Dante era meu mundo, meu protetor, meu tudo. Ele me prometeu as estrelas e construiu um jardim suspenso que tocava as nuvens, um amor que era uma lenda.
Mas então ele segurou a mão de outra mulher, Lívia, e me olhou como se eu fosse uma completa estranha. "Quem é você?", ele perguntou, e meu mundo desabou.
De repente, fui reduzida a uma serva, humilhada e torturada por Lívia, que desfrutava de tudo o que um dia foi meu, enquanto Dante observava, impassível. Minha Árvore dos Desejos foi cortada para sua lareira, e ele não fez nada.
Eu não entendia. Como ele pôde me esquecer? Como a devoção mais profunda poderia se transformar em tal crueldade? A cada dia, a dor e a humilhação me consumiam.
Até que, em uma noite escura, ouvi a verdade mais cruel: "É para o bem dela. Devo fazê-los acreditar que ela não é nada, que Lívia é tudo. Só assim Elara estará segura." O amor dele não tinha desaparecido, ele me sacrificou. Não para me esquecer, mas para me "proteger" . Mas essa proteção era uma tortura. E a verdade doeu mil vezes mais. Naquele instante, tudo se quebrou dentro de mim. O amor, a esperança, a fé... tudo virou cinzas. Decidi então que não seria mais a vítima. Eu iria embora. Para sempre.
Dante era o senhor de tudo, seu poder inquestionável, sua vontade, a lei. Todos se curvavam diante dele, mas ele, por sua vez, se curvava apenas para uma pessoa: Elara. Para ela, ele construiu um jardim suspenso que tocava as nuvens, para ela, ele moveu estrelas. O amor dele era uma lenda, a devoção dele, uma canção que todos conheciam.
"Você é meu mundo, Elara, minha única estrela no céu escuro", ele sussurrava para ela nas noites frias, o calor do corpo dele era o único lar que ela conhecia.
E ela acreditava. Como não acreditar?
Mas isso foi antes.
Agora, Dante segurava a mão de outra mulher, Lívia, e olhava para ela com a mesma devoção que antes era reservada apenas para Elara. O jardim suspenso agora era o playground de Lívia, as estrelas que ele moveu agora brilhavam para ela.
"Dante?", Elara chamou, a voz um fio fraco, perdido no grande salão.
Ele se virou, o olhar dele frio, vazio, como se olhasse para uma completa estranha. "Quem é você? Por que me chama com tanta familiaridade?"
O mundo de Elara desabou. O coração dela se partiu em mil pedaços. Ele não se lembrava. O amor da vida dela, seu protetor, seu tudo, a havia esquecido completamente. Lívia sorriu, um sorriso vitorioso e cruel, apertando a mão de Dante com mais força.
"Ela é apenas uma serva, meu amor", disse Lívia, a voz doce como mel envenenado. "Não se preocupe com ela."
A partir daquele dia, a vida de Elara se tornou um inferno. As servas que antes a reverenciavam agora zombavam dela, os guardas que a protegiam agora a empurravam. Ela foi forçada a servir Lívia, a observar a mulher que roubou seu lugar desfrutar de tudo que um dia foi seu. O pior de tudo era ver o olhar vazio de Dante, a indiferença dele doía mais do que qualquer ferida física.
Eles até destruíram a Árvore dos Desejos, a árvore que ela e Dante plantaram juntos, um símbolo da esperança e do futuro deles. Lívia ordenou que a cortassem para fazer lenha para sua lareira, e Dante não fez nada para impedir. Ele apenas observou, impassível, enquanto as chamas consumiam o último vestígio do amor deles.
Naquela noite, escondida na escuridão, Elara ouviu uma conversa que mudou tudo. Dante não estava sozinho. Ele falava com seu conselheiro mais próximo.
"Você tem certeza de que este é o único caminho, meu senhor?", perguntou o conselheiro, a voz cheia de preocupação. "Fingir que a esqueceu, tratá-la com tanta crueldade... o coração dela não vai suportar."
O coração de Elara parou. Fingir?
"É para o bem dela", a voz de Dante era baixa, tensa, cheia de uma dor que ele nunca mostrava em público. "Eles estão observando. Se souberem o quanto ela significa para mim, eles a usarão para me destruir. Devo fazê-los acreditar que ela não é nada, que Lívia é tudo. Só assim Elara estará segura."
Segura? Elara quase riu em meio às lágrimas. Segura? Ele a estava destruindo para salvá-la? A traição, a dor, a humilhação... tudo era uma farsa. Uma mentira cruel para protegê-la. Mas a proteção dele era uma tortura. A dor da verdade era mil vezes pior do que a dor do esquecimento. Ele não a havia esquecido, ele a havia sacrificado.
Naquele momento, algo dentro de Elara se quebrou para sempre. O amor, a esperança, a fé... tudo se transformou em cinzas. Ela secou as lágrimas, o rosto uma máscara de frieza. Se a dor era o preço da segurança dele, ela não a queria mais.
Ela iria embora. Para sempre.
No dia seguinte, Dante a procurou. Ele a encontrou limpando os estábulos, um trabalho que Lívia a forçou a fazer. O cheiro era horrível, as mãos dela estavam machucadas e sujas.
"Preciso falar com você", disse ele, a voz controlada, sem emoção.
Elara não levantou o olhar. Ela continuou seu trabalho, a pá pesada em suas mãos. "A senhora Lívia não ficaria feliz em vê-lo falando com uma serva."
A mandíbula de Dante se contraiu. "Não me importo com o que Lívia pensa. Olhe para mim, Elara."
Lentamente, ela levantou a cabeça. Os olhos dela, que antes brilhavam de amor por ele, agora estavam frios e vazios como os dele. "Sim, meu senhor?"
A frieza dela o atingiu. Ele esperava lágrimas, súplicas, mas não essa indiferença cortante. "Lívia... ela não está se sentindo bem. O curandeiro disse que precisa de uma transfusão de sangue de alguém com uma força vital pura. Você é a única."
O sangue de Elara gelou. Ele estava pedindo que ela desse seu sangue, sua força vital, para a mulher que a estava torturando. "E se eu recusar?"
"Você não pode", disse ele, a voz dura. "É uma ordem."
Ela foi arrastada para os aposentos de Lívia. A mulher estava deitada na cama, parecendo pálida e frágil, mas seus olhos brilhavam de malícia. Elara foi amarrada a uma cadeira, a agulha fria perfurando sua pele. Ela sentiu sua força vital sendo drenada, a visão escurecendo, o corpo ficando fraco. O curandeiro parecia preocupado, mas Dante não o deixou parar.
"É o suficiente, meu senhor! Mais do que isso e ela pode...", começou o curandeiro.
"Continue", ordenou Dante, sem olhar para Elara.
Quando finalmente acabou, Elara mal conseguia ficar de pé. Ela estava tonta, fraca, sentindo um frio que vinha de dentro. E então, ela viu. Dante se aproximou de Lívia, ajeitou os travesseiros dela com uma gentileza que partiu o coração de Elara. Ele pegou um pano úmido e limpou a testa de Lívia, sussurrando palavras de conforto.
"Descanse, meu amor. Você vai ficar bem agora", ele disse suavemente.
Era um eco doloroso do passado. Ele costumava fazer o mesmo por ela quando ela ficava doente. Cuidava dela com a mesma ternura, sussurrava as mesmas palavras. A ironia era esmagadora, uma faca girando em seu peito. A fraqueza, a dor, a humilhação... tudo se misturou em uma onda de desespero.
Dante se virou para ela, o rosto uma máscara impenetrável. Ele estendeu uma pequena bolsa de moedas. "Sua compensação."
Elara olhou para as moedas, depois para o rosto dele. Compensação? Por quase matá-la? Por roubar sua vida? Ela empurrou a bolsa para longe. "Não quero seu dinheiro."
Lívia, vendo a cena da cama, forçou uma tosse fraca. "Oh, Dante, ela é tão ingrata. Depois de tudo que fizemos por ela." Ela então olhou para um pequeno vaso na mesa de cabeceira. Continha uma única rosa do jardim suspenso, a última que restava da roseira que Elara havia plantado. "E ela ainda ousa manter isso. Essa rosa... me incomoda."
Antes que Elara pudesse reagir, Lívia estendeu a mão e derrubou o vaso. Ele se espatifou no chão, a água e os cacos de vidro se espalhando. A rosa, a última lembrança de seu amor, foi esmagada sob o pé de Lívia.
A raiva e a dor sufocaram Elara. Ela olhou para Dante, esperando, rezando por uma faísca de sua antiga proteção. Mas ele apenas desviou o olhar.