telefone, uma voz triste ensaiada, já havia feito muito aquilo, poderia se dizer profissional se aquilo pudesse ser considerado de fato um trabalho.

- Sim, recebi o dinheiro para fazer o aborto. Não precisa se preocupar, não irei à clínica sozinha.

A chamada foi encerrada três minutos depois, com direito a choro fingido. Ao fim da ligação, um sorriso cresceu nos lábios pintados de vermelho. Úrsula estava habituada àquele jogo. Semanas saindo com um homem casado e rico, roupas compradas, sapatos renovados e pacotes em salões pagos, e era hora de partir para o próximo. Não gostava de ser amante fixa, gostava do jogo da conquista. Talvez gostasse mais daquilo do que de fato do dinheiro, pois já tinha o suficiente.

Gravidez era sempre o último tópico, seu pé na bunda ensaiado. Homens poderosos e casados não conseguiam sequer imaginar a possibilidade de terem um filho bastardo.

- Uma pena, esse era mesmo bem legal! - comentou para si mesma enquanto se levantava da poltrona, caminhando pelo espaço pequeno do quarto de hotel.

Suas malas já estavam feitas no chão. Ela se olhou uma última vez no espelho: os olhos negros, o cabelo longo como um véu brilhante, a roupa preta discreta, os sapatos de salto fino e o sobretudo de pele. Estava

pronta para ir para a próxima cidade, se inserir num novo círculo social, destruir um novo casamento.

Em outra parte da cidade, uma mulher deitada na cama de hospital segurava a mão da filha, com os olhos pesados e o peito arfando em agonia. A pele estava fria, os dedos frágeis. A filha chorava silenciosa, as lágrimas escorrendo sem pressa, quase como se já soubesse que aquele era o fim.

- Filha... preciso te contar uma coisa... - a mulher murmurou, a voz quase sumindo.

- Mãe, por favor... não fala agora, descansa.

- Não, escuta... eu... eu tive outra filha, antes de você...

A filha arregalou os olhos, o corpo rígido, o sangue gelado nas veias.

- Antes de eu conhecer seu pai... era pobre, morava num cortiço... eu... eu a deixei para trás...

As lágrimas agora desciam em torrente pelo rosto da filha.

- Nunca soube o que aconteceu com ela... mas... você precisa achá-la...

Foram as últimas palavras antes de a mão da mãe cair, sem forças, e o monitor do hospital emitir o som contínuo e cruel. A filha gritou, os médicos correram, mas ela sabia.

No velório, o cheiro de flores doces pairava no ar, abafado pelo murmúrio dos presentes e pelo som das pás de terra caindo sobre o caixão. O marido a abraçava forte, tentando conter o próprio choro, enquanto ela desabava, sentindo o peito vazio, como se algo essencial tivesse sido arrancado. Era oficialmente órfã. O pai havia partido quando ainda era criança, e agora a mãe também.

Tinha muitos bens: a mansão, o apartamento de alto padrão, o carro de luxo, a conta recheada, as joias, os vestidos de grife, a coleção de livros raros da mãe. Tinha um casamento feliz, com um homem que a amava e prometia estar ao seu lado em qualquer situação. Mas, ainda assim, havia um vazio, algo que nem as joias nem o dinheiro preenchiam.

Ninguém do seu sangue pisava naquela terra, ninguém além daquela irmã perdida. Queria encontrá-la; não só para cumprir o último pedido da mãe, mas porque agora, mais do que nunca, precisava de alguém que dividisse com ela o peso da origem, o laço de sangue.

Capítulo 2 1 A Tempestade de Úrsula

Úrsula adentrava o clube como uma tempestade silenciosa. O salto fino tocava o mármore com precisão, o vestido preto justo como uma segunda pele, a fenda discreta revelando a curva da coxa. Ela desfilava pelo salão com a calma de quem sabia que estava sendo observada; e ela sabia. Os olhos dos homens percorriam seu corpo, as mulheres a fitavam com um misto de desdém e inveja. Úrsula gostava dessa energia.

A música eletrônica preenchia o ambiente, as luzes pulsavam no ritmo, e ela se deixou levar, os quadris marcando o compasso enquanto as mãos se moviam soltas pelo corpo, como se fosse dona de si, como se fosse feita para dançar. Um sorriso discreto pairava em seus lábios pintados de vermelho, os olhos negros faiscavam sob a luz.

Ela não se preocupava em escolher, apenas esperava o jogo acontecer. Nenhum homem com aliança havia se aproximado. Ainda.

Foi então que sentiu o olhar dele. Um toque sutil, como se a encarasse sem medo, sem pudor.

Ele tinha no máximo 30 anos, alto, pele morena de tom quente, barba rente e bem-feita, cabelo castanho escuro ligeiramente bagunçado, como se tivesse passado os dedos por ele momentos antes. A camisa branca estava dobrada até os cotovelos, justa no peito largo, as calças de alfaiataria bem cortadas. No pulso, um relógio de luxo, e na mão...

Nada. Nenhuma aliança.

Mas havia algo. Um detalhe sutil: a marca fina, quase imperceptível, de onde um anel costumava estar. A pele um pouco mais clara na base do dedo anelar. Úrsula sorriu, e o sorriso era felino, carregado de intenção.

Ele se aproximou, a voz baixa e confiante:

- Você dança como quem sabe exatamente o que está fazendo.

Ela deu uma risada suave, como se não se importasse com o elogio, mas gostasse dele.

- E você olha como quem sabe exatamente o que quer.

Os olhos dele brilharam, um canto da boca se ergueu em um sorriso enviesado, e os dois se aproximaram, o calor entre os corpos crescendo.

Úrsula deslizou uma mão pelo braço dele, a ponta dos dedos roçando a pele exposta. Ele a segurou pela cintura, firme, mas sem pressa.

- A noite é longa, mas às vezes ela passa rápido demais para certos jogos.

- Nem todos os jogos precisam durar a noite toda, às vezes um final rápido é suficiente - ela respondeu, com um brilho provocante nos olhos.

Ele inclinou a cabeça, a respiração quente perto do ouvido dela.

- Um lugar mais reservado, então?

Ela mordeu o lábio inferior, fingindo hesitar, mas o olhar era puro convite.

- Eu conheço um lugar perfeito.

---

O quarto era um santuário de excessos: paredes de veludo carmesim, luzes baixas filtrando tons dourados sobre lençóis de seda negra. No centro, uma cama larga como um convite, com a cabeceira acolchoada e espelhos estrategicamente posicionados, refletindo ângulos que aguçavam a imaginação.

Úrsula entrou primeiro, seus saltos marcando um compasso firme no chão. Parou diante da cama, deslizando os dedos pelas hastes do cabelo, os olhos negros faiscando como se carregassem um segredo antigo. Ele veio logo atrás, sem tirar os olhos dela, como um animal hipnotizado pelo faro de caça.

Ela tirou o sobretudo de pele com um movimento estudado, os ombros nus iluminados pelas lâmpadas âmbar. O vestido escorregou pelo corpo como se o próprio tecido soubesse que não era digno de permanecer ali. Sob a luz suave, sua pele parecia dourada, um campo de calor a ser explorado.

Ele se aproximou devagar, o paletó caindo com descuido, os dedos desabotoando a camisa como quem desembrulha um presente caro. Os olhos de Úrsula acompanharam o movimento, e quando as mãos dele tocaram sua cintura, ela estremeceu, sentindo o calor pulsar sob a pele.

Os toques eram uma coreografia silenciosa: dedos que deslizavam pela curva da cintura, que encontravam o caminho pelas costas nuas, que traçavam rotas invisíveis na pele macia. Ela o recebeu como uma onda recebe o vento: de olhos fechados, cabeça tombada para trás, a respiração entrecortada, os lábios entreabertos.

A roupa dele foi desaparecendo aos poucos, como um ritual de desarmar armaduras. As mãos de Úrsula o percorriam como quem decifra um mapa antigo, sentindo a firmeza dos músculos, o calor do peito, a pulsação no pescoço. Quando ele se inclinou para beijá-la, os lábios se tocaram como faíscas acendendo um incêndio; um roçar suave, depois um puxar mais firme, a língua dançando com a dela em um compasso íntimo e inescapável.

A cama os recebeu sem pressa, como se o mundo inteiro tivesse desacelerado. Os lençóis deslizaram sob seus corpos, enquanto os toques se aprofundavam, exploravam, marcavam territórios invisíveis. O cheiro dele, um misto de colônia amadeirada e desejo cru, misturou-se ao aroma do ambiente, saturando o ar.

Ela o puxava para perto, os dedos cravados em seus ombros, e o tempo parecia se esticar em suspiros e beijos longos demais para caber em qualquer relógio. O ritmo era uma dança: ora suave, ora urgente, como uma música que se intensifica, que explode em notas altas e depois retorna ao sussurro, à respiração compartilhada no escuro.

Os espelhos refletiam fragmentos: mãos entrelaçadas, bocas famintas, olhos fechados em deleite, a curva das costas dela arqueando para receber o calor dele. O tempo não importava. Só o agora, só os corpos entrelaçados, só a certeza de que, por aquela noite, eram apenas dois desconhecidos se devorando em silêncio, sem perguntas, sem promessas.

E quando o último fôlego foi dado, quando os corpos cederam ao cansaço e ao calor compartilhado, Úrsula permaneceu ali, deitada, com um sorriso satisfeito no canto dos lábios pintados de vermelho.

---

Ela acordou com a luz suave filtrada pelas cortinas pesadas do quarto. A seda dos lençóis ainda carregava o calor da noite anterior, mas a cama ao lado estava fria. O silêncio era cortante; a ausência dele era um eco nos cantos do quarto luxuoso. Ela se sentou devagar, o corpo ainda pesado, a pele marcada pelas horas anteriores, os cabelos bagunçados como se carregassem os segredos da madrugada.

Sobre o criado-mudo, um bilhete dobrado, escrito à mão.

"A conta já está paga. Desculpe pelo que aconteceu. Amo minha esposa. Isso não vai se repetir."

Úrsula ficou imóvel, os dedos apertando o papel até ele quase rasgar. A caligrafia era firme, sem hesitação. As palavras, um soco no estômago.

Ao lado do bilhete, um maço de notas, dobradas com descuido, como gorjeta jogada para uma funcionária qualquer.

A respiração dela ficou pesada, o sangue queimando sob a pele.

Ela não era uma prostituta. Nunca foi. Jogava o jogo do desejo, da conquista, da sedução, mas nunca cobrava. Não era sobre o dinheiro, era sobre o poder, sobre o controle. Aquilo a enojava: o bilhete, as desculpas vazias, o dinheiro como pagamento.

O rosto dele voltou à mente como uma cicatriz fresca: o olhar escuro e denso, o sorriso enviesado, a barba rente, os dedos fortes em sua cintura. Úrsula se levantou, nua, o maço de dinheiro em mãos, os olhos faiscando raiva.

- Covarde... - sussurrou, os lábios vermelhos crispados.

Vestiu-se devagar, com movimentos precisos, como quem se arma para a guerra. Olhou-se no espelho: os olhos negros como poço sem fundo, a pele dourada sob o vestido preto, os saltos altos tornando-a mais letal.

Ele podia ter fugido sem deixar um nome, mas não sem deixar vestígios. A sombra da aliança, o cheiro, o olhar, a voz. Aquela cidade podia ser grande, mas não era infinita. E ela era paciente.

Ele não sabia, mas tinha acabado de entrar para o jogo de Úrsula.

E Úrsula não perdoava.

Capítulo 3 2 O Segredo de Clara pt1

O nome dela era Isadora Valli.

Aos 32 anos, Isadora era o retrato da elegância sóbria e da força discreta. Morena de pele dourada, cabelos castanhos escuros sempre presos em um coque impecável, vestia ternos sob medida que a deixavam ainda mais imponente. A ponta dos saltos soava firme sobre o piso de madeira do escritório envidraçado, no 23º andar da torre empresarial que levava o sobrenome da família: Grupo Valli.

Era uma empresa sólida, de raízes tradicionais no ramo de exportação de commodities, construída tijolo a tijolo por seu pai, Alessandro Valli, um visionário que enxergava oportunidades onde os outros só viam obstáculos. Depois da morte dele, a mãe, Clara, assumiu o comando, modernizando processos, implementando políticas mais humanizadas e diversificando os investimentos. Sob a batuta de Clara, o Grupo Valli se tornou referência em sustentabilidade e inovação. Agora, com a morte recente da mãe, tudo estava em suas mãos.

Isadora sabia que a empresa estava bem. Os números estavam sob controle, as projeções seguiam positivas, os contratos mantinham-se sólidos. Mas o trabalho era seu refúgio, ou talvez sua fuga.

Ela mal se lembrava da última vez que tinha dormido sem pesadelos ou acordado sem aquela sensação de vazio.

Estava mergulhada em relatórios e planilhas quando a voz da secretária interrompeu:

- Dra. Isadora... - a voz suave e atenta de Lívia soou, com um misto de respeito e preocupação. - Já passa das sete. A senhora precisa parar. Pelo menos um café.

Isadora levantou o olhar, os olhos castanhos levemente avermelhados pelo cansaço. Ela respirou fundo, passando a mão pelo rosto, como se o toque pudesse espantar o peso da exaustão.

- Tudo bem, Lívia. Eu já vou... - a frase morreu no ar quando o telefone sobre a mesa vibrou, e o visor mostrou o nome que fazia seu estômago gelar: Detetive Breno Medeiros.

Ela atendeu, engolindo em seco.

- Sim?

A voz do investigador era direta, sem rodeios:

- Dra. Isadora, creio que temos uma pista sobre sua irmã. Pode vir até o meu escritório?

Isadora sentiu o sangue esquentar sob a pele. Fechou os olhos por um instante, tentando organizar a respiração.

- Estou a caminho.

Levantou-se, pegando o sobretudo de lã preta. Lívia já estava ao lado, segurando a bolsa e o tablet.

- Eu dirijo. - disse a secretária, com firmeza, como quem já sabia que a chefe não estava em condições.

No caminho, o silêncio era pesado. O carro deslizou pelas ruas iluminadas, os vidros escurecidos refletindo fragmentos de uma cidade que não parava.

Lívia, no banco do motorista, quebrou o silêncio com um tom cuidadoso:

- Ele voltou pra casa?

Isadora virou o rosto para a janela, observando as luzes desfocadas.

- Não. Continuamos brigados.

- Doutora, perdoe a intromissão, mas... - Lívia hesitou, os dedos apertando o volante. - Ele é seu marido. Talvez... Talvez ele só não saiba como lidar com o seu luto. Às vezes, os homens têm essa mania de tentar consertar tudo com presença, com toque...

Isadora respirou fundo, o maxilar tenso.

- Ele quer que eu seja alegre, disponível, sexual, como se nada tivesse acontecido. Como se dois meses fossem tempo suficiente pra "voltar ao normal".

Ela soltou um riso curto, amargo.

- Ele não me merece.

Lívia desviou o olhar por um instante, mas não resistiu a dizer:

- Talvez você devesse reconsiderar. Ele parece... Ele parece amar você, doutora.

Isadora permaneceu em silêncio. Lá fora, a cidade seguia seu curso, indiferente às dores humanas.

O escritório do detetive Breno Medeiros era simples, funcional, sem ornamentos desnecessários. Havia uma mesa robusta de madeira escura, alguns arquivos empilhados de maneira organizada e um leve cheiro de café passado há pouco tempo. Ao lado da janela, uma luminária de luz amarelada lançava sombras sobre os papéis espalhados.

Isadora entrou determinada, o salto dos sapatos ecoando pelo piso. Lívia permaneceu à porta, como uma sombra atenta.

Breno levantou-se, ajeitando a gravata com um gesto automático.

- Boa noite, doutora Valli. - Ele a cumprimentou com um aceno breve, já puxando uma cadeira para ela. - Obrigado por vir tão rápido.

- O que você descobriu? - A voz de Isadora era baixa, mas carregava uma urgência inconfundível.

Breno pegou uma pasta e a abriu com cuidado, como se segurasse algo frágil demais para o toque.

- Encontramos uma mulher que, ao que tudo indica, pode ser sua irmã.

Isadora se inclinou para frente, os olhos presos no detetive.

- O nome dela é Úrsula Costa. Nasceu no mesmo cortiço em que sua mãe viveu na juventude, na Vila Mariana. - Ele virou algumas folhas. - Trinta e cinco anos, sem filhos, sem marido. Não tem emprego formal registrado, mas... - Ele pausou, os olhos subindo para Isadora. - Apesar da origem humilde, ela frequenta lugares caros, se veste muito bem. Segundo informações preliminares, o pai dela faleceu quando Úrsula tinha 18 anos. Desde então, ela parece ter seguido um caminho... peculiar.

Isadora franziu o cenho.

- Peculiar como?

Breno entrelaçou os dedos sobre a mesa.

- Não há muitos detalhes ainda. Ela parece ter amigos influentes, gente de alta sociedade, mas não há vínculos claros. Vive bem, mas não há fonte de renda declarada. É bonita, carismática. E os lugares que frequenta... - Ele puxou uma foto e deslizou até Isadora. - Restaurantes de luxo, eventos exclusivos. Ela sabe se mover nesses ambientes.

Isadora pegou a foto com mãos tensas. Ali, impressa em papel fotográfico, estava Úrsula.

Os olhos: negros, intensos pareciam brilhar mesmo na imagem estática. O cabelo preto caía em ondas largas sobre os ombros, e a boca, de contorno generoso, lembrava demais a de Clara. Havia algo no nariz, na linha do maxilar... Era como se visse a mãe projetada ali, mas também algo selvagem, uma aura que parecia desafiar as regras.

Isadora não piscou, não respirou por um instante.

- É ela. - Sua voz saiu quase em sussurro.

Breno se recostou na cadeira, cruzando os braços.

- Eu entendo sua ansiedade, doutora, mas preciso pedir paciência. - Ele falou com calma, o tom de quem já havia lidado com casos sensíveis. - Ainda temos que investigar mais. Saber com quem ela anda, como ela se sustenta, se há riscos. Entrar em contato agora poderia assustá-la, espantá-la, e perderíamos a chance de entender o contexto.

Isadora forçou-se a largar a foto, os dedos ainda trêmulos.

- Eu... - Ela respirou fundo. - Eu entendo.

- Eu prometo que estamos avançando. Assim que tiver algo mais concreto, aviso. - Ele fechou a pasta. - Mas por favor, não tome nenhuma iniciativa sem me consultar. Estamos lidando com alguém... que pode ter mais segredos do que parece.

Isadora assentiu, embora uma chama de impaciência ardesse em seu peito.

Lívia tocou levemente o ombro dela, como um lembrete silencioso de que estavam juntas nisso.

Enquanto saíam do escritório, Isadora olhou mais uma vez para a foto de Úrsula, gravando cada detalhe. A certeza era implacável: era ela. Sua irmã.

Agora, ela só precisava esperar.

Mas paciência nunca foi seu forte.

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