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A Liberdade de Lia

A Liberdade de Lia

Autor:: Xia Ying Xi
Gênero: Moderno
Era o início de um novo capítulo em Coimbra. O amor florescia entre Lia e Diogo, uma paixão intensa, alimentada por promessas de um futuro juntos nas vinhas do Douro. Ele era meu protetor, meu mundo. Até àquela noite fatídica na Queima das Fitas. Num beco escuro, fui brutalmente atacada. Gritei desesperadamente pelo Diogo, com toda a minha alma. Ele passou por mim, a cabeça baixa, ignorando a minha agonia. Ele abandonou-me. Anos depois, o protetor virou carrasco. Ele raptou-me, aprisionou-me na sua quinta. Fui acorrentada, sujeita a tortura diária, física e mental. Partiu-me a perna. Levou-me à beira do abismo, forçando-me a desejar a morte como única fuga. O seu sorriso gentil e beijos venenosos. Como o homem que amava se tornou este monstro? O que o transformou contra mim? A dor esmagava-me, mas a confusão e a raiva ardiam. O que havia de tão podre na nossa história, que me valeu este inferno? Mesmo acorrentada e quebrada, a esperança de liberdade surgiu inesperadamente, oferecida pela sua própria mãe. Duas escolhas: ser para sempre sua prisioneira ou desaparecer, renascida. A decisão era clara, a liberdade chamava.

Introdução

Era o início de um novo capítulo em Coimbra.

O amor florescia entre Lia e Diogo, uma paixão intensa, alimentada por promessas de um futuro juntos nas vinhas do Douro.

Ele era meu protetor, meu mundo.

Até àquela noite fatídica na Queima das Fitas.

Num beco escuro, fui brutalmente atacada.

Gritei desesperadamente pelo Diogo, com toda a minha alma.

Ele passou por mim, a cabeça baixa, ignorando a minha agonia.

Ele abandonou-me.

Anos depois, o protetor virou carrasco.

Ele raptou-me, aprisionou-me na sua quinta.

Fui acorrentada, sujeita a tortura diária, física e mental.

Partiu-me a perna.

Levou-me à beira do abismo, forçando-me a desejar a morte como única fuga.

O seu sorriso gentil e beijos venenosos.

Como o homem que amava se tornou este monstro?

O que o transformou contra mim?

A dor esmagava-me, mas a confusão e a raiva ardiam.

O que havia de tão podre na nossa história, que me valeu este inferno?

Mesmo acorrentada e quebrada, a esperança de liberdade surgiu inesperadamente, oferecida pela sua própria mãe.

Duas escolhas: ser para sempre sua prisioneira ou desaparecer, renascida.

A decisão era clara, a liberdade chamava.

Capítulo 1

O pesadelo era sempre o mesmo.

Um beco escuro em Coimbra, o cheiro a terra molhada e a álcool barato. Mãos a agarrarem-me, risos cruéis a ecoarem nos meus ouvidos. A dor.

Acordei a suar, o coração a bater descontroladamente no peito.

A primeira coisa que senti foi o frio do metal à volta do meu tornozelo. A corrente estava presa à base de uma cama moderna e minimalista, um contraste gritante com as paredes de pedra da velha quinta.

O meu corpo ainda tremia. As marcas roxas nos meus pulsos eram uma recordação constante de onde eu estava. Prisioneira.

A porta abriu-se sem fazer barulho.

Diogo entrou, um sorriso gentil nos lábios. Trazia um tabuleiro com o pequeno-almoço: pão fresco, fruta e um copo de sumo. O cheiro fez-me o estômago revirar.

"Bom dia, meu amor. Dormiste bem?"

A sua voz era suave, preocupada. Se não fosse pela corrente, qualquer um acreditaria que ele era um namorado atencioso.

Ele pousou o tabuleiro na mesa de cabeceira e sentou-se na beira da cama, a sua mão a afastar uma madeixa de cabelo do meu rosto. Recuei instintivamente.

O seu sorriso vacilou por um segundo.

"Não tenhas medo de mim, Lia. Eu só quero cuidar de ti."

As suas palavras eram veneno doce.

"Porque estás a fazer isto, Diogo?" a minha voz saiu rouca, um sussurro.

Ele suspirou, como se estivesse desapontado com a minha pergunta.

"Porque me deixaste. Porque me humilhaste."

A confusão era um nevoeiro denso na minha mente. A memória do nosso reencontro há duas semanas era um borrão de terror.

Eu estava a trabalhar na restauração dos azulejos de uma capela antiga no Porto. Ele apareceu, charmoso como sempre, o herdeiro do império do Vinho do Porto. Falou do nosso tempo na universidade, de como sentia a minha falta.

Por um momento, acreditei nele. Senti uma ponta daquela antiga felicidade.

Fui estúpida.

Ele convidou-me para jantar. Quando entrei no carro dele, as portas trancaram-se. O sorriso dele desapareceu, substituído por uma máscara de fúria fria.

"Vamos para casa, Lia. Para a nossa casa."

E agora, aqui estava eu.

"Diogo, por favor," implorei, as lágrimas a começarem a escorrer pelo meu rosto. "Deixa-me ir. Eu juro que desapareço. Eu perdoo-te por isto. Só me deixa ir."

Ele olhou para mim, os seus olhos escuros a brilharem com uma intensidade que me assustava.

"Perdoas-me?" ele riu, um som sem alegria. "És tu que precisas do meu perdão. Mas não te preocupes. Eu vou ensinar-te a amar-me outra vez."

Capítulo 2

A sua resposta atingiu-me com a força de um soco.

"Nunca!" gritei, a minha voz a quebrar-se. "Eu nunca mais te vou amar!"

A fúria explodiu no rosto de Diogo. Ele levantou-se de um salto, o tabuleiro do pequeno-almoço voou contra a parede, espalhando comida e cacos de loiça pelo chão.

"Tu pertences-me, Lia! Percebes? Em vida ou na morte, serás sempre minha!"

O seu grito ecoou nas paredes de pedra. Ele aproximou-se de mim, o seu corpo tenso de raiva. Encolhi-me na cama, puxando a corrente o mais que podia.

Ele agarrou-me pelos ombros, os seus dedos a cravarem-se na minha pele.

"Tu vais aprender a tua lição," sibilou ele, o seu rosto a centímetros do meu.

O som da porta a abrir-se novamente interrompeu-o.

Uma jovem, com os mesmos olhos escuros e arrogantes de Diogo, entrou no quarto. Era Catarina, a sua irmã mais nova.

Ela olhou para mim com desprezo.

"Diogo, o que é que esta vagabunda ainda está a fazer aqui a gritar? Pensei que já a tinhas posto no seu lugar."

Diogo largou-me, a sua raiva a diminuir ligeiramente na presença da irmã.

"Catarina, não é altura para isso."

"Não é altura?" ela riu-se, um som agudo e desagradável. "Por causa dela, tu estás a sofrer. Ela destruiu-te. Ela merece tudo o que lhe acontecer."

Catarina caminhou até mim. O seu olhar era frio e cruel.

"Tu és a culpada por tudo isto," disse ela, a sua voz baixa e ameaçadora. "Destruíste o meu irmão. E agora, vais pagar."

Antes que eu pudesse reagir, a sua mão voou e esbofeteou-me com força. A minha cabeça estalou para o lado, a bochecha a arder.

A dor, a humilhação, o medo. Tudo se misturou numa onda avassaladora. O mundo à minha volta começou a escurecer.

A última coisa que ouvi foi a voz de Catarina, cheia de ódio.

"Isto é só o começo."

Depois, tudo ficou preto.

Acordei com o cheiro a antisséptico. Estava num quarto de clínica, a luz suave a entrar pela janela. A minha cabeça doía.

Olhei para o lado. Diogo estava a dormir numa poltrona ao lado da minha cama, a sua cabeça encostada para trás, a sua expressão exausta. Por um momento, parecia vulnerável. Quase o mesmo rapaz por quem me apaixonei em Coimbra.

Uma pontada de algo que se assemelhava a pena atravessou-me, mas desapareceu tão depressa como veio. Este homem era o meu carcereiro. O meu monstro.

A porta abriu-se e o meu coração gelou.

Três figuras entraram. Reconheci-os imediatamente.

Nuno e Ricardo, os primos de Diogo. E um terceiro homem, o cúmplice deles.

Os meus agressores.

Eles sorriam, um ar de superioridade nos seus rostos. O pânico subiu pela minha garganta, a sufocar-me.

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