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A Lista dos Feios

A Lista dos Feios

Autor:: Crawford Sinclair
Gênero: Romance
No escritório, a humilhação parecia ser a nova política. Todo ano, Paula, minha chefe e a mulher por quem eu secretamente nutria sentimentos, organizava a cruel "Lista dos Mais Feios". Desta vez, fui o "campeão", e minhas cartas de amor e o convite para a festa da empresa se tornaram o palco de um escárnio público, rasgados e zombados por Pedro, o queridinho dela. A verdade das minhas intenções foi distorcida, minha dignidade pisoteada, e o que era para ser um gesto de carinho virou chacota. Senti a raiva fria me consumir, enquanto observava Mariana, a garota quieta, ser também nomeada a "Mais Feia", seus ombros tremendo em um choro silencioso. A injustiça, a crueldade gratuita, era demais para suportar. Naquele instante, algo explodiu dentro de mim; a vergonha se transformou em uma fúria silenciosa, e, com uma dignidade recém-descoberta, estendi a mão para Mariana, oferecendo-lhe não apenas uma carona para casa, mas um chocolate que Paula jamais mereceria, selando um destino que poucos poderiam prever e redefinindo quem eu realmente era, o herdeiro Albuquerque.

Introdução

No escritório, a humilhação parecia ser a nova política.

Todo ano, Paula, minha chefe e a mulher por quem eu secretamente nutria sentimentos, organizava a cruel "Lista dos Mais Feios".

Desta vez, fui o "campeão", e minhas cartas de amor e o convite para a festa da empresa se tornaram o palco de um escárnio público, rasgados e zombados por Pedro, o queridinho dela.

A verdade das minhas intenções foi distorcida, minha dignidade pisoteada, e o que era para ser um gesto de carinho virou chacota.

Senti a raiva fria me consumir, enquanto observava Mariana, a garota quieta, ser também nomeada a "Mais Feia", seus ombros tremendo em um choro silencioso.

A injustiça, a crueldade gratuita, era demais para suportar.

Naquele instante, algo explodiu dentro de mim; a vergonha se transformou em uma fúria silenciosa, e, com uma dignidade recém-descoberta, estendi a mão para Mariana, oferecendo-lhe não apenas uma carona para casa, mas um chocolate que Paula jamais mereceria, selando um destino que poucos poderiam prever e redefinindo quem eu realmente era, o herdeiro Albuquerque.

Capítulo 1

A humilhação no escritório começou com uma lista.

Não uma lista qualquer, mas a "Lista dos Mais Feios", uma tradição cruel e infantil que a minha chefe, Paula, fazia questão de organizar todos os anos para "animar" a equipe.

Naquele dia, eu era o alvo principal.

Paula, com seu sorriso perfeito e roupas de grife, subiu em uma cadeira no meio do escritório, segurando uma folha de papel como se fosse um troféu. O silêncio se instalou, pesado e expectante.

"Atenção, pessoal! Chegou a hora mais esperada do ano! A votação foi acirrada, mas temos nossos campeões!"

A voz dela era melódica, mas carregada de veneno. Pedro, o queridinho do escritório e seu cúmplice leal, estava ao lado dela, rindo como um idiota.

"E o prêmio de 'Mais Feio' do nosso escritório vai para... João!"

As risadas explodiram, ecoando pelas paredes brancas do escritório. Senti o calor subir pelo meu pescoço, minhas mãos suando frio debaixo da mesa. Eu tentei me encolher na minha cadeira, desejando desaparecer.

Mas Paula não tinha terminado.

"E tem mais!", ela continuou, com um brilho malicioso nos olhos. "Parece que nosso campeão é um romântico! Recebemos algumas... contribuições anônimas."

Ela desdobrou outra folha de papel. Meu coração parou. Eram as cartas que eu tinha escrito para ela. Cartas ingênuas, cheias de uma admiração que agora me parecia patética. E junto com elas, o convite que eu tinha deixado em sua mesa mais cedo, convidando-a para a festa da empresa.

Pedro pegou uma das cartas e começou a ler em voz alta, imitando uma voz chorosa e dramática.

"Oh, Paula, sua beleza ilumina meus dias cinzentos..."

Cada palavra era uma facada. O escritório inteiro gargalhava. Alguns colegas desviavam o olhar, constrangidos, mas a maioria se juntou ao coro de zombarias. Eu era o palhaço do circo, e Paula era a mestra de cerimônias.

"Que perdedor", Pedro zombou, amassando a carta e jogando-a na minha direção. "Ele realmente achou que tinha alguma chance com você, Paula."

Paula desceu da cadeira, caminhou até minha mesa e me olhou de cima a baixo com desprezo.

"João, João... Você é um bom funcionário, talentoso até. Mas precisa se olhar no espelho. Eu? Com você? Nunca."

Ela pegou o convite para a festa que eu havia feito, rasgou-o lentamente em pedaços e deixou os confetes de papel caírem sobre minha cabeça. A humilhação era completa, pública e esmagadora.

"Ah, e não podemos esquecer da nossa campeã feminina!", anunciou Paula, voltando para o centro das atenções. "A 'Mais Feia' deste ano é... Mariana!"

Um murmúrio percorreu o escritório. Mariana era a garota quieta do canto, a que nunca falava com ninguém, sempre de cabeça baixa e com roupas simples. Ela se encolheu ainda mais, se possível, seu rosto pálido ficando vermelho.

A festa de humilhação continuou por mais alguns minutos, e então, aos poucos, as pessoas começaram a arrumar suas coisas para ir embora, ainda rindo e comentando.

Eu fiquei ali, paralisado, os pedaços do meu convite espalhados na minha mesa como as ruínas da minha dignidade.

Então, algo dentro de mim mudou. Uma raiva fria e clara substituiu a vergonha.

Levantei-me. Ignorei os olhares curiosos. Ignorei Paula e Pedro, que me observavam com sorrisos de escárnio.

Caminhei em linha reta até a mesa de Mariana.

Ela estava de cabeça baixa, seus ombros tremendo silenciosamente. Ela não percebeu minha aproximação até que eu parei bem na sua frente.

Ela ergueu o olhar, seus olhos cheios de lágrimas e surpresa.

"Eu te levo para casa", eu disse, minha voz firme.

Paula, que observava a cena, soltou uma risada alta e debochada.

"Olhem só! Os dois patinhos feios vão embora juntos! Que comovente!"

Ignorei-a completamente. Mantive meu olhar fixo em Mariana, oferecendo-lhe uma mão. Ela hesitou por um segundo, então, timidamente, aceitou.

Enquanto a guiava para fora do escritório, passei pela mesa de Paula. Sobre ela, havia uma pequena caixa de presente. Eram os chocolates belgas caríssimos que eu tinha comprado para lhe dar na festa. Sem parar de andar, peguei a caixa.

"O que você está fazendo?", ela perguntou, surpresa.

Eu não respondi. Continuei andando com Mariana ao meu lado. Quando chegamos à porta, me virei para Mariana e estendi a caixa de chocolates para ela.

"Para você."

O queixo de Paula caiu. Seus olhos se arregalaram, uma mistura de choque e algo que eu não conseguia decifrar tomou conta de seu rosto. Ela esperava que eu ficasse arrasado, rastejando. Ela não esperava esse ato de desafio, essa transferência de afeto.

Mariana olhou para os chocolates, depois para mim, confusa e grata.

Saímos do prédio e caminhamos em silêncio até o estacionamento. A humilhação ainda ardia, mas agora havia algo mais. Uma resolução.

Eu parei em frente a um carro preto, elegante e absurdamente caro. Uma Maserati. Pressionei o botão na chave e as luzes piscaram.

Abri a porta do passageiro para Mariana. Ela olhou para o carro, depois para mim, completamente atônita.

Naquele momento, enquanto eu olhava para a crueldade superficial de Paula e para a dor silenciosa de Mariana, eu entendi tudo. Eu tinha sido um tolo, cego pela beleza exterior, incapaz de ver o veneno que se escondia por trás de um rosto bonito.

A humilhação que sofri não foi o fim. Foi o começo.

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Capítulo 2

No dia seguinte, a atmosfera no escritório estava carregada. As pessoas me olhavam de soslaio, cochichando. A história do carro de luxo já tinha se espalhado como fogo.

Paula tentou se aproximar da minha mesa pela manhã, um sorriso forçado nos lábios.

"João, sobre ontem..."

Eu nem levantei a cabeça. Continuei digitando no meu teclado, o som das teclas sendo a única resposta que ela recebeu. Fingi que ela não existia.

Depois de um momento de silêncio constrangedor, ela bufou e se afastou. A rejeição a atingiu mais do que qualquer insulto.

No final do expediente, caminhei até a mesa de Mariana. Ela já estava de pé, arrumando suas coisas, visivelmente nervosa.

"Pronta?", perguntei.

Ela assentiu, um pequeno e tímido "sim" escapando de seus lábios. Sua aceitação era cautelosa, como a de um animal assustado que não está acostumado com a gentileza.

Enquanto caminhávamos para a saída, passamos por Paula. Ela estava nos observando, seu rosto uma máscara de fúria contida. Ao nos ver passar, ela não conseguiu se controlar. Com um gesto brusco, varreu uma pilha de papéis de sua mesa para o chão. O som ecoou pelo escritório silencioso, mas nós não paramos.

Dentro do carro, o silêncio era denso. Mariana olhava pela janela, suas mãos apertando a alça de sua bolsa.

Finalmente, ela se virou para mim.

"Por que você está fazendo isso?", ela perguntou, sua voz baixa, quase um sussurro. "Por que está me ajudando?"

Eu olhei para a estrada à frente, minhas mãos firmes no volante.

"Porque eu cansei de ver pessoas como eles ganhando sempre", eu disse. "E porque ninguém merece passar pelo que você passou ontem."

Ela não disse mais nada, mas senti uma pequena mudança na sua postura. Um pouco menos de tensão.

"De agora em diante, eu te levo e te busco todos os dias", eu acrescentei. "Não se preocupe com eles."

Era uma promessa.

A semana passou nesse novo ritmo. Eu a buscava, a levava para casa. No escritório, eu a tratava com uma normalidade que ela nunca havia recebido de ninguém. Trocávamos e-mails de trabalho, eu pedia sua opinião sobre projetos. Aos poucos, ela começou a relaxar na minha presença.

Mas a paz não durou.

Na sexta-feira, eu me atrasei um pouco para sair. Quando cheguei ao andar de baixo, vi a cena.

Pedro e dois de seus amigos tinham encurralado Mariana perto da saída.

"Olha só, a Cinderela está esperando a carruagem?", Pedro zombava, com seu sorriso arrogante. "Você realmente acha que esse cara se importa com você? Ele só está te usando para me atingir, sua feia."

"Me deixem em paz", disse Mariana, tentando passar por eles.

Um dos amigos de Pedro a empurrou de leve, fazendo-a tropeçar. Sua bolsa caiu no chão, espalhando seu conteúdo pelo piso de mármore. Uma carteira, chaves, um batom... e um pequeno caderno de desenho.

O caderno caiu aberto.

Nele, havia um desenho. Um retrato a lápis, incrivelmente detalhado e sensível.

Era um retrato meu.

Não era o "João feio" do escritório. Era eu, concentrado no meu trabalho, com uma expressão séria que ela capturou com uma precisão assustadora. Havia um respeito, uma admiração no traço que me deixou sem ar.

Pedro viu o desenho. Seu sorriso de escárnio se alargou ainda mais.

"Mas o que temos aqui? A feia é uma perseguidora também? Que patético."

Ele se abaixou para pegar o caderno.

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